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  • Trator sem motorista? Tecnologia já é realidade no agro

    Trator sem motorista? Tecnologia já é realidade no agro

    A PTx traz para o Brasil o sistema OutRun, uma tecnologia que permite transformar tratores convencionais em máquinas autônomas capazes de operar sem condutor na cabine. A solução, que será apresentada ao público brasileiro durante a Agrishow 2026, funciona por meio de retrofit e pode ser instalada em frotas já existentes, ampliando o acesso à automação no campo sem exigir a compra de novos equipamentos.

    O sistema integra o ecossistema de agricultura de precisão da marca e atua sob supervisão humana. Ainda assim, o trator executa tarefas com alto nível de precisão, seguindo rotas previamente definidas. Dessa forma, o produtor ganha eficiência operacional e reduz falhas durante as atividades agrícolas.

    Segundo Giancarlo Fasolin, gerente sênior de Marketing Estratégico da PTx América do Sul, a proposta vai além da automação convencional. “O OutRun não é apenas um ‘piloto automático avançado’. Ele oferece aos produtores a flexibilidade de alocar mão de obra onde for necessário, além de colher até 60% mais rápido com um trator operando de forma autônoma em apoio à carreta graneleira”, afirma.

    Além disso, o sistema permite operação contínua. “O trator é capaz de trabalhar 24 horas por dia, sem desviar um centímetro do que foi traçado”, completa.

    Automação melhora precisão e reduz custos

    Na prática, o OutRun atua com maior impacto em momentos críticos, como a colheita. Nessa fase, o sistema coordena o deslocamento do trator com a colheitadeira. Assim, a carreta graneleira acompanha a operação de forma sincronizada, reduzindo perdas e evitando colisões.

    Ao mesmo tempo, a tecnologia elimina sobreposição de passadas e otimiza o uso de insumos. Como resultado, o produtor reduz o consumo de combustível e melhora a eficiência do diesel. Esse controle mais preciso também contribui para diminuir custos operacionais e aumentar a rentabilidade.

    Outro ponto relevante envolve a gestão da mão de obra. Com a automação das tarefas repetitivas, o produtor pode direcionar trabalhadores para funções mais estratégicas dentro da propriedade. Dessa maneira, a operação ganha em produtividade e organização.

    Além disso, o sistema garante maior pontualidade nas atividades. Em situações de clima instável, por exemplo, o OutRun mantém o ritmo de trabalho e assegura que operações como plantio e colheita ocorram no momento ideal.

    Tecnologia já está em validação no Brasil

    O OutRun passa por processo de validação em diferentes regiões do país. A proposta da PTx é adaptar a tecnologia às condições do campo brasileiro e às necessidades dos produtores, movimento que ganha visibilidade com a apresentação oficial durante a Agrishow 2026.

    “O OutRun está em validação para todo o Brasil. É a autonomia construída em torno da agronomia. Nosso objetivo é permitir ao agricultor realizar a colheita no período ideal, garantindo o máximo de produtividade”, destaca Fasolin.

  • Trator que “conversa” será destaque na Agrishow 2026

    Trator que “conversa” será destaque na Agrishow 2026

    A Valtra apresenta na Agrishow 2026, pela primeira vez no Brasil, o “Talking Tractor”, um conceito de trator com Inteligência Artificial capaz de interagir com o produtor rural por voz e texto. A tecnologia estreou globalmente na Agritechnica 2025, na Alemanha, e agora chega ao País como uma proposta de transformar o maquinário agrícola em um assistente digital. Com isso, o sistema interpreta dados operacionais e entrega respostas práticas para a gestão da fazenda.

    Por meio de comandos simples, o produtor consulta métricas de desempenho, consumo de combustível e emissões de carbono diretamente com a máquina. Assim, o sistema fornece respostas em tempo real com insights que ajudam na tomada de decisão, tanto no aspecto financeiro quanto operacional.

