Tag: FPA

  • Endividamento rural cresce e ameaça eficácia do novo Plano Safra

    Endividamento rural cresce e ameaça eficácia do novo Plano Safra

    A safra 2026/2027 começa sob forte preocupação dos produtores rurais quanto à disponibilidade e às condições do crédito agrícola. Entidades do setor avaliam o novo Plano Safra com desconfiança, já que o volume e as condições de financiamento da maior parte dos recursos não atendem às dificuldades enfrentadas atualmente no campo.

    O governo prevê R$ 610,3 bilhões para o programa, dos quais R$ 525,1 bilhões destinam-se à agricultura empresarial e R$ 85,2 bilhões à agricultura familiar. Embora o Executivo apresente o montante como recorde, o valor não acompanha sequer a inflação do período quando comparado à safra anterior, que somou R$ 594,4 bilhões.

    O anúncio também incluiu R$ 38,5 bilhões provenientes de fontes que os planos anteriores não contabilizavam, o que ampliou artificialmente o valor total divulgado pelo governo.

    A vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), senadora Tereza Cristina (PP-MS), classificou o anúncio com dureza. “Tivemos um Plano Safra que não tem nada de recorde. É um plano que vem sem resolver o endividamento rural, questão fundamental para que os produtores tenham acesso ao crédito disponibilizado para a próxima safra”, destacou.

    Corte no custeio preocupa produtores

    Mesmo com números nominais maiores, os recursos destinados ao custeio representam uma das principais preocupações do setor. O montante caiu 7,18% nesta temporada e somou R$ 384,9 bilhões. As operações de custeio financiam despesas ligadas diretamente ao plantio, como sementes, fertilizantes, defensivos e outros insumos — e a redução desses recursos pode limitar a capacidade de investimento dos produtores e afetar o ritmo de plantio do próximo ciclo.

    O aumento da inadimplência no campo agrava ainda mais o cenário. Dados do Banco Central e da Serasa Experian apontam que o indicador atingiu níveis recordes. Especialistas avaliam que o avanço do endividamento deve levar as instituições financeiras a adotar critérios mais rigorosos, diante do maior risco das operações.

    “O aumento dos custos financeiros, a restrição do crédito e o crescimento do endividamento comprimem as margens e podem comprometer o desempenho da próxima safra”, afirmou o pesquisador e professor do Insper Agro Global, Leandro Gilio, em análise sobre o anúncio do Plano Safra.

    “Na prática, a efetiva liberação dos recursos depende da disposição das instituições financeiras em assumir riscos e da capacidade dos produtores de atender aos critérios de concessão”, completou o especialista.

    Juros recuam, mas continuam distantes da realidade do produtor

    As taxas de juros também representam um ponto de atenção do novo plano. As reduções variaram, de forma geral, entre 0,5 e 1,5 ponto percentual. Ainda assim, diante da queda nos preços das commodities e da compressão das margens de rentabilidade, os juros permanecem elevados e chegam a 12,5% ao ano em algumas linhas de financiamento.

    “Eu lamento dizer, mas o Plano Safra que está no mercado, com bilhões de reais, é inacessível para a grande maioria dos produtores”, afirmou o coordenador institucional da FPA, deputado Alceu Moreira (MDB-RS).

    Segundo Gilio, o maior custo do Plano Safra está justamente na equalização das taxas de juros, cujo orçamento cresceu mais de 35%. Apesar disso, a redução oferecida aos produtores foi modesta, e algumas linhas de financiamento sequer tiveram alteração nas taxas.

    “A elevada taxa básica de juros da economia, com a Selic em 14,25% ao ano, restringe o espaço para reduções mais expressivas. Ao mesmo tempo, os problemas fiscais do governo limitam a capacidade de ampliar os subsídios”, explicou Gilio. “Como resultado, o custo do crédito rural permanece elevado justamente em um momento de compressão das margens de rentabilidade dos produtores”, concluiu.

  • Governo prepara medida provisória para renegociar mais de R$ 100 bilhões em dívidas rurais

    Governo prepara medida provisória para renegociar mais de R$ 100 bilhões em dívidas rurais

    O governo federal pretende publicar até a próxima semana uma medida provisória (MP) para criar uma solução definitiva para o endividamento rural no Brasil. A informação foi confirmada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que afirmou que a proposta busca equilibrar as demandas do setor produtivo com as limitações fiscais da União.

    A expectativa é que a medida permita renegociar mais de R$ 100 bilhões em dívidas bancárias de produtores rurais. Segundo o ministro, o impacto adicional para o Tesouro Nacional ficará entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões por ano.

    Enquanto isso, representantes do agronegócio e da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) continuam defendendo uma solução também para as dívidas privadas, que ficaram fora da proposta.

