Tag: fauna brasileira

  • Onça-pintada que interpretou Maria Marruá em ‘Pantanal’ espera filhotes em Goiás

    Onça-pintada que interpretou Maria Marruá em ‘Pantanal’ espera filhotes em Goiás

    Mati, a onça-pintada que ficou conhecida nacionalmente após participar do remake de Pantanal, está prenha. O animal vive atualmente sob os cuidados do Instituto NEX No Extinction, em Corumbá de Goiás (GO).

    A gestação foi anunciada pelo instituto em 21 de agosto. Segundo a equipe responsável por Mati, ela já estava com pouco mais de 80 dias de gestação.

    Como a gestação de uma onça-pintada dura aproximadamente 100 a 110 dias, a estimativa do NEX é que os filhotes nasçam em até 20 dias após o anúncio.

    https://www.instagram.com/reel/DcJ-kgcv4sb/?utm_source=ig_web_copy_link&igsi=NTc4MTIwNjQ2YQ==

    Gestação de Mati faz parte de trabalho de conservação

    A gravidez vai além da curiosidade em torno da antiga estrela da televisão. Mati integra um trabalho voltado à conservação da onça-pintada e à manutenção de uma população geneticamente saudável sob cuidados humanos.

    O Instituto NEX destacou que o animal tem origem ligada ao Cerrado, o que aumenta sua relevância para os esforços de conservação da espécie nesse bioma.

    Mati vive no criadouro conservacionista do instituto, localizado em Corumbá de Goiás, a cerca de 110 quilômetros de Goiânia.

    Esta é a segunda gestação da onça, segundo informações divulgadas pelo NEX. Durante esse período, ela é acompanhada pela equipe responsável, inclusive com atenção à alimentação.

    Estrela de Pantanal

    Mati ficou conhecida do grande público em 2022, quando participou do remake de Pantanal, exibido pela TV Globo.

    Na novela, a onça aparecia nas sequências que representavam as transformações de Maria Marruá e Juma Marruá, personagens interpretadas por Juliana Paes e Alanis Guillen, respectivamente.

    Matí é a onça-pintada que estrela ‘Pantanal’ (Foto: Divulgação/Instituto NEX)

    Daniela Gianni, coordenadora de Projetos e Atividades do instituto, revela que Mati nasceu em cativeiro e viveu durante toda a vida sob cuidados humanos. Antes de participar da produção, ela passou por um período de preparação.

    “Foram necessários oito meses de condicionamento intenso, todos os dias, para que ela pudesse executar as cenas sem gerar estresse para ela”, explicou Daniela.

    Segundo o NEX, a onça foi encontrada sozinha e resgatada em uma rodovia quando ainda era um filhote. Ela teria crescido cercada de humanos, o que impossibilitaria sua soltura na natureza. mas também tornou possível sua participação na novela.

    Além disso, a atriz Juliana Paes também deu mais detalhes de como foi contracenar com Matí para a novela.

    “A gravação com a onça foi diferente porque nós tivemos interação com a Matí. Foi cercada de protocolos e muito cuidado para não estressar o animal. A emoção com a onça foi a emoção de criar um contato íntimo com o bicho através do olhar.”

    A proximidade entre as duas na cena, porém, foi feita através de computação gráfica e efeitos visuais.

  • 9 papagaios resgatados do tráfico chegam ao Zoo de SP

    9 papagaios resgatados do tráfico chegam ao Zoo de SP

    Nove papagaios que sobreviveram a uma tentativa de tráfico internacional de fauna silvestre ganharam um novo espaço no Zoológico de São Paulo nesta semana.

    São seis papagaios-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis) e três papagaios-charão (Amazona pretrei), espécies ameaçadas que agora ocupam o Bosque da Conservação.

    As aves foram destinadas ao zoológico pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

    Papagaios passaram por quarentena antes da mudança

    Os nove animais chegaram ao Zoológico de São Paulo em março, quando tinham cerca de cinco meses de vida.

    Antes de serem transferidos para o Bosque da Conservação, passaram por quarentena e avaliações clínicas.

    O espaço reúne espécies ameaçadas e permite que os visitantes acompanhem parte do trabalho de conservação desenvolvido pelo zoológico.

    Entre os animais que também estão no local estão ararinhas-azuis, araras-azuis-de-lear e jacutingas.

    A chegada dos papagaios ocorreu próxima ao Dia Nacional do Papagaio, celebrado em 12 de agosto.

