Celebrado em 1º de julho, o Dia Mundial da Fruta é um convite para conhecer espécies que vão muito além das mais tradicionais encontradas nas feiras e supermercados. Entre elas está o canistel, uma fruta tropical exótica conhecida pela coloração dourada, textura extremamente cremosa e sabor que lembra pudim, doce de leite e outras sobremesas caseiras.
Também chamada de sapota-amarela, a fruta ainda é pouco popular entre os brasileiros, mas desperta a curiosidade de quem busca novas experiências gastronômicas e cultivares adaptadas ao clima tropical.
Originário da América Central, o canistel pertence à mesma família de outras frutas tropicais e se destaca pela polpa amarelo-intensa e bastante densa.
Sua consistência costuma ser comparada à de uma gema de ovo cozida, característica que lhe rendeu o apelido de “eggfruit” em alguns países. Já o sabor é naturalmente doce e lembra sobremesas como pudim, creme e doces preparados de forma artesanal.
Essa combinação faz do canistel uma fruta bastante apreciada por quem gosta de sabores diferentes e marcantes.
Uma árvore que se adapta bem ao clima tropical
Além das qualidades gastronômicas, o canistel também chama atenção pelo cultivo.
A árvore apresenta boa adaptação às regiões de clima tropical e subtropical, podendo ser cultivada em diversas áreas do Brasil quando recebe boa incidência de sol e solo com drenagem adequada.
Os frutos amadurecem adquirindo uma intensa coloração dourada, tornando a planta também uma opção ornamental para pomares e quintais.
Como consumir a fruta
O canistel pode ser consumido in natura, desde que esteja completamente maduro.
Também é utilizado no preparo de vitaminas, sorvetes, mousses, bolos, tortas e geleias.
Sua textura naturalmente aveludada dispensa muitos ingredientes, tornando a fruta uma opção interessante para receitas saudáveis e sobremesas.
Uma joia tropical ainda pouco conhecida
Embora ainda seja considerada rara em muitas regiões brasileiras, o canistel vem despertando interesse entre produtores, colecionadores de frutas exóticas e consumidores que buscam novidades.
Além do visual marcante, seu sabor diferenciado faz da espécie uma das frutas tropicais mais curiosas cultivadas atualmente.
Celebrado em 1º de julho, o Dia Mundial da Fruta chama a atenção para a importância do consumo desses alimentos na promoção da saúde e da qualidade de vida. A data foi criada em 2007, na Alemanha, em parceria com instituições de saúde, com o objetivo de incentivar hábitos alimentares mais saudáveis e ampliar o consumo diário de frutas.
Além de fazer parte de uma alimentação equilibrada, as frutas ocupam um papel estratégico na agricultura brasileira. O Brasil está entre os maiores produtores e exportadores de frutas tropicais do mundo, com destaque para culturas como manga, banana, mamão, melão e uva.
Ricas em água, fibras, vitaminas e minerais, as frutas contribuem para o bom funcionamento do organismo e ajudam na prevenção de diversas doenças.
Entre os principais benefícios estão o fortalecimento do sistema imunológico, melhora da digestão, auxílio na hidratação do organismo e redução do risco de doenças cardiovasculares.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o ideal é consumir pelo menos 400 gramas de frutas e vegetais por dia, quantidade equivalente a aproximadamente cinco porções.
As frutas mais consumidas no Brasil
A banana lidera o ranking mundial de consumo e também figura entre as preferidas dos brasileiros.
O sucesso da fruta está relacionado à praticidade, ao alto valor energético, ao preço acessível e à disponibilidade durante praticamente todo o ano.
Na sequência aparecem as frutas cítricas, especialmente laranja e limão, seguidas por maçãs e uvas.
Essas frutas conquistaram espaço no mercado mundial por aliarem valor nutricional, facilidade de transporte e longa conservação após a colheita.
Por que essas frutas lideram o consumo?
Cada uma delas reúne características que favorecem sua produção e comercialização em larga escala.
Banana
Rica em potássio e carboidratos;
Fonte rápida de energia;
Cultivada em mais de 130 países;
Disponível durante praticamente todo o ano.