    Esse avanço ocorre em um cenário de forte digitalização no campo. Segundo a McKinsey & Company, 54% dos produtores brasileiros acreditam que a tecnologia aumenta a rentabilidade. Além disso, dados da Universidade de Brasília (UnB) indicam que mais de 95% dos produtores já utilizam ferramentas digitais. Entre eles, 70% adotam softwares de gestão rural.

    Inteligência artificial transforma dados em linguagem simples

    O Talking Tractor funciona integrado ao aplicativo Valtra Coach e opera por meio de dispositivos móveis. Dessa forma, responde a comandos em diferentes idiomas, como português, espanhol, inglês, alemão, francês e finlandês. Para viabilizar a solução, a Valtra treinou o sistema com manuais de operação, guias de agricultura inteligente, dados de telemetria e registros reais de uso no campo.

    Além disso, o conceito já recebeu reconhecimento internacional. A tecnologia foi finalista do prêmio DLG-Agrifuture Concept Winner 2025, na Alemanha, que destaca inovações voltadas ao futuro da agricultura.

    “O trator é mais do que uma voz, ele conta com inteligência para a análise de dados em respostas visuais e práticas. É a tecnologia aplicada no campo, trazendo o futuro para hoje”, afirma Fabio Dotto, diretor de Marketing de Produto da Valtra.

    Segundo o executivo, o diferencial está na capacidade de simplificar informações técnicas. Nesse sentido, o sistema gera ilustrações de manuais, checklists operacionais e infográficos com base na telemetria da máquina. Além disso, os conteúdos são otimizados para tablets e smartphones.

    Integração e operação segura no campo

    O Talking Tractor se integra ao sistema de telemetria Valtra Connect. Assim, produtores podem utilizar a tecnologia em modelos compatíveis da marca, sejam novos ou adaptados.

    Ao mesmo tempo, a solução mantém foco na segurança operacional. O operador interage com o sistema por voz enquanto dirige, utilizando conexão via Bluetooth no próprio trator ou fones de ouvido. Dessa maneira, a atenção permanece voltada à lavoura.

    Apresentado como o principal destaque tecnológico da marca na Agrishow 2026, o Talking Tractor ainda é uma prova de conceito. Por enquanto, não há previsão de lançamento comercial no Brasil.

    “Mais do que uma nova ferramenta, o Talking Tractor mostra como a inteligência artificial pode humanizar a tecnologia e torná-la acessível e prática para quem realmente importa, que é o agricultor. Estamos trazendo para a Agrishow, junto ao trator Q5, não apenas uma máquina que fala, mas um conceito que redefine a produtividade por meio da colaboração entre homem e inteligência de dados”, conclui Dotto.

    Presente no Brasil desde 1960, a Valtra oferece tratores de 57 a 425 cavalos, além de colheitadeiras, plantadeiras e pulverizadores. Atualmente, a marca mantém mais de 220 pontos de venda e assistência técnica na América Latina, sendo 156 no mercado brasileiro.

  • Presidente do CBSoja aponta rumos e inovação para o setor da soja

    Presidente do CBSoja aponta rumos e inovação para o setor da soja

    A soja completa 100 anos de cultivo no Brasil em um momento decisivo para o agro. Mais do que celebrar a trajetória da cultura que transformou o país em potência agrícola, o 10º Congresso Brasileiro de Soja e o Mercosoja discutem caminhos para manter o protagonismo do setor nos próximos anos. À frente do evento, o pesquisador A da Embrapa Soja – Sementes e Grãos e presidente do congresso, Fernando Henning, defende que o agricultor é um empresário que precisa gerar lucro com sustentabilidade e estar preparado para desafios climáticos, políticos e tecnológicos. Nesta entrevista ao portal Agro Em Campo, Henning fala sobre os principais debates do congresso, a presença internacional, os avanços em biotecnologia e a importância da formação técnica na base da cadeia.

    Qual é o principal objetivo do Congresso?

