Tag: fogo

  • Projeto quer eliminar marcação a fogo em animais

    Projeto quer eliminar marcação a fogo em animais

    Iniciativa pretende substituir a dolorosa prática de marcação a fogo em animais por identificadores visuais, eliminando mais de 400 mil marcações em animais. Projeto inovador que visa melhorar o bem-estar animal no setor agropecuário  é parceria entre Grupo Frisa Frigorífico com a MSD Saúde Animal.

    Na chegada ao confinamento, os bovinos adultos costumavam receber marcações pela dentição e pelo lote. Com a nova abordagem, cerca de 110 mil bovinos do Grupo Frisa terão, em média, quatro marcações a menos, utilizando cores distintas para identificação.

    Benefícios para o bem-estar animal e produtividade

    Marcos Flávio T. Pereira, Diretor de Originação e Relações Institucionais do Grupo Frisa, destacou que a expectativa é que o projeto traga benefícios tanto para os animais quanto para a rentabilidade das fazendas. “O estresse causado pela nova identificação será significativamente menor do que o da marcação a fogo, resultando em uma recuperação mais rápida dos animais e melhor desempenho em ganho de peso”, afirmou Pereira.

    Uso dos identificadores visuais de cores distintas para separar os animais por critérios pré-estabelecidos. Divulgação

    Ele também ressaltou que a nova forma de identificação permitirá uma descrição mais eficiente dos lotes e da dentição dos animais. Reduzindo não apenas o sofrimento animal, mas também os riscos para os manejadores.

    Mudança de mentalidade no manejo pecuário

    Jorge Tadeu Z. Filho, médico-veterinário da MSD Saúde Animal, enfatizou a importância da iniciativa para promover uma mudança na mentalidade do setor. “A redução da marcação a fogo representa uma evolução nas práticas pecuárias, priorizando um manejo de baixo estresse que garante uma vida produtiva digna aos animais”, afirmou.

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    Ele também destaca que a prática tradicional prejudica o desenvolvimento dos animais devido à dor e ao incômodo causados pela marcação. A nova abordagem não só elimina esse sofrimento como também facilita o gerenciamento dos rebanhos ao atribuir um número único e exclusivo a cada animal.

    Avanços no bem-estar animal e sustentabilidade

    Com o crescente interesse do mercado consumidor por práticas éticas na produção animal, o bem-estar animal se torna um tema central entre os pecuaristas. A implementação de tecnologias como identificadores visuais reflete um compromisso com a transparência e sustentabilidade na produção de proteína animal no Brasil.

    A MSD Saúde Animal está empenhada em tornar essas tecnologias mais acessíveis nas propriedades brasileiras. O programa “Criando Conexões Multiespécies” visa disseminar conhecimento sobre manejo de baixo estresse e promover interações positivas entre humanos e animais durante todo o processo de manejo.

    O projeto de eliminação da marcação a fogo representa um passo significativo para o avanço do bem-estar animal na pecuária brasileira. Com apoio tecnológico e uma nova abordagem no manejo, o Grupo Frisa e a MSD Saúde Animal estão moldando um futuro mais sustentável e ético para a agropecuária no país.

  • O agronegócio e as queimadas

    O agronegócio e as queimadas

    As queimadas no Brasil têm sido um tema controverso, especialmente quando se trata de atribuir responsabilidades ao agronegócio. Muitas pessoas ainda acusam o setor de ser o principal responsável por esses eventos, principalmente devido à expansão agrícola, desmatamento e práticas inadequadas de manejo de solo e pastagens. Essa percepção é alimentada por imagens de incêndios florestais e pela preocupação com os impactos ambientais, como a perda de biodiversidade e a poluição do ar.

    No entanto, o agronegócio é diretamente prejudicado pelas queimadas, já que elas afetam negativamente a qualidade do solo. Também reduzem a produtividade das plantações e causam prejuízos à biodiversidade e ao clima. O que impacta tanto o curto quanto o longo prazo da produção agrícola.

