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  • Frigoríficos dão férias coletivas após limite de exportação à China

    Frigoríficos dão férias coletivas após limite de exportação à China

    Frigoríficos brasileiros começaram a anunciar férias coletivas e redução dos abates de bovinos diante da expectativa de esgotamento da cota anual de exportação de carne bovina para a China. A medida deve afetar unidades em diferentes estados a partir de julho.

    O movimento ocorre porque o mercado acredita que o limite de 1,106 milhão de toneladas autorizado pelo governo chinês será atingido antes do fim do ano. Com isso, importadores da China devem retomar as compras apenas em outubro, utilizando a cota prevista para 2027.

    Produção será reduzida

    No fim de 2025, a China passou a adotar cotas de importação para seus principais fornecedores de carne bovina, incluindo Brasil, Austrália e Estados Unidos.

    Dentro da cota brasileira, a tarifa de importação é de 12%.

    Após o limite ser atingido, a cobrança sobe para 67%, tornando as exportações menos competitivas.

    Embora ainda seja junho, o setor considera que o limite está próximo porque a China contabiliza os embarques conforme a chegada da carga aos seus portos, e não pela data de saída do Brasil.

    Segundo dados divulgados pelo governo chinês em 23 de junho, o Brasil já havia utilizado 65,4% da cota até maio.

    Empresas anunciam férias coletivas

    Diversos frigoríficos decidiram reduzir temporariamente suas operações.

    Entre eles estão a Frigol, Better Beef, Iguatemi Beef e Plena Alimentos.

    As empresas afirmam que a redução da demanda chinesa inviabiliza manter o ritmo atual de produção.

    Frigol reduzirá abates no Pará

    A Frigol concederá férias coletivas de 18 dias para cerca de mil funcionários da unidade de Água Azul do Norte (PA), a partir de 1º de julho.

    Segundo o CEO Luciano Pascon, aproximadamente 70% da produção dessa planta era destinada ao mercado chinês.

    Mesmo após o retorno dos trabalhadores, a expectativa é que a operação continue reduzida entre 30% e 40%.

    Segundo o executivo, a empresa não consegue direcionar integralmente essa produção para outros mercados.

    Better Beef suspenderá uma unidade

    A Better Beef interromperá temporariamente as atividades da planta de Araçatuba (SP) entre 20 de julho e 10 de agosto.

    Durante esse período, a empresa utilizará sua unidade de Rancharia para atender o mercado brasileiro e exportações destinadas aos Estados Unidos, Chile e países do Oriente Médio.

    A expectativa de crescimento da companhia para 2026 também foi revisada após a mudança no cenário das exportações.

    Iguatemi Beef também reduz operações

    A Iguatemi Beef concederá férias coletivas para cerca de 650 funcionários de sua unidade em Mato Grosso do Sul.

    A fábrica exporta entre 90% e 95% da produção, sendo aproximadamente 80% destinada à China.

    Segundo a empresa, a redução dos abates ajudará a controlar custos enquanto a demanda chinesa permanece limitada.

    Ao mesmo tempo, os estoques estão sendo direcionados para mercados como EUA, Reino Unido e Oriente Médio.

    Outras empresas acompanham o movimento

    A Plena Alimentos também confirmou férias coletivas para aproximadamente 1,5 mil colaboradores das unidades de Goiás e Tocantins.

    Já a Astra Foods pretende ampliar as vendas no mercado interno durante o período de menor demanda da China.

    Grandes frigoríficos buscam alternativas

    Empresas de maior porte tendem a sofrer menos impacto por atuarem em diversos mercados internacionais.

    A Minerva Foods deve manter as plantas brasileiras abastecendo principalmente os Estados Unidos, enquanto unidades da Argentina, Uruguai e Colômbia continuarão atendendo clientes chineses.

    A Friboi, controlada pela JBS, já havia anunciado a interrupção da produção de cortes específicos destinados à China. A empresa, no entanto, não informou se também adotará férias coletivas.

    Apesar das medidas, o setor espera que os importadores chineses retomem as compras a partir de outubro, quando começarem os embarques que serão contabilizados dentro da cota de 2027.

  • JBS e outros frigoríficos enfrentam investigação por gado de desmatamento ilegal

    JBS e outros frigoríficos enfrentam investigação por gado de desmatamento ilegal

    O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) notificou 12 frigoríficos por participação em esquema de compra de gado proveniente de terras desmatadas ilegalmente na Amazônia. A JBS opera dois dos estabelecimentos investigados.

    O órgão ambiental revelou na quinta-feira (28) que os frigoríficos adquiriam gado de forma indireta. As empresas triangulavam as operações com fazendas “limpas” para esconder a origem ilegal dos animais.

    O Ibama já multou seis frigoríficos em R$ 4 milhões pela compra direta de 8.172 cabeças de gado de áreas embargadas. No total, as penalidades chegam a R$ 49 milhões.

    Durante a operação, o órgão apreendeu mais de 7.000 cabeças de gado em 2.100 hectares de fazendas com uso comercial bloqueado. Essas propriedades perderam a licença após desmatamento ilegal.

