O Bryne, primeiro clube da carreira de Erling Haaland, ganhou fama por transformar a tradição agrícola da região em uma marca registrada. Localizada no sul da Noruega, a equipe ficou conhecida por substituir troféus convencionais por produtos do campo nas premiações aos melhores jogadores.
A curiosidade voltou aos holofotes após a classificação da Noruega para as quartas de final da Copa do Mundo, conquistada com a vitória por 2 a 1 sobre o Brasil nas oitavas de final.
A iniciativa começou a chamar a atenção do futebol internacional em 2025. Naquele ano, o Bryne passou a distribuir recompensas ligadas ao agronegócio local para valorizar a identidade da região.
O primeiro jogador a receber uma das premiações inusitadas foi o goleiro Jan de Boer. Apesar da derrota por 1 a 0 para o FK Bodø/Glimt, ele foi eleito o melhor em campo após defender um pênalti e realizar outras intervenções decisivas. Como reconhecimento pelo desempenho, voltou para casa com quatro bandejas de ovos.
Equipe feminina do Bryne também recebe as “premiações” — Foto: Reprodução/@brynefotbal
Pouco tempo depois, o zagueiro Alex Kryger também entrou para a lista de premiados. O defensor marcou o primeiro gol da vitória por 3 a 1 sobre o Haugesund. Desta vez, o prêmio foi um cordeiro vivo.
Frutas e verduras substituem os troféus
As homenagens não pararam por aí. Ao longo da temporada, o Bryne distribuiu caixas de morangos, litros de leite, madeira para lareira, couve-flor, 500 quilos de cenoura, repolho, aveia, alho-poró, mel, grama, maçãs, batatas e queijos.
Mesmo após o rebaixamento para a segunda divisão, a tradição foi mantida em 2026.
Haaland e Bryne
Embora tenha nascido em Leeds, na Inglaterra, em julho de 2000, Erling Haaland mudou-se para a Noruega ainda criança. Isso aconteceu quando seu pai, Alf-Inge Haaland, encerrou a passagem pelo futebol inglês e retornou ao país.
Foi em Bryne que o atacante cresceu e iniciou sua trajetória no futebol. Antes dos 10 anos, ingressou nas categorias de base do clube.
Haaland é reconhecido como um dos atacantes de elite no futebol mundial — Foto: Reprodução/Instagram
Desde então, Haaland construiu uma carreira em ascensão. O atacante passou por Molde, Red Bull Salzburg e Borussia Dortmund. Atualmente, defende o Manchester City e se consolidou como um dos principais jogadores do futebol mundial.
O atacante Erling Haalandmantém uma dieta de cerca de 6 mil calorias por dia para suportar a intensidade do futebol. O cardápio reúne proteínas, carboidratos e gorduras de qualidade, que ajudam na recuperação muscular, na manutenção da massa corporal e no desempenho dentro de campo.
Entre os alimentos mais consumidos estão carnes magras, peixes, tubérculos, frutas silvestres, pães de fermentação natural e mel.
Segundo a nutricionista esportiva Laura de Souza Silva, uma alimentação baseada em comida de verdade fornece alta densidade nutricional. Assim, ela fortalece o sistema imunológico, preserva a massa muscular e melhora o funcionamento do organismo.
Além disso, atingir 6 mil calorias por dia apenas com alimentos naturais pode ser desafiador. Ainda assim, boas fontes de gordura tornam essa meta mais viável.
“A proteína costuma vir acompanhada de gordura. Leite, queijos e ovos, por exemplo, oferecem proteína e também alta densidade energética”, explica.
Os alimentos que chamam atenção na dieta
Além dos alimentos tradicionais, Haaland também consome fígado e coração bovinos.
Segundo Laura, o fígado é rico em vitamina A, ferro heme e vitaminas do complexo B, nutrientes importantes para a produção de energia.
Já o coração bovino fornece coenzima Q10, substância que participa da geração de energia celular e pode ajudar na recuperação muscular.
O leite também faz parte da rotina do jogador. De acordo com a nutricionista, ele contribui para o aporte calórico, auxilia na manutenção hormonal e favorece a preservação da massa muscular.
Hábitos vão além da alimentação
A alimentação é apenas uma parte da rotina do atacante. Haaland também prioriza hidratação, sono de qualidade, exposição à luz natural pela manhã e recuperação entre os treinos.
