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  • Estruvita: fertilizante pode reduzir a dependência do Brasil por fósforo importado

    Estruvita: fertilizante pode reduzir a dependência do Brasil por fósforo importado

    Pesquisadores da Embrapa Agrobiologia (RJ) desenvolveram e testam a estruvita como fertilizante fosfatado de liberação lenta, produzido a partir de dejetos da suinocultura. Os resultados preliminares mostram que o produto consegue suprir até 50% da demanda de fósforo na cultura da soja, mantendo produtividade de 3.500 kg/há. Ou seja, próxima dos 3.560 kg/ha registrados na média nacional em 2025 com fertilização convencional.

    Experimento com estruvita e soja em casa de vegetação. Foto: Caio Inácio/Embrapa

    A tecnologia ganha relevância estratégica diante de um dado preocupante: o Brasil importa cerca de 75% dos fertilizantes fosfatados que consome. Para o coordenador do estudo, pesquisador Caio de Teves Inácio, o projeto vai além da simples substituição de insumos. “Estamos criando uma nova rota tecnológica para o campo brasileiro, alinhada à sustentabilidade, à autonomia e à inovação”, afirma.

    O que é a estruvita e como ela funciona

    A estruvita é um mineral branco, de fórmula química MgNH4PO4·6H2O, composto por cristais de fosfato de magnésio e amônio. Contém aproximadamente 12% de fósforo, 5% de nitrogênio e 10% de magnésio. Os pesquisadores obtêm o material por meio da precipitação química de nutrientes presentes nos efluentes da criação de suínos.

    Sua principal vantagem agronômica está na baixa solubilidade, que permite a liberação gradual de nutrientes acompanhando o ciclo das culturas. Essa característica é especialmente relevante nos solos tropicais brasileiros, altamente ácidos e ricos em óxidos de ferro e alumínio, que tendem a fixar o fósforo rapidamente, tornando-o indisponível para as plantas. A reação alcalina da estruvita no solo contribui ainda mais para aumentar o aproveitamento do nutriente — efeito oposto ao dos fertilizantes solúveis convencionais, que são ácidos.

    “É um paradoxo: temos um recurso promissor, mas pouco se sabe sobre seu comportamento nas nossas condições de solo”, reconhece Inácio. “Os solos predominantemente ácidos e com alta capacidade de adsorção de fósforo são justamente o ambiente onde a estruvita pode fazer a diferença.”

    Economia circular na prática

    O conceito por trás da tecnologia é o da economia circular aplicada ao agronegócio: transformar um passivo ambiental em insumo de alto valor agregado. “Transformamos os efluentes animais, antes um problema ambiental, em um fertilizante agrícola com valor real para o produtor”, explica o pesquisador.

    As recomendações preliminares indicam que a estruvita pode ser usada isolada ou em combinação com fertilizantes solúveis, em doses que variam de 50% a 100% da recomendação agronômica de fósforo, conforme a cultura e o tipo de solo. A equipe também desenvolve um fertilizante organomineral, que combina nutrientes minerais com matéria orgânica, cujos experimentos de difusão de fósforo no solo registraram resultados 50% superiores nos primeiros 28 dias, em comparação com a estruvita granulada pura.

    Benefícios ambientais e nova renda para suinocultores

    Além do ganho agronômico, a adoção da estruvita traz impactos ambientais e econômicos relevantes. Em regiões de suinocultura intensiva, como o Sul e o Centro-Oeste do Brasil, a precipitação da estruvita retira o excesso de nutrientes dos efluentes antes da aplicação no solo, reduzindo o risco de contaminação de águas superficiais e subterrâneas. Esse benefício ainda abre caminho para a ampliação da capacidade produtiva das granjas, hoje limitada pela quantidade de fósforo e nitrogênio que o solo pode receber.

