Tag: feijão

  • Por que o feijão ficou 8% mais caro? Estudo aponta os motivos

    Por que o feijão ficou 8% mais caro? Estudo aponta os motivos

    O varejo alimentar brasileiro fechou junho com a inflação concentrada nos itens básicos da cesta de consumo. Questões de oferta regional e sazonalidade impulsionaram o feijão, que liderou as altas do período com avanço de 8% na média nacional. Os legumes vieram na sequência, com incremento de 4,2%. Os dados constam do estudo “Variações de Preços: Brasil & Regiões”, elaborado pela Neogrid, ecossistema de tecnologia e inteligência de dados voltado à gestão da cadeia de suprimentos.

    O preço médio do feijão saltou de R$ 8,05 para R$ 8,70 entre maio e junho, com o Centro-Oeste e o Sul puxando o movimento de forma mais expressiva. Os legumes, por sua vez, subiram de R$ 7,93 para R$ 8,26, com destaque para a região Norte, onde o avanço chegou a 11,3%.

    Para Marcelo Alves, gerente executivo de Dados da Neogrid, o encarecimento reflete a sensibilidade dessas categorias ao clima. “O cenário atual reforça a importância de um abastecimento inteligente no varejo. Com oscilações regionais tão distintas, a capacidade de adequar a reposição e a precificação com precisão para cada praça torna-se um diferencial competitivo”, afirma o executivo.

    Higiene e limpeza também registram altas

    Além dos itens de hortifrúti, o papel higiênico contabilizou alta de 1,8% no país, passando de R$ 1,50 para R$ 1,53. O detergente líquido acompanhou o movimento com alta de 1,7%, enquanto a água sanitária avançou 1,4%.

    Em direção oposta, alguns itens aliviaram o orçamento das famílias em junho. O café em pó e em grãos recuou 3,2%, com o preço médio caindo de R$ 65,20 para R$ 63,09. O açúcar registrou queda de 2,8%, saindo de R$ 3,59 para R$ 3,49. Ovos (-1,8%), óleo (-1,7%) e xampu (-1,5%) completam a lista das principais quedas nacionais.

    Pressão acumulada no ano preocupa

    O balanço entre dezembro de 2025 e junho de 2026 confirma os legumes como o item de maior valorização, com alta acumulada de 50,2% — de R$ 5,50 para R$ 8,26. O feijão vem logo atrás, com elevação de 36,7% no período. Leite UHT (23,1%), carne bovina (6,5%) e farinha de mandioca (5%) fecham a lista das maiores altas do ano.

    “Para os próximos meses, a tendência é de que a pressão sobre hortifrútis e feijão continue. O equilíbrio entre o encarecimento dos itens essenciais e a estabilidade nas demais categorias será determinante para a percepção de inflação e o ritmo de consumo das famílias no segundo semestre, exigindo acompanhamento em tempo real dos estoques para evitar rupturas e perdas financeiras”, analisa Alves.

    Na região Sudeste, o feijão liderou as altas com avanço de 8,4%, seguido pelos legumes (3%), papel higiênico (2,8%), cerveja (2,3%) e detergente líquido (1,6%). Em contrapartida, os ovos puxaram os recuos com queda de 5,5%, seguidos pela carne suína (-3,5%), açúcar e farinha de mandioca (-3,3% cada) e café em pó e em grãos (-2,9%).

  • Terceira safra derruba preço do feijão carioca no campo

    Terceira safra derruba preço do feijão carioca no campo

    A entrada da terceira safra continua pressionando os preços do feijão carioca no mercado brasileiro. Segundo o Cepea, o aumento gradual da oferta reduz os valores pagos ao produtor. Além disso, compradores adotam postura cautelosa diante da maior disponibilidade do grão.

    No mercado do feijão-preto, o cenário segue diferente. A confirmação de uma produção menor mantém as cotações sustentadas. Mesmo assim, a demanda ainda limita movimentos mais fortes de valorização.

    Os pesquisadores do Cepea destacam que os preços no campo já refletem o avanço da oferta. Por outro lado, o varejo ainda incorpora as altas registradas durante a primeira e a segunda safras. Esse descompasso mantém os preços ao consumidor em patamar superior ao observado no mercado produtor.

     

  • Governo define preços mínimos para safra 2026/27 e 2027

    Governo define preços mínimos para safra 2026/27 e 2027

    O governo federal publicou nesta segunda-feira (13) a Portaria nº 934. Ela estabelece os preços mínimos para produtos de verão e regionais das safras 2026/27 e 2027. A medida saiu no Diário Oficial da União (DOU) e define os valores que vão orientar as operações da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM).

