Tag: gases de efeito estufa

  • Mercado de carbono cresce no Brasil e abre porta de renda para produtores rurais

    Mercado de carbono cresce no Brasil e abre porta de renda para produtores rurais

    O Brasil pode gerar 370 milhões de toneladas em créditos de carbono a partir da criação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE), instituído em 2024. O dado consta em um estudo que a PwC Brasil divulgou no ano passado e que coloca o país na liderança desse mercado. A consultoria também projeta um potencial de movimentação de R$ 1 trilhão e a geração de cerca de 3 milhões de empregos.

    A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) apoiou e articulou o avanço do mercado regulado de carbono no Brasil. Deputados e senadores ligados à frente atuaram de forma expressiva para viabilizar a Lei nº 15.042/2024, que instituiu o SBCE e tirou a proposta do papel.

    Um dos pontos centrais da legislação prevê a participação dos produtores rurais como geradores de créditos de carbono. A agricultura, assim como as florestas, figura entre as formas de capturar carbono e reduzir a presença de gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera.

    Durante a tramitação no Senado Federal, os parlamentares reconheceram o papel estratégico da agropecuária nesse processo e incluíram o setor no texto final, o que permite que parte dos créditos de carbono venha da produção rural. “O produtor rural é quem mais preserva no Brasil. Qualquer política ambiental precisa reconhecer esse esforço. E permitir que ele decida se quer ou não participar do mercado de carbono, sendo remunerado de forma justa”, destacou a vice-presidente da FPA, senadora Tereza Cristina (PP-MS).

    O que são créditos de carbono

    Os créditos de carbono representam certificados de redução ou captura de gases de efeito estufa. Cada crédito corresponde a uma tonelada de dióxido de carbono equivalente reduzida ou removida da atmosfera.

    Diferentes metodologias definem essa métrica. Certificadoras avaliam os projetos geradores de créditos, verificam o cumprimento das regras e atestam a qualidade do que é produzido. O reflorestamento de uma área, por exemplo, integra as atividades com potencial para gerar créditos de carbono.

    bois pastando
    Foto: Rodarte/Agro em Campo

    O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), ressaltou que a instituição do SBCE cria uma oportunidade para remunerar o produtor pelos serviços ambientais prestados. Um tema que ainda avança lentamente no país. “A estruturação do mercado de carbono é uma oportunidade para gerar renda ao produtor rural e contribuir para a preservação ambiental, com respeito ao direito de propriedade”, comentou.

    Diferentes caminhos para gerar créditos no campo

    O produtor rural conta com diferentes formas de gerar créditos de carbono. A captura de carbono no solo, os projetos de bioenergia, o tratamento de dejetos e a conservação de áreas além das obrigações legais figuram entre os principais exemplos.

    O coordenador político da FPA no Senado, senador Marcos Rogério (PL-RO), apontou como uma conquista a possibilidade de gerar créditos de carbono em áreas preservadas dentro das propriedades rurais. A articulação garantiu essa inclusão durante a tramitação da matéria no Senado Federal.

    “O Senado corrigiu um erro grave ao garantir que quem preserva seja devidamente remunerado. Portanto, não faria sentido criar um ativo ambiental sem assegurar o direito de propriedade”, afirmou o senador.

    Mercado ainda depende de regulamentação

    A expectativa aponta para o SBCE totalmente funcional em 2030. Na fase atual, o mercado aguarda a regulamentação do sistema, que deve definir as formas de monitoramento e verificação do cumprimento das regras pelos projetos geradores de créditos.  “Mais do que uma nova fonte de receita, o crédito de carbono tornou-se um ativo estratégico. Que amplia a competitividade do produtor rural nos mercados nacional e internacional”, explica Pablo Feitosa, CEO do Carbon Group, e especialista em atender empresas que querem migrar para esse mercado.

    A regulamentação também vai estabelecer o limite de créditos gerados pela produção rural que as empresas obrigadas a reduzir ou compensar emissões de gases de efeito estufa poderão utilizar. A lei busca estimular essas empresas a desenvolver ferramentas próprias de redução de emissões, sem depender apenas da compensação.

    Portanto, produtores rurais interessados em gerar créditos de carbono também precisam acompanhar essa etapa. Os projetos deverão seguir metodologias reconhecidas e credenciadas, regra que garante validade aos créditos gerados apenas quando cumprem as especificações estabelecidas.

