O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou a Portaria nº 908 no Diário Oficial da União desta quinta-feira (21), estabelecendo os Preços de Liberação dos Estoques Públicos (PLE) para arroz, milho, trigo e derivados da mandioca. A medida orienta as operações de venda da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em leilões públicos até 2027.
Os preços funcionam como referência para a intervenção do governo no mercado. Quando as cotações superarem o PLE, o governo poderá autorizar a venda de produtos dos estoques públicos para conter altas.
A Conab executará as operações por meio de leilões no Sistema de Comercialização Eletrônica (Siscoe).
O arroz em casca terá preço de liberação de R$ 78,80 por saca de 50 kg no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, válido até 31 de janeiro de 2027. Nas demais regiões, o valor chega a R$ 98,81 por saca de 60 kg.
A farinha de mandioca fina beneficiada, tipos 1 e 2, terá PLE de R$ 3,01 por quilo nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul, com vigência até 31 de dezembro de 2026.
Para a fécula de mandioca, o preço será de R$ 3,53 por quilo nas mesmas regiões, também válido até o fim de 2026.
No caso do milho, o Mapa definiu valores regionalizados. Já no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, o preço será de R$ 69,39 por saca de 60 kg. No Sudeste e no Paraná, ficará em R$ 63,82. Já no Centro-Oeste e no Norte, exceto Tocantins e Pará, o valor será de R$ 48,43.
No oeste da Bahia e nos estados do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins, o milho terá PLE de R$ 58,04 por saca. Nessas regiões, os preços valem até 31 de dezembro de 2026.
Para o restante do Nordeste, o valor será de R$ 78,37 por saca de 60 kg, com vigência entre 1º de junho de 2026 e 31 de maio de 2027.
O trigo em grãos, tipo 1 pão, terá preço de liberação de R$ 97,01 por saca de 60 kg na Região Sul, válido entre 1º de julho de 2026 e 30 de junho de 2027.
Regras para uso dos estoques
A portaria estabelece que os preços do milho não se aplicam às vendas destinadas ao Programa de Venda em Balcão (ProVB), operado pela Conab.
Além disso, quando os preços de mercado superarem o PLE, a liberação dos estoques dependerá de autorização prévia do Mapa e do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA). A decisão também considerará a disponibilidade orçamentária e seguirá as regras da Portaria nº 523/2022.
Presente na mesa de milhões de brasileiros e com papel cada vez mais relevante no campo, a mandioca celebra seu dia em 22 de abril, não casualmente o Dia do Descobrimento do Brasil. Conhecida como aipim, macaxeira ou até “pão do pobre”, a raiz é uma das mais populares no país. E vai muito além da tradição culinária: ela é oportunidade e renda.
A Conab estimou uma produção em torno de 20,29 milhões de toneladas no Brasil em 2025, um crescimento de cerca de 6,48% em relação ao ano anterior. No cenário global, o país ocupa a quinta posição entre os maiores produtores, atrás de Nigéria, Congo, Tailândia e Gana.
Segundo a Embrapa, a mandioca está entre os seis produtos agrícolas mais relevantes em valor de produção no Brasil. Aproximadamente 40% das suas raízes são destinadas à fabricação de farinha, 20% à produção de amido e 40% à mesa. De boa adaptação a diferentes condições de solo e clima, essa cultura se destaca pela eficiência produtiva, inclusive em pequenas propriedades.
História e nutrição
De origem sul-americana, e talvez brasileira segundo alguns estudos, o cultivo da mandioca está ligado aos povos originários e se expandiu pelo mundo durante as grandes navegações portuguesas.
Do ponto de vista nutricional, trata-se de um alimento altamente energético, rico em carboidratos, além de fornecer fibras, vitamina C, magnésio e potássio. Essa composição contribui para o funcionamento intestinal e auxilia no combate aos radicais livres, reforçando seu valor na alimentação diária.
As variedades do sabor
Alimento versátil, a mandioca admite diferentes formas de preparo, sendo o cozimento sob pressão uma das maneiras mais seguras e comuns. Cozida, ela é base para ensopados reconfortantes ou acompanhamento de diversos pratos, porções e churrascos. Frita e crocante, ela já disputa espaço com a batata na preferência do consumidor.