    Como funcionará a renegociação

    O texto está em fase final de ajustes e deverá ser concluído no início da próxima semana.

    A proposta prevê duas modalidades de atendimento aos produtores rurais, conforme a origem e a intensidade das perdas.

    Produtores afetados por eventos climáticos

    Os agricultores que registraram duas perdas iguais ou superiores a 40% causadas por eventos climáticos poderão contar com:

    • juros de 5%, 8% ou 11% ao ano;
    • prazo de até dez anos para pagamento;
    • dois anos de carência;
    • dispensa de pagamento de entrada.

    Produtores prejudicados por clima ou mercado

    Quem acumulou perdas superiores a 30% em duas safras entre 2019 e 2025, seja por fatores climáticos ou pela queda da renda causada pelos preços agrícolas, poderá renegociar com:

    • juros de 6%, 9% ou 12% ao ano;
    • prazo de oito anos;
    • dois anos de carência;
    • sem exigência de entrada.

    Em ambos os casos, será obrigatória a comprovação das perdas.

    Segundo Durigan, o governo não utilizará recursos públicos para beneficiar produtores que não comprovarem prejuízos.

    Limites para renegociação

    A proposta estabelece limites diferentes para cada situação.

    Os produtores atingidos por eventos climáticos poderão renegociar até R$ 8 milhões por CPF.

    Já aqueles afetados principalmente pela volatilidade dos preços agrícolas terão limite de R$ 4 milhões por CPF.

    Bancos deverão facilitar a renegociação

    A medida provisória também pretende reduzir obstáculos para a contratação das novas operações.

    Entre as mudanças previstas estão:

    • utilização das garantias já apresentadas nas operações originais;
    • ajuste proporcional do valor das garantias exigidas pelos bancos;
    • criação de um Fundo Garantidor para fortalecer o crédito rural.

    Segundo o ministro, o objetivo é dar maior segurança às instituições financeiras e ampliar o acesso dos produtores às renegociações.

    Governo quer evitar aumento da inadimplência

    Durigan afirmou que as negociações chegaram à etapa final e que o governo busca apresentar uma resposta definitiva para reduzir o risco de inadimplência no setor.

    De acordo com ele, instituições financeiras relataram aumento nos atrasos de pagamento diante da expectativa de uma nova rodada de renegociação das dívidas rurais.

    O ministro também destacou que a proposta procura preservar a sustentabilidade do crédito rural, evitando impactos negativos sobre o financiamento do agronegócio nos próximos anos.

    Dívidas privadas continuam fora da MP

    Um dos principais pontos pendentes envolve as dívidas contraídas diretamente com tradings, cooperativas e revendas de insumos.

    Segundo estimativas da Frente Parlamentar da Agropecuária, esses débitos representam cerca de 65% do passivo total dos produtores rurais.

    A medida provisória deverá contemplar apenas as Cédulas de Produto Rural (CPRs) emitidas em favor de instituições financeiras. A proposta permitirá a emissão de novas CPRs para quitar operações anteriores, com prazos mais longos e juros definidos pelo mercado.

    Setor avalia proposta como avanço

    Fontes ligadas ao agronegócio consideram que a medida provisória representa um avanço nas negociações entre o governo e o setor produtivo.

    Apesar disso, permanece a expectativa sobre uma solução futura para as dívidas privadas e sobre a reação dos produtores, especialmente no Rio Grande do Sul, onde o elevado nível de endividamento continua sendo uma das principais preocupações do setor.

  • Governo rejeita ampliar renegociação de dívida rural

    Governo rejeita ampliar renegociação de dívida rural

    O líder do governo na Câmara, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), rejeitou a ampliação do projeto de renegociação da dívida rural (PL 5122/23) para além dos produtores atingidos por eventos climáticos extremos. A proposta do Executivo contempla agricultores impactados nas últimas seis safras por fenômenos como seca e enchentes.

    Parlamentares da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) pressionam para incluir também produtores que registraram queda de receita. Pimenta, no entanto, defende critérios distintos e alerta que uma eventual ampliação não pode garantir as mesmas condições financeiras.

    Segundo o deputado, produtores fora do recorte climático não devem acessar juros reduzidos, prazos estendidos e limites de financiamento iguais aos previstos no texto atual. Ele participou de reunião com o presidente da Câmara, Hugo Motta, e os ministros Dario Durigan (Fazenda) e José Guimarães (Relações Institucionais).