    Pablo Feitosa é CEO do Carbon Group

    “O crédito de carbono consolida-se como um diferencial estratégico para o produtor rural. Agregando valor à produção, fortalecendo práticas sustentáveis e ampliando a competitividade do agronegócio brasileiro. Portanto, em um mercado cada vez mais orientado por critérios ambientais, a capacidade de gerar e comercializar créditos de carbono deixa de ser apenas uma oportunidade. E passa a representar uma vantagem competitiva relevante, tanto no cenário nacional quanto no internacional”, conclui Feitosa.

  • Estudo mostra impacto ambiental completo da produção de whey protein no Brasil

    Estudo mostra impacto ambiental completo da produção de whey protein no Brasil

    Embrapa, UTFPR e Sooro Renner mapeiam, pela primeira vez no Brasil, a pegada de carbono do soro de leite em pó em toda a sua cadeia produtiva, do pasto à fábrica. O estudo redefiniu os critérios de medição do impacto ambiental do whey protein. E posiciona o setor lácteo nacional em um novo patamar de transparência e eficiência.

    https://www.instagram.com/p/DZId9h_pH8o/

    O professor Fábio Puglieri, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), coordenou o projeto com base na Avaliação de Ciclo de Vida (ACV). A metodologia mensura os impactos ambientais potenciais de produtos e serviços de forma integrada. A análise cobre a produção do leite in natura, o transporte, o processamento industrial e a obtenção do soro em pó, o popular whey protein. “A cadeia láctea brasileira acaba de dar um passo decisivo rumo à transparência ambiental e à eficiência produtiva”, afirma Vanessa Romário de Paula, analista da Embrapa Gado de Leite.

    Abordagem sistêmica diferencia o estudo

    O diferencial do projeto em relação a pesquisas anteriores está na visão completa da cadeia. Em vez de analisar os elos de forma isolada, a metodologia conectou múltiplas etapas produtivas em uma única avaliação. “Ao incluir os fluxos de transporte e as sucessivas transformações industriais, o projeto oferece um diagnóstico fiel do desempenho ambiental do setor. E permite identificar onde estão os maiores gargalos de emissão de gases de efeito estufa”, explica Thierry Ribeiro Tomich, pesquisador da Embrapa Gado de Leite.

    A pesquisa se dividiu em duas etapas. Na primeira, os pesquisadores caracterizaram e tipificaram os sistemas de produção de leite da base de fornecedores da Sooro Renner, considerando critérios de representatividade geográfica e tecnológica. Na segunda, o estudo voltou-se para a indústria e o transporte, levantando dados primários sobre os processos de industrialização da empresa e de seus laticínios parceiros.

    85% das emissões acontecem no campo

    Um dos achados mais relevantes do estudo é a concentração das emissões na fase rural. Cerca de 85% dos gases de efeito estufa da produção de soro em pó têm origem no campo. Isso significa que ações de mitigação na produção primária geram impacto muito maior do que mudanças em embalagens ou na matriz energética da indústria, que respondem por uma parcela minoritária das emissões totais.

    Um dos pilares do projeto é a democratização do conhecimento. Os pesquisadores disponibilizaram os Inventários de Ciclo de Vida (ICV) do soro na plataforma SICV Brasil. Ela é gerida pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), em acesso livre e gratuito. “Essa iniciativa permite que pesquisadores, indústrias e órgãos governamentais utilizem dados reais da produção brasileira em outros projetos de ACV. Portanto, facilitando tomadas de decisão”, destaca Thiago Oliveira Rodrigues, pesquisador do IBICT.

    Os dados estão disponíveis nos seguintes inventários:

    • Whey (soro de leite) 30% (RS)
    • Whey powder (soro de leite em pó) (PR)
    • Whey powder (soro de leite em pó) (RS)

    Alinhamento com metas climáticas globais

    O projeto se alinha a compromissos internacionais como a Agenda 2030 da ONU (ODS 17) e o Compromisso Global de Metano, do qual o Brasil é signatário, com meta de redução de emissões de 30% até 2030.

    A parceria entre Embrapa, Sooro Renner e UTFPR prevê ainda a entrega de um plano de ação com recomendações práticas para a mitigação de Gases de Efeito Estufa (GEE.

