A avaliação da qualidade das flores, tradicionalmente realizada por profissionais, ganhou um novo aliado tecnológico.
Características como coloração das pétalas, integridade do caule e proporção das hastes, que sempre dependeram da análise humana, agora podem ser identificadas por meio de inteligência artificial.
Análise em tempo real
A empresa chinesa Focusight Technology, especializada em visão computacional aplicada ao agronegócio, desenvolveu uma máquina classificadora inteligente capaz de analisar flores em tempo real e separá-las automaticamente conforme padrões de qualidade previamente definidos.
O processo inicia-se com a alimentação de um banco de dados contendo até 200 imagens da variedade de flor que será trabalhada. Dessa forma, a inteligência artificial aprende os padrões visuais da espécie e passa a reconhecer características como tamanho das hastes, quantidade de folhas e demais atributos relevantes para a classificação.
Após essa etapa, apenas quatro funcionários são necessários para abastecer o equipamento. Em seguida, a máquina realiza tanto a análise quanto o empacotamento das flores, alcançando uma capacidade de processamento de até 10 mil hastes por hora.
O sistema opera por meio de uma linha de processamento onde os operadores posicionam as flores em suportes específicos. Ao longo da esteira, as hastes passam por um conjunto de câmeras de alta resolução e sensores ópticos, que capturam imagens sob diferentes ângulos.
Máquina de classificação de rosas — Foto: Divulgação/Focusight
Algoritmos treinados para reconhecer padrões visuais processam instantaneamente as informações coletadas, e assim a máquina direciona automaticamente cada flor para sua categoria correspondente.
Segundo Maurício Torres, representante da Focusight Technology no Brasil, a inovação já desperta atenção em importantes regiões produtoras ao redor do mundo.
“Essa tecnologia já desperta interesse em diferentes polos produtores ao redor do mundo. Existe uma tendência crescente de automação na floricultura comercial, especialmente em um cenário marcado pela busca por mais eficiência, escassez de mão de obra e exigências cada vez maiores dos compradores”, afirma.
Atualmente, a Focusight Technology já comercializa o equipamento em mercados consolidados da floricultura mundial, como Holanda, Colômbia, Equador e Quênia.
De acordo com Torres, a utilização da inteligência artificial reduz a subjetividade presente nos processos tradicionais de classificação.
O executivo acrescenta ainda que a tecnologia pode transformar a forma como o produto chega ao consumidor final.
“Em um mercado em que aparência e uniformidade determinam o valor do produto, a tecnologia pode redefinir o modo como as flores chegam aos consumidores, com uma operação guiada por algoritmos e precisão visual”, completa.
A adoção de soluções automatizadas também pode contribuir para solucionar um dos principais desafios da cadeia produtiva nacional. Segundo dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Floricultura (IBraflor), a floricultura brasileira faturou R$ 21,2 bilhões em 2024, demonstrando avanços para o setor.
A Hortitec 2026 reunirá lançamentos e tecnologias voltadas ao aumento da produtividade e da sustentabilidade no campo. A feira acontece entre 17 e 19 de junho, em Holambra (SP), e deve receber 32 mil visitantes.
Ao todo, 520 empresas do Brasil e do exterior participarão da 31ª edição da Exposição Técnica de Horticultura, Cultivo Protegido e Culturas Intensivas. A expectativa é movimentar R$ 750 milhões em negócios durante e após o evento.
As novidades refletem as principais demandas da hortifruticultura brasileira. Automação, rastreabilidade, sustentabilidade, produtividade e saudabilidade lideram os investimentos do setor.
O mercado também acompanha a mudança no comportamento do consumidor. A busca por alimentos saudáveis e práticos impulsiona a expansão de produtos frescos e higienizados.
Embrapa amplia portfólio de alimentos nutritivos
Entre os destaques da feira, a Embrapa apresenta novas cultivares de Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs). Em parceria com a Isla Sementes, a instituição lança as variedades Bertalha BRS Tereverde e Caruru Verde BRS Ilekalu. As cultivares oferecem alta densidade nutricional, apelo visual e praticidade ao consumidor.
Além disso, a Embrapa Clima Temperado apresenta a batata-doce BRS BC179 Prenda. A cultivar biofortificada possui elevado teor de carotenoides e alta produtividade.
Inteligência artificial chega à floricultura
A tecnologia também ganha espaço na produção de flores. A Focusight Technology Co. apresenta a Classificadora Inteligente de Flores no estande da Green House. O equipamento utiliza visão artificial e inteligência artificial para automatizar etapas do processo produtivo.
A solução realiza classificação, corte de hastes, amarração e empacotamento. Com isso, aumenta a eficiência e reduz a dependência de mão de obra.