    Empresas contestam acusações

    A JBS informou que não teve acesso ao relatório de fiscalização do Ibama. A empresa considera o documento “necessário para apurar os fatos mencionados na autuação”.

    A Frigol, também citada na investigação, afirmou que o Ibama cometeu erro. A empresa nega ter comprado gado da fazenda apontada como fonte de desmatamento ilegal.

    A Mercurio conta com empresa terceirizada para monitorar a origem dos animais abatidos. Lincoln Bueno, presidente do conselho, explicou que a companhia bloqueia compras de propriedades com irregularidades ambientais e trabalhistas.

    Crime ambiental comprovado

    “Produzir, vender ou comprar gado dessas áreas embargadas constitui crime ambiental”, afirma o comunicado do Ibama. O órgão promete autuar todos os responsáveis identificados na operação.

    A investigação expõe práticas ilegais no setor frigorífico brasileiro. As empresas enfrentam crescente pressão internacional para comprovar a origem sustentável da carne exportada.

  • Frigol atinge faturamento de R$ 3,7 bilhões em 2024

    Frigol atinge faturamento de R$ 3,7 bilhões em 2024

    A FriGol, uma das principais processadoras de carne bovina do País, encerrou 2024 com receita líquida de R$ 3,5 bilhões, alta de 13% em relação ao ano anterior. O faturamento bruto foi de R$ 3,7 bilhões, avanço de 12% na mesma comparação. O desempenho positivo veio mesmo em um cenário desafiador para o setor, marcado pela alta no preço da arroba bovina ao longo do segundo semestre.

    O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) somou R$ 179 milhões no ano, 22% acima de 2023, com margem de 5,1%. Já o lucro líquido atingiu R$ 219 milhões, resultado impulsionado por um ganho fiscal de R$ 141 milhões, decorrente de uma decisão favorável transitada em julgado. O valor representa um salto de 300% em relação ao ano anterior.

    “Os resultados refletem o esforço contínuo da companhia para gerar valor. Mesmo em um ano de custos pressionados e preços mais desafiadores, mantivemos o crescimento”, afirmou o CEO da FriGol, Luciano Pascon.

    Recorde de abates

    A empresa também bateu recorde de abates: foram 665 mil bovinos no ano, aumento de 16% frente a 2023. Foi o terceiro ano consecutivo com crescimento superior a dois dígitos na produção.

    As exportações responderam por 52% da receita bruta da companhia, enquanto o mercado interno representou os 48% restantes. A China permaneceu como principal destino dos embarques internacionais, embora sua participação tenha recuado de 86% em 2023 para 78% no ano passado.

    Em contrapartida, outros mercados ganharam relevância. As vendas para Israel cresceram 61%, passando a representar 10% das exportações — ante 7% no ano anterior. Hong Kong manteve sua fatia estável, próxima de 2%. Já o conjunto de novos destinos — como Canadá, Filipinas e Argélia — respondeu por 10% das exportações, mais que o dobro dos 4% registrados no ano anterior.

    No mercado doméstico, a FriGol reforçou o foco em produtos de maior valor agregado. Linhas como FriGol Chef, FriGol Angus e BBQ Secrets apresentaram crescimento de 14% no volume vendido. O projeto “Açougue Completo” também avançou, com a inauguração de dez novas unidades em supermercados parceiros. Ao fim de 2024, a rede somava 55 lojas.

    2023 x 2024

    A FriGol encerrou o ano com posição de caixa de R$ 360 milhões, praticamente em linha com o saldo de 2023. A alavancagem financeira ficou em 1,2 vez a relação entre dívida líquida e Ebitda — patamar considerado saudável para o setor frigorífico.

    Segundo o CFO da empresa, Eduardo Masson, 2024 foi um marco na estrutura financeira da companhia. Em outubro, a FriGol obteve rating A- atribuído pela Moody’s, reflexo de melhorias na governança e estrutura de capital. No mesmo mês, a empresa realizou sua primeira operação de Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) com nota A pela agência de risco, captando R$ 160 milhões com coordenação dos bancos Bradesco e Safra.

    “Esse trabalho contínuo de gestão da dívida resultou no alongamento dos prazos. Hoje, cerca de 75% dos compromissos financeiros estão no longo prazo”, afirmou Masson.

    Alta no último trimestre de 2024

    O último trimestre do ano foi o melhor período de 2024. A empresa registrou receita líquida de R$ 986 milhões, 15% acima do mesmo intervalo de 2023. O Ebitda somou R$ 61 milhões, com margem de 6%. Já o lucro líquido alcançou R$ 208 milhões no trimestre, resultado influenciado pelo ganho fiscal.

    Na agenda socioambiental, a FriGol passou a monitorar 100% dos fornecedores indiretos de nível 1, com base nos critérios do Protocolo Febraban (SARB 26). A empresa também aderiu ao Protocolo Primi, que certifica a conformidade socioambiental dos animais desde o nascimento até o abate.

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