Tag: G20

  • Como nossos sistemas de produção de alimentos estão destruindo o planeta

    Como nossos sistemas de produção de alimentos estão destruindo o planeta

    Líderes de 19 países se reuniram na África do Sul durante a Cúpula do G20 no último final de semana pra discutir a estabilidade econômica mundial. Mas um documento chamou atenção especial: o relatório da Cátedra Josué de Castro que traz dados alarmantes sobre como produzimos nossos alimentos.

    Os números assustam. Sistemas agroalimentares, que incluem tudo desde a produção até o consumo de alimentos, são responsáveis por aproximadamente um terço das emissões globais de gases de efeito estufa. No Brasil, esse percentual salta pra 75%.

    “Nossa forma de produzir, distribuir, consumir e descartar alimentos segue um modelo industrial: monoculturas, produção em larga escala, uso intensivo de agrotóxicos e aumento no consumo de produtos ultraprocessados”, explica Roberta Curan, gerente de inteligência do Instituto Comida do Amanhã.

    O sistema atual não apenas devora recursos naturais, especialmente água, mas também gera uma crise de saúde pública sem precedentes. Dados de 2022 mostram que quase 40% dos adultos e 20% das crianças enfrentam sobrepeso ou obesidade. Paradoxalmente, 2,3 bilhões de pessoas vivem em insegurança alimentar no mundo.

    Monotonia alimentar: quando a diversidade desaparece do prato

    Existe um fenômeno pouco discutido mas extremamente perigoso acontecendo: a monotonia alimentar. Esse processo padroniza paisagens agrícolas e limita escolhas alimentares da população por causa de múltiplos fatores ligados à produção, distribuição e consumo.

    “Tudo isso mostra que estamos diante de uma crise que é, ao mesmo tempo, alimentar, ambiental e de saúde, e que está profundamente ligada aos sistemas agroalimentares atuais”, completa Roberta Curan.

    Os custos indiretos dessa crise somam cerca de US$ 12 trilhões anualmente quando consideramos impactos ambientais e questões de saúde.

    Por que o G20 precisa agir agora

    O G20 reúne as economias mais desenvolvidas e em desenvolvimento do planeta, incluindo a União Africana e União Europeia. Segundo Nadine Marques, pesquisadora da Cátedra Josué de Castro, esse fórum está numa posição única pra liderar mudanças.

    “O G20 está em uma posição estratégica para liderar um processo de transformação desses sistemas, a partir de uma abordagem integrada entre as políticas agrícolas e as alimentares”, afirma Nadine.

    Ela destaca ainda que grande parte das multinacionais do sistema agroalimentar, incluindo indústrias de agrotóxicos, criação animal e processamento de alimentos, tem origem em países do G20. “Isso faz com que sua contribuição para enfrentar os desafios resultantes dos sistemas agroalimentares seja crucial e indispensável”.

    Cinco caminhos para transformar o sistema

    O relatório apresenta propostas concretas pro G20 liderar essa transformação:

    1. Fortalecer serviços ecossistêmicos – Investir em infraestrutura agrícola que garanta resiliência e sustentabilidade real.
    2. Regenerar solos e tecnologia – Recuperar terras degradadas enquanto aumenta autonomia tecnológica do setor.
    3. Regular antibióticos – Controlar o uso de antibióticos na produção animal, evitando resistência bacteriana.
    4. Mudar padrões de consumo – Estimular consumo de alimentos frescos e reduzir presença de ultraprocessados nas dietas.
    5. Governança global justa – Adaptar financiamento e políticas pra que pequenos produtores e países menos favorecidos possam participar da transição.

    A questão agora é saber se os líderes mundiais vão transformar essas propostas em ações concretas ou se continuaremos assistindo o planeta pagar a conta de um sistema alimentar insustentável.

  • Estados Unidos doarão US$ 50 milhões ao Fundo Amazônia

    Estados Unidos doarão US$ 50 milhões ao Fundo Amazônia

    Os Estados Unidos formalizaram um pacote bilionário para a conservação da Amazônia durante a visita do presidente Joe Biden a Manaus, neste domingo (17). Em resumo, a iniciativa integra o programa nacional de combate às mudanças climáticas e reforça os 200 anos de relações bilaterais entre Brasil e EUA.

