Um leão-marinho foi avistado na manhã desta quarta-feira (12) tirando uma ‘hydration break’ sobre uma pedra na Prainha, em Caraguatatuba, no Litoral Norte de São Paulo.
O animal foi percebido pela moradora Maria Abgail Correa, que caminhava pela faixa de areia quando notou a presença do leão-marinho e registrou imagens.
O leão-marinho é um excelente nadador e pode mergulhar por vários minutos em busca de alimento (Foto: Reprodução/Maria Abgail Correa)
Segundo a moradora, a área foi isolada para evitar a aproximação de banhistas e garantir a segurança das pessoas e do próprio animal.
Após a aparição, o leão-marinho permanece sendo monitorado pelas autoridades locais.
O que fazer ao encontrar um animal marinho?
A recomendação dos órgãos oficiais ao se deparar com um gigante da natureza é:
Não tocar ou tentar mover o animal;
Manter distância e evitar aglomerações;
Não oferecer comida ou água;
Manter cães e outros animais afastados;
Acionar equipes especializadas quando houver sinais de ferimento ou dificuldade para retornar ao mar.
O Instituto Argonauta mantém serviço de atendimento a animais marinhos no Litoral Norte de São Paulo e orienta a população sobre como agir nesses casos.
Malas e caixas cruzam diariamente os terminais dos aeroportos brasileiros com produtos ilegais. Substâncias entorpecentes ocupam boa parte dessas apreensões, mas eletrônicos, medicamentos e até animais silvestres também compõem a bagagem de quem tenta driblar a fiscalização.
Foto: Fabio Porto-Foresti
Entre os itens exportados ilegalmente estão os pepinos-do-mar, invertebrados marinhos presentes ao longo de toda a costa brasileira. Pequenos o bastante para caber na palma da mão, esses animais figuram como iguaria tradicional na culinária asiática e na medicina chinesa. Condição que alimenta um mercado clandestino voltado à exportação.
Um estudo do Laboratório de Genômica e Conservação de Peixes (Lagenpe), da Unesp de Bauru, publicado na revista Scientific Reports, comprovou a origem brasileira de espécimes apreendidos no Aeroporto Internacional de Guarulhos (GRU), o maior da América Latina. A equipe usou marcadores genéticos para identificar as espécies Holothuria grisea e Isostichopus badionotus e rastrear sua procedência até o litoral sudeste do país. Um achado que configura crime ambiental e acende alerta sobre a biodiversidade costeira.
Comércio ilegal pode reduzir populações da espécie
O planeta abriga cerca de 1.250 espécies de pepino-do-mar, das quais 40 ocorrem em território brasileiro. A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) classifica as duas espécies do estudo como de “Menor Preocupação”, classificação que, segundo os pesquisadores, não elimina o risco da exploração comercial.
Fabio Porto-Foresti, professor da Faculdade de Ciências (FC) da Unesp e coordenador do Lagenpe, teme que o Brasil repita o cenário já registrado na China, onde a exploração intensa reduziu populações inteiras de pepino-do-mar. “O comércio ilegal de qualquer espécie é extremamente danoso, porque é uma ameaça invisível. O pepino seco, forma que é transportado, permite que se leve uma grande quantidade nas bagagens”, afirma o pesquisador. “Se muitos indivíduos forem retirados na mesma região, isso pode reduzir a população, acabando com o potencial evolutivo da espécie.”
Pepinos-do-mar sendo vendidos em uma feira popular na cidade de Chongqing, no sudoeste da China. Foto: Ricardo Utsunomia
Ricardo Utsunomia, codocordenador do Lagenpe, chama atenção para a função ecológica desses animais. “O pepino-do-mar fica no fundo do oceano extraindo e ingerindo matéria orgânica. A retirada deles de forma intensiva e em tão pouco tempo causa um desequilíbrio ecológico muito grande”, explica.
O padrão de exploração lembra o comércio de barbatanas de tubarão: produtos não perecíveis, fáceis de armazenar e transportar, e por isso difíceis de fiscalizar. Sem controle adequado, os pesquisadores projetam que a demanda por pepinos-do-mar pode levar a quedas populacionais semelhantes às que atingiram várias espécies de tubarão.
“Código de barras” genético identifica espécies descaracterizadas
A pesquisa nasceu de uma parceria de longa data entre o Lagenpe e o Ibama, iniciada em 2015 com um projeto sobre o tráfico de peixes-de-bico no mesmo aeroporto. Desde então, o laboratório ampliou as análises para nadadeiras de tubarão, bexigas natatórias e, mais recentemente, pepinos-do-mar.
