A entrada da terceira safra continua pressionando os preços do feijão carioca no mercado brasileiro. Segundo o Cepea, o aumento gradual da oferta reduz os valores pagos ao produtor. Além disso, compradores adotam postura cautelosa diante da maior disponibilidade do grão.
No mercado do feijão-preto, o cenário segue diferente. A confirmação de uma produção menor mantém as cotações sustentadas. Mesmo assim, a demanda ainda limita movimentos mais fortes de valorização.
Os pesquisadores do Cepea destacam que os preços no campo já refletem o avanço da oferta. Por outro lado, o varejo ainda incorpora as altas registradas durante a primeira e a segunda safras. Esse descompasso mantém os preços ao consumidor em patamar superior ao observado no mercado produtor.
O mercado de feijão encerrou fevereiro com forte alta nos preços, sobretudo do feijão carioca.
O grão atingiu valor recorde na série histórica do Cepea em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A série começou em setembro de 2024 e registrou novo patamar histórico para o produto.
Além disso, o feijão preto apresentou, em fevereiro, a maior média desde janeiro de 2025. Segundo levantamento do Cepea, o preço médio do carioca subiu 29,3% de janeiro para fevereiro. Esse foi o maior avanço mensal entre os feijões acompanhados pelo centro de pesquisas.
Ao mesmo tempo, o resultado marcou a variação mais intensa já registrada para o feijão carioca. Com isso, a média de fevereiro superou os valores observados em maio de 2025.
Mercado interno mantém preços do feijão em alta
Na última semana de fevereiro, o mercado interno apresentou liquidez moderada. Enquanto isso, compradores realizaram aquisições criteriosas, principalmente para repor estoques do varejo. Por outro lado, a oferta da primeira safra seguiu limitada em diversas praças. Esse cenário sustentou a valorização do feijão no período.
Colheita da primeira safra avança no campo
No campo, produtores avançaram com a colheita da primeira safra em várias regiões. Ao mesmo tempo, agentes acompanharam com atenção a semeadura da segunda safra. No Paraná, o plantio recebeu atenção redobrada dos participantes do mercado.
Os preços do feijão carioca registram forte alta em fevereiro no mercado brasileiro. Além disso, janeiro foi marcado pela recuperação do feijão preto no Brasil.
O levantamento do Cepea mostra que a média parcial de fevereiro supera em mais de 20% janeiro.
Além disso, em algumas regiões, a valorização do feijão carioca ultrapassa 30%. Os pesquisadores atribuem a alta às dificuldades na colheita da primeira e segunda safras. Eles também destacam as restrições de área cultivada nesta temporada. Com isso, a disponibilidade de feijão no Brasil deve atingir o menor nível em uma década.
Os dados divulgados pela Conab estimam a safra brasileira em 2,97 milhões de toneladas.
Esse volume representa a menor produção desde a temporada 2021/22. No entanto, quando se somam estoques iniciais e importações, a oferta interna alcança 3,09 milhões de toneladas. Ainda assim, esse total configura a menor disponibilidade em dez anos. O último volume semelhante ocorreu na safra 2015/16, quando o país registrou 3,04 milhões de toneladas disponíveis.
O feijão carioca, presença diária no prato de milhões de brasileiros, completa em 2026 seis décadas desde o início de seu desenvolvimento científico pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo. O grão nasceu de uma observação casual em campo, evoluiu nas mãos da ciência pública e transformou definitivamente a cultura do feijão no Brasil.
engenheiro agrônomo Waldimir Coronado Antunes, então chefe da Casa da Agricultura da CATI. Foto: Arquivo Cati
A história começa no início dos anos 1960, em Ibirarema, no Oeste Paulista. O engenheiro agrônomo Waldimir Coronado Antunes, então chefe da Casa da Agricultura da CATI, identificou plantas com grãos diferentes em uma lavoura de feijão chumbinho, variedade tradicional à época. Os grãos apresentavam padrão rajado, com manchas marrons e pretas sobre fundo claro.
Antunes separou o material e iniciou uma seleção, apostando tratar-se de uma mutação genética natural. O desempenho das plantas surpreendeu os técnicos. Elas demonstravam maior vigor, produtividade elevada, menor suscetibilidade a doenças e excelente qualidade culinária, com cozimento rápido, caldo consistente e sabor marcante.