    Aves foram resgatadas ainda nos ovos

    A história dos nove papagaios começou em 26 de outubro de 2025, quando o Ibama apreendeu 24 ovos de aves no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro.

    A apreensão ocorreu durante uma fiscalização contra o tráfico internacional de animais silvestres.

    Segundo informações divulgadas sobre o caso, uma passageira estrangeira transportava os ovos escondidos sob as roupas e presos ao corpo com meias de nylon.

    Os ovos já estavam em estágio avançado de desenvolvimento e foram encaminhados para atendimento especializado.

    No dia seguinte à apreensão, parte deles começou a eclodir.

    Apenas 9 dos 24 ovos resultaram em aves sobreviventes

    Os filhotes receberam cuidados intensivos e acompanhamento especializado.

    Dos 24 ovos apreendidos, 12 eclodiram. Ao final do processo, nove filhotes sobreviveram.

    Espécies participam de ações de conservação

    O papagaio-de-cara-roxa e o papagaio-charão estão envolvidos em ações de conservação de aves da Mata Atlântica.

    Além disso, as espécies também participam de iniciativas relacionadas ao manejo e à reprodução planejada sob cuidados humanos, com participação de instituições ligadas à conservação da fauna.

    O objetivo dessas iniciativas é contribuir para a manutenção de populações de espécies ameaçadas e para o desenvolvimento de estratégias de conservação.

  • Cientistas identificam espécies brasileiras de pepinos-do-mar em cargas apreendidas

    Cientistas identificam espécies brasileiras de pepinos-do-mar em cargas apreendidas

    Uma pesquisa da Universidade Estadual Paulista (Unesp) identificou duas espécies brasileiras de pepinos-do-mar em cargas apreendidas no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP). O estudo utilizou análise genética para confirmar a origem dos animais e revelou indícios do comércio internacional ilegal desses organismos marinhos.

    Os exemplares pertenciam às espécies Holothuria grisea e Isostichopus badionotus, encontradas naturalmente ao longo do litoral brasileiro e importantes para o equilíbrio dos ecossistemas costeiros.

    As análises foram realizadas em três apreensões feitas pelo Ibama em 2023. Duas cargas estavam em malas de passageiros com destino à China, enquanto a terceira seguiria para a Itália.

    Difícil identificação

    Como os animais estavam secos e processados, a identificação por características físicas era praticamente impossível.

    A solução encontrada pelos pesquisadores foi o uso do DNA barcoding, técnica que funciona como um código de barras molecular capaz de identificar espécies a partir de pequenos fragmentos de DNA.

    Segundo a pesquisadora Auany Camila Fantinelli, a equipe precisou criar uma referência genética inédita para confirmar a identidade dos animais apreendidos.

    “Durante o estudo percebemos que não havia nenhuma sequência genética dessa espécie disponível em bancos públicos. Tivemos que coletar exemplares em Ubatuba para construir essa referência.”

    DNA desvenda origem de pepinos-do-mar apreendidos em esquema de comércio ilegal — Foto: flatwaterchris/iNaturalist – Isostichopus badionotus
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    Pesquisadores usam DNA para identificar pepinos-do-mar brasileiros em carga ilegal apreendida pelo Ibama — Foto: Fabio Porto-Foresti

    Como a genética ajudou a identificar os animais

    O DNA barcoding permite identificar espécies mesmo quando os organismos estão processados ou descaracterizados.

    Embora a técnica não consiga apontar exatamente de qual praia ou município os animais foram retirados, ela oferece uma ferramenta importante para investigações ambientais e operações de fiscalização.

    Os pesquisadores consideram altamente provável que os exemplares tenham sido capturados no litoral brasileiro, já que as duas espécies ocorrem naturalmente no país e não existem registros de produção comercial desses animais no Brasil.

    Outro dado que chamou atenção foi o volume das cargas.

    As três apreensões continham aproximadamente:

    • 1.500 pepinos-do-mar;
    • cerca de 500 indivíduos por mala ou caixa;
    • material destinado ao mercado internacional.

    “Isso representa apenas o que foi apreendido. É provável que exista um volume muito maior passando despercebido.”

    Conheça o pepino-do-mar

    Apesar de pouco conhecidos pelo público, os pepinos-do-mar desempenham funções essenciais para a saúde dos ambientes marinhos.

    Esses animais reciclam os nutrientes, oxigenam os sedimentos e ajudam na decomposição de matéria orgânica.