    Essas acusações persistem em parte porque o desmatamento ilegal e as queimadas associadas à abertura de áreas para pastagem e plantio ainda ocorrem em regiões como a Amazônia e o Cerrado. Além disso, a mídia frequentemente destaca os casos negativos, contribuindo para a imagem negativa do agronegócio.

    Embora nem todas essas ações sejam realizadas por grandes empresas do agronegócio, há um estigma que associa o setor ao desmatamento e às queimadas. Isso gera percepções negativas por parte da sociedade e consumidores internacionais.

    Prejuízos ao setor

    As queimadas prejudicam diretamente o agronegócio. De acordo com a Embrapa, os incêndios florestais diminuem a fertilidade do solo, além de comprometerem a saúde de animais e plantas. Para exportadores de produtos agrícolas, a imagem associada às queimadas pode levar a boicotes comerciais e a perdas econômicas significativas.

    O setor tem enfrentado crescente pressão internacional para adotar práticas mais sustentáveis, como destacou a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em um relatório. O não cumprimento de padrões ambientais pode resultar na perda de mercados, especialmente na Europa.

    Ações para prevenir queimadas

    O agronegócio tem se esforçado para evitar as queimadas e adotar práticas sustentáveis. De acordo com Pedro de Camargo Neto, ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira. “Os agricultores têm se conscientizado sobre a importância de manter a integridade ambiental de suas propriedades, utilizando métodos de manejo sustentável”. Ele enfatizou, em entrevista ao Portal do Agro, que a implementação de tecnologias como a agricultura de precisão e a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) são essenciais para prevenir queimadas e melhorar a produtividade sem causar danos ao meio ambiente.

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    Além disso, várias iniciativas privadas e públicas foram criadas para combater o desmatamento e as queimadas. O projeto “Fogo Zero”, implementado pela CNA, visa educar e apoiar produtores para evitar o uso do fogo na gestão de áreas agrícolas. Iniciativas de reflorestamento e conservação também têm sido cada vez mais promovidas pelo setor, como parte de uma estratégia para manter os biomas brasileiros e minimizar os impactos ambientais da produção agrícola.

    Queimadas mudam o cenário no interior de São Paulo

    De acordo com João Martins, presidente da CNA, em entrevista para o AgroLink, “o agronegócio brasileiro está comprometido com a sustentabilidade. Estamos adotando políticas que preservam o meio ambiente ao mesmo tempo em que garantimos a produção de alimentos”. Ele ressaltou que o combate às queimadas é uma prioridade para o setor, com diversas ações de conscientização e monitoramento de áreas vulneráveis sendo implementadas.

    Mais ações do agronegócio para combater as queimadas

    Em resposta às críticas e à necessidade de proteger o meio ambiente, o agronegócio tem implementado diversas ações para evitar queimadas e promover práticas agrícolas sustentáveis. Entre essas iniciativas estão:

    • Manejo Integrado: O uso de técnicas que combinam agricultura com conservação ambiental, como a rotação de culturas e o plantio direto, ajuda a reduzir a necessidade de queimadas.
    • Tecnologia: A adoção de tecnologias avançadas para monitoramento das áreas cultivadas permite que os produtores identifiquem riscos de incêndio e atuem preventivamente.
    • Educação e Capacitação: Programas de capacitação para produtores rurais sobre práticas sustentáveis são fundamentais. “Investir na educação dos agricultores sobre manejo sustentável é essencial para reduzir as queimadas”, destaca Tereza Cristina, Ministra da Agricultura, em uma conferência sobre sustentabilidade no agronegócio.
    • Parcerias com ONGs: O setor tem buscado parcerias com organizações não governamentais para desenvolver projetos que promovam a preservação ambiental e ajudem na recuperação de áreas degradadas.

