Tag: Fiocruz

  • Cocaína é encontrada em tubarões na costa do Rio de Janeiro

    Cocaína é encontrada em tubarões na costa do Rio de Janeiro

    Pesquisadores identificaram resíduos de cocaína em tubarões e raias capturados na costa da zona Oeste do Rio de Janeiro. Além da droga, eles também encontraram antibióticos, anti-inflamatórios, pesticidas e outros contaminantes capazes de afetar os ecossistemas marinhos.

    A descoberta foi publicada na revista científica ScienceDirect por pesquisadores do Laboratório de Avaliação e Promoção da Saúde Ambiental da Fiocruz. Segundo o estudo, essas substâncias fazem parte do grupo conhecido como Contaminantes de Preocupação Emergente (CEC), compostos que ainda não são monitorados regularmente, embora possam representar riscos para a vida marinha e, indiretamente, para a saúde humana.

    O que o estudo encontrou

    Os cientistas analisaram amostras de fígado, cérebro e músculos de tubarões e raias coletados no mar do Recreio dos Bandeirantes. Ao todo, identificaram contaminantes em sete animais.

    Entre as espécies avaliadas estavam a raia-borboleta (Gymnura altavela) e os tubarões-martelo (Sphyrna lewini e Sphyrna zygaena) — Foto: Portal dos Animais

    Uma das raias apresentou a maior diversidade de substâncias, incluindo cocaína, benzoilecgonina (principal metabólito da droga), além dos medicamentos diclofenaco, sulfametoxazol e piroxicam, e do pesticida fipronil.

    Contaminação pode estar ligada ao esgoto

    Além disso, a presença simultânea de cocaína e benzoilecgonina indica uma exposição recente aos contaminantes. Em duas raias, os níveis de cocaína foram superiores aos do metabólito, o que sugere contato contínuo com a substância.

    Segundo os autores, esse cenário pode estar relacionado ao despejo de esgoto na Barra da Tijuca e ao avanço da urbanização no Recreio dos Bandeirantes, fatores que aumentam a pressão sobre os ecossistemas costeiros.

    Descoberta acende alerta para a conservação

    Embora as concentrações encontradas tenham sido baixas, os pesquisadores ressaltam que essas substâncias são de origem humana e não deveriam estar presentes nesses animais.

    Por isso, a descoberta amplia as preocupações com espécies que já enfrentam ameaças como a degradação do habitat, o desenvolvimento costeiro e a captura acidental na pesca.

    Todos os exemplares foram doados por pescadores artesanais entre 2021 e 2023 e pertencem a espécies classificadas pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) como vulneráveis, em perigo ou criticamente ameaçadas.

  • Gigante de 500 anos: Fiocruz descobre jequitibá-rosa centenário

    Gigante de 500 anos: Fiocruz descobre jequitibá-rosa centenário

    Pesquisadores da Fiocruz Mata Atlântica descobriram um jequitibá-rosa (Cariniana legalis) com cerca de 500 anos de idade e 40 metros de altura no Parque Estadual da Pedra Branca, em Guaratiba. O feito inédito revela um patrimônio natural escondido na maior floresta urbana do mundo.

    A localização específica, a um quilômetro no interior da mata e a 200 metros de altitude, ajudou a proteger este gigante ao longo dos séculos. Os biólogos Monique Medeiros Gabriel e Jaílton Costa, da Fiocruz, atribuem a conservação da árvore ao acesso restrito permitido por meio do Sítio Jequitibá-Rosa. Essa propriedade particular preserva outros exemplares da espécie e um importante remanescente florestal com grande diversidade de plantas.

    O biólogo Thiago Fernandes, também da Fiocruz Mata Atlântica, alerta que o jequitibá-rosa é uma espécie exclusiva da Mata Atlântica. E está ameaçada de extinção, principalmente devido à extração de madeira e à perda de habitat. Para combater esse risco, os pesquisadores já iniciaram um trabalho de conservação: marcaram a árvore para a coleta de sementes e produção de mudas no horto da Fiocruz. O objetivo é reintroduzir a espécie na natureza, seguindo as recomendações do Centro Nacional de Conservação da Flora (CNCFlora).

    O registro do jequitibá-rosa faz parte do projeto Biota Pedra Branca. Que visa ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade local e auxiliar na construção de um sistema de vigilância para zoonoses silvestres. A pesquisa ocorre no âmbito da Estação Biológica Fiocruz Mata Atlântica (EBFMT). Ela foi fundada em 2016 como a primeira estação biológica do Ministério da Saúde e a primeira do mundo com foco principal na interface entre biodiversidade e saúde.