1966: quando 30 quilos de sementes chegaram ao IAC
O marco histórico que completa 60 anos aconteceu oficialmente em 1º de agosto de 1966. Nesta data, a CATI enviou ao Instituto Agronômico (IAC), em Campinas, um lote de 30 quilos de sementes. O pesquisador Shiro Miyasaka recebeu o material e o catalogou como I-38700, incorporando-o à coleção de germoplasma do Instituto.
A partir deste momento, a curiosidade de campo ganhou status de objeto científico. Os pesquisadores Luiz D’Artagnan de Almeida, Shiro Miyasaka e Hermógenes Freitas Leitão Filho conduziram as avaliações agronômicas que fundamentariam o futuro lançamento da cultivar.
Os primeiros resultados confirmaram o potencial excepcional do novo feijão. Ensaios regionais realizados entre 1967 e 1969 registraram produtividade média de 1.670 quilos por hectare, superando variedades tradicionais como bico-de-ouro e rosinha, que produziam cerca de 1.280 quilos por hectare. O grão também apresentava resistência às principais doenças, boa adaptação aos solos paulistas e alta aceitação após o preparo.
O apelido que veio dos porcos
O Instituto lançou oficialmente o feijão em 1969 com o nome “carioca”, denominação que gerou confusão por décadas. Ao contrário do que muitos imaginam, o nome não tem relação com o estado ou a cidade do Rio de Janeiro.
A origem é simples e rural: um trabalhador da fazenda de Antunes comparou o padrão rajado dos grãos à pelagem de porcos crioulos conhecidos como “cariocas”, termo usado à época para animais manchados. A CATI registrou oficialmente a origem do nome apenas no ano 2000, em publicação comemorativa.
Campanha de divulgação venceu a resistência inicial
Os consumidores não aceitaram o feijão carioca imediatamente. Acostumados a grãos de coloração uniforme, viam com desconfiança o aspecto “manchadinho” do novo produto. Pesquisadores do IAC e técnicos da CATI protagonizaram então uma das campanhas de difusão científica e tecnológica mais bem-sucedidas da agricultura brasileira.
Campanhas de esclarecimento, palestras técnicas, distribuição de sementes, campos de demonstração, materiais educativos e receitas culinárias ajudaram a romper o preconceito estético. A estratégia conquistou produtores e consumidores em poucos anos.
O feijão carioca espalhou-se pelas lavouras paulistas e, na década seguinte, alcançou praticamente todo o território nacional. Em 1976, menos de uma década após seu lançamento, já era a variedade mais cultivada e comercializada no Estado de São Paulo, tornando-se referência nacional e base para a modernização da cultura do feijão.
O legado de Luiz D’Artagnan de Almeida
Luiz D’Artagnan de Almeida, considerado o “pai do carioquinha” e falecido no início de 2026, deixou um legado que ultrapassa a criação de uma cultivar. Seu trabalho estruturou o programa de melhoramento genético do feijão no Brasil, inaugurando uma nova fase da cultura, com ganhos contínuos de produtividade, qualidade e adaptação aos sistemas modernos de produção.
Engenheiro-agrônomo Luiz D’Artagnan de Almeida. Foto: Arquivo Cati
Ao longo das últimas seis décadas, o feijão carioca evoluiu continuamente. O Brasil já desenvolveu mais de uma dezena de gerações do material original, com melhorias em porte, precocidade, resistência a doenças, tolerância ao escurecimento dos grãos e qualidade culinária. Mais de 60 variedades do tipo carioca surgiram a partir do material original, tanto no Brasil quanto no exterior, inclusive em programas internacionais de melhoramento.
IAC mantém programa permanente de pesquisa
Sessenta anos após o início do desenvolvimento do feijão carioca, São Paulo mantém em operação um programa permanente de melhoramento genético do feijoeiro, conduzido pelo Instituto Agronômico (IAC), referência nacional desde 1932.
O programa cria cultivares produtivas, resistentes a doenças como a antracnose, com grãos claros, rápido cozimento e menor dependência de agroquímicos. As cultivares apresentam maior teor de proteína e ciclos mais precoces, o que representa menor tempo no campo – aspecto que favorece o plantio frente ao estresse climático e biológico.