Novas flores apostam em qualidade e rentabilidade
A Bio Plugs leva ao evento uma nova versão da tradicional Gérbera. A variedade apresenta flores duplas e gigantes, com cerca de 12 centímetros de diâmetro. Além disso, possui hastes mais robustas e maior constância de corte.
Já o girassol sem pólen surge como alternativa inovadora para produtores e consumidores. O híbrido oferece produção precoce, maior durabilidade e reduz riscos de alergias respiratórias.
Alfaces chegam ao mercado de processamento
As empresas também apostam em hortaliças voltadas ao segmento de alimentos processados.
A Enza Zaden lança a alface Harumi, variedade americana adaptada ao cultivo de primavera e verão. A cultivar apresenta alta uniformidade e excelente rendimento para processamento.
Por sua vez, a Sakata apresenta a alface Bella Folha. Segundo a empresa, trata-se da primeira alface crespa desenvolvida especificamente para o mercado de processamento.
Biotecnologia reforça sustentabilidade
O setor de fertilizantes e defensivos também traz inovações sustentáveis. Entre elas está o RadiSanPro, da Futureco Bioscience. O produto estimula o desenvolvimento radicular e ativa mecanismos naturais de defesa das plantas.
Além disso, a tecnologia fortalece a resistência contra fungos e nematoides, contribuindo para uma produção mais eficiente e sustentável.
A Hortitec 2026 reunirá 520 empresas brasileiras e estrangeiras para apresentar soluções voltadas à horticultura, cultivo protegido e culturas intensivas. O evento ocorrerá entre os dias 17 e 19 de junho, em Holambra (SP).
A organização espera receber cerca de 32 mil visitantes. Além disso, a feira projeta movimentar R$ 750 milhões em negócios durante e após o evento.
As empresas levarão ao público tecnologias voltadas à automação, sustentabilidade, produtividade, rastreabilidade e saudabilidade. Essas áreas concentram os principais desafios enfrentados pelos produtores de hortifrúti no Brasil.
De olho no consumidor
O setor também acompanha mudanças no comportamento do consumidor. Atualmente, cresce a procura por alimentos saudáveis, nutritivos e práticos para o dia a dia. Por isso, produtos frescos, higienizados e prontos para consumo ampliam participação na cesta de compras dos brasileiros.
Entre os destaques da feira, a Embrapa e a Isla Sementes apresentarão novas cultivares de Plantas Alimentícias Não Convencionais (Pancs). As variedades Bertalha BRS Tereverde e Caruru Verde BRS Ilekalu combinam valor nutricional, praticidade e apelo visual.
Nova batata-doce
A Embrapa Clima Temperado também lançará a batata-doce BRS BC179 Prenda. A cultivar possui alto teor de carotenoides e elevada produtividade.
Flores
Na floricultura, a tecnologia ganhará espaço com a Classificadora Inteligente de Flores. A solução utiliza visão artificial e inteligência artificial para classificar, cortar e embalar flores automaticamente. Segundo os expositores, a tecnologia aumenta a eficiência operacional e reduz impactos da escassez de mão de obra no campo.
O setor também apresentará novas variedades ornamentais. A Bio Plugs exibirá uma Gérbera com flores duplas e gigantes, hastes resistentes e longo ciclo produtivo.
Outro lançamento será o Girassol sem pólen. O híbrido oferece maior durabilidade, evita sujeira e reduz riscos de alergias respiratórias.
Hortaliças processadas
No segmento de hortaliças processadas, empresas apostam em variedades adaptadas ao mercado de produtos frescos e higienizados.
A Enza Zaden lançará a alface Harumi. A variedade apresenta alta uniformidade e excelente rendimento para processamento.
Já a Sakata apresentará a alface Bella Folha. A cultivar é a primeira alface crespa desenvolvida especificamente para o mercado de processamento.
Fertilizantes e defensivos
No setor de fertilizantes e defensivos, a biotecnologia reforçará a busca por sistemas produtivos mais sustentáveis.
Entre as novidades, o RadiSanPro se destaca por estimular o desenvolvimento das raízes e fortalecer os mecanismos naturais de defesa das plantas.
Com lançamentos voltados à eficiência e à sustentabilidade, a Hortitec 2026 reforça seu papel como uma das principais vitrines de inovação para a horticultura brasileira.
As flores seguem sendo os presentes mais tradicionais do Dia dos Namorados. Além da beleza e do perfume, cada espécie carrega significados únicos. Por isso, na hora de escolher um arranjo ou buquê, conhecer o simbolismo de cada flor pode fazer toda a diferença.
Para celebrar a data, comemorada no Brasil nesta sexta-feira (12), reunimos 8 espécies que representam diferentes formas de amor, compromisso, admiração e carinho.