    Biden na Amazônia

    Essa foi a primeira vez que um presidente americano visitou a Amazônia em exercício, firmando acordos com ONGs, empresas e bancos brasileiros. As ações incluem o combate ao crime organizado, como mineração ilegal, desmatamento e incêndios florestais.

    Biden destacou que as medidas pretendem “reverter o desmatamento, aumentar a biodiversidade e fortalecer a resiliência climática”. Além disso, o governo americano garantiu US$ 11 bilhões anuais para ações de conservação global, um aumento de seis vezes em relação ao início do mandato.

    US$ 50 milhões ao Fundo Amazônia

    Entre os destaques, os EUA doarão US$ 50 milhões ao Fundo Amazônia e lançarão uma coalizão de investidores, com meta de captar US$ 10 bilhões até 2030. Além disso, outras ações incluem projetos de reflorestamento, como o da empresa Mombak, e a entrada no Fundo Florestas Tropicais para Sempre, idealizado pelo presidente Lula.

    No Pará, US$ 180 milhões serão investidos no reflorestamento por meio da Coalizão Leaf. A parceria com o BNDES será ampliada, com novos acordos de cofinanciamento. O Laboratório de Investimentos em Soluções Baseadas na Natureza (SbN) também receberá US$ 2 milhões.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Desmatamento na Mata Atlântica cai 55% no primeiro semestre de 2024
    + Agro em Campo: Polícia e Mapa apreendem oito mil litros de azeite adulterado

    O governo americano financiará ainda o projeto Rainforest Wealth, do Imaflora e do Instituto Socioambiental, com US$ 2,6 milhões. Ao mesmo tempo, o governo dos EUA destinará outros US$ 24 milhões à bioeconomia, cadeias de produção sustentável e apoio às comunidades indígenas.

    No combate à extração ilegal de madeira, os EUA treinarão agentes brasileiros em tecnologia de rastreamento. Já contra a mineração ilegal e o tráfico de mercúrio, haverá uma doação de US$ 1,4 milhão.

    Para combater incêndios, os EUA atuarão com o Inpe e treinarão brigadas indígenas femininas no Tocantins e no Maranhão. Ou seja, esses esforços consolidam o compromisso de Biden em liderar ações climáticas globais.

  • G20 destaca sustentabilidade agrícola e combate às mudanças climáticas em Declaração Ministerial

    G20 destaca sustentabilidade agrícola e combate às mudanças climáticas em Declaração Ministerial

    A reunião ministerial do Grupo de Trabalho de Agricultura (GT Agricultura) do G20, encerrada na sexta-feira (13), trouxe à tona a importância da sustentabilidade e da resiliência no setor agrícola global. Realizado em Chapada dos Guimarães, Mato Grosso, o encontro contou com a participação de 43 delegações de países membros e convidados. Além de organismos internacionais, o que marcou a maior adesão desde a criação do grupo em 2011.

    O evento resultou na Declaração Ministerial, fruto de intensas discussões realizadas ao longo do ano. Entre os principais temas debatidos, destacaram-se a sustentabilidade da agricultura e a criação de sistemas de produção resilientes e inclusivos como respostas essenciais às mudanças climáticas. A reunião reuniu 23 ministros e autoridades de 50 países, que chegaram a um consenso sobre 38 tópicos distribuídos em quatro eixos temáticos. Esses tópicos abordam desde a segurança alimentar até o papel crucial da agricultura familiar e a integração da pesca e aquicultura sustentáveis nas cadeias de valor.

    O Brasil, que presidiu o GT Agricultura este ano, coordenou o debate por meio de seus ministérios da Agricultura e Pecuária (Mapa), do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e da Pesca e Aquicultura (MPA). A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) também teve participação ativa. A Declaração Ministerial, diferentemente de edições anteriores, representa um compromisso concreto dos países signatários em implementar as políticas públicas discutidas, servindo como um guia para ações nacionais.

