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  • Casal transforma 11 hectares em fazenda leiteira recordista

    Casal transforma 11 hectares em fazenda leiteira recordista

    Todos os dias, antes do sol nascer sobre as pastagens da Fazenda Córrego do Monjolo, em Açucena, na região Leste de Minas Gerais, Melquisedeque Alves de Oliveira e a esposa, Rosemary Gonçalves, preparam o gado para a primeira ordenha do dia. O casal repete o processo à tarde e mantém, hoje, uma das produções leiteiras mais eficientes da região: nove vacas em lactação geram cerca de 250 litros diários, uma média de 27,7 litros por animal. Um patamar que costuma ser considerado excelente até em fazendas de grande porte.

    Foto: Arquivo Pessoal

    O resultado não veio por acaso. Melqui cresceu na mesma propriedade onde vive atualmente e viu o pai conduzir o trabalho de forma tradicional, sem o uso de técnicas de manejo. Ao assumir sua parte da fazenda, em 1998, decidiu seguir outro caminho. “Tinha em mente que precisava de planejamento e de metas para produzir mais e melhor”, afirma.

    O desafio era grande: apenas 11 hectares produtivos, em um terreno montanhoso, deixavam pouca margem para erros. Ao lado de Rosemary, que também cresceu no campo, o produtor toca a atividade e cuida de um rebanho de 33 cabeças há nove anos. “Ela gosta mais da produção de leite do que eu”, brinca Melqui. “Digo que sigo ainda mais firme na atividade porque vejo o quanto ela ama isso.”

    Genética, manejo e gestão elevam a produtividade

    Melqui investiu em cursos e capacitações para melhorar continuamente a atividade e apostou primeiro no melhoramento genético do rebanho. Em 2020, a Cooperativa dos Produtores Rurais de Virginópolis (Cooprovi) selecionou o produtor para participar do Sebraetec FIV, programa do Sebrae Minas que amplia o acesso de pequenos produtores à tecnologia de fertilização in vitro. “Ver os primeiros animais resultantes do programa crescerem e produzirem foi uma satisfação muito grande”, relata.

    Faltava, porém, um método consistente de trabalho. Em 2021, o analista do Sebrae Minas Claudinei Gomes indicou a Melqui o Educampo Leite, programa que oferece assistência técnica e gerencial com foco em indicadores de produção. A partir daí, o casal retirou o gado do pasto e adotou o regime semiconfinado, com fornecimento de silagem de milho 24 horas por dia. “Em poucos dias, observamos o resultado”, conta.

    Média

    A mudança fez a média de produção por vaca saltar de 15 para 20 litros diários logo nas primeiras semanas. Em 2025, o indicador se consolidou em 22,96 litros por vaca ao dia. Ou seja, acima da média de 18,49 litros registrada pelo grupo acompanhado pelo Educampo. A fazenda também bateu recorde de produção: 403 litros de leite por dia e 147.363 litros ao longo do ano, o equivalente a 13.362 litros por hectare. O número supera em mais do dobro a média do grupo, de 4.682 litros por hectare ao ano, e fica quase três vezes acima da referência de mercado, de 5 mil litros por hectare ao ano.

    Em picos de lactação, alguns animais chegam a produzir 52 quilos de leite, o equivalente a cerca de 50 litros por dia. O desempenho rendeu ao casal o primeiro lugar em três categorias no último torneio do grupo Educampo: produção por área, taxa de lotação (1,59 vaca por hectare, contra média de 0,63 do grupo) e teor de gordura no leite (3,98%). Os resultados chamam ainda mais atenção porque a fazenda enfrenta condições de terreno que encarecem a produção de silagem. O composto para alimentação do gado consome 26,5% da renda bruta da propriedade.

    Trabalho em família e atenção individual ao rebanho

    Na Fazenda Córrego do Monjolo, cada vaca recebe acompanhamento individual. A equipe monitora nutrição, saúde, conforto e ciclo reprodutivo dos animais 24 horas por dia. Melqui e Rosemary dividem o manejo diário com a irmã dela e o cunhado, donos da propriedade vizinha, além da mãe de Rosemary e do sobrinho do casal, que sonha em cursar Medicina Veterinária.