Rosa: um clássico
A rosa continua sendo a principal escolha para quem deseja declarar sentimentos. Com pétalas de coloração intensa e forte apelo visual, a flor está diretamente associada à paixão e ao desejo.
Segundo a florista e mentora Cristiely Santos, a espécie atravessa gerações sem perder força.
“É um ícone universal. Mesmo quem não entende de flores, sabe o que significa. Ela é direta, clássica e poderosa como uma declaração de amor que não precisa de muitas palavras. Ela desperta sentimentos e emoções.”
Tulipa: romantismo e sofisticação
Originária da Turquia e popularizada mundialmente pela Holanda, a tulipa simboliza romantismo e elegância. Além disso, sua grande variedade chama atenção dos apaixonados.
Existem mais de 150 espécies, distribuídas em diferentes tonalidades, como vermelho, branco, amarelo, laranja e roxo, ampliando as possibilidades de composição para presentes e arranjos.
Lírio: amor duradouro
Outra espécie bastante procurada é o lírio, associado à pureza, à elegância e aos relacionamentos duradouros.
Embora o branco seja a versão mais conhecida, flores em tons vermelhos, rosas e amarelos também conquistam espaço entre os consumidores. Dessa forma, a espécie se adapta a diferentes estilos e preferências.
Orquídea: símbolo de sensualidade
As orquídeas figuram entre as flores mais sofisticadas do mercado. Além de exóticas e elegantes, elas representam sensualidade e refinamento.
As variedades vermelhas ganham destaque por sua ligação com o amor e a paixão. Entre elas, a espécie Sophronitis coccinea é uma das mais conhecidas por apresentar essa coloração intensa.
Diferentemente de muitas flores ornamentais, o girassol se destaca pela cor amarela característica.
A espécie representa lealdade, felicidade e boas energias, características associadas à sua relação natural com a luz solar.
Gérbera: alegria em forma de flor
Com mais de 20 tonalidades diferentes, a gérbera chama atenção pela diversidade de cores, que inclui branco, vermelho, amarelo, rosa e laranja.
Além disso, a flor simboliza alegria, leveza e charme;
Alstroeméria: amizade e confiança
Conhecida também como lírio-peruano ou lírio-dos-incas, a alstroeméria tem origem na América do Sul, especialmente em Peru, Brasil e Chile.
Seu significado está relacionado à amizade, confiança e compromisso. Embora as pétalas naturais sejam rosadas, a espécie pode apresentar outras tonalidades obtidas por melhoramento genético.
Margarida: afeto verdadeiro
Fechando a lista, a margarida é reconhecida principalmente pelas pétalas brancas, mas também pode ser encontrada em versões amarelas e rosadas
Além da delicadeza, a flor simboliza inocência, lealdade e amor sincero, tornando-se uma escolha versátil para arranjos românticos.
O mercado brasileiro de flores e plantas ornamentais projeta um crescimento de 8% nas vendas para o Dia dos Namorados de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025. A estimativa é do Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor), que aponta a data de 12 de junho como a segunda mais importante para o setor, atrás apenas do Dia das Mães.
Atualmente, o Dia dos Namorados responde por cerca de 10% do volume anual de vendas da floricultura nacional, consolidando-se como uma das principais oportunidades de negócios para produtores, distribuidores e varejistas.
Segundo Renato Opitz, diretor do Ibraflor, a procura por presentes mais afetivos e personalizados tem impulsionado a comercialização de flores de corte e de arranjos exclusivos.
Flores nunca saem de moda
De acordo com Opitz, as flores continuam ocupando posição de destaque por sua capacidade de transmitir emoções e permitir a criação de composições diferenciadas.
Além disso, as plantas em vasos vêm ampliando participação no mercado. Espécies associadas à delicadeza e ao simbolismo afetivo ganham cada vez mais espaço entre os consumidores. Um dos exemplos é o antúrio, cuja flor remete ao formato de um coração.
Entre as flores de corte mais procuradas para o período, as rosas vermelhas seguem liderando a preferência.
“A rosa vermelha é um clássico atemporal. É a flor mais comercializada em todas as datas festivas em todas regiões do mundo”, destaca Opitz.
Além das rosas, também aparecem entre as espécies mais demandadas os lisianthus, alstroemérias, lírios, tulipas, gérberas, girassóis e orquídeas de corte.
Por outro lado, o mercado observa uma mudança no comportamento do consumidor. Os tradicionais buquês continuam relevantes, mas os arranjos personalizados vêm conquistando espaço.
Floriculturas e produtores apostam em composições que combinam rosas, lisianthus e alstroemérias em propostas mais sofisticadas. Da mesma forma, buquês com girassóis e flores do campo atraem consumidores que buscam opções mais leves e descontraídas.