    Ao ingerirem o sedimento, processam a matéria orgânica e devolvem nutrientes ao ambiente, favorecendo a sobrevivência de microrganismos, crustáceos, vermes e diversas espécies que vivem no fundo do mar.

    Segundo os pesquisadores, a retirada intensiva desses organismos pode comprometer a qualidade ambiental dos habitats costeiros.

    “Não está em jogo apenas a sobrevivência das espécies, mas a integridade de ecossistemas inteiros que dependem desse serviço ecológico.”

    Mercado internacional impulsiona a captura ilegal

    A demanda por pepinos-do-mar é especialmente forte em países asiáticos.

    O produto seco é comercializado como iguaria gastronômica e também utilizado na medicina tradicional chinesa, o que eleva significativamente seu valor no mercado internacional.

    De acordo com os pesquisadores, esse cenário aumenta a atratividade econômica da captura ilegal e estimula a exploração de populações naturais.

    As cargas analisadas tinham como destino principal a China, mas já existem registros de envios para outros países.

    Espécies ainda sofrem com falta de monitoramento

    As espécies identificadas são classificadas atualmente como Menos Preocupantes pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

    Ainda assim, os cientistas alertam que a classificação não significa ausência de risco.

    A avaliação da espécie Holothuria grisea, por exemplo, não é atualizada desde 2010.

    Além disso, cerca de 65% das espécies de pepinos-do-mar avaliadas pela IUCN possuem classificação de dados insuficientes, evidenciando a escassez de informações científicas disponíveis.

    No Brasil, não existe monitoramento contínuo das populações desses animais.

  • Vídeo: Casal de pirarucus guia filhotes em rio brasileiro

    Vídeo: Casal de pirarucus guia filhotes em rio brasileiro

    Uma cena incomum registrada nas águas do Rio Teles Pires, em Mato Grosso, viralizou nas redes sociais. O vídeo mostra um casal de pirarucus conduzindo centenas de filhotes enquanto atravessa uma área de águas rasas.

    Esse comportamento ajuda a proteger os pequenos contra predadores.

    As imagens foram captadas pelo pescador e influenciador Tiger Bilzerian na região de Porto Santo Expedito, em Itaúba.

    Comportamento surpreendeu até observadores da espécie

    Embora o cuidado parental faça parte do ciclo de vida do pirarucu, o que mais chamou atenção no registro foi a quantidade de filhotes acompanhando os pais.

    Segundo Tiger Bilzerian, é comum que muitos filhotes sejam perdidos ao longo do desenvolvimento devido à ação de predadores naturais.

    “Os predadores atacam os filhotes. É comum que, no fim do trajeto, sobrem cerca de 50, dependendo do habitat. Esse casal deve ter uma estratégia muito boa porque, desse tamanho, já era para ter bem menos filhotes.”

    https://www.instagram.com/reel/DbZCw1yJF4X/?igsh=MTYxOHdzNzg5aGJt

    No vídeo, é possível observar os filhotes se movimentando próximos aos adultos, que parecem liderar o grupo durante o percurso.

    Estratégia ajuda a evitar ataques

    De acordo com especialistas e observadores da fauna aquática, o deslocamento em águas rasas pode dificultar a aproximação de alguns predadores.

    Entre os principais riscos para os filhotes estão:

    • Peixe-cachorra;
    • Ariranhas;
    • Jacarés;
    • Grandes peixes carnívoros.

    A proteção oferecida pelos pais aumenta as chances de sobrevivência da prole nos primeiros meses de vida.

    O gigante das águas amazônicas

    O pirarucu é considerado um dos maiores peixes de água doce do mundo e pode ultrapassar dois metros de comprimento.

    O pirarucu é um dos maiores peixes de água doce com escamas do mundo, sendo considerado um verdadeiro gigante da Bacia Amazônica — Foto: Reprodução/GOV

    Nativo da Amazônia, ele se destaca não apenas pelo tamanho impressionante, mas também pelos comportamentos ligados à reprodução e ao cuidado com os filhotes, algo relativamente raro entre peixes de grande porte.

    Espécie também está no centro de debates ambientais

    Apesar de ser um símbolo da fauna amazônica, o pirarucu passou a ser considerado uma espécie exótica invasora quando encontrado fora de sua área natural de ocorrência.

    Neste ano, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) autorizou a pesca da espécie em diferentes regiões hidrográficas do país como forma de controle populacional.