    Para Melqui, o maior aprendizado do processo não veio de planilhas ou indicadores, mas de uma constatação prática que o Educampo reforça no dia a dia: o animal bem cuidado produz mais, adoece menos e vive mais. “Tudo o que fazemos em termos de manejo e cuidado volta em forma de resultado. O animal responde”, diz.

    O programa também deu ao produtor ferramentas para planejar os próximos investimentos do negócio. Em 2025, Melqui reinvestiu cerca de 22% da renda bruta na propriedade, distribuídos entre mecanização (45,7%), benfeitorias (35,3%) e genética e rebanho (19%). A fazenda já conta com sete animais provenientes do Sebraetec FIV, cinco Girolando meio-sangue e dois Holandês Puro de Origem. E o produtor planeja ampliar gradualmente o rebanho para 60 cabeças da raça Holandesa, mais adaptável ao clima e ao relevo da região.

    Próximos passos miram produção de mil litros por dia

    Os planos futuros incluem a construção de um galpão com capacidade para até 30 animais em lactação, com sistema Compost Barn, autossuficiência na produção do composto de alimentação e fosso de ordenha equipado com resfriador. “A meta é chegar a mil litros de leite por dia. Como 2023 e 2024 foram muito bons, iniciamos a terraplanagem do galpão. Mas este ano resolvemos rentabilizar para retomar o projeto com recursos da própria fazenda, evitando a tomada de crédito”, explica Melqui.

    Nessa trajetória, a Cooprovi teve papel central. Há seis anos, quando laticínios encerravam operações na região, a cooperativa iniciou suas atividades e cresceu junto com os produtores locais, ampliando a captação de 400 para cerca de 4 mil litros de leite por dia. “Se não fosse a Cooprovi, hoje não existiríamos mais aqui”, resume o produtor. Para o novo ciclo de melhorias, ele aposta no lançamento do programa Qualidade do Leite, do Sebrae Minas.

    Dados da fazenda podem beneficiar toda a cadeia produtiva

    Os resultados obtidos pelo Educampo Leite na Fazenda Córrego do Monjolo devem contribuir para o aprimoramento das boas práticas na produção leiteira em todo o estado. Um acordo de cooperação firmado recentemente entre o Sebrae Minas e a Embrapa Gado de Leite prevê a análise estruturada dos dados coletados pelo programa. “O Educampo tem um acompanhamento muito próximo, que ajuda a desenvolver a nossa competitividade e atrair mercado. Hoje temos metas, acompanhamento e direção”, afirma Melqui.

    O acordo tem foco no fortalecimento da cadeia produtiva do leite em Minas Gerais e vai usar os registros do Educampo como referência para o desenvolvimento de painéis e ferramentas digitais. Essas ferramentas devem identificar tendências de mercado, oportunidades de melhoria e indicadores estratégicos para a gestão de fazendas leiteiras. Na prática, os resultados conquistados pelo casal poderão embasar diagnósticos mais precisos sobre a pecuária leiteira mineira, gerando conhecimento útil para produtores, técnicos e agentes do setor em todo o estado.

  • Dieta de alta energia aumenta em 21% a produção de embriões bovinos

    Dieta de alta energia aumenta em 21% a produção de embriões bovinos

    A Embrapa Cerrados (DF) e a Universidade de Brasília (UnB) comprovam que planos alimentares de alta densidade energética aplicados em curto prazo aumentam em 21% a produção de embriões in vitro em novilhas pré-púberes.

    O estudo revela que a estratégia, embora mais cara, garante retorno financeiro até 2,8 vezes maior em relação à dieta convencional. Os pesquisadores também descobriram que a melatonina, hormônio natural com propriedades antioxidantes, potencializa os resultados ao melhorar a qualidade embrionária.

    Os testes com novilhas pré-púberes da raça Nelore submetidas ao regime nutricional diferenciado mostraram resultados expressivos. Os animais aumentaram a produção de ovócitos e embriões, apresentaram maior peso corporal e acumularam mais gordura na carcaça. Essas mudanças permitiram que as novilhas alcançassem mais precocemente o peso ideal para reprodução.

    “A melhoria da eficiência reprodutiva e a redução da idade do parto em fêmeas contribuem para a eficiência econômica dos sistemas de produção de bovinos de corte e de leite”, afirma Carlos Frederico Martins, pesquisador da Embrapa Cerrados. O especialista explica que a estratégia minimiza problemas de reprodução tardia em raças como a Nelore e acelera os programas de melhoramento genético ao reduzir o intervalo entre gerações.