    Entre as prioridades estão a transição para sistemas agroalimentares mais sustentáveis e inclusivos. E também o fortalecimento da cooperação internacional no combate à fome e à pobreza. E a promoção de um futuro energético justo e sustentável, com foco em modelos de financiamento e parcerias que ajudem agricultores nesse processo de transição.

    Ministro Fávaro transfere presidência do GT para a África do Sul

    Ao final do encontro, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, destacou o papel crucial da inclusão e do combate à fome. E  também ressaltou a importância de fortalecer a resiliência dos sistemas alimentares diante das mudanças climáticas e da perda de biodiversidade. Fávaro entregou a presidência do GT Agricultura à ministra da Agricultura da África do Sul, Rosemary Nokuzola Capa. Que assumirá a liderança no próximo ciclo do G20. O Brasil, por sua vez, continuará desempenhando um papel relevante, especialmente com o lançamento da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. Que será discutida na cúpula de líderes do G20 em novembro.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Biocarvão de eucalipto ajuda na melhoria do solo
    + Agro em Campo: Novo melão híbrido tem alta produtividade e sabor adocicado

    Ao finalizar, Fávaro reiterou o compromisso brasileiro com o desenvolvimento da sustentabilidade agrícola. E afirmou que o Brasil continuará na busca por soluções que promovam a segurança alimentar e a redução da pobreza. “Temos confiança que, com a liderança sul-africana, teremos perspectivas inovadoras que fortalecerão a continuidade para as nações globais em busca de um futuro mais seguro e sustentável”, concluiu o ministro.

     

  • Brasil e Turquia fortalecem laços comerciais em reunião bilateral

    Brasil e Turquia fortalecem laços comerciais em reunião bilateral

    O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, se reuniu com İbrahim Yumaklı, vice-ministro da Agricultura e Florestas da Turquia. O objetivo é fortalecer as relações comerciais entre os dois países. O encontro ocorreu durante as reuniões do Grupo de Trabalho do G20 do Agro. As conversas buscaram intensificar a cooperação comercial, especialmente no setor agropecuário.

    Brasil e Turquia

    Brasil e Turquia mantêm relações diplomáticas desde 1858, quando assinaram o Tratado Bilateral de Amizade e Comércio. Em 2010, os dois países deram mais um passo com o Plano de Ação para a Parceria Estratégica, ampliando o diálogo em áreas como agricultura, ciência, tecnologia, comércio exterior e energia.

    “A Turquia é uma prioridade para expandirmos nossas relações comerciais”, afirmou Fávaro durante a reunião. Ele destacou a importância da recente abertura de quatro mercados na Turquia para produtos do agronegócio brasileiro: gelatina e colágeno não comestíveis, ovoprodutos, vísceras organolépticas e heparina bovina.

    Além disso, Fávaro anunciou que o Brasil terá 11 novas representações diplomáticas no exterior, incluindo adidos agrícolas na Turquia. Portanto, essa medida visa ampliar as oportunidades do agronegócio brasileiro no mercado internacional.

    Outro tema abordado foi a transparência do governo brasileiro após a confirmação de um caso da doença de Newcastle (DNC) em Anta Gorda (RS), no dia 17 de julho. “Desde o início, mantivemos total transparência para garantir a confiança da população e dos países importadores na segurança do nosso sistema de defesa agropecuária”, disse Fávaro. Além disso, o estado de emergência zoossanitária no Rio Grande do Sul foi encerrado em agosto de 2024.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Canadá retoma importação de carne bovina do Brasil
    + Agro em Campo: Produtores gaúchos têm tempo para solicitar descontos em dívidas

    Encontro com a Indonésia

    O ministro também se reuniu com Andi Amran Sulaiman, ministro da Agricultura da Indonésia, para agradecer pela aprovação dos estabelecimentos brasileiros que exportam gado vivo. A Indonésia é um dos principais parceiros do Brasil no agronegócio, especialmente com a recente autorização para a exportação de erva-mate, que marcou a 100ª abertura de mercado em 2024.