Segundo a especialista, o alto rendimento depende da combinação desses fatores. Embora poucos precisem consumir tantas calorias quanto um atleta profissional, os princípios são os mesmos. Por isso, priorizar alimentos naturais, manter boa hidratação e dormir bem são hábitos que beneficiam qualquer pessoa.
O México é um dos grandes destaques culinários da Copa.
Entre os pratos mais conhecidos está o Taco al pastor, preparado com carne suína assada em espeto giratório, servido em tortilhas com cebola, coentro e abacaxi.
A receita é um dos símbolos mais populares da culinária mexicana
Canadá: simplicidade e identidade no prato
No Canadá, um dos pratos mais tradicionais é o Poutine.
Criado em Quebec, ele combina batatas fritas, queijo coalhado e molho quente.
Simples na composição, mas muito marcante na cultura gastronômica local
Estados Unidos: diversidade em cada região
Os Estados Unidos apresentam uma culinária extremamente diversa, refletindo influências culturais de várias partes do mundo.
Um dos destaques é o Philly Cheesesteak, tradicional da Filadélfia, feito com carne bovina grelhada e queijo derretido.
Variedade reforça como a gastronomia americana é plural e regionalizada
Brasil x Noruega
O Brasil enfrenta a Noruega no domingo, 5 de julho, às 17h (horário de Brasília), pelas oitavas de final. A seleção brasileira chega embalada após vitória sobre o Japão e busca manter o bom desempenho para avançar às quartas de final.
A Noruega, por sua vez, chega forte após eliminar a Costa do Marfim e aposta em seu principal destaque, Erling Haaland. O duelo promete equilíbrio entre a técnica brasileira e a força física dos europeus em uma partida decisiva.
Um produtor rural de Santo Antônio do Aracanguá, no interior de São Paulo, teve a oportunidade de acompanhar uma partida da Seleção Brasileira ao lado de um dos maiores ídolos do futebol nacional. Aos 74 anos, Edemir Rubens Doná recebeu o ex-goleiro Marcos, pentacampeão mundial em 2002, após vencer a campanha “Pronto Pro Jogo”, promovida pela Massey Ferguson.
O encontro aconteceu no dia 24 de junho, durante a partida entre Brasil e Escócia. Na ocasião, Edemir reuniu familiares para um churrasco em sua propriedade rural. Assim, acompanhou o jogo e compartilhou momentos de descontração com o ex-jogador.
Com mais de 50 anos de atuação no agronegócio, o produtor cultiva soja, milho e cana-de-açúcar. Além disso, é cliente da Massey Ferguson há vários anos. Ele já utilizava um trator MF 275 e garantiu a participação na campanha ao adquirir um MF 4408.
Encontro com ídolo marcou a família
Palmeirense, Edemir conta que recebeu a notícia de que havia sido contemplado com a promoção com muita alegria. Segundo ele, a oportunidade de conhecer Marcos pessoalmente tornou a experiência ainda mais especial.
“Gostamos demais da experiência. O Marcão é uma pessoa espetacular, muito simples e atenciosa. Ficamos muito felizes com a presença dele aqui. Foi um momento que vai ficar para sempre na memória da nossa família”, afirma.
A campanha “Pronto Pro Jogo” foi criada pela Massey Ferguson para aproximar a marca dos produtores rurais, concessionários e clientes durante a Copa do Mundo. Dessa forma, a empresa uniu a paixão pelo futebol ao universo do agronegócio.
De acordo com Breno Cavalcanti, diretor de Marketing da Massey Ferguson, a iniciativa buscou oferecer uma experiência diferenciada aos clientes da empresa.
“Buscamos proporcionar uma experiência diferenciada para os nossos clientes, unindo entretenimento e a paixão nacional pelo futebol. Marcos representa atributos muito alinhados aos valores da Massey Ferguson, como confiança, proximidade e autenticidade”, destaca.
Campanha fortalece relacionamento com clientes
A ação faz parte das iniciativas de relacionamento desenvolvidas pela Massey Ferguson para fortalecer os vínculos com os produtores rurais. Além da comercialização de máquinas agrícolas, a empresa investe em campanhas que valorizam a proximidade com seus clientes. Também promove experiências ligadas ao cotidiano no campo.