    Prenhez precoce reduz custos de produção

    Martins destaca um dado crucial: “Quanto mais jovens as novilhas ficarem prenhas e deixarem descendentes, mais compensador é para o sistema financeiramente”. Estudos demonstram que quando a primeira prenhez ocorre aos 14 meses, em vez de aos 24 meses (idade adulta), os custos de produção diminuem significativamente, mesmo com um manejo preparatório diferenciado para as fêmeas.

    O pesquisador explica que novilhas pré-púberes disponibilizam um maior número de folículos ovarianos para aspiração e produção de embriões em laboratório. Contudo, as taxas de produção de embriões in vitro das fêmeas nessa faixa etária costumam ser inferiores às de vacas adultas. O peso e a gordura corporal figuram entre os principais fatores que influenciam a idade da puberdade e a precocidade sexual das fêmeas, refletindo diretamente o nível de alimentação durante o crescimento.

    Pesquisas anteriores mostram que novilhas entre quatro e nove meses de idade demonstram maior sensibilidade aos efeitos da antecipação da puberdade resultante do maior fornecimento de nutrientes. Nessa fase, a suplementação adequada pode aumentar significativamente a produção e a qualidade de ovócitos e embriões. A ingestão de energia constitui o principal fator nutricional que afeta a reprodução em bovinos, embora ainda existam poucos dados de pesquisa relacionando os reflexos de dietas mais energéticas em fêmeas jovens.

    “Nossa hipótese era de que o aumento na quantidade e na qualidade dos ovócitos em novilhas pré-púberes alimentadas com dietas de alta densidade energética está relacionado ao melhor desenvolvimento corporal e à deposição moderada de gordura promovida por essa suplementação alimentar”, observa Martins. O pesquisador salienta que essa estratégia gera maior disponibilidade de metabólitos e melhora o equilíbrio hormonal nos animais, reconhecendo a importância da gordura corporal para o início da puberdade e o alcance da maturidade sexual.

    Protocolo experimental simula condições reais de fazendas

    No experimento conduzido na Embrapa Cerrados, 34 novilhas da raça Nelore pré-púberes, pesando cerca de 160 kg em média, receberam suplementação durante um mês com farelo de soja, milho moído e minerais. Os animais também mamaram em suas mães e tiveram acesso a pastagem de Urochloa brizantha cultivar Marandu. Após o desmame, aos seis meses e meio de idade em média, os pesquisadores distribuíram as novilhas de forma homogênea quanto à idade, peso e mérito genético em dois grupos com planos nutricionais distintos: um convencional (PN1) e outro de alta energia (PN2).

    No tratamento com dieta convencional, as novilhas permaneceram na pastagem durante a estação seca, consumindo em média 1,4 quilos de concentrado (ração) por dia, equivalentes a 0,7% do peso vivo médio. Os nutricionistas formularam a dieta para um ganho de peso de 400 gramas diárias. No início da estação chuvosa, os animais permaneceram no mesmo pasto e consumiram em média 650 gramas de concentrado por dia, equivalente a 0,25% do peso corporal, numa dieta calculada para ganho de peso de 700 gramas diárias.

    No tratamento nutricional de alta densidade energética, os animais receberam dietas contendo 26% e 19% mais energia metabolizável que a utilizada no PN1 nas estações seca e chuvosa, respectivamente. Na estação seca, os pesquisadores mantiveram as novilhas confinadas após o desmame e as alimentaram com média diária de 11 kg de silagem de milho e 1 kg de concentrado, equivalente a 0,33% do peso vivo, para ganhos de 800 gramas diárias. No início da estação chuvosa, os animais receberam suplementação de 1,87 kg por dia (0,35% do peso vivo) de concentrado. Os nutricionistas calcularam a dieta para ganhos de 1 kg por dia.

    Protocolo reflete práticas comerciais

    O pesquisador Eduardo Eifert, responsável pela elaboração das dietas, revela que o experimento teve uma preocupação prática: avaliar os planos nutricionais sobre a produção e qualidade de ovócitos em novilhas, partindo como referência de um regime alimentar corriqueiramente utilizado para que as novilhas alcancem pesos mínimos adequados para a reprodução (de 280 a 300 kg) aos 12 a 14 meses de idade.