    Essas ações demonstram um compromisso crescente do agronegócio com a sustentabilidade e a responsabilidade ambiental. No entanto, é fundamental que o setor continue a trabalhar na transparência das suas práticas. E também na comunicação efetiva com o público para mudar a percepção negativa que ainda persiste em relação às queimadas.

    Embora ainda seja alvo de críticas, o agronegócio tem se adaptado para mitigar os efeitos das queimadas e preservar o meio ambiente. O setor está cada vez mais comprometido em alinhar a produção agrícola com práticas sustentáveis. E também promover a adoção de tecnologias que evitam o desmatamento e reduzem o uso do fogo.

  • Queimadas em canaviais causam prejuízo de R$ 1.2 bilhão

    Queimadas em canaviais causam prejuízo de R$ 1.2 bilhão

    Os prejuízos causados pelas queimadas em canaviais no Estado de São Paulo podem superar R$ 1.2 bilhão. A Orplana (Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil) atualizou a estimativa de perdas nesta sexta-feira (13).

    Entre 23 de agosto e 10 de setembro, a organização identificou mais de 3 mil focos de incêndio. O balanço revelou que as chamas destruíram mais de 181 mil hectares de cana-de-açúcar e áreas de rebrota no estado de São Paulo.

    “A base de dados utilizada pela Orplana é a de um conjunto de satélites que fazem a verificação das áreas, inclusive com monitoramento de queimadas. Então, pela espectrofotometria é possível ver a diferença das áreas onde tinha cana e onde não tem e também o que aconteceu com a cana, se queimou, se mudou a coloração ou se manteve sem alteração, além da verificação a campo”, explica o CEO da organização, José Guilherme Nogueira.

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    José Guilherme Nogueira, CEO da ORPLANA

    Além disso, Nogueira afirma que o produtor ainda está juntando os cacos para entender os próximos passos. “O custo de implantação na renovação de canavial é por volta de R$ 13,5 mil por hectare. E mesmo naquela rebrota que ainda continuar viável, que não precisar do replantio, pode ser que precise de manejo e nutrientes, em que os custos também impactarão. Isso porque, o colchão de palha que havia ali auxiliava contra plantas daninhas, na retenção de água e na matéria orgânica do solo”, explica. “Além disso, as rebrotas de cana de 3 e 4 meses viraram pó, causando um acúmulo de cinzas, que também precisará de manejo na área”, reforça.

    Sem previsão dos impactos

    Os impactos das queimadas em canaviais para a próxima safra são imprevistos. “A taxa de plantio, a área a ser disponibilizada para colheita no próximo ano e o cenário de clima seco, podem sim impactar a safra futura, mas ainda é muito cedo para qualquer previsão, pois vamos depender de como virão as chuvas e climas para os próximos meses”, conclui Nogueira.

    A Orplana conta, atualmente, com 35 associações de fornecedores de cana e representa mais de 12 mil produtores de cana-de-açúcar.

  • Brasileiro é acusado por incêndio “incontrolável” no Paraguai

    Brasileiro é acusado por incêndio “incontrolável” no Paraguai

    Um incêndio florestal de grandes proporções está devastando a região de Chovoreca, na fronteira com a Bolívia, e preocupa os bombeiros voluntários que tentam controlar as chamas. O fogo, que já consumiu mais de 100 mil hectares, é descrito como “incontrolável” devido às condições climáticas adversas, como ventos fortes e baixa umidade. Ray Mendoza, capitão dos voluntários do Corpo de Bombeiros afirmou que“ o terreno é de difícil acesso e com limitação de água”.

    Origem do incêndio

    O incêndio teria começado na semana passada, conforme relatos de moradores, como resultado de atividades de limpeza na fazenda Clemencia S.A., supostamente de propriedade do brasileiro Tomás Reis. Os moradores acreditam que o incêndio foi intencional, pois alertaram o proprietário sobre os riscos da queimada, especialmente considerando o clima seco.