    Deputado Paulo Pimenta (PT - RS)
    Deputado Paulo Pimenta (PT – RS). Foto: Marina Ramos/Camara dos Deputados

    Pimenta reforçou a necessidade de diferenciar os impactos econômicos. “Precisamos separar quem sofreu com a queda de preços, situação generalizada, daqueles que perderam produção por enchentes e seca, especialmente no Rio Grande do Sul e em outros estados. Esses casos exigem carência maior, prazos mais longos e juros menores”, afirmou.

    Apesar do impasse sobre o alcance do projeto, o governo avançou em outros pontos da proposta. Entre eles, a flexibilização de garantias no crédito rural e a inclusão de cooperativas no modelo. A medida permite que essas entidades repassem aos produtores condições equivalentes às obtidas na captação de recursos.

    O debate sobre o PL 5122/23 segue em negociação no Congresso, com divergências entre o governo e a bancada do agronegócio sobre os critérios de acesso à renegociação.

  • FPA propõe juros menores para renegociação de dívidas rurais

    FPA propõe juros menores para renegociação de dívidas rurais

    A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) pretende apresentar ao Ministério da Fazenda uma proposta para criar condições diferenciadas na renegociação das dívidas rurais, estabelecendo juros menores para produtores que sofreram perdas provocadas por eventos climáticos extremos em comparação àqueles afetados por oscilações do mercado.

    Segundo a bancada, a medida busca reconhecer que prejuízos causados por seca, excesso de chuvas e outros fenômenos climáticos exigem um tratamento distinto das dificuldades decorrentes da queda nos preços das commodities agrícolas.

    FPA propõe juros menores para perdas causadas pelo clima

    A contraproposta prevê uma linha especial de crédito destinada aos produtores rurais que registraram perdas de pelo menos 30% da renda em duas safras, entre 2019 e 2025, em razão de eventos climáticos.

    Nesse caso, os juros sugeridos seriam de:

    • 4% ao ano para pequenos produtores;
    • 6% ao ano para médios produtores;
    • 8% ao ano para grandes produtores.

    Taxas seriam mais altas para perdas de mercado

    Para produtores que tiveram a mesma redução mínima de 30% da renda, mas por fatores econômicos, como a desvalorização das commodities agrícolas, a FPA propõe taxas um pouco mais elevadas.

    A sugestão estabelece juros de:

    • 5% ao ano para pequenos produtores;
    • 7% ao ano para médios produtores;
    • 9% ao ano para grandes produtores.

    De acordo com o deputado Alceu Moreira (MDB-RS), coordenador institucional da FPA, o objetivo é diferenciar situações em que o produtor perdeu praticamente toda a capacidade de produção por causa de fenômenos climáticos daquelas provocadas por condições comerciais do mercado.

    “Está em discussão a criação de uma linha com juro diferenciado e com tratamento diferenciado para quem perdeu tudo pela chuva e pela seca, que não é a mesma questão daqueles produtores que perderam por questões comerciais.”

    Proposta prevê prazo maior para pagamento

    Além das taxas diferenciadas, a bancada defende que a nova linha de renegociação ofereça oito anos para quitação da dívida, com dois anos de carência antes do início dos pagamentos.

    A proposta foi aprovada pelos integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária e será encaminhada ao Ministério da Fazenda, que avaliará a possibilidade de incorporar as medidas às políticas de crédito voltadas ao setor agropecuário.

  • Governo estima custo de R$ 139 bilhões em renegociação de dívidas rurais

    Governo estima custo de R$ 139 bilhões em renegociação de dívidas rurais

    O Ministério da Fazenda divulgou uma nota detalhando os impactos fiscais do Projeto de Lei 5.122/2023, que propõe a criação de uma linha especial para a renegociação de dívidas rurais. Segundo os cálculos, o custo total da medida poderá atingir R$ 139,8 bilhões ao longo de 13 anos.

    De acordo com o documento, o volume de dívidas que poderiam se enquadrar na proposta supera R$ 300 bilhões. No entanto, a linha de crédito prevista para renegociação foi limitada a R$ 200 bilhões, uma vez que nem todos os produtores atendem aos critérios estabelecidos pelo projeto.

    Para ter acesso ao benefício, os produtores deverão comprovar ao menos duas perdas de safra entre 2019 e 2025, com prejuízos equivalentes a, no mínimo, 30% da renda esperada da atividade financiada.

    Cálculo de gastos

    Para estimar o impacto da proposta, o Ministério da Fazenda considerou que as renegociações seriam realizadas com recursos livres das instituições financeiras, cujo custo de captação estaria vinculado à Taxa Selic, atualmente em 14,5% ao ano. Os financiamentos também contariam com equalização de juros custeada pelo Tesouro Nacional e com recursos provenientes do Fundo Social.