    O Conselho Monetário Nacional (CMN) fixou os preços, que funcionam como referência para assegurar renda mínima aos produtores rurais em caso de queda nas cotações de mercado.

    Os preços mínimos terão vigência entre julho de 2026 e junho de 2028, conforme o produto. A lista inclui culturas estratégicas para o agronegócio brasileiro, como algodão (em caroço e pluma), arroz longo fino em casca, milho, soja e sorgo, além de feijão (cores e preto), mandioca (raiz, fécula e goma), cacau, borracha natural cultivada e leite.

    Também entram na relação produtos como caroço de algodão e juta/malva (embonecada e prensada). Além de derivados da borracha, como coágulo virgem a granel e látex de campo.

    Além dos produtos agrícolas, a portaria fixa os preços mínimos para sementes de culturas de verão e regionais, incluindo algodão, arroz, feijão, juta/malva, milho, soja e sorgo. Nesse caso, a vigência começa em novembro de 2026 e segue até junho de 2028.

    O que é a PGPM

    A Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM) busca proteger a renda do produtor rural diante das oscilações de mercado. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) elabora as propostas de preços com base em custos de produção e nas condições dos mercados interno e externo.

    De acordo com o Decreto-Lei nº 79/1966, os valores consideram fatores como oferta, demanda e variações nos preços agrícolas, garantindo maior previsibilidade ao setor.

  • El Niño está de volta; veja como ele pode afetar os alimentos no Brasil

    El Niño está de volta; veja como ele pode afetar os alimentos no Brasil

    A volta do El Niño acendeu um alerta no campo brasileiro. O fenômeno, provocado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial, já está em formação e deve ganhar força ao longo do segundo semestre de 2026. O efeito mais direto para o consumidor pode aparecer no preço dos alimentos.

    Segundo o Ministério da Agricultura, a previsão para o trimestre julho, agosto e setembro indica chuva acima da média em áreas do Sul e chuva abaixo da média no centro-norte do país. Além disso, há risco maior de temperaturas elevadas, ondas de calor e incêndios florestais.

    Na prática, isso mexe com o calendário de plantio, a produtividade das lavouras e a oferta de produtos básicos. Soja, milho, feijão, arroz, café, frutas, hortaliças, leite e carne podem ser afetados, cada um de forma diferente.

    Safra recorde ajuda a reduzir os riscos

    O risco não significa quebra generalizada de safra. O Brasil entra neste período com uma produção de grãos estimada em 358,6 milhões de toneladas na safra 2025/26, a maior já projetada para o país, segundo a Conab.

    O El Niño costuma provocar excesso de chuva no Sul. Em anos mais intensos, isso pode atrasar o plantio, prejudicar a colheita e favorecer doenças nas lavouras. Já no Centro-Oeste, no Norte e em parte do Nordeste, o problema tende a ser o oposto: menos chuva, calor mais forte e maior pressão sobre pastagens e reservatórios.

    O milho e a soja ficam no centro da preocupação porque sustentam boa parte da cadeia de carnes. Quando o clima reduz a produção ou encarece a ração, o efeito pode chegar ao frango, ao suíno, ao leite e ao boi.

    O feijão e as hortaliças também merecem atenção. São culturas mais sensíveis a irregularidades de chuva e calor. Por isso, qualquer quebra regional costuma aparecer mais rapidamente no bolso do consumidor.

    O café também inspira atenção. Temperaturas muito altas e chuvas irregulares podem comprometer floradas e reduzir o potencial produtivo das lavouras. Como o Brasil é o maior produtor e exportador mundial, qualquer instabilidade climática tende a influenciar tanto os preços internos quanto o mercado internacional.

    O que pode acontecer com os preços dos alimentos

    O alerta chega em um momento em que os alimentos já pressionam o orçamento das famílias. Em maio, o IPCA acumulava alta de 4,72% em 12 meses, segundo o IBGE. Em junho, a prévia da inflação oficial mostrou avanço de 0,74% no grupo alimentação e bebidas.

    Embora uma safra recorde ajude a formar estoques e reduzir parte da pressão, eventos climáticos extremos podem alterar esse cenário. Caso ocorram perdas relevantes em regiões produtoras, a menor oferta tende a pressionar os preços ao consumidor.