Outra tendência destacada pelo diretor do Ibraflor envolve os arranjos em tons pastel.
Comércio online explodiu no Brasil
O avanço dos garden centers e das floriculturas digitais também contribui para o crescimento do mercado brasileiro.
Segundo Opitz, a expansão das plataformas online ampliou o acesso dos consumidores aos produtos e fortaleceu as vendas em datas comemorativas.
“A digitalização do comércio de flores e a expansão das vendas online têm contribuído para fortalecer o mercado, principalmente em datas sazonais, quando cresce a procura por entregas rápidas e por arranjos personalizados”, explica.
Ceaflor prevê alta na movimentação
O Ceaflor, um dos principais centros de comercialização de flores e plantas do país, também trabalha com perspectivas positivas para a data.
A instituição projeta crescimento entre 5% e 7% nas vendas em relação ao ano anterior. Além disso, a expectativa foi reforçada pelos resultados obtidos no Dia das Mães, considerados superiores ao esperado pelo setor.
Para a semana que antecede o Dia dos Namorados, o Ceaflor estima um aumento de 50% na movimentação de cargas em comparação aos períodos considerados normais.
A data também movimenta as vendas de produtos complementares, como chocolates, cachepôs, cestas temáticas e acessórios decorativos, itens que agregam valor aos presentes e ampliam o faturamento do setor.
No Dia Internacional da Mulher, a floricultura revela um retrato estratégico do agronegócio brasileiro. Além de movimentar a economia, o setor se consolidou como um dos maiores empregadores de mulheres no campo. Ele conta com presença feminina em toda a cadeia produtiva, da estufa à comercialização. Estudos realizados por Cepea/Esalq-USP e Ibraflor mostram que as mulheres representam mais da metade da mão de obra da floricultura, chegando a índices próximos de 60% em algumas regiões. O que coloca o segmento entre os líderes em participação feminina no agro.
O Dia da Mulher também tem forte peso comercial para o setor de flores e plantas ornamentais. A data responde por cerca de 8% das vendas anuais e com expectativa de crescimento entre 5% e 6% em relação ao ano anterior. Mais do que um pico de consumo, a data evidencia o papel cotidiano das trabalhadoras que plantam, colhem, comercializam, gerem equipes e assumem funções estratégicas em propriedades rurais, cooperativas e empresas ligadas à floricultura.
Segundo o Ibraflor, o setor combina alta demanda por mão de obra com diversidade de funções ao longo da cadeia. O que favorece a inserção e a permanência feminina, tanto na operação diária quanto na gestão dos negócios. “Além de gerar empregos, o setor permite que muitas mulheres conquistem autonomia financeira, fortaleçam a permanência das famílias no campo e assumam papéis estratégicos dentro e fora da porteira”, destaca a produtora de flores e diretora de Mercado do Ibraflor, Raquel Steltenpool.
Raquel Steltenpool com o pai Joannes Adrianus Steltenpool. Foto: Arquivo Pessoal
Lideranças femininas fortalecem cooperativas de flores em São Paulo
Na Cooperativa Veiling Holambra (CVH), em Santo Antônio de Posse (SP), filhas, esposas, produtoras e cooperadas transformam o cooperativismo em flores e plantas ornamentais ao ampliar a participação feminina em espaços de decisão. O movimento ganhou força em dezembro de 2019, quando a cooperativa iniciou as discussões para criar um Comitê de Mulheres, com foco em formação, troca de experiências e construção de lideranças.
Oficializado em março de 2021, o Comitê de Mulheres da Veiling Holambra cresceu de forma consistente. E hoje reúne cerca de 140 cooperadas em encontros periódicos, capacitações, visitas técnicas e participação ativa em eventos nacionais do agro e do cooperativismo. O grupo incentiva o desenvolvimento pessoal e profissional e estimula o protagonismo feminino nas assembleias e nas decisões estratégicas. E também contribui para um processo contínuo de ocupação de espaços pelas mulheres dentro da cooperativa.
Raíssa Swalmen, coordenadora do Comitê de Mulheres. Foto: Arquivo Pessoal
“Mais do que um espaço de troca, o Comitê constrói bases sólidas para um processo natural de ocupação de espaços estratégicos pelas mulheres dentro da cooperativa. Ao incentivar conhecimento, integração e protagonismo, o grupo contribui diretamente para o crescimento sustentável da cooperativa. E do setor como um todo”, afirma a produtora e coordenadora do Comitê de Mulheres, Raíssa Swalmen.
