Tag: felinos

  • Você sabia que há um refúgio de gatos selvagens no Brasil?

    Você sabia que há um refúgio de gatos selvagens no Brasil?

    No interior do Paraná, um espaço pouco conhecido reúne alguns dos felinos mais raros da fauna brasileira. O Parque Ecológico Klabin, em Telêmaco Borba, se consolidou como área estratégica para conservação, pesquisa e reabilitação de espécies ameaçadas, com destaque para os chamados gatos selvagens.

    Entre eles estão o gato-maracajá e o gato-do-mato-pequeno, espécies nativas que enfrentam pressão crescente na natureza, seja pela perda de habitat ou por conflitos com atividades humanas. No parque, esses animais não aparecem apenas como atração. Eles ocupam papel central em programas técnicos de manejo e conservação.

    O gato-do-mato-pequeno é um dos menores felinos do Brasil, de hábitos discretos e majoritariamente noturnos. (Foto: @bioklabin)

    Felinos são o centro da estratégia

    A Klabin utiliza o parque como base para monitoramento e estudo desses felinos, com acompanhamento especializado e estrutura voltada ao bem-estar e à reprodução. Em comunicações recentes, a empresa destacou a presença de diferentes espécies de gatos selvagens como um dos principais diferenciais do espaço.

    Um exemplo desse trabalho envolve a chegada de um casal de gato-maracajá, resultado de intercâmbio com o Refúgio Biológico Bela Vista, ligado à Itaipu Binacional. A iniciativa integra esforços para fortalecer programas de reprodução e ampliar as chances de conservação da espécie.

    O gato-maracajá é um felino ágil e arborícola da fauna brasileira, conhecido pela habilidade de se movimentar entre as árvores e pela pelagem marcada que favorece sua camuflagem na mata.
    (Foto: @bioklabin)

    Mais do que abrigo, um elo com a biodiversidade

    A presença desses animais tem impacto direto na preservação da biodiversidade regional. O parque funciona como ambiente controlado onde espécies ameaçadas podem se recuperar, se reproduzir e contribuir para estratégias mais amplas de conservação.

    O gato-mourisco é um felino de porte médio e hábitos mais terrestres, reconhecido pela pelagem uniforme e pela capacidade de se adaptar a diferentes ambientes, do cerrado às áreas florestais. (Foto: @bioklabin)

    Esse tipo de trabalho exige estrutura contínua, decisões técnicas e acompanhamento rigoroso. Sem esse suporte, animais resgatados ou mantidos em cativeiro perdem relevância ambiental e deixam de cumprir seu papel ecológico.

    Experiência que vai além da visita

    Para o público, a visita ao parque oferece mais do que a observação de animais. O espaço aposta em educação ambiental e organiza o acesso em horários controlados, o que reduz o estresse dos bichos e reforça a proposta de conservação.

    Nesse cenário, os gatos selvagens se tornam o símbolo mais forte do local. Chamam atenção pela raridade, mas principalmente pelo que representam. Um retrato da fauna brasileira que ainda depende de iniciativas técnicas e estruturadas para continuar existindo.

  • De vilã à atração: a mudança na relação com as onças

    De vilã à atração: a mudança na relação com as onças

    A expansão agropecuária está colocando em risco a sobrevivência dos grandes felinos selvagens do Brasil. Uma pesquisa pioneira da Unesp mapeou mais de 14 mil observações de nove espécies de felinos para entender como esses predadores estão se adaptando à perda de habitat em biomas como Cerrado, Amazônia e Pantanal.

    O estudo, publicado na revista científica Biological Conservation, revela que onças-pintadas, suçuaranas e jaguatiricas enfrentam paisagens cada vez mais fragmentadas, o que os força a circular próximo de fazendas, estradas e áreas urbanas – situações frequentemente perigosas tanto para os animais quanto para os humanos.

    Desmatamento ameaça habitat de grandes felinos

    Os números são alarmantes. Segundo a ONG Global Witness, apenas nos estados do Pará e Mato Grosso, foram desmatados 27 milhões de hectares do habitat original das onças-pintadas, uma área superior ao território do Reino Unido.

    Vanesa Bejarano Alegre, autora principal do trabalho e doutora pelo Instituto de Biociências da Unesp de Rio Claro, explica que grandes carnívoros dependem de extensas áreas preservadas para caçar suas presas naturais, como capivaras e jacarés. Quando esses animais escasseiam devido à destruição ambiental, os felinos invadem propriedades rurais em busca de bezerros e aves domésticas.

    “O resultado são confrontos violentos com cães de guarda e fazendeiros armados”, destaca a pesquisadora.

    Três perfis ecológicos de felinos brasileiros

    O estudo propôs uma classificação inédita para os felinos nacionais, dividindo-os em três categorias conforme sua tolerância a ambientes modificados pelo homem:

    • Generalistas – Adaptam-se bem a áreas antropizadas. Incluem a onça-parda, o jaguarundi e o gato-do-mato-grande (embora este último tenha surpreendido os cientistas ao evitar fazendas).
    • Especialistas flexíveis – Toleram proximidade humana, mas preferem habitats naturais. Neste grupo estão a onça-pintada (Panthera onca) e a jaguatirica (Leopardus pardalis), que evitam estradas mas utilizam paisagens heterogêneas.
    • Especialistas estritos – Altamente dependentes de cobertura florestal densa. Espécies como L. wiedii, L. guttulus e L. tigrinus raramente são vistas em áreas abertas.

