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  • Estudo aponta impacto de fungicidas na saúde de abelhas sem ferrão

    Estudo aponta impacto de fungicidas na saúde de abelhas sem ferrão

    Uma pesquisa conduzida pela Embrapa Meio Ambiente (SP) revelou que fungicidas amplamente utilizados na agricultura podem comprometer microrganismos fundamentais para o desenvolvimento de abelhas sem ferrão. O estudo avaliou os efeitos de um fungicida químico e outro biológico sobre o complexo fúngico presente no alimento larval da espécie Scaptotrigona depilis.

    Os cientistas identificaram que ambos os produtos interferem nos fungos simbiontes responsáveis pela digestão e pelo fornecimento de nutrientes às larvas. Esses microrganismos mantêm uma relação mutualística com as abelhas, sendo indispensáveis para a saúde e o crescimento das colônias.

    Embora o impacto de inseticidas sobre polinizadores já seja amplamente conhecido, os resultados chamam atenção para os efeitos dos fungicidas, frequentemente considerados menos nocivos. O estudo demonstra que esses produtos também podem afetar organismos essenciais à sobrevivência das abelhas.

    A pesquisadora Simone Prado explica que a equipe testou diferentes concentrações dos fungicidas e monitorou o desenvolvimento dos fungos por meio da contagem de esporos e análises moleculares. Os testes focaram na presença de dois simbiontes-chave: Monascus ruber e Zygosaccharomyces sp.

    Resultados

    Os resultados indicaram respostas distintas entre os produtos. No caso do fungicida biológico, concentrações intermediárias estimularam o crescimento fúngico. Doses de 0,2 g/L e 0,66 g/L aumentaram a esporulação em relação ao grupo de controle, sugerindo que o produto pode favorecer o desenvolvimento dos simbiontes em determinadas condições.

    Por outro lado, concentrações mais altas do fungicida biológico reduziram o crescimento dos fungos, o que evidencia que até insumos considerados mais sustentáveis podem gerar impactos negativos quando usados em excesso.

    Já o fungicida químico apresentou efeitos mais severos. A partir de 2 g/L, o produto inibiu completamente a esporulação dos fungos no alimento larval. As análises moleculares confirmaram a ausência dos simbiontes nas maiores doses, indicando a eliminação total do complexo fúngico.

    Segundo a pesquisadora Jenifer Ramos, as doses utilizadas seguiram as recomendações de campo para garantir relevância agronômica e ecológica. Ela ressalta que as concentrações dos dois produtos não são diretamente comparáveis, devido às diferenças nas formulações e nos níveis de ingrediente ativo.

    Os pesquisadores alertam que o uso indiscriminado de fungicidas químicos pode comprometer relações simbióticas essenciais. Portanto, mesmo sem causar mortalidade imediata, esses produtos afetam processos críticos, como o desenvolvimento larval e a manutenção das colônias.

    Fungicida biológico

    Em contrapartida, o fungicida biológico demonstrou menor impacto geral, mantendo os microrganismos mesmo em concentrações elevadas. O resultado sugere que alternativas biológicas podem contribuir para a conservação de polinizadores e práticas agrícolas mais sustentáveis.

    Cristiano Menezes, também da Embrapa Meio Ambiente, destaca a importância de aprimorar os ensaios ecotoxicológicos. Ele defende a inclusão de abelhas nativas nos testes, que atualmente utilizam apenas espécies exóticas. Além disso, propõe a exigência de avaliações específicas para fungicidas e produtos biológicos, hoje restritas a inseticidas químicos.

    Além disso, segundo o pesquisador, proteger os microrganismos associados às abelhas é essencial para garantir sua nutrição, saúde e, consequentemente, a manutenção dos serviços de polinização,fundamentais para a agricultura e o equilíbrio dos ecossistemas.

  • Percevejo, mancha-alvo e mato: o trio que ameaça a rentabilidade

    Percevejo, mancha-alvo e mato: o trio que ameaça a rentabilidade

    A agricultura brasileira entrou em um novo patamar de exigência técnica, no qual produzir mais não é mais suficiente: é preciso produzir melhor. Essa foi a principal mensagem apresentada por Valdumiro Garcia, gerente de Marketing Regional da IHARA, durante a 23ª Tecnoshow Comigo, realizada em Rio Verde (GO). Nesse contexto, a pressão por produtividade aumenta, e o sucesso no campo passa a depender de inovação, manejo assertivo e escolha correta de tecnologias.