    A área afetada é um habitat protegido do povo indígena Totobiegosode, que permanece isolado da população. A fumaça do incêndio se espalhou até a capital, Assunção, comprometendo severamente a qualidade do ar e causando uma devastação ambiental alarmante.

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    Atualmente, a concentração de PM2,5 em Assunção supera em 13,6 vezes o limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), resultando em níveis de poluição prejudiciais à saúde.

    Reprodução: RadioUno

    Reações e Recomendações

    O Ministério da Saúde do Paraguai emitiu recomendações para reduzir as atividades ao ar livre, principalmente aquelas que exigem esforço físico intenso, devido à situação atual. A previsão do tempo, que indica temperaturas elevadas entre 31 e 41 graus Celsius sem expectativa de chuvas, reforça a necessidade dessas medidas.

    Enquanto isso, brigadas de bombeiros florestais da Secretaria Nacional de Emergência e dos Bombeiros Voluntários estão trabalhando na região para combater os incêndios. No entanto, a fumaça densa continua a se espalhar, afetando ainda mais a qualidade do ar em áreas adjacentes, incluindo partes da Bolívia e do Brasil.

  • Como as queimadas no interior paulista vão mexer no seu bolso

    Como as queimadas no interior paulista vão mexer no seu bolso

    As queimadas no interior de São Paulo têm se intensificado, resultando em uma situação alarmante em diversas regiões do estado. Em cidades como Araraquara, Campinas, Ribeirão Preto e Limeira, a qualidade do ar tem piorado drasticamente devido ao acúmulo de fumaça e fuligem. As condições meteorológicas adversas, como a baixa umidade relativa do ar e as altas temperaturas, agravam ainda mais a situação.

    As informações do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) colocam o estado de São Paulo no topo do ranking de incêndios no fim desta semana, seguido pelo Mato Grosso, onde foram detectadas 1.237 queimadas e o Pará, com 987 focos de fogo.

    Em Araraquara, a qualidade do ar foi classificada como “ruim” pela Cetesb, com a presença de partículas finas suspensas no ar, resultado das queimadas que vêm assolando a região. Campinas também sofre com o céu encoberto por fumaça, proveniente de incêndios em diversas áreas do estado.

    Ribeirão Preto enfrenta grandes incêndios em áreas de mata, e a cidade está em “estado de emergência” devido ao risco elevado de novas queimadas. A fumaça densa tem afetado a visibilidade e a saúde dos moradores, além de causar transtornos no trânsito, com várias rodovias estaduais parcialmente interditadas.

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    As autoridades locais, incluindo a Defesa Civil, estão em alerta máximo e têm trabalhado para controlar os focos de incêndio. No entanto, a combinação de fatores naturais e possivelmente criminosos continua a provocar uma situação difícil, com efeitos negativos sobre o meio ambiente e a saúde pública​

    Prejuízo para a agricultura e para seu bolso

    As queimadas no interior de São Paulo não só têm causado graves problemas ambientais e de saúde, como também estão resultando em significativos prejuízos para o agronegócio nas regiões afetadas. Cidades como Araraquara, Campinas, Ribeirão Preto e Limeira, que são grandes produtoras agrícolas, têm visto suas plantações ameaçadas pelo fogo. Além das perdas diretas nas colheitas, o gado também sofre com a redução na qualidade das pastagens.

    Em Ribeirão Preto, uma das principais regiões produtoras de cana-de-açúcar, os incêndios já destruíram grandes áreas de plantação, prejudicando a produção. Além disso, eleva os custos operacionais para os produtores, que precisam investir mais em controle de danos e replantio. Essa situação também afeta a indústria sucroalcooleira, vital para a economia local.