    Segundo a Pasta, embora o uso do Fundo Social não afete diretamente o resultado do superávit primário, ele gera despesas para a União devido à incidência da própria Selic sobre esses recursos.

    Por outro lado, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) argumenta que o mecanismo não representa gasto orçamentário permanente, uma vez que os recursos seriam reembolsáveis.

    No cálculo da equalização, a Fazenda adotou taxas de juros finais de 3,5% para pequenos produtores, 5,5% para médios produtores e 7,5% para grandes produtores. Além disso, a distribuição estimada dos recursos prevê 15% para a agricultura familiar, 30% para médios produtores e 50% para os demais produtores rurais.

    Debate sobre spread bancário

    Outro ponto considerado pela equipe econômica foi a aplicação de um spread bancário de 4% ao ano, percentual que ainda deverá ser negociado com as instituições operadoras da linha.

    Entretanto, a FPA defende que essa cobrança não deveria existir, já que os recursos teriam origem pública e não apresentariam risco para os agentes financeiros. O projeto prevê ainda remuneração de 1% para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pela operacionalização dos recursos.

    Projeções da Selic influenciam

    A estimativa de custos também levou em consideração o comportamento da Taxa Selic durante os 13 anos de vigência da linha de crédito, incluindo um período inicial de três anos de carência para pagamento dos juros.

    Segundo as projeções utilizadas pela Fazenda, a taxa básica deverá ficar em:

    • 13,5% em 2027;
    • 11% em 2028;
    • 10% em 2029 e 2030;
    • 9,5% em 2031 e 2032;
    • 9% entre 2033 e 2039.

    Em nota, o Ministério destacou:

    “Com base no volume de recursos para a nova linha de crédito de R$ 200 bilhões e as premissas acima, o custo total para a União, com impacto no superávit primário pela equalização de juros e pelos encargos, pode chegar a R$ 139,8 bilhões nos 13 anos, sendo R$ 22,4 bilhões em 2027”.

    Dívidas elegíveis superam R$ 247 bilhões

    Ao analisar os passivos que poderiam ser contemplados pela proposta, a Fazenda identificou:

    • R$ 120 bilhões em operações de crédito rural consideradas estressadas, inadimplentes ou prorrogadas;
    • R$ 47 bilhões em operações contratadas com base na Medida Provisória 1.314/2025, com taxas livres e controladas;
    • R$ 80 bilhões referentes a parcelas de investimentos com vencimento entre 1º de julho de 2026 e 31 de dezembro de 2027.

    Além disso, o Ministério informou que não conseguiu mensurar o montante relacionado às Cédulas de Produto Rural (CPRs) emitidas junto a instituições financeiras, cooperativas, fornecedores de insumos ou compradores da produção.

    Da mesma forma, também não foi possível calcular os valores referentes a operações de fiança honrada ligadas ao crédito rural contratado com recursos do BNDES e dos Fundos Constitucionais, bem como financiamentos bancários destinados ao produtor rural por cooperativas, cerealistas e fornecedores de insumos.

    Descontos de até 95%

    O texto ainda prevê descontos de até 95% sobre o saldo devedor para liquidação ou renegociação de operações adimplentes e inadimplentes vinculadas aos Fundos Constitucionais do Norte (FNO) e do Nordeste (FNE), desde que contratadas até 2018.

    No entanto, a Fazenda informou que também não possui um levantamento atualizado sobre o saldo dessas operações.

    Ao justificar a estimativa de enquadramento, o Ministério explicou:

    “Apesar de o valor total das dívidas enquadráveis poder superar R$ 300 bilhões, como nem todos os produtores rurais detentores destas dívidas vão se enquadrar no critério de perdas acima de 30% da renda da atividade financiada em duas ou mais safras entre 2019 a 2025, foi considerado até R$ 200 bilhões como dívidas passíveis de enquadramento na nova linha de crédito”.

  • FPA pede R$ 27 bilhões para equalização de juros no Plano Safra 2025/26

    FPA pede R$ 27 bilhões para equalização de juros no Plano Safra 2025/26

    A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) entregou ao ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, um conjunto de demandas para o próximo Plano Safra. O principal pedido é que os recursos destinados à equalização de juros cheguem a R$ 27 bilhões. Ou seja, o dobro dos R$ 13,5 bilhões alocados no ciclo atual.

    Na prática, a equalização de juros permite que produtores rurais acessem crédito com taxas mais baixas do que as praticadas pelo mercado. O governo cobre a diferença entre os juros de mercado e os que o produtor efetivamente paga. O mecanismo também serve ao desenvolvimento tecnológico e à infraestrutura do setor.