Atualmente, a Massey Ferguson integra o grupo AGCO e está presente no Brasil há seis décadas. A empresa fabrica tratores, colheitadeiras, plantadeiras, pulverizadores, implementos agrícolas e soluções de agricultura de precisão. Além disso, mantém mais de 200 concessionárias no País. Por fim, exporta máquinas para mais de 80 países.
Uma brincadeira realizada no Gramado Zoo, no Rio Grande do Sul, viralizou nas redes às vésperas de mais uma partida da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026. Desta vez, a onça-pintada que costuma participar da atividade indicou um resultado desfavorável para o Brasil no confronto contra o Haiti, marcado para esta sexta-feira (19).
Segundo o zoológico, a onça chegou a se aproximar da caixa do Brasil, mas acabou escolhendo a que representava o Haiti, indicando uma possível vitória da equipe adversária.
A onça ficou famosa por acertar os resultados dos jogos do Brasil durante a Copa de 2022 e também o placar do amistoso mais recente da seleção contra o Marrocos — Foto: Reprodução/Gramado Zoo
A bióloga Tathiana Gosaric de Barros, responsável técnica pelo Gramado Zoo, destaca que não existe qualquer comprovação científica para esse tipo de previsão.
“Não há evidências científicas de que a onça-pintada possua algum tipo de capacidade sensitiva para prever acontecimentos, como o resultado de uma partida de futebol. O que observamos durante essas atividades são comportamentos naturais de exploração e interação com os estímulos oferecidos”.
Para realizar a atividade, os tratadores posicionam duas caixas de papelão contendo iscas de carne. Uma delas recebe a bandeira da Seleção Brasileira, enquanto a outra é identificada com a bandeira do país adversário.
Em seguida, a onça é liberada no recinto e escolhe uma das opções. A seleção feita pelo animal é interpretada como um palpite para o resultado da partida.
Além disso, a ação integra o programa de enriquecimento ambiental desenvolvido pelo zoológico. O principal objetivo é estimular comportamentos naturais da espécie e promover o bem-estar animal.
Acertou tudo
A onça-pintada foi transferida para o Gramado Zoo em 2012, onde permanece sob cuidados especializados.
Durante a Copa do Mundo de 2022, a fêmea escolheu a caixa do Brasil antes da estreia da seleção. Na ocasião, o palpite coincidiu com a vitória brasileira por 2 a 0 sobre a Sérvia.
Fêmea já previu vitória da Croácia sobre o Brasil, em 2022 — Foto: Reprodução/Gramado Zoo
O zoológico também repetiu a experiência para a partida diante de Camarões. Dessa vez, a onça demonstrou indecisão, aproximando-se das duas caixas antes de fazer a escolha. O resultado em campo foi a derrota do Brasil por 1 a 0.
Agora, a expectativa é acompanhar se o novo palpite se confirmará. A Seleção Brasileira enfrenta o Haiti às 21h30 (horário de Brasília), no estádio Lincoln Financial Field, na Filadélfia, nos Estados Unidos.
Erling Haaland brilhou na estreia da Noruega na Copa do Mundo de 2026, nesta terça-feira (16), ao marcar quatro gols na vitória sobre o Iraque por 4 a 1 no Estádio de Boston. O que pouca gente imagina é que, longe dos gramados, o jogador tem uma forte conexão com o agronegócio.
Embora tenha nascido em Leeds, na Inglaterra, o atacante se mudou aos três anos para Bryne, no Distrito de Jæren, uma das mais importantes regiões agropecuárias da Noruega. A área se destaca especialmente pela produção de carnes e laticínios.
Além disso, a influência familiar teve papel importante nessa relação. O tio de Haaland cultivava batatas e foi responsável por ensiná-lo a conduzir tratores na propriedade da família. Anos depois, já adolescente, o atleta posou ao lado de um Fordson Super Dexta azul, modelo produzido na década de 1960.
Registro se tornou um dos principais símbolos da ligação de Haaland com o setor agropecuário — Foto: Reprodução/Redes Sociais
A conexão do atacante com o campo ganhou ainda mais repercussão em 2025, quando Haaland visitou uma pequena fazenda no Condado de Cheshire, na Inglaterra. Durante a passagem, adquiriu leite cru, carne bovina e mel antes de seguir para mais uma sessão de treinamento.