Laranja e limão
Fontes importantes de vitamina C;
Muito utilizados na produção de sucos;
Casca resistente facilita o transporte e armazenamento.
Maçãs e uvas
Possuem excelente vida útil pós-colheita;
São consumidas frescas e também processadas;
Dão origem a produtos como vinhos, geleias, doces e passas.
Brasil tem papel de destaque na fruticultura
Além de abastecer o mercado interno, o Brasil é um dos principais produtores de frutas tropicais do planeta.
A manga está entre os produtos agrícolas brasileiros de maior destaque nas exportações, chegando a diversos mercados internacionais graças à qualidade da produção nacional.
O clima favorável e a diversidade de regiões produtoras permitem que o país cultive uma ampla variedade de frutas ao longo do ano, fortalecendo o agronegócio e gerando empregos em diferentes estados.
O verão impulsiona o consumo de frutas frescas no Rio Grande do Sul. Agricultores familiares assistidos pela Emater/RS-Ascar cultivam melancia, morango, abacaxi, uva, pêssego e outras variedades que abastecem feiras e mercados em todo o Estado. Os consumidores buscam essas frutas in natura, em sucos, sobremesas e smoothies durante a temporada de calor, que se estende até 20 de março.
“O Rio Grande do Sul produz uma diversidade de frutas que colorem as mesas e o dia a dia de quem produz, mas também dos consumidores”, destaca Luis Bohn, gerente técnico estadual e diretor técnico em exercício da Emater/RS-Ascar. Ele observa aumento na procura durante o verão, especialmente nas feiras realizadas em quase todos os municípios gaúchos, com destaque para o Litoral.
Clima desafia produtores e beneficia culturas específicas
As temperaturas elevadas e a baixa umidade relativa do ar prejudicaram algumas culturas, como melancia e melão, mas beneficiaram as videiras, o abacaxi e o morango, segundo o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar. Bohn ressalta que a irrigação se tornou fundamental para os produtores enfrentarem períodos de seca.
“A irrigação nesse momento, em especial para a viticultura ou mesmo as melancias e melões, é fundamental, pela necessidade fisiológica dessas frutíferas, pois permite que as frutas se desenvolvam a um tamanho de boa aparência”, avalia o diretor técnico.
Abacaxi de Terra de Areia conquista pelo sabor único
Terra de Areia, município tradicional na produção de abacaxi no Litoral gaúcho, cultiva a fruta em 360 hectares com 120 famílias. A variedade Pérola se diferencia pelo sabor sempre doce, resultado de uma característica especial: os produtores colhem o abacaxi bem maduro.
“O abacaxi é uma fruta não climatéria, ou seja, colhemos ele bem maduro. Depois de desconectado da planta-mãe, ele pode mudar de cor, mas não acrescenta mais açúcares”, explica o extensionista Wolnei Marcio Fenner. Essa particularidade impede o transporte de longa distância, diferentemente do abacaxi de outros estados, colhido verde e com sabor inferior.
A safra 2025/2026 prevê colheita de 7,5 milhões de frutos. “O clima neste ano tem sido muito favorável. Quem comprar não vai se arrepender”, garante Fenner.
Morango gaúcho atinge pico de qualidade
O Rio Grande do Sul cultiva morango em 588 hectares com 2.631 famílias de agricultores. O Levantamento Frutícola de 2025 da Emater/RS-Ascar identifica a Serra, o Vale do Caí e Pelotas como principais regiões produtoras.
No Vale do Caí e em Pelotas, os produtores comercializam morango entre outubro e dezembro. Na Serra, o auge ocorre do final de dezembro até fevereiro. As cultivares de dias neutros, como San Andrés e Álbio, ocupam maior área, enquanto as variedades de dias curtos — Fênix, Fronteiras e Caminho Real — se destacam pela precocidade.
“As frutas deste ano estão com ótima qualidade, demonstrando uma excelente safra, com colaboração do clima”, destaca o extensionista Thompsson Benhur Didoné. Ele menciona pequeno atraso no início da safra devido a fortes geadas, mas a produção se recuperou completamente.