    Segundo ele, a IHARA atua como uma ponte entre a tecnologia japonesa e o agricultor brasileiro, trazendo moléculas inovadoras adaptadas à realidade tropical. “A agricultura é capricho. Não basta plantar, é preciso entender o ambiente, o momento da planta e o problema a ser enfrentado”, afirmou.

    A necessidade de inovação, explicou, está diretamente ligada às características do sistema produtivo brasileiro. Com possibilidade de segunda safra e condições climáticas favoráveis, o mesmo ambiente que beneficia as culturas também favorece pragas e doenças. “Tudo que é bom para a planta também é bom para os fatores que limitam a produtividade”, ressaltou. Por isso, investir em tecnologia deixou de ser uma opção e passou a ser uma necessidade.

    Hoje, o Brasil possui cerca de 50 milhões de hectares de soja. No entanto, a área tratada com defensivos ultrapassa 1,4 bilhão de hectares ao longo dos anos, considerando múltiplas aplicações. Esse dado evidencia um movimento claro: o agricultor trata cada vez mais sua lavoura para proteger o potencial produtivo.

    Produtividade exige estratégia e precisão

    No Cerrado, a média de produtividade gira em torno de 55 sacas por hectare — ponto de equilíbrio para muitos produtores. A margem de lucro, porém, só aparece acima disso. Para alcançar ganhos mais expressivos, é necessário atingir patamares entre 70 e 75 sacas por hectare.

    Esse salto produtivo, segundo Valdumiro, depende de uma combinação de fatores: melhoramento genético, acesso a crédito e, principalmente, manejo eficiente. “É impossível imaginar a prosperidade da agricultura brasileira sem investimento em tecnologia”, afirmou.

    Valdumiro Garcia, gerente de Marketing Regional da IHARA, durante a 23ª Tecnoshow Comigo – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    O avanço das doenças e pragas também exige um olhar mais detalhado. Se no passado o foco estava em problemas visíveis, como a ferrugem asiática, hoje o cenário é mais complexo. A mancha-alvo, por exemplo, vem ganhando protagonismo e já apresenta maior tolerância a fungicidas tradicionais.

    Diante desse cenário, a IHARA apresentou o fungicida SEIV, desenvolvido especificamente para o controle dessa doença. De acordo com dados da empresa, a tecnologia pode alcançar até 95% de eficácia, contribuindo diretamente para a manutenção da produtividade.

    Outro ponto destacado foi a importância da especificidade no manejo. Enquanto o produtor costuma escolher fungicidas considerando o tipo de doença e o estágio da planta, o mesmo cuidado nem sempre ocorre no controle de pragas.

    Pressão de pragas e plantas daninhas aumenta

    Entre os principais desafios atuais estão os percevejos, especialmente o barriga-verde, que vem se adaptando à soja e causando danos mais severos que o percevejo-marrom. Além disso, a presença de mosca-branca em anos chuvosos rompe antigos padrões e exige novas estratégias de controle.

    Para esse cenário, o inseticida ZEUS surge como uma solução de amplo espectro, com atuação eficiente tanto em percevejos quanto em mosca-branca, além de efeito residual prolongado.

    No manejo de plantas daninhas, o alerta é para a crescente resistência. Espécies como capim-pé-de-galinha, caruru e capim-amargoso apresentam menor sensibilidade aos herbicidas convencionais, exigindo novas abordagens.

    Uma das estratégias defendidas é o uso de herbicidas pré-emergentes, como o Yamato, que atuam antes mesmo da germinação das plantas invasoras. Ainda assim, há espaço para crescimento: cerca de metade das lavouras brasileiras de soja não utiliza esse tipo de manejo.

    “A planta daninha precisa ser combatida antes de aparecer. O produtor precisa surpreender o problema, não reagir a ele”, explicou.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Cooperativismo e futuro da agricultura

    A relevância da Tecnoshow Comigo também aparece como ponto de conexão entre tecnologia e produtor. A cooperativa atua em cerca de 22% da área de soja e milho de Goiás, reforçando o papel do cooperativismo na difusão de conhecimento e inovação.

    Ao mesmo tempo, a IHARA mantém um pipeline robusto, com 22 novos ativos em desenvolvimento e potencial para até 240 produtos. Entre os lançamentos previstos está o Fusão Fix, que promete mais praticidade e eficiência no manejo da soja.

    A mensagem final reforça a mudança de mentalidade no campo. Se antes produzir 70 sacas era referência, hoje já se fala em 100 sacas por hectare. Assim, o novo cenário exige mais conhecimento, planejamento e precisão.