Na mesma gravação, o jogador chamou o leite de sua “poção mágica” e ressaltou a relevância do bem-estar animal para garantir alimentos saudáveis e de qualidade.
Em entrevista, o jovem revelou seu desejo de viver em uma propriedade com animais quando encerrar sua carreira no futebol.
“Eu ainda não tenho vacas, mas, com certeza, terei algumas mais tarde. Acho que terei uma pequena fazenda quando terminar minha carreira em Bryne. Ainda não sei onde, mas estarei rodeado de animais”, afirmou.
Mais ligações com o agro
A relação de Haaland com o agronegócio também passa pelo Bryne, clube onde iniciou sua trajetória. Considerado por muitos um dos times mais ligados ao setor rural no mundo, o clube mantém diversas iniciativas voltadas à valorização da produção local.
Entre as ações, parte do estacionamento é reservada para tratores, reforçando a identidade agrícola da região. Além disso, a equipe costuma premiar os destaques das partidas com produtos típicos do agronegócio local.
Em 2025, temporada que marcou o retorno do Bryne à primeira divisão do Campeonato Norueguês após 20 anos, os prêmios distribuídos chamaram atenção pela originalidade. Entre os itens entregues aos jogadores estavam ovos, bandejas de morango, couve-flor, leite, sacos de batata, cordeiro vivo, maçãs, pão, peixe, paletas de lenha, potes de mel, grama, aveia, repolho, cenoura e alho-poró.
O comércio agropecuário fortalece a relação entre Brasil e Marrocos e movimenta bilhões de dólares todos os anos. Neste sábado (13), os países se enfrentam na Copa do Mundo, mas mantêm uma parceria estratégica além do esporte.
O Brasil exporta açúcar, milho, café e outros produtos agrícolas para o mercado marroquino. Em contrapartida, importa fertilizantes essenciais para a produção agrícola nacional. Com cerca de 38 milhões de habitantes, o Marrocos amplia investimentos na modernização da agricultura. Além disso, o país aumenta a demanda por alimentos e insumos agrícolas.
Em 2025, as exportações brasileiras para o Marrocos alcançaram US$ 1,4 bilhão. No mesmo período, as importações também somaram US$ 1,4 bilhão.
Com isso, a corrente de comércio entre os países atingiu US$ 2,8 bilhões. Mesmo com equilíbrio nos fluxos, o Brasil registrou déficit comercial de US$ 64,3 milhões. O Marrocos ocupou a 44ª posição entre os destinos das exportações brasileiras.
Açúcar lidera exportações brasileiras
O agronegócio concentrou grande parte das vendas brasileiras ao mercado marroquino. Os açúcares e melaços responderam por 58,1% das exportações.
Além disso, o Brasil embarcou milho, animais vivos, café, frutas e especiarias. Esses produtos completaram a pauta agrícola destinada ao país africano.
O açúcar manteve posição de destaque em 2025. O Marrocos importou 1,48 milhão de toneladas do produto. Os negócios movimentaram aproximadamente US$ 591 milhões.
Fertilizantes dominam importações
Os fertilizantes químicos lideraram as compras brasileiras no Marrocos. Em 2025, eles representaram 84,8% das importações vindas do país africano.
O resultado reforça a importância marroquina no fornecimento de insumos para as lavouras brasileiras. Esses produtos ajudam a sustentar a produtividade do campo.
Comércio cresce em 2026
A parceria comercial segue em expansão neste ano. Entre janeiro e maio de 2026, o Brasil exportou US$ 328,3 milhões para o Marrocos. O valor representa crescimento de 9,6% na comparação anual. Já as importações avançaram 34,4% e atingiram US$ 881,7 milhões.
Com isso, a corrente de comércio alcançou US$ 1,2 bilhão nos cinco primeiros meses do ano. O saldo comercial ficou negativo em US$ 553,4 milhões para o Brasil. Nesse período, os açúcares e melaços continuaram na liderança das exportações brasileiras. Ao mesmo tempo, os fertilizantes permaneceram como principal item importado.