    Governo contabiliza recursos privados e “mascara” desempenho real, diz FPA

    Um dos principais pontos de atrito entre a bancada e o governo é a inclusão de recursos privados no total do Plano Safra. Desde o ano passado, o Executivo passou a somar ao montante oficial os valores movimentados pela Cédula de Produto Rural (CPR). Para a FPA, essa metodologia distorce a leitura do desempenho das linhas oficiais de crédito.

    Os números confirmam a preocupação. Apesar de os balanços do Mapa apontarem crescimento geral nas contratações, os programas subvencionados encolheram: o Moderfrota caiu 54,8% e o Proirriga recuou 56,2% na comparação com o ciclo anterior.

    Margens comprimidas e inadimplência elevam pressão por linha emergencial

    O cenário de custos altos, margens apertadas e inadimplência crescente levou a FPA a pedir também a criação de uma linha emergencial de custeio para o próximo ciclo.

    O presidente da bancada, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), alertou sobre outro risco: que o debate sobre dívidas rurais comprometa as negociações em torno do novo programa de crédito. “Nossa preocupação é que o endividamento não contamine o Plano Safra”, disse Lupion ao ministro.

    Mapa prevê anúncio para 1º de julho; R$ 200 bilhões solicitados

    O ministério prevê divulgar o novo Plano Safra no dia 1º de julho. Os bancos já concluíram o envio das demandas necessárias para operacionalizar o crédito. O montante solicitado, considerando os recursos equalizados, totaliza cerca de R$ 200 bilhões. Portanto, quase o dobro do ciclo atual, que ficou em torno de R$ 113 bilhões.

    Internamente, o Mapa já reconhece que esse volume dificilmente será alcançado, mas trabalha para superar o ciclo anterior.

    FPA quer apoio político para projetos de dívidas e seguro rural

    A bancada também pediu ao ministério apoio político a dois projetos de lei: o PL 5.122/2023, sobre renegociação de dívidas rurais, e o PL 2.951/2024, que moderniza o seguro rural. O pedido é que o Mapa lidere a articulação junto a outros ministérios.

    Lupion descartou aceitar uma Medida Provisória como alternativa para tratar do endividamento no campo. “Nós, como FPA, teremos uma resistência extremamente contundente caso venha uma Medida Provisória depois de tanta negociação”, afirmou. Para ele, o agro “está desesperado” diante do agravamento das dívidas rurais.

    Leite em pó argentino e uruguaio entra na pauta sem medida antidumping

    A reunião também abordou a decisão do governo de não adotar medidas antidumping contra a importação de leite em pó da Argentina e do Uruguai. Lupion classificou a postura como surpreendente, já que o próprio Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) reconheceu a prática de dumping por parte dos países vizinhos.

    “Houve o reconhecimento por parte do MDIC que há a prática de dumping do leite importado da Argentina e do Uruguai, e a decisão foi simplesmente não fazer nada”, criticou o deputado.

  • Em ano de El Niño, governo trava quase 50% do orçamento do seguro rural

    Em ano de El Niño, governo trava quase 50% do orçamento do seguro rural

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) bloqueou R$ 461,6 milhões do orçamento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) em 2026. A medida retira quase metade dos recursos previstos para subsidiar apólices de seguro rural, em um cenário de aumento dos riscos climáticos no campo.

    O orçamento inicial do programa era de R$ 1,01 bilhão. Após um corte definitivo de R$ 25 milhões, o valor disponível caiu para R$ 991,1 milhões. Agora, com o bloqueio de 46,5% desse montante, os recursos ficam temporariamente indisponíveis para contratação de novas apólices.

    Impacto significativo

    Embora o bloqueio não represente um corte definitivo, o setor vê semelhanças com o que ocorreu em 2025. Naquele ano, o seguro rural também enfrentou restrições orçamentárias e encerrou o período com aplicação de R$ 565,4 milhões.

    Mesmo após reforços de caixa no fim do ano passado, que ampliaram a cobertura de culturas como a soja, o programa alcançou apenas 3,2 milhões de hectares segurados e pouco mais de 60 mil apólices subsidiadas.

    PSR (Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural) chegou a atender 13,7 milhões de hectares — Foto: GOV Goiás

    Uma fonte do setor afirmou que o impacto pode ser expressivo caso os recursos não sejam liberados.

    “Ainda não temos estimativas, mas certamente o impacto será significativo caso esse bloqueio não seja revertido. A situação é muito parecida com a de 2025”, declarou.

    A contenção faz parte do ajuste fiscal conduzido pelo governo federal. Até o momento, foram bloqueados R$ 23,7 bilhões do orçamento da União para 2026. No âmbito do Ministério da Agricultura, o total bloqueado alcança R$ 788,4 milhões, incluindo ainda R$ 293 milhões do programa de Fomento Agropecuário, R$ 550 mil em pesquisas da Embrapa e R$ 33,1 milhões destinados à modernização da infraestrutura da estatal.