    Segundo o órgão, o pirarucu possui grande capacidade de adaptação e pode impactar espécies nativas quando introduzido em ecossistemas onde não ocorre naturalmente.

  • Urubu tenta comer jacaré e cena chama atenção no Pantanal

    Urubu tenta comer jacaré e cena chama atenção no Pantanal

    Um vídeo gravado no Pantanal chamou atenção nas redes sociais ao mostrar um urubu-de-cabeça-preta (Coragyps atratus) tentando se equilibrar sobre a carcaça de um jacaré que boiava no Rio Cuiabá. Enquanto tentava se alimentar, a ave girava junto com o réptil.

    O flagrante foi feito durante um passeio turístico conduzido pelo guia Mateus Filipe Rauber, de 33 anos.

    Segundo ele, o grupo procurava onças-pintadas quando se deparou com o comportamento incomum da ave.

    “O que me chamou a atenção foi o urubu não conseguir se equilibrar sobre o jacaré já inchado, criando uma cena curiosa e divertida”, relatou.

    Apesar do aspecto inusitado, especialistas explicam que a situação faz parte do ciclo natural do Pantanal.

    https://www.instagram.com/reel/DbBWHxxx_XM/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=NTc4MTIwNjQ2YQ==

    Por que a ave girava sobre o animal?

    De acordo com o ornitólogo Guilherme Brito, do Departamento de Ecologia e Zoologia da UFSC, o animal registrado é um urubu-de-cabeça-preta, uma das aves necrófagas mais comuns do Brasil.

    Segundo o pesquisador, o movimento não foi provocado intencionalmente pelo animal. A instabilidade da carcaça fez com que o urubu girasse repetidamente enquanto tentava iniciar a alimentação.

    Urubus têm dificuldade para comer jacarés

    Embora sejam especialistas em localizar animais mortos, os urubus enfrentam um desafio quando encontram jacarés, já que couro espesso do réptil impede que a ave consiga romper a pele para alcançar a carne.

    Por isso, normalmente a alimentação começa por regiões mais vulneráveis, como olhos, narinas, boca ou região cloacal. Além disso, outra possibilidade é aguardar que a decomposição rompa naturalmente a pele da carcaça.

    Segundo Guilherme Brito, apenas o urubu-rei possui força suficiente para abrir carcaças mais resistentes.

    Fundamental para o equilíbrio ecológico

    Apesar da aparência que costuma causar estranhamento, os urubus desempenham uma função essencial nos ecossistemas.

    Ao consumir animais mortos, essas aves aceleram a decomposição da matéria orgânica, reduzem a disseminação de patógenos e ajudam na reciclagem de nutrientes da natureza.

    Segundo Guilherme Brito, a espécie desenvolveu adaptações ao longo da evolução para consumir carne em avançado estado de decomposição sem sofrer prejuízos à saúde.

    Essas aves possuem sistema imunológico altamente eficiente e secreções estomacais extremamente ácidas, capazes de eliminar diversos microrganismos presentes nas carcaças.

  • Não é IA: conheça as aves que encantaram o Brasil

    Não é IA: conheça as aves que encantaram o Brasil

    “Isso não é IA. São as aves do Brasil através das minhas lentes.” Com essa frase direta, o fotógrafo Vinicius Kohn (@viniciuskohnpassaros) resumiu o que milhares de pessoas estavam se perguntando ao ver suas imagens circulando pelas redes. As fotos viralizaram, e não é difícil entender por quê: cada registro parece produzido digitalmente, mas traz a autenticidade insubstituível do mundo real.

    O conjunto reúne 18 espécies capturadas em diferentes regiões do Brasil. Muitas delas vivem em biomas pouco explorados pelo olhar humano comum e passam a vida inteira longe das cidades. Abaixo, cada uma delas com um pouco da sua história.

    As aves dos beija-flores e afins

    O bico-reto-de-banda-branca abre a série com destaque. Trata-se de um beija-flor endêmico do Brasil, encontrado nas regiões Centro-Oeste, Sudeste, Nordeste e no norte do Paraná. Alimenta-se principalmente do néctar das flores e frequenta bebedouros açucarados. O nome descreve uma das marcas do macho: uma faixa branca que cruza as costas como uma divisa.

