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  • Dono recusa vender touro mais pesado do Brasil por R$ 500 mil: “Vale mais”

    Dono recusa vender touro mais pesado do Brasil por R$ 500 mil: “Vale mais”

    Com 1,4 mil quilos e cerca de dois metros de altura, o touro Hércules chama atenção em qualquer evento agropecuário. Aos sete anos, o animal da raça Brahman se consolidou como um dos maiores símbolos da pecuária nacional e já iniciou a preparação para tentar recuperar, em 2026, o título de touro mais pesado da Expointer, realizada em Esteio, no Rio Grande do Sul.

    Registrado como PVT 115 MR Falcão na Associação Brasileira dos Criadores de Zebu, Hércules pertence ao pecuarista Adilor Pedro Viana, proprietário da Cabanha Talismã, em Criciúma, Santa Catarina. Em 2025, ele conquistou o primeiro lugar na tradicional feira agropecuária ao atingir impressionantes 1,43 mil quilos.

    Segundo o criador, o animal perdeu aproximadamente 30 quilos durante o período de coleta de sêmen. Ainda assim, a equipe já iniciou um novo processo de ganho de peso para colocá-lo novamente na disputa.

    “Agora já vamos começar a engordar ele de novo para voltar na Expointer e disputar o título com os touros mais pesados. O Hércules é uma combinação de genética de ponta, alimentação controlada e anos de seleção, além de ser um orgulho para todos da região”, afirmou.

    Agenda inclui feiras em Santa Catarina

    Antes de retornar à Expointer, Hércules participará de três importantes eventos agropecuários em Santa Catarina. O touro será uma das atrações da Agropolo, em Paulo Lopes, da Feagro, em Braço do Norte, e também da Agroponte, em Criciúma.

    Além disso, a expectativa dos organizadores é que o animal continue atraindo visitantes por conta do tamanho e da fama conquistada nos últimos meses.

    Com sete anos, Hércules tem 1,4 mil quilos e dois metros de altura — Foto: Maria Laura Demétrio

    Vitória inédita valorizou genética do animal

    A conquista obtida na Expointer em setembro de 2025 entrou para a história da feira. Isso porque, pela primeira vez em 48 edições, um touro zebuíno superou raças europeias tradicionais, como charolês e limousin, no ranking dos animais mais pesados do evento.

    Como resultado, o interesse pelo material genético de Hércules cresceu significativamente. Consequentemente, o valor de mercado do touro também disparou.

    “Me ofereceram R$ 500 mil nele, mas eu não quis vender e nem vou vender. Quero ver o que vai dar, é uma coisa rara, né? Eu sei que meio milhão é muito dinheiro, mas o prazer de ter o touro mais pesado do Brasil vale mais do que esse dinheiro. Vamos ficar com ele e continuar trabalhando na genética”, revelou o pecuarista.

    Rotina segue simples apesar da fama

    Mesmo após ganhar projeção nacional, Hércules mantém praticamente a mesma rotina dos outros 80 animais da propriedade. De acordo com Adilor, a principal diferença está apenas no transporte, já que o tamanho do touro exige um caminhão reforçado e equipado com uma porta maior.

    “Posso garantir que é tudo igual. Esse touro nasceu aqui e foi vendido quando tinha um ano. Um tempo depois, o empresário de Criciúma que comprou foi trabalhar em São Paulo e quis vender. Eu comprei e percebi que já estava grande. Ele começou a crescer, crescer, crescer e virou o mais pesado do Brasil”, contou.

    Para aumentar o peso antes das competições, Hérculos ganha reforço na alimentação — Foto: Maria Laura Demétrio

    Dieta reforçada para as competições

    Para manter o porte impressionante e buscar novos títulos, Hércules segue uma alimentação rigorosamente controlada. Atualmente, o animal consome cerca de 25 quilos de silagem e mais 10 quilos de ração diariamente.

    A estratégia faz parte da preparação para as competições e ajuda o touro a manter o alto desempenho físico, além de reforçar o potencial genético valorizado pelo mercado pecuário.

  • Sindi ganha espaço no Nordeste e impulsiona nova fase da pecuária no semiárido

    Sindi ganha espaço no Nordeste e impulsiona nova fase da pecuária no semiárido

    A pecuária nordestina vive uma transformação importante diante dos desafios climáticos da região. Em meio às longas estiagens e à escassez de pastagens, produtores passaram a investir em modelos mais eficientes e sustentáveis. Assim, a raça Sindi ganhou protagonismo e se consolidou como símbolo da nova pecuária do semiárido.

    Originária da região de Sindh, no atual Paquistão, a raça chegou ao Brasil no século passado e encontrou no Nordeste condições ideais para demonstrar sua rusticidade.

    Os primeiros exemplares da raça Sindi desembarcaram no Brasil há décadas e ajudaram a fortalecer a pecuária em regiões de clima mais seco — (Foto: Reprodução/ABF)

    Além disso, o avanço do Sindi acompanha a evolução técnica da pecuária regional. Com mais investimentos em genética, manejo nutricional e seleção de animais, produtores nordestinos passaram a conquistar maior valorização no mercado nacional.

    Rusticidade e eficiência elevam interesse pela raça

    Em tempos de mudanças climáticas e alta nos custos de produção, a rusticidade virou vantagem econômica. O Sindi se destaca justamente pela elevada tolerância ao calor, boa conversão alimentar e capacidade de aproveitar pastagens mais simples.

    Dessa forma, os produtores conseguem reduzir custos e manter a produtividade mesmo em ambientes mais severos. Outro diferencial importante é o porte moderado dos animais, que favorece a manutenção corporal durante períodos críticos de seca.

    Criadores apostam no Sindi para ampliar produtividade e sustentabilidade da pecuária — (Foto: Reprodução/ABF)

    Além disso, a raça apresenta boa fertilidade e precocidade sexual, fatores diretamente ligados à rentabilidade das fazendas. Não por acaso, especialistas consideram o Sindi uma das raças zebuínas mais promissoras para a pecuária tropical brasileira.

    Sindi fortalece pecuária moderna no semiárido

    Embora tenha forte presença na produção leiteira, o Sindi também vem ganhando espaço na pecuária de corte, principalmente em programas de cruzamento industrial e seleção genética.

    Ao mesmo tempo, o crescimento da raça acompanha uma mudança mais ampla no Nordeste, com produtores investindo cada vez mais em tecnologia, gestão e produtividade.

    Hoje, o Sindi representa muito mais do que resistência. A raça virou referência de eficiência produtiva no semiárido e deve ampliar ainda mais sua presença nos próximos anos, impulsionada pelo interesse crescente dos criadores e pelo fortalecimento dos programas de melhoramento genético.