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  • Guavira: a fruta do Cerrado que resiste ao fogo e vira farinha, licor e isotônico

    Guavira: a fruta do Cerrado que resiste ao fogo e vira farinha, licor e isotônico

    Depois dos ipês, as flores da guavira colorem o Cerrado de Mato Grosso do Sul. A espécie nativa do bioma encanta com suas flores delicadas e produz frutos de sabor doce e levemente ácido, que conquistam paladares e impulsionam a gastronomia regional.

    A guavira, também conhecida como gabiroba (Campomanesia spp.), floresce em um período curto, entre setembro e outubro, durante a estiagem. As flores duram apenas três a quatro dias em cada arbusto, criando um espetáculo efêmero no Cerrado.

    A guavira pertence à família Myrtaceae e inclui diversas espécies do gênero Campomanesia, sendo a Campomanesia xanthocarpa uma das mais comuns no Centro-Oeste brasileiro. O fruto possui casca fina, polpa suculenta e pode ser consumido in natura ou transformado em sucos, geleias, licores e doces.

    Abelhas trabalham na formação dos frutos

    As flores dependem da ação das abelhas para a polinização. Esses insetos visitam a planta em busca de néctar e pólen, que utilizam na produção de mel. Ao transportarem o pólen entre as flores, as abelhas contribuem para a fecundação e o surgimento dos frutos, processo que leva cerca de dois meses.

    A polinização cruzada realizada pelas abelhas aumenta significativamente a taxa de frutificação da guavira, tornando esses insetos essenciais para a produção.

    Resistência ao fogo garante sobrevivência no Cerrado

    Uma das características mais notáveis da guavira é sua capacidade de resistir a incêndios. Os arbustos de guavira possuem raízes profundas e casca espessa que protegem a planta durante queimadas, permitindo que rebrotam rapidamente após o fogo. Essa adaptação torna a espécie fundamental para a regeneração do Cerrado e a manutenção da biodiversidade.

    Foto: Marco Pimentell/Flickr

    A guavira cresce naturalmente no final da estiagem e produz frutos em abundância nos meses seguintes, garantindo alimento para a fauna local e para comunidades tradicionais que praticam o extrativismo.

    UFMS transforma fruta em produtos inovadores

    Reconhecida por lei como fruto símbolo de Mato Grosso do Sul, a guavira tem se tornado referência na gastronomia regional. O laboratório do curso de Engenharia de Alimentos da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) desenvolve diversos produtos a partir da fruta.

    Entre os derivados estão farinha integral, casca cristalizada, isotônico da polpa e chá da casca. A farinha de guavira apresenta alto teor de fibras e compostos antioxidantes, podendo ser utilizada em produtos de panificação e confeitaria. O aproveitamento integral da fruta reduz desperdícios e agrega valor à produção regional.

    Valor nutricional atrai interesse científico

    A guavira é rica em vitamina C, fibras, compostos fenólicos e carotenoides, apresentando propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. Estudos indicam que o consumo regular da fruta pode contribuir para a saúde cardiovascular e o fortalecimento do sistema imunológico.

    Foto: Elio Rocha Jr/Flickr

    A polpa da guavira contém cerca de 20 mg de vitamina C por 100 gramas, quantidade comparável à de frutas cítricas tradicionais. O perfil nutricional diferenciado tem atraído pesquisadores interessados em explorar o potencial funcional da fruta.

    Campo Grande cultiva tradição e arborização

    Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, lidera o ranking nacional de arborização urbana. A cidade recebe há seis anos consecutivos o título internacional de “Tree City of the World” (Cidade Árvore do Mundo).

    Dados do Censo Demográfico de 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam Campo Grande como a capital mais arborizada do Brasil. O levantamento aponta que 91,4% dos domicílios da capital ficam em vias públicas com ao menos uma árvore. O estudo considerou apenas árvores em áreas públicas, excluindo quintais privados.

    A presença da guavira na paisagem urbana reforça a conexão da população com o Cerrado e mantém viva a tradição de “catar” a fruta, prática comum entre moradores da região que saem para colher os frutos em áreas preservadas.