    Experimento com estruvita e soja em casa de vegetação. Foto: Caio Inácio/Embrapa

    Do ponto de vista econômico, a tecnologia cria uma nova fonte de receita para os criadores. Estimativas da Embrapa indicam que propriedades com mais de 5 mil suínos podem gerar cerca de 340 mil toneladas de estruvita por ano no país. “Trata-se de uma alternativa economicamente viável e especialmente atrativa para médios e grandes criadores de suínos”, destaca Inácio.

    Um mercado global em expansão que o Brasil ainda precisa alcançar

    No cenário internacional, o interesse pela estruvita cresceu exponencialmente na última década. Em 2019, mais de 80 instalações de produção já operavam, principalmente em países desenvolvidos com excedentes de fósforo oriundos da pecuária intensiva ou da alta densidade populacional. China, Estados Unidos e Alemanha lideram a pesquisa na área, frequentemente por meio de cooperação internacional.

    O Brasil, no entanto, ainda engatinha nesse campo, o que representa tanto um atraso quanto uma oportunidade. A ausência de estudos locais deixa um vácuo de conhecimento sobre o desempenho da estruvita em condições tropicais, justamente o ambiente onde ela pode apresentar vantagens mais expressivas.

    Alinhamento com o Plano Nacional de Fertilizantes

    A pesquisa está alinhada ao Plano Nacional de Fertilizantes, que busca ampliar a produção doméstica e incentivar fontes alternativas mais eficientes e sustentáveis. Para Inácio, o projeto representa mais do que a busca por um insumo alternativo. “Nossa alta dependência de fertilizantes importados é uma fragilidade estratégica para a segurança alimentar do Brasil. Precisamos de tecnologias que permitam o uso eficiente do fósforo e a recuperação de nutrientes presentes em nossos próprios resíduos”, conclui.

    O estudo conta com financiamento do CNPq e da Embrapa, e reúne pesquisadores da Embrapa Solos (RJ), Embrapa Suínos e Aves (SC), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Universidade de Rio Verde (UniRV) e Instituto Federal Farroupilha (campus Santo Augusto, RS).

    “Acreditamos que a estruvita tem um papel estratégico para o futuro da agricultura brasileira. Nosso trabalho é entregar a base científica para que ela possa ser registrada e adotada com segurança e eficiência no campo”, conclui o pesquisador.

  • Inoculantes ganham espaço e ajudam a destravar uso do fósforo no Brasil

    Inoculantes ganham espaço e ajudam a destravar uso do fósforo no Brasil

    A baixa eficiência do fósforo nos solos tropicais coloca o nutriente no centro das discussões técnicas no campo e abre espaço para o avanço de soluções biológicas. O tema será destaque no Summit de Nutrição Vegetal Inteligente, promovido pela Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia para Produção Vegetal (Abisolo), nos dias 9 e 10 de junho, em Piracicaba (SP).

    Pesquisadora da Embrapa, Christiane Abreu de Oliveira Paiva. Foto: Divulgação

    No dia 9, às 10h, a pesquisadora da Embrapa, Christiane Abreu de Oliveira Paiva, apresentará a palestra “Inoculantes para fósforo: solubilizadores de fosfato e promotores de crescimento vegetal”. A especialista abordará como microrganismos podem aumentar a disponibilidade do fósforo no solo e melhorar a eficiência nutricional das culturas.

    Nos solos tropicais brasileiros, altamente intemperizados, o fósforo enfrenta forte fixação pelas partículas de argila. Mesmo após a adubação, grande parte do nutriente torna-se indisponível para as plantas. Segundo Christiane, apenas cerca de 20% do fósforo aplicado via fertilizantes é efetivamente absorvido.

    Nesse contexto, microrganismos solubilizadores desempenham papel estratégico. Eles atuam diretamente na rizosfera, liberando fósforo por meio da produção de ácidos orgânicos e enzimas, o que amplia o acesso das plantas ao nutriente.

    A pesquisadora também destacará resultados de uma linha de pesquisa conduzida ao longo de duas décadas, que resultou no desenvolvimento do primeiro inoculante brasileiro voltado à solubilização biológica de fósforo, lançado em 2019. Testes em diferentes regiões agrícolas do país indicam ganhos relevantes de produtividade.

