Tag: fauna silvestre

  • Urso sobe em poste e causa apagão nos EUA

    Urso sobe em poste e causa apagão nos EUA

    Um urso mobilizou equipes de resgate após subir em um poste de energia no Condado de Cochise, no estado do Arizona, Estados Unidos. O animal ficou a poucos metros de um cabo energizado com 7.500 volts, provocou a interrupção do fornecimento de eletricidade para centenas de moradores e, apesar do risco, saiu ileso.

    As imagens do episódio, registradas em novembro e divulgadas posteriormente, chamaram a atenção pela situação inusitada. Segundo o jornal Il Messaggero, o caso aconteceu em uma área próxima à cidade de Willcox.

    A concessionária responsável pela rede elétrica precisou desligar temporariamente o sistema para que o resgate pudesse ser realizado com segurança. Apesar do susto, não houve registro de feridos nem necessidade de acionamento dos serviços de emergência, além da comunicação feita pela própria empresa de energia.

    Urso ficou próximo de cabo com alta tensão

    Entre os profissionais envolvidos na operação estava o eletricista Werner Neubauer, encarregado de interromper o fornecimento de energia e reduzir o risco de um acidente fatal.

    Em entrevista à Fox News, ele explicou que o animal corria sério perigo.

    “O urso estava muito próximo de um cabo energizado com 7.500 volts e poderia ter sido eletrocutado a qualquer momento”, afirmou.

    https://www.instagram.com/reel/DbG8DvKAK6k/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=NTc4MTIwNjQ2YQ==

    Com a rede desligada, Neubauer utilizou um caminhão com cesto elevatório para alcançar o topo da estrutura. Durante a tentativa de resgate, ele falou calmamente com o urso, que permaneceu imóvel por alguns instantes.

    Resgate terminou sem ferimentos

    Na etapa final da operação, o eletricista utilizou uma vara de manejo para estimular o animal a deixar o poste. O urso ainda tentou agarrar e morder o equipamento antes de finalmente descer da estrutura.

    Segundo informações da Associated Press (AP), o resgate foi concluído com sucesso e o animal deixou o local sem apresentar ferimentos.

  • Pescador chama jacaré-açu de 4,5 metros e cena impressiona: “Joãozinho, vem cá”

    Pescador chama jacaré-açu de 4,5 metros e cena impressiona: “Joãozinho, vem cá”

    Em meio às paisagens do Parque Estadual do Cantão, em Caseara, no oeste do Tocantins, uma cena incomum chamou a atenção nas redes sociais. O estudante Arthur Wieczorek, de 22 anos, registrou o momento em que interage com um grande jacaré-açu durante uma pescaria na região.

    No vídeo compartilhado pelo jovem, é possível ouvir quando ele chama o animal pelo apelido carinhoso. “Joãozinho, vem cá. Vem cá, ‘caminha’. Eu pesquei uma piranha pra tu comer, ó. Ele tá vindo, o bicho é obediente”, comenta Arthur enquanto o réptil se aproxima da margem.

    https://www.instagram.com/reel/DZvJoV-ptrE/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=NTc4MTIwNjQ2YQ==

    De acordo com Arthur, o comportamento do animal está relacionado à presença de peixes capturados durante a pescaria. Dessa forma, o jacaré se aproxima ao perceber a movimentação e os exemplares armazenados na rede.

    “É um jacaré-açu de 4,5 metros de comprimento. A gente usa a canoa, que tem seis metros, como referência [para o tamanho]. Ele se aproximou porque viu os peixes dentro do puçá. Foi aí que vimos a naturalidade dele ao ficar perto das pessoas, e não demonstrou nenhuma agressividade. No final da pesca, jogamos peixes pra ele se alimentar”, relata.

    Apesar da aparente tranquilidade do encontro, especialistas reforçam que não é recomendada a aproximação ou a interação direta com animais silvestres. Isso porque situações envolvendo fauna nativa podem representar riscos tanto para as pessoas quanto para os próprios animais.