    Pressão do setor produtivo

    Diante do cenário, a bancada da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) solicitou ao ministro da Agricultura, André de Paula, garantias de que os recursos do seguro rural serão executados integralmente neste ano.

    Além disso, a entidade reforçou apoio ao Projeto de Lei 2.951/2024, que busca modernizar o sistema e impedir futuros cortes, bloqueios ou contingenciamentos nos recursos do programa.

    Segundo a FPA, o seguro rural é essencial para proteger a renda dos produtores, fortalecer o crédito rural, garantir a continuidade da produção e reduzir a necessidade de renegociação de dívidas.

    Paraná critica bloqueio

    A Federação da Agricultura e Pecuária do Paraná (Faep) classificou a medida como um “novo golpe no seguro rural” e pediu a reversão imediata da decisão.

    Em nota, a entidade destacou que cerca de 42% dos recursos previstos para o PSR em 2025 foram bloqueados, enquanto em 2024 a execução ficou aproximadamente 40% abaixo do valor aprovado pelo Congresso.

    O presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette, afirmou que a efetivação do corte trará dificuldades ao produtor paranaense.

    “Especificamente no Paraná, o impacto seria enorme para a produção rural, pois nós somos o Estado que mais contrata o seguro rural no país”.

    Em 2025, o Paraná registrou 28,02 mil apólices, o equivalente a 43,7% dos 64,17 mil contratos firmados via PSR em todo o Brasil.


    Para Ágide, um novo corte será um ‘golpe duro no produtor rural’ — Foto: Divulgação/Sistema Faep

    Brasil tem seguro rural mais frágil entre os produtores agrícolas

    Um estudo do FGV Agro apontou que o Brasil possui o sistema de seguro rural mais vulnerável entre os principais produtores agrícolas do mundo. A análise comparou o modelo brasileiro com os de Argentina, Chile, Espanha, Estados Unidos, Índia, México e Peru.

    De acordo com Anna Cortellini, pesquisadora do Observatório do Crédito e Seguro Rural (OCSR), os produtores brasileiros contam com menor apoio e cobertura quando comparados aos concorrentes internacionais.

    “Entre os grandes países produtores, o Brasil está em uma posição de maior fragilidade em seguro rural. Aqui, os produtores rurais têm menor apoio, e há menor cobertura de seguro”, afirmou.

    A especialista ressalta que não existe um modelo único. No entanto, destaca que o Brasil poderia buscar inspiração no sistema da Espanha, que combina recursos públicos e privados para ampliar a proteção ao produtor rural.

     

  • Entenda por que a classificação do PCC e do CV como terroristas preocupa o agronegócio

    Entenda por que a classificação do PCC e do CV como terroristas preocupa o agronegócio

    A decisão dos EUA de enquadrar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pode ampliar os riscos jurídicos e financeiros para empresas brasileiras. No agronegócio, a preocupação envolve principalmente cadeias produtivas ligadas a insumos, combustíveis, logística, armazenagem e financiamento.

    O anúncio partiu do Departamento de Estado dos EUA na quinta-feira (28). As duas facções receberam a classificação de Terroristas Globais Especialmente Designados e passam a integrar oficialmente a lista de Organizações Terroristas Estrangeiras a partir de junho.

    Embora a medida não represente um bloqueio automático aos produtos do agro brasileiro, ela aumenta o nível de fiscalização sobre empresas que mantenham relações, mesmo indiretas, com fornecedores, distribuidoras de combustíveis, transportadoras ou estruturas financeiras ligadas ao crime organizado.

    Além disso, investigações recentes apontam que organizações criminosas vêm ampliando sua atuação em atividades econômicas formais e semiformais. Em diversos casos, essas operações acabam se relacionando com empresas legítimas do setor agropecuário, muitas vezes sem que elas tenham conhecimento da ligação criminosa.

    Mercado de defensivos preocupa autoridades

    Uma das áreas consideradas mais vulneráveis é a de insumos agrícolas. Segundo dados da Receita Federal e da Polícia Rodoviária Federal (PRF), divulgados em abril de 2026, produtos falsificados e contrabandeados já podem representar até 20% do mercado de defensivos agrícolas no Brasil.

    Além disso, o volume de agrotóxicos apreendidos em rodovias federais alcançou 127 toneladas em 2025, mais que o dobro das 62,9 toneladas registradas em 2024.

    Da mesma forma, as apreensões realizadas pela Receita Federal apresentaram crescimento expressivo. Entre 2020 e 2025, o valor dos produtos irregulares confiscados aumentou 55%, atingindo R$ 16,4 milhões.