Em Pelotas, a cultura mantém plena produção com frutos de excelente qualidade, calibre, coloração e sabor. Bom Princípio, conhecido como Terra do Moranguinho, celebra anualmente a Festa Nacional do Moranguinho em setembro e mantém colheita com boa qualidade e demanda satisfatória.
Melancia amplia área cultivada no Estado
A colheita de melancia atinge o auge no Rio Grande do Sul. Os bons preços na safra anterior motivaram produtores da região de Pelotas a aumentar a área plantada. Na região de Soledade, municípios como Rio Pardo, General Câmara e Encruzilhada do Sul intensificam a colheita em área estimada de 1.800 hectares.
Foto: Wenderson Araujo/Sistema CNA/Senar
São Jerônimo concentra 60 produtores que cultivam 800 hectares de melancia, com expectativa de produtividade de 35 toneladas por hectare. “Porém a falta de chuvas afeta algumas lavouras que não têm sistema de irrigação”, ressalta o extensionista Marcelo da Silva Fortes. Ele também atende 35 produtores em Arroio dos Ratos, onde cultivam 350 hectares.
As variedades Manchester, Braba, Karistan, Top Gun e Talismã dominam a produção nos dois municípios, basicamente através do sistema convencional com aração e gradagem.
Irrigação multiplica produtividade por cinco
Fortes identifica tendência de aumento da área cultivada com melancia em plantio consorciado com florestas de acácia-negra e eucalipto, fomentadas por empresas florestais. Alguns produtores de soja migraram para a melancia devido à descapitalização, atraídos pela rentabilidade em área menor.
O uso de tecnologias como irrigação por aspersão e fertirrigação por gotejamento aumenta significativamente a produtividade. Atualmente, os produtores irrigam 60% das áreas de melancia em São Jerônimo e Arroio dos Ratos. “Temos exemplos bem claros das vantagens de irrigar, com um produtor produzindo 15 toneladas por hectare e outro, do outro lado da estrada, produzindo 75 toneladas por hectare”, compara Fortes.
Os produtores também adotam outras técnicas, como protetor solar à base de caulim, que evita queimaduras e escaldaduras nas frutas. “Hoje o pessoal é adepto e já inclui o protetor solar no seu orçamento”, afirma. Ele desmistifica a mancha branca na casca: “Não é veneno. É efeito do protetor solar, à base de caulim, uma rocha, sendo, portanto, um produto natural”.
“O Rio Grande do Sul tem a fruticultura como uma de suas vocações produtivas, uma das suas grandes tradições, com característica a produção dentro de uma diversidade, diante do clima que temos nas regiões. A safra de verão de 2026 está ofertando frutas com sensacional aparência, qualidade e sabor”, conclui Bohn.
Os Estados Unidos preparam novas tarifas sobre produtos agrícolas brasileiros para o início do mês. A medida vai além das tradicionais exportações de laranja e café. Agora, frutas frescas como manga e uva também enfrentam a ameaça do “tarifaço” americano.
O setor frutícola brasileiro acende o sinal de alerta. Produtores temem impactos diretos já no segundo semestre de 2025, período crucial para as exportações dessas culturas.
A manga deve sentir os efeitos mais rapidamente. As exportações para o mercado norte-americano começam em agosto. O timing preocupa produtores que planejavam uma safra otimista, baseada na valorização cambial e na recuperação dos polos frutíferos nordestinos.
A região Nordeste concentra a produção de manga destinada ao exterior. Os produtores locais contavam com o cenário favorável para expandir negócios com os EUA.
Uva brasileira perde competitividade
A uva de mesa brasileira também entra na zona de risco. A colheita para exportação inicia na segunda quinzena de setembro, especialmente no Vale do São Francisco.
O produto brasileiro ganhou espaço no mercado americano nos últimos anos. A qualidade e variedade das uvas nacionais conquistaram consumidores dos EUA. Porém, as novas tarifas podem beneficiar concorrentes de outros países.