    Foto: Divulgação – Canaoeste

    O impacto das queimadas se estende ainda ao transporte e à logística, com rodovias sendo parcialmente interditadas devido à baixa visibilidade causada pela fumaça. Um dos impactos disso é o  atraso no escoamento dos produtos agrícolas. Além disso, a má qualidade do ar tem gerado preocupações quanto à saúde dos trabalhadores rurais. Eles ficam expostos a condições insalubres, impactando a força de trabalho disponível no campo.

    Em resumo, além dos danos ambientais, as queimadas estão provocando uma crise no setor agropecuário, com prejuízos que podem se estender por várias safras se as condições não melhorarem. Com as perdas de áreas produtivas para o fogo, o tempo de recuperação tanto das culturas como da terra vai impactar no custo de produção, que será repassado para o consumidor final.

    As autoridades continuam monitorando a situação e tentando mitigar os efeitos dessas queimadas devastadoras. O governo do Estado criou um gabinete de crise para discutir soluções ao problema frente às ocorrências em canaviais e à morte de dois trabalhadores que tentavam combater o fogo nesta sexta em Urupês.

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    O interior de São Paulo amanheceu cinza e seco neste sábado
    Os incêndios se concentram principalmente em municípios da região de Ribeirão Preto (SP), de São José do Rio Preto (SP), de Presidente Prudente (SP), São Carlos (SP) e Bauru (SP).
    O governo do Estado criou um gabinete de crise para discutir soluções ao problema frente às ocorrências em canaviais
  • Queimadas destroem plantações e preocupam os produtores

    Queimadas destroem plantações e preocupam os produtores

    As queimadas que atingem a região de Ribeirão Preto, no interior paulista, estão causando grandes prejuízos e aumentando a preocupação entre os produtores de cana-de-açúcar. Na última quinta-feira (22), um incêndio de grandes proporções devastou propriedades em Sertãozinho, deixando um rastro de destruição e prejuízos ainda incalculáveis.

    Incêndios

    As chamas, que se espalharam rapidamente pelo canavial próximo à Rodovia Armando de Sales Oliveira (SP-322), obrigaram a evacuação imediata de sedes e casas das propriedades atingidas. Além disso, funcionários do Bio Parque Santa Elisa também precisaram deixar o local por questões de segurança.

    “Tentamos conter o fogo, mas a seca e o vento forte dificultaram o trabalho. Conseguimos apenas salvar a sede, onde estavam meus pais, funcionários e crianças. Felizmente, ninguém se feriu”, relatou o produtor Marco Guidi, que inalou muita fumaça e precisou ser hospitalizado por três horas.

    Guidi ainda não sabe se a cana voltará a brotar. “O fogo destruiu a camada de húmus da terra, essencial para o cultivo. Além disso, perdi R$ 40 mil investidos em adubo líquido e mudas. Minha propriedade está praticamente inoperante”, lamentou.

    Marcos Paulo Meloni, proprietário dos sítios São Pedro e São Luiz, também enfrenta incertezas. “A cana já estava com dificuldade para brotar por causa da seca. Com o fogo, agora só com reforma. Este ano, o custo médio por alqueire foi de R$ 24 mil. Não faço ideia de quanto será no próximo ano”, desabafou.

    Apesar do desespero, o produtor José Rogério Sanches Soto conseguiu apagar o fogo na área de reserva de sua propriedade, evitando que as chamas atingissem as casas.

    Gabriel Merlo Galdeano, que não teve sua propriedade atingida, foi um dos primeiros a perceber o incêndio. “Eu estava trabalhando na lavoura quando vi o fogo e avisei o grupo da Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo (Canaoeste) e o Plano de Auxílio Mútuo (PAM). Logo depois, outro foco surgiu, e o fogo se espalhou rapidamente. Suspeito que o incêndio tenha sido criminoso”, afirmou.

    PAM

    O PAM, mencionado por Galdeano, é um programa que coordena ações para combater incêndios e minimizar riscos. Almir Torcato, gestor executivo da Canaoeste, explicou que a associação oferece aos membros um sistema de monitoramento via satélite. “Os incêndios são combatidos com um plano integrado entre os produtores, utilizando informações de satélite. Monitoramos as propriedades dos associados e áreas públicas”, destacou Torcato.