    “Cada vez mais, o agricultor precisa conhecer o alvo e escolher a solução adequada. Esse é o caminho para garantir produtividade, rentabilidade e sustentabilidade no campo”, concluiu Valdumiro.

  • Soluções japonesas elevam produtividade no campo

    Soluções japonesas elevam produtividade no campo

    A Ihara apresentou suas principais apostas em inovação, novos produtos e estratégias para ampliar a produtividade agrícola no Brasil durante a 38ª edição da Show Rural Coopavel, realizada de 9 a 13 de fevereiro, em Cascavel (PR). Em coletiva de imprensa no evento, o gerente distrital e comercial da empresa, Rafael Scapini, detalhou tendências de mercado, desafios do manejo e os próximos lançamentos previstos no portfólio da companhia.

    Inovação japonesa aplicada ao campo brasileiro

    Reconhecida como uma das principais plataformas de inovação agrícola do Japão no Brasil, a Ihara atua com acionistas majoritariamente ligados ao fornecimento de moléculas. Esse modelo permite que soluções desenvolvidas no maior polo de pesquisa agrícola do mundo cheguem ao campo brasileiro de forma direcionada às necessidades do produtor.

    Rafael Scapini, gerente distrital e comercial da Ihara – Foto: Pedro H, Lopes

    Além disso, a empresa mantém o foco em transformar tecnologia em resultado prático na lavoura. O objetivo, segundo Scapini, é garantir que a inovação chegue até o produto final, com impacto direto na produtividade e na rentabilidade.

    Crescimento do portfólio e novos lançamentos

    O avanço da Ihara no País ocorre de forma consistente. Em 2017, a empresa registrou seu maior crescimento histórico, com o lançamento de 15 produtos em um único ano. Já em 2025, o portfólio alcançou 79 produtos disponíveis, atendendo todas as culturas e segmentos do agronegócio.

    Atualmente, a companhia avalia e desenvolve 22 moléculas, com potencial para originar até 240 novos produtos. Além disso, quatro soluções — dois fungicidas e dois inseticidas — avançam para a fase final de desenvolvimento. “Tem muita coisa nova para vir por aí”, afirmou Scapini.

    Entre os produtos que devem chegar em breve ao agricultor estão o Fusão Fix, fungicida voltado à cultura da soja; o Alecto, inseticida com molécula inédita para o controle de lagartas; e o Olympo, mistura tripla para soja, com ação contra lagartas, percevejos e outras pragas.

    Recentemente, a Ihara também lançou o SEIV, fungicida desenvolvido com tecnologia própria para o controle da mancha-alvo. Segundo a empresa, o produto permite máximo controle da doença e pode elevar a produtividade em até quatro sacas por hectare.

    Custos de produção e busca por eficiência

    De acordo com Scapini, o produtor rural tem ampliado o investimento em tecnologia como resposta às margens cada vez mais apertadas. Atualmente, cerca de 20% dos recursos vão para fungicidas, 25% para inseticidas, 20% para herbicidas e 7% para tratamento de sementes, além de outros custos de manejo.

    No custo total de produção, os fertilizantes representam aproximadamente 25%, enquanto os defensivos somam 15% e as sementes ficam entre 7% e 8%. Para alcançar o ponto de equilíbrio, o produtor precisa colher cerca de 55 sacas de soja por hectare ao adotar um pacote tecnológico completo.

    Nesse contexto, o investimento em manejo adequado deixou de ser opção e passou a ser necessidade. “Novos patamares de produtividade exigem capricho e planejamento”, destacou o gerente.

    Manejo de plantas daninhas e resistência

    O manejo de plantas daninhas se consolidou como um dos maiores desafios da agricultura moderna. A resistência ao glifosato acelerou o uso de herbicidas pré-emergentes, especialmente no Sul do País. Espécies como caruru, buva e capim-pé-de-galinha ganharam espaço com as condições climáticas favoráveis.

    Diante desse cenário, o herbicida Yamato SC ganhou importância no manejo da resistência. O produto oferece maior período de controle, alta seletividade e segurança para o agricultor iniciar a lavoura no limpo.

    Enquanto isso, a evolução genética também transformou o campo. Se antes uma mesma genética atendia grandes regiões, hoje a escolha ocorre por propriedade. Assim, o produtor alia genética, seletividade e tecnologia para alcançar maior eficiência.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Doenças e controle de pragas

    Entre as doenças da soja, a ferrugem asiática segue como a principal preocupação. Dados da Aprosoja indicam que a doença pode comprometer até 90% da produção. Na última safra, o Brasil registrou mais de 240 focos, o maior número já observado.