    Ou seja, as exportações agrícolas brasileiras para a Indonésia somaram mais de US$ 3,69 bilhões em 2023. Em resumo, 74% desse total provenientes dos setores de soja e sucroalcooleiro. Nos primeiros sete meses de 2024, o Brasil já exportou mais de US$ 2,44 bilhões para o país.

  • Reunião oficial do G20 da Agricultura começa em Mato Grosso

    Reunião oficial do G20 da Agricultura começa em Mato Grosso

    Após dois dias de encontros técnicos, a abertura oficial do Grupo de Trabalho da Agricultura do G20 ocorre hoje (12), às 9h30, em Chapada dos Guimarães (MT). O evento reúne ministros da Agricultura e áreas afins dos países membros do G20, além de delegações convidadas e organismos internacionais. E tem como principal objetivo a construção de um documento conjunto que orientará políticas públicas globais voltadas à agropecuária.

    O evento contará com a presença do ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, anfitrião do encontro. E também com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, do diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, e do governador de Mato Grosso, Mauro Mendes.

     

    Entre os principais destaques da programação está o painel organizado pelo B20, braço privado do G20, que discutirá as recomendações da Força-Tarefa sobre Agricultura Sustentável e Sistemas Alimentares. Outro ponto importante será o painel sobre Sistemas Alimentares na Agricultura Tropical e Agricultura de Baixo Carbono.  Coordenado pela Esalq/USP, abordará soluções para práticas agrícolas sustentáveis e a redução do desperdício de alimentos.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Secas atrasam em 20 anos a recuperação de estoques de madeira em florestas manejadas
    + Agro em Campo: 3 frutas brasileiras entre as mais saborosas do mundo

    Sob a presidência temporária do Brasil, esta edição do G20 Agro bateu recorde de participação, com cerca de 50 delegações presentes e a participação de 23 ministros e autoridades. As reuniões, que começaram na tarde desta quinta-feira, culminarão na elaboração de uma Declaração Ministerial prevista para ser apresentada na sexta-feira (13).

    Brasil e China discutem cooperação tecnológica na agricultura em reunião bilateral

    Em meio ao encontro do Grupo de Trabalho da Agricultura do G20, realizado em Chapada dos Guimarães (MT), o ministro da Agricultura e Pecuária do Brasil, Carlos Fávaro, e o vice-ministro de Agricultura e Assuntos Rurais da China, Ma Youxiang, se reuniram nesta quarta-feira (11). A pauta principal foi a sincronia nas inovações tecnológicas e o fortalecimento das relações comerciais no setor agropecuário entre os dois países.

    Fávaro destacou o papel da China como “um grande exemplo de desenvolvimento econômico”. E também ressaltou a importância de ambos os países avançarem conjuntamente no desenvolvimento de tecnologias agrícolas. “É muito importante o desenvolvimento tecnológico das nossas agropecuárias de forma sincronizada”, afirmou o ministro, ressaltando o papel das universidades e da pesquisa científica.

    Um dos pontos centrais da discussão foi a cooperação na área de biossegurança. Fávaro ressaltou a relevância da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), criada durante o primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, como um marco para garantir a segurança da produção de alimentos. A comissão é responsável pela regulação e implementação da política de biossegurança de Organismos Geneticamente Modificados (OGM).

    Além da questão tecnológica, os ministros discutiram a ampliação dos mercados para produtos agrícolas brasileiros e abordaram a produção sustentável, tema de destaque no G20. Fávaro apresentou o Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas, voltado para intensificar a produção de alimentos de forma sustentável, especialmente para atender à crescente demanda de países populosos como a China.