Cooperflora: participação feminina vai da gestão às equipes de campo
Na Cooperflora, a presença feminina também se traduz em números e em decisões. Cerca de 45% dos cooperados são mulheres ou contam com mulheres à frente da gestão dos sítios. O que mostra o avanço da liderança feminina em propriedades especializadas em flores e plantas ornamentais. As produtoras atuam diretamente na administração, na tomada de decisão e na coordenação de equipes, consolidando um protagonismo que vai além da participação formal.
Na sede da cooperativa, quase metade do quadro de colaboradores é composto por mulheres, muitas delas em cargos estratégicos. Entre os exemplos de liderança estão a cooperada Mariela Grisotto, do Sítio Reijers Alegre, responsável por uma equipe majoritariamente feminina, e a sócia fundadora Dorian Reijers, do Sítio Flores da Terra, que segue ativa e simboliza a base histórica da atuação das mulheres na construção e no desenvolvimento da Cooperflora.
Empreendedorismo feminino em rosas e turismo rural no Ceará
No Ceará, a produtora de rosas Lucivanda Fernandes Siqueira, de Ubajara, na Serra da Ibiapaba, se tornou referência em inovação ao integrar floricultura, turismo rural e economia criativa. Gestora da Fazenda Santo Expedito, ela conquistou o 1º lugar na categoria “Pequena Propriedade” do 8º Prêmio Mulheres do Agro 2025, destaque que reconhece sua gestão sustentável, o foco em impacto social e o modelo de negócios que alia agricultura, educação e experiência turística.
Professora de formação e estudante de Gestão de Pessoas e Agronegócio, Lucivanda aplica conceitos de capacitação e valorização de equipes na rotina da fazenda. E inspira outras empreendedoras a fortalecerem o protagonismo feminino no campo. A propriedade se consolidou como um dos projetos mais inovadores do Nordeste ao integrar produção agrícola de alta tecnologia, responsabilidade ambiental, turismo de experiência e economia sensorial.
A Fazenda Santo Expedito passou por forte expansão. Hoje conta com 12 hectares de estufas, com projeto de ampliação para 16 hectares, três tanques de armazenamento e sistema de captação de água da chuva com pavimentação intertravada para reaproveitamento hídrico. As pétalas que não seguem para comercialização são desidratadas para experiências sensoriais. Ou incorporadas ao composto orgânico, reforçando um ciclo produtivo mais consciente.
Passeio turístico imersivo
Em 2019, a produtora lançou um passeio turístico imersivo pela propriedade, com cerca de 50 minutos de duração. O tour apresenta as estufas, as variedades de rosas, as técnicas de cultivo e as práticas sustentáveis. A experiência inclui vivências como a montagem de buquê simbólico e escalda-pés com pétalas reaproveitadas. Portanto, ampliando o valor percebido da flor na região, fortalecendo o turismo rural na Ibiapaba e impulsionando a geração de emprego e renda local.
A demanda dos visitantes por produtos que prolongassem a experiência na fazenda deu origem à marca Aromas da Fazenda. Ela é especializada em fragrâncias, aromaterapia e cosméticos artesanais. Embora as rosas cultivadas ainda não sejam matéria-prima direta dos cosméticos, a equipe estuda formas de ampliar o uso sustentável de espécies como a lavanda, que também contribui para a polinização da pitaya.
O restaurante da fazenda, inaugurado há cerca de três anos, valoriza ingredientes regionais e utiliza frutas locais na produção de geleias e licores. Portanto, agregando gastronomia ao roteiro de visitação. Hoje, a operação reúne aproximadamente 170 colaboradores na propriedade e 8 na unidade urbana, além de duas lojas físicas (uma na fazenda e outra no município de Ubajara) o que reforça o impacto da gestão feminina sobre a economia local.
Inovação genética e liderança feminina na produção de plantas tropicais
Em Rondônia, a trajetória de Tereza Alves Cordeiro de Campos, fundadora da Estância Vitória, mostra como o empreendedorismo feminino impulsiona inovação e desenvolvimento regional na floricultura tropical. Nascida no interior do Paraná, ela construiu uma trajetória marcada por trabalho e coragem. Até criar, há mais de duas décadas, um projeto próprio de produção de plantas ornamentais com identidade brasileira e variedades diferenciadas.
Localizada na zona rural de Urupá (RO), a cerca de 400 quilômetros da capital, a Estância Vitória se consolidou como referência na produção e desenvolvimento de plantas ornamentais tropicais no país. Mesmo sem formação acadêmica na área, Tereza definiu como objetivo criar plantas únicas, adaptadas ao clima e ao mercado nacional, com foco em qualidade, inovação e estética.
