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  • Lula sanciona lei que proíbe produção e venda de foie gras no Brasil

    Lula sanciona lei que proíbe produção e venda de foie gras no Brasil

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta sexta-feira (24) o projeto de lei que proíbe a produção e a venda de produtos obtidos por meio da alimentação forçada de animais no Brasil. A medida atinge diretamente o foie gras, iguaria da culinária francesa preparada com fígado gordo de pato ou ganso.

    Foto: Reprodução/Senado Federal

    A nova norma, publicada no Diário Oficial da União (DOU), veda a produção e a comercialização do foie gras tanto in natura quanto enlatado. O texto define alimentação forçada como qualquer método, mecânico ou manual, que force a ingestão de alimento além do limite natural de saciedade do animal, por meio de instrumentos que despejam a ração diretamente na garganta, no esôfago, no papo ou no estômago.

    Quem descumprir a proibição estará sujeito a prisão de três meses a um ano e ao pagamento de multa, penalidades já previstas na Lei de Crimes Ambientais para casos de maus-tratos a animais.

    Como funciona a técnica do gavage

    A produção tradicional de foie gras depende do gavage, procedimento que obriga o animal a ingerir quantidades de alimento muito superiores às que consumiria espontaneamente, com o objetivo de aumentar o tamanho do fígado. Um tubo metálico entra pela garganta da ave até o esôfago e despeja a ração diretamente no órgão.

    Produtores costumam repetir o procedimento duas vezes por dia, durante as duas a quatro semanas que antecedem o abate.

    Isso gera uma série de lesões na garganta, no esôfago ou até na face e no bico do animal. O fígado das aves submetidas à técnica pode crescer até dez vezes além do tamanho normal, o que provoca dor, altera o metabolismo e gera estresse térmico. Falhas na aplicação do procedimento agravam ainda mais os ferimentos nos animais.

    O deputado Fred Costa (PRD-MG), relator do projeto, aponta que a técnica pode elevar em até 25 vezes a taxa de mortalidade das aves. Até o momento, nenhuma alternativa comercialmente viável substitui o método sem o uso da alimentação forçada. Pesquisadores estudam o cultivo de células em laboratório e produtos à base de plantas como possíveis substitutos.

    Brasil se junta à Índia na proibição

    Com a sanção, o Brasil passa a ser o segundo país do mundo a proibir a produção e a comercialização de produtos feitos com alimentação forçada de animais. A Índia foi a pioneira na medida.

    Outros países já restringem a produção por meio de regras semelhantes, entre eles Reino Unido, Alemanha, Itália, Austrália e Argentina.

    Tramitação do projeto e reação do setor

    Apresentado no Senado há seis anos, o projeto tramitou em caráter conclusivo pelas comissões, sem necessidade de votação em plenário. No cenário interno, o projeto avançou sem grandes obstáculos, já que o país conta com apenas três produtores que utilizam a técnica de gavage.

    Organizações de proteção animal apoiam a medida porque a produção do foie gras utiliza a alimentação forçada de patos e gansos. Segundo a presidente da Animal Equality, Sharon Núñez, a aprovação representa um avanço importante.

    “Em um país com enorme relevância na indústria agropecuária global, este avanço envia uma mensagem poderosa: o sofrimento animal não pode ser tratado como ingrediente de luxo.”

  • Conheça o foie gras, prato francês que pode ser proibido no Brasil

    Conheça o foie gras, prato francês que pode ser proibido no Brasil

    O projeto de lei que proíbe a produção e a comercialização de foie gras no Brasil seguiu, nesta terça-feira (7), para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Antes disso, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou a proposta. Agora, o texto reacende o debate sobre bem-estar animal e os métodos utilizados para produzir a tradicional iguaria francesa.

    Organizações de proteção animal apoiam a medida porque a produção do foie gras utiliza a alimentação forçada de patos e gansos. Segundo a presidente da Animal Equality, Sharon Núñez, a aprovação representa um avanço importante.

    “Em um país com enorme relevância na indústria agropecuária global, este avanço envia uma mensagem poderosa: o sofrimento animal não pode ser tratado como ingrediente de luxo.”