    Produtividade elevada

    De acordo com os ensaios, o uso da tecnologia pode elevar a produção em mais de 13 sacas por hectare no milho, entre quatro e cinco sacas na soja e acima de 15% na cana-de-açúcar, além de melhorar a absorção e o acúmulo de fósforo pelas plantas.

    O debate também envolve a dependência externa do insumo. Atualmente, o Brasil importa mais de 80% do fósforo utilizado na agricultura, o que expõe o setor a oscilações logísticas e geopolíticas. Nesse cenário, os inoculantes surgem como alternativa para aumentar a eficiência do fertilizante aplicado e reduzir perdas no sistema produtivo.

    O mercado de soluções biológicas para fósforo já registra expansão, com mais de uma dezena de tecnologias disponíveis. Produtos desenvolvidos no Brasil começam a ganhar espaço internacional, com presença em mercados da Europa, Américas e África.

    Apesar dos avanços, especialistas alertam que os inoculantes não substituem a adubação convencional. O melhor desempenho ocorre quando o produtor adota manejo integrado, combinando o uso de biológicos com práticas como adubação equilibrada, plantio direto e incremento da matéria orgânica do solo.

    Para o presidente do Conselho Deliberativo da Abisolo, Roberto Levrero, o tema reflete um desafio estrutural da agricultura brasileira. Segundo ele, tecnologias biológicas contribuem para melhorar o aproveitamento do fósforo, desde que aplicadas de forma integrada ao sistema produtivo.

  • Embrapa desenvolve embalagem biodegradável que revoluciona aplicação de fertilizantes

    Embrapa desenvolve embalagem biodegradável que revoluciona aplicação de fertilizantes

    Uma solução que estava escondida em laboratórios de São Carlos pode transformar a forma como agricultores aplicam fertilizantes no campo. Pesquisadores da Embrapa Instrumentação e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) desenvolveram sachês de amido reforçados com nanopartículas capazes de acondicionar fertilizantes em pó ou granulados. A tecnologia promete substituir polímeros derivados de petróleo e resolver um problema antigo: o desperdício de nutrientes no solo.

    “O agricultor geralmente joga no campo uma quantidade elevada de fertilizante para garantir absorção”, explica o químico João Otávio Donizette Malafatti, primeiro autor do estudo publicado no Journal of Inorganic and Organometallic Polymers and Materials. “Mas a planta não consegue absorver tudo de imediato. Esse excesso vira perda econômica e pode contaminar o ambiente adjacente.”

    Os sachês funcionam como uma espécie de saquinho de chá biodegradável. A diferença é que, ao invés de folhas secas, eles carregam nutrientes essenciais como nitrogênio, fósforo e potássio,o famoso trio NPK. A liberação acontece de forma gradual, permitindo que raízes absorvam apenas o necessário em cada fase do crescimento.

    Zeólita com cobre garante resistência e combate fungos

    O amido, por ser biodegradável, apresenta um desafio: degrada rápido demais. Para resolver isso, Malafatti processou os sachês com ureia, ácido cítrico e zeólita rica em íons de cobre. A zeólita é um mineral poroso com alta capacidade de adsorção de íons.

    “O cobre tem dupla função”, detalha o pesquisador. “Apresenta propriedade antimicrobiana forte, tanto para fungos quanto bactérias, e ainda funciona como micronutriente mineral que a planta absorve depois.” Testes mostraram que a presença de cobre controlou crescimento do fungo Alternaria alternata, comum em cultivos.

    A pesquisadora da Embrapa Elaine Cristina Paris, que supervisionou o trabalho, compara a zeólita a uma esponja microscópica. “Ela armazena água por ser muito porosa e hidrofílica. Em períodos de seca, isso ajuda a manter umidade localizada no solo”, explica.