    A análise utilizou dados de câmeras automáticas (camera traps) instaladas em diversos biomas brasileiros, cruzados com informações de uso do solo fornecidas pela rede MapBiomas.

    Convivência entre fazendeiros e onças mostra sinais de melhora

    Raíssa Sepulvida Alves, bióloga de campo da Panthera Brasil e coautora do estudo, observa avanços na relação entre produtores rurais e grandes felinos nos últimos 15 anos.

    Foto: Ailton Lara/Instagram

    “Antigamente, qualquer morte de gado era automaticamente atribuída às onças, resultando em retaliação. Hoje, com manuais de boas práticas e técnicas de manejo, a situação melhorou”, afirma.

    Entre as medidas eficazes estão cercas elétricas, recolhimento noturno do gado para currais distantes da mata e proteção reforçada para bezerros. Além disso, o turismo de observação de onças em regiões como Porto Jofre, às margens do Rio Cuiabá, tem transformado a percepção local.

    “As pessoas perceberam que as onças valem mais vivas do que mortas. Elas geraram uma nova fonte de renda e deixaram de ser vilãs”, conta Sepulvida.

    Desafios para conservação em um país continental

    Bejarano ressalta que não existe uma solução única para todos os contextos brasileiros. “O Brasil é um continente. Existem inúmeras comunidades com perspectivas diferentes sobre a natureza. Algumas matam por matar, outras não. Esse é o maior desafio na preservação de grandes carnívoros”, analisa.

    O estresse causado por ruídos humanos e a necessidade de forragear em áreas perigosas têm consequências graves. Pesquisas mostram que os felinos apresentam níveis elevados de cortisol e se alimentam de forma apressada nesses ambientes, reduzindo sua expectativa de vida.

    Menos de 5% do Pantanal está protegido

    Um dado preocupante é que menos de 5% do Pantanal está dentro de unidades de conservação formalmente protegidas. A maior parte do bioma consiste em propriedades privadas, o que torna essencial o trabalho de coexistência desenvolvido por organizações como a Panthera.

    O estudo também destaca a importância do compartilhamento de dados científicos. Muitas câmeras instaladas para monitorar outras espécies acabam registrando felinos, e essas informações podem ser reaproveitadas em novas pesquisas.

    Foto: Italo Garcia Alves/ Roceiro Viajante/Redes Sociais

    “Há biomas enormes, como a Amazônia, sofrendo com a falta de dados abertos”, alerta Bejarano, que atualmente trabalha como pós-doutoranda no Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá.

    A pesquisa revela lacunas críticas no conhecimento científico sobre felinos brasileiros e oferece subsídios para políticas públicas de conservação adaptadas às necessidades específicas de cada espécie.

  • Onça-pintada e filhote são flagrados em banho de rio no Pantanal

    Onça-pintada e filhote são flagrados em banho de rio no Pantanal

    Um momento encantador foi registrado no Pantanal de Mato Grosso do Sul, onde uma onça-pintada e seu filhote foram flagrados se divertindo em um banho de rio. O fotógrafo Lucas Morgado, da ONG Onçafari, capturou essa cena única, que destaca a beleza e a interatividade da vida selvagem na região.

    No registro, a onça-pintada, conhecida como Araçy, aparece brincando com seu filhote, de nome Tereno, nas águas tranquilas do rio. Este comportamento não é apenas uma demonstração de afeto, mas também uma oportunidade para o filhote aprender a nadar e explorar o ambiente ao seu redor.

    https://youtube.com/shorts/ifWmzzuQ3ww?si=6t56tV0V2yynfWRK

    “Mais uma prova de que as onças são os felinos que mais amam água no mundo! Em um fim de tarde quente, Aracy aproveitou para se refrescar e se divertir com seu filhote, Tereno. Essas brincadeiras são muito importantes para que Tereno aprimore seus comportamentos de caça na água”, explicou o fotógrafo.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Sucuri gigante é flagrada enrolada em capivara em Bonito/MS
    + Agro em Campo: Vídeo flagra Border Collie separando patos por cores em fazenda

    A interação entre os dois felinos reflete a relação maternal típica das onças-pintadas, que permanecem com seus filhotes até aproximadamente um ano e meio de idade.

    Ecossistema do Pantanal

    O Pantanal destaca-se como um dos biomas mais ricos em biodiversidade do mundo. Com suas vastas áreas alagadas e vegetação exuberante, ele abriga uma variedade de espécies, incluindo a onça-pintada (Panthera onca). A presença desses grandes felinos é, portanto, um indicador da saúde do ecossistema local.

    Reprodução – instagram: @lucas_n_morgado

    A observação desse tipo de comportamento entre as onças-pintadas é fundamental para a conservação da espécie. Ou seja, organizações ambientais locais implementam projetos de monitoramento e proteção. Essas iniciativas visam não apenas proteger os animais, mas também educar a população sobre a importância da preservação do Pantanal.