O estudo atual, financiado pela Fapesp, partiu de espécimes secos apreendidos em 2023, distribuídos em caixas e malas com cerca de 500 indivíduos cada. Os pesquisadores selecionaram 40 amostras para análise molecular: 18 pertenciam à Holothuria grisea e 22 à Isostichopus badionotus.
Como os animais chegam cortados, secos e sem características morfológicas reconhecíveis, a identificação depende de análise laboratorial. A equipe extrai o DNA das amostras, realiza amplificação por PCR e compara o resultado com o Barcode of Life Data System (BOLDSystems), banco de dados genético usado mundialmente para identificação de espécies. “A gente busca um marcador, que nada mais é do que um ‘código de barras’ do DNA. Então, comparamos o sequenciamento com um banco de dados disponível”, descreve Porto-Foresti.
Obstáculo
A equipe enfrentou um obstáculo: o banco de dados não continha o sequenciamento da H. grisea. Para preencher essa lacuna, os pesquisadores recorreram a Rogério Caetano da Costa, professor de zoologia de invertebrados da FC-Bauru e coautor do artigo, que estuda a fauna de Ubatuba há décadas. Com sua ajuda, a equipe coletou exemplares vivos na praia e comparou o material genético com o dos animais apreendidos.
“Percebemos que eles eram iguais. Esse trabalho comprova que aqui não é uma zona intermediária de tráfico, realmente os animais estão sendo coletados na costa”, relata Utsunomia. O achado reforça a importância de ampliar os bancos de dados genéticos públicos, sem os quais estudos de identificação molecular perdem viabilidade.
Caetano da Costa relatou ainda uma percepção, ainda não comprovada cientificamente, de queda na população de pepinos-do-mar no costão rochoso de Ubatuba, possivelmente ligada ao avanço da pesca ilegal. No Ceará, esse declínio já tem respaldo científico: um estudo publicado em 2019 na revista Ocean and Coastal Management estimou a captura de quase 400 mil espécimes de H. grisea por ano nos municípios de Camocim e Xavier.
Mercado ilegal movimenta valores altos e escapa da fiscalização
A dificuldade de rastrear o volume real do tráfico decorre também da forma como os traficantes transportam os animais: junto a celulares, componentes eletrônicos e outros produtos de informática. Frescos, os pepinos-do-mar pesam cerca de 500 gramas, mas perdem até 90% do peso no processo de secagem. O que facilita o transporte de grandes quantidades em uma única mala.
Foto: Ricardo Utsunomia
O valor comercial explica o apelo do contrabando: o mercado internacional paga até 400 euros por quilo do produto seco, com espécies raras chegando a cinco mil dólares.
No Brasil, a Portaria Ibama nº 93/1998 regulamenta a pesca e a comercialização de pepinos-do-mar, exigindo comprovação de origem ambiental e documentação legal. A parceria entre Lagenpe e Ibama busca expor essa lacuna de fiscalização, que não se limita à espécie estudada.
“De repente, poderia ser um ouriço-do-mar, uma estrela-do-mar ou uma bexiga natatória. O objetivo maior desse projeto é pensar nesse comércio que vem acontecendo e que não conseguimos identificar a espécie do ponto de vista morfológico”, afirma Porto-Foresti. “Com o marcador genético, vai ser possível ver exatamente qual espécie está sendo comercializada, seja para pepino-do-mar, peixe, camarão ou outros grupos. Essa é a grande questão.”
Uma operação voltada à remoção de redes de pesca abandonadas resultou em um encontro considerado histórico no Mar Mediterrâneo.
Na última segunda-feira (8), a fundação Healthy Seas divulgou imagens que podem representar o primeiro registro de um tubarão-branco adulto em seu habitat natural na região localizada entre a Sicília e a Tunísia.
Conservação e monitoramento marinho
Embora os tubarões-brancos sejam conhecidos por frequentarem áreas superficiais, encontros com mergulhadores são extremamente raros. A operação contou com a participação de voluntários especializados na remoção de resíduos submersos, além da colaboração da Society for Documentation of Submerged Sites (SDSS).
Segundo as entidades envolvidas, as chamadas redes fantasmas representam uma das principais ameaças à fauna marinha local. Esses materiais continuam capturando animais mesmo após serem abandonados no oceano.
