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  • “Socorro”: pescador abandona cardumes de tainha por falta de compradores em SC

    “Socorro”: pescador abandona cardumes de tainha por falta de compradores em SC

    Um pescador artesanal da Barra da Lagoa, em Florianópolis, usou as redes sociais para denunciar as dificuldades enfrentadas durante a safra da tainha em Santa Catarina. O vídeo, publicado na noite da última quinta-feira (28), rapidamente repercutiu entre pescadores e moradores da região.

    Em tom de revolta, e cercado por milhares de tainhas na praia, o trabalhador afirmou que deixou de cercar três cardumes por causa da falta de estrutura para comercializar o pescado.

    “Não tem caixa, não tem caminhão, não tem comprador. Não sei se é monopólio em cima do pescador para baixar o preço, mas é isso que acontece com os pescadores. É uma vergonha”, desabafou.

    Segundo ele, os peixes permaneceriam na praia durante toda a noite devido à ausência de compradores interessados na carga.

    https://www.instagram.com/reel/DY55aRysxw9/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=MzRlODBiNWFlZA==

    Além disso, o pescador afirmou que o problema não acontece apenas na Barra da Lagoa. De acordo com ele, praias como Campeche, Lagoinha e Ingleses também enfrentam dificuldades semelhantes durante a safra.

    “Assim como a Barra da Lagoa está passando por essa situação, acredito que as outras praias também. Para nós, é difícil”, afirmou.

    Pescadores reclamam da cota da tainha

    O pescador também criticou a cota imposta pelo Ministério da Pesca, que limita a quantidade de tainhas capturadas durante a temporada.

    Segundo as regras atuais, os pescadores de Santa Catarina podem capturar até 5,2 mil toneladas de tainha entre maio e julho.

    Para ele, a combinação entre limite de pesca, falta de compradores e ausência de estrutura desestimula os trabalhadores da pesca artesanal.

    “Além do Ministério da Pesca impor em cima de nós a cota, não tem preço, não tem caixa, não tem caminhão. Para nós é um desestímulo muito grande para a pesca artesanal”, concluiu.

    11 mil tainhas

    Apesar das dificuldades relatadas pelos pescadores, a safra também registrou episódios de grande volume de captura em Santa Catarina.

    Recentemente, um grupo de pescadores catarinenses conseguiu capturar mais de 11 mil tainhas em uma única noite de trabalho no mar.

    Sem drones ou equipamentos tecnológicos avançados, os trabalhadores utilizaram técnicas tradicionais e experiência acumulada ao longo de gerações para acompanhar o deslocamento do cardume durante a madrugada.

    Foto: Reprodução/ Redes Sociais

    A operação exigiu horas de observação e coordenação entre os pescadores. Em seguida, eles conduziram os peixes até uma área rasa, estratégia conhecida no meio pesqueiro como “secar o peixe”.

    “De manhã deu certo”, contou o pescador Denir Matos, de 71 anos, durante entrevista concedida a uma emissora local.

  • Serra Catarinense aposta em frutas vermelhas para diversificar produção e atrair turismo

    Serra Catarinense aposta em frutas vermelhas para diversificar produção e atrair turismo

    Pequenas no tamanho, mas gigantes no impacto econômico e social. As frutas vermelhas conquistam cada vez mais espaço no agronegócio catarinense e, na Serra Catarinense, representam uma alternativa concreta para diversificar a produção e gerar renda.

    Foto: Embrapa

    Mirtilo, framboesa e amora adaptaram-se perfeitamente ao clima de altitude. Encontraram na amplitude térmica da região o ambiente ideal para se desenvolver, ocupando áreas que antes dependiam de ciclos produtivos mais longos, como o da madeira. O resultado é um movimento que integra produção, agroindústria, turismo rural e até mesmo um novo estilo de vida para quem decide deixar os grandes centros urbanos.

    A expansão da cultura ocorre graças ao planejamento, ao conhecimento acumulado e ao suporte técnico constante, principalmente da Epagri e da Embrapa, que acompanham de perto os produtores em diversos municípios da região.

    Do consumo nas cidades ao cultivo na serra

    O interesse pelas frutas vermelhas começa nos centros urbanos. Em Florianópolis, uma sorveteria na Praia dos Ingleses utiliza cerca de 35 quilos por semana durante o verão para atender à demanda dos clientes. O sabor campeão de vendas? Iogurte com mirtilo.

    Na Serra Catarinense, o cultivo ganhou escala. Em Urubici, o empreendedor Sandro Tasqueto iniciou a produção em 2008, após uma viagem à Patagônia. A adaptação das frutas de clima temperado à região despertou seu interesse. Ele explica que o sucesso da lavoura depende da amplitude térmica: madrugadas frias seguidas de tardes mais quentes aumentam o teor de açúcar natural das frutas.

    “Quanto maior a diferença entre a temperatura da madrugada e a do dia, melhor o chamado ‘brick’, que representa o açúcar natural da fruta”, detalha. Além disso, variedades como a framboesa necessitam de 400 a 500 horas anuais com temperaturas abaixo de 7 graus para garantir uma boa frutificação no verão.

    A propriedade de Tasqueto evoluiu ao longo dos anos. Hoje, envolve de 20 a 25 famílias parceiras na produção e comercializa cerca de 150 toneladas por ano em todo o Brasil. O sistema de recebimento inclui identificação e rastreabilidade das frutas, armazenamento em câmaras frias a temperaturas entre -21º e -22º e posterior embalagem.

    A agroindústria instalada no local também agrega valor com geleias, sobremesas e derivados. A cheesecake de frutas vermelhas tornou-se carro-chefe da propriedade, reforçando a integração entre a produção agrícola e a gastronomia.