    Foto: @viniciuskohnpassaros

    Já o beija-flor-de-bochecha-azul carrega um dos visuais mais marcantes entre os colibris brasileiros. A espécie apresenta plumagem azul-violeta na garganta, no peito e na região lateral do pescoço, além de barriga verde-azulada. Ocorre do Amazonas à Bahia e a Minas Gerais, habitando matas, capoeiras, regiões montanhosas e até áreas urbanas.

    Foto: @viniciuskohnpassaros

    O rabo-branco-acanelado pertence ao grupo dos beija-flores de bico mais longo. São aves de interior de mata, discretas e difíceis de registrar com clareza, o que torna o flagrante do fotógrafo ainda mais valioso.

    Foto: @viniciuskohnpassaros

    As aves do cerrado e do campo aberto

    A seriema é uma das figuras mais icônicas do cerrado brasileiro. Ave de grande porte, ela prefere caminhar a voar e tem o hábito de emitir chamados sonoros ao amanhecer, que ecoam pelos campos abertos. Também aparece em áreas de vegetação mais seca do Nordeste e do Centro-Oeste.

    Foto: @viniciuskohnpassaros

    A coruja-buraqueira desafia o estereótipo das corujas como aves exclusivamente noturnas e florestais. Ela possui cabeça redonda sem penachos, olhos amarelos e coloração terrosa e mimética. Ao contrário da maioria das corujas, o macho é ligeiramente maior que a fêmea. O nome vem do hábito de nidificar em buracos no chão, muitas vezes em cupinzeiros abandonados. É uma das aves mais adaptadas a ambientes abertos, incluindo áreas urbanas próximas a campos.

    Foto: @viniciuskohnpassaros

    A meia-lua-do-cerrado é uma das espécies menos conhecidas do grupo, associada especificamente ao bioma cerrado, e raramente registrada em boas condições de luz por fotógrafos.

    Foto: @viniciuskohnpassaros

    As aves da Mata Atlântica

    O surucuá-variado é uma das joias da Mata Atlântica. Mede entre 26 e 28 centímetros e apresenta cabeça, pescoço e peito em azul-escuro metálico, com bochechas e garganta pretas e um anel periocular em laranja intenso. É um pássaro quieto que passa longos períodos descansando em um poleiro, e seu canto pode ser ouvido durante todo o dia.

    Foto: @viniciuskohnpassaros

    O tangarazinho é pequeno, mas chama atenção. Os machos têm coroa e costas pretas, testa e uropígio vermelhos, asas verdes, colar e barriga brancos. As fêmeas são verdes na parte superior e cinzas na garganta. A espécie ocorre na Mata Atlântica desde o sul da Bahia até o sul de Santa Catarina, com uma população isolada na região central de Goiás, e se alimenta de frutinhas e pequenos insetos.

    Foto: @viniciuskohnpassaros

    A saíra-ferrugem completa o grupo das Mata Atlântica. Ocorre do sul da Bahia e Minas Gerais ao Rio Grande do Sul, alimentando-se de frutos e insetos, principalmente larvas que vivem nos troncos das árvores.

    Foto: @viniciuskohnpassaros

    As aves multicoloridas das florestas

    A saíra-lagarta é um dos pássaros mais fotografados por entusiastas da observação de aves. Sua plumagem é predominantemente amarelo-esverdeada, com destaque para a testa e o anel azul ao redor dos olhos. O bico e sua base são pretos, assim como uma mancha no pescoço, e o peito é alaranjado com listras pretas nas costas.

    Foto: @viniciuskohnpassaros

    A saíra-de-chapéu-preto leva o nome do marcante capacete escuro que contrasta com o corpo colorido. Assim como outras saíras, costuma aparecer em bandos mistos de aves no interior e nas bordas das florestas.

    Foto: @viniciuskohnpassaros

    O bentevizinho-de-penacho-vermelho é primo menor do bem-te-vi, mas tem seu diferencial. Apresenta um píleo vermelho, visível principalmente quando o animal está excitado, faixa branca acima dos olhos, garganta branca e região inferior amarela. Alimenta-se de insetos e frutos, constrói ninhos com capim em galhos de arbustos e vive em matas conservadas ou áreas abertas com boa cobertura vegetal.

    Foto: @viniciuskohnpassaros

    A ariramba-de-cauda-ruiva pertence a um grupo de aves conhecidas pela postura ereta e pelos mergulhos rápidos em direção a insetos. O tom enferrujado da cauda, que dá nome à espécie, aparece com clareza em voo.