    Para enfrentar esse desafio, a Ihara destaca os fungicidas Sugoy e Fusão. O Sugoy reúne uma mistura tripla com ação contra ferrugem, mancha-alvo, antracnose e outras doenças. Dessa forma, o produtor não precisa adicionar outros produtos ao manejo. Já o Fusão combina alta performance com baixo investimento, o que o torna indispensável na rotina do campo.

    No controle de insetos, o Zeus se consolidou como referência no manejo de percevejos. Segundo dados apresentados, apenas um percevejo por metro quadrado pode gerar prejuízos superiores a R$ 11 mil em uma área de 100 hectares. “Não é promessa, é resultado de campo”, reforçou Scapini.

    Com foco em inovação contínua, tecnologia japonesa e soluções adaptadas à realidade brasileira, a Ihara projeta um novo ciclo de crescimento no País. A estratégia prioriza eficiência no manejo, controle preciso de pragas e doenças e aumento da rentabilidade. “É o detalhe que faz a diferença dentro do manejo produtivo”, concluiu o gerente.

  • Tecnologia de aplicação garante uso seguro de defensivos

    Tecnologia de aplicação garante uso seguro de defensivos

    A correta tecnologia de aplicação de pesticidas é determinante para a eficiência e a segurança na produção de alimentos. Com esse foco, a Embrapa Soja (PR) e a Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) reuniram orientações práticas voltadas aos desafios enfrentados no uso de defensivos agrícolas em condições de campo. As informações integram a publicação Tecnologia de Aplicação de Pesticidas, que será lançada durante o Show Rural Coopavel 2026, em Cascavel (PR).

    Foto: Rafael Soares/Embrapa

    De acordo com o pesquisador Dionísio Gazziero, da Embrapa Soja, todo processo de controle, desde o diagnóstico até a aplicação do produto, deve observar critérios técnicos e ambientais. “O uso de pesticidas requer equipamentos em boas condições, regulagem adequada e conhecimento técnico para atingir o alvo com segurança humana e ambiental”, destaca.

    Lançamento ocorre durante o Show Rural Coopavel

    A publicação será apresentada na Vitrine de Tecnologias da Embrapa, entre os dias 9 e 13 de fevereiro, durante o Show Rural Coopavel 2026. Assinam o material os pesquisadores Cleber Maciel, Dionísio Gazziero, Rafael Theisen, Luiz Gustavo Bridi e Fernando Adegas.

    Os autores ressaltam que a eficiência da aplicação depende da escolha correta do produto, do respeito às recomendações técnicas e do monitoramento das condições climáticas. “Desde o momento em que a calda sai do pulverizador até atingir o alvo, seguir as orientações é essencial para evitar perdas e contaminações”, complementa Gazziero.

    Condições climáticas e tamanho das gotas influenciam resultados

    Fatores ambientais exercem grande peso sobre a eficiência da aplicação. Ventos fortes, baixa umidade e altas temperaturas aumentam riscos de deriva e evaporação. Segundo Cleber Maciel, as condições ideais envolvem velocidades de vento entre 3,2 e 6,5 km/h, umidade mínima de 55% e temperatura inferior a 30 °C.

    O tamanho das gotas também é decisivo. Gotas muito finas favorecem a cobertura, mas ficam mais suscetíveis à deriva; gotas maiores reduzem contaminações e atendem melhor à aplicação de herbicidas mimetizadores da auxina. “A escolha correta das pontas de pulverização e da pressão de trabalho é estratégica para evitar fitointoxicação e impacto ambiental”, observa o pesquisador da Unicentro.

    Regulagem e calibração de pulverizadores são pontos críticos

    A regulagem e calibração dos pulverizadores está entre os principais gargalos do setor. Gazziero afirma que inspeções de campo mostram alto índice de equipamentos operando com falhas, o que compromete o controle e a segurança ambiental. “A calibração correta garante que o volume de calda aplicado corresponda ao planejado, evitando desperdícios e desuniformidade”, explica.

    Problemas como vazamentos, bicos desgastados e filtros obstruídos são comuns e reduzem a qualidade da aplicação. Para os especialistas, a manutenção preventiva, a capacitação de operadores e o respeito às condições ambientais representam medidas essenciais para aprimorar o manejo fitossanitário no país.

    Misturas em tanque exigem atenção

    As misturas em tanque de diferentes produtos, como herbicidas, fungicidas, inseticidas e fertilizantes foliares, são prática comum no campo para otimizar tempo e custos. No entanto, exigem atenção redobrada. “Incompatibilidades físicas e químicas podem entupir bicos, formar espuma e até provocar fitotoxicidade nas culturas”, alerta Maciel.