    Diversificação produtiva surge como alternativa à madeira

    Para muitos municípios serranos, as frutas vermelhas apresentam-se como uma alternativa estratégica diante da fragmentação das propriedades e do longo ciclo da madeira.

    “O mirtilo vem como uma alternativa de renda, uma renda boa para pequenas áreas. Então, é uma outra alternativa, uma diversificação da propriedade e isso leva a uma melhoria da questão ambiental, da questão de qualidade de vida no interior, para as famílias que permanecem no campo, que moram no campo”, explica Andreia Andrade, extensionista da Epagri.

    Enquanto o pinus leva oito anos para o primeiro corte seletivo, o mirtilo garante renda anual previsível. A produção do empreendedor João Carlos Junior, que começou em 2016, alcança seis variedades e chega a Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Entre 70% e 80% seguem para a indústria; o restante é comercializado como orgânico, fresco ou congelado.

    A Epagri utiliza propriedades como a dele como unidades de referência para demonstrar a viabilidade técnica e econômica a outros agricultores. Em Otacílio Costa, outro exemplo reforça essa estratégia.

    O casal Clebs Peixoto e Edna Luz implantou cinco cultivares de amora e três de framboesa para testes de adaptação ao microclima local. A propriedade tornou-se unidade de referência técnica, mantendo troca constante com pesquisadores da Embrapa de Pelotas, Bento Gonçalves e Vacaria.

    O trabalho inclui avaliações de manejo, produtividade e adaptação climática, além do planejamento de expansão com foco em práticas ambientais responsáveis. Edna projeta a ampliação baseada em conceitos de sustentabilidade – ESG (Environmental, Social, and Governance) – e afirma: “Nós vamos trabalhar em alguns conceitos do ESG. Nós vamos trabalhar com a questão ambiental, corporativa, vamos trabalhar com responsabilidade social com a comunidade.” A proposta inclui uso de insumos naturais, energias renováveis e coleta consciente de água da chuva.

    Turismo, gastronomia e o movimento de retorno ao campo

    A produção de frutas vermelhas também impulsiona o turismo rural e o chamado “neorruralismo”. Em Urubici, visitantes colhem frutas diretamente no pomar, degustam geleias e sobremesas e vivenciam a experiência do campo.

    Sandro Tasqueto relata que, quando chegou à região, Urubici ainda era pouco conhecida. O investimento cresceu ao longo dos anos e hoje inclui hospedagem, passeios e loja própria. Em São Joaquim, jovens produtores investiram na produção e transformação das frutas, desenvolvendo geleias com combinações criativas e ampliando a distribuição para o litoral catarinense.

    A produção abastece confeitarias locais, como em Otacílio Costa, onde as frutas frescas facilitam a rotina e elevam a qualidade dos produtos. Da cheesecake servida em Urubici à torta preparada em Otacílio Costa, o que chega à mesa carrega muito mais do que sabor.

    Carrega a aprendizagem construída na tentativa e erro, as horas de frio acumuladas na madrugada serrana e o trabalho coletivo que começa no pomar. As frutas vermelhas podem ser pequenas, mas sustentam famílias, movimentam o turismo e redesenham a economia de municípios inteiros.

  • FIRMA 2024: Floripa recebe encontro internacional sobre aquicultura e pesca

    FIRMA 2024: Floripa recebe encontro internacional sobre aquicultura e pesca

    Florianópolis se prepara para mergulhar no centro das discussões mais importantes sobre o futuro dos oceanos e da nossa comida. De 17 a 21 de novembro, a capital catarinense sedia o XIII Fórum Ibero-Americano de Recursos Marinhos e Aquicultura (FIRMA). O evento é um caldeirão de ideias. Reúne mentes brilhantes de vários cantos do mundo. O objetivo é um só: garantir comida de qualidade na mesa e desenvolver o setor sem custar o planeta.

    Pela primeira vez, o FIRMA será híbrido. Participação presencial no Hotel Intercity, na SC-401, ou virtual de qualquer lugar do globo. A abertura oficial na segunda-feira, às 9h, conta com a presença de autoridades como o presidente da Epagri, Dirceu Leite.

    E a ciência catarinense tem voz ativa nesse cenário internacional

    Na terça-feira, o biólogo Felipe Suplicy, da Epagri, sobe ao palco. Ele vai falar de um desafio e uma oportunidade: o mexilhão invasor Mytilus galloprovincialis. Mas por que você deveria se importar? Porque Santa Catarina é o maior produtor nacional de moluscos. E o trabalho de Suplicy é referência. Tanto que, em 2024, ele levou esse conhecimento diretamente para a ONU. A criação de mexilhões como arma poderosa no combate à fome mundial.

    Já na quarta-feira, a inovação continua. Guilherme Rupp, também pesquisador da Epagri, apresenta os avanços no cultivo de um animal peculiar: o pepino-do-mar. Pouco consumido aqui, é uma iguaria valiosa na Ásia. Rupp, que integra a organização do Fórum, trabalha no cultivo integral da espécie em cativeiro. Uma promessa de renda nova para o litoral. Sustentabilidade pura.

    O Estado não para nos moluscos. Bruno Corrêa da Silva, outro pesquisador da Epagri, vai mediar a sessão sobre peixes de água doce. Sua especialidade? Genética e nutrição de tilápia. Um trabalho essencial. Santa Catarina hoje é o quarto maior produtor da espécie no Brasil. São mais de 30 mil piscicultores movimentando a economia. Gerando toneladas de proteína de qualidade.

    O FIRMA em Florianópolis não é só um evento. É a prova de que a resposta para grandes desafios globais muitas vezes começa em águas locais. Com pesquisa. Com dedicação. E com a coragem de inovar.