Tag: Fungo australiano

  • Unha-do-diabo acende alerta no Nordeste

    Unha-do-diabo acende alerta no Nordeste

    O Ibama e a Associação Caatinga reuniram, em maio, representantes de instituições federais, estaduais e municipais, pesquisadores, setor produtivo e comunidades afetadas para discutir estratégias de controle da unha-do-diabo (Cryptostegia madagascariensis Bojer ex Decne), espécie exótica invasora que avança pelo Nordeste e ameaça a cadeia produtiva da carnaúba.

    Servidor do Ibama durante encontro técnico para discutir manejo da espécie unha-do-diabo. Foto: Seflo/Ibama

    O encontro técnico ocorreu em Fortaleza (CE) e colocou em pauta a proposta do Plano Nacional de Prevenção, Monitoramento e Manejo da espécie. Contou com apoio da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec) e do Sindicato das Indústrias Refinadoras de Cera de Carnaúba no Ceará (Sindcarnaúba).

    O que é a unha-do-diabo

    Originária de Madagascar, a trepadeira tem alta capacidade de dispersão e se alastra principalmente nas margens de rios e açudes, onde forma densos maciços vegetais que bloqueiam o acesso de pessoas e animais à água. Embora sua ocorrência apareça com frequência associada à palmeira carnaúba, a planta não se limita a esse ambiente.

    A espécie apresenta dois atributos que tornam seu controle especialmente difícil. Ela regenera-se com vigor mesmo após cortes e produz um látex tóxico, o que representa risco para quem realiza o manejo manual. Seus danos vão além do campo ambiental, e afetam diretamente a economia regional, sobretudo a produção de cera de carnaúba, matéria-prima de alto valor exportado pelo Brasil para mercados como cosméticos, alimentos e indústria automotiva.

    Fungo australiano como alternativa

    Entre as alternativas de controle discutidas na reunião, o uso do fungo Maravalia cryptostegiae ganhou destaque. O agente biológico já foi utilizado na Austrália para controlar espécies do mesmo gênero botânico, com resultados positivos relevantes.

    Os especialistas apontaram a necessidade de avançar nos processos regulatórios para viabilizar a pesquisa, a importação e o eventual uso do fungo no Brasil. O grupo também levantou a possibilidade de declaração de emergência fitossanitária ou ambiental. Um instrumento que pode acelerar os trâmites legais e administrativos para enfrentar a invasão.

    Atividades de campo

    Nos dias seguintes ao encontro, equipes realizaram visitas a fazendas-modelo, áreas invadidas e comunidades afetadas no interior do Ceará. As atividades incluíram a coleta de relatos, a observação direta da invasão biológica, a discussão de diferentes métodos de manejo e a articulação entre atores locais ligados ao meio ambiente e à produção.

    A mobilização em torno da unha-do-diabo reflete a urgência do problema: sem controle efetivo, a espécie pode comprometer tanto os ecossistemas da Caatinga quanto a viabilidade econômica das comunidades que dependem da carnaúba.

  • Fungo australiano pode destruir lagarta-do-cartucho

    Fungo australiano pode destruir lagarta-do-cartucho

    A lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), uma das pragas agrícolas mais devastadoras do mundo, espalhou-se por mais de 80 países, destruindo lavouras e desenvolvendo resistência a inseticidas. Mas um estudo australiano traz uma esperança: fungos nativos que infectam e consomem as lagartas de dentro para fora surgem como uma arma promissora no controle biológico.

    Originária das regiões tropicais das Américas, a lagarta-do-cartucho já invadiu Europa, Ásia, África e Austrália, ameaçando a segurança alimentar. As mariposas adultas podem migrar até 1.400 quilômetros em 30 horas, impulsionadas por ventos e pelo comércio internacional, segundo Johnnie van den Berg, zoólogo da Universidade North-West, na África do Sul, em entrevista à Live Science. Além disso, tem outras dificuldades em seu combate:

    • Reprodução explosiva: uma fêmea fértil põe de 1.000 a 2.000 ovos em sua vida.
    • Danos invisíveis: as larvas, difíceis de detectar, destroem folhas de milho em uma semana.
    • Dieta variada: além do milho, atacam trigo, algodão, cana-de-açúcar e hortaliças.

    Fungos como “inimigos naturais”

    Com a resistência da praga a pesticidas químicos, cientistas buscam alternativas sustentáveis. Fungos australianos, ainda em estudo, mostraram capacidade de:

    • Infectar as lagartas através do contato com esporos.
    • Consumir seus tecidos internos, levando à morte em dias.
    • Reduzir a proliferação sem danos ao meio ambiente.

    “Esses fungos agem como controladores naturais, oferecendo uma solução de baixo custo e alta eficácia”, explica um pesquisador envolvido no estudo.

    Desafios no controle da praga

    Apesar do potencial, métodos alternativos — como vírus específicos, extratos botânicos e culturas geneticamente modificadas — enfrentam obstáculos:

    • Escalabilidade: aplicação em larga escala ainda é limitada.
    • Custo-benefício: tecnologias como CRISPR são caras para pequenos agricultores.
    • Velocidade de adaptação: a lagarta-do-cartucho desenvolve resistência rapidamente.
    Por que isso importa?
    • Segurança alimentar: a praga reduz até 50% da produção de milho em regiões afetadas.
    • Impacto econômico: prejuízos globais chegam a US$ 13 bilhões anuais, segundo a FAO.
    • Sustentabilidade: fungos podem reduzir o uso de agrotóxicos, protegendo ecossistemas.

    Pesquisadores australianos planejam testar os fungos em campo. Enquanto isso, agricultores são orientados a:

    • Monitorar lavouras com armadilhas luminosas.
    • Rotacionar culturas para quebrar o ciclo da praga.
    • Adotar práticas integradas de manejo.

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