    Além disso, a entidade afirma que, caso o presidente sancione o projeto, o Brasil será o primeiro país da América Latina a proibir, por lei federal, tanto a produção quanto a comercialização do foie gras.

    Como o foie gras é produzido?

    Foie gras significa “fígado gordo” em francês. Os produtores obtêm a iguaria a partir do fígado de patos ou gansos submetidos a um processo de alimentação intensiva.

    Para isso, os criadores utilizam uma técnica conhecida como gavage.

    A imagem mostra um prato típico francês, o Foie Gras.
    O órgão animal aumenta diversas vezes de tamanho e adquire a textura característica do produto — Foto: Reprodução/PUC

    Durante esse processo, eles introduzem um tubo no esôfago da ave e fornecem grandes quantidades de alimento altamente energético. Em geral, essa etapa dura entre duas e três semanas e ocorre duas ou três vezes por dia.

    Impactos para as aves

    Em 1998, o Comitê Científico de Saúde e Bem-Estar Animal da União Europeia publicou um relatório sobre os efeitos da produção do foie gras.

    Segundo o documento, muitas aves evitam o contato com os tratadores durante o período de alimentação forçada. Além disso, o aumento do fígado compromete a postura e dificulta a locomoção. Em alguns casos, os animais permanecem sentados durante boa parte do dia.

    O relatório também informa que a introdução repetida do tubo pode provocar dor e lesões no esôfago. Ao mesmo tempo, o crescimento exagerado do fígado caracteriza uma condição patológica capaz de causar desconforto e alterações fisiológicas.

    Outro ponto destacado envolve o comportamento natural das aves. Normalmente, patos e gansos procuram alimento, exploram o ambiente e vivem em grupos. Entretanto, sistemas intensivos de criação podem limitar ou impedir esses comportamentos.

    A história do foie gras

    Embora muitos associem o foie gras à gastronomia francesa, sua origem é muito mais antiga.

    Pesquisadores encontraram registros da prática no Egito Antigo, há cerca de 4.500 anos. Pinturas da época mostram gansos sendo alimentados intensivamente, o que indica que os egípcios já conheciam técnicas semelhantes.

    Os egípcios observaram que aves migratórias acumulavam gordura no fígado antes de longas viagens — Foto: Reprodução/The Archaeologist

    Posteriormente, autores como Heródoto e Homero também citaram métodos de engorda de aves.

    Com o passar dos séculos, a técnica se espalhou pela Europa. No século XVII, ela ganhou força no sudoeste da

    Proibição

    Diversos países já proibiram a produção de foie gras por considerarem a alimentação forçada incompatível com normas de bem-estar animal. Ainda assim, muitos deles continuam permitindo a venda e o consumo da iguaria.

    No Brasil, a cidade de São Paulo aprovou uma lei com esse objetivo em 2015. No entanto, o Tribunal de Justiça declarou a norma inconstitucional porque entendeu que o município não tinha competência para regulamentar a comercialização do produto.

    Enquanto isso, Nova York aprovou uma lei em 2019 para proibir a venda de foie gras. Em 2026, a Justiça autorizou sua aplicação. Mesmo assim, disputas judiciais ainda podem influenciar a implementação definitiva da medida.

  • Proibição do foie gras chega à mesa de Lula

    Proibição do foie gras chega à mesa de Lula

    O futuro do foie gras no Brasil está agora nas mãos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Depois de concluir a tramitação no Congresso Nacional, o Projeto de Lei 90/2020 permaneceu mais de dois meses parado na Câmara dos Deputados antes de o presidente da Casa, Hugo Motta, enviá-lo para sanção presidencial. A proposta proíbe a produção e a comercialização do foie gras em todo o território nacional.

    O atraso coincidiu com uma ofensiva da indústria francesa do setor, que intensificou a pressão sobre o governo brasileiro para tentar barrar a proibição. Nas últimas semanas, representantes do setor produtivo e chefs franceses defenderam publicamente a manutenção da iguaria no mercado brasileiro. Organizações de proteção animal e a Associação Nacional de Advogados Animalistas (ANAA) acompanharam esse período com apreensão, embora não haja qualquer evidência de que a demora tenha relação direta com o lobby internacional.