    Preservação garante futuro da espécie

    Apesar da resistência natural, a guavira enfrenta desafios com a expansão agropecuária e a degradação do Cerrado. Iniciativas de cultivo sustentável e extrativismo comunitário têm surgido como alternativas para conciliar conservação ambiental e geração de renda.

    A valorização de produtos regionais derivados da guavira fortalece cadeias produtivas locais e incentiva a preservação do bioma. O reconhecimento da fruta como símbolo estadual representa um passo importante para a conservação dessa espécie emblemática do Cerrado sul-mato-grossense.

  • Piquiá: fruto rico em vitaminas que poucos conhecem

    Piquiá: fruto rico em vitaminas que poucos conhecem

    A biodiversidade amazônica esconde uma joia nutricional que ainda permanece desconhecida pela maioria dos brasileiros. O piquiá (Caryocar villosum), fruto nativo da floresta amazônica, concentra propriedades nutricionais e terapêuticas que despertam o interesse crescente de pesquisadores, chefs de cozinha e indústrias de cosméticos.

    O piquiazeiro, árvore típica da floresta pluvial amazônica, pertence à família das cariocaráceas e ocorre naturalmente nos estados do Amazonas, Roraima, Amapá, Pará, Maranhão, Rondônia e Mato Grosso Piquiá. A espécie também marca presença na Guiana Francesa, demonstrando sua adaptação ao clima tropical úmido.

    O fruto apresenta forma esférica, ligeiramente achatada nos polos, com tamanho comparável ao de uma laranja grande. Sua casca marrom-acinzentada revela-se espessa e carnuda, abrigando quatro bagos em formato de rim. A polpa amarela, com espessura entre 3 e 10 milímetros, adere firmemente ao caroço central.

    Riqueza nutricional: vitaminas e compostos bioativos do piquiá

    O fruto destaca-se pelo alto teor de vitaminas A, B1, B2 e B5, além de concentrar taninos e substâncias fenólicas. Esses compostos conferem ao piquiá propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias reconhecidas pela medicina popular amazônica.

    A polpa fornece óleo rico em gorduras boas, que a população amazônica utiliza tanto na culinária quanto para fins terapêuticos. Estudos recentes revelam que até as cascas do piquiá, que representam 65% do fruto, contêm compostos bioativos com propriedades antioxidantes e antienvelhecimento.

    Como consumir o piquiá na culinária tradicional amazônica

    O piquiá-amazônico torna-se comestível apenas após o cozimento, processo fundamental para amolecer a casca e cozinhar a polpa, preservando os nutrientes. A forma tradicional de consumo une a polpa cozida à farinha de mandioca, acompanhada de café, uma combinação apreciada há gerações.

    Foto:
    Evandro Borel/Flickr

    Enquanto crianças costumam consumir o fruto roendo diretamente a polpa, em outras regiões da Amazônia as pessoas raspam a polpa e misturam com arroz e carne. O piquiá também pode ser assado na brasa, preparado como doces em compotas e geleias, ou incorporado a pratos salgados como farofas e ensopados.

    A versatilidade do fruto permite sua utilização em patês e cozidos com frango caipira, enquanto as castanhas torradas conquistam cada vez mais apreciadores. O óleo extraído da polpa serve principalmente para fritar peixes, conferindo sabor característico aos pratos regionais.

    Potencial biotecnológico: do cosmético ao nutracêutico

    Apesar de ser uma planta nativa da Amazônia, o Caryocar villosum ainda recebe pouca exploração do ponto de vista biotecnológico e nutracêutico. Pesquisadores trabalham no desenvolvimento de alimentos funcionais e produtos cosméticos a partir da polpa, amêndoa e óleo do fruto.

    O uso biotecnológico do piquiá já permite a produção de sabonetes esfoliantes utilizando casca, polpa e semente, além de aplicações na fabricação de tintas e tingimento de tecidos. As substâncias aromáticas como fenólicos e flavonoides despertam interesse especial da indústria cosmética.