    O grupo testou várias concentrações e chegou ao ponto ideal: 3% de zeólita em relação ao amido. Acima disso, partículas se aglomeram e fragilizam o filme. Na dosagem certa, houve ganho significativo de resistência mecânica — requisito essencial para suportar transporte, armazenamento e aplicação no campo.

    Sistema versátil se adapta a diferentes culturas

    A versatilidade impressiona especialistas. Os sachês tanto aumentam solubilidade de fertilizantes pouco solúveis quanto controlam liberação de fontes altamente solúveis. Tudo depende da formulação escolhida.

    Em trabalho anterior, também supervisionado por Paris, a doutoranda Camila Rodrigues Sciena usou hidroxiapatita como fonte de fósforo. Para aumentar solubilidade desse composto, o grupo acidificou o meio com pectina na composição dos sachês. O resultado funcionou: a hidroxiapatita nanoparticulada teve solubilidade aumentada.

    “Com água, o amido fica gelatinoso e segura o fertilizante no solo disponível para a planta”, diz Sciena. “Isso minimiza perdas com chuva ou vento. O objetivo é reduzir percolação e arraste do fertilizante.”

    No caso do estudo de Malafatti, o grupo trabalhou com fertilizante altamente solúvel. “Aqui a intenção é disponibilizar de modo gradual, evitando perdas por lixiviação ou dispersão aérea”, complementa Paris.

    Testes de liberação mantiveram sachês em meio aquoso por 30 dias. Resultados demonstraram liberação parcial de íons de cobre (7 mg/L) e ureia (300 mg/L). As propriedades hidrofílicas favoreceram contato com meio externo, ajudando permeação da água e liberação controlada do cloreto de potássio.

    Citotoxicidade baixa abre caminho para uso agrícola

    Antes de qualquer aplicação comercial, a equipe precisava garantir segurança ambiental. Testes de citotoxicidade realizados em raízes de agrião mostraram 92% de viabilidade de germinação após uma hora de exposição à zeólita de cobre.

    Testes de solubilidade foram conduzidos em água com pH neutro e em ácido cítrico. A eficácia de dessorção do cobre aumentou em meio ácido, saltando de 5% para 45% do total esperado. Isso indica que, em solos mais ácidos, a liberação de micronutrientes ocorre de forma mais intensa.

    Customização permite adaptar sachês para cada plantação

    “A uva tem necessidades diferentes do tomate”, resume Sciena. “É uma fertilização customizada. Você pode adequar mistura de nutrientes desejáveis e também tipo de sache, um mais ácido para potencializar solubilização de fertilizante pouco solúvel, outro menos ácido para solubilizar lentamente o que já é solúvel.”

    Outra vantagem prática: o fertilizante adicionado não afeta processamento do sachê em sua formulação ou formato. “Qualquer fertilizante granulado ou particulado pode ser inserido”, ressalta Malafatti. Isso facilita incorporação pela indústria e ainda evita manipulação direta de partículas por trabalhadores do setor agrícola.

    Próximos passos: reduzir custos e escalar produção

    Segundo Paris, as pesquisas agora buscam alternativas para baratear processos e materiais. “O amido é matéria-prima promissora, embora adição de componentes extras possa influenciar custo final”, pondera.

    No trabalho atual, a equipe usou amido comercial. Mas Paris vê margem para redução de custos. “Para fertilização do solo não é necessário amido de alta pureza como da indústria alimentícia. O objetivo é baratear ao máximo para que a agroindústria consiga incorporar.”

    A tecnologia ainda está em escala laboratorial. Aplicação imediata aconteceria em paisagismo, jardinagem, hidroponia ou estufas. Para grandes produções agrícolas, são necessárias otimizações de escalonamento e viabilidade econômica, próximas etapas planejadas pelo grupo.

    O trabalho recebeu apoio da FAPESP por meio de bolsas de iniciação científica, pós-doutorado no Brasil e no exterior. Se os planos derem certo, agricultores brasileiros podem ter em breve uma alternativa nacional, sustentável e eficiente para aplicação de fertilizantes, reduzindo desperdícios, custos e impactos ambientais.