    Foto: @viniciuskohnpassaros

    O periquito-rei se destaca pelo porte e pela plumagem verde vibrante com detalhes vermelhos nas asas. Costuma voar em bandos barulhentos e aparece em várias regiões do Brasil, da Amazônia ao Cerrado.

    Foto: @viniciuskohnpassaros

    O tucanuçu é o maior representante do gênero Ramphastos e carrega o bico enorme como principal marca registrada. Vive em pares ou pequenos grupos e percorre o dossel das florestas em busca de frutos.

    Foto: @viniciuskohnpassaros

    Por fim, a rendeira e o joão-botina-do-brejo completam o conjunto com espécies menos conhecidas do grande público. A rendeira recebe o nome pelo padrão delicado de sua plumagem, que lembra um tecido rendado. O joão-botina-do-brejo, por sua vez, habita áreas úmidas e é raramente avistado fora de seu ambiente específico.

    Foto: @viniciuskohnpassaros
    Foto: @viniciuskohnpassaros

    O Brasil abriga mais de 1.900 espécies de aves, o que o coloca entre os países com maior diversidade ornitológica do planeta. Ainda assim, boa parte dessas espécies permanece desconhecida para a maioria dos brasileiros. O trabalho de fotógrafos como Vinicius Kohn cumpre um papel que vai além do estético: aproxima o público de uma biodiversidade que existe, resiste e merece atenção e proteção.

  • Gavião-carijó com “corações” nas penas encanta seguidores

    Gavião-carijó com “corações” nas penas encanta seguidores

    Um registro raro feito no Brasil chamou atenção nas redes sociais ao mostrar um gavião-carijó com um padrão incomum nas penas, lembrando pequenos corações.

    A imagem foi capturada pelo fotógrafo de natureza Vinícius Köhn, conhecido por registrar aves livres em seu habitat natural.

    Vinícius atua na observação profunda da fauna brasileira — Foto: Vinícius Köhn

    Gavião apaixonado

    A protagonista da imagem é o gavião-carijó, uma das aves de rapina mais conhecidas do Brasil.

    O que chamou atenção no registro foi o padrão de luz e penas, que formava um desenho natural semelhante a corações, um efeito raro e totalmente espontâneo.

    Penugem rara parece obra da natureza — Foto: Vinícius Köhn

    O gavião-carijó no Brasil

    O gavião-carijó é conhecido por sua adaptação a diferentes ambientes, incluindo áreas urbanas.

    Ele pode ser visto em postes, árvores e estruturas altas, sempre atento ao movimento ao redor.

    Seu padrão de penas rajadas e seu olhar intenso fazem dele uma das aves de rapina mais facilmente reconhecíveis do país.

  • Rara arara-canindé branca é registrada no Tocantins e impressiona

    Rara arara-canindé branca é registrada no Tocantins e impressiona

    Uma arara-canindé com plumagem branca e amarelada ganhou destaque nas redes sociais nos últimos dias. O raro exemplar foi fotografado pelo geógrafo e fotógrafo de natureza Clóvis Cruvinel em Aliança do Tocantins (TO).

    Tradicionalmente reconhecida pelas cores azul e amarela, características da espécie, a ave surpreendeu pela aparência incomum. A alteração na coloração é resultado de uma condição genética rara chamada lutinismo, responsável pela ausência total de melanina, mantendo, no entanto, os pigmentos amarelos e avermelhados.

    Segundo Cruvinel, a ave apresenta exatamente essa condição genética. Dessa forma, a falta de melanina faz com que a plumagem assuma tonalidades mais claras, enquanto os olhos costumam adquirir coloração avermelhada.

    Arara branca ao lado de arara azul, no Tocantins.
    Foto: Reprodução/Clóvis Cruvinel

    Em uma das fotografias, a ave aparece ao lado de outra arara-canindé com a coloração padrão da espécie.

    Por conta da raridade, as imagens repercutiram entre observadores de aves, fotógrafos de natureza e pesquisadores. Casos de lutinismo são considerados incomuns na fauna silvestre e se tornam ainda mais raros quando ocorrem em aves de grande porte, como as araras.

    Beleza rara pode representar um desafio

    Embora a aparência diferenciada impressione, a mutação genética pode trazer dificuldades para a sobrevivência da ave em ambiente natural.

    De acordo com o biólogo especialista em aves Danilo Freitas Rangel, a ausência de melanina reduz a capacidade de camuflagem do animal, tornando-o mais vulnerável à ação de predadores.

