Tag: Fernando de Noronha

  • Praia brasileira é eleita a 4ª mais bonita do mundo; veja qual

    Praia brasileira é eleita a 4ª mais bonita do mundo; veja qual

    Fernando de Noronha voltou a ganhar destaque no turismo internacional. A Baía do Sancho conquistou a 4ª posição no ranking das 20 praias mais bonitas do mundo, elaborado pela plataforma de turismo Hellotickets e divulgado recentemente pela revista norte-americana Luxury Web Magazine.

    O novo reconhecimento amplia a visibilidade do arquipélago pernambucano entre viajantes que procuram destinos exclusivos, experiências autênticas e contato com a natureza. A premiação também reforça a imagem de Fernando de Noronha como uma das principais referências mundiais em turismo sustentável.

    Baía do Sancho se destaca pela beleza natural

    Cercada por falésias cobertas de vegetação nativa, a Baía do Sancho reúne águas cristalinas em diferentes tons de azul e verde. O acesso ocorre por uma escadaria instalada entre as rochas e por mirantes panorâmicos, que antecipam a paisagem considerada um dos principais cartões-postais do Brasil.

    A praia também se destaca pela biodiversidade marinha. O local é considerado um dos melhores pontos do país para a prática de mergulho livre e para a observação da fauna. Tartarugas-marinhas, cardumes, raias e outras espécies podem ser avistados em seu habitat natural.

    A nova colocação soma-se a uma série de premiações conquistadas por Fernando de Noronha nos últimos anos. Os reconhecimentos internacionais valorizam não apenas a paisagem da ilha, mas também o modelo de turismo baseado na preservação ambiental, no controle da visitação e na qualidade da experiência oferecida aos visitantes.

    Reconhecimento fortalece o turismo em Noronha

    Para Hayrton Almeida, presidente do Visite Fernando de Noronha Convention & Visitors Bureau, a presença frequente do arquipélago em rankings internacionais ajuda a fortalecer o destino nos principais mercados emissores de turistas.

    “Quando Fernando de Noronha aparece de forma recorrente nos principais rankings internacionais, não estamos falando apenas de uma praia bonita. Estamos falando de um destino que se consolida mundialmente pela qualidade da experiência que oferece aos visitantes. Esses reconhecimentos ampliam a visibilidade da ilha, despertam o interesse de novos mercados e fortalecem toda a cadeia produtiva do turismo.”

    Segundo Almeida, a valorização internacional também reflete o compromisso do arquipélago com a conservação ambiental.

    “A Baía do Sancho é um patrimônio natural que representa a essência de Fernando de Noronha. Estar entre as praias mais bonitas do mundo reforça que preservar a natureza é também uma estratégia de desenvolvimento turístico. Quanto mais protegemos nossos ecossistemas, mais fortalecemos a competitividade do destino e sua reputação internacional.”

    Turismo sustentável é um dos diferenciais

    Além das praias, Fernando de Noronha reúne atributos que vão além do turismo de sol e mar. O arquipélago abriga uma das áreas de maior biodiversidade marinha do Atlântico Sul e mantém cerca de 70% de seu território protegido pelo Parque Nacional Marinho.

    O destino também adota medidas para equilibrar a conservação ambiental com a experiência dos visitantes. O modelo inclui controle da visitação e valorização de atividades ligadas à natureza, como mergulho, observação da fauna e contemplação das paisagens.

    Para o trade turístico, o novo reconhecimento representa mais um argumento para promover Fernando de Noronha no Brasil e no exterior. Em um mercado cada vez mais interessado em experiências únicas e lugares preservados, a Baía do Sancho reafirma seu protagonismo entre os grandes ícones do turismo brasileiro.

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  • Queda de até 59% nos golfinhos-rotadores em Fernando de Noronha acende alerta

    Queda de até 59% nos golfinhos-rotadores em Fernando de Noronha acende alerta

    A presença de golfinhos-rotadores (Stenella longirostris) em Fernando de Noronha registrou uma queda histórica em 2025, acendendo um alerta entre pesquisadores e gestores ambientais. Dados do Projeto Golfinho Rotador (PGR) indicam redução de até 59% na ocupação das principais áreas de descanso da espécie no arquipélago, o menor índice em mais de três décadas de monitoramento contínuo.