    A exploração sustentável do piquiá representa uma oportunidade de valorizar a biodiversidade amazônica, gerar renda para comunidades locais e oferecer ao mercado nacional e internacional um ingrediente natural com múltiplas aplicações. Enquanto açaí e buriti já conquistaram protagonismo, o piquiá aguarda seu momento de reconhecimento como superalimento amazônico.

  • Conheça o bacuri: um tesouro amazônico

    Conheça o bacuri: um tesouro amazônico

    O bacuri (Platonia insignis) é uma das joias da biodiversidade brasileira, uma fruta que encanta pelo sabor único e pelos inúmeros benefícios à saúde. Nativa da região amazônica, especialmente do Pará, Maranhão e Piauí, essa fruta de polpa cremosa e sabor agridoce vai muito além da culinária – é um símbolo cultural, um aliado da medicina tradicional e um recurso econômico vital para comunidades locais.

    O bacuri é um superalimento rico em nutrientes essenciais, como:

    • Vitaminas (A, B1, B2, B3 e C) – fortalecem o sistema imunológico e a saúde da pele.
    • Minerais (potássio, fósforo, cálcio e ferro) – ajudam no controle da pressão arterial e na saúde óssea.
    • Fibras – melhoram a digestão, combatem a prisão de ventre e promovem saciedade.
    • Antioxidantes (flavonoides, betacaroteno e vitamina C) – combatem radicais livres, retardam o envelhecimento e previnem doenças crônicas.

    Além disso, o óleo de bacuri, extraído de suas sementes, é amplamente utilizado na indústria cosmética por suas propriedades anti-inflamatórias, cicatrizantes e hidratantes, sendo um ingrediente-chave em cremes, shampoos e sabonetes.

    A árvore que “nasce até dentro de casa”

    A árvore do bacuri, conhecida como bacurizeiro, é uma gigante da Amazônia, podendo atingir até 25 metros de altura e viver mais de 100 anos. Algumas curiosidades fascinantes sobre ela incluem:

    • Nome indígena: a palavra “bacuri” vem do tupi e significa “cai logo”, referindo-se ao fato de o fruto se desprender da árvore quando maduro.
    • Reprodução peculiar: o bacurizeiro se reproduz tanto por sementes quanto por brotamentos das raízes, o que faz com que surjam novas árvores até mesmo perto de residências – daí o ditado popular: “O bacurizeiro nasce até dentro de casa”.
    • Safra sazonal: os frutos amadurecem entre janeiro e junho, sendo colhidos principalmente no Norte do Brasil.

    O bacuri na vida das comunidades amazônicas

    Para os povos tradicionais da Amazônia, o bacuri vai muito além de uma simples fruta – é fonte de renda, alimento e medicina.

    Economia local: a coleta e venda do bacuri sustentam famílias inteiras, especialmente em feiras livres do Pará e Maranhão.

    Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

    Empoderamento feminino: muitas cooperativas de mulheres trabalham no processamento artesanal da fruta, produzindo doces, geleias e cosméticos, fortalecendo a economia regional.

    Uso medicinal: na medicina tradicional, o bacuri é usado para tratar dores de ouvido, inflamações na pele e até picadas de cobras e aranhas.

    Como consumir bacuri?

    A versatilidade do bacuri na culinária é impressionante. Confira algumas formas de incluí-lo na dieta:

    In natura: a polpa cremosa pode ser consumida diretamente da fruta.

    Sucos e smoothies: bata a polpa com água ou leite para uma bebida refrescante.

    Sobremesas: sorvetes, mousses, bolos e geleias são preparações tradicionais.

    Pratos salgados: molhos à base de bacuri combinam bem com peixes e carnes.

    Um futuro verde

    A produção sustentável do bacuri é essencial para a preservação da Amazônia. Empresas como a MAHTA e a feito brasil investem em sistemas agroflorestais que respeitam o ciclo natural da floresta, garantindo renda para comunidades locais e protegendo o meio ambiente.

    Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

    O bacuri é muito mais que uma fruta – é um símbolo da riqueza amazônica, um aliado da saúde e um motor econômico para comunidades tradicionais.

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