    “Ao eliminar a melanina e destacar uma coloração vibrante na plumagem, a ave perde sua camuflagem natural nas copas das árvores, transformando-se em um alvo fácil para predadores”, afirma.

    Além dos riscos naturais, a raridade também pode aumentar a exposição ao tráfico de animais silvestres. Segundo o especialista, indivíduos com características incomuns costumam despertar o interesse de colecionadores ilegais.

    “A beleza exótica e a extrema raridade dessas araras atraem a atenção de traficantes, que frequentemente monitoram ninhos para capturar filhotes ainda jovens”, alerta.

    Por fim, Rangel destaca que registros como esse possuem grande importância científica. Segundo ele, a ocorrência ajuda pesquisadores a compreenderem melhor os processos evolutivos que continuam acontecendo na natureza.

  • Onça-pintada doa sangue em procedimento inédito no Brasil

    Onça-pintada doa sangue em procedimento inédito no Brasil

    Uma ação conjunta entre especialistas do Zoológico de São Paulo e da Unesp de Botucatu resultou em um marco para a medicina veterinária de animais silvestres no Brasil. As instituições realizaram a primeira transfusão de sangue entre onças-pintadas registrada no país, em um procedimento que ajudou a estabilizar um animal em estado crítico.

    A doadora foi Ruana, uma onça-pintada fêmea de quatro anos que vive no Simba Safari. Ela cedeu 800 mililitros de sangue para Jack, um macho de 18 anos que enfrenta uma doença renal crônica. O procedimento foi considerado bem-sucedido e representa um avanço importante para o atendimento clínico de grandes felinos.

    Onça-pintada Jack, de Sorocaba (SP), sedado para a realização da primeira transfusão de sangue da espécie no Brasil — Foto: Zoo São Paulo/Divulgação

    Além disso, a iniciativa envolveu uma operação logística cuidadosa. A coleta ocorreu no hospital veterinário do Zoo São Paulo, e as bolsas de sangue foram transportadas sob rígido controle até o Centro de Medicina e Pesquisa em Animais Selvagens (CEMPAS), em Botucatu, onde Jack recebeu a transfusão.

    Procedimento pioneiro auxilia tratamento de onça idosa

    O caso entrou para a história por ser o primeiro relato de uma transfusão sanguínea entre indivíduos da espécie realizada em território brasileiro.

    Jack, que recebeu o sangue, tem 18 anos, uma idade considerada avançada para a espécie. O animal sofre com um quadro de insuficiência renal e necessitava de suporte emergencial para continuar o tratamento, que inclui sessões de hemodiálise.

    Por outro lado, Ruana foi escolhida como doadora após avaliações que confirmaram seu excelente estado de saúde. Após a coleta, ela passou por uma série de exames complementares, incluindo avaliações de imagem e odontológicas.

    Ruana contribuiu com cerca de 800 ml de sangue para Jack — Foto: Zoo São Paulo/Leandro Ferreira Amaral

    A recuperação dos dois felinos apresentou resultados positivos. Enquanto Ruana retornou normalmente à sua rotina, Jack demonstrou melhora em aspectos importantes, como alimentação e postura.

    Além do impacto imediato no tratamento, as equipes envolvidas pretendem publicar um relato científico conjunto sobre o caso. Dessa forma, o procedimento poderá servir de referência para futuros atendimentos clínicos de onças-pintadas no Brasil.

    “A iniciativa reforça a importância da cooperação entre instituições na promoção da saúde e do bem-estar de animais sob cuidados humanos”, destacaram as equipes técnicas em nota.

    Conservação da espécie

    Os ganhos do procedimento não ficaram restritos à área clínica. Durante a sedação de Ruana, os veterinários aproveitaram a oportunidade para coletar material genético da onça.

    Esse material será incorporado ao studbook, o livro de registros genealógicos da espécie. A ferramenta é fundamental para o manejo populacional e para a manutenção da diversidade genética das onças-pintadas, classificadas atualmente como vulneráveis na lista nacional de espécies ameaçadas de extinção.

    Enquanto isso, Jack permanece sob monitoramento constante em Botucatu. A expectativa é que ele inicie sessões de hemodiálise para auxiliar o funcionamento dos rins e melhorar sua qualidade de vida.