Uma alternativa menos convencional é o uso em saladas de maionese, substituindo a batata tradicional. O resultado surpreende pelo sabor e textura, mantendo a simplicidade no preparo.
Da lavoura à mesa, a mandioca sintetiza a conexão entre tradição, diversidade regional e produção agrícola. Mais do que um alimento, é símbolo de resistência, adaptação e da força do campo brasileiro.
Ribeirinhos da Floresta Nacional de Caxiuanã, no Pará, consomem cada vez menos peixe, farinha de mandioca e frutas locais. No lugar desses alimentos tradicionais, arroz branco, macarrão instantâneo, refrigerantes e óleo vegetal dominam a mesa das famílias. Um estudo do Instituto de Biociências (IB) da USP documenta essa transformação radical e aponta consequências graves para a saúde e a cultura dessas comunidades.
A bioantropóloga Mariana Inglez conduziu a pesquisa entre 2019 e 2023, conquistando o prêmio Tese Destaque USP na categoria Inclusão Social e Cultural. Os números revelam uma mudança drástica: o consumo de gorduras provenientes de alimentos comprados saltou de 21% para 71% em duas décadas. Proteínas e carboidratos industrializados também triplicaram na dieta local.
Nutricídio ameaça identidade cultural
O termo “nutricídio” define esse processo. O médico Llaila O Afrika criou o conceito em 1993 para descrever como populações marginalizadas perdem acesso a uma alimentação saudável. A pesquisa mostra que essa perda vai além da nutrição e atinge a identidade cultural.
“Quando falo nessa transição nutricional, estou falando da substituição de alimentos que fazem parte da identidade de um povo, que têm uma relação com o ambiente e uma relação com aspectos simbólicos, culturais e afetivos. Geralmente são alimentos muito mais saudáveis”, explica Mariana ao Jornal da USP.
Mara, moradora de uma das comunidades estudadas, confirma a mudança. “Antes a gente consumia basicamente alimentos naturais, por exemplo, o peixe que a gente pescava, a caça, a farinha que produzimos aqui mesmo. No café da manhã, tomava com uma farinha de tapioca ou uma tapioquinha. Hoje em dia, houve um avanço na questão da alimentação industrializada”, relata. O Jornal da USP optou por não identificar seu sobrenome e a comunidade onde vive para preservar sua segurança e privacidade.
Mulheres sofrem mais com transição alimentar
Mariana analisou 177 participantes entre adultos, jovens e crianças. Todos ganharam peso nas últimas duas décadas, mas as mulheres enfrentam os piores impactos. Elas apresentam maior risco de desenvolver hipertensão, obesidade e diabetes.
“Geralmente as mulheres deixam ‘as melhores partes’ para os parceiros e para as crianças. Então, são as primeiras que vão enfrentar a insegurança alimentar e aí, consecutivamente, as que mais vão consumir alimentos ultraprocessados, que não têm tanto poder nutritivo, mas que são mais calóricos”, afirma a pesquisadora.
Políticas públicas inadequadas agravam problema
A pesquisa aponta falhas nas políticas de alimentação. Cestas básicas distribuídas às comunidades contêm majoritariamente ultraprocessados, incompatíveis com a cultura alimentar ribeirinha. A merenda escolar repete o erro, contrariando as orientações do Guia Alimentar para a População Brasileira (GAPB).
O Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens) da USP desenvolveu o guia em 2014, junto com o Ministério da Saúde. O documento orienta profissionais e políticas públicas sobre alimentação saudável, mas suas recomendações não chegam adequadamente às comunidades tradicionais.
A pandemia de covid-19 agravou a insegurança alimentar. A crise interrompeu cadeias de abastecimento e fontes de renda locais. “Os povos tradicionais, negros, afro-indígenas, ribeirinhos e periféricos foram grupos mais vulneráveis durante a pandemia”, diz Mariana. Para ela, o sistema atual perpetua desigualdades que começaram na prática colonial.