    Esse é o maior evento técnico-científico da cadeia da soja, uma das grandes alavancas do agro brasileiro. Nosso tema, “100 anos de soja: pilares do amanhã”, foi escolhido para refletir tudo o que construímos no passado e o que estamos fazendo para garantir um futuro sustentável. Conseguimos adaptar a soja ao ambiente tropical com muito sucesso — isso não pode ser esquecido.

    Quem participa do evento?

    O congresso é para todos: produtor rural, assistência técnica, revendas, grandes empresas, pesquisadores públicos e privados, estudantes. É um fórum onde quem já está no agro se encontra com quem está chegando agora. Essa troca de experiências é essencial.

    Quais os principais desafios da cadeia hoje?

    Temos dificuldades a cada safra, mas é preciso antecipar novos desafios. Nem toda resposta da pesquisa vem de uma safra pra outra. Precisamos trabalhar com tempo, prever cenários e propor soluções baseadas em ciência e tecnologia.

    Fernando Henning –
    Pesquisador Embrapa Soja- Sementes e Grãos e Presidente do 10º Congresso Brasileiro  de Soja e Mercosoja – Foto: Agro Em Campo/ Pedro H. Lopes

    Sustentabilidade foi destaque já no primeiro dia. Por quê?

    A soja brasileira é constantemente questionada lá fora, principalmente quanto à sustentabilidade. E neste ano, teremos a COP 30 no Brasil. Por isso, começamos o congresso mostrando dados concretos de que é possível produzir com responsabilidade ambiental e rentabilidade. Sustentabilidade também significa lucro. O agricultor é um empresário.

    Quais soluções estão sendo debatidas nesse contexto?

    Temos temas como soja de baixo carbono, que se conecta com o plantio direto — um sistema em que o Brasil é referência global. Outro destaque é o novo ZARC, com níveis de manejo. Essa ferramenta ajuda o produtor a entender melhor os riscos climáticos e a escolher a melhor estratégia antes de ir ao banco buscar crédito ou seguro.

    O evento também aborda fitossanidade e qualidade de sementes?

    Sim. A Embrapa tem como missão garantir práticas sustentáveis também no manejo de doenças, pragas e plantas daninhas. Os ensaios de rede orientam o produtor na escolha dos produtos. E falamos muito sobre semente de qualidade, algo que impacta diretamente toda a cadeia. Ainda temos problemas com pirataria, mas mostramos o quanto uma semente legal, de alta qualidade, agrega valor ao grão.

    Qual a relação entre isso e o mercado internacional, como a China?

    A China é nosso principal comprador. Se começarmos com semente boa, temos mais chance de entregar um grão com padrão superior. Essa conexão é clara. Também trouxemos especialistas para discutir a diplomacia do agro, algo fundamental diante da instabilidade geopolítica atual. Produzir é importante, mas entender o cenário internacional é essencial.

    O agricultor brasileiro está preparado para lidar com essa complexidade?

    Sim. O nível técnico está mais alto a cada ano. O produtor busca informações, participa de fóruns como este. E não é só ele. O CBSoja também é um espaço para quem está chegando. Temos a Sessão Pôster, com mais de 320 trabalhos de universidades e centros de pesquisa. Isso pode virar uma nova solução no campo.

    Há também um workshop com visão de futuro. Do que se trata?

    O Workshop Internacional discute os próximos dez anos em genética, melhoramento e biotecnologia. É uma visão conjunta de Brasil, Argentina, Estados Unidos, Canadá e China. Também falamos sobre a lei de cultivares, edição gênica e medidas contra a pirataria. Queremos mostrar que o agro do futuro está sendo construído agora.

    Como se dá a troca de experiências entre os participantes?

    Temos um momento chamado Mãos à Obra, com cinco cases desafiadores do mercado. O objetivo é promover discussões olho no olho, em sala, com interação direta. O Congresso é isso: compartilhar, aprender, evoluir. Sabemos quem são os concorrentes, mas aqui somos parceiros.

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