    Ele enfatizou que os produtores não têm interesse em incendiar suas plantações, uma prática abandonada desde 2017, quando o setor passou a adotar a colheita mecanizada. “O setor não mede esforços para combater os focos de incêndio, que prejudicam o meio ambiente e causam enormes prejuízos financeiros”, acrescentou.

    Torcato alertou para as condições climáticas que favorecem a proliferação de incêndios nesta época do ano. Além disso, ele destacou a necessidade de conscientização da população, especialmente sobre evitar o descarte de cigarros e a realização de churrascos em áreas próximas às plantações.

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    Queimadas

    A Canaoeste emitiu uma nota de repúdio aos incêndios criminosos que vêm afetando propriedades rurais na região. No documento, a associação reforça que os produtores e usinas não são responsáveis pelos incêndios. Desde o protocolo “Etanol Mais Verde”, firmado em 2017, o setor se comprometeu com a preservação ambiental e a eliminação das queimadas como método de colheita.

    A associação também explicou os impactos dos incêndios nas lavouras de cana. “Um canavial atingido pelo fogo pode se deteriorar em poucos dias, resultando em perda da qualidade dos açúcares, aumento de impurezas e decomposição dos tecidos vegetais, tornando a cana inadequada para o processamento industrial”, afirmou.

    Além disso, os incêndios ainda geram prejuízos econômicos diretos aos produtores, além de implicações legais. Em resumo, as multas podem variar de R$ 1.000,00 a R$ 7.000,00 por hectare queimado, sem contar a obrigação de reparação dos danos ambientais e a responsabilização criminal.

    Por fim, Torcato pediu o apoio da população e das autoridades para identificar os responsáveis pelos incêndios e reforçar o combate ao fogo na região. Ele também apelou à Polícia Militar Ambiental para que a responsabilização dos produtores só ocorra com provas concretas. “Punir injustamente quem já sofre com os prejuízos não é justo”, concluiu a associação.

     

  • FAB lança 336 mil litros de água no Pantanal

    FAB lança 336 mil litros de água no Pantanal

    Desde o dia 28 de junho, a Força Aérea Brasileira (FAB) lançou 336 mil litros de água para combater incêndios no Pantanal. Somente nesta quinta-feira (11), em dois voos, foram despejados 24 mil litros de água em áreas atingidas pelo fogo.

    Combate ao incêndio no pantanal

    A FAB opera com o Sistema Modular Aerotransportável de Combate a Incêndios (MAFFS), que usa um tubo para projetar água pela porta traseira esquerda do avião, descarregando até 12 mil litros em áreas de incêndio.

    O major aviador Rafael Portella Santos, comandante da missão no Pantanal Sul-Mato-Grossense, destacou que esta é a primeira vez que a FAB usa o sistema MAFFS no KC-390 Millennium em uma situação real. “Realizamos diversos treinamentos simulados para que nossos pilotos e tripulantes estivessem preparados para este momento”, afirmou Santos.

    A operação com o sistema MAFFS ocorre em etapas. Primeiro, há a coordenação em solo para identificar os pontos críticos. Em seguida, a equipe visualiza o local, avalia os riscos para as aeronaves e mantém contato com a equipe em terra. Após a primeira passagem, que visa a precisão e segurança, a aeronave sobrevoa novamente para lançar a água.

    Depois de cada lançamento, a aeronave retorna para reabastecimento e pode decolar novamente em cerca de 40 minutos.

    Desde o início da missão, a FAB já realizou 28 voos de apoio ao Pantanal, totalizando 28 horas e 35 minutos de voo.