    Agora, as entidades esperam que a Presidência conclua o processo legislativo iniciado há seis anos e sancione integralmente o texto aprovado pelo Congresso.

    “A Constituição Federal é clara ao vedar práticas cruéis contra os animais. O Congresso Nacional já cumpriu seu papel e aprovou o projeto após um amplo debate legislativo. Agora esperamos que o presidente Lula sancione a lei e coloque o Brasil ao lado dos países que já decidiram banir essa prática”, afirma Giseli Cheim, presidente da ANAA.

    “O importante é que essa etapa foi finalmente superada. Agora cabe exclusivamente à Presidência decidir se o Brasil continuará permitindo uma prática reconhecida mundialmente por causar sofrimento extremo aos animais ou se dará um passo histórico em favor do bem-estar animal”, completa Giseli.

    Seis anos de tramitação e 288 mil assinaturas

    O senador Eduardo Girão apresentou o Projeto de Lei 90/2020 há seis anos. Ao longo desse período, a proposta reuniu o apoio de centenas de organizações da sociedade civil e mais de 288 mil assinaturas favoráveis à proibição.

    “Esta é uma oportunidade histórica para que o Brasil reafirme seu compromisso com a proteção animal. Esperamos que o presidente sancione a proposta sem vetos”, diz Marina Lemes, gerente de Projetos da Animal Equality.

    Foie gras, Pineapple Chutney, Spiced Bread
    Foto: Bernine/Flickr

    Para Arthur Regis, especialista em Políticas Públicas da Sinergia Animal, a sanção representará o fim de uma das práticas mais cruéis ainda permitidas na produção de alimentos. “Cada dia em que o foie gras continua sendo produzido representa sofrimento para milhares de aves. Agora existe a oportunidade de colocar fim definitivo a essa realidade”, afirma.

    George Sturaro, diretor de Relações Governamentais e Políticas Públicas da Mercy For Animals, lembra que a proibição tem respaldo jurídico internacional. “A Organização Mundial do Comércio admite restrições comerciais quando fundamentadas na proteção da moral pública. Países como a Índia já adotaram medidas semelhantes sem sofrer qualquer retaliação comercial”, explica.

    Como funciona a produção do foie gras

    A produção do foie gras depende da gavagem, técnica que introduz à força grandes quantidades de alimento diretamente no esôfago de patos e gansos. O procedimento provoca hipertrofia patológica do fígado, justamente o órgão comercializado como iguaria, além de lesões, dificuldade respiratória e intenso estresse nos animais, segundo estudos científicos. O adoecimento não é um efeito colateral do processo: é o próprio objetivo dele. Por essa razão, diversos países já restringiram ou proibiram a produção.

    Para Arthur Regis, o debate expõe um conflito entre dois modelos de sociedade. “É preocupante que um projeto aprovado democraticamente continue enfrentando resistência por pressão de interesses econômicos, de uma nação estrangeira, ligados a um mercado de luxo. Nenhuma tradição pode servir como escudo para perpetuar práticas cuja crueldade é amplamente documentada, conforme já decidiu o STF. Quando o Estado decide limitar esse tipo de prática, ele não está atacando uma tradição, mas estabelecendo um limite ético e um novo patamar civilizatório para aquilo que pode ou não ser comercializado”, avalia o especialista.

    O peso econômico do lobby francês

    A própria indústria francesa reconhece que o Brasil representa cerca de €1 milhão anuais em importações de foie grãs. Um volume pequeno no contexto internacional, mas suficiente para mobilizar um lobby político expressivo. Defensores do setor argumentam que a proibição ameaçaria as relações comerciais entre o Mercosul e a União Europeia, mas a dimensão econômica do produto contrasta com o tamanho da pressão exercida.

    Segundo Arthur Regis, o que está em jogo vai além do produto em si: se o Brasil confirmar que itens obtidos por crueldade deliberada não têm espaço no mercado nacional, o precedente pode levar outras cadeias produtivas a enfrentar questionamentos semelhantes.