    Por isso, os pesquisadores reforçam a importância de seguir estritamente as recomendações técnicas de cada produto. “O sucesso do manejo fitossanitário depende não apenas do produto, mas da forma como ele é aplicado. A capacitação e o uso consciente da tecnologia são fundamentais para garantir produtividade com segurança para o aplicador, o consumidor e o meio ambiente”, conclui Gazziero.

  • Fungicidas agrícolas ameaçam eficácia de tratamentos contra infecções fúngicas graves

    Fungicidas agrícolas ameaçam eficácia de tratamentos contra infecções fúngicas graves

    O crescente uso de fungicidas agrícolas no Brasil está comprometendo a eficácia dos medicamentos utilizados no tratamento de infecções fúngicas potencialmente fatais em humanos. O alerta foi formalizado em dezembro de 2024 através do Documento de Botucatu, uma moção aprovada por 51 pesquisadores brasileiros e internacionais durante encontro na Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp.

    O fungo Aspergillus fumigatus, causador da aspergilose invasiva, está desenvolvendo resistência aos poucos antifúngicos disponíveis no mercado. Com apenas quatro classes de medicamentos para combatê-lo, o cenário preocupa especialistas em saúde pública global.

    O Brasil figura entre os maiores consumidores mundiais de fungicidas agrícolas, especialmente os triazóis. Essa é a mesma classe de compostos utilizada no tratamento médico de infecções fúngicas graves. Nas últimas três décadas, o uso agrícola desses produtos saltou de 20 mil para 160 mil toneladas anuais desde o início dos anos 2000.

    A exposição constante do fungo aos triazóis funciona como pressão seletiva darwiniana: elimina os indivíduos suscetíveis e favorece a sobrevivência de linhagens naturalmente resistentes devido a mutações genéticas. Esse processo amplifica populações blindadas contra medicamentos anteriormente eficazes.

    Mortes por aspergilose quadruplicam em dois anos

    Dados apresentados no encontro revelam crescimento alarmante: as mortes por aspergilose no Brasil saltaram de aproximadamente 200 em 2022 para 800 em 2024. Globalmente, a espécie causa cerca de 600 mil óbitos anuais.

    O A. fumigatus aparece como manchas verde-acinzentadas de textura aveludada e adapta-se facilmente a ambientes secos, incluindo dutos de ar-condicionado. Seus esporos microscópicos são facilmente dispersos pelo ar, tornando-o contaminante comum em ambientes fechados.

    Embora inofensivo para a maioria das pessoas que inalam e eliminam esporos diariamente sem problemas, o fungo pode ser letal para pacientes imunossuprimidos, transplantados, pessoas com leucemia e pacientes de COVID-19.

    Documento propõe sistema inédito de monitoramento

    Liderado pelo engenheiro agrônomo Paulo Ceresini, da Unesp de Ilha Solteira, o Documento de Botucatu estabelece recomendações baseadas no conceito One Health (“Uma Só Saúde”), que integra bem-estar humano, preservação ambiental e saúde animal.

    As propostas incluem:

    Criação de sistema nacional de monitoramento de fungos resistentes no ar e solo, inexistente até agora no Brasil e no exterior

    • Coleta auditável de dados com acesso aberto à sociedade
    • Avaliações de risco mais rigorosas antes da aprovação de fungicidas agrícolas
    • Ampliação da capacidade hospitalar para detectar infecções fúngicas e resistência
    • Campanhas educativas para agricultores, profissionais de saúde e público geral

    O texto será apresentado aos Ministérios da Saúde, Meio Ambiente e Agricultura durante a elaboração da nova edição do Plano Nacional de Enfrentamento da Resistência Antimicrobiana (PANBR), que orientará políticas públicas no próximo quinquênio.

    Pesquisa internacional mapeia cepas resistentes em São Paulo

    O documento integra o projeto Failsafe, parceria internacional financiada pela agência britânica UK Research and Innovation (UKRI) com £ 250 mil. Durante um ano, equipes da Unesp coletaram amostras em diversas regiões paulistas, em colaboração com pesquisadores das Universidades de Manchester e Geórgia.

    Os resultados preliminares do sequenciamento genético das linhagens coletadas devem ser publicados após fevereiro de 2025. O trabalho envolveu docentes de cinco campi da Unesp e parceiros do setor agrícola.