    Golfinho Rotador
    Foto: Projeto Golfinho Rotador

    Tradicionalmente, centenas de golfinhos eram observados diariamente nas primeiras horas da manhã em locais como a Baía dos Golfinhos, a Baía de Santo Antônio e a região Entre Ilhas. O comportamento, associado ao descanso, socialização e cuidado com filhotes, ocorria em cerca de 92% dos dias do ano, consolidando Noronha como uma das maiores concentrações da espécie no mundo.

    Esse padrão começou a apresentar  transformações a partir de 2006, com mudanças no tempo de permanência dos animais entre as áreas. No entanto, foi em 2025 que os dados mostraram uma ruptura significativa na série histórica.

    Queda da média

    De acordo com o levantamento, a média diária de golfinhos na Baía de Santo Antônio e na região Entre Ilhas caiu de 461 para 258 indivíduos, redução de aproximadamente 45%. Já na Baía dos Golfinhos, principal refúgio diurno da espécie, a média despencou de 311 para apenas 129 animais por dia. Portanto, uma queda de cerca de 59%.

    Segundo o oceanógrafo José Martins, coordenador do Projeto Golfinho Rotador, o dado mais relevante não é apenas a diminuição no número de indivíduos, mas a quebra de um padrão considerado estável por décadas.

    Oceanógrafo José Martins, coordenador do Projeto Golfinho Rotador, Foto: Projeto Golfinho Rotador

    “O comportamento da espécie vinha se mantendo consistente ao longo de mais de 30 anos. Quando há uma mudança dessa magnitude, é fundamental investigar com profundidade”, afirma.

    O estudo integra um dos mais longos programas de monitoramento de cetáceos do mundo, iniciado em 1990. Ao longo desse período, foram acumuladas mais de 55 mil horas de observação na Baía dos Golfinhos, além de cerca de 28 mil horas nas demais áreas monitoradas.

    Possíveis causas da queda

    Apesar da redução expressiva, os pesquisadores ainda não identificaram uma causa única para o fenômeno. A hipótese mais provável é a atuação combinada de fatores ambientais e antrópicos.

    Golfinho Rotador
    Foto: Projeto Golfinho Rotador

    Entre os principais fatores investigados estão:

    Mudanças climáticas: o aquecimento das águas pode alterar correntes marinhas e a disponibilidade de الغذo, afetando toda a cadeia alimentar dos golfinhos.

    Presença de predadores: o aumento de tubarões-tigre (Galeocerdo cuvier) na região pode influenciar o comportamento e a permanência dos animais nas baías.

    Pressão do turismo: o crescimento do turismo náutico e do número de embarcações pode interferir em atividades essenciais, como descanso e reprodução.

    Em 2025, o Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha recebeu 139.901 visitantes, recorde histórico que ultrapassou o limite anual previsto no plano de gestão. Embora não haja relação direta comprovada, os pesquisadores alertam que a intensificação do tráfego de embarcações pode gerar estresse e aumento do gasto energético dos golfinhos.

    Outros sinais de alerta

    Os dados de ocupação se somam a pesquisas genéticas recentes que também indicam vulnerabilidade da população. Estudos apontam que os golfinhos-rotadores de Noronha apresentam baixa diversidade genética e uma população efetiva estimada em cerca de 491 indivíduos aptos à reprodução.

    Golfinho Rotador
    Foto: Projeto Golfinho Rotador

    Para os cientistas, a combinação desses fatores reforça a necessidade de atenção contínua ao ecossistema marinho da região.

    Fernando de Noronha é reconhecido internacionalmente como um dos principais refúgios da espécie, com forte importância ecológica, econômica e turística. Por isso, alterações persistentes no comportamento dos golfinhos têm impacto direto na conservação da biodiversidade local.

    Importância do monitoramento

    O Projeto Golfinho Rotador destaca que estudos de longa duração são fundamentais para identificar mudanças reais no ambiente marinho. Diferentemente de levantamentos pontuais, séries históricas permitem distinguir oscilações naturais de alterações significativas.