    Foco na sustentabilidade e erradicação da fome

    A delegação chinesa, liderada por Ma Youxiang, chegou a Chapada dos Guimarães para participar das reuniões ministeriais do G20. No contexto da presidência brasileira do grupo, foi lançada a Aliança Global contra a Fome, iniciativa que recebeu elogios de Ma. Ele reforçou o apoio da China às medidas globais de combate à pobreza e à insegurança alimentar.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Brasil é protagonista mundial na adoção de bioinsumos
    + Agro em Campo: Brasil e China – 50 anos de relações diplomáticas

    No evento, Carlos Fávaro enfatizou o compromisso brasileiro com a erradicação da fome, destacando o lema do G20 deste ano: “construindo um mundo justo e um planeta sustentável”. O ministro reiterou que a segurança alimentar, em um contexto de mudanças climáticas, deve ser prioridade para os países membros.

    Reuniões com Espanha e Alemanha

    Ainda durante o evento do G20, Fávaro se reuniu com o ministro da Agricultura da Espanha, Luis Planas Puchades, para discutir questões relacionadas à sustentabilidade e competitividade no setor agropecuário, afetado pelas mudanças climáticas. “Estamos em um ambiente de grandes oportunidades para o agro mundial”, afirmou Fávaro, destacando os desafios comuns enfrentados pelos produtores europeus e brasileiros.

    Ministro Fávaro em reunião com o ministro da Espanha

    Em encontro com a vice-ministra da Agricultura da Alemanha, Ophelia Nick, Fávaro reiterou que “produzir e preservar não são opostos”, defendendo o Programa Nacional de Conversão de Pastagens como uma solução sustentável para aumentar a produtividade agrícola sem desmatamento. Ophelia Nick endossou a importância de incentivos para a produção sustentável, especialmente diante da crise climática global.

    O Brasil, que já utiliza amplamente bioinsumos no setor agrícola, apresentou o Programa Nacional de Bioinsumos como exemplo de inovação e sustentabilidade. Fávaro destacou que o país está trabalhando para ampliar o uso desses insumos por meio de parcerias com o Congresso Nacional.

    Comitiva brasileira durante reunião bilateral com Alemanha

     

     

  • Glocal Amazônia coloca Manaus no centro do debate ambiental

    Glocal Amazônia coloca Manaus no centro do debate ambiental

    O festival Glocal Amazônia começa hoje (22) e segue até 24 de agosto em Manaus. O evento, que terá entrada gratuita, discutirá temas cruciais como a Amazônia e o G20, queimadas, estiagem e bioeconomia. O festival também abordará a inovação sistêmica e negócios de impacto, além de explorar o futuro do estado com o tema “Amazonas 2030”. Entre as atrações, está Isabelle Nogueira, dançarina do Boi Garantido e ex-BBB, uma voz importante da Amazônia no Brasil.

    Glocal Amazônia

    A programação será diversificada, com debates, arte, música e oficinas espalhados por três locais no centro de Manaus. O Palco Glocal, no Contemporâneo Eventos, sediará os principais painéis e debates. Já o Palácio da Justiça será o espaço das oficinas e workshops do Glocal Lab e da TecnoGlocal. Além disso, no Largo de São Sebastião, o Palco Glow receberá shows e intervenções artísticas. Em resumo, o objetivo é colocar a Amazônia no centro das discussões ambientais, trazendo vozes locais e internacionais para dialogar sobre as principais questões da região.

    O evento seguirá os princípios de sustentabilidade e inclusão, sendo gratuito, gerando pouco resíduo e usando materiais sustentáveis. A curadoria priorizará temas da Amazônia, com 70% dos palestrantes locais e 80% da equipe formada por profissionais da região. “A Glocal é uma plataforma de ideias e conexões criada pela Dream Factory, com a meta de acelerar os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Esperamos impactar positivamente as pessoas durante os três dias de evento, trazendo informações relevantes e entretenimento”, afirmou Malu Sevieri, Head de Glocal na Dream Factory.

