O 4º Encontro Estadual de Mulheres do Agro será realizado nesta sexta-feira (28), em Ribeirão Preto (SP). A organização espera cerca de 5 mil participantes, entre produtoras rurais, empresárias, trabalhadoras e lideranças do setor.
O evento começa às 9h, no Taiwan Centro de Eventos, e é promovido pela Comissão Semeadoras do Agro, da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp).
Dados do Censo Agropecuário 2017, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que as mulheres comandavam cerca de 947 mil propriedades rurais no país. O número correspondia a aproximadamente 19% do total de estabelecimentos agropecuários.
Em 2006, a participação era de 12,7%. Desde então, as mulheres ampliaram a atuação na gestão das propriedades, na agroindústria artesanal, no turismo rural, na comercialização e na criação de novos negócios.
Esse movimento pode aumentar a autonomia financeira e diversificar as fontes de renda das famílias rurais. Também amplia a participação feminina nas decisões de propriedades, cooperativas, sindicatos e entidades do agronegócio.
Comissão atua há quatro anos
A Comissão Semeadoras do Agro completa quatro anos em 2026. Segundo a Faesp, nesse período o grupo passou por mais de 100 municípios paulistas e alcançou dezenas de milhares de mulheres com ações de capacitação e formação de redes.
A iniciativa também incentiva a participação feminina na gestão das propriedades e em posições de liderança no setor. Entre as frentes de atuação estão o estímulo a negócios, a presença em sindicatos e cooperativas e o desenvolvimento de competências de gestão.
Programação inclui sucessão
O encontro terá debates sobre empreendedorismo, liderança feminina, tecnologias agrícolas, inteligência de mercado e sucessão familiar. Esses temas estão ligados à gestão dos negócios e à continuidade das atividades rurais entre gerações.
A programação também abordará qualidade de vida, bem-estar e saúde integral da mulher rural. Estão previstas as palestras “Seja seu próprio padrão”, com Mariana Xavier; “Pilares de uma vida plena”, com Fernanda Hernandes Rasmussen; e “A força da mulher”, com Ana Hickmann.
Serviço
Evento: 4º Encontro Estadual de Mulheres do Agro.
Data: 28 de agosto de 2026, sexta-feira.
Horário: a partir das 9h.
Local: Taiwan Centro de Eventos.
Endereço: Avenida Dr. Francisco Gugliano, 2710, Royal Park, Ribeirão Preto (SP).
O governo federal anunciou nesta terça-feira (30) o Plano Safra da Agricultura Empresarial 2026/27, que disponibilizará R$ 525,1 bilhões em crédito rural para médios e grandes produtores. Apesar da redução de até 1,5 ponto percentual nas taxas de financiamento, representantes do agronegócio afirmam que os juros continuam elevados e podem limitar novos investimentos no campo.
As linhas de custeio e investimento terão taxas entre 8% e 12,5% ao ano, válidas para a safra que começa em 1º de julho.
Especialistas avaliam que juros ainda dificultam investimentos
Segundo Leila Harfuch, sócia-gerente da Agroicone, a redução das taxas representa um avanço, mas ainda não é suficiente diante do elevado endividamento dos produtores rurais.
Na avaliação da especialista, muitos agricultores continuarão enfrentando dificuldades para contratar novos financiamentos, especialmente em um cenário de inadimplência elevada.
Ela destaca ainda que parte dos recursos anunciados pelo governo veio da incorporação de programas já existentes, como o Move Agricultura e o EcoInvest Brasil.
Entre eles estão:
R$ 10 bilhões do Move Agricultura;
R$ 28,5 bilhões do EcoInvest Brasil para recuperação de pastagens degradadas.
Apesar disso, Harfuch afirma que ainda existem dúvidas sobre a execução prática desses programas.
Seguro rural preocupa o setor
Outro ponto que gerou críticas foi a ausência de novos anúncios para o seguro rural.
Segundo especialistas, o instrumento é considerado fundamental para reduzir riscos provocados por eventos climáticos extremos e garantir maior segurança financeira aos produtores.
A falta de definição sobre novos recursos amplia a preocupação do setor.
Faesp cobra medidas contra o endividamento
A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) afirmou que o aumento de aproximadamente R$ 9 bilhões em relação ao ciclo anterior não resolve os principais problemas enfrentados pelo agronegócio.