Atualmente, cultivares de feijão desenvolvidas pelo IAC estão presentes em mais de 13 estados brasileiros. Estudos do Instituto indicam que os materiais do IAC ocupam cerca de 60% das lavouras de feijão do país, com destaque para o tipo carioca, que responde pela maior parte das áreas multiplicadas e licenciadas. O carioca representa aproximadamente 66% das sementes autorizadas, refletindo o padrão de consumo nacional. O feijão preto responde por outros 14%.
Ciência pública alimenta milhões de brasileiros
Embora não predomine em todas as regiões – o feijão preto lidera no Sul e o mulatinho no Nordeste -, o carioca tornou-se o principal feijão do mercado interno brasileiro, desempenhando papel central na segurança alimentar do país.
Rico em proteínas, fibras e minerais, serve como base da alimentação cotidiana, matéria-prima da indústria e aliado das dietas contemporâneas, incluindo vegetarianas e veganas. Mais do que um alimento, representa uma cadeia produtiva estratégica, geradora de renda, emprego e desenvolvimento tecnológico.
Queda no consumo preocupa pesquisadores
Segundo a Embrapa, o consumo per capita de feijão no Brasil atingiu seu pico entre 1961 e 1970, com média de quase 23 kg por pessoa ao ano. O índice caiu continuamente até atingir em 2024 o menor registro da série histórica.
Mudanças nos hábitos alimentares e no estilo de vida da população explicam a queda, com famílias menores, rotina urbana mais acelerada e redução do hábito de cozinhar em casa.
“A redução no consumo do feijão carioca é preocupante porque toda a produção precisa ser absorvida internamente. Com mais tecnologia e área irrigada, a oferta cresce, e isso pode pressionar os preços pagos ao agricultor”, afirma o pesquisador Alisson Fernando Chiorato, do IAC.
Diversificação e sustentabilidade como resposta
Diante desse contexto, o programa passou a atuar também na diversificação de tipos de feijão. “Nosso foco é gerar diversidade, com feijões vermelhos, brancos, rajados e materiais voltados ao mercado externo, permitindo alternativas de comercialização e reduzindo a dependência exclusiva do carioca”, explica Chiorato.
Além da diversificação, os pesquisadores investem em características que dialogam com o consumidor moderno. “Os feijões atuais cozinham em menos tempo, consomem menos água no campo, têm ciclos mais curtos e exigem menos insumos, resultando em um alimento mais saudável e sustentável”, destaca o pesquisador Sérgio Augusto Morais Carbonell, do IAC.
Segundo Carbonell, a pesquisa também busca reforçar o papel nutricional do grão. “O feijão é uma das proteínas vegetais mais completas e acessíveis. Mostrar sua qualidade, segurança e versatilidade é fundamental para estimular o consumo e enfrentar um problema que já se reflete em saúde pública”, ressalta.
Sessenta anos após o início de seu desenvolvimento científico, o feijão carioca segue como prova concreta de que o investimento contínuo em pesquisa pública transforma a realidade do campo e da mesa. O grão que acompanha o arroz de milhões de brasileiros nasceu da observação, da persistência e da ciência paulista – um legado que atravessa gerações.
O Brasil embarcou mais de 500 mil toneladas de feijão entre janeiro e novembro de 2025, estabelecendo um novo recorde histórico desde o início da série da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), em 1997. O desempenho robusto no mercado externo, entretanto, contrasta com o cenário doméstico, onde os compradores realizam apenas operações pontuais para repor estoques.
O comportamento seletivo dos compradores continua influenciando os preços do feijão carioca no mercado interno. Os produtores oferecem majoritariamente grãos de qualidade superior, o que sustenta as cotações em patamares elevados.
A colheita paulista concentra a oferta de grãos com coloração clara, boa peneira e baixa umidade, favorecendo a estabilidade dos preços. Entre 28 de novembro e 5 de dezembro, Itapeva (SP) registrou alta de 0,42% na saca.
Os produtores mantêm postura firme, especialmente nos lotes irrigados remanescentes da terceira safra, impulsionando valorizações de 1,03% em Sorriso (MT) e 0,54% no Noroeste de Minas. O Centro e Noroeste Goiano, por outro lado, apresentaram leve retração.