    Essas estratégias são essenciais para que o setor lácteo atenda às exigências de mercados internacionais e a um consumidor cada vez mais atento ao impacto ambiental dos alimentos.

    Do resíduo ao ingrediente nobre

    Historicamente, o soro de leite representou um dos maiores desafios ambientais para a indústria de laticínios. Por sua altíssima carga orgânica, o descarte inadequado do soro líquido em cursos d’água provoca rápida depleção de oxigênio, morte de peixes e desequilíbrio nos ecossistemas aquáticos.

    Ao transformar esse subproduto em soro em pó, a indústria não apenas agrega valor econômico, mas mitiga riscos de contaminação e reduz o desperdício de nutrientes que já consumiram água, energia e terra para serem produzidos. “A transformação do soro em pó não é apenas uma estratégia de lucro, mas uma necessidade de sustentabilidade operacional”, afirma Tomich.

    Embrapa como referência em sustentabilidade láctea

    Desde 2023, a Embrapa Gado de Leite aplica a metodologia ACV para avaliar o desempenho ambiental de todas as fases produtivas do leite. Isso inclui desde aalimentação animal ao resfriamento na fazenda. Os resultados mostram que eficiência produtiva e preservação ambiental andam juntas: sistemas que produzem mais leite por hectare ou por vaca tendem a apresentar pegada de carbono significativamente menor.

    Os estudos consolidaram a Embrapa como referência em métricas de sustentabilidade. E abriram caminho para parcerias como a que agora expande essa análise para toda a cadeia industrial do soro de leite.

  • Cervejaria artesanal de Santos recebe selo Carbono Neutro inédito no estado

    Cervejaria artesanal de Santos recebe selo Carbono Neutro inédito no estado

    A Santos Cervejeiros se tornará a primeira cervejaria artesanal do Estado de São Paulo a receber o selo Carbono Neutro, certificação que atesta a compensação integral das emissões de gases de efeito estufa (GEE) nas operações da empresa.

    A entrega oficial acontece na próxima terça-feira (28), às 16h, na fábrica-bar da marca, localizada na Rua Santos Dumont, 78, bairro Macuco. E contará com presença a do secretário municipal de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade, Glaucus Farinello.

    Neutralização de 32 toneladas de CO₂e

    A certificação é resultado de auditoria conduzida pela AKVO ESG, startup especializada em medição e compensação de carbono. O processo validou a neutralização de aproximadamente 32 toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e) geradas pela operação da cervejaria ao longo do período avaliado.

    A análise abrangeu emissões diretas e indiretas (escopos 1 e 2) e parte das emissões relacionadas ao transporte (escopo 3), incluindo consumo de energia, uso de gás e logística de insumos e resíduos. A compensação foi realizada por meio de créditos de carbono certificados, resultando em impacto líquido zero.

    Práticas sustentáveis na produção artesanal

    Desde 2024, a Santos Cervejeiros implementou programa contínuo de sustentabilidade com foco na redução da pegada ambiental. Entre as iniciativas adotadas estão o reaproveitamento de resíduos orgânicos e grãos de malte para panificação artesanal e compostagem, diminuindo significativamente o envio de materiais a aterros sanitários.

    A empresa também utiliza parte da energia elétrica proveniente de fonte solar por meio de assinatura, contribuindo para a redução das emissões no processo produtivo. “Ser carbono neutro vai muito além de obter um selo. É a comprovação de que é possível crescer sem perder a essência artesanal. E sem abrir mão da responsabilidade ambiental”, afirma Mariana Nogueira, sócia e gerente de marketing da cervejaria.

    O reconhecimento chega em momento estratégico para o município. Segundo levantamento do Centro de Liderança Pública (CLP), Santos ocupa a primeira posição no ranking nacional de sustentabilidade, entre 404 municípios avaliados com base em indicadores ESG (ambientais, sociais e de governança corporativa).

    Tradição artesanal e inovação

    Fundada pelo mestre cervejeiro Jefferson Omelczuk, em parceria com Wilber Gadi e Mariana Nogueira, a Santos Cervejeiros produz entre 1.800 e 2.000 litros mensais, com maturações que variam de 30 a 40 dias. O portfólio conta com mais de 20 estilos, incluindo Pilsen, American IPA, Berliner Weisse, Dortmunder, Maibock, Australian Sparkling Ale, Red Rye Ale, Belgian Blond, English Porter e Weiss.