O pequeno projeto familiar se transformou em uma estrutura consolidada. Com cerca de 40 mil metros quadrados de estufas dedicadas à produção de Caladium, Aglaonema, Syngonium, Euphorbia e Dracena, entre outras espécies. A estância também mantém um trabalho autoral de melhoramento genético. Ele é realizado por meio de polinização manual, sem uso de laboratórios externos, baseado na observação prática, na experiência acumulada e na seleção rigorosa de plantas matrizes.
Novas variedades
Ao longo dos anos, inúmeras novas variedades foram desenvolvidas. E após um processo de seleção e testes em cultivo, parte delas entra em produção comercial com novas combinações de cores, maior vigor, rusticidade, melhor adaptação e resistência natural a pragas e doenças. O melhoramento mais recente é um Caladium da variedade Lança. Ela é mais resistente ao frio, de porte compacto e indicado para vasos, que já está em produção e terá lançamento oficial em setembro.
A Estância Vitória fornece mudas do seu portfólio para produtores de diferentes regiões do país. E comercializa produtos finais diretamente ao mercado, por meio de ponto de venda no Ceaflor, em Jaguariúna (SP). Dessa forma, o trabalho autoral de Tereza conecta a inovação desenvolvida em Rondônia às principais regiões consumidoras de plantas ornamentais do Brasil. Reforçando a presença feminina em toda a cadeia da floricultura.
O setor de floricultura no Brasil deve fechar 2025 com alta entre 6% e 8% sobre 2024. A projeção é do diretor do Ibraflor, Renato Opitz, que observa ritmo constante de expansão e aumento da demanda por flores e plantas ornamentais.
A tendência positiva reforça a consolidação do mercado. Além disso, mostra a força de um setor que diversifica produtos, amplia a oferta e atrai consumidores que buscam decoração, bem-estar e presentes afetivos.
Festas de fim de ano impulsionam o consumo
As vendas de Natal e Réveillon seguem em alta e representam, juntas, 9% do total anual do setor. O movimento também deve crescer cerca de 9% em relação ao registrado nas festas de 2024. Esse avanço decorre do maior interesse por arranjos, presentes e itens decorativos.
Segundo Renato Opitz, o período confirma a fase favorável. “Com a combinação de oferta diversificada, tradição festiva e um público cada vez mais conectado ao bem-estar proporcionado pelas plantas, o mercado floricultor brasileiro se posiciona para encerrar o ano em alta e iniciar 2026 com perspectivas extremamente positivas”, afirma.
Flores mais procuradas na temporada
As flores de corte continuam entre os produtos mais vendidos. Rosas, astromélias e lírios aparecem com força nas composições de fim de ano. Além disso, arranjos temáticos ganham espaço em ceias e confraternizações.
As espécies tradicionais do Natal também registram procura elevada. Poinsettias, cyclamens, antúrios e kalanchoes, principalmente nas cores vermelho e branco, reforçam o apelo visual da estação. Versões tinturadas ou decoradas com glitter ampliam o charme das ambientações e atraem quem busca variedade.
Plantas verdes seguem em alta
O interesse por plantas verdes cresce, sobretudo entre consumidores que desejam alternativas naturais para a decoração natalina. As tuias holandesa e stricta são usadas como substitutas das árvores tradicionais. Além disso, têm valor acessível e exigem pouca manutenção.
Outro item que avança é a suculenta. As sanseviérias trançadas em formato de cone, decoradas com luzes brancas ou douradas, viram peças centrais da decoração de fim de ano. O apelo estético reforça a busca por itens duráveis e de fácil cuidado.
Projeções para 2026 indicam novo avanço
A estimativa do Ibraflor aponta para alta de 6% em 2026. A previsão considera o aumento das vendas online, o fortalecimento das floriculturas regionais e o hábito crescente de presentear com flores. Dessa forma, o setor mantém ambiente favorável para investimentos e expansão.
O setor também deve avançar devido ao consumo doméstico. A combinação entre tradição, variedade e apelo emocional sustenta o interesse do público e favorece a cadeia produtiva. Assim, o mercado inicia o próximo ciclo com perspectivas positivas.
No Dia do Florista, comemorado em 2 de setembro, uma pesquisa realizada pela Flowwow revela que 92% dos donos de floriculturas no Brasil estão otimistas com os próximos meses. O estudo ouviu empreendedores parceiros do marketplace, presente em mais de 40 países. Apesar dos desafios, os empresários apostam na recuperação do setor.
O levantamento mostra que a maioria acredita no crescimento das vendas, especialmente durante as datas comemorativas do segundo semestre. Sete em cada dez esperam superar os resultados de 2024 nesse período. O impacto do digital é claro: 38% reportam que quase todas as vendas já ocorrem por canais online, como marketplaces, WhatsApp e Instagram.