Mato Grosso amplia participação
Dados do IMEA mostram a relevância de Mato Grosso nessa relação comercial. Em 2025, o Marrocos importou 1,81 milhão de toneladas de milho brasileiro. Desse total, Mato Grosso respondeu por 1,37 milhão de toneladas. O volume representou 75% de todo o milho embarcado pelo Brasil ao país africano.
As vendas renderam cerca de US$ 280 milhões aos produtores mato-grossenses. Em 2026, até o início de maio, o estado exportou 153 mil toneladas. As negociações movimentaram aproximadamente US$ 33 milhões no período.
Carne bovina também ganha espaço
A carne bovina integra a pauta comercial entre os dois países. Em 2025, Mato Grosso exportou 668 toneladas do produto para o Marrocos. As vendas geraram receita próxima de US$ 3 milhões. No mesmo ano, o Brasil embarcou 6.658 toneladas de carne bovina. O faturamento nacional com a proteína superou US$ 23 milhões, fortalecendo a presença brasileira naquele mercado.
O novo comandante da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2026, Carlo Ancelotti, é conhecido mundialmente pelo sucesso à frente de grandes clubes do futebol europeu. No entanto, além dos títulos conquistados por equipes como Real Madrid e Milan, o treinador italiano de 66 anos traz uma história fortemente ligada ao agro.
Contratado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) em maio de 2025, Ancelotti cresceu em uma família dedicada à produção agropecuária no norte da Itália.
Herança da terra
Nascido em 1959 na pequena cidade de Reggiolo, que atualmente possui cerca de 8,5 mil habitantes, Ancelotti passou a infância e parte da adolescência ajudando nas atividades da propriedade rural da família. Seu pai atuava na produção de queijo, e o futuro treinador participava diretamente da rotina de trabalho.
Com o passar dos anos, o jovem “Carletto” ganhou destaque nos gramados defendendo clubes como Parma, Roma e Milan. Ainda assim, nunca deixou de reconhecer a importância das experiências vividas no campo.
“Aquele período moldou meu caráter. Minha família trabalhava na terra, eram agricultores. Nós fazíamos queijo parmesão. Eu ainda sei fazer queijo até hoje. Todas as manhãs, levávamos o leite das vacas para produzir queijo”, destaca o técnico.
Desde que assumiu o cargo, o técnico italiano tornou-se peça central no futebol brasileiro — Foto: Reprodução/CBF
Além disso, o treinador frequentemente associa os ensinamentos adquiridos na fazenda aos valores que levaram ao sucesso no futebol. Segundo ele, a disciplina e a dedicação exigidas na atividade rural tiveram papel fundamental em sua formação.
Minha infância foi muito boa, muito tranquila. Havia um bom ambiente na minha família. Meu pai era dedicado a isso. Não havia dinheiro, preciso dizer. Mas era um trabalho duro. E aos 15 anos saí para a academia do Parma.”
Antes de assumir o desafio de liderar a Seleção Brasileira, Carlo Ancelotti já carregava uma bagagem construída longe dos grandes estádios.
Sua história mostra que os valores do agro, como trabalho, perseverança e comprometimento, também ajudaram a formar um dos técnicos mais vitoriosos do futebol mundial.
Com a Copa do Mundo de 2026 chegando, as atenções começam a se voltar para os atletas que estarão em campo. No entanto, alguns nomes confirmados para o torneio se destacam não apenas pelo desempenho no futebol, mas também pela forte ligação com o agronegócio.
Seja por meio de investimentos ou por histórico familiar, esses jogadores mantêm uma relação próxima com universo rural e levarão essa conexão para além dos gramados durante o Mundial.
Neymar Jr
Um dos casos mais conhecidos é o histórico Neymar Jr. Recentemente, o craque ampliou seus investimentos ao ingressar no mercado de vinhos com a marca ‘Le Prince’, lançada durante a Apas Show 2026. O nome faz referência a um dos apelidos que o jogador recebeu ao longo da carreira.
Os vinhos são produzidos no Chile e na Espanha e têm chegada prevista aos supermercados brasileiros em junho, com preço inicial de R$ 49,90 por unidade.
‘Le Prince’, marca de vinhos premium lançada pelo jogador — Foto: Divulgação
James Rodríguez
Outro nome confirmado para o Mundial é James Rodríguez, da seleção colombiana. O meia transformou uma das maiores tradições agrícolas de seu país em empreendimento ao criar a marca 10 Coffee.