    “Compreender o que está acontecendo exige continuidade nas pesquisas. O monitoramento é essencial para orientar estratégias de conservação e antecipar riscos futuros”, conclui José Martins.

  • Peixe-leão venenoso avança em Fernando de Noronha e pode virar alimento para conter invasão

    Peixe-leão venenoso avança em Fernando de Noronha e pode virar alimento para conter invasão

    A Segunda Semana do Peixe-leão (Pterois volitans) chega ao fim nesta sexta-feira em Fernando de Noronha, reunindo pesquisadores, mergulhadores, instituições ambientais e moradores em debates sobre o avanço da espécie invasora no litoral brasileiro. O evento, promovido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), discutiu estratégias de monitoramento, captura e controle do animal, considerado uma ameaça crescente ao ecossistema marinho.

    Além das palestras e oficinas, um dos temas que mais chamou atenção foi a possibilidade de liberar o consumo humano do peixe-leão como forma de combater a proliferação da espécie. Especialistas apontam que essa prática já trouxe resultados positivos em outros países.

    Segundo a chefe do ICMBio em Noronha, Lilian Hangae, o encontro serviu para compartilhar experiências e fortalecer o manejo da espécie invasora no Brasil.

    “Como somos protagonistas no manejo aqui no Brasil, a ideia é trocar experiências, trazer o conhecimento gerado por outras instituições e pensar juntos nos nossos desafios”, afirmou.

    Consumo do peixe-leão ganha força entre especialistas

    De acordo com Lilian Hangae, o uso do peixe-leão na alimentação foi um dos principais assuntos debatidos durante o evento. Em diversos países, o consumo da espécie já integra as estratégias de controle populacional.

    “Temos muitos peixes capturados e já temos dificuldade em armazenar. As estratégias internacionais mostram que o manejo é mais efetivo quando envolve o consumo”, explicou.

    A gestora destacou ainda que estudos apontam a viabilidade gastronômica do peixe, bastante apreciado em locais como a Costa Rica.

    “É um peixe muito apreciado, de filé branco e sabor leve, com potencial de alto valor agregado para Noronha, que pode servir de resultado de um manejo responsável”, disse.

    Apesar disso, pesquisadores alertam que o preparo exige cuidados específicos. O peixe-leão possui 18 espinhos dorsais venenosos, capazes de liberar toxinas que provocam dor intensa, febre, náuseas e até convulsões em seres humanos.

    Por isso, especialistas defendem treinamento adequado para manipulação e preparo seguro da espécie destinada ao consumo.

    Peixe-leão capturado em Noronha — Foto: Fernando Rodrigues/Sea Paradise

    Operações de captura retiraram centenas de peixes do arquipélago

    Em Fernando de Noronha, o ICMBio tem contado com apoio de empresas de mergulho para ampliar o combate ao animal invasor.

    Em 2024, uma operação coordenada pelo instituto resultou na captura de 140 peixes-leão no arquipélago pernambucano. A ação ocorreu no Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha e também na Área de Proteção Ambiental (APA).

    Segundo o mergulhador e diretor da empresa participante da operação, Fernando Rodrigues, o objetivo foi avaliar a taxa de repovoamento da espécie nas áreas monitoradas.

    “Nosso foco foi explorar pontos já mapeados para verificar a taxa de repovoamento do peixe-leão, identificando a densidade e os tamanhos da espécie. O menor peixe-leão media apenas 10 centímetros, enquanto o maior ultrapassou 45 centímetros”, declarou em nota divulgada pelo ICMBio.

    Rodrigues ressaltou ainda que o manejo da espécie ajuda diretamente na preservação da fauna marinha ameaçada pelo predador invasor.

    Espécie invasora ameaça biodiversidade marinha

    O peixe-leão (Pterois volitans) é nativo da região indo-pacífica e foi identificado pela primeira vez no Brasil em 2014. Já em Fernando de Noronha, os primeiros registros ocorreram em 2020.

    Desde então, mais de mil exemplares foram capturados no arquipélago, segundo dados do ICMBio.