    Quando os efeitos podem chegar ao consumidor

    A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), dos Estados Unidos, informou que as condições de El Niño já estão estabelecidas e devem ganhar intensidade até o fim de 2026. A agência estima elevada probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade forte entre novembro e janeiro.

    Animação da Temperatura da Superfície do Mar no Pacífico — (Foto: NOAA)

    Os reflexos, entretanto, costumam aparecer de forma gradual. Primeiro, o clima interfere no desenvolvimento das lavouras. Depois, afeta a produtividade, altera os preços pagos aos produtores e, por fim, chega às gôndolas dos supermercados.

    O que produtores e consumidores devem observar

    Especialistas ressaltam que o El Niño representa um fator de risco, mas não uma garantia de perdas. O uso de sementes mais adaptadas, irrigação, seguro rural, monitoramento climático e planejamento das operações ajudam a reduzir os impactos sobre a produção.

    Ainda assim, os eventos climáticos extremos têm se tornado mais frequentes. Por isso, produtores acompanham com atenção cada atualização das previsões meteorológicas para ajustar o manejo das lavouras.

    Imagem mostra bancada de frutas em um mercado
    Foto: Agro Em Campo/ Pedro H. Lopes

    Para o consumidor, a recomendação é acompanhar a evolução dos preços de produtos como arroz, feijão, café, carnes, leite, frutas e hortaliças ao longo do segundo semestre.

    O fenômeno começa no Oceano Pacífico, a milhares de quilômetros do Brasil. No entanto, seus efeitos podem atravessar continentes e, alguns meses depois, chegar à mesa dos brasileiros na forma de alimentos mais caros ou de uma oferta menor de determinados produtos.

  • Mapa apreende 36 mil kg de arroz e feijão irregular

    Mapa apreende 36 mil kg de arroz e feijão irregular

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) realizou uma força-tarefa de fiscalização em estabelecimentos de beneficiamento e empacotamento de arroz, feijão e outros cereais no estado de São Paulo. A operação ocorreu por meio do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (Dipov), ligado à Secretaria de Defesa Agropecuária.

    arroz irregular em um galpão com profissional do MAPA
    Mapa realiza força-tarefa e identifica irregularidades em arroz e feijão no estado de São Paulo.

    As equipes atuaram nos municípios de Itu, Sorocaba, Campinas, Rio Claro, Cerquilho e Elias Fausto. Os fiscais verificaram a qualidade dos produtos, a rastreabilidade e o cumprimento das normas previstas na legislação brasileira.

    Durante a operação, auditores fiscais federais agropecuários analisaram documentos das empresas, origem dos produtos, condições das instalações e processos produtivos.

    Em Itu, Campinas e Sorocaba, a fiscalização apreendeu cerca de 30 mil quilos de feijão sem comprovação de origem e com falhas na rastreabilidade. Parte dos lotes apresentava insetos vivos, o que descumpre os padrões exigidos para comercialização.

    Já em Rio Claro, Elias Fausto e Cerquilho, os fiscais inspecionaram 139,1 mil quilos de arroz. A operação resultou na apreensão e inutilização de 24 bobinas de embalagens. Em um dos estabelecimentos, a equipe apreendeu 6 mil quilos de arroz por falta de registro no Mapa para a atividade de empacotamento.

    Ausência do processo obrigatório

    Os auditores também identificaram ausência do processo obrigatório de classificação dos grãos antes da embalagem, etapa essencial para garantir a qualidade do produto. Diante das irregularidades, uma empresa teve a produção suspensa de forma cautelar.

    A operação também incluiu a coleta de 20 amostras de produtos nacionais e importados. O material seguirá para análise laboratorial dentro dos programas oficiais de controle de qualidade e monitoramento de resíduos e contaminantes.

    Com a ação, o Mapa reforça a fiscalização sobre produtos vegetais, com foco na proteção do consumidor, na garantia da qualidade dos alimentos e na promoção da concorrência justa no setor.

  • Cesta básica sobe em todas as capitais

    Cesta básica sobe em todas as capitais

    A Análise Mensal da Cesta Básica, divulgada nesta semana, revela um cenário misto para o bolso dos brasileiros em maio. O levantamento, realizado pela parceria entre a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), mostra que o café em pó e o óleo de soja ficaram mais baratos em 23 capitais brasileiras. Além desses itens, o açúcar e a banana também apresentaram recuo de preços na maior parte do país, impulsionados pelo aumento da oferta no varejo.