Para a entidade, o governo deveria apresentar medidas concretas para enfrentar o elevado endividamento dos produtores.
Segundo a Faesp, sem soluções para o passivo acumulado, novos financiamentos podem apenas ampliar as dificuldades financeiras no campo.
Sistema Faep critica acesso ao crédito
O Sistema Faep, do Paraná, também demonstrou preocupação com o novo Plano Safra.
O presidente da entidade, Ágide Eduardo Meneguette, afirmou que o valor recorde perde relevância caso o produtor continue encontrando dificuldades para acessar as linhas de crédito.
Segundo ele, permanecem desafios como juros elevados, restrições para contratação de financiamentos, cortes no orçamento do seguro rural e aumento do endividamento.
Aprosoja-MT aponta perda real de recursos
A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) destacou que, apesar do crescimento nominal do Plano Safra, houve redução no volume real de recursos quando considerada a inflação.
De acordo com a entidade, seriam necessários cerca de R$ 538,7 bilhões apenas para manter o mesmo poder de financiamento da safra anterior.
Na avaliação da associação, o produtor enfrenta atualmente um ambiente de crédito mais caro, maior seletividade na concessão de financiamentos e exigências mais rigorosas para obtenção dos recursos.
FPA critica composição dos recursos
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) também questionou a composição do Plano Safra 2026/27.
A bancada afirmou que parte dos recursos anunciados corresponde a programas que não integram o crédito rural tradicional, como o EcoInvest Brasil e o Move Agricultura.
Segundo a FPA, essa estratégia reduz o volume efetivo disponível para custeio da produção agrícola.
O que prevê o Plano Safra 2026/27
Os principais números anunciados pelo governo são:
R$ 525,1 bilhões em crédito rural;
juros entre 8% e 12,5% ao ano;
redução de até 1,5 ponto percentual nas taxas;
R$ 10 bilhões do Move Agricultura;
R$ 28,5 bilhões do EcoInvest Brasil.
Apesar do volume recorde anunciado, especialistas e entidades do agronegócio avaliam que o cenário de juros elevados, endividamento e incertezas sobre o seguro rural ainda limita a capacidade de investimento dos produtores brasileiros.
A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (FAESP) criticou as novas restrições da União Europeia contra produtos brasileiros. A medida afeta carnes, mel e outros itens de origem animal exportados pelo país.
A entidade classificou a decisão como discriminatória e sem embasamento técnico ou científico. Além disso, afirmou que a iniciativa cria obstáculos ao comércio internacional. Segundo a FAESP, a União Europeia alterou unilateralmente condições discutidas durante décadas com o Mercosul. Para a federação, as novas exigências comprometem a previsibilidade das relações comerciais.
A entidade argumenta que o bloco europeu justificou a medida com base no uso de antibióticos na produção animal. No entanto, a FAESP afirma que outros grandes exportadores utilizam produtos semelhantes.
De acordo com a federação, países como Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia não sofreram restrições equivalentes. Por isso, a entidade vê tratamento desigual aos produtos brasileiros.
Na avaliação da FAESP, a decisão revela uma postura protecionista. Segundo a entidade, o objetivo seria reduzir a competitividade da agropecuária brasileira no mercado internacional.
A federação também destaca que o Brasil segue rigorosos protocolos sanitários. Além disso, afirma que a qualidade da produção nacional possui reconhecimento mundial.
Segundo a entidade, o país desenvolveu um dos mais sólidos sistemas de controle sanitário do mundo. Esse modelo ajudou a consolidar o Brasil como referência na produção de proteína animal.
A FAESP considera a medida uma agressão comercial e reputacional ao agronegócio brasileiro. Por isso, cobra uma atuação mais firme do governo federal nas negociações internacionais.
Para a entidade, o Brasil precisa defender seus interesses comerciais com maior intensidade. Além disso, não deve aceitar medidas consideradas injustificadas.
Ação com o Mercosul
A federação também propõe uma ação conjunta dos países do Mercosul. Segundo a FAESP, Brasil, Argentina e Uruguai devem adotar uma posição unificada diante da decisão europeia.
A entidade acredita que uma resposta coordenada fortalece o poder de negociação do bloco. Dessa forma, os países poderiam enfrentar as novas barreiras comerciais com mais eficiência.