    Logística rural entra no radar

    A expansão das facções para o interior do país também preocupa entidades ligadas ao setor. Por isso, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) defendeu, em 2025, a votação de um pacote de medidas voltadas à segurança rural.

    Na ocasião, a bancada destacou que o meio rural passou a ter importância estratégica para grupos criminosos devido à intensa movimentação econômica, ao fluxo de cargas e à menor presença do Estado em determinadas regiões.

    Além disso, rotas fundamentais para o escoamento de commodities agrícolas frequentemente atravessam áreas com forte influência de organizações criminosas. Essas mesmas rodovias são utilizadas para o transporte de drogas em direção aos portos brasileiros e, posteriormente, para outros continentes, especialmente a Europa.

    Em alguns casos, as facções utilizam estruturas de empresas de logística aparentemente regulares para realizar essas operações. Um dos exemplos citados pelas autoridades é a Operação Iceberg, deflagrada pela Polícia Federal em 2025.

    Como a decisão dos EUA pode afetar empresas brasileiras

    A reação de Washington pode ocorrer em diferentes frentes. A principal delas é a financeira.

    Com a designação como Terroristas Globais Especialmente Designados, pessoas e empresas norte-americanas ficam proibidas de realizar negócios com indivíduos, empresas ou estruturas ligadas ao PCC e ao Comando Vermelho. Além disso, ativos sob jurisdição dos Estados Unidos podem ser bloqueados.

    Na prática, uma empresa brasileira não precisa possuir sede nos EUA para sentir os efeitos da medida. Caso seja incluída em listas de sanções ou mantenha relações comerciais relevantes com pessoas ou empresas sancionadas, poderá enfrentar dificuldades em operações realizadas em dólar.

    Por consequência, também podem surgir restrições impostas por bancos correspondentes, perda de acesso ao crédito internacional e obstáculos para manter contratos com compradores submetidos às regras norte-americanas.

    Exportações podem sofrer maior fiscalização

    O impacto tende a ser ainda mais significativo nas cadeias voltadas à exportação.

    Nesse cenário, tradings, agroindústrias, cooperativas, transportadoras, distribuidoras de combustíveis e fornecedores de insumos poderão passar por análises mais rigorosas de bancos, seguradoras e compradores internacionais.

    O objetivo dessas instituições é evitar qualquer vínculo, direto ou indireto, com empresas que possam ser associadas a organizações classificadas pelos EUA como terroristas.

    Risco penal também aumenta

    Por outro lado, a nova classificação abre espaço para a aplicação das normas norte-americanas relacionadas ao apoio material a organizações terroristas.

    Isso não significa que uma empresa será automaticamente responsabilizada por contratar um fornecedor que venha a ser investigado posteriormente. No entanto, a legislação dos EUA exige avaliação de fatores como o conhecimento prévio sobre a ligação com a organização designada ou sobre a atividade terrorista.

    Ainda assim, a medida aumenta a exposição de empresas que não consigam comprovar processos adequados de seleção e monitoramento de fornecedores e prestadores de serviços.

    Cadeias contaminadas podem gerar prejuízos

    Mesmo sem sofrer sanções formais, empresas inseridas em cadeias produtivas contaminadas podem ter contratos revisados por bancos, seguradoras, tradings e compradores globais.

    Dessa forma, situações como a compra de defensivos falsificados, o uso de combustíveis comercializados por redes investigadas, a contratação de transportadoras ligadas ao crime organizado ou a exportação de cargas contaminadas em portos passam a representar pontos de atenção para autoridades e agentes financeiros.

  • Agronegócio pressiona governo para mudar financiamento de safra

    Agronegócio pressiona governo para mudar financiamento de safra

    Com inadimplência rural em nível recorde e dívidas que já ultrapassam R$ 800 bilhões, o agronegócio pressiona o governo federal por mudanças no modelo de financiamento do setor no próximo Plano Safra 2026/2027. O novo pacote deve ser anunciado em junho pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    O cenário preocupa produtores e parlamentares ligados ao agro. No Plano Safra 2025/2026, o governo anunciou R$ 516,2 bilhões para a agropecuária, mas o Tesouro Nacional conseguiu equalizar juros para apenas R$ 113,8 bilhões do total. Na prática, grande parte dos recursos prometidos não chegou ao produtor rural.

    Entidades do setor e integrantes da bancada ruralista alertam que o atual modelo de subsídios está perto do limite e pode afetar a oferta agrícola nos próximos anos.

    A senadora Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura no governo de Jair Bolsonaro, afirmou que o agronegócio enfrenta uma “tempestade perfeita”. Segundo ela, a combinação de preços internacionais baixos, custos elevados de produção e crédito restrito agravou a situação financeira dos produtores.

