A manutenção das taxas de juros em níveis elevados no Brasil e nos Estados Unidos mantém o agronegócio sob pressão. Com crédito mais caro e câmbio sensível, o setor enfrenta um ambiente econômico que exige gestão financeira rigorosa e planejamento patrimonial estratégico.
Nesta semana o Federal Reserve (Fed) manteve o juro americano entre 3,5% e 3,75% ao ano, enquanto o Banco Central do Brasil preservou a Selic em 15%. Para o agronegócio, um setor dependente de capital intensivo e de longos ciclos produtivos, essas decisões sinalizam que o custo do dinheiro continuará alto por mais tempo.
Segundo Eduardo Tellechea Cairoli, CEO da Privatto Multi Family Office, o cenário prolonga a pressão sobre margens e restringe o acesso a crédito, especialmente nas cadeias mais dependentes de financiamento. “Com taxas elevadas, a eficiência na gestão financeira torna-se ainda mais essencial para agricultores e empresas do campo”, afirma.
- Rio Grande do Sul projeta safra recorde de uva para 2025/2026
- Produção paulista de tilápia cresce 4% e alcança 54 mil toneladas em 2025
Cairoli destaca que o produtor precisa monitorar de perto o fluxo de caixa. E buscar alternativas para alongar passivos, evitando desequilíbrios em épocas de maior aperto. “A escolha dos instrumentos financeiros corretos é decisiva para preservar a rentabilidade e reduzir riscos”, explica.
O especialista também observa uma mudança estrutural na forma como o agronegócio trata o patrimônio. “Produtores e famílias que diferenciam a gestão da produção agrícola da gestão patrimonial enfrentam períodos de juros altos com mais resiliência. Essa separação permite proteger o legado e aproveitar oportunidades de investimento”, conclui Cairoli.