    Entre as criações recentes destaca-se o chope de vinho branco, primeiro do tipo produzido no Estado de São Paulo, e a cerveja Maibock, inspirada na primavera alemã, com notas marcantes de malte e aroma equilibrado de lúpulo. “Cada ingrediente abre novas possibilidades. Nenhuma receita é apenas técnica; cada criação nasce com propósito e afeto”, explica Wilber Gadi, químico e responsável técnico pela produção.

    Expansão com identidade regional

    Com a certificação Carbono Neutro, a cervejaria planeja fortalecer seu posicionamento sustentável e ampliar a distribuição. A partir de dezembro, lançará linha de latas temáticas inspiradas em pontos turísticos de Santos, como a Igreja do Embaré, a Cadeia Velha e a orla da praia, unindo referências medievais à identidade visual da marca.

    A empresa também tem expandido sua atuação em eventos corporativos, casamentos e festivais, consolidando presença no segmento premium. “Nosso objetivo é crescer com coerência: manter o artesanal, inovar nos produtos e avançar em sustentabilidade”, conclui Gadi.

    Serviço:
    • Evento: Entrega do selo Carbono Neutro à Santos Cervejeiros
    • Data: Terça-feira, 28 de janeiro
    • Horário: 16h
    • Local: Rua Santos Dumont, 78 – Macuco, Santos/SP
  • Pesquisa mineira desenvolve soluções para reduzir gases de efeito estufa na agropecuária

    Pesquisa mineira desenvolve soluções para reduzir gases de efeito estufa na agropecuária

    Pesquisadores da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) avançam em alternativas para mitigar as emissões de gases de efeito estufa (GEEs) na pecuária. Especialmente o metano (CH4), um dos principais responsáveis pelo aquecimento global. Em 2023, o setor bateu o quarto recorde consecutivo de emissões, com aumento de 2,2%. Isso segundo o Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG).

    A Epamig esta alinhada ao Plano Estadual de Ação Climática (Plac) e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU. Portanto. desenvolve pesquisas para reduzir o metano entérico na bovinocultura e ampliar o sequestro de carbono por meio de sistemas integrados de produção.

    Sob coordenação de Edilane Silva, o Programa Estadual de Pesquisa em Bovinocultura da Epamig testa dietas manipuladas para bovinos no Campo Experimental Getúlio Vargas, em Uberaba. A equipe busca aumentar a digestibilidade dos alimentos. Além de reduzir o tempo de permanência no rúmen, elevando a eficiência produtiva e diminuindo a liberação de metano. Entre as alternativas, o uso do amendoim forrageiro (Arachis pintoi) tem apresentado resultados promissores, com redução de até 30% nas emissões de metano, graças ao alto teor de proteína e taninos que inibem bactérias metanogênicas.

    Técnica

    Os pesquisadores utilizam a técnica hexafluoreto de enxofre (SF6) para medir as emissões, acoplando uma canga de PVC ao pescoço dos animais para captar os gases emitidos em 24 horas.

    Em parceria com o Grupo Agronelli, referência na produção de leite e em práticas sustentáveis, a Epamig aplica os experimentos em larga escala. E permite que outros produtores acompanhem os resultados diretamente no ambiente produtivo. Segundo José Bellote, diretor agroindustrial da Agronelli, a iniciativa busca soluções para uma produção mais equilibrada e sustentável. Demonstrando que é possível aliar produtividade e responsabilidade ambiental.

    O projeto, voltado para rebanhos leiteiros, será divulgado entre produtores rurais com apoio de instituições parceiras. A pesquisa contribui para a meta do Governo de Minas de reduzir em 36% as emissões de metano da pecuária até 2030, em comparação à década anterior.

    Além da manipulação de dietas, a Epamig investe em sistemas integrados de produção, como o modelo ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta). Em áreas cultivadas com capim-marandu há mais de 25 anos, a combinação de milho, forrageiras e espécies florestais como Corymbia citriodora aumenta a eficiência no uso de água e fertilizantes. Com isso, transforma áreas emissoras em áreas de sequestro de carbono. E torna o sistema produtivo mais resiliente, conforme destaca Fernando Oliveira Franco, chefe da Epamig Oeste.

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