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  • Como cientistas transformaram casca de banana em energia mais barata e limpa

    Como cientistas transformaram casca de banana em energia mais barata e limpa

    Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) descobriram que baixas concentrações de soda cáustica (hidróxido de sódio, NaOH) preparam resíduos orgânicos para a produção de biogás com mais eficiência do que doses elevadas. A descoberta eleva a geração de metano, reduz o consumo de reagentes químicos e diminui os custos da operação industrial.

    A equipe utilizou como matéria-prima bananas descartadas em varejões, cascas e frutos impróprios para comercialização. Apesar do alto teor de matéria orgânica, esses resíduos escondem seu potencial energético dentro de uma espécie de armadura vegetal, formada por substâncias como celulose e lignina. Essa barreira dificulta o acesso dos microrganismos aos açúcares fermentáveis e limita a digestão anaeróbia, processo pelo qual comunidades de microrganismos decompõem a matéria orgânica na ausência de oxigênio.

    Durante o processo, os microrganismos quebram moléculas complexas em compostos cada vez mais simples até formar o metano (CH₄), principal componente energético do biogás.

    Como funciona o pré-tratamento termoalcalino

    “Para aumentar a eficiência da produção de biogás, é necessário aplicar um pré-tratamento. Nós optamos pelo termoalcalino (que combina calor e produtos químicos). A biomassa foi aquecida na presença de diferentes concentrações de hidróxido de sódio, variando entre 0,2% e 3%. O objetivo era romper parcialmente a barreira formada pela lignina, tornando os carboidratos mais acessíveis aos microrganismos”, explica Sandra Imaculada Maintinguer, integrante do Instituto de Pesquisa em Bioenergia da Universidade Estadual Paulista (IPBEN-Unesp) e coordenadora da pesquisa.

    Pesquisadora Larissa Ayumi Yamamoto realiza experimento com o resíduo de banana. Foto: Larissa Ayumi Yamamoto/IPBEN-Unesp

    Os testes contrariaram a expectativa intuitiva de que doses maiores de reagente trariam melhor desempenho. Pelo contrário: a eficiência máxima apareceu justamente nas menores concentrações testadas. A dose de apenas 0,2% de NaOH promoveu a maior solubilização de carboidratos, alcançando 12.110 miligramas por litro (mg/L). Ou seja, mais que o dobro dos 4.785 mg/L registrados no material sem pré-tratamento. Uma concentração ligeiramente maior, de 0,4%, gerou a maior produção acumulada de metano, mas a dose de 0,2% produziu o gás com mais velocidade.

    “Isso é importante porque, além de aumentar os custos da produção, o uso elevado de hidróxido de sódio inibe a ação dos microrganismos responsáveis pela geração do metano e pode causar maior impacto sobre o meio ambiente”, destaca Larissa Ayumi Yamamoto, graduanda no IPBEN-Unesp e primeira autora do artigo, publicado em maio na revista científica Bioenergy Research.

    Excesso de reagente prejudica microrganismos e encarece o processo

    Em pequenas quantidades, a soda cáustica rompe parcialmente a estrutura vegetal e libera açúcares que alimentam os microrganismos. Em excesso, porém, o reagente passa a atacar os próprios microrganismos, o que atrapalha ou até inviabiliza o processo. “Não adianta colocar 20%, porque se torna inibitório”, resume Maintinguer. A redução da quantidade de reagente também melhora a perspectiva de aplicação industrial, já que facilita o tratamento posterior de efluentes. “Para a indústria, quanto menor a concentração de hidróxido de sódio, melhor”, completa a pesquisadora.

    Maintinguer observa que São Paulo reúne condições particularmente favoráveis para esse tipo de tecnologia. Como grande produtor de frutas, o Estado gera quantidades enormes de resíduos ao longo de toda a cadeia produtiva. Desde frutos descartados ainda na propriedade até sobras do beneficiamento industrial e da comercialização. “A ideia é fechar esse ciclo. Em vez de encaminhar restos e frutas fora do padrão comercial para aterros, esses resíduos podem alimentar biodigestores capazes de produzir energia, transformando um passivo ambiental em uma fonte renovável”, pondera a pesquisadora.

    Bactérias e arqueias definem o desempenho do sistema

    Os resultados mostraram que o desempenho do biodigestor depende não apenas da quantidade de matéria orgânica disponível, mas também de quais bactérias atuam no processo e quais caminhos elas usam para digerir a matéria. No reator tratado com 0,4% de hidróxido de sódio, predominaram bactérias dos gêneros Paraclostridium e Clostridium, além de arqueias metanogênicas, organismos unicelulares produtores de metano, dos gêneros Methanothrix e Methanoregula.

    “Nós avaliamos o consórcio microbiano presente no reator, conseguimos acompanhar como esse sistema evolui e quais rotas metabólicas os microrganismos percorrem ao longo do processo”, explica Ana Gabriela Oliveira Ferreira Janas, doutoranda no IPBEN-Unesp. “Portanto, são informações que a pesquisa pode oferecer para a indústria.”

    Digestão anaeróbia funciona como turnos de trabalho microbiano

    Maintinguer compara a digestão anaeróbia a uma sucessão de etapas cumpridas por diferentes grupos de microrganismos. “Entramos com a matéria orgânica bruta e os microrganismos vão quebrando essa matéria em compostos cada vez mais simples. Esses intermediários acabam sendo consumidos por outros microrganismos até chegar à formação do metano”, detalha.

