Tag: Flor

  • Inteligência artificial substitui análise humana na classificação de flores

    Inteligência artificial substitui análise humana na classificação de flores

    A avaliação da qualidade das flores, tradicionalmente realizada por profissionais, ganhou um novo aliado tecnológico.

    Características como coloração das pétalas, integridade do caule e proporção das hastes, que sempre dependeram da análise humana, agora podem ser identificadas por meio de inteligência artificial.

    Análise em tempo real

    A empresa chinesa Focusight Technology, especializada em visão computacional aplicada ao agronegócio, desenvolveu uma máquina classificadora inteligente capaz de analisar flores em tempo real e separá-las automaticamente conforme padrões de qualidade previamente definidos.

    O processo inicia-se com a alimentação de um banco de dados contendo até 200 imagens da variedade de flor que será trabalhada. Dessa forma, a inteligência artificial aprende os padrões visuais da espécie e passa a reconhecer características como tamanho das hastes, quantidade de folhas e demais atributos relevantes para a classificação.

    Após essa etapa, apenas quatro funcionários são necessários para abastecer o equipamento. Em seguida, a máquina realiza tanto a análise quanto o empacotamento das flores, alcançando uma capacidade de processamento de até 10 mil hastes por hora.

    O sistema opera por meio de uma linha de processamento onde os operadores posicionam as flores em suportes específicos. Ao longo da esteira, as hastes passam por um conjunto de câmeras de alta resolução e sensores ópticos, que capturam imagens sob diferentes ângulos.

    Máquina de classificação de rosas — Foto: Divulgação/Focusight

    Algoritmos treinados para reconhecer padrões visuais processam instantaneamente as informações coletadas, e assim a máquina direciona automaticamente cada flor para sua categoria correspondente.

    Tendência no mercado de flores

    Segundo Maurício Torres, representante da Focusight Technology no Brasil, a inovação já desperta atenção em importantes regiões produtoras ao redor do mundo.

    “Essa tecnologia já desperta interesse em diferentes polos produtores ao redor do mundo. Existe uma tendência crescente de automação na floricultura comercial, especialmente em um cenário marcado pela busca por mais eficiência, escassez de mão de obra e exigências cada vez maiores dos compradores”, afirma.

    Atualmente, a Focusight Technology já comercializa o equipamento em mercados consolidados da floricultura mundial, como Holanda, Colômbia, Equador e Quênia.

    De acordo com Torres, a utilização da inteligência artificial reduz a subjetividade presente nos processos tradicionais de classificação.

    O executivo acrescenta ainda que a tecnologia pode transformar a forma como o produto chega ao consumidor final.

    “Em um mercado em que aparência e uniformidade determinam o valor do produto, a tecnologia pode redefinir o modo como as flores chegam aos consumidores, com uma operação guiada por algoritmos e precisão visual”, completa.

    A adoção de soluções automatizadas também pode contribuir para solucionar um dos principais desafios da cadeia produtiva nacional. Segundo dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Floricultura (IBraflor), a floricultura brasileira faturou R$ 21,2 bilhões em 2024, demonstrando avanços para o setor.

     

  • Flor-Cadáver, com cheiro de carne podre, floresce em fenômeno raro

    Flor-Cadáver, com cheiro de carne podre, floresce em fenômeno raro

    O Jardim Botânico da Universidade de Varsóvia recebeu, em 5 de agosto, um espetáculo raro: o florescimento da Amorphophallus titanum, a famosa flor-cadáver. Considerada a flor mais fedorenta do mundo, ela liberou odor semelhante ao de carne em decomposição para atrair besouros e moscas necrófagas, garantindo a polinização natural.

    O fenômeno, registrado apenas pela segunda vez na Polônia, ganhou transmissão ao vivo pelo YouTube e atraiu centenas de visitantes. Em poucos dias, a flor atingiu o auge e murchou rapidamente, surpreendendo especialistas pela velocidade do ciclo.

    Originária de Sumatra, na Indonésia, a flor-cadáver pertence à família Araceae e pode atingir até 3 metros de altura. Ela precisa de um ciclo vegetativo de 7 a 10 anos para acumular energia suficiente na corme subterrânea, que chega a pesar mais de 50 kg.

    Foto: @OgrodBotanicznyUW

    A inflorescência se forma com uma espádice envolta por uma espata verde-clara por fora e púrpura por dentro. Durante o florescimento, a planta libera calor — fenômeno chamado termogênese — para intensificar o cheiro e atrair polinizadores a longas distâncias.

    O cultivo da flor-cadáver exige solo arenoso-humífero, rico em matéria orgânica e, além disso, bem drenado, com pH neutro ou levemente ácido. Além disso, a temperatura ideal gira em torno de 22 °C, enquanto a umidade precisa se manter próxima de 75%, com preferência por áreas de meia-sombra. Para completar, produtores controlam a irrigação e aplicam adubação rica em potássio e fósforo, garantindo assim o acúmulo de reservas para o próximo florescimento.

    O que o agro pode aprender com o manejo da flor-cadáver

    Foto: @OgrodBotanicznyUW

    No setor agro, o manejo dessa espécie reforça a importância de unir nutrição de plantas, controle de microclima e respeito ao ciclo natural. Dessa forma, essas práticas não apenas favorecem o desenvolvimento saudável, como também podem aumentar a produtividade de culturas sensíveis e de alto valor agregado.

    O breve desabrochar da flor-cadáver mostra que, assim como na agricultura, a paciência e o manejo preciso transformam anos de espera em resultados extraordinários.