Mudanças climáticas reduzem disponibilidade de alimentos locais
A crise climática adiciona mais um obstáculo. Chuvas diminuem, temperaturas sobem e a produção agrícola encolhe. Os rios oferecem menos peixes. As comunidades encontram cada vez mais dificuldade para depender exclusivamente dessas fontes.
Foto: Mariana Inglez/ Jornal da USP
“Hoje em dia o feijão que vem é industrializado, mas antes a gente comia o feijão que plantávamos, [atualmente] raramente se planta aqui na nossa comunidade”, conta Mara.
Ribeirinhos ainda preferem alimentação tradicional
Mariana comparou seus dados com informações coletadas entre 2002 e 2009 por Bárbara Piperata, referência em antropologia nutricional na Amazônia. A pesquisadora conviveu diretamente com as comunidades durante quatro anos e constatou que a preferência local permanece inalterada.
“Existe uma percepção local do que é uma comida de verdade que faz bem para a saúde, e não é comida ultraprocessada. Então, quando existe a possibilidade de escolher, vão comer um peixe cozido com farinha”, afirma.
A tese “Transição nutricional em comunidades ribeirinhas da Amazônia brasileira: ‘escolhas’ entre alimentos tradicionais e industrializados na região de Caxiuanã, Pará, Brasil” defende uma abordagem biocultural. O professor Rui Sérgio Sereni Murrieta orientou o trabalho no Programa de Pós-Graduação em Ciências (Genética e Biologia Evolutiva) do IB-USP.
A pesquisa integra dimensões biológicas, socioculturais, econômicas e ambientais para compreender alimentação, saúde e modos de vida na região. Adota um ponto de vista decolonial que valoriza a vivência das populações ribeirinhas e as coloca no centro do debate sobre saúde humana e ambiental.
Agricultores do Amazonas ganham, a partir de 9 de outubro, acesso a uma variedade de mandioca que pode transformar a produção estadual. A Embrapa Amazônia Ocidental desenvolveu a BRS Jacundá, cultivar que apresenta produtividade superior a 30 mil quilos por hectare, mais de 300% acima da média estadual de 10.560 kg/ha.
A nova mandioca reúne características que os produtores procuram: polpa amarela, resistência a pragas e doenças, além de alto teor de amido. A cultivar atende especialmente à preferência local pela farinha de mandioca brava com coloração amarela.
Embrapa apresenta nova cultivar em evento para produtores
A Embrapa realiza um dia de campo na próxima quarta-feira, 9 de outubro, em sua sede em Manaus. O evento reunirá produtores rurais, técnicos de extensão rural, fornecedores de maniva-semente, representantes da agroindústria e parceiros institucionais.
Os pesquisadores vão compartilhar dados compilados de agricultores que já testaram a BRS Jacundá em suas propriedades. A iniciativa busca acelerar a adoção da nova variedade no estado.
O pesquisador Ferdinando Barreto, da Embrapa, destaca que a cultivar se adapta bem ao ambiente de terra firme. “Com manejo adequado, as características qualitativas de raiz e a tolerância às principais pragas e doenças favorecem a adoção da nova cultivar, especialmente em regiões de terra firme. Ela deve contribuir para a segurança alimentar e para o fortalecimento da cadeia produtiva da mandioca no Amazonas”, afirma.
A microrregião do Médio Solimões, que abrange Tefé, Uarini e Alvarães, concentra atualmente seus plantios em praticamente uma única variedade: a “Catombo”. Barreto explica que a BRS Jacundá tem potencial para fortalecer a cadeia produtiva da mandioca, especialmente nessas regiões onde a cultura sustenta a economia agrícola.
Mandioca garante segurança alimentar na região
A mandioca desempenha papel estratégico na vida de milhares de agricultores amazonenses. Consumida in natura ou como farinha, a raiz fornece carboidratos principalmente à população rural de menor renda. A cultura gera trabalho e renda pela comercialização do produto e seus derivados.
Foto: Maria José Tupinambá/Embrapa
A Embrapa Amazônia Ocidental desenvolve pesquisas em melhoramento genético de mandioca em parceria com a Embrapa Mandioca e Fruticultura (BA). Os estudos buscam identificar materiais genéticos com características agronômicas superiores às variedades tradicionais.
