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  • Debate na Câmara aponta lacunas socioambientais nos Fiagros

    Debate na Câmara aponta lacunas socioambientais nos Fiagros

    A expansão dos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros) reacendeu o debate sobre a necessidade de regras mais rígidas para o setor. Especialistas defenderam, nesta terça-feira (30), a adoção de critérios de transparência, rastreabilidade e controle socioambiental semelhantes aos exigidos no crédito rural público.

    debatedores na Camara em audiência sobre Fiagros
    Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

    O tema foi discutido durante audiência da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados, em meio ao crescimento acelerado desses fundos e à preocupação com o uso de recursos privados em práticas ilegais, como desmatamento, grilagem de terras e trabalho análogo à escravidão.

    Crescimento acelerado dos Fiagros

    Dados do Ministério da Agricultura mostram que o volume de operações com Fiagros cresceu 1.641% entre 2022 e 2026, período em que o instrumento passou a operar no país. Apesar da expansão, os fundos ainda representam uma parcela menor dos recursos do Plano Safra.

    Segundo o professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Sérgio Pereira Leite, o mercado já reúne mais de 200 operações, incluindo fundos ativos, encerrados e não efetivados. Para ele, a falta de transparência ainda limita o controle público e a avaliação dos impactos desses investimentos.

    “O mercado precisa avançar em accountability para que sociedade e Estado acompanhem os impactos sociais, econômicos e ambientais das operações”, afirmou.

    Casos levantam alerta no mercado

    Investigações conduzidas pela organização Repórter Brasil identificaram inconsistências na aplicação de recursos de Fiagros. De acordo com o secretário-executivo da entidade, Marcel Gomes, um dos fundos analisados direcionou capital a um grupo do agronegócio em Mato Grosso envolvido em infrações ambientais.

    Mesmo após a entrada da empresa em recuperação judicial, o fundo manteve valorização no mercado, o que, segundo Gomes, evidencia falhas na avaliação de risco. “Os investidores precisam de mais clareza sobre a origem dos ativos e o destino dos recursos para mensurar corretamente os riscos”, destacou.

    Lacuna regulatória no mercado privado

    O deputado Nilto Tatto (PT-SP), que solicitou a audiência, ressaltou que o crédito rural do Plano Safra já segue regras definidas pelo Banco Central e pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que proíbem o financiamento a responsáveis por crimes ambientais e violações trabalhistas.

    Para o parlamentar, o mercado privado ainda opera sem restrições equivalentes. “Existe um vácuo regulatório. Fiagros, CRAs, LCAs e CDCAs movimentam bilhões sem as mesmas exigências socioambientais”, afirmou.

    O procurador do Ministério Público Federal (MPF), Ricardo Negrini, defendeu a ampliação do controle sobre esses fundos. Segundo ele, maior transparência permite que investidores avaliem melhor os riscos e fortalece a responsabilidade no uso do capital privado.

    Propostas para aumentar a transparência

    Especialistas também apresentaram sugestões para aprimorar a regulamentação dos Fiagros. Entre as propostas, está a obrigatoriedade de identificar o devedor final das operações e os riscos socioambientais associados aos investimentos.

    Para a diretora de Estratégia do Instituto Dados, Maria Eduarda Sena Muri, a ausência de exigências claras compromete a precificação adequada dos ativos. “O mercado não consegue precificar riscos que a regulação não obriga a enxergar”, afirmou.

  • Títulos do agronegócio crescem e atingem R$ 1,2 Trilhão

    Títulos do agronegócio crescem e atingem R$ 1,2 Trilhão

    Os títulos destinados ao financiamento do agronegócio brasileiro com recursos privados atingiram a marca de R$ 1,203 trilhão ao fim de novembro de 2024, representando um crescimento de 31,5% em relação ao ano anterior. O “Boletim de Finanças Privadas do Agro”, publicado pelo Ministério da Agricultura (Mapa), apresenta os dados.

    Esse aumento significativo no estoque é impulsionado principalmente pelas Cédulas de Produto Rural (CPR), Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA). No mesmo período do ano passado, os estoques desses títulos somavam R$ 915,26 bilhões. Em outubro de 2024, o estoque já havia alcançado R$ 1,175 trilhão.

    O maior crescimento foi registrado nas CPRs, que apresentaram um aumento impressionante de 59% em novembro. Desta forma, passando de R$ 293,40 bilhões para R$ 465,25 bilhões em relação ao mesmo mês do ano anterior. No entanto, o tíquete médio dos títulos caiu 7%, passando de R$ 1,50 milhão para R$ 1,39 milhão.

    Desempenho dos certificados e letras

    Além das CPRs, outros títulos também mostraram crescimento. Os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCAs) aumentaram 23%, totalizando R$ 37,99 bilhões. Já os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) registraram um crescimento de 20%, alcançando R$ 148 bilhões.

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    As Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) tiveram uma alta de 14% na comparação anual, atingindo R$ 510,37 bilhões. As LCAs se tornaram a principal fonte de recursos livres para a concessão de crédito rural, com pelo menos R$ 255,19 bilhões reaplicados no financiamento rural. Isso representa um aumento de 14% em relação ao ano anterior.

    Patrimônio líquido dos Fiagros

    Os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas do Agronegócio (Fiagros) também mostraram resultados positivos. O patrimônio líquido desses fundos chegou a R$ 41,30 bilhões ao fim de outubro, representando um avanço anual de 127%, distribuído em 119 fundos administrados.

    A Coordenação-Geral de Instrumentos de Mercado e Financiamento do Departamento de Política de Financiamento ao Setor Agropecuário da Secretaria de Política Agrícola do Mapa levanta os títulos do agronegócio. Instituições como B3, CERC, CRDC, Anbima, Comissão de Valores Mobiliários e Banco Central do Brasil fornecem os dados para esse levantamento.

    O crescimento significativo dos títulos do agronegócio reflete a robustez e a resiliência do setor diante das adversidades econômicas. Com o aumento no acesso a recursos financeiros através dessas ferramentas, espera-se que os produtores rurais possam investir mais em suas atividades e contribuir ainda mais para a segurança alimentar e o desenvolvimento econômico do Brasil.