    Segundo Arthur, o jacaré permaneceu dentro da água, próximo à margem do rio, durante todo o período da atividade. No entanto, o animal se afastou apenas quando ele e os amigos decidiram encerrar a pescaria.

    Ao recordar a experiência, o estudante destacou a imponência do réptil.

    “Particularmente, nunca tinha visto uma espécie desse tamanho tão perto de um humano antes”, finaliza.

  • Conheça a curiosa cobra-papagaio, serpente que vive pendurada nas árvores

    Conheça a curiosa cobra-papagaio, serpente que vive pendurada nas árvores

    Imagine só: uma cobra que passa o dia inteiro enrolada num galho a 15 metros de altura, tem o corpo verde com manchas brancas, barriga amarela e, quando filhote, é alaranjada. Parece criação de roteirista, mas a cobra-papagaio é real, vive nas florestas tropicais da América do Sul e carrega uma série de características que deixam até os especialistas impressionados. Além disso, ela não precisa de veneno para matar.

    Uma cobra de visual impactante e nome à altura

    Seu nome científico é Corallus batesii e ela pertence à família Boidae, a mesma das jiboias e sucuris. No Brasil, ganhou o apelido de cobra-papagaio por razão óbvia: sua coloração intensa em verde e amarelo lembra diretamente a ave mais tradicional do país. Mais precisamente, boa parte do corpo é verde com manchas brancas e o ventre é amarelo, segundo o Instituto Butantan.

    Em termos de tamanho, não há como ignorá-la. A cobra-papagaio pode chegar a até 2 metros de comprimento, o que a coloca entre as serpentes de porte médio-grande do continente. Apesar da aparência imponente, ela não é peçonhenta, ou seja, não possui veneno. Mas isso não significa que seja inofensiva para as suas presas.

    Sem veneno, mas com técnica mortal

    A ausência de veneno não representa nenhuma desvantagem para a cobra-papagaio na hora de caçar. Ela adota a mesma estratégia das sucuris e jiboias: a constrição. A serpente se enrola em torno da presa e aperta com força suficiente para impedir a respiração, matando o animal antes de devorá-lo. Eficiente, silenciosa e mortal, sem precisar inocular uma única gota de toxina.

    Com hábitos noturnos, a cobra-papagaio desce ao solo ao anoitecer para caçar marsupiais como gambás, roedores, morcegos e até algumas aves. Durante o dia, o comportamento é completamente diferente: ela sobe e permanece imóvel nos galhos mais altos, em repouso e camuflada. Suas pupilas verticais são adaptadas para enxergar melhor no escuro e regular a luminosidade.

    A cobra-papagaio muda de cor conforme cresce para garantir camuflagem perfeita em cada etapa da vida — (Foto: Divulgação/Instituto Butantan)

    A vida nas alturas: o hábito que mais surpreende

    Enquanto a maioria das cobras raseja pelo chão, a cobra-papagaio escolheu outro endereço. Ela é mais comumente encontrada no topo de grandes árvores, chegando a se instalar por horas em galhos a alturas de 12 a 15 metros, de acordo com o Instituto Butantan. Esse comportamento arborícola é raro entre as serpentes e contribui muito para o fascínio que a espécie desperta.

    A cobra-papagaio é endêmica de regiões com alta umidade arbórea, especialmente a floresta amazônica, e pode ser encontrada no Brasil, Peru, Suriname, Guiana, Colômbia, Venezuela e Equador. Em casos excepcionais, também aparece em áreas mais secas como savanas ou florestas secas de outras partes da América do Sul, sobretudo em períodos de seca, quando desce ao solo em busca de água.

    Uma cobra que muda de cor ao longo da vida

    Talvez a característica mais surpreendente da cobra-papagaio seja a transformação que ela passa ao longo do ciclo de vida. Quando filhote, ela não tem nada de verde. Nessa fase, possui coloração alaranjada para se disfarçar nos galhos finos e mais baixos das árvores, onde ainda não consegue subir. Conforme cresce e passa a habitar as partes mais altas das copas, a coloração vai se transformando progressivamente. À medida que se tornam adultas e alcançam as partes com folhagem, ficam cada vez mais verdes para se camuflar entre as folhas.