    “O PN1 utiliza suplementos energéticos proteicos na seca e nas chuvas com as novilhas a pasto. Produtores podem conseguir aumentos de energia na dieta com outra prática para essa categoria, como o sequestro dos animais quando os confinam durante a seca, permitindo o fornecimento de dietas mais calóricas e com maior desempenho”, pontua Eifert. Segundo ele, os tratamentos simulam o manejo alimentar de novilhas que entrarão em reprodução em idade jovem, práticas frequentemente observadas nos sistemas de produção de fazendas do bioma Cerrado.

    Resultados comprovam superioridade da dieta energética

    Ao completarem nove meses e meio de idade em média, os pesquisadores submeteram as novilhas a aspirações foliculares a cada 21 dias por três meses, para avaliar parâmetros de competência ovocitária e produção de embriões.

    Os animais que receberam a dieta PN2 apresentaram resultados superiores em todos os indicadores:

    • 49% mais ovócitos recuperados que os animais do PN1
    • 42% mais ovócitos viáveis
    • 21% superior na taxa de produção de embriões – a taxa de blastocistos em D7 (estágio de desenvolvimento do embrião sete dias após a fecundação) alcançou 29,7% para PN2 contra 24,4% para PN1
    • Maior peso médio aos 12 meses e meio: 321 kg contra 309 kg
    • Melhor acabamento de carcaça

    “Os maiores índices de crescimento animal e de aumento de percentuais de gordura nas novilhas do PN2 podem ter influenciado a puberdade precoce e o aumento do número de ovócitos viáveis”, comenta Martins. Segundo ele, isso permitiu que as novilhas apresentassem o mesmo potencial de desenvolvimento embrionário que os ovócitos de vacas adultas. O pesquisador acrescenta que o maior peso corporal e a deposição moderada de gordura possibilitaram que as novilhas atingissem o peso para reprodução sugerido aos 12 a 14 meses de idade.

    Análise financeira confirma viabilidade econômica

    A pesquisa também realizou análise financeira detalhada da produção de embriões a partir dos dois planos alimentares. Os pesquisadores estimaram os custos de alimentação com base no consumo real e nos valores comerciais (preços de julho de 2020) dos ingredientes para formulação das rações, da tonelada de milho para silagem e dos minerais. A equipe incluiu despesas operacionais (mão de obra, energia elétrica, serviços veterinários e laboratoriais, medicamentos, encargos, entre outros) e custos para pastagens, baseados nos valores de aluguel mensal de pasto por animal nas fases inicial e de recria.

    Os pesquisadores consideraram três biotécnicas de produção de embriões:

    • Embrião fresco produzido por fertilização in vitro (demanda receptoras previamente sincronizadas para receberem embriões após sete dias de cultivo): R$ 75 e R$ 90
    • Embrião vitrificado (requer congelamento e descongelamento em laboratório, mas confere maiores taxas de prenhez): R$ 140
    • Embrião criopreservado para transferência direta (TD) para a receptora (não necessita de laboratório): R$ 160

    Custos mais altos, mas margens significativamente maiores

    Para os três cenários, o custo da alimentação e da mão de obra na dieta PN2 superou o controle (PN1) tanto na estação seca (29%) como na chuvosa (36%). Em média, cada novilha submetida ao PN2 produziu 6,8 embriões, 3,2 a mais que os animais sob o PN1 (3,6), o que acarretou maiores custos de produção de embriões nas três biotécnicas.

    Entretanto, o maior rendimento na produção de embriões pelos animais que receberam a dieta PN2 resultou numa receita média 77% maior que a do grupo controle. A margem bruta no tratamento PN2 durante a recria multiplicou-se expressivamente:

    • 2,7 vezes maior para embriões TD
    • 2,6 vezes maior para embriões vitrificados
    • 2,1 vezes maior para embriões a fresco

    Já a margem líquida do plano alimentar PN2 superou o plano controle em:

    • 2,8 vezes (embriões TD)
    • 2,7 vezes (embriões vitrificados)
    • 2,2 vezes (embriões a fresco)

    Na comparação entre as técnicas de produção e processamento de embriões, as maiores margens vieram da produção de embriões a fresco.