Feijão de qualidade intermediária reduz diferença de preços
Os lotes de feijão carioca com notas 8 e 8,5 aproximaram seus preços dos produtos de notas superiores, reduzindo a diferença para cerca de 5,5% no início de dezembro. Itapeva (SP) liderou as valorizações com alta de 3,24%, seguida pelo Noroeste de Minas (3,21%), Centro/Noroeste Goiano (2,72%) e Leste Goiano (0,88%). Entretanto, a cautela dos compradores provocou quedas no Sul Goiano (-3,44%), Barreiras (BA) (-0,90%) e Sorriso (MT) (-0,51%).
A elevada disponibilidade de grãos remanescentes da safra 2024/2025 mantém os preços do feijão preto sob pressão. Os produtores negociam conforme a necessidade de caixa ou liberação de espaço nos armazéns, enquanto os compradores demonstram baixo interesse. O feijão preto tipo 1 registrou alta moderada de 0,9% em Curitiba e leve queda de 0,4% na Metade Sul do Paraná.
O mercado brasileiro de feijão vive um momento de contrastes. Enquanto as exportações alcançam números históricos, o consumo doméstico desacelera e os preços caem nas principais regiões produtoras do país.
O Brasil embarcou 85,4 mil toneladas de feijão em setembro, estabelecendo novo recorde mensal. No acumulado de 12 meses, as vendas externas atingiram 488,4 mil toneladas. De janeiro a setembro de 2025, o volume exportado já chegou a 361,9 mil toneladas, superando todo o total registrado em 2024.
O Indicador Cepea/CNA aponta que o mercado interno do feijão carioca (notas 9 ou superiores) manteve baixa liquidez entre 2 e 9 de outubro. As chuvas em diferentes estados reduziram o interesse de compra e pressionaram as cotações para baixo.
Sorriso (MT) registrou a queda mais expressiva. A média recuou 6,23% no período, passando de R$ 218,33 para R$ 204,72 por saca de 60 kg. No Leste Goiano, o recuo atingiu 4,91%, com a saca negociada a R$ 229,07. Belo Horizonte (MG) viu os preços caírem 4,6%, fechando em R$ 250,00 por saca, enquanto o Noroeste de Minas registrou queda de 2,31%, para R$ 247,79 por saca.
Feijão de qualidade inferior enfrenta menor demanda
O feijão carioca com notas 8 e 8,5 também sentiu o impacto da retração. A qualidade inferior dos lotes e a menor demanda afetaram as negociações na maioria das praças.
O Sul Goiano registrou queda de 4,6% em sete dias, com a saca negociada a R$ 209,09. Em Belo Horizonte, o recuo foi de 4,0%, alcançando R$ 205,00 por saca. O Centro/Noroeste Goiano apresentou redução de 3,2%, com preço de R$ 198,38 por saca.
Feijão preto apresenta ajustes moderados após valorização
Depois da forte valorização em setembro, o mercado do feijão preto tipo 1 passou por ajustes negativos moderados. A reposição ocorre mais lentamente e a demanda se estabilizou.
Curitiba (PR) viu o preço cair 2,3%, passando de R$ 159,07 para R$ 155,50 por saca. A metade sul do Paraná registrou recuo de 2,8%, para R$ 143,33 por saca. O Oeste Catarinense manteve estabilidade, com negócios a R$ 137,74 por saca. Itapeva (SP) contrariou a tendência e apresentou valorização de 6,3%, alcançando R$ 170,00 por saca.
Mato Grosso consolidou-se como principal estado exportador brasileiro, seguido por Tocantins, Paraná, Minas Gerais e Goiás. A maior parte dos embarques consiste em feijões dos tipos vigna mungo e radiata.
A Índia concentra mais da metade das compras brasileiras, representando 57% do volume total exportado. O país asiático mantém-se como principal destino do feijão nacional no mercado internacional.
Clima influencia perspectivas para próxima safra
Tiago Pereira, assessor técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), analisa que o cenário atual combina fatores opostos. “O movimento recorde das exportações contrasta com um mercado interno ainda enfraquecido pela menor demanda e pelos efeitos do clima”, explica.
O especialista destaca que a intensificação das chuvas em outubro tende a influenciar esse cenário. “O Paraná, que concentra boa parte da primeira safra de feijão do país, merece atenção especial neste momento”, afirma Pereira.
A segunda semana de setembro registrou valorização no mercado de feijão. Pesquisadores do Cepea apontam que o feijão carioca de melhor qualidade segue em alta.