    Por Karina Ninni | Agência FAPESP

  • BiomaPhos: absorção de fósforo impulsiona agricultura brasileira

    BiomaPhos: absorção de fósforo impulsiona agricultura brasileira

    Uma tecnologia inovadora desenvolvida pela Embrapa, em parceria com a Bioma, tem proporcionado benefícios significativos ao agronegócio brasileiro, gerando estimativas de R$ 4,27 bilhões desde seu lançamento em 2019 até a safra 2022/2023.

    O inoculante solubilizador de fosfato, conhecido comercialmente como BiomaPhos, foi inicialmente projetado para a cultura do milho, mas sua aplicação se expandiu para soja, feijão e cana-de-açúcar, impactando mais de 10 milhões de hectares ao longo dos últimos cinco anos.

    Na cultura da soja, por exemplo, a produtividade média aumentou de 67,2 sacas por hectare para 71,6 sacas, além de um incremento de 14% no teor de fósforo nos grãos. Após o registro do bioproduto para feijoeiro em 2023, observou-se um aumento de 14% na produtividade dessa cultura. O uso do BiomaPhos está sendo validado para outras culturas, como sorgo, arroz, tomate e batata.

    De acordo com Christiane Paiva, pesquisadora da área de Microbiologia do Solo da Embrapa Milho e Sorgo (MG), o solubilizador de fosfato é um dos maiores casos de sucesso na adoção de tecnologias da Embrapa nos últimos anos. “Além de ser uma solução tecnológica inovadora e sem precedentes no mercado, sua eficiência foi confirmada nos primeiros anos após o lançamento”, afirmou.

    Crescimento na adoção do bioinsumo

    O uso do BiomaPhos cresceu consideravelmente desde sua introdução. Na safra 2018/2019, o produto foi aplicado em 228 mil hectares; já na safra 2022/2023, esse número saltou para mais de 4 milhões de hectares. A expectativa é que na safra 2023/2024 a área adotada ultrapasse 5 milhões de hectares. Esses dados foram destacados no Balanço Social da Embrapa de 2023.

    Pesquisadores
    Christiane Paiva, Rubens Miranda e Guilherme Medeiros, pesquisadores

    A quantia estimada em benefícios financeiros é significativamente superior aos custos de desenvolvimento da tecnologia, que totalizaram cerca de R$ 53,3 milhões. “Esses números atestam a importância dos investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação para a agricultura nacional”, ressaltou Rubens Augusto de Miranda, pesquisador responsável pelo estudo.

    Expansão internacional

    A tecnologia não se limitou ao Brasil; ela começou a ser avaliada nos Estados Unidos em 2022 e obteve liberação em 14 estados americanos, incluindo o Corn Belt. Além disso, o produto foi registrado em países como Alemanha, Canadá, Argentina e Paraguai.

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    Artur Soares, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Bioma, destacou que as validações internacionais mostraram ganhos médios significativos na produtividade.

    Como funciona a solubilização do fósforo?

    A tecnologia atua na disponibilização do fósforo presente no solo. Apenas 0,1% do fósforo está disponível para absorção imediata pelas plantas. Estudos da Embrapa mostram que uma grande quantidade desse nutriente permanece inerte no solo. O inoculante utiliza microrganismos selecionados para solubilizar o fósforo e torná-lo acessível às raízes das plantas.

    Benefícios e futuro do uso de bioinsumos

    O uso crescente de bioinsumos como o BiomaPhos contribui para os esforços nacionais de descarbonização da agricultura. O Brasil se destaca como o maior consumidor mundial de biofertilizantes e tem potencial para liderar ainda mais esse mercado até o final da década.