    Gastronomia em transformação

    O setor gastronômico também vive uma mudança de postura. Critérios como sustentabilidade, rastreabilidade e bem-estar animal deixaram de ser diferenciais de nicho para se tornar parâmetros de excelência culinária. Chefs franceses respeitados no Brasil já se manifestaram publicamente a favor da proibição, reconhecendo que a alta gastronomia evoluiu e que determinados ingredientes não encontram mais respaldo ético no cardápio contemporâneo.

    Foto: Divulgação

    Na própria França, o debate sobre os impactos éticos da produção animal ganha força: restaurantes retiraram o foie gras do menu por iniciativa própria, hábitos de consumo mudaram e uma nova geração de chefs busca ingredientes alinhados a valores atuais. O que enfraquece o argumento de que proibir o produto representaria um ataque à cultura francesa.

    “As políticas alimentares do futuro não serão definidas pelo peso da tradição, e sim pela capacidade de conciliar ciência, ética e sustentabilidade. O debate sobre o foie gras demonstra que a sociedade já começou a questionar até onde estamos dispostos a aceitar sofrimento animal em nome de um luxo que deixou de fazer sentido”, conclui Arthur Regis.

    O Congresso Nacional já aprovou a proposta e a encaminhou à sanção presidencial. Agora, cabe ao Palácio do Planalto concluir o processo. Se sancionada sem vetos, a lei dará ao Brasil uma legislação específica para proibir uma prática associada a sofrimento animal deliberado em benefício de um produto de luxo — e colocará o país ao lado de nações que já baniram o método de produção.

  • Conheça as carnes mais caras do mundo

    Conheça as carnes mais caras do mundo

    Quase todo mundo gosta de uma boa carne, mas algumas estão um pouco além do que a média do brasileiro pode pagar.

    Um exemplo é a carne de Wagyu. Com um alto grau de marmoreio (gordura entre as fibras da carne), o quilo pode chegar a dois mil reais. Existem quatro raças no Japão, e uma de suas variantes é o Kobe. Para ser certificado, precisa ser de uma linhagem pura, ter alimentação controlada com alta qualidade e um manejo especifico. O preço por quilo dessa variante do Wagyu chega tranquilamente em mil e quinhentos reais.

    Agora, se sua carteira está cheia, mas sua preferência é uma carne de porco mais selecionada, temos a carne do porco ibérico. Eles vivem em florestas de azinheiras, sobreiros, carvalhos ou castanheiros e comem os frutos dessas arvores, conhecidas como bolotas. Seu sabor é único e, além disso, sua gordura é saudável, por incrível que pareça.

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    Existem vários tipos, como o Jamón Ibérico de Bellota e o Jamóm Ibérico de Cebo. Da mesma forma que o Kobe, o preço por quilo está na média de mil e quinhentos reais. E o presunto ibérico é mais acessível do que a carne, aliás. É possível comprar no Brasil sem muita dificuldade.

    Aves e peixes

    Se o seu paladar é mais para o lado das carnes brancas, temos o frango Bresse, de origem na França. Ele também tem uma série de particularidades, como alimentação saudavel e ser criando em condições que garantem uma qualidade de vida para os animais. Essa tem um preço mais acessível, chegando a cento e cinqüenta reais o quilo.

    Alias o frango de Bresse tem uma particularidade, que são as patas azuis.

    Outro prato com ave para quem gosta de esbanjar é o foie gras, mas ao contrario do Bresse, nesse caso o ganso tem uma alimentação forçada e a base de muito sofrimento: ele vive preso e é obrigado a comer altas quantidades de comida, enfiado em sua garganta por um tubo. Tudo para que seu fígado alcance o sabor desejado. Esse procedimento inclusive é proibido em muitas partes do mundo, pelo sofrimento que inflige as gansos. O preço do foie gras passa de mil e quinhentos reais o quilo, tranquilamente.

    Mudando de ave pra peixe, outra das carnes mais caras que vamos falar é o caviar. Na verdade, nem é uma carne, mas sim as ovas do esturjão. Mas como estamos falando de comida cara, não tem como não falar de caviar. Que eu nunca vi nem comi, mas só ouço falar.

    Agora, entretanto, fica a dúvida: depois de conhecer algumas das carnes mais caras que existem, qual vai estar no seu prato hoje?