    O estudo integra um programa mais amplo do grupo da Unesp, que busca transformar resíduos agroindustriais em fontes de energia e outros produtos de valor agregado. Além da banana, os pesquisadores também estudam resíduos de laranja e goiaba, águas residuárias do processamento de frutas e diferentes estratégias de digestão e codigestão anaeróbias, técnica que mistura diferentes tipos de resíduos no mesmo reator para potencializar a geração de energia.

    Dependendo das condições operacionais e da comunidade microbiana presente, os pesquisadores podem direcionar esses sistemas não apenas à produção de biogás. Mas também à obtenção de outros compostos de interesse industrial. Em outro trabalho, ainda em processo de revisão para publicação, Janas e colaboradores investigaram a codigestão anaeróbia de resíduos para produzir bio-hidrogênio.

    José Tadeu Arantes | Agência FAPESP

  • Gás natural argentino será usado produção de fertilizantes no Brasil

    Gás natural argentino será usado produção de fertilizantes no Brasil

    O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, destacou a importância da retomada da política de produção de fertilizantes para a soberania nacional. A fala foi durante a reunião de cúpula do G20, realizada no Rio de Janeiro. Um dos principais resultados da cúpula foi a assinatura do Memorando de Entendimento entre o Ministério de Minas e Energia (MME) do Brasil e a Argentina. Isso permitirá a exportação de gás natural argentino ao Brasil, aumentando a competitividade da produção agropecuária brasileira.

    O acordo estabelece um grupo de trabalho bilateral que irá identificar as ações necessárias para garantir a oferta de gás natural, especialmente da formação de Vaca Muerta. A estimativa inicial é de movimentação de 2 milhões de metros cúbicos por dia, podendo chegar a 30 milhões até 2030. Fávaro enfatizou que a compra do gás natural argentino é fundamental para garantir a produção de alimentos, combater a fome e controlar a inflação.

    “Essa dependência extrema de fertilizantes importados colocava o Brasil em uma posição arriscada em sua capacidade de produzir alimentos. Hoje, estamos sinalizando ao mercado que as políticas de produção de fertilizantes estão voltando à realidade no Brasil”, afirmou Fávaro em coletiva ao lado do ministro Alexandre Silveira.

    Dependência externa

    O custo do gás natural argentino ao Brasil deve variar entre US$ 7 e US$ 8 por BTU. No ano passado, o Brasil importou cerca de 86% dos fertilizantes utilizados. Com o aumento do acesso ao gás natural argentino, espera-se que a produção agrícola se torne mais competitiva devido à ampliação do fornecimento de fertilizantes nitrogenados.

    Fávaro também mencionou que o Brasil está se consolidando como um dos maiores produtores de alimentos do mundo, com foco na produção sustentável e na segurança alimentar. Ele ressaltou que, sob a administração do presidente Lula, o país já abriu quase 300 novos mercados para a agropecuária.

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    No entanto, o ministro alertou que um dos desafios a ser superado é a dependência externa de fertilizantes. “Com o retorno do presidente Lula, o país está novamente direcionando investimentos para garantir sua soberania nacional”, concluiu Fávaro.

    Relação entre gás natural e fertilizantes

    A relação entre gás natural e fertilizantes é fundamental para a produção agrícola, especialmente no contexto brasileiro. O gás natural é um insumo chave na fabricação de fertilizantes nitrogenados. Eles são amplamente utilizados na agricultura. Aproximadamente 70% a 80% dos custos de produção desses fertilizantes estão associados ao gás natural. Ele participa da transformação química necessária para produzir amônia, componente essencial dos fertilizantes nitrogenados.

    Recentemente, o Brasil tem enfrentado uma dependência significativa da importação de fertilizantes, com cerca de 86% do mercado atendido por produtos estrangeiros. Essa situação representa um risco para a segurança alimentar e a soberania nacional. Desta forma, leva o governo a buscar formas de aumentar a produção interna de fertilizantes45.

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    A assinatura de acordos para a importação de gás natural, como o recente entendimento com a Argentina, visa garantir um fornecimento mais estável e competitivo desse insumo. Permitindo que o Brasil amplie sua capacidade de produção de fertilizantes nitrogenados.

    Aumento da competitividade

    Com a expectativa de aumento na oferta de gás natural, especialmente da formação de Vaca Muerta na Argentina, o governo brasileiro espera que isso contribua para reduzir os custos de produção dos fertilizantes. E, consequentemente, aumentar a competitividade da agricultura nacional. O gás natural é visto como uma solução crucial para reverter a dependência externa. Promovendo uma produção agrícola mais sustentável e autossuficiente.

    Além disso, o desenvolvimento do setor de gás natural no Brasil é considerado uma estratégia vital para revitalizar a indústria de fertilizantes. O investimento em infraestrutura para transporte e distribuição do gás é necessário para atender à demanda crescente por fertilizantes no país14. Portanto, a relação entre gás natural e fertilizantes não apenas impacta os custos de produção agrícola. Mas também está intrinsecamente ligada à segurança alimentar e à competitividade do agronegócio brasileiro.