‘Redes fantasmas’ são a mais perigosa forma de poluição para a vida marinha — Foto: Philippos Marakis/ iStock
Além disso, mergulhos anteriores já haviam identificado tartarugas-cabeçudas ameaçadas de extinção e grandes espécies de peixes presos aos equipamentos descartados.
Desta vez, no entanto, o destaque ficou para a aparição do tubarão, observado nadando livremente a cerca de 40 metros de profundidade.
“Estatisticamente, é muito mais provável ganhar na loteria do que encontrar um animal tão icônico debaixo d’água. Você passa décadas mergulhando em naufrágios e removendo redes fantasmas, mas nada te prepara para um momento como esse”, relatou Remmers.
Apesar da surpresa causada pela presença do predador, a equipe manteve o cronograma previsto para a missão.
“Foi insano, mas mesmo assim prosseguimos com nosso plano de mergulho para remover as redes do naufrágio, pois esse momento mostrou claramente a importância do nosso trabalho”, acrescentou o mergulhador.
Segundo os participantes, o episódio reforça os impactos causados pela pesca predatória e pelo descarte inadequado de equipamentoos.
Espécies ameaçadas
A missão também teve como objetivo coletar amostras de DNA ambiental (eDNA) e realizar atividades de monitoramento da biodiversidade marinha.
Dessa forma, os pesquisadores esperam obter novas informações sobre as espécies que habitam a região. No caso dos tubarões-brancos, boa parte do conhecimento disponível ainda provém de exemplares mortos capturados por atividades pesqueiras.
“Observações como essa são extremamente valiosas para melhorar a nossa compreensão da distribuição, dos hábitos e do comportamento dessa espécie criticamente ameaçada, cuja sobrevivência está em risco devido às atividades humanas”, afirmou Carlo Cattano, especialista do Centro Marinho da Sicília da Estação Zoológica Anton Dohrn.
Embora tenham ocorrido avistamentos ocasionais de tubarões-brancos, o tamanho da população é desconhecido e acredita-se que encontros anteriores não tenham sido filmados — Foto: Reprodução/Reuters
Preservação dos oceanos
Para Veronika Mikos, diretora da Healthy Seas, o significado do avistamento vai muito além da raridade da espécie.
“O que torna esse encontro tão impactante não é apenas o animal em si, mas o contexto. Estávamos lá para remover redes que aprisionavam a vida marinha em um ecossistema de naufrágio. Momentos como esse nos lembram quanta vida ainda pode existir nas águas costeiras do Mediterrâneo e como é importante protegê-la de ameaças evitáveis”, concluiu.
O Instituto Argonauta resgatou o primeiro pinguim-de-Magalhães (Spheniscus magellanicus) da temporada no litoral norte de São Paulo. O animal apareceu na Praia Grande, em Ubatuba, e moradores acionaram a equipe do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS).
Foto: Instituto Argonauta
A equipe encontrou o pinguim debilitado e com baixo peso durante a avaliação clínica inicial. Após o resgate, os profissionais encaminharam o animal ao Centro de Reabilitação e Despetrolização de Ubatuba. Lá ele recebeu atendimento veterinário, exames e suporte nutricional intensivo.
A presença do primeiro pinguim marca o início do período de maior ocorrência da espécie no litoral brasileiro. Os pinguins-de-Magalhães se reproduzem na Patagônia, na Argentina e no Chile, e migram anualmente em busca de alimento. Durante esse trajeto, principalmente os juvenis podem chegar às praias desidratados, desnutridos, feridos ou exaustos.
De acordo com o oceanólogo Hugo Gallo Neto, presidente do Instituto Argonauta e diretor executivo do Aquário de Ubatuba, o resgate reforça o papel da população na proteção da fauna marinha. Segundo ele, o acionamento rápido dos moradores aumentou as chances de sobrevivência do animal e indica o início da temporada de ocorrência da espécie na região.
A coordenadora do PMP-BS Trecho 10, Carla Beatriz Barbosa, destaca que muitos dos pinguins que chegam ao Brasil são jovens e enfrentam dificuldades durante a migração. Ela orienta que, ao encontrar um pinguim na praia, a população não deve devolvê-lo ao mar nem oferecer alimento ou água. O correto é manter distância e acionar equipes especializadas.
O resgate integra as ações do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), exigência do licenciamento ambiental federal das atividades da Petrobras, conduzido pelo Ibama. O projeto monitora impactos sobre aves, tartarugas e mamíferos marinhos, além de prestar atendimento veterinário e realizar necropsias.