    Essa adaptação cromática ao longo da vida é uma estratégia sofisticada de sobrevivência. Cada fase do desenvolvimento exige uma camuflagem diferente porque o ambiente acessível ao animal muda conforme ele cresce. Nenhuma cor é aleatória: cada tom é uma resposta precisa ao ambiente e ao estágio de vida da serpente.

    Para quem se interessa por fauna silvestre, a cobra-papagaio é um lembrete de que a Amazônia ainda guarda animais cuja biologia rivaliza com qualquer ficção científica. Bela, letal à sua maneira e capaz de se reinventar ao longo da vida, ela é uma das joias menos conhecidas da biodiversidade brasileira.

  • Cobra no quintal? Biólogo derruba os maiores mitos sobre como manter serpentes longe de casa

    Cobra no quintal? Biólogo derruba os maiores mitos sobre como manter serpentes longe de casa

    Quem já encontrou uma cobra no jardim sabe bem o tamanho do susto. Mas o que a maioria das pessoas faz depois desse encontro é exatamente o que não deveria. Compra plantas com cheiro forte, espalha naftalina, cerca o quintal com ervas aromáticas e acha que está protegida.

    Segundo o biólogo Fabiano Soares, referência em fauna silvestre e com grande atuação nas redes sociais pelo perfil @biologo.zero, nenhum odor vegetal tem poder comprovado de repelir serpentes. E pior: algumas dessas soluções caseiras podem até atrair o problema que tentam resolver.

    O que realmente chama uma cobra para o seu quintal?

    Antes de pensar em como afastar, é preciso entender o que atrai. Para Fabiano Soares, a resposta é direta: comida. “O que mais define, de fato, é a presença de alimentos. Se houver roedores, pequenos mamíferos, anfíbios como sapos e pererecas, ou até filhotes de aves e ovos, a cobra terá um motivo para aparecer”, explica o especialista.

    Cobras são predadoras oportunistas e altamente eficientes. Elas não vagam pelo ambiente por acaso. Seguem rastros de presas, detectam calor corporal e percebem movimentação. Quando um quintal oferece roedores em abundância, por exemplo, torna-se automaticamente um território de caça. Portanto, o controle de pragas, especialmente ratos e ratazanas, é a medida preventiva número um para quem quer manter serpentes à distância.

    Além da alimentação, o abrigo também pesa na escolha do animal. Entulho acumulado, pilhas de lenha, pedras empilhadas, restos de construção e até vegetação densa junto ao muro funcionam como convite. São locais frescos, protegidos e próximos de potenciais presas, tudo o que uma cobra busca.

    Plantas repelentes, naftalina e cheiros fortes não funcionam contra cobras — (Foto: Byronsdad/Getty Imagens)

    É mito!

    Erva-de-santa-maria, cravo-de-defunto, capim-limão. Essas e outras plantas circulam pela internet como soluções infalíveis contra cobras. Mas a ciência não confirma esse efeito, e o biólogo Fabiano Soares é categórico ao abordar o assunto. “Não existe nenhuma planta que possa ser utilizada para afastar. A própria planta pode servir como abrigo para elas”, alerta o especialista.

    Ao contrário de insetos, que de fato podem ser perturbados por determinados odores, as cobras utilizam outros mecanismos sensoriais para se orientar. Elas detectam vibrações no solo, percebem variações de temperatura por meio de fossetas labiais (em espécies como a jararaca) e captam odores pelo órgão de Jacobson, localizado no céu da boca. Nenhum desses sistemas é sensível ao cheiro de uma planta aromática da forma que o senso comum imagina.

    Na prática, investir em um jardim aromático denso pode ter o efeito contrário ao desejado. Uma vegetação alta e não aparada oferece sombra, umidade e esconderijo, condições ideais para que uma serpente se instale sem ser percebida por dias.