James Rodríguez, confirmado na Copa com a Seleção da Colômbia — Foto: Divulgação
Além da comercialização dos produtos, a empresa produz conteúdos voltados ao universo do café, abordando métodos de preparo, identificação de notas sensoriais e diferentes formas de consumo da bebida.
A iniciativa também busca valorizar as regiões montanhosas responsáveis pela produção dos grãos e fortalecer o trabalho das famílias produtoras colombianas.
Arrascaeta
A ligação com o meio rural também marca a trajetória de Giorgian De Arrascaeta. O meia uruguaio, destaque do Flamengo, herdou da família a paixão pelos cavalos e pelo hipismo.
Seu pai atuou como jóquei e escolheu o nome do filho em homenagem a um cavalo que teve papel importante em sua carreira nas pistas. Atualmente, Arrascaeta mantém animais em um haras e frequentemente compartilha sua relação com os cavalos.
Arrascaeta e Kemei, o cavalo que ele define como “uma verdadeira Ferrari” — Foto: Divulgação
Gustavo Gómez
O zagueiro Gustavo Gómez, da seleção paraguaia e do Palmeiras, também mantém forte conexão com o campo. O atleta é proprietário de uma fazenda em San Juan Bautista, município localizado a cerca de 200 quilômetros de Assunção.
“O meu melhor amigo é veterinário, meu cunhado é veterinário, meu primo é veterinário. Todo mundo virou veterinário. E depois, a cada dia, eu fui conhecendo mais, fui aprendendo um pouco mais. É uma coisa agradável e um negócio financeiramente legal também”, explica o jogador.
Além disso, Gustavo revelou que se envolve ativamente nas atividades agrícolas quando está em seu país natal. No entanto, ainda tem uma missão: aprender a cavalgar.
“Sou um fazendeiro que não sabe andar em cima do cavalo. Só de caminhonete (risos). Mas isto é detalhe. É algo totalmente diferente, e eu estou apaixonado hoje por isso”, concluiu.
Gustavo Gómez em sua fazenda, no interior do Paraguai — Foto: Instagram
Aiden O’Neill
O australiano Aiden O’Neill, atualmente no New York City, também mantém uma relação próxima com a agropecuária. O meio-campista possui uma propriedade rural de aproximadamente 70 hectares em New South Wales, onde cria gado bovino.
Antes de consolidar sua carreira no futebol profissional, O’Neill trabalhou em fazendas da região. Em entrevista ao site da Fifa, ele destacou que a atividade representa tanto um hobby quanto uma forma de investimento.
“É um pouco diferente. Não são muitos os jogadores de futebol que têm uma fazenda ou interesse em gado”, comentou. “Temos algumas cabeças de gado lá e é algo que gosto de fazer fora do futebol.”
O australiano Aiden O’Neill, do New York City FC, trabalhou em fazendas e hoje cria gado — Foto: New York City FC
A Copa do Mundo começa no dia 11 de junho e vai até o dia 19 de julho de 2026.
A partida inaugural e a cerimônia de abertura serão realizadas no tradicional Estádio Azteca, na Cidade do México, marcando o início da maior edição da história do torneio.
Eles conquistaram Copas do Mundo, encheram estádios e emocionaram torcidas em quatro continentes. Hoje, longe dos gramados, um novo tipo de terreno ocupa as atenções de vários craques. Andrés Iniesta, Gabriel Batistuta, Edinson Cavani, David Beckham, Hernanes, Taffarel, Pelé e Arturo Vidal agora tem um pé no agronegócio. De vinhedos premiados na Europa a fazendas imensas na América do Sul, esses ex-jogadores transformaram a paixão pelo campo em negócios sólidos e provam que o talento vai muito além da bola.
E não são apenas os craques que vestiram chuteiras. O narrador esportivo Galvão Bueno, voz de incontáveis Copas do Mundo pela TV brasileira, também entrou de cabeça nesse universo. Confira quem são eles e o que constroem fora dos gramados.