    “O resultado da produção de embriões influenciou e foi determinante na obtenção de margens positivas para o plano alimentar de alta energia. Mesmo com maior custo operacional, esse plano alimentar obteve maiores receita, margem bruta e lucro operacional”, observa a pesquisadora Isabel Ferreira, responsável pela análise financeira.

    Ferreira pondera que ainda são necessários estudos que considerem diferentes cenários de preços e identifiquem o ponto de equilíbrio ou ótimo de concentração energética e proteica da dieta, bem como o nível de consumo que confira o maior resultado na produção de embriões por novilhas pré-púberes sem prejudicar o crescimento, a fisiologia animal e, consequentemente, a reprodução.

    Melatonina potencializa produção de embriões in vitro

    Além de comprovar os ganhos reprodutivos e financeiros com dietas de alta densidade energética para novilhas pré-púberes, a pesquisa buscou associar métodos laboratoriais para incrementar ainda mais a capacidade de produção de embriões in vitro. Nesse sentido, os pesquisadores testaram o uso da melatonina, um hormônio natural com propriedades antioxidantes e antiapoptóticas (evitam a morte celular), na maturação de ovócitos e no cultivo de embriões produzidos por animais submetidos a esse tipo de dieta alimentar.

    Num dos experimentos de outro estudo da Embrapa Cerrados, 11 bezerras sem seleção genética prévia de uma fazenda em Goiás receberam suplementação dos sete aos 13 meses de idade com uma dieta de alta densidade energética. Aos 10 meses de idade, oito delas passaram por aspiração folicular mensalmente, durante quatro meses.

    Para avaliar o benefício do uso da melatonina na competência ovocitária e na produção de embriões, os pesquisadores dividiram os ovócitos recuperados em três grupos:

    • Apenas ovócitos de novilhas pré-púberes maturados in vitro com melatonina
    • Ovócitos de novilhas pré-púberes maturados com melatonina e embriões cultivados com melatonina
    • Ovócitos de vacas adultas com histórico conhecido de produção de embriões in vitro, cultivados sem melatonina (controle)

    A equipe comparou as taxas de clivagem (percentual de ovócitos com divisões celulares após a fecundação) e de blastocistos em D7.

    Resultados surpreendentes com melatonina

    Os ovócitos e embriões provenientes de novilhas pré-púberes, quando cultivados com melatonina, apresentaram maior taxa de blastocistos (38%) em relação ao grupo com apenas ovócitos maturados com melatonina (25%), produzindo 13% mais embriões. Os resultados ficaram próximos aos dos ovócitos de vacas adultas sem a melatonina (taxa de blastocistos de 41%).

    Segundo Carlos Frederico Martins, esse é o primeiro relato do efeito positivo da melatonina na fecundação in vitro de ovócitos de novilhas pré-púberes em sistema de alta tensão de oxigênio, melhorando a quantidade e a qualidade embrionária. Ele acrescenta que os animais suplementados com a dieta de alta densidade energética alcançaram peso médio de 290,82 kg aos 13 meses de idade. O que permitiu a indução da puberdade, a inseminação artificial e o alcance de taxa de prenhez de 54,4%. Valor superior aos obtidos em estudos com animais de idades similares não suplementados com dietas de alta energia.

    “O uso da melatonina melhorou a competência ovocitária e aumentou as taxas de embriões em novilhas pré-púberes de forma similar à produção de embriões por vacas adultas. Isso indica uma associação benéfica entre uma abordagem de manejo nutricional e uma abordagem laboratorial com o uso da melatonina em ovócitos e embriões in vitro nessa categoria de animais”, conclui o pesquisador.

  • Pecuaristas do Sul de Minas investem em  fertilização in vitro

    Pecuaristas do Sul de Minas investem em fertilização in vitro

    Pecuaristas de leite dos municípios de Santa Rita de Caldas, Caldas, Ipuiúna e Senador José Bento, no Sul de Minas Gerais, estão investindo em fertilização in vitro (FIV) para aprimorar geneticamente seus rebanhos. A iniciativa já beneficia mais de 30 produtores da região. E é resultado de uma parceria entre Emater-MG, Sebrae Minas e prefeituras locais, e tem impulsionado o aumento do rebanho e da produtividade leiteira.