Polpa amarela atende preferência local
Os amazonenses preferem consumir farinha de mandioca brava com polpa de coloração amarela. A BRS Jacundá atende a esse critério definido pelos próprios agricultores, principalmente para o processamento de farinha e tucupi.
Os pesquisadores acreditam que a polpa amarela, aliada à alta produtividade de raízes, alta disponibilidade de manivas-sementes e alto teor de amido, deve favorecer a ampla adoção da cultivar no estado.
A concentração em uma única variedade expõe os cultivos permanentemente a estresses bióticos (pragas e doenças) e abióticos (calor, seca, chuvas). Essa situação indica que as variedades de mandioca passam por processo de erosão genética — a perda gradual da diversidade de genes de uma espécie.
Duas décadas de pesquisa e melhoramento
A Embrapa iniciou o desenvolvimento da BRS Jacundá há mais de 20 anos, com a coleta de germoplasma no município de Uarini em 1997. Desde então, a variedade passou por rigorosos testes de rendimento, resistência e estabilidade.
Os agricultores da época indicaram que o material genético apresentava ciclo precoce e havia sido selecionado em ambiente de terra firme. A equipe incorporou esse material ao Banco Ativo de Germoplasma (BAG) de Mandioca da Embrapa Amazônia Ocidental em 1997.
Os pesquisadores aplicaram o método de seleção massal no melhoramento da cultivar. As plantas em campo passaram por caracterização e avaliação no BAG da Embrapa em Manaus, utilizando descritores padronizados para manejo de recursos genéticos da mandioca.
As pesquisas em campo começaram em 1998 e se repetiram por vários ciclos de produção. Nos anos seguintes, a BRS Jacundá participou de diversas avaliações em provas de rendimento agronômico e testes específicos de resistência a pragas e doenças. A variedade também passou por testes de distinguibilidade, homogeneidade e estabilidade (DHE) em ambiente de terra firme de diferentes regiões do Amazonas.
Orientações para o plantio
Os agricultores devem adotar o espaçamento de 1 metro x 1 metro em sistemas de plantio solteiro na terra firme, para uma densidade de 10 mil plantas por hectare. Os pesquisadores recomendam essa configuração também para plantios mecanizados.
A Embrapa orienta evitar plantios sucessivos em uma mesma área, devido ao aumento de podridões de raízes. A cultura da mandioca tem crescimento inicial lento. Quando consorciada, a cultura consorte deve ter crescimento rápido, protegendo o solo enquanto a mandioca desenvolve sua copa.
A produção em sistema de monocultivo por mais de dois anos na mesma área provoca degradação física, química e biológica do solo, diminuindo a produtividade. A rotação utiliza outras espécies de plantas na área antes ocupada pela mandioca, evitando a incorporação de novas áreas ao processo produtivo.
Os especialistas recomendam as gramíneas milho e sorgo para rotação, além das leguminosas feijão-caupi, mucuna, tephrosia e flemingia.
O plantio da BRS Jacundá deve ocorrer no início do período chuvoso, entre novembro e dezembro. Se necessário, os produtores podem estender o plantio a outros meses, exceto àqueles de menor precipitação pluviométrica.
O período ideal de colheita varia de oito a dez meses após o plantio. A colheita pode se estender até 12 meses, se necessário.
O camu-camu, um fruto típico da Amazônia conhecido por sua alta concentração de vitamina C e propriedades antioxidantes, está ganhando destaque como um ingrediente promissor na produção de farinhas funcionais. Um estudo conduzido por pesquisadores brasileiros demonstrou como o uso de resíduos agroindustriais do camu-camu pode enriquecer nutricionalmente a farinha de mandioca, aumentar seu apelo visual e abrir novas possibilidades econômicas para a região amazônica, especialmente em comunidades que dependem da agricultura familiar.