    Boas perspectivas para a safra e o avanço da colheita explicam a queda de até 7,86% no café em pó em Campo Grande. Já o óleo de soja recuou até 7,87% em Macapá, favorecido pela maior oferta interna. A capital amapaense também registrou a maior redução no preço do açúcar, com uma queda expressiva de 20,41%. No caso da banana, o maior declínio ocorreu em Campo Grande, onde o fruto ficou 10,84% mais barato.

    Alimentos que pesaram no orçamento

    Por outro lado, o encerramento da safra das águas e o início da temporada das secas reduziram a oferta de diversos produtos, elevando os custos para o consumidor.

    Entre os destaques negativos estão:

    Batata: o preço subiu em todas as 11 cidades das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul. São Paulo registrou a menor variação, ainda assim com alta de 40,03%.

    Tomate e carne bovina: ambos encareceram em 26 capitais. O tomate saltou 44,8% em Porto Alegre, enquanto a carne subiu 7,35% em Porto Velho.

    Feijão e arroz: o feijão-carioca valorizou entre 1,13% (Cuiabá) e 31,36% (Macapá). O arroz teve alta em 18 capitais, com destaque para Palmas (14,23%), embora tenha caído 9,04% em Aracaju.

    Leite integral: o produto apresentou oscilações distintas, ficando 9,75% mais caro em Macapá e 3,28% mais barato no Rio de Janeiro.

    Custo total da cesta e o cenário nas capitais

    Apesar das quedas pontuais, o valor total da cesta básica subiu em todos os municípios monitorados no mês de maio. As variações ficaram entre 1,73% em Campo Grande e 8,05% em Recife.

    São Luís consolidou-se como a capital com o preço mais acessível (R$ 651,15),seguida por Aracaju(R$ 652,73) e Rio Branco (R$ 689,11). A capital maranhense também obteve um resultado positivo na comparação anual, com os alimentos custando 2,52% menos do que no mesmo período de 2025.

    Acumulado do ano (Dezembro/2025 a Maio/2026)

    No balanço dos primeiros cinco meses do ano, a cesta básica encareceu em todas as capitais, com uma média de 14,89% de aumento.

    São Luís registrou o menor crescimento acumulado (3,45%), enquanto outras 23 capitais ficaram abaixo da média nacional, incluindo Campo Grande (8,41%), Brasília (12,3%) e São Paulo (12,56%).

  • Safra de grãos deve bater novo recorde no Brasil

    Safra de grãos deve bater novo recorde no Brasil

    A produção brasileira de grãos pode alcançar 358,6 milhões de toneladas na safra 2025/26. A projeção representa um novo recorde histórico. A estimativa foi divulgada nesta quinta-feira (11) pela Companhia Nacional de Abastecimento no 9º Levantamento da Safra de Grãos. O volume previsto supera em 1,8% o resultado da temporada anterior.

    Segundo a Companhia, o aumento corresponde a 6,4 milhões de toneladas. Além disso, a área cultivada deve atingir 83,5 milhões de hectares. A Conab atribui o desempenho ao avanço da área plantada e às condições climáticas favoráveis. Com isso, a produtividade média nacional deve alcançar 4.295 quilos por hectare.

    Soja lidera crescimento da produção

    A soja apresenta o maior avanço entre as culturas analisadas. A produção está estimada em 180,3 milhões de toneladas. O volume supera em 8,8 milhões de toneladas o resultado da safra passada. Além disso, a colheita está praticamente concluída.

    A Conab destaca o crescimento da área destinada à oleaginosa. O uso de tecnologia e o clima favorável também impulsionaram a produtividade.

    Milho registra alta e pode alcançar 140,5 milhões de toneladas

    O milho deve somar 140,5 milhões de toneladas nas três safras do ciclo 2025/26. A colheita da primeira safra alcança 87,7% da área cultivada. A produção dessa etapa deve atingir 29,3 milhões de toneladas.

    O resultado representa alta de 17,7% frente à temporada anterior. Além disso, a produtividade média cresceu 7,6%. A expectativa é de rendimento médio de 7.110 quilos por hectare. O índice estabelece novo recorde histórico para a primeira safra.

    Já a segunda safra está em fase inicial de colheita. A produção prevista chega a 107,9 milhões de toneladas. Na terceira safra, o plantio se aproxima do encerramento. A expectativa é colher 3,3 milhões de toneladas.

    Algodão e sorgo apresentam cenários distintos

    A produção de algodão deve atingir cerca de 4 milhões de toneladas. O volume representa queda de 2,5% sobre a safra anterior. Segundo a Conab, a redução ocorre devido à menor área semeada.