    A preocupação das autoridades ambientais se deve à alta capacidade de reprodução e predação da espécie. O peixe-leão consegue consumir até 20 peixes em apenas 30 minutos e pode colocar cerca de 30 mil ovos de uma só vez.

    O coordenador do Projeto Conservação Recifal (PCR), Pedro Pereira, explicou que os animais ainda se concentram em regiões mais profundas, porém existe uma tendência de migração para áreas rasas.

    “É importante destacar que essas capturas foram feitas em áreas que não têm sido manejadas com frequência, o que mostra também que a população está aumentando devido à falta deste trabalho de captura dos bichos, aumentando mais ainda a necessidade de colaboração, de inclusão de novas operadoras, incentivo à pesquisa, para que o manejo continue”, destacou.

  • Carlinhos Maia é multado em R$ 1 mi por vídeo com ave em Noronha

    Carlinhos Maia é multado em R$ 1 mi por vídeo com ave em Noronha

    Uma viagem comum a Fernando de Noronha, compartilhada nas redes sociais, virou dor de cabeça gigante para Carlinhos Maia. O ICMBio multou o influenciador em R$ 1 milhão por vídeos postados em setembro de 2025 durante a visita ao arquipélago.

    Nas imagens, aves marinhas da espécie Fregata magnificens, conhecidas popularmente como fragatas, são vistas sendo alimentadas com carne de churrasco. A prática é proibida na Área de Proteção Ambiental de Fernando de Noronha e está prevista como infração no Plano de Manejo local.

    O que disse o ICMBio

    Nesta terça-feira (14), o órgão divulgou nota confirmando a multa. Ele considerou a gravidade da infração, a importância ambiental da área, a ampla divulgação nas redes (com risco de incentivar maus exemplos) e a renda do influenciador, por isso aplicou o valor máximo da lei.

    O ICMBio enquadrou Carlinhos no Art. 33 do Decreto Federal nº 6.514/2008, por explorar imagens de animais silvestres em abuso. Já o amigo que alimentou as aves respondeu pelo Art. 90 do mesmo decreto, com multa menor.

    “As imagens mostram condutas em desacordo com o Plano de Manejo da APA, incluindo alimentação de fragatas com carne de churrasco”, afirmou o órgão.

    A defesa de Carlinhos Maia

    Nas redes, Carlinhos esclareceu: “O pessoal comigo se empolgou e deu um pedaço de camarão a uma das aves. Eu só filmei e esqueci que alimentá-las gerava multa. Apaguei os stories na hora.” Ele aceita punição, mas contesta o valor: “Eu não alimentei. Aceito a multa justa, como a do amigo que deu comida à gaivota (R$ 5 mil). Mas R$ 1 milhão por um stories? É abuso de poder.”

    Além disso, ele destacou a disparidade (200 vezes maior que a do amigo) e anunciou ações judiciais: “Eu tinha achado isso tão absurdo. A gente processou de volta, porque isso é abuso de poder. Eu apelo para a Justiça brasileira porque, se isso vier a acontecer de fato, vai ser um dos maiores absurdos judiciários que eu vou presenciar na minha vida”.

    Carlinhos lembrou sua relação com a ilha, com visitas frequentes, divulgações de negócios locais e consumo pago, e propôs: “Doaria o 1 milhão para melhorias na Noronha, não para ‘explorar imagem de gaivota”.

    E agora?

    O ICMBio alerta que alimentar animais silvestres com comida humana altera comportamentos, afeta a saúde e desequilibra o ecossistema. O caso segue para o Ministério Público Federal analisar medidas judiciais, enquanto Carlinhos tem prazo para defesa ou recurso administrativo.

    ICMBio multa Carlinhos Maia
  • Tubarão-limão é flagrado predando peixe-jaguar em Fernando de Noronha

    Tubarão-limão é flagrado predando peixe-jaguar em Fernando de Noronha

    Pesquisadores apoiados pela FAPESP registraram, pela primeira vez, tubarões-limão (Negaprion brevirostris) predando uma espécie invasora, o peixe-jaguar (Parachromis managuensis). O registro foi realizado em março de 2024, na baía do Sueste, um conhecido ponto de alimentação de tubarões no arquipélago de Fernando de Noronha (PE).