Por outro lado, apenas 22% registraram aumento no tíquete médio ou volume de compras, evidenciando que a digitalização ainda não amplia o consumo de forma significativa. No primeiro semestre de 2025, 54% dos floristas cresceram em vendas e 27% mantiveram estabilidade. Entre os principais obstáculos, destacam-se o aumento dos custos com frete, insumos e energia, além da dificuldade na fidelização dos clientes.
“A palavra que define empreender no Brasil para muitos floristas é desafiador”, aponta a pesquisa realizada em agosto de 2025 com mais de 450 floriculturas parceiras em 17 estados brasileiros.
Segundo Mikhail Liu-i-Tian, CEO da Flowwow no Brasil, o otimismo vem não só do calendário de datas especiais, mas também da aceleração das vendas digitais. “Os clientes buscam mais conveniência e variedade. As plataformas online facilitam a compra tanto para consumidores quanto para empreendedores”, afirma.
Ele alerta que os desafios de custo e fidelizar clientes permanecem. No entanto, a digitalização e a aproximação com novos públicos mostram-se caminhos promissores para manter a confiança no futuro do setor.
Setor de flores movimenta R$ 21 bi no Brasil com crescimento no segmento premium
O mercado brasileiro de flores e plantas ornamentais vive um momento de forte expansão. O setor, que movimenta cerca de R$ 21,23 bilhões, espera um crescimento entre 5% e 8% em 2025. O avanço é puxado pelas datas comemorativas, pela consolidação do e-commerce e pela alta demanda no segmento premium.
Os dados são das principais associações e cooperativas do setor. O Brasil conta com aproximadamente 8,3 mil produtores, a maioria de pequeno e médio porte. O estado de São Paulo se mantém como o coração da floricultura nacional, responsável por 75% da produção e 55% de todo o consumo do país.
Segmento premium e e-commerce puxam onda de crescimento
Um dos destaques do setor é o nicho de alto luxo. Só no primeiro semestre de 2024, esse segmento registrou crescimento superior a 30%. O ticket médio de um arranjo premium pode chegar a R$ 530. A tendência exige personalização, embalagens exclusivas e serviços de entrega ágil.
As vendas online, embora ainda representem menos de 10% do faturamento total, se mostram um canal em ascensão. A praticidade do digital conquista um público cada vez maior.
As flores mais populares seguem sendo as rosas e as orquídeas. O calendário de vendas é definido por três datas principais: Dia das Mães (responsável por 15% do faturamento anual), Dia dos Namorados e Dia Internacional da Mulher.
Em períodos de pico de demanda, como no inverno brasileiro durante o Dia dos Namorados, o país recorre às importações. A Colômbia e o Equador são os principais fornecedores, com 93% dos produtos entrando no Brasil por via aérea para garantir a qualidade e a velocidade.
Desafios: logística, custos e mão de obra
Apesar do otimismo, o setor enfrenta obstáculos. A logística é o principal deles, devido à natureza perecível da mercadoria. A cadeia de frio e o transporte rápido são essenciais para evitar perdas.
Os custos de insumos, muitos importados e impactados pela alta do dólar, pressionam os produtores. Outro problema crônico é a escassez de mão de obra qualificada em todas as etapas, do cultivo à distribuição.
Cooperativa Holambra centraliza quase metade do comércio
A Cooperativa Veiling Holambra se mantém como a principal central de comercialização do país, responsável por cerca de 45% do volume total de flores e plantas vendidas no Brasil.
Foto: Cooperativa Veiling Holambra
Para os próximos anos, a aposta do setor está na expansão para novas regiões, como a Serra da Ibiapaba, no Ceará. O investimento em tecnologia—com estufas climatizadas e controle de irrigação—é crucial para ganhar eficiência e reduzir perdas.
A produção de rosas no Paraná atingiu 265,8 mil dúzias em 2023, distribuídas em dez municípios do estado, em preparação para o Dia das Mães, celebrado tradicionalmente no segundo domingo de maio no Brasil. A tradição associa a flor ao amor e a transforma em presente clássico da data. Produtores a cultivam em cidades como Marialva, Araruna, Sarandi, Mandaguari, Mandaguaçu, Francisco Beltrão, Bituruna, Farol, Maria Helena e Perobal.
Segundo o engenheiro agrônomo Paulo Andrade, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), “no Paraná, ainda que a floricultura seja pouco explorada, há um aquecimento do mercado acompanhando o que acontece no Brasil, e uma alavancagem nos negócios nas praças em que a atividade está estabelecida”.