    Desmatamento e obras: o fator externo

    Nem sempre a culpa está no quintal do morador. Mudanças no entorno imediato de uma residência, como obras de construção civil, terraplanagem de lotes vizinhos e desmatamento de áreas verdes próximas, são causas frequentes de aparecimento repentino de cobras em locais onde antes não eram vistas. Quando o habitat natural é destruído, os animais perdem abrigo, rota de caça e território. A consequência direta é o deslocamento forçado em direção às áreas urbanizadas.

    Esse tipo de situação é especialmente comum em bairros que fazem divisa com cerrado, Mata Atlântica ou áreas de várzea. Em períodos de seca intensa, o movimento também aumenta, já que as serpentes buscam água e microclimas mais úmidos, que muitas vezes estão nos jardins irrigados das casas.

    Dicas infalíveis

    A boa notícia é que medidas simples e de baixo custo reduzem muito o risco de encontros indesejados. Fabiano Soares resume a lógica com clareza: “As cobras são guiadas pela temperatura e pelo recurso alimentar”. Ao eliminar esses dois elementos, o quintal deixa de ser interessante para o animal.

    Na prática, isso significa manter a grama sempre aparada, retirar entulhos e objetos acumulados, vedar frestas em portas, janelas e muros, e controlar ativamente a presença de roedores no ambiente. Essas ações atacam diretamente a cadeia que atrai serpentes, sem misticismo e sem gastos desnecessários.

    Caso uma cobra seja avistada, a orientação dos especialistas é clara: não tente capturar nem matar o animal. Ligue para o Corpo de Bombeiros ou para serviços de manejo de fauna silvestre do município. Em muitas regiões do Brasil, as serpentes são protegidas por lei e exercem papel fundamental no equilíbrio ecológico, controlando justamente as populações de roedores que tanto atraem as próprias cobras.

  • Brasil devolve 127 canários-da-terra à Venezuela após apreensão

    Brasil devolve 127 canários-da-terra à Venezuela após apreensão

    Uma operação conjunta entre o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e autoridades venezuelanas resultou na repatriação de 127 canários-da-terra (Sicalis flaveola flaveola) à Venezuela, entre os dias 9 e 12 de dezembro. As aves foram interceptadas pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, na capital amazonense, em uma ação de combate ao tráfico internacional de fauna silvestre.

    As aves estavam sendo transportadas ilegalmente para Guarulhos, em São Paulo, onde seriam comercializadas no mercado negro de animais silvestres. Após a apreensão, os canários foram encaminhados ao Centro de Triagem de Animais Silvestres do Amazonas (Cetas/AM), unidade do Ibama especializada no atendimento de fauna apreendida.

    No Cetas, os animais receberam atendimento veterinário especializado e foram submetidos a rigorosos protocolos de avaliação sanitária e monitoramento, garantindo as condições adequadas para a repatriação.

    Análises científicas comprovam origem venezuelana

    Em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e a Polícia Federal, a equipe do Ibama realizou análises morfológicas detalhadas e estudos de isótopos estáveis nos espécimes apreendidos. Os resultados foram conclusivos: os canários-da-terra possuem distribuição natural exclusiva no território venezuelano e não fazem parte da fauna nativa brasileira.

    Diante dessa constatação científica, a soltura das aves em território nacional foi descartada. Segundo especialistas, a introdução de espécies exóticas no ambiente pode causar sérios desequilíbrios ecológicos, incluindo competição com espécies nativas, transmissão de doenças e alteração de ecossistemas locais.

    Diplomacia ambiental em ação

    Com base nos laudos técnicos, o governo brasileiro iniciou as tratativas diplomáticas com as autoridades ambientais venezuelanas para viabilizar o retorno dos animais ao seu habitat de origem. O processo envolveu articulação entre órgãos ambientais dos dois países e seguiu protocolos internacionais de cooperação em biodiversidade.