    Floresta da Pedra Branca 

    A Mata Atlântica é um bioma rico em biodiversidade. Porém, ameaçado de extinção com grande variedade de espécies de plantas e de animais, algumas dessas endêmicas.  Está presente em 15% do território brasileiro e é a segunda maior floresta tropical do Brasil. Neste contexto, a Floresta da Pedra Branca é o maior remanescente de Mata Atlântica na cidade do Rio de Janeiro e a maior floresta urbana do mundo. Essa floresta está localizada na zona Oeste do Rio de Janeiro, onde o campus da Fiocruz Mata Atlântica está inserido.

    Por ser um campus diferenciado em suas características geográficas, situado na fronteira entre a área urbana e a floresta remanescente da Mata Atlântica, a Fiocruz Mata Atlântica realiza projetos e ações que contam com a participação da população para contribuir com o desenvolvimento da região de forma saudável e sustentável.

  • Pesquisadores identificam vírus raro de encefalite equina na fronteira amazônica

    Pesquisadores identificam vírus raro de encefalite equina na fronteira amazônica

    Pesquisadores da Fiocruz identificaram três casos humanos de encefalite equina venezuelana no Amazonas. A descoberta marca a primeira detecção do vírus em residentes brasileiros de Tabatinga, município na fronteira com Colômbia e Peru.

    Dois homens e uma mulher contraíram a doença na região do Alto Solimões em 2025. Os cientistas confirmaram os diagnósticos através de PCR em tempo real e sequenciamento genético.

    Projeto FrontFever mapeia doenças febris em áreas de fronteira

    O projeto FrontFever viabilizou a detecção dos casos. A iniciativa monitora doenças febris agudas em regiões amazônicas de fronteira, áreas com intensa circulação de agentes infecciosos.

    “Nossos achados identificam o VEEV como uma causa subdiagnosticada de doença febril aguda na Amazônia brasileira”, explica Felipe Gomes Naveca, virologista do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia).

    A equipe publicou os resultados da pesquisa como pré-print no último dia 21. O estudo recebe financiamento da Fapeam, CNPq e INCT-VER.

    Vírus pode causar sequelas neurológicas graves

    A encefalite equina venezuelana é uma doença viral transmitida por mosquitos. O alphavirus afeta tanto humanos quanto equinos, causando inflamação cerebral.

    A doença pode deixar sequelas motoras, cognitivas, comportamentais e emocionais. Estas complicações afetam diretamente a qualidade de vida do paciente. Contudo, a maioria dos casos evolui como doença febril sem consequências graves.

    O vírus já é endêmico no norte da América do Sul e América Central. Casos nos Estados Unidos são raros.

    Vigilância genômica identifica patógeno negligenciado

    A Fiocruz informou as autoridades de saúde sobre os casos em 31 de julho. O município de Tabatinga emitiu posteriormente um alerta de risco.

    Naveca coordena o Núcleo de Vigilância de Vírus Emergentes, Reemergentes ou Negligenciados da Fiocruz Amazônia. Ele também integra a Rede Genômica da Fundação.

    “A Rede ampliou sua atuação para outros vírus, como dengue, zika, chikungunya, oropouche e mayaro”, destaca o pesquisador.

    O Sistema Único de Saúde (SUS) monitora atualmente os casos identificados. O genoma parcial do vírus está disponível no GenBank desde 18 de agosto.

    Diversos institutos participaram do estudo: Fundação de Medicina Tropical Dr Heitor Vieira Dourado, IOC/Fiocruz, Fundação de Vigilância em Saúde Dra Rosemary Costa Pinto, Fiocruz Rondônia e Lacen-AM.

    A descoberta reforça a importância da vigilância genômica no enfrentamento de arbovírus emergentes, especialmente na região amazônica.

     

  • Paraná inaugura maior biofábrica mundial de mosquitos contra dengue

    Paraná inaugura maior biofábrica mundial de mosquitos contra dengue

    O Paraná inaugurou neste sábado (19) a maior biofábrica mundial de mosquitos Aedes aegypti com bactéria Wolbachia. A unidade funciona no Parque Tecnológico da Saúde do Governo do Paraná, em Curitiba. A fábrica ampliará a produção em larga escala dos chamados “Wolbitos” para o controle biológico da dengue, chikungunya e zika vírus.

    A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) desenvolveu e aplicou o método Wolbachia no Brasil. Desde 2024, o Ministério da Saúde incorporou a técnica às estratégias nacionais de combate às arboviroses.

    A nova unidade produzirá até 100 milhões de ovos de mosquitos semanalmente. O Governo do Estado estabeleceu parceria com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) para viabilizar a implantação. A fábrica priorizará municípios com alto risco de transmissão de arboviroses.