De acordo com a pesquisa realizada por Pedro Vitor Pereira Guimarães durante seu doutorado na Rede Bionorte, o camu-camu tem o potencial de elevar o valor nutricional da farinha de mandioca ao incorporar antioxidantes, como ácidos ascórbico e cítrico, além de minerais essenciais. “O objetivo foi formular e caracterizar farinhas enriquecidas com diferentes métodos de secagem, aproveitando tanto os frutos como os resíduos do camu-camu. Os resultados indicam um produto de alta aceitação regional e potencial internacional”, explica Guimarães.
O camu-camu enriquece a farinha de mandioca e funciona como aditivo em outros alimentos, promovendo dietas mais saudáveis e alinhadas à segurança alimentar. A pesquisa também mostra como aproveitar o fruto de forma sustentável, reduzindo desperdícios e criando novas fontes de renda.
Inovação nos processos de produção
O estudo avaliou diferentes técnicas de secagem para desidratar o camu-camu. Incluindo métodos de alta tecnologia, como a liofilização, e alternativas acessíveis, como secagem ao sol, em estufa elétrica e com fornos solares artesanais. A liofilização apresentou os melhores resultados, preservando as propriedades nutricionais e gerando um produto com maior valor agregado e prazo de validade prolongado.
Ainda assim, métodos simples e de baixo custo, como a secagem solar, se mostraram eficazes e viáveis para comunidades que possuem acesso limitado a tecnologias avançadas. Essa abordagem amplia o alcance da inovação, permitindo sua aplicação em agroindústrias familiares e cooperativas locais.
O camu-camu apresenta um alto potencial para promover a industrialização de produtos amazônicos de forma sustentável. Ao reutilizar resíduos agroindustriais na produção de farinhas, a pesquisa contribui para a redução do impacto ambiental e o alinhamento às políticas nacionais de resíduos sólidos. Esse modelo sustentável pode fortalecer a economia local, gerar empregos e beneficiar diretamente agricultores familiares e mulheres rurais que integram projetos comunitários na Amazônia.
A colheita do fruto foi realizada às margens do Lago da Morena, no município de Cantá (Roraima), e processada na Embrapa Roraima, em Boa Vista. Além de explorar o aproveitamento integral dos frutos, os pesquisadores validaram diferentes níveis de tecnologia, atendendo tanto a demandas da agroindústria quanto da produção familiar.
Produtos promissores e mercado global
As farinhas enriquecidas com camu-camu foram testadas em concentrações de 0%, 5%, 25%, 50% e 100%. Os resultados indicaram que o produto final apresenta maior concentração de sólidos solúveis, coloração mais atraente e maior teor de antioxidantes, fatores que aumentam seu valor comercial. Segundo Guimarães, “as farinhas obtidas apresentaram características desejáveis para o mercado interno e externo, sendo modelos promissores de alimentos funcionais”.
Maria Fernanda Berlingieri Durigan, pesquisadora da Embrapa Instrumentação e coorientadora do estudo, reforça que o camu-camu pode ser um ingrediente estratégico para a agroindústria. “A farinha de camu-camu oferece oportunidades interessantes para aplicação em indústrias alimentícias e agrícolas, especialmente em regiões produtoras como a Amazônia. Seu potencial econômico é significativo, principalmente para projetos voltados à agricultura familiar”, avalia.
Apoio à pesquisa e publicações científicas
Capes, CNPq e Embrapa financiaram a pesquisa, e os resultados já estão disponíveis nos sistemas da Embrapa e em revistas científicas. A revista Cuadernos de Educación y Desarrollo publicou um dos artigos. E destaca o potencial biotecnológico e nutricional do camu-camu para o desenvolvimento sustentável da Amazônia.
Com a validação científica do produto, os pesquisadores esperam que as farinhas enriquecidas com camu-camu ganhem escala industrial. E também sejam integradas a dietas e receitas diversificadas, consolidando a aplicação do fruto como um ingrediente de alto valor nutricional e econômico.
Além de beneficiar diretamente comunidades amazônicas, o estudo abre caminho para a industrialização sustentável do camu-camu. Contribuindo para a preservação ambiental e o fortalecimento da economia regional. Com resultados promissores, essa iniciativa reforça a importância de investimentos em pesquisa e inovação para a valorização de produtos nativos e o desenvolvimento de cadeias produtivas sustentáveis no Brasil.