    A entrega oficial dos 127 canários-da-terra aos representantes do órgão ambiental venezuelano ocorreu na quinta-feira, 11 de dezembro, concluindo com sucesso a missão de repatriação.

    Compromisso contra o tráfico de animais

    A operação reforça a atuação do Ibama no combate ao tráfico internacional de fauna e destaca a importância da cooperação entre países para a proteção da biodiversidade. De acordo com o instituto, a destinação ambientalmente adequada de animais apreendidos é prioridade, assegurando que retornem ao seu ambiente natural sempre que possível.

    O tráfico de animais silvestres é considerado a terceira atividade ilegal mais lucrativa do mundo, movimentando bilhões de dólares anualmente. No Brasil, o comércio ilegal de fauna é crime ambiental previsto na Lei 9.605/98, com penas que variam de seis meses a um ano de detenção, além de multas.

    Conscientização é fundamental

    O Ibama reforça o alerta à população: não compre animais silvestres. Ao recusar o comércio ilegal, cada cidadão contribui diretamente para a preservação da fauna brasileira e combate redes criminosas que lucram com o sofrimento animal e a destruição da biodiversidade.

    Para denunciar o tráfico de animais silvestres, a população pode utilizar a Linha Verde do Ibama pelo telefone 0800-61-8080 ou fazer denúncias online através do portal do instituto.

  • Ibama apreende 268 animais silvestres vítimas de tráfico

    Ibama apreende 268 animais silvestres vítimas de tráfico

    Uma operação de fiscalização realizada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) na última quinzena resultou no resgate de 268 animais silvestres mantidos em cativeiro ilegal no sul da Bahia. A ação expôs uma rede de tráfico de fauna que utilizava documentação falsa para simular a legalidade dos espécimes.

    As multas aplicadas aos infratores somaram mais de R$ 1 milhão, e 28 autos de infração foram lavrados durante a operação. Muitos dos animais resgatados apresentavam sinais graves de desnutrição e maus-tratos, segundo os agentes ambientais responsáveis pela fiscalização.

    Documentação falsa e integração entre estados

    Um dos casos mais emblemáticos da operação envolveu a prisão de um homem flagrado com dois papagaios. Durante a abordagem, o suspeito apresentou nota fiscal fraudulenta na tentativa de comprovar origem legal das aves. A Polícia Federal efetuou a detenção.

    A integração entre equipes do Ibama em diferentes estados permitiu identificar o infrator. Agentes em Minas Gerais já tinham interceptado um lote de anilhas falsas destinado a várias regiões do país, e essa informação se tornou decisiva para desarticular o esquema.

    Criadouros ilegais e irregularidades em criadores amadores

    A fiscalização também mirou criadouros amadores de passeriformes, onde foram encontradas diversas irregularidades. Entre os problemas identificados estavam aves provenientes de outros criadores sem autorização, uso de anilhas falsas e animais sem qualquer identificação. Um forte indício de captura direta na natureza.

    Os agentes ambientais ainda localizaram animais silvestres abatidos ilegalmente, incluindo um caititu e dois tatus, evidenciando a gravidade das infrações ambientais na região.

    Entre os 268 animais apreendidos, destacam-se:

    • 56 jabutis
    • 4 araras
    • 4 papagaios
    • 3 periquitos-verdes
    • 3 periquitos-da-testa-amarela
    • 2 macacos
    • Diversas espécies de aves silvestres, como baianos, coleirinhos, bigodinhos, canários-da-terra e curiós

    Várias aves anilhadas também foram retidas devido a irregularidades nos plantéis de criadores amadores, que não conseguiram comprovar a procedência legal dos animais.

    Condições precárias e impacto na biodiversidade

    Segundo os fiscais que participaram da operação, grande parte dos animais resgatados estava severamente debilitada. Os espécimes apresentavam desnutrição avançada e outros sinais evidentes de maus-tratos, consequência das condições inadequadas do cativeiro ilegal.