    “A correlação entre o aumento do uso de triazóis e o crescimento de mortes não prova causalidade, mas é um sinal de alerta importante”, afirma Ceresini, primeiro autor do artigo científico publicado no periódico One Health que embasa o documento.

    Abordagem One Health une agronomia e saúde pública

    O protagonismo de um agrônomo em pesquisa de saúde pública exemplifica a necessidade da abordagem integrada para enfrentar desafios futuros — incluindo resistência bacteriana a antibióticos e expansão de doenças transmitidas por vetores.

    “Dediquei vinte anos ao estudo da resistência a antifúngicos na agricultura, nunca trabalhei com patógenos humanos”, conta Ceresini. “Mas era exatamente essa intersecção que os parceiros buscavam: conhecimento agronômico para amostragem de campo e compreensão do que está acontecendo.”

    A iniciativa reforça que a saúde humana não pode ser tratada isoladamente, mas como parte de uma complexa rede de interações com outros organismos e o ambiente terrestre.

    Por Jornal da Unesp –

  • Brasil registra crescimento na área tratada com defensivos agrícolas

    Brasil registra crescimento na área tratada com defensivos agrícolas

    O Brasil expandiu em 3,1% a área tratada com defensivos agrícolas no primeiro semestre de 2025. O crescimento comparado ao mesmo período de 2024 elevou o total para mais de 1,1 bilhão de hectares tratados. Os dados integram pesquisa da Kynetec Brasil encomendada pelo Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Vegetal (Sindiveg).

    As culturas de segunda safra lideraram a expansão no período. Algodão e milho, plantados no início do ano, registraram crescimento tanto em área quanto em tecnologia aplicada. Os produtores aumentaram o número de aplicações, especialmente de inseticidas e fungicidas foliares.

    A expansão poderia ter sido maior, mas eventos de estiagem atingiram Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso do Sul. A seca nessas regiões impactou a safra de soja 2024/25 e reduziu o manejo com fungicidas foliares.

    Volume de aplicações cresce 4,5%

    O volume total de defensivos aplicados entre janeiro e junho cresceu 4,5% em relação a 2024. A distribuição por categoria mostra herbicidas representando 40% do total. Inseticidas respondem por 29%, fungicidas por 21%, tratamento de sementes por 1% e outros produtos somam 8%.

    A metodologia considera a PAT (Área Potencial Tratada). Este indicador calcula o número de aplicações e produtos no tanque. Assim, a PAT reflete tanto a área cultivada quanto a intensidade tecnológica nas lavouras.

    O milho representou 33% da área total tratada no período. A soja ficou em segundo lugar com 28%, seguida pelo algodão com 16%. As demais culturas se distribuem entre pastagem (6%), cana (4%), feijão (3%), café (2%), arroz (2%), citros (2%), trigo (1%), hortifruti (1%) e outras (3%).

    Regionalmente, Mato Grosso e Rondônia concentraram 38% da área tratada nacional. A região BAMATOPIPA (Bahia, Maranhão, Tocantins, Piauí e Pará) respondeu por 17%. São Paulo e Minas Gerais somaram 13%, seguidos por Paraná (9%), Goiás e Distrito Federal (8%), Mato Grosso do Sul (8%), Rio Grande do Sul e Santa Catarina (6%). As demais regiões representaram 2%.

    Indicador PAT ganha relevância

    Os resultados demonstram a importância do indicador PAT para monitorar o setor. A ferramenta se torna ainda mais crucial em cenários de instabilidade climática. A tomada de decisões técnicas no campo depende dessas informações para proteger lavouras e manter produtividade.

    O crescimento registrado reflete a adaptação dos produtores às condições adversas. Chuvas irregulares e temperaturas acima da média exigiram maior intensidade no uso de defensivos para garantir a proteção das culturas.

  • Pesquisa brasileira identifica fungos do solo que eliminam 100% do mofo-branco

    Pesquisa brasileira identifica fungos do solo que eliminam 100% do mofo-branco

    Cientistas brasileiros descobriram espécies de fungos do gênero Trichoderma capazes de eliminar completamente o mofo-branco, doença causada pelo fungo Sclerotinia sclerotiorum e considerada uma das principais ameaças à produção de soja, feijão e algodão no país. Os resultados laboratoriais apontam para uma alternativa biológica eficaz ao controle tradicional, que depende do uso intensivo de fungicidas químicos, geralmente caros e de alto impacto ambiental.