Em casos de avistamento de pinguins ou outros animais marinhos no litoral norte paulista, a população deve entrar em contato pelos telefones 0800 642 3341 ou (12) 99785-3615 (WhatsApp).
Criado a partir da iniciativa do Aquário de Ubatuba, o Instituto Argonauta atua há quase 30 anos na conservação marinha. E tem foco em resgate, reabilitação, pesquisa científica e educação ambiental.
No dia 16 de abril, a tripulação do barco pesqueiro Timothy Michael lançou as redes na costa de Cape Cod, em Massachusetts, como faz qualquer outro dia de trabalho. O que saiu d’água, porém, parou todo o convés. Os pescadores capturaram uma lagosta com coloração bilateral dividida, um fenômeno tão raro que ocorre em apenas 1 a cada 50 milhões desses crustáceos.
O animal chama atenção à primeira vista. Uma linha exata separa duas colorações completamente distintas na carapaça, e os usuários das redes sociais já apelidaram o crustáceo de “algodão-doce”, por conta dos tons pastel que lembram o doce de feira. No caso desta lagosta específica, uma metade apresenta tons alaranjados e a outra, uma coloração mais escura.
O animal pesa mais de 1,3 quilo e foi doado ao Woods Hole Science Aquarium, gerenciado pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA).
Animal parece dividido ao meio por uma linha que separa as duas colorações. (Foto: Reprodução/Redes Sociais)
A resposta para o visual surpreendente está nos genes, mas a história começa antes mesmo do nascimento do animal. Julia Studley, bióloga do aquário, explica que a divisão ocorre quando dois ovos fertilizados, ainda não liberados pela fêmea, se fundem e um acaba absorvendo o outro. O resultado é uma lagosta que carrega dois conjuntos de informações genéticas e, portanto, duas instruções de pigmentação diferentes, uma para cada lado da carapaça.
Esse fenômeno tem nome: quimerismo. Em vez de originar organismos gêmeos, ele gera um único indivíduo com células geneticamente diferentes. Na prática, cada metade do corpo obedece a um “manual” distinto para produzir cor.
O mecanismo envolve a astaxantina, o pigmento responsável pela coloração do crustáceo. Dependendo de como as camadas desse pigmento se combinam, o animal pode exibir tons que vão do vermelho ao azul, passando por amarelo, roxo e marrom. Neste caso, cada lado escolheu um caminho diferente.
Quando a genética vai além da cor
A divisão não para na aparência. Em alguns casos, essa anomalia genética pode resultar em ginandromorfismo, quando o organismo é metade macho e metade fêmea. O fenômeno já foi documentado em aves, abelhas, borboletas, aranhas e outros invertebrados, mas em lagostas ele carrega uma camada extra de raridade.
Richard Wahle, diretor do Instituto da Lagosta da Universidade do Maine, afirma que o fato de uma lagosta ser bicolor sugere que ela pode ser hermafrodita, com características anatômicas tanto de macho quanto de fêmea. A equipe do Woods Hole ainda vai investigar se esse é o caso do novo espécime.
Sobreviver já é um feito
Há outro dado que impressiona os especialistas além da raridade genética. Lagostas com coloração incomum geralmente não têm camuflagem suficiente para sobreviver por muito tempo. O fato de esta ter chegado a mais de um quilo e meio representa uma conquista por si só. Sem a proteção visual que a coloração padrão oferece, o animal fica exposto a predadores desde cedo. Chegar ao tamanho adulto já é, por si só, uma história de sorte.
O aquário como destino certo
A empresa que operava o barco decidiu não levar a lagosta ao mercado. O diretor de operações Dan Brandt disse que, quando algo raro chega nos canais da empresa, eles consideram parte de sua responsabilidade compartilhar com a comunidade em geral. “O Aquário de Ciências de Woods Hole era o lugar perfeito para esta lagosta sortuda.”
A lagosta ainda não tem nome. A equipe pretende conhecer melhor a personalidade do animal antes de batizá-lo, considerando que lagostas podem viver até 100 anos. Há tempo de sobra para isso. O Woods Hole Science Aquarium passa por uma grande reforma e, quando reabrir no início de 2027, o animal será exibido ao público.
Studley resume bem o que o crustáceo representa além do visual incomum: “Este animal não é apenas fascinante de observar, mas também serve como um grande lembrete de como os mecanismos genéticos são intrincados e de quanto devemos agradecer pela diversidade que vemos no mundo ao nosso redor.”