Produção e receita da floricultura no Paraná
Em 2023, o setor de floricultura do Paraná gerou R$ 249,6 milhões em Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP), um aumento de 15,2% em relação a 2022, quando o VBP foi de R$ 216,7 milhões. Gramados e plantas perenes ornamentais dominam o segmento, com 72,1% da participação no VBP. As flores propriamente ditas, como orquídeas, crisântemos e roseiras, representam 16,1% do total da floricultura, enquanto outras 35 espécies somam 11,8%.
No caso específico das rosas, elas correspondem a 1,8% do valor total da floricultura no estado e 8,6% do segmento de flores. A produção de rosas gerou uma receita bruta de R$ 4,5 milhões em 2023.
Regiões produtoras e destaque para Marialva
A região de Maringá concentra 66,2% da produção estadual de rosas, com destaque para o município de Marialva, principal produtor do Paraná. Em 2023, Marialva colheu 100 mil dúzias de rosas, gerando receita de R$ 1,7 milhão, equivalente a 37,6% do total estadual. A região de Campo Mourão, com Araruna como destaque, responde por 30,1% da produção, com 80 mil dúzias cultivadas.
Variações na produção ao longo da última década
A produção de rosas para corte no Paraná apresentou variações significativas entre 2014 e 2023. No início desse período, foram colhidas 340,1 mil dúzias, enquanto o balanço mais recente indica 265,5 mil dúzias, uma redução de 21,8%. O auge ocorreu em 2017, com 950,1 mil dúzias, e o ponto mais baixo em 2021, durante a pandemia, com apenas 168,5 mil dúzias.
Apesar dessas oscilações, o VBP real deflacionado da produção de rosas manteve-se praticamente estável, com uma leve redução de 0,5%, passando de R$ 4,50 milhões para R$ 4,48 milhões. Por outro lado, a floricultura como um todo apresentou crescimento real de 8,1% no mesmo período, subindo de R$ 230,87 milhões para R$ 249,65 milhões.
Expectativa para o mercado de flores no Dia das Mães 2025
O Dia das Mães é uma das datas mais importantes para o setor de flores no Brasil, representando cerca de 16% do volume anual comercializado. Para 2025, a expectativa é de crescimento entre 8% e 10% nas vendas, impulsionada pela alta demanda por rosas, orquídeas, crisântemos e outras flores de corte e em vasos.
O setor se prepara para atender à demanda com produtos de alta qualidade. E cidades paranaenses produtoras de rosas seguem como importantes polos para abastecer o mercado nacional nesta data especial.
A sanção da Reforma Tributária no Brasil, que inclui a redução de 100% das alíquotas de Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) para produtos de floricultura, representa uma conquista significativa para o setor florista. Com a nova legislação, flores e plantas ornamentais, assim como hortas e cultivos para fins alimentares, poderão ser comercializados sem a incidência de impostos, impulsionando investimentos na área.
A decisão de isentar as alíquotas foi resultado da mobilização do setor, que argumentou que flores e plantas ornamentais possuem o mesmo grau de perecibilidade que legumes e frutas. Com a inclusão desses produtos na lista estendida da cesta básica, o segmento conseguiu evitar a aplicação da alíquota cheia de 27%. “Essa conquista abre novas oportunidades para o setor crescer ainda mais, incentivando o investimento em novos cultivos e inovação”, afirma Paula Lo Frano, gerente de marketing da Floral Atlanta.
Desafios com a alta do dólar
Apesar da boa notícia, o setor enfrenta novos desafios, especialmente com a recente alta do dólar. A valorização da moeda americana pode impactar os preços dos insumos agrícolas, como defensivos e fertilizantes, essenciais para o cultivo de flores e plantas ornamentais. “O cenário atual é desafiador, mas temos confiança na capacidade de adaptação do setor”, comenta Lo Frano.
Nos últimos anos, o mercado de flores e plantas ornamentais no Brasil tem mostrado um crescimento contínuo. Isso impulsionado pela valorização do consumo de produtos naturais e pela popularização da jardinagem. A isenção tributária representa um importante estímulo para a competitividade do setor, que já emprega milhares de pessoas em todo o país.
Compromisso com a sustentabilidade
A Floral Atlanta, parte do Grupo Polar, atua na produção de espuma floral e acessórios para floriculturas. A empresa vê a reforma tributária como uma oportunidade não apenas para expandir seus negócios, mas também para promover práticas sustentáveis dentro do mercado florista. “Estamos em uma posição estratégica para crescer e inovar, gerando mais empregos e investimentos sustentáveis”, conclui Lo Frano.
A reforma tributária que estabelece alíquota zero para o setor florista é um marco importante que pode transformar o panorama do agronegócio no Brasil. Embora os desafios persistam, especialmente com a alta do dólar, as novas oportunidades criadas pela isenção tributária prometem impulsionar investimentos. E também fortalecer o mercado de flores e plantas ornamentais no país.