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    O governo federal anunciou a liberação de R$ 100 milhões para o combate aos incêndios no Pantanal, bioma que enfrenta uma situação de emergência. A medida beneficiará ações do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

    Segundo a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, os recursos são destinados a salvar “a maior planície alagável do mundo”. O aumento dos focos de incêndio no Pantanal levou o governo a ativar a sala de situação para definir medidas urgentes de controle do fogo. Além da liberação dos recursos, o governo enviará brigadistas, agentes da Força Nacional e uma comitiva ministerial para a região.

    Na sexta-feira (28), as ministras do Meio Ambiente, Marina Silva, Simone Tebet, e o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, visitarão Corumbá (MS), cidade mais afetada pelos incêndios. A visita visa avaliar a situação local, entregar equipamentos, aeronaves e coordenar as equipes de brigadistas.

    Reforço ao combate

    O combate aos incêndios no Pantanal contará com o reforço de 50 brigadistas do Ibama e 60 agentes da Força Nacional. Atualmente, a operação envolve 175 brigadistas do Ibama, 40 do ICMBio e 53 combatentes da Marinha, atuando em conjunto com polícias e bombeiros locais. Marina Silva afirmou que “esta é uma das piores situações já vistas no Pantanal” e explicou que a escassez hídrica severa na bacia do rio Paraguai, associada à ausência de cheias, contribuiu para a gravidade dos incêndios.

    Para apoiar as ações, o Ministério da Defesa disponibilizará seis helicópteros, duas aeronaves e embarcações para o transporte de militares e brigadistas. Uma das aeronaves, o KC-390 Millennium da Força Aérea Brasileira (FAB), tem capacidade de carregar até 10 mil litros de água por voo. O governo também estuda a implantação de uma base avançada na estrada Transpantaneira para facilitar a logística do combate ao fogo.

    Pantanal em chamas

    Entre 1º de janeiro e 23 de junho de 2024, o Pantanal teve 627 mil hectares queimados. Ou seja, um aumento de 142,9% em relação aos 258 mil hectares queimados em 2020, conforme dados do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Lasa-UFRJ). A instituição atribui os incêndios às altas temperaturas e à seca extrema e persistente dos últimos 12 meses, além da ação humana.

    A ministra Marina Silva estima que existam atualmente 27 grandes incêndios, sendo que 85% ocorrem em propriedades particulares no Mato Grosso do Sul. Ela ressaltou que os municípios que mais desmatam são os mais afetados pelos incêndios e informou que o Ministério da Justiça e Segurança Pública está trabalhando para identificar e punir os responsáveis pelos incêndios criminosos.

    Manejo de fogo

    No início do mês, os governos de Mato Grosso do Sul e de Mato Grosso proibiram o manejo de fogo até o final do ano, inclusive para atividades de renovação de pastagem. A medida, que trata a queima controlada como crime, leva em consideração a estiagem, a baixa umidade e o aumento dos focos de incêndio.

    Mato Grosso do Sul

    O Mato Grosso do Sul decretou situação de emergência nas cidades atingidas pelos incêndios no Pantanal, facilitando o acesso a recursos extraordinários para enfrentar a situação. O governo estadual criou 13 bases permanentes no Pantanal e tem operado com três helicópteros e uma aeronave agrícola para combater as chamas.

    Mato Grosso

    Em Mato Grosso, o Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) registrou 74 focos de calor nesta segunda-feira (24), sendo 28 no Pantanal. O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso extinguiu o incêndio florestal na Chapada dos Guimarães com o uso de avião, helicóptero, caminhões-pipa, caminhonetes, barco, pás-carregadeiras, motoniveladoras, trator e quadriciclo, além do monitoramento remoto com satélites.

    Pantanal

    O Pantanal, localizado no centro da Bacia do Alto Paraguai, abrange 179.300 km². Ele possui uma rica biodiversidade com mais de 2 mil espécies de plantas e também abriga diversas espécies de animais. No Brasil, o bioma está nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e é habitado por cerca de 1,1 milhão de pessoas.