    Por outro lado, o sorgo deve registrar forte crescimento. A colheita está estimada em 7,62 milhões de toneladas. O resultado supera em 24,9% o volume obtido na temporada passada. O aumento corresponde a 1,5 milhão de toneladas.

    Arroz e feijão devem garantir abastecimento interno

    A colheita de arroz está praticamente finalizada. A produção prevista alcança 11,1 milhões de toneladas. O volume fica 13,2% abaixo do registrado na safra passada. A redução reflete a menor área destinada ao cereal.

    No caso do feijão, a produção total das três safras deve ficar próxima de 3 milhões de toneladas. O resultado representa leve recuo de 0,5% frente ao ciclo anterior. Ainda assim, a estimativa garante o abastecimento do mercado interno.

    Trigo terá menor área plantada

    Entre as culturas de inverno, o trigo segue com o plantio em andamento. A semeadura já alcança 45,3% da área prevista. A Companhia projeta redução da área destinada ao cereal. Por isso, a produção deve ficar em torno de 6,3 milhões de toneladas.

    Exportações e estoques ganham reforço

    A safra recorde de soja deve ampliar as exportações brasileiras. A expectativa é embarcar 116,1 milhões de toneladas. Além disso, o processamento da oleaginosa pode alcançar 61,58 milhões de toneladas.

    Com esse cenário, o estoque de passagem da soja deve atingir 9,2 milhões de toneladas. A Conab também revisou as projeções para o milho. Os estoques finais do grão podem chegar a 13,25 milhões de toneladas em janeiro de 2027. Já o estoque final de feijão foi atualizado para 288,5 mil toneladas até dezembro deste ano.

  • Goiás reduz ICMS do feijão em 60% para recuperar competitividade no mercado nacional

    Goiás reduz ICMS do feijão em 60% para recuperar competitividade no mercado nacional

    O governador Daniel Vilela anunciou a redução da alíquota interestadual do ICMS incidente sobre o feijão in natura comercializado fora de Goiás. O tributo cai de 6,06% para 2,4%, uma redução de 60,4%. Portanto, equiparando o estado ao Distrito Federal e tornando o grão goiano mais competitivo frente a rivais como Minas Gerais, que concede isenção total, e o Paraná, que aplica apenas 1%.

    Governador vai encaminhar à Assembleia Legislativa projeto de lei com proposta de redução do ICMS Foto: Adalberto Ruchelle

    O governo enviará projeto de lei com as alterações à Assembleia Legislativa. A renúncia fiscal estimada é de R$ 12 milhões por ano, a partir de 2027, e baseia-se em estudos técnicos sobre o cenário tributário nacional e a sustentabilidade das contas estaduais.

    Por que a medida é urgente

    Cerca de 70% da produção goiana de feijão precisam sair do estado, pois o mercado interno não absorve o volume colhido. Com a desvantagem tributária atual, o produto perde espaço para concorrentes que operam com cargas menores. Enquanto Goiás cobrava 6,06%, Mato Grosso praticava cerca de 4,5%, o Distrito Federal, 2,4%, e o Paraná, 1%.

    “A decisão faz todo sentido pela concorrência desleal, principalmente do Distrito Federal e Minas Gerais”, avaliou o secretário da Agricultura, Ademar Leal. A secretária da Economia, Renata Noleto, reforçou: “Fizemos planejamento para conceder o benefício e entendemos que a medida vai favorecer a comercialização do produto.”

    Reação do setor

    Produtores e representantes do agronegócio celebraram o anúncio. “É um pleito muito antigo que a gente nunca desistiu”, disse o produtor rural Dário Luiz, de Cristalina, um dos dez maiores municípios produtores do estado. O prefeito local, Luís Otávio, destacou o avanço: “Os produtores já estavam desacreditados com esta reivindicação.”

    Eduardo Veras, presidente em exercício da Federação da Agricultura do Estado de Goiás (Faeg), defendeu que a redução abrirá espaço para crescimento: “A partir do momento que a gente realmente reduzir essa carga, vamos aumentar a produtividade de Goiás.” Leonardo Machado, integrante da Aprosoja e do IFAG, foi além: “Goiás sempre foi expoente na produção de feijão. Com essa atitude, vamos retomar a posição de destaque.”

    Goiás no cenário nacional

    O estado ocupa a quinta posição no ranking nacional de produção de feijão, com 9,7% do total do país. Para a safra 2025/2026, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta colheita de 281,2 mil toneladas em 109,2 mil hectares. Mesmo com redução de 8,4% na área plantada e de 3% no volume produzido em relação à safra anterior, a produtividade deve crescer 5,9%, chegando a 2,6 toneladas por hectare.