A oferta restrita nas principais regiões produtoras sustenta os preços. O movimento ganha força com clima adverso, colheita finalizada e estratégias de armazenamento.
O mercado do feijão preto apresenta recuperação, mesmo com valores ainda abaixo das médias históricas. Pesquisadores do Cepea atribuem o suporte à retomada pontual da demanda.
Dados da Conab, divulgados em 11 de setembro, projetam safra nacional de 3,07 milhões de toneladas em 2024/25.
O volume representa queda de 3,9% frente ao ciclo anterior. A retração resulta da redução de 5,6% na área cultivada, compensada parcialmente por ganho de 1,8% na produtividade.
O feijão é um alimento essencial na dieta brasileira, e sua variedade vai muito além do popular feijão carioca. Embora esse tipo seja o mais consumido no país, outras opções como o feijão preto, vermelho e fradinho também oferecem sabores distintos e benefícios nutricionais significativos.
Segundo a engenheira de alimentos da Combrasil, Ana Rachel Bernardes, “todos esses feijões são ricos em nutrientes essenciais, como cálcio, ferro, fibras e carboidratos”, tornando-os fundamentais para uma alimentação equilibrada.
Benefícios nutricionais de cada tipo de feijão
Feijão preto
Foto: Divulgação – CNA
Amplamente utilizado na feijoada, o feijão preto é rico em ferro, ajudando no combate à anemia. Além disso, fornece fibras essenciais que promovem a saúde intestinal.
Feijão carioca
Foto: Sebastião_Araújo/Embrapa
Com formato arredondado e cor creme com pintas, o feijão carioca é versátil e fonte de proteínas, fibras e vitaminas do complexo B. Ele é conhecido por seu papel na prevenção da anemia e na manutenção da saúde digestiva.
Feijão mulatinho
Pequeno e de cor clara, o feijão mulatinho tem um sabor leve e é rico em ferro e potássio. É uma opção nutritiva para quem busca um grão menos robusto.
Feijão fradinho
Pequeno e oval, o feijão fradinho é famoso em pratos como o acarajé. Ele é uma excelente fonte de proteínas e contribui para a saúde cardiovascular devido ao seu teor de magnésio.
Feijão branco
Com sua cor clara e forma arredondada, o feijão branco é uma ótima fonte de fibras solúveis que ajudam no controle do colesterol. Também é rico em ferro e zinco.
Feijão manteiga
Conhecido por seus grãos grandes e amarelados, o feijão manteiga é cremoso e ideal para pratos tradicionais como a feijoada. Além de seu sabor marcante, é uma boa fonte de proteínas e fibras.
Feijão vermelho
Popular em diversas regiões do Brasil, o feijão vermelho possui um sabor marcante e é rico em ferro. Suas propriedades anti-inflamatórias fazem dele uma escolha saudável.
Feijão mungo
Conhecida no Brasil como feijão moyashi, feijão mungu, vielum, feijão mungu verde ou feijão-da-china (Vigna radiata) é uma planta leguminosa, muito utilizada na produção de brotos comestíveis, conhecidos como moyashi.
Com a alta concentração de fibras, a leguminosa ajuda a reduzir o mau colesterol e regular a pressão, estabilizando o fluxo de sangue do nosso corpo e reduzindo as chances de doenças do coração.
Feijão Jalo
O jalo é consumido na região Centro-Oeste do Brasil e também é muito valorizado no Oriente Médio. Em sua composição, é uma fonte rica em fibras, ferro e compostos fenólicos
A importância do feijão na dieta
“Explorar a diversidade de feijões transforma as refeições em experiências ricas em sabores e nutrientes”, afirma Ana Rachel Bernardes. Cada variedade oferece benefícios únicos que contribuem para uma dieta equilibrada. Incluir diferentes tipos de feijão nas refeições pode não apenas enriquecer o paladar, mas também proporcionar nutrientes essenciais para a saúde.
O Ministério da Saúde recomenda o consumo diário dessa leguminosa como parte de uma alimentação saudável, reforçando sua importância na dieta brasileira. Portanto, ao variar os tipos de feijão em suas refeições, você pode descobrir novas combinações deliciosas enquanto cuida da sua saúde.