    Além disso, o Zoo São Paulo segue colaborando com o Plano de Ação Nacional do ICMBio, participando de programas de reprodução e conservação voltados à proteção da espécie. O objetivo é fortalecer a população de onças-pintadas e contribuir para que o maior felino das Américas continue presente em seu habitat natural.

     

  • Conheça a serpente temida na Ilha das Cobras no litoral paulista

    Conheça a serpente temida na Ilha das Cobras no litoral paulista

    A Ilha da Queimada Grande, localizada entre Itanhaém e Peruíbe, no litoral de São Paulo, ganhou fama internacional por abrigar a jararaca-ilhoa (Bothrops insularis), espécie endêmica considerada uma das serpentes mais perigosas do planeta. No entanto, a chamada Ilha das Cobras também é lar de outra serpente bem menos conhecida: a dormideira (Sibynomorphus mikanii), uma espécie inofensiva que se alimenta principalmente de lesmas e caracóis.

    Além disso, a Queimada Grande é considerada a segunda ilha com maior densidade populacional de cobras do mundo. O local é o único habitat natural da jararaca-ilhoa. Já a dormideira também ocorre no continente e, segundo pesquisadores, apresenta poucas diferenças visíveis em relação aos exemplares encontrados fora da ilha.

    De acordo com o pesquisador do Instituto Butantan, Otavio Marques, a presença da dormideira desperta interesse científico porque, ao contrário da jararaca-ilhoa, a espécie não sofreu mudanças aparentes durante o período de isolamento geográfico.

    Segundo o pesquisador, seus hábitos noturnos e a alimentação baseada em lesmas permitiram que a serpente encontrasse na ilha condições muito semelhantes às existentes no continente. Dessa forma, a espécie manteve características praticamente inalteradas ao longo do tempo.

    Dormideira pode ser encontrada em hortas e áreas úmidas

    Conforme informações do Instituto Butantan, a dormideira é uma serpente de pequeno porte, terrestre e com hábitos predominantemente noturnos. Além disso, ela é totalmente inofensiva aos seres humanos.

    Sua dieta é composta principalmente por lesmas e caracóis, motivo pelo qual a espécie costuma ser encontrada em hortas, áreas de cultivo e locais com vegetação úmida, ambientes comuns em diversas propriedades rurais.

    Cobra dormideira na Ilha da Queimada Grande, entre Itanhaém e Peruíbe, SP — Foto: Instituto Butantan

    A serpente não possui veneno. Em contrapartida, desenvolveu adaptações específicas no crânio e na mandíbula que permitem retirar moluscos de dentro das conchas sem quebrá-las, característica que chama a atenção dos pesquisadores.

    Jararaca-ilhoa desenvolveu peçonha mais potente após isolamento

    Enquanto a dormideira costuma passar despercebida, a jararaca-ilhoa permanece como a principal protagonista da Ilha da Queimada Grande. Segundo o biólogo Eric Comin, a espécie figura entre as serpentes mais peçonhentas e perigosas do mundo.

    “Ela é uma jararaca de coloração meio esverdeada com tom voltado ao amarelo. Com isso, ela tem uma camuflagem muito boa”, disse Comin.

    A origem da espécie está diretamente relacionada ao isolamento geográfico provocado pela elevação do nível do mar há aproximadamente 11 mil anos. Com a formação da ilha, uma população ancestral de jararacas ficou separada do continente e passou a evoluir de forma independente.

    “Nesse isolamento, ela teve que caçar aves do continente que vão até a ilha. Para ela caçar essas aves, se ela pica a ave e a peçonha não é forte, a ave voa, vai embora e cai em outro lugar”, acrescentou o biólogo.

    Jararaca-ilhoa na Ilha da Queimada Grande, conhecida como 2ª com maior densidade de cobras do mundo — Foto: João Rosa

    Com o passar das gerações, a espécie desenvolveu uma peçonha cada vez mais eficiente para capturar aves, que representam a maior parte de sua alimentação. Assim, a seleção natural favoreceu indivíduos capazes de imobilizar rapidamente suas presas.

    “Dentro desse isolamento geográfico […] a peçonha dela se potencializou de uma tal forma que a partir do momento que ela dava o bote, a ave já morria e ficava no galho”, completou Comin.

    Por isso, a Ilha da Queimada Grande se tornou um dos mais importantes laboratórios naturais para estudos sobre evolução, adaptação de espécies e biodiversidade, temas de grande relevância para a conservação dos ecossistemas brasileiros.