    Durante o Congresso da Abramilho, realizado em Brasília, a parlamentar destacou que muitos agricultores já não conseguem oferecer garantias para acessar financiamentos. “Os juros não cabem mais no bolso do produtor”, declarou.

    Fundo de investimentos

    Entre as propostas defendidas pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) está a criação de um Fundo Garantidor de Investimentos (FGI) voltado ao setor rural. A medida prevê um aporte federal de R$ 20 bilhões para ampliar o acesso ao crédito e facilitar a renegociação das dívidas do agro.

    A proposta foi incluída no relatório do senador Renan Calheiros sobre o PL 5.122/2023, em análise na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. A votação está prevista para a próxima terça-feira (19).

    Segundo Tereza Cristina, o fundo pode destravar até R$ 200 bilhões em crédito para o setor. Ela também pediu maior sensibilidade do governo federal para que as mudanças avancem já no próximo Plano Safra.

  • Fávaro deixa o Ministério da Agricultura: o que muda para o agronegócio brasileiro

    Fávaro deixa o Ministério da Agricultura: o que muda para o agronegócio brasileiro

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva exonerou Carlos Fávaro do Ministério da Agricultura e Pecuária na última sexta-feira, 27 de março. A saída, publicada em edição extra do Diário Oficial da União, acontece em um momento sensível para o setor produtivo e, portanto, coloca o agronegócio diante de um período de incerteza institucional.

    A exoneração de Fávaro tem motivação política direta. O ex-ministro retorna ao Senado Federal para participar da votação do relatório final da CPMI do INSS, comissão que recomenda o indiciamento de 216 pessoas, entre elas Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente.

    Com a volta de Fávaro ao Senado, sua suplente, Margareth Buzetti, alinhada à oposição, perde a vaga na comissão. Em seguida, o primeiro suplente, Beto Faro, do PT, assume o lugar. Dessa forma, o movimento busca garantir ao governo votos suficientes para rejeitar o relatório, que precisava ser votado até ontem, sábado, 28 de março, prazo limite de funcionamento da CPMI após o STF negar a prorrogação dos trabalhos.

    Além disso, Fávaro ainda tem agenda no Ministério na próxima terça-feira, 31 de março, quando deve se despedir formalmente da pasta.

    O impacto direto no agronegócio

    A troca no comando do Ministério da Agricultura ocorre em um momento delicado. O setor enfrenta juros ainda elevados, pressão sobre custos de produção e necessidade de previsibilidade em políticas estratégicas como crédito rural, seguro agrícola e apoio à comercialização.

    Para produtores e entidades do setor, mudanças no comando do Mapa fora do ciclo tradicional de transição de governo tendem a gerar cautela. Afinal, decisões sobre financiamento de safra, programas de seguro e abertura de mercados dependem de continuidade técnica e orçamentária. Mudanças abruptas, portanto, podem atrasar decisões e aumentar o risco no campo.

    Paralelamente, a Conab também passa por troca de comando. Sílvio Porto assume a presidência no lugar de Edegar Pretto, que deixa o cargo para disputar o governo do Rio Grande do Sul. A estatal é peça estratégica para o agronegócio, pois é responsável por levantamentos de safra, controle de estoques e execução de políticas de abastecimento que influenciam diretamente a formação de preços.

    Quem assume o Ministério da Agricultura?

    Nos bastidores, o PSD, partido de Fávaro liderado por Gilberto Kassab, atua para manter o controle da pasta. Por ora, o nome mais cotado é o do atual ministro da Pesca e Aquicultura, André de Paula, visto como alternativa para garantir a continuidade da legenda em uma das pastas mais relevantes para a economia brasileira.

    A eventual troca, contudo, acontece em meio a uma relação ainda irregular entre o ministério e parte do setor produtivo. Ao longo da gestão, Fávaro enfrentou resistência de segmentos do agro, especialmente da Frente Parlamentar da Agropecuária, que cobrou maior alinhamento em pautas como política agrícola, defesa sanitária e abertura de mercados.

    Um momento de transição que o agro acompanha de perto

    A saída de Fávaro inaugura uma nova rodada de rearranjos políticos no governo. À medida que outros ministros deixam seus cargos para disputar as eleições, a “dança das cadeiras” na Esplanada tende a se intensificar nos próximos meses.

    Para o agronegócio, esse movimento ocorre em um cenário de margens mais apertadas e maior exposição a variáveis externas. Sendo assim, mais do que nomes, o que está em jogo é a condução da política agrícola em um momento de maior risco. E isso, o produtor rural acompanha com atenção redobrada.