O presidente da FAESP, Tirso Meirelles, afirmou que os produtores rurais investem continuamente em qualidade, sanidade e sustentabilidade. Segundo ele, a diplomacia brasileira deve garantir tratamento justo ao setor. Meirelles também defendeu a preservação da competitividade conquistada pelo agronegócio nacional. Para ele, o setor precisa manter espaço nos mercados internacionais.
Ao concluir a nota, a FAESP destacou o papel estratégico do Brasil na segurança alimentar global. A entidade afirmou ainda que o respeito às regras do comércio internacional é essencial para manter as relações comerciais entre países e blocos econômicos.
A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) apresentou propostas para ampliar a efetividade das compras públicas da agricultura familiar em programas estaduais e federais. A entidade defende mudanças para aumentar a renda dos pequenos produtores, fortalecer a produção rural e garantir o cumprimento das cotas mínimas previstas em lei.
No estado de São Paulo, a Faesp encaminhou ao governador Tarcísio de Freitas sugestões para aprimorar o Programa Paulista da Agricultura de Interesse Social (PPAIS) e o subprograma PPAIS Leite. Entre as principais medidas estão o reajuste do limite de comercialização da Declaração de Conformidade ao PPAIS (Deconp), a ampliação da publicação de editais e a inclusão de mais órgãos estaduais nas compras.
A entidade ressalta que os programas têm papel estratégico, especialmente em cadeias com menor margem de rentabilidade, como a produção de leite. Nesse cenário, as compras públicas garantem renda e ajudam a manter as famílias no campo.
Dados levantados pela Faesp, com base na Secretaria da Fazenda, mostram que o estado ficou longe de cumprir a legislação entre 2015 e 2025. Embora a lei determine que pelo menos 30% das compras de alimentos sejam destinadas à agricultura familiar, apenas 3,8% foram efetivamente executados no período.
Segundo a entidade, a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) lidera as compras dentro do programa, mas ainda assim não atinge o mínimo exigido. O órgão registrou 11,32% de execução, índice abaixo do percentual obrigatório.
A Faesp estima que o cumprimento integral da legislação poderia ter destinado cerca de R$ 600 milhões à agricultura familiar apenas em 2025. O montante teria impacto direto no fortalecimento das economias regionais e na permanência dos produtores no meio rural.
No âmbito federal, a entidade também apresentou propostas para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). A principal demanda é a atualização do limite individual de comercialização por agricultor familiar, atualmente fixado em R$ 40 mil por ano e sem reajuste desde 2021.
O presidente da Faesp, Tirso Meirelles, reforçou a necessidade de mudanças imediatas. “Defendemos o aumento do limite de venda do pequeno produtor já a partir de 2026, além da maior participação das secretarias estaduais no PPAIS. O governo precisa garantir o cumprimento da cota mínima de compras da agricultura familiar e ampliar a adesão de órgãos públicos. Essas ações são essenciais para fortalecer o setor e promover o desenvolvimento sustentável no campo”, afirmou.
A 31ª Agrishow 2026, realizada em Ribeirão Preto (SP), encerrou a edição com R$ 11,4 bilhões em intenções de negócios e público de 197 mil visitantes. Nesse contexto, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (FAESP) ampliou sua atuação na feira. A entidade priorizou o produtor rural e promoveu capacitação, articulação institucional e iniciativas voltadas ao desenvolvimento do setor.
Segundo o presidente da FAESP, Tirso Meirelles, a feira manteve sua relevância. Além disso, consolidou-se como vitrine tecnológica e espaço de conexão no agronegócio. “A Agrishow é uma feira estratégica para o setor. Nela, inovação e tecnologia se encontram com o produtor rural. É também um ambiente essencial para apresentar iniciativas que contribuam para a evolução do agro paulista”, afirmou.
Durante os cinco dias de evento, a entidade mobilizou mais de 10 mil produtores rurais paulistas. Eles participaram por meio de 160 caravanas organizadas. Ao mesmo tempo, a FAESP integrou agendas institucionais relevantes. Entre elas, esteve a assinatura de protocolos com a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo e com a Embrapa. Assim, as parcerias reforçam ações voltadas à produção sustentável, à capacitação e ao desenvolvimento rural.