    A fertilização in vitro é uma biotecnologia de reprodução que coleta óvulos de vacas selecionadas e os fecunda em laboratório com sêmen de touros de alta qualidade genética. Em seguida, técnicos transferem os embriões resultantes para vacas receptoras, o que acelera o melhoramento genético do rebanho.

    Segundo Rodrigo Beck Júnior, coordenador técnico regional de Pecuária da Emater-MG, a técnica é eficiente, mas exige alto investimento. Para facilitar o acesso dos pequenos produtores, o programa Sebraetec FIV, do Sebrae Minas, subsidia 70% do custo da transferência de embriões, enquanto o restante é pago pelo produtor. A Emater-MG atua na mobilização, orientação técnica e acompanhamento dos processos, desde a gestação até o nascimento dos bezerros.

    Resultados práticos: mais produtividade e sustentabilidade

    O produtor Eliton Ferreira Silva é um dos beneficiados pelo programa. Ele realizou o sonho de criar um rebanho girolando, predominantemente de animais meio-sangue, graças ao acesso facilitado à FIV. “O resultado foi excelente, aumentei muito a minha produção. Os animais são mais resistentes a doenças e mais férteis”, comemora. Atualmente, Eliton possui mais de 100 cabeças, sendo 57 provenientes da fertilização in vitro, e pretende continuar investindo na tecnologia para expandir sua produção de leite.

    Entre as vantagens do melhoramento genético via FIV estão o rápido avanço do padrão racial e a valorização financeira do rebanho. Além da maior eficiência produtiva e menor impacto ambiental. “É possível aumentar a produção com menos animais, reduzindo a emissão de gases de efeito estufa, a necessidade de áreas para pastagem, o volume de dejetos e o consumo de água”, explica Rodrigo Beck.

    Expansão do programa e impacto regional

    De acordo com Ivan Figueiredo, analista técnico do Sebrae Minas, o programa Sebraetec FIV, iniciado em 2019, já atende tanto pecuaristas de leite quanto de corte. A expectativa é ampliar a iniciativa para outros municípios, como Jacutinga, São Pedro da União e Guaranésia. E assim, promover uma pecuária mais sustentável, competitiva e rentável em toda a região.

    Para participar do programa, o produtor precisa apresentar documentos pessoais, inscrição de produtor rural e ter ao menos 10 animais aptos ao protocolo reprodutivo. E cadastrar-se no escritório local da Emater-MG.

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  • Estância do Sossego apresentará tecnologias na criação de Braford

    Estância do Sossego apresentará tecnologias na criação de Braford

    A Estância do Sossego, localizada no interior de Uruguaiana, será um dos destaques da gira técnica que antecede o 9º Congresso Mundial Braford, programado para ocorrer de 28 de abril a 4 de maio no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS). Criadora da raça Braford desde 2002, a propriedade liderada por Ana Maria Ormazabal Moura apresentará sua expertise em genética, manejo e inovação pecuária durante o circuito técnico no dia 29 de abril.

    Tecnologias avançadas na criação de Braford

    Luciano Dornelles, administrador da Estância do Sossego, detalha as atividades que serão exibidas:

    • Novilhas prenhas de dois anos e meio;
    • Vacas com cria ao pé e terneiras de ano;
    • Tourinhos de sobreano;
    • Vacas com cria oriundas de Transferência de Embriões (TE);
    • Terneiros produzidos via Fertilização in Vitro (FIV).

    Além disso, a propriedade utiliza técnicas como a Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) para sincronizar a ovulação das fêmeas. “Temos o ciclo completo: vendemos o animal gordo no final e promovemos remates ao longo do ano”, explica Dornelles.

    Reconhecimento e diversidade produtiva

    A Estância do Sossego também é conhecida por suas Grandes Campeãs, vencedoras em eventos como Expointer e Nacional. Segundo Dornelles, a propriedade possui várias doadoras importantes e descendentes de touros renomados. Além da pecuária, a estância investe na produção de uvas e vinhos, com um vinhedo integrado à propriedade.

    Durante a visita técnica, o professor Júlio Barcellos, coordenador do NESPro e pró-reitor da UFRGS, ministrará uma palestra sobre resiliência dos sistemas produtivos frente às mudanças climáticas e biótipos raciais. O evento é organizado pela Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB) e ocorre paralelamente à 18ª Exposição Nacional da raça Hereford, também em Esteio.

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