    O estudo, liderado por Laísy Bertanha, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), com orientação do pesquisador Wagner Bettiol, da Embrapa, identificou cepas de Trichoderma yunnanense e Trichoderma dorotheae com capacidade de inibir até 100% a germinação dos escleródios, estruturas de resistência do patógeno. O destaque ficou para o Trichoderma yunnanense, que atingiu 97,5% de eficácia, reforçando seu potencial como biofungicida para uso agrícola.

    Alternativa sustentável ao uso de químicos

    O mofo-branco é uma doença de difícil controle devido à longa sobrevivência dos escleródios no solo. Tradicionalmente, o manejo depende de fungicidas, que além do custo elevado, trazem riscos ambientais e podem induzir resistência nos patógenos. O uso de Trichoderma surge como solução mais segura e sustentável, podendo ser integrado a outras práticas de manejo para aumentar a eficiência e reduzir a presença da doença no solo.

    Mofo-branco na vagem do feijão. Foto: Sebastião Araújo/Embrapa

    Segundo Bertanha, a combinação de diferentes cepas de Trichoderma pode potencializar o controle biológico. A pesquisa também destaca a importância de isolar microrganismos do próprio ambiente agrícola, maximizando sua eficácia contra patógenos locais.

    Biocontrole integrado e práticas recomendadas

    O controle biológico deve ser associado a práticas como rotação de culturas — especialmente com gramíneas, que não hospedam o fungo — e ao uso de sementes de alta qualidade, livres de patógenos. A sanitização de máquinas agrícolas é outra medida fundamental para evitar a dispersão do mofo-branco. A adição de matéria orgânica ao solo também favorece o desenvolvimento de microrganismos benéficos, aumentando a resistência natural das áreas cultivadas.

    Solos colonizados pelos fungos antagonistas. Foto: Divulgação

    Além de eliminar o patógeno, os agentes biológicos do gênero Trichoderma reduzem a agressividade do mofo-branco ao interferir na produção de ácido oxálico, substância essencial para a virulência do fungo. Durante a pesquisa, os pesquisadores identificaram nove espécies diferentes de Trichoderma em áreas de agricultura orgânica, com destaque para T. yunnanense e T. atrobrunneum.

    Brasil lidera uso de bioinsumos agrícolas

    Atualmente, o Brasil lidera o mercado mundial de bioinsumos para controle biológico e responde por cerca de 20% do consumo global. O setor cresceu 67% entre 2021 e 2022, impulsionado pela busca por soluções sustentáveis e pela necessidade de reduzir resíduos químicos na agricultura. O uso de bioinsumos contribui para a preservação da biodiversidade, menor emissão de gases de efeito estufa e redução dos custos a longo prazo, além de estimular cadeias produtivas locais e a agricultura familiar.

    De acordo com Wagner Bettiol, “a diversidade microbiana do solo está diretamente relacionada à sua capacidade de suprimir patógenos. Tornando o biocontrole uma ferramenta valiosa para sistemas agrícolas mais equilibrados e resilientes”.

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  • Mancha-alvo no algodão: manejo assertivo evita perdas na safra

    Mancha-alvo no algodão: manejo assertivo evita perdas na safra

    A mancha-alvo, causada pelo fungo Corynespora cassiicola, tem se tornado uma ameaça crescente nas lavouras de algodão do Mato Grosso, especialmente nas últimas duas safras. Tradicionalmente, os produtores focavam no controle da ramulária, mas o avanço da mancha-alvo exige estratégias fitossanitárias mais robustas para evitar quedas de produtividade.

    O aumento da doença está associado à sucessão soja-algodão, que favorece a sobrevivência do fungo nos restos culturais, além da redução da eficácia de alguns fungicidas, como as carboxamidas. Com o período crítico de controle da doença ocorrendo entre março e maio, o manejo preventivo se torna urgente para evitar prejuízos.

    Por que a mancha-alvo está se tornando um problema maior?

    Segundo Marcelo Gimenes, gerente de Fungicidas da ADAMA, a falta de produtos específicos para o algodão e o foco excessivo no controle da ramulária deixaram a mancha-alvo em segundo plano.

    “O cotonicultor sempre priorizou a ramulária e foi pego de surpresa pela agressividade da mancha-alvo nos últimos anos. A rotação soja-algodão também contribui, pois o fungo sobrevive nos restos culturais, aumentando a pressão a cada safra”, explica Gimenes.

    Abrapa e Aprosoja-MT alertam para manejo integrado

    Diante do cenário preocupante, entidades como a Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão) e a Aprosoja-MT estão reforçando a necessidade de ajustes nas estratégias de controle.