    O pesquisador Rubens Augusto de Miranda realizou um estudo que registrou a expansão do uso do bioinsumo ao longo do tempo. “A confirmação da eficiência do produto nos dois primeiros anos resultou no grande sucesso na safra 2020/2021, quando alcançou a marca de 2,45 milhões de hectares. Em 2021/2022, chegou a 2,77 milhões de hectares e, na safra seguinte, alcançou novo recorde com quase 4 milhões de hectares de área plantada. A expectativa é que em 2023/2024 a área de adoção de inoculantes solubilizadores de fosfato com tecnologia da Embrapa ultrapasse 5 milhões de hectares”, revela o cientista.

    A pesquisa e desenvolvimento contínuos nesta área são essenciais para garantir a sustentabilidade e competitividade do agronegócio brasileiro no cenário global. Com a adoção crescente dessas tecnologias inovadoras, espera-se que os agricultores brasileiros possam enfrentar desafios futuros com mais eficiência e sustentabilidade.

  • Pesquisa aponta como melhorar o solo com calcário

    Pesquisa aponta como melhorar o solo com calcário

    A utilização de altas doses de calcário no cultivo de soja da primeira safra na região do Matopiba pode aumentar a produtividade em até 30%, superando as recomendações dos documentos oficiais. Essa prática, embora possa reduzir os nutrientes do solo, não desbalanceia a fertilidade e pode ser corrigida com adubação. A Embrapa Meio-Norte realiza estudos sobre o tema desde 2019 nos estados do Piauí, Maranhão e Pará.

    As pesquisas foram iniciadas a pedido da Associação dos Produtores de Soja do Estado do Piauí (Aprosoja-Piauí). E observou que alguns produtores estavam utilizando doses mais elevadas de calcário. O pesquisador da Embrapa, Henrique Antunes, explica que essa abordagem se deve ao valor crescente da soja. “Os produtores têm aberto novas áreas com doses mais altas de calcário, o que gera um retorno financeiro”, afirma.

    Antunes ressalta que a falta de respaldo técnico-científico para essa prática dificulta o acesso dos agricultores ao crédito bancário. Ele destaca que pesquisadores elaboraram muitos documentos sobre fertilidade do solo nas décadas de 1980 e 1990, enquanto os agricultores atuais utilizam cultivares com demandas nutricionais diferentes e sistemas de manejo mais intensivos. “Isso justifica, aliás, a necessidade de revisar as diretrizes oficiais, especialmente em regiões agrícolas com características específicas”, defende.

    Estudo em parceria

    O primeiro estudo da Embrapa em parceria com a Universidade Federal do Piauí (UFPI) avaliou os efeitos da aplicação de altas quantidades de calcário e gesso na fertilidade do solo e na produtividade da soja no Cerrado piauiense. O experimento foi realizado durante duas safras (2019/2020 e 2020/2021) com a cultivar BRS 9180, testando cinco doses de calcário e quatro de gesso.

    Os resultados mostraram, portanto, que doses entre 10 e 15 toneladas por hectare aumentaram as concentrações de fósforo e potássio. Enquanto quantidades superiores a 15 toneladas reduziram esses nutrientes e causaram perda na produtividade dos grãos. O engenheiro-agrônomo Doze Batista de Oliveira, que desenvolveu sua tese com base nesses resultados, observou aumentos significativos na produtividade da soja com a aplicação de 10 toneladas de calcário por hectare.

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    Antunes continua a conduzir pesquisas na região do Matopiba e no Pará, apoiado pela Rede FertBrasil e pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Dados recentes mostram que a produção de soja aumentou em até 30% nas áreas que receberam altas doses de calcário e gesso.

    Ele explica que a correção das características do solo permite que as raízes das plantas explorem melhor as camadas mais profundas, onde encontram água e nutrientes, reduzindo o estresse hídrico durante períodos secos. No entanto, Antunes alerta para a necessidade de adubação adequada para corrigir as deficiências nutricionais causadas pelo uso excessivo de calcário.

    Resultados positivos

    Consultores e agricultores da região têm relatado resultados positivos ao adotar essas práticas. Diógenes Brandalize, que gerencia uma propriedade no Piauí, viu um aumento de 20% na produtividade após utilizar doses mais elevadas. Outros agricultores ainda aguardam os resultados definitivos das pesquisas antes de mudar suas práticas.