Tirso Meirelles, presidente da FAESP – Foto: Divulgação/ FAESP
Saúde e protagonismo feminino ganham espaço
Nesta edição, uma das novidades foi a estreia do espaço “Agrishow pra Elas”. A iniciativa foi conduzida pela Comissão Semeadoras do Agro, presidida por Juliana Farah. Dessa forma, a estrutura levou atendimento voltado à saúde das mulheres do campo.
Ao longo da feira, foram realizados mais de quatro mil atendimentos. Entre os serviços, estavam testes de glicemia, aferição de pressão arterial e exames de bioimpedância. As ações ocorreram por meio do programa “Semear é Cuidar”. Além disso, cerca de mil mulheres participaram das atividades no espaço exclusivo. Elas também estiveram presentes no 4º Mulheres em Ação. O evento reuniu produtoras rurais e lideranças. O objetivo foi discutir capacitação e protagonismo feminino no agro.
Nos últimos quatro anos, a Comissão Semeadoras do Agro ampliou sua atuação. O número de eventos passou de 29, em 2022, para 140, em 2025. Da mesma forma, a presença territorial cresceu. Os municípios atendidos avançaram de 22 para 109. Consequentemente, o público também aumentou. O total de participantes saltou de 2.500 para 12 mil pessoas.
Foto: Divulgação/ FAESP
Formação de jovens e estímulo ao empreendedorismo
Outro destaque da participação da FAESP foi o Programa Jovem Empreendedor do Agro, desenvolvido pelo SENAR. A iniciativa reuniu cerca de mil jovens. Eles vieram de mais de 30 sindicatos rurais. O programa foca na formação de lideranças. Além disso, promove capacitação em gestão, inovação e planejamento de negócios.
No campo do empreendedorismo, a parceria entre FAESP/SENAR e Sebrae também teve relevância. Mais de 50 empreendedores e pequenos produtores participaram de um estande dedicado. Nesse espaço, eles expuseram produtos próprios ao público. Com isso, ampliaram oportunidades de mercado. Também fortaleceram suas marcas e acessaram novos canais de comercialização.
Cultura e conexão com o público
Além das atividades técnicas, o estande da FAESP contou com atrações culturais. Influenciadores digitais ligados ao agro participaram da programação. O cantor e ator Lucas Lucco também marcou presença. Ao mesmo tempo, o violeiro Altieris Santana realizou apresentações diárias. Ele atua como instrutor do SENAR no interior paulista.
Assim, a combinação entre conteúdo técnico, serviços e entretenimento ampliou o alcance da entidade. A participação na Agrishow reforçou o papel da FAESP. A atuação integrou produtores, instituições e mercado. Além disso, evidenciou a busca por soluções práticas e estímulo à inovação no campo.
O Sistema Faesp/Senar participa da Agrishow 2026, em Ribeirão Preto, com um estande institucional de 300 metros quadrados voltado ao acolhimento de produtores rurais e à articulação do setor. A estrutura funciona como ponto estratégico para encontros, troca de experiências e difusão de conhecimento, com o objetivo de fortalecer o agronegócio paulista por meio da inovação e da capacitação.
No local, produtores, lideranças e especialistas se reúnem para discutir demandas do campo. Além disso, o espaço estimula parcerias e amplia o acesso a informações técnicas. Dessa forma, o Sistema reforça sua atuação no desenvolvimento produtivo e gerencial no campo.
Durante a feira, o Senar/SP mobiliza mais de 180 caravanas em parceria com sindicatos rurais e o Sebrae. Ao todo, cerca de 8 mil pequenos e médios produtores participam da iniciativa. Esses visitantes têm acesso direto a tecnologias, soluções e oportunidades do setor. Assim, o conhecimento apresentado na feira chega a diferentes regiões do estado.
Outro ponto relevante é a presença de 600 alunos de 40 turmas do programa Jovem Empreendedor do Agro (JEA). Os estudantes participam das atividades acompanhados pelos sindicatos. Com isso, o programa fortalece a formação de novas lideranças e incentiva o empreendedorismo rural.
Além das atividades técnicas, o estande recebe apresentações culturais diárias. Duplas de violeiros formadas pelo Senar-SP se apresentam ao longo do evento. A iniciativa valoriza a cultura do campo e evidencia talentos desenvolvidos nos cursos da instituição.
Centros de excelência impulsionam inovação no campo
A Agrishow também serve como vitrine para os Centros de Excelência da Faesp. Essas estruturas atuam na formação técnica, na inovação e na pesquisa aplicada. Entre os destaques está o Centro de Excelência em Cana-de-Açúcar e Bioenergia, em Ribeirão Preto.