    Os números financeiros reforçam a relevância da cultura. O Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) do feijão goiano deve atingir R$ 1,63 bilhão em 2026, alta de 20,5% sobre o ano anterior. Ou seja, o quarto maior VBP do país para a cultura, representando 12,1% do valor gerado pelo setor em todo o Brasil.

    O cultivo está presente em 91 municípios. Os maiores produtores são Cristalina, São João d’Aliança, Jussara, Luziânia, Paraúna, Catalão, Água Fria de Goiás, Planaltina, Campo Alegre de Goiás e Formosa.

  • Põe mais água no feijão: entenda a alta de preço

    Põe mais água no feijão: entenda a alta de preço

    Os preços do feijão seguiram em alta na primeira quinzena de maio. O movimento atingiu o carioca e o preto. Segundo o Cepea, a oferta restrita sustentou as valorizações no mercado brasileiro.

    Além disso, as incertezas climáticas aumentaram a cautela entre produtores e compradores, principalmente na região Sul do País.

    Reflexo para o consumidor

    O Centro de Pesquisas informou que a alta no campo chegou gradualmente ao consumidor nas últimas semanas. Ao mesmo tempo, agentes do setor monitoram possíveis impactos das geadas sobre as lavouras de feijão.

    De acordo com o Cepea, as cotações do feijão carioca e preto avançaram em diversas regiões produtoras. A demanda permaneceu concentrada no Paraná devido ao atual ritmo da colheita estadual. Parte dos grãos colhidos apresentou elevada umidade e precisou passar por secadores antes da comercialização.

    As geadas registradas no início da semana reforçaram a restrição da oferta. As ocorrências atingiram principalmente áreas de baixada no Sul do Brasil. No entanto, técnicos ainda avaliam os impactos climáticos sobre a produtividade das lavouras.

     

  • Minas Gerais registra salto de 61% na produção de grãos na última década

    Minas Gerais registra salto de 61% na produção de grãos na última década

    Minas Gerais consolidou um avanço histórico no agronegócio nos últimos dez anos. Um estudo da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Seapa) revela que a produção mineira de milho, feijão, sorgo e soja saltou de 11,8 milhões de toneladas, no ciclo 2015/2016, para uma estimativa de 18,9 milhões de toneladas na safra 2025/2026. Esse crescimento de 61% posiciona o estado como o 6º maior produtor nacional, detendo cerca de 6% do total brasileiro.

    Embora Minas já lidere mercados tradicionais como café, leite, batata e frutas, os grãos ganharam terreno de forma acelerada. Apenas em 2025, o estado exportou 6,8 milhões de toneladas de soja, o que gerou uma receita de US$ 2,7 bilhões.

    Tecnologia e inovação impulsionam o campo

    Para o secretário de Agricultura, Thales Fernandes, o uso de tecnologias da agricultura de precisão, como drones e sensores, e a expansão da agricultura irrigada explicam o sucesso das colheitas. Ele também destaca o papel da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) no desenvolvimento de sementes mais produtivas e resistentes às mudanças climáticas.

    “A tendência é que o melhoramento genético e a adaptação tecnológica avancem para culturas de grãos mais sustentáveis”, afirmou Fernandes, mencionando lavouras de soja, trigo, milho, feijão e sorgo.

    Estratégia da “safrinha” garante eficiência produtiva

    A otimização do solo também foi determinante para os resultados recordes. Muitos produtores mineiros adotaram o sistema de rotação: plantam soja na primeira safra e milho na segunda, a chamada safrinha. Essa técnica permite colher mais na mesma área, utilizando o terreno de forma eficiente durante quase todo o ano.

    Como resultado dessa estratégia, a produção de soja saltou de 4,7 milhões para 9,2 milhões de toneladas no período. Atualmente, a oleaginosa ocupa o posto de segundo produto mais importante da pauta exportadora de Minas Gerais, superada apenas pelo café. As regiões do Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba e Noroeste lideram esse desempenho no estado.

    Apesar do otimismo, o governo mineiro monitora fatores que podem impactar a safra 2026/2027. O secretário Thales Fernandes aponta preocupações com os juros altos e a chegada do fenômeno El Niño, que pode atrasar o período de chuvas. Além disso, o cenário geopolítico, como o bloqueio no Estreito de Ormuz, gera incertezas sobre o fornecimento global de fertilizantes para o Brasil.