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    O engenheiro-agrônomo Christofer Andre Garanhani destaca que os estudos ajudam os produtores a decidir o volume adequado de calcário para utilizar.Portanto, apesar dos desafios financeiros enfrentados pelos agricultores em regiões agrícolas emergentes como o Matopiba, há uma crescente adoção das novas práticas recomendadas pelas pesquisas.

  • Solos argilosos reduzem pressão sobre arrendatários

    Solos argilosos reduzem pressão sobre arrendatários

    Arrendatários de terras férteis, com textura argilosa, enfrentam menos pressão em comparação aos colegas que cultivam em solos arenosos. Essa constatação veio à tona durante o Rally Cocamar de Produtividade, que visitou produtores no município de Rolândia, no norte do Paraná, onde os agricultores estavam semeando soja na última semana.

    O engenheiro agrônomo Marcos Alteia, da unidade de Cambé, e o gerente técnico da cooperativa, Rafael Furlanetto, acompanharam o evento. Eles destacaram que a fertilidade do solo contribui para uma produtividade superior e maior resiliência em períodos de estiagem.

    Rodrigo Zabini, um dos produtores visitados e responsável por 170 alqueires, dos quais 50 são próprios, comentou sobre a importância da tecnologia na produção. “Não podemos nos dar ao luxo de investir menos apenas porque temos um solo fértil”, afirmou. Ele ressaltou que arrendatários enfrentam custos mais altos devido à necessidade de remunerar os proprietários das terras, além das despesas com insumos e operações.

    Para maximizar a produtividade, Zabini conta com a assistência técnica de Alteia e os serviços do Grupo Mais, uma consultoria especializada da Cocamar, prestados na região pelo engenheiro agrônomo Osmar Buratto. Ele realiza correções regulares do solo com calcário, fósforo e potássio, aplica adubação recomendada e investiu em uma plantadeira John Deere com corte de seção, além de estar começando a adotar práticas de agricultura de precisão.

    Na safra anterior (2023/24), a média de produtividade foi de 133 sacas por alqueire, abaixo do potencial esperado de 170 sacas. “Estamos trabalhando para alcançar essa produtividade ou até mais”, afirmou Zabini, que cultiva trigo e milho no inverno ao lado do pai Antônio e dos irmãos Rafael e Fernando.

    Importância do uso de calcário

    O produtor Almir Rogério Chiconato, que cultiva 60 alqueires em Rolândia, também destacou a importância do uso de calcário para aumentar a produtividade. “O solo aqui oferece uma certa tranquilidade aos arrendatários, mas nada é garantido”, alertou. Na safra passada, sua média foi de 146 sacas por alqueire.

    O produtor Rodrigo Zabini com os agrônomos Marcos Alteia e Rafael Furlanetto

    No entanto, devido à falta de chuvas em períodos críticos, alguns produtores da região enfrentaram médias muito baixas, em torno de 60 sacas. “Com tudo o que estamos fazendo e se o tempo ajudar um pouco, nossa expectativa é alcançar entre 160 e 170 sacas por alqueire”, completou Chiconato.

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    Wellington Seiti Otaki, um jovem engenheiro de produção que deixou seu emprego na cidade para cuidar dos negócios da família, também busca eficiência na produção. Ele contratou a consultoria do Grupo Mais e investiu na correção da fertilidade do solo em sua propriedade de 25 alqueires. Otaki espera alcançar uma média de pelo menos 180 sacas por alqueire nesta safra.

    “Hoje meu foco é a agricultura”, disse Otaki, cuja família possui terras em Marialva (PR) e na Bahia. Ele também reconheceu a importância da parceria com seu funcionário Antônio e seu filho Diego.

    O Rally Cocamar de Produtividade conta com o patrocínio da Ourofino Agrociência, Seguradora Sombrero, Fertilizantes Viridian, Sicredi Dexis, Nissan Bonsai Motors e Texaco.