A unidade deve iniciar as atividades no segundo semestre. O espaço terá foco educacional e tecnológico. Serão oferecidos cursos do e-Tec em Agricultura e Agronegócio. Além disso, está previsto um curso técnico de especialização em cana-de-açúcar. O conteúdo aborda desde a escolha da área até a colheita. O foco está no aumento da produtividade e na redução de custos.
Ao mesmo tempo, o projeto inclui debates sobre bioenergia e combustíveis alternativos. Entre os temas estão biodiesel e combustível sustentável de aviação (SAF). Esse debate ocorre em meio à pressão internacional sobre custos de produção, especialmente fertilizantes, defensivos e diesel.
Foto: Faesp/ Divulgação
O Sistema também apresenta a rede de centros distribuídos pelo estado. As unidades atuam em áreas estratégicas. Entre elas estão Internet das Coisas, Big Data, bioinsumos e turismo rural, em São Roque. Há ainda agricultura familiar, em Mirante do Paranapanema, e culturas como cacau, banana e pupunha, em Miracatu. Outras frentes incluem agroindústria e irrigação, em Avaré, além de genética da bovinocultura de leite e de corte, em São José do Rio Preto e Barretos. Na capital, o foco está na agricultura urbana.
Mulheres ampliam protagonismo no agro
A Comissão Semeadoras do Agro participa de toda a programação com um espaço exclusivo no estande. O local promove acolhimento, networking e troca de experiências. Dessa maneira, o grupo fortalece a presença feminina no setor.
A presidente Juliana Farah acompanha as atividades ao longo da feira. Na Arena Agrishow Para Elas, o espaço “Semear é Cuidar” oferece serviços de saúde e bem-estar. Entre eles estão testes de glicemia, aferição de pressão arterial e bioimpedância.
Além disso, oito expositoras participam em sistema de revezamento. A ação amplia a visibilidade do empreendedorismo feminino rural. Outro destaque é o Encontro Mulheres do Agro em Ação, marcado para 29 de abril. A expectativa é reunir cerca de 650 participantes.
O evento ocorre em Ribeirão Preto e reúne diferentes iniciativas voltadas ao desenvolvimento do agronegócio.
No Dia Mundial da Agricultura, mais do que celebrar conquistas, é preciso fazer uma reflexão honesta sobre os caminhos que estamos trilhando — e, principalmente, sobre os obstáculos que ainda insistem em limitar o pleno potencial do campo brasileiro. Do ponto de vista de quem está na lida diária, produzindo, investindo e assumindo riscos, o cenário é claro: avançamos muito dentro da porteira, mas seguimos travados fora dela.
A agricultura brasileira é, hoje, uma das mais tecnológicas do mundo. Uma simples semente de soja carrega anos de pesquisa científica, inovação genética e desenvolvimento tecnológico. Mesmo plantas consideradas invasoras, como o joio, já são objeto de estudos avançados. O campo deixou de ser apenas força física e passou a ser inteligência aplicada, gestão de dados e precisão. Ainda assim, o setor não recebe a devida atenção quando o assunto é política pública voltada à alta tecnologia. Falta reconhecimento prático de que o agro moderno exige instrumentos compatíveis com seu nível de complexidade.
Essa desconexão se reflete, por exemplo, na ausência de um Plano Safra de longo prazo. O modelo atual, um remendo renovado ano a ano, não oferece previsibilidade para o produtor rural, que precisa planejar investimentos de médio e longo prazo. Sem segurança, o risco aumenta — e o custo também. Soma-se a isso a necessidade urgente de taxas de juros mais condizentes com a realidade da atividade agropecuária. Produzir alimentos não pode ser tratado como uma operação financeira de alto risco; a segurança alimentar é uma atividade estratégica para o país e para o mundo.
Outro gargalo histórico, e ainda não resolvido, é a infraestrutura. A dependência quase exclusiva do transporte rodoviário encarece o escoamento da produção e reduz a competitividade brasileira no mercado global. Investir em ferrovias não é apenas uma alternativa — é uma necessidade. Da mesma forma, a falta de estrutura adequada de armazenamento obriga o produtor a comercializar sua produção em momentos desfavoráveis, pressionando ainda mais suas margens.