    Na primeira edição, a Glocal Amazônia mobilizou 22 mil pessoas, contou com 137 palestrantes e 55 horas de oficinas, gerou mais de 160 empregos e foi um evento carbono neutro e lixo zero. Para 2024, a meta é ampliar o impacto e a abrangência do festival. “Queremos conectar diferentes ativistas, regiões e povos da Amazônia para debater os ODS a partir do ponto de vista de quem vive na região, subsidiando políticas públicas bem embasadas”, afirmou Rodrigo Baggio, diretor de conteúdo e relações institucionais da Glocal.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Cientistas desenvolvem inseticida sustentável com nanotecnologia
    + Agro em Campo: Camu-camu – fruto da Amazônia gera emprego e renda

    Temas dos debates

    Os debates no Palco Glocal abordarão desde educação, saúde e segurança até temas específicos, como “Amazônia e G20”, “Queimadas e estiagem”, “Amazonas 2030” e “Bioeconomia”. Um dos painéis mais urgentes será “Amazônia em Chamas: Combatendo Queimadas e Estiagem”. Além disso, oficinas sobre reaproveitamento, moda, saúde e tecnologia estarão disponíveis, incluindo o workshop “Ecofeminismo Negro”, promovido pelo Movimento Dandara.

    Ao mesmo tempo, a TecnoGlocal, no Palácio da Justiça, oferecerá experiências imersivas em games e filmes de realidade virtual e aumentada. “Trazer o Glocal Amazônia para Manaus pelo segundo ano é essencial para destacar a importância da região no cenário global”, destacou Wilson Lima, governador do Amazonas. Ele reafirmou o papel do evento na preservação ambiental de um dos ecossistemas mais importantes do mundo.

    Entre os destaques do evento, um painel discutirá “A Importância da Comunicação de Massa na Promoção da Sustentabilidade”, com personalidades da Rede Amazônica e da TV Globo. O debate sobre o papel das mídias de massa na preservação da Amazônia contará com a presença de Isabelle Nogueira, que tem se destacado como uma importante voz da região no Brasil.

    Sobre a Glocal

    A Glocal é uma plataforma que conecta ideias, ações e pessoas para promover um mundo mais sustentável. Seu lema, “Pensar global, agir local”, reflete o compromisso de democratizar discussões sobre sustentabilidade e inovação. Ou seja, a Glocal busca transformar globalmente através da conscientização individual e de políticas públicas eficazes, traduzindo os ODS para o dia a dia da população.

     

  • Mato Grosso sedia discussões do G20 sobre práticas sustentáveis na agricultura

    Mato Grosso sedia discussões do G20 sobre práticas sustentáveis na agricultura

    Mato Grosso, principal produtor de grãos e com o maior rebanho bovino do Brasil, foi escolhido como o local ideal para sediar as discussões do G20 sobre práticas sustentáveis na agricultura, segurança alimentar e inovações agrícolas. No próximo mês, o município de Chapada dos Guimarães receberá as reuniões técnicas e ministeriais do Grupo de Trabalho da Agricultura.

    As principais pautas do GT Agricultura incluem a sustentabilidade nos sistemas agroalimentares, a ampliação da contribuição do comércio internacional para a segurança alimentar e nutricional, e o reconhecimento do papel essencial da agricultura familiar, camponeses, povos indígenas e comunidades tradicionais para sistemas alimentares sustentáveis e inclusivos. Além disso, haverá foco na promoção da integração sustentável da pesca e aquicultura nas cadeias sociais locais e globais.

    Ministério da Agricultura fará entrega de maquinas agricolas
    Ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro. Reprodução – Redes sociais

    O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, destacou a relevância do evento, afirmando que “se Mato Grosso fosse um país, seria o terceiro maior produtor de soja do mundo”. Ele mencionou que o presidente Lula autorizou a realização do encontro no estado. O que representa uma oportunidade significativa para debater os avanços da agropecuária mundial. “Será um grande evento para mostrar a força e a sustentabilidade da nossa agropecuária”, completou.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Camu-camu – fruto da Amazônia gera emprego e renda
    + Agro em Campo: Conheça a batata-doce que combate à fome no Semiárido pernambucano

    Fávaro também ressaltou que o encontro com representantes da agropecuária das principais economias do mundo trará oportunidades econômicas para o Brasil. “Os ministros, as delegações e os países convidados participarão das reuniões, o que fortalecerá nossa relação comercial e gerará oportunidades de negócios, resultando em empregos para a nossa economia”, afirmou.