Andrés Iniesta: o herói de 2010 que comanda 300 hectares na Espanha
Autor do gol que deu à Espanha o título da Copa do Mundo de 2010, Iniesta transformou sua cidade natal em destino obrigatório para apreciadores de vinho. O ex-meia do Barcelona comanda a Bodega Andrés Iniesta, vinícola familiar em Fuentealbilla, com 300 hectares e 14 variedades de uvas. A produção anual ultrapassa 1 milhão de garrafas, entre espumantes e vinhos branco, tinto e rosé.
A operação conta com tecnologia de ponta. E já acumula mais de 200 medalhas em competições internacionais como o Bacchus International Wine Competition, o Concours Mondial de Bruxelles e o Concours Mondial du Sauvignon, desde 2011. O jornal espanhol El Debate destacou a vinícola como a grande revelação de 2025, após o empreendimento conquistar 24 prêmios dentro da Denominação de Origem Manchuela.
Gabriel Batistuta: o artilheiro que agora produz soja em 20 mil hectares
Artilheiro histórico da seleção argentina, posto que só perdeu para Lionel Messi, Batistuta disputou três Copas do Mundo (1994, 1998 e 2002) e construiu uma das carreiras mais marcantes da história do futebol sul-americano. Fora das quatro linhas, ele dirige uma fazenda de 20 mil hectares na província de Santa Fé, a 450 quilômetros de Buenos Aires, onde produz soja, milho e girassol e atua na pecuária.
Reprodução: Redes Sociais
O ex-atacante participa ativamente de eventos do setor e já defendeu publicamente a importância do agronegócio para a economia argentina.
Edinson Cavani: do Boca Juniors para a fazenda em Salto
Cavani não esconde o amor pela vida no campo. Quando não está defendendo o Boca Juniors, o atacante uruguaio que jogou as Copas de 2010, 2014 e 2022 se refugia na propriedade rural que mantém em Salto, cidade a 500 quilômetros de Montevidéu. Durante a pandemia de Covid-19, o jogador passou semanas em isolamento com a família no local.
Reprodução: Redes Sociais
Em abril de 2024, Cavani expandiu sua presença no setor e lançou a marca Cavani Wines, linha de rótulos desenvolvida em parceria com duas vinícolas tradicionais do Uruguai e estampada com sua própria silhueta.
David Beckham: galinhas raras, mel e hortaliças orgânicas nos Cotswolds
Além de ser um dos proprietários do Inter Miami, clube que tem Lionel Messi como estrela, o ex-camisa 7 da seleção inglesa em três Copas do Mundo (1998, 2002 e 2006) mantém uma fazenda ativa na região de Cotswolds, no Reino Unido. Pelas redes sociais, Beckham compartilha a criação de galinhas, o cultivo de hortaliças orgânicas e a produção de mel.
Reprodução: Redes Sociais
A ligação com o campo ganhou destaque quando ele celebrou o Dia Mundial das Abelhas com uma publicação sobre a importância dos insetos para o meio ambiente. Outro momento que viralizou: a esposa Victoria presenteou o marido, no aniversário de 51 anos, com seis galinhas de raças raras.
Hernanes: o Profeta que trocou os gramados pelos vinhedos do Piemonte
Campeão da Copa das Confederações de 2013 e convocado por Luiz Felipe Scolari para a Copa do Mundo de 2014, Hernanes escolheu a Itália para construir seu projeto fora do futebol. O ex-meia adquiriu uma propriedade na região de Piemonte, no noroeste italiano. E lá administra a Ca’ Del Profeta, empreendimento que reúne vinícola, restaurante e espaço de hospedagem.
Reprodução: Redes Sociais
O nome do projeto faz referência direta ao apelido que Hernanes carregou ao longo da carreira. “Seu proprietário é um nome de destaque no mundo esportivo, o jogador de futebol Hernanes, que se apaixonou por esta região a ponto de decidir construir sua própria casa aqui. Daí o projeto que, por meio de diversas modificações, assumiu sua forma atual. Não é por acaso que o nome Cà del Profeta vem do apelido pelo qual ele é conhecido, o Profeta”, descreve a apresentação da marca.
Taffarel: do tetra à importação de vinhos italianos
Goleiro titular do Brasil tetracampeão em 1994 e atualmente preparador de goleiros na comissão técnica de Carlo Ancelotti, Taffarel também encontrou no universo do vinho um novo campo de atuação. Ao lado da esposa Andrea e do filho Cláudio, ele comanda a Italy Import, importadora de vinhos sediada em Porto Alegre, com rótulos que variam de R$ 99 a R$ 3,6 mil.