    A biofábrica ocupa mais de 3,5 mil metros quadrados de área construída. Cerca de 70 funcionários operarão equipamentos de automação para criação dos mosquitos com bactéria Wolbachia. A Wolbito do Brasil administra a nova unidade para suprir a crescente demanda nacional pelo Método Wolbachia.

    Benefícios alcançarão 140 milhões de brasileiros

    A unidade atenderá a demanda do Ministério da Saúde. Os mosquitos Wolbitos chegarão a diversas regiões do Brasil, com prioridade para municípios de alto risco de dengue. A previsão indica que aproximadamente 140 milhões de brasileiros serão beneficiados ao longo de 10 anos de atividade.

    “A inauguração desta unidade coloca o Paraná em destaque nacional no uso de tecnologia avançada e sustentável no combate às arboviroses para todo o país”, declarou o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto.

    O Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP) e o World Mosquito Program (WMP) coordenarão a biofábrica. O WMP detém a patente da tecnologia. O IBMP resulta de parceria entre a Fiocruz e o Governo do Paraná, através do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar).

    Eduardo Marafon, diretor-presidente do Tecpar, destacou que a escolha do Paraná reforça o compromisso do Estado com soluções inovadoras para a saúde pública.

    “O Parque Tecnológico da Saúde promove a área de biotecnologia, atrai novas empresas e apoia o fornecimento de novas soluções para o país. Três empresas de referência – Tecpar, Fiocruz e IBMP – trabalham juntas em projetos importantes”, afirmou.

    Brasil assume liderança mundial na tecnologia

    O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participou da inauguração. Ele enfatizou que nenhum lugar no mundo produz essa quantidade de mosquitos com essa tecnologia.

    Foto: Hedeson Alves/TECPAR

    “A inauguração dessa fábrica coloca o Brasil na linha de frente dessa tecnologia para todo mundo. É importante contar com instituições públicas que permitem expandir parcerias com empresas nacionais e internacionais para a produção de novas tecnologias”, declarou Padilha.

    O método Wolbachia reforça as ações de enfrentamento à dengue, zika e chikungunya no Paraná. Desde 2019, o Comitê Intersetorial de Controle da Dengue intensificou as estratégias de prevenção e combate.

    As iniciativas envolvem orientação aos municípios sobre novas tecnologias, capacitações, treinamentos e ações sociais. O trabalho inclui mutirões para eliminação de criadouros, campanhas de conscientização, aplicação de inseticidas e atendimento clínico qualificado.

    Primeiras aplicações já mostraram resultados

    Em julho de 2024, o Paraná iniciou o método em Foz do Iguaçu e Londrina. As equipes liberaram aproximadamente 94 milhões de mosquitos nessas cidades. As biofábricas locais encerraram atividades em maio e junho após finalizar o projeto.

    A Sesa já iniciou tratativas com o Ministério da Saúde para continuidade e expansão do método nas duas cidades. O objetivo é contemplar 100% do território dos dois municípios.

    Pesquisadores australianos desenvolveram o Método Wolbachia. O processo envolve liberação de mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia. Estes se reproduzem com a população local e formam nova geração de mosquitos com a mesma bactéria.

    Os pesquisadores do WMP introduziram em laboratório a bactéria Wolbachia dentro dos ovos de Aedes aegypti. A bactéria está presente em aproximadamente 50% dos insetos no mundo. Quando presente no mosquito, ela impede o desenvolvimento dos vírus da dengue, chikungunya e zika vírus.

    Método sustentável sem modificação genética

    A tecnologia não envolve modificação genética. Ao longo do tempo, torna-se autossustentável e mantém-se na população de mosquitos. Essa característica elimina a necessidade de novas liberações e torna a estratégia eficaz, segura e acessível a longo prazo.

    O método já funciona em oito cidades brasileiras: Niterói (RJ), Rio de Janeiro (RJ), Londrina (PR), Foz do Iguaçu (PR), Campo Grande (MS), Joinville (SC), Belo Horizonte (MG) e Petrolina (PE). O Ministério da Saúde seleciona os municípios e a Wolbito do Brasil implementa o projeto com apoio da Fiocruz.

    O último boletim epidemiológico de arboviroses da Sesa, divulgado na terça-feira (15), mostra a gravidade da situação no Paraná. O Estado registrou este ano 85.611 casos confirmados e 107 óbitos por dengue. A chikungunya confirmou 5.135 casos e cinco mortes. O zika vírus não apresentou confirmações de casos e óbitos no período.