     Foto: Divulgação/Ibama/BA

    “O tráfico de fauna silvestre não apenas causa sofrimento aos animais, mas representa uma ameaça direta à biodiversidade brasileira”, alertam os agentes do Ibama. A prática alimenta um mercado negro que movimenta milhões de reais anualmente e contribui para o declínio de populações de espécies nativas.

    Destino dos animais resgatados

    Após os procedimentos de fiscalização, as equipes encaminharam parte dos animais ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) em Vitória da Conquista, onde eles receberão atendimento veterinário e os cuidados necessários. Os agentes também devolveram imediatamente à natureza os espécimes que apresentavam boas condições de saúde.

    O Ibama reforça que manter animais silvestres sem autorização configura crime ambiental previsto na Lei nº 9.605/98, sujeito a penas de seis meses a um ano de detenção e a multas que podem alcançar R$ 5 mil por animal apreendido.

  • Passageira chinesa é flagrada com 48 kg de barbatanas de tubarão em Guarulhos

    Passageira chinesa é flagrada com 48 kg de barbatanas de tubarão em Guarulhos

    Na semana passada o Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, foi cenário de uma operação que barrou o que poderia ser mais um capítulo no tráfico internacional de animais silvestres. Agentes do Ibama e da Receita Federal identificaram quatro malas suspeitas. E o conteúdo delas chamou atenção: aproximadamente 48 kg de barbatanas de tubarão, todas secas e desidratadas, prontas pra cruzar o oceano.

    Foto: divulgação/Ibama

    A dona das bagagens? Uma cidadã chinesa que mora legalmente no Brasil e estava prestes a embarcar rumo à Hong Kong. Quando os fiscais abriram as malas, encontraram apenas sacos plásticos, cada um com cerca de 1 kg de barbatanas. Nada de roupas, nada de disfarce. Era tudo barbatana mesmo.

    O que torna essas barbatanas tão valiosas?

    Pode parecer estranho, mas barbatanas de tubarão movimentam fortunas no mercado asiático. Elas são usadas tanto na culinária, com a famosa sopa de barbatana, quanto na medicina tradicional. O problema é que a demanda alta coloca diversas espécies de tubarões em risco, e o Brasil não permite esse tipo de comercialização sem as devidas autorizações ambientais.

    A operação, batizada de Operação Hermes, mira exatamente esse tipo de crime: o transporte ilegal de produtos da fauna e flora brasileiras. No mesmo dia e no mesmo local, a equipe do Ibama apreendeu outros 14 kg de barbatanas e cerca de 70 kg de carcaças de celulares,outro produto irregular que também rende multa.

    Multas pesadas e destino incerto

    No total, as infrações identificadas resultaram em autos que somam R$ 84,7 mil. As barbatanas apreendidas não vão pro lixo de qualquer jeito: antes da destruição, especialistas vão coletar fragmentos pra identificar quais espécies estavam sendo traficadas. Essas informações são cruciais pra entender melhor as rotas do tráfico e reforçar a fiscalização.

    O Ibama deixa claro que ações como essa fazem parte de um compromisso maior com a proteção da biodiversidade brasileira. Afinal, cada apreensão é um passo a mais no combate ao tráfico internacional e na preservação de espécies que já sofrem com a pesca predatória.

    Operação Hermes: de olho nas cargas suspeitas

    A Operação Hermes não é novidade. Ela existe justamente pra apertar o cerco sobre cargas que precisam de autorização ambiental pra entrar ou sair do país. O foco é evitar que amostras do patrimônio genético brasileiro sejam enviadas ilegalmente pro exterior, além de coibir o transporte de resíduos e o tráfico de animais.

    Pra quem acha que é fácil burlar a fiscalização, casos como esse mostram que o controle tá cada vez mais rigoroso. E quando a carga é flagrada, as consequências vem: multa alta, apreensão do material e, claro, um processo que pode resultar em sanções ainda maiores.