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A conexão com a bebida nasceu durante os anos que o ex-goleiro passou jogando na Itália. “Depois de viver na Itália por tantos anos e conhecer de perto a cultura, os vinhos e os produtores, nos pareceu que trabalhar no Brasil com produtos italianos de qualidade seria uma atividade que realizaríamos com prazer e naturalidade”, escreveu Taffarel no site da empresa.
Pelé: o Rei do Futebol que construiu um império rural em São Paulo
Tricampeão mundial com a seleção brasileira nas Copas de 1958, 1962 e 1970 e amplamente considerado o maior jogador de todos os tempos, Pelé também escreveu um capítulo importante no agronegócio. Em meados da década de 1960, sob inspiração de seu pai Dondinho, ele adquiriu um pequeno sítio entre os municípios de Registro e Juquiá, no Vale do Ribeira, em São Paulo.
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A propriedade, batizada de “Sossego”, rapidamente deixou de ser apenas um refúgio e se tornou um centro de atividades econômicas. Pelé desenvolveu uma operação robusta de criação de gado, peixes e suínos, transformando a fazenda em modelo de negócio na região. Com 661 hectares, dos quais 370 destinados à criação de animais, a fazenda também produzia banana e palmito.
Após a morte de Pelé, em dezembro de 2022, a propriedade foi colocada à venda por R$ 35 milhões. Carregando não só valor imobiliário, mas também um profundo legado histórico e emocional.
Arturo Vidal: o guerreiro chileno que ergueu um haras do zero
Peça-chave da “Geração de Ouro” do Chile nas Copas de 2010 e 2014, e ídolo de clubes como Juventus, Bayern de Munique e Barcelona, Arturo Vidal construiu fora dos gramados um negócio tão combativo quanto seu estilo de jogo.
Apaixonado por cavalos desde criança, Vidal ergueu do zero o Haras Il Campione em San Clemente, cidade na região de Maule, a 300 quilômetros de Santiago, em um terreno de 50 hectares. O projeto nasceu em parceria com seu primo Carlos Aliaga. “Era o sonho que Arturo sempre teve quando criança. Criar os próprios cavalos e depois vê-los correndo”, contou o primo ao jornal Las Últimas Notícias. “Quando compramos o terreno, era milho puro. Era preciso limpar, trabalhar a terra e fazer toda a construção de um haras do zero.”
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O investimento se provou lucrativo. O cavalo Il Campione venceu várias competições e rendeu mais de US$ 210 milhões de pesos chilenos em prêmios, cerca de R$ 1,2 milhão. Sendo depois vendido por um valor estimado em US$ 2 milhões.
Galvão Bueno: a voz das Copas que virou um dos maiores produtores de vinho do Brasil
Narrador das Copas do Mundo pela TV brasileira por décadas, Galvão Bueno administra um empreendimento vitivinícola de 100 hectares no município de Candiota, na região sul do Rio Grande do Sul. A propriedade, chamada Bellavista Estate, cultiva variedades como Merlot, Cabernet Sauvignon, Pinot Noir, Sauvignon Blanc e Chardonnay.
O projeto começou em 2010 com o lançamento do rótulo Bueno Paralelo 31 e cresceu rapidamente. A produção hoje inclui 13 vinhos, sendo dez tintos, dois brancos e um rosé, além de quatro espumantes. Em 2019, um dos seus vinhos recebeu o título de melhor Pinot Noir do país em competição nacional.
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A produção da Bellavista Estate opera sob a supervisão do renomado winemaker italiano Roberto Cipresso, considerado um dos melhores enólogos da Itália. Além da vitivinicultura, a propriedade também produz azeite com três variedades de oliveiras. E mantém criações de gado Hereford, da raça Crioula e um dos maiores plantéis de gado Angus do Brasil.
O agronegócio, portanto, não é apenas uma distração para esses nomes do futebol: é uma segunda carreira construída com a mesma seriedade com que disputaram Copas do Mundo. Do vinhedo ao pasto, eles mostram que o jogo continua, só que em outro campo.