    O estudo foi publicado recentemente na revista Environmental Biology of Fishes.

    O evento era tido como improvável porque a baía do Sueste é uma entrada do mar na terra, portanto, com água salgada, enquanto o peixe-jaguar é de água doce. No entanto, a baía recebe aportes de água doce de um manguezal próximo após chuvas fortes.

    Introduzido em Fernando de Noronha, provavelmente para produção de proteína animal, o peixe-jaguar suporta um certo grau de salinidade, mas se torna estressado a partir de determinado patamar. Os pesquisadores observaram um nado errático do peixe, que facilitou a captura pelos tubarões.

    Além da dificuldade em nadar, estudos de outros grupos já haviam demonstrado que salinidades superiores a 25 psu (unidade prática de salinidade) provocam aumento da frequência cardíaca nos peixes-jaguar. Na baía do Sueste, a salinidade pode chegar a 32 psu.

    “Esta é uma área de reprodução, berçário e alimentação dos tubarões-limão. Na noite anterior da nossa observação, houve chuvas fortes, fazendo com que o reservatório do Xaréu, em que os peixes vivem, transbordasse para o manguezal, que por sua vez também transbordou e gerou uma ligação com a baía”, conta Bianca Rangel, primeira autora do estudo, que realiza pós-doutorado no Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP) com bolsa da FAPESP.

    Baía do Sueste

    Com águas rasas, quentes e turvas, a baía do Sueste é também um local de alimentação de tubarões-tigre (Galeocerdo cuvier), a ponto de o banho e o mergulho terem sido proibidos em 2022 após acidentes com turistas.

    Foto: Fábio Borges

    Pesquisadores realizaram as observações com o uso de drones durante o monitoramento dos tubarões. Nesse processo, eles capturam, medem, pesam e marcam os animais com microchip, além de coletar sangue, antes de devolvê-los ao ambiente natural.

    Os filhotes de tubarão-limão ficam até um ano na baía depois que nascem, em profundidades de 1 a 6 metros, antes de migrarem para o mar aberto. Assim se protegem de adultos da própria espécie, que podem canibalizá-los. Tanto os filhotes quanto prováveis adultos foram observados comendo os peixes-jaguar.

    Para os pesquisadores, os tubarões sozinhos não devem dar conta de eliminar a espécie invasora. Mas podem contribuir para reduzir a população ao predar os indivíduos que chegam à baía do Sueste.

    Embora não haja estudos sobre o impacto do peixe-jaguar para a biodiversidade do arquipélago, acredita-se que ele possa prejudicar as espécies locais. Seja por competição ou predação, como ocorre em outros sistemas aquáticos na presença de invasores.

    O trabalho integra o projeto “Impacto das mudanças antropogênicas na fauna: contribuições da fisiologia da conservação”, apoiado pela FAPESP e coordenado por Fernando Ribeiro Gomes, professor do IB-USP.

    Oportunismo

    Os autores acreditam que o comportamento dos tubarões seja oportunista, pela razão óbvia de que espécies de água doce não fazem parte de sua dieta. Porém, não se sabe se os peixes-jaguar sempre entram na baía do Sueste depois de fortes chuvas ou se foi a primeira vez em que isso aconteceu.

    Peixe jaguar. Foto: Bianca Rangel/IB-USP

    “Neste ano houve novamente o transbordamento, mas ninguém observou essa interação. Não sabemos se o peixe-jaguar estava em menor quantidade ou simplesmente acabou. Como não há um monitoramento também no mangue e no açude, não temos como saber se o animal ainda está presente”, relata Rangel.

    “Caso a entrada do peixe de água doce na baía se torne corriqueira, é possível que os tubarões aprendam que depois das chuvas vai haver comida disponível”, completa.

    Há registros de que tubarões podem se alimentar de espécies invasoras como o peixe-leão (Pterois spp.). Porém, não havia registro da predação de peixe-jaguar, nem se havia observado o momento da caça, como fizeram Rangel e seus colaboradores. O monitoramento contínuo poderá constatar se a interação segue existindo e qual pode ser o papel dos tubarões para controlar o invasor.

    André Julião | Agência FAPESP