A Embrapa Agroindústria de Alimentos (RJ) desenvolveu uma nova linha de alimentos sem glúten, unindo cereais integrais, como arroz e milheto, com pulses, como grão-de-bico e feijão-carioca.
Entre as novidades estão snacks aerados, farinhas pré-cozidas, massas alimentícias e pão pita (árabe ou sírio). Para colocar os produtos no mercado, a instituição busca parceiros para codesenvolvimento, validação e licenciamento.
Os novos alimentos foram desenvolvidos por meio da extrusão termoplástica, tecnologia que permite o cozimento rápido e preserva os nutrientes dos grãos.
De acordo com Carlos Piler, pesquisador da Embrapa, o processo permite utilizar o grão inteiro, evitando o refinamento. “Com isso, as enzimas que causam rancificação são inativadas, prolongando a vida útil do produto”, explica Piler.
Além disso, os snacks possuem 12,8% de proteína e 9% de fibras, enquanto o pão pita contém 10,5% de proteínas e 10% de fibras. Ambos alcançaram índice de aceitação sensorial de 70%, indicando boa receptividade pelo público.
Seleção das matérias-primas e massa rica em proteínas e fibras
A escolha dos ingredientes se baseou na disponibilidade no mercado e em características nutricionais. Além disso, Piler aponta o arroz e o feijão-carioca como grãos amplamente cultivados no Brasil, justificando sua escolha.
Ele menciona também o grão-de-bico, elogiando seu sabor neutro. Entretanto, quanto ao milheto pérola, Piler ressalta suas qualidades nutricionais e compostos bioativos.: “Esse cereal contém compostos fenólicos de destaque e é amplamente cultivado no Brasil, garantindo segurança alimentar”.
Outro destaque é a massa alimentícia em formato fusilli, desenvolvida a partir de milheto pérola e grão-de-bico, ambos integrais.
A pesquisadora Melicia Galdeano explica que o uso de farinha pré-cozida e a extrusão a frio proporcionaram um produto com 13% de proteínas e 11% de fibras. “Essa combinação melhora as propriedades tecnológicas do produto e oferece uma alternativa saudável para pessoas com intolerâncias ao glúten e ao trigo”, ressalta Galdeano.
Parcerias para comercialização
A Embrapa está em busca de parcerias para validar e licenciar os alimentos sem glúten, tendo portanto, objetivo de ajustar formulações e promover a exploração comercial.
“Nosso foco é atender ao nicho de saudabilidade, diversificando as opções de alimentos sem glúten no mercado”, conclui José Ascheri, pesquisador da instituição.
Em maio, o preço do feijão-carioca caiu quase 16% em relação a abril. A saca de 60kg foi vendida por R$151,54, contra R$180,97 no mês anterior. Já o feijão-preto teve uma queda de 5%, com o preço passando de R$199,94 para R$189,61. Em relação ao ano anterior, a saca de feijão-carioca desvalorizou 42,9% e a de feijão-preto caiu 11,7%.
Oferta Alta Influencia Preços
A safra de feijão 2023/2024 de Santa Catarina foi totalmente colhida. Os dados sobre área plantada, produção e produtividade estão em fase de fechamento. Entretanto, os números preliminares indicam uma produção de 116 mil toneladas, somando primeira e segunda safras. As informações são do Boletim Agropecuário de junho.
Relação positiva para produtores catarinenses
Mesmo com as enchentes afetando a produção gaúcha, a safra paranaense superou expectativas. Apesar disso, a relação produção-preço é positiva para os produtores catarinenses, especialmente para a segunda safra de feijão-preto. Conforme o analista de Socioeconomia e Desenvolvimento Rural da Epagri/Cepa, João Alves, essa movimentação do mercado se deve à manutenção da oferta em patamares elevados.
Crescimento na Produção e Área Plantada
O resultado representa um crescimento de 1,76% em comparação com a safra anterior. Esse aumento se deve, principalmente, ao crescimento de 6% na área plantada, que chegou a 63,5 mil hectares.
Panorama Nacional
De acordo com a Conab, a área plantada com feijão segunda safra no Brasil cresceu 10,6%. Assim como, a produtividade média deve aumentar 13,2% e a produção cerca de 25,2%. Considerando as três safras nacionais, a temporada 2023/24 deve alcançar 3,3 milhões de toneladas, 9,5% a mais que a safra anterior.