  • Bióloga registra jiboia atacando arara-canindé

    Bióloga registra jiboia atacando arara-canindé

    A bióloga Thaís Buzetti registrou um momento raro de predação no Parque dos Poderes, em Campo Grande (MS). Uma jiboia atacou uma arara-canindé que pesquisadores monitoravam há cinco anos na região.

    https://www.instagram.com/reel/DQiDySkD2YU/

    Durante o ataque, um homem tentou interromper a predação com um pedaço de pau para espantar a serpente. A bióloga alertou para um detalhe importante: intervir em atos de predação natural pode constituir crime ambiental, dependendo das circunstâncias.

    A Lei nº 9.605/1998, conhecida como Lei de Crimes Ambientais, protege integralmente a fauna silvestre brasileira. Qualquer interferência indevida pode configurar perturbação da fauna ou maus-tratos aos animais, segundo a legislação.

    A jiboia não conseguiu se alimentar da arara. Especialistas não sabem ao certo se a aglomeração de pessoas no local provocou o abandono da presa ou se outros fatores influenciaram o comportamento da serpente.

    O episódio reforça a importância de respeitar os processos naturais da fauna, mesmo quando presenciamos cenas que podem parecer cruéis sob a perspectiva humana. A natureza segue seus próprios ciclos, e a intervenção inadequada pode trazer consequências legais e ecológicas.

  • Câmera escondida flagra riqueza de animais silvestres em Itajaí

    Câmera escondida flagra riqueza de animais silvestres em Itajaí

    Uma câmera de trilha escondida revela a vida secreta dos animais silvestres na Estação Experimental da Epagri em Itajaí (EEI). O engenheiro-agrônomo Ricardo Negreiros lidera um projeto de observação que já catalogou 101 espécies de aves e nove espécies de mamíferos nativos da Mata Atlântica.

    A iniciativa começou como um hobby. Negreiros usou uma câmera com iscas de banana para filmar os animais em seu habitat natural. A estratégia deu certo. Em apenas 30 horas de gravação, a câmera flagrou espécies como lontra, cachorro-do-mato, capivara, tatu e gambá.

    “Segui o odor característico de urina da lontra para encontrar o local perfeito, à beira de um afluente do Rio Itajaí-Mirim”, contou o pesquisador.

    Tecnologia impulsiona descobertas

    O salto no projeto veio com a tecnologia. Em 2022, Ricardo descobriu o aplicativo Merlin Bird ID. A ferramenta identifica aves pelo canto ou por uma foto. Ele testou o método primeiro no sítio da família, em São João do Itaperiú, onde catalogou 90 espécies.

    Para ampliar o trabalho, o agrônomo se juntou a um grupo de observadores de aves de Santa Catarina no WhatsApp. O grupo, criado pelo biólogo Cristiano Voitina, reúne 263 pessoas. Eles trocam informações sobre avistamentos e eventos como o Avistar Brasil, realizado na USP.

    Observação de aves é terapia ao ar livre

    Ricardo defende a prática como uma terapia. “Ela traz benefícios claros para a saúde física e mental. Aproxima as pessoas da natureza e ainda amplia o círculo social”, disse.

    A observação requer apenas um binóculo e disposição para madrugar. O melhor período para a atividade é outono e inverno. Na primavera e verão, as aves estão em fase de nidificação e precisam de mais sossego.

    Os observadores também alimentam plataformas colaborativas. O site Wikiaves possui um banco de dados com mais de cinco milhões de registros no mundo. Ricardo já contribuiu com 95 imagens e localizações de aves no Brasil e na América Latina.

    “Esses registros são uma forma de ciência cidadã. Os dados ajudam ornitólogos em seus estudos”, explicou.

    Como participar

    Interessados em observar aves podem entrar em contato com o grupo de SC pelo telefone (47) 9953-9049. Outra opção é participar do 1° Concurso Fotográfico COA Joinville – Aves em Foco. As inscrições vão até 15 de setembro. Informações estão no perfil @coajoinville no Instagram.

    A exposição com as fotos e animais identificados por Ricardo está aberta ao público no bloco de pesquisa da Epagri Itajaí.