    Histórico de participação do Brasil

    O Brasil faz parte do GT Agricultura desde sua criação em 2011, inicialmente focado na redução da volatilidade dos preços dos alimentos. Desde então, o grupo se tornou um importante fórum para discutir e auxiliar os membros do G20 em questões relacionadas à produção agropecuária. E promover a cooperação internacional em temas essenciais como segurança alimentar, agricultura sustentável, inovação tecnológica e adaptação às mudanças climáticas.

    O G20 reúne as maiores economias do mundo e se encontra anualmente para discutir iniciativas econômicas, políticas e sociais. No dia 1º de dezembro de 2023, o Brasil assumiu a Presidência temporária do G20. Esse mandato se encerrará em 30 de novembro de 2024. Esta é a primeira vez que o país ocupa essa posição na história do grupo no formato atual.

    Com a realização das reuniões em Mato Grosso, o Brasil busca consolidar sua liderança nas discussões sobre práticas agrícolas sustentáveis. E também fortalecer sua posição no cenário global.

  • Brasil lidera reunião do G20: futuro da pesca e aquicultura

    Brasil lidera reunião do G20: futuro da pesca e aquicultura

    O Grupo de Trabalho (GT) de Agricultura do G20, composto pelas 19 maiores economias mundiais e dois blocos regionais, realizou sua terceira reunião sob a presidência brasileira. O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) coordenou o encontro na sede do G20 Brasil, em Brasília, com a participação do ministro André de Paula. Representantes de aproximadamente 30 países, incluindo membros do G20 e convidados, além de organizações internacionais discutiram soluções para um futuro sustentável e próspero na agricultura e nos sistemas alimentares.

    Produção pesqueira e aquícola

    O principal foco da reunião foi a pesca e aquicultura, com ênfase na promoção da integração sustentável dessas atividades nas cadeias produtivas locais e globais. Os países membros do G20 representam 80% do PIB global, 75% das exportações mundiais e quase 60% da população do planeta. Em 2020, a produção pesqueira e aquícola global atingiu um recorde de 214 milhões de toneladas, concentrada em poucas regiões. O Brasil, portanto, busca uma distribuição mais justa de cotas de captura e oportunidades para o desenvolvimento pesqueiro.

    Os participantes contribuíram com sugestões e debates para a declaração ministerial que será discutida numa  reunião entre os dias 10 e 13 de setembro, no Mato Grosso. A declaração final será apresentada na Cúpula de Líderes Mundiais, em novembro, no Rio de Janeiro.

    Pontos relevantes

    O documento destaca a importância da agricultura sustentável e resiliente para enfrentar desafios globais, como a pobreza, a fome e as mudanças climáticas. Os países reafirmaram a necessidade de políticas baseadas em evidências científicas para promover sistemas alimentares sustentáveis e inclusivos. A declaração enfatiza o papel crucial do comércio internacional na segurança alimentar e nutrição, a relevância das práticas agrícolas sustentáveis, o combate à pesca ilegal e a integração sustentável da aquicultura nas cadeias de valor. Além disso, sublinha a importância dos agricultores familiares, das comunidades indígenas e rurais, e do papel da inovação e do conhecimento tradicional na sustentabilidade agrícola.

    O GT de Agricultura inclui representantes do Mapa, Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), MPA, Ministério das Relações Exteriores (MRE) e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O grupo foca em temas como segurança alimentar, agricultura sustentável, comércio, inovação tecnológica, adaptação às mudanças climáticas e ações contra a fome e a pobreza.

    G20

    Desde que assumiu a presidência temporária do G20 em 1º de dezembro, o Brasil planeja mais de 100 reuniões de grupos de trabalho. Além disso, acontecerão cerca de 20 reuniões ministeriais. Por fim, essas atividades culminarão na Cúpula de Chefes de Governo e Estado, em novembro de 2024, no Rio de Janeiro.