Leonardo Sodré, CEO da GIROAgro, vê oportunidade na crise. “É hora de diversificar e construir novos parceiros comerciais”, afirma o executivo. “Essa tarifa não é o fim da lavoura, mas o sinal para defender nossa produção com estratégia.”
O setor se mobiliza para encontrar saídas viáveis. Antes das ameaças tarifárias, produtores projetavam crescimento nas exportações de frutas frescas para os EUA.
União Europeia como alternativa principal
Especialistas apontam dois caminhos para os produtores brasileiros. O primeiro envolve a diversificação de mercados internacionais. O segundo foca no fortalecimento do mercado interno.
A União Europeia surge como destino natural. O bloco europeu já conhece os protocolos fitossanitários brasileiros. Reino Unido, Emirados Árabes, Canadá e países asiáticos também ampliam o consumo de frutas tropicais.
O mercado doméstico pode absorver volumes maiores de frutas. Porém, essa estratégia pressiona os preços ao produtor. A situação exige atenção redobrada à logística, qualidade e negociação com grandes redes varejistas.
Produtores precisam se preparar para margens menores no mercado interno. A competição com frutas importadas também pode intensificar.
Governo articula medidas de apoio
Entidades do setor produtivo buscam apoio do governo federal. As propostas incluem crédito emergencial, estímulo à abertura de novos mercados e atuação diplomática.
O objetivo é reverter ou minimizar os efeitos das tarifas americanas. A organização da cadeia produtiva torna-se fundamental para manter a competitividade brasileira.
“Estamos comprometidos em levar tecnologia e inovação para o campo”, destaca Leonardo Sodré. O executivo defende investimentos em pesquisa e desenvolvimento como caminho para uma agricultura sustentável.
A combinação de tecnologia com conhecimento do produtor pode fortalecer o setor. A estratégia visa manter a relevância do Brasil no mercado global de frutas frescas, mesmo diante das adversidades comerciais.
A Bahia consolida-se como um dos principais polos agrícolas do país, com R$ 55,4 bilhões em Valor Bruto da Produção Agropecuária em 2024 e crescimento acumulado de 25,6% entre 2015 e 2024. O destaque é a soja, que lidera o setor com 59% de expansão no período e 8% de aumento em 2024, segundo dados da Secretaria de Agricultura (Seagri).
Safra 2024/25: novos patamares
Para a atual safra, 3,9 milhões de hectares serão cultivados com grãos, alta de 4,5% em relação ao ciclo anterior. A produção estimada é de 13,7 milhões de toneladas, com destaque para:
Soja: 60,8% do total (8,58 milhões de toneladas, segundo a Aiba)
Milho: 18,1%
Algodão: 13,4%
Café: previsão de 11,3% de aumento em 2025, atingindo 3,4 milhões de sacas.
As vendas externas do estado saltaram de US$ 4,05 bilhões em 2020 para US$ 6,71 bilhões em 2024, crescimento de 65,4%. A soja responde por 73,5% desse avanço, reforçando sua posição como principal produto exportador.
Cacau e frutas: novas fronteiras
A Bahia recuperou a liderança nacional na produção de cacau em 2024, com 139.011 toneladas em 2023 (IBGE). O Oeste baiano emerge como nova fronteira para o produto, com potencial para quase duplicar a safra nacional até 2030. Já o Vale do São Francisco mantém hegemonia na fruticultura, sendo o maior produtor de manga do país. E o único local do mundo com cinco safras de uva em dois anos.
Pecuária e aquicultura
Com 13,3 milhões de cabeças (37,6% do Nordeste), a Bahia ocupa o 7º lugar nacional em bovinocultura e é certificada como zona livre de febre aftosa sem vacinação. A costa de 1,2 mil km e reservas de 60 bilhões de m³ de água doce também impulsionam projetos de pesca e aquicultura, com apoio da Bahia Pesca em capacitação e infraestrutura.
O relatório da Seagri destaca sustentabilidade ambiental, logística e mudanças climáticas como obstáculos. Por outro lado, aponta potencial em alimentos orgânicos, agroindústria e turismo rural para modernização do setor.