    “O uso de fungicidas adequados, nos momentos certos, é essencial para evitar perdas. A ADAMA, em parceria com instituições como o IMAmt (Instituto Mato-grossense do Algodão), tem desenvolvido recomendações assertivas para o manejo da doença”, destaca Gimenes.

    Estratégias eficazes para controle da mancha-alvo

    • Rotação de culturas – Evitar a sucessão soja-algodão em áreas com histórico da doença.
    • Uso de fungicidas específicos – Priorizar produtos com eficácia comprovada contra Corynespora cassiicola.
    • Monitoramento constante – Identificar os primeiros sintomas para aplicações preventivas.
    • Manejo de restos culturais – Reduzir a sobrevivência do fungo na palhada.

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  • ADAMA anuncia novo líder de fungicidas no Brasil

    ADAMA anuncia novo líder de fungicidas no Brasil

    A ADAMA, uma das principais empresas do setor agrícola, nomeou Marcelo Gimenes como o novo líder da estratégia de fungicidas da companhia no Brasil. Com seis anos de experiência na ADAMA, Gimenes anteriormente atuava como gerente de Desenvolvimento de Mercado e agora será responsável por expandir o portfólio de produtos da empresa.

    Formado em Engenharia Agronômica, Gimenes possui mestrado pela Universidade de São Paulo e doutorado pela The Ohio State University e pela Unesp. Sua trajetória inclui passagens por grandes empresas do setor agroindustrial, onde adquiriu experiência valiosa em desenvolvimento de produtos e soluções para o mercado.

    “Assumir a liderança do segmento de fungicidas é uma tarefa desafiadora e gratificante. A ADAMA tem uma trajetória de excelência em desenvolver soluções para o controle das principais doenças que desafiam os agricultores em todo o Brasil”, afirma Gimenes. Ele destaca seu compromisso em continuar a história de sucesso da empresa. Desenvolvendo fungicidas inovadores que atendam às necessidades específicas de cada região e assegurando a sustentabilidade dos sistemas de produção.

    A ADAMA está constantemente ampliando sua presença no mercado com um portfólio diversificado que combina eficiência e sustentabilidade. A empresa investe em tecnologia e inovação, criando formulações diferenciadas que atendem às exigências ambientais e impulsionam a produtividade das lavouras.

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  • Produção: segunda safra deve crescer em 2025

    Produção: segunda safra deve crescer em 2025

    A segunda safra tem se tornado cada vez mais relevante na agricultura brasileira. De acordo com a previsão da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgada nesta terça-feira (14), a produção de milho para a temporada 2024/2025 deve crescer, alcançando 119,6 milhões de toneladas no total das três safras, o que representa um aumento de 3,3% em relação à temporada anterior. A chamada “safrinha” é responsável por cerca de 80% dessa produção.

    No que diz respeito ao algodão, a área cultivada deve alcançar 2 milhões de hectares, com uma produção estimada em 3,7 milhões de toneladas, sendo a maior parte proveniente da segunda safra.

    Para maximizar o potencial produtivo, os produtores devem estar atentos a diversos fatores. Sérgio Zambon, gerente de Desenvolvimento de Tecnologias Brasil da BASF Soluções para Agricultura, enfatiza que o sucesso da segunda safra começa no manejo adequado da safra anterior. “É fundamental evitar altas infestações de pragas como nematoides e mosca branca, além de planejar todas as necessidades do cultivo da safrinha”, afirma Zambon.

    Dicas para aumentar a produtividade

    Zambon recomenda que os agricultores semeiem na melhor janela de plantio e escolham sementes certificadas e tratadas. Além disso, é essencial realizar o manejo adequado de pragas e doenças para evitar perdas. Entre as dicas do especialista estão:

    • Combater a cigarrinha do milho logo no início com produtos eficientes.
    • Escolher produtos de alta qualidade e rotacionar inseticidas, fungicidas e herbicidas para evitar resistência.

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    • Usar fungicidas preventivos com multissítios para proteger a produtividade.
    • Optar por cultivares geneticamente modificados que facilitem o controle de pragas e doenças.

    Manejo do algodão

    No cultivo do algodão, é importante controlar o crescimento excessivo das plantas. “Os reguladores de crescimento ajudam a manter o algodoeiro sob controle, favorecendo as operações de manejo fitossanitário e colheita”, explica Zambon.

    Com as previsões positivas para a segunda safra e as orientações dos especialistas, os produtores têm a oportunidade de maximizar sua produtividade e rentabilidade. A adoção das melhores práticas agrícolas e o uso de tecnologias avançadas são fundamentais para garantir uma colheita bem-sucedida na próxima temporada.