E se os desafios estruturais já não fossem suficientes, o produtor rural enfrenta, cada vez mais, os impactos das mudanças climáticas. Secas prolongadas, chuvas intensas e eventos extremos se tornaram parte da rotina no campo. No entanto, o Brasil ainda carece de um sistema de seguro rural robusto, acessível e eficiente. Na prática, o risco climático continua sendo quase integralmente absorvido por quem produz, o que compromete a sustentabilidade da atividade. Ao contrário dos Estados Unidos, onde quase 90% da produção é coberta, no Brasil esse índice chega, quando muito, próximo a 10%.
O resultado é um cenário preocupante: mesmo com ganhos expressivos de produtividade e adoção de tecnologia de ponta, garantidos por uma resiliência sem tamanho do produtor, ele vê sua margem de lucratividade encolher — e, em muitos casos, se tornar negativa. Isso evidencia que o problema não está na capacidade de produção, mas no ambiente em que ela está inserida. Falta uma política estruturada, contínua e integrada que dê suporte real ao setor.
Neste Dia da Agricultura, o que os mais de 15 milhões de produtores rurais pedem não é privilégio, mas coerência. É o reconhecimento de que o agro é parte essencial da economia brasileira e precisa ser tratado como tal. É necessário construir um verdadeiro Projeto Brasil para o campo, com planejamento de longo prazo, crédito adequado, seguro rural eficiente e investimentos consistentes em infraestrutura e inovação.
O produtor já faz a sua parte — e faz bem, garantindo a sustentabilidade e preservação do meio ambiente, cuidadndo da água e da terra como nenhum outro – afinal este é seu maior patrimônio. O Brasil, agora, precisa fazer a sua. Celebrar a agricultura é importante, mas garantir condições para que ela continue sendo um motor de desenvolvimento é fundamental. Sem isso, o risco é transformar uma potência produtiva em um gigante limitado pelas próprias omissões. Neste dia simbólico, fica o recado de quem vive da terra: o futuro da agricultura depende das decisões que tomarmos agora.
Tirso Meirelles, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp)
A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) promovem, no dia 11 de dezembro de 2025, o evento “Reforma Tributária e seus Impactos no Agronegócio – Região Sudeste”. A transmissão ocorre ao vivo, das 9h30 às 12h30, e reúne especialistas para discutir como as mudanças no sistema tributário afetarão o campo a partir de 1º de janeiro de 2026.
O encontro busca orientar sindicatos rurais, produtores e profissionais do setor sobre as novas regras e o início do período de transição da Reforma Tributária. A programação inclui dois painéis com representantes da CNA, Receita Federal, Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo (SEFAZ-SP) e Conselho Regional de Contabilidade (CRC-SP).
Entre os temas em debate estão:
As principais mudanças do novo sistema tributário;
As regras de transição e as novas exigências para o produtor rural;
As melhores práticas de gestão tributária no campo.
Com as alterações previstas para entrar em vigor no próximo ano, a Faesp destaca o papel estratégico dos sindicatos rurais como multiplicadores de conhecimento. A entidade incentiva a participação de gestores, técnicos, contadores e consultores para garantir uma adaptação segura e eficiente às novas normas fiscais.
A inscrição é gratuita e aberta ao público, com acesso online para participantes de toda a Região Sudeste.
O 6º Encontro Nacional das Mulheres Cooperativistas (Enmcoop) começou na manhã desta segunda-feira, 2 de dezembro, no White Pavilion, em Itupeva (SP), reunindo mulheres de 25 estados brasileiros e participantes de países da América do Sul. Considerado um dos principais eventos voltados ao fortalecimento da presença feminina no cooperativismo agrícola brasileiro, o encontro abriu sua programação com o auditório, mais de 520 lugares, completamente tomado. A cerimônia inicial foi conduzida por Tirso Meirelles, presidente da Faesp e do Senar-SP, seguida da saudação de Marco Vinholi, diretor técnico do Sebrae-SP, que destacou a importância do evento para a formação e integração de lideranças rurais.
Em seu discurso, Marco Vinholi destacou o avanço da participação feminina no setor, ressaltou a relevância econômica do campo. “A agricultura brasileira é responsável por quase 30% do PIB nacional, mas é fundamental que a gente persiga essa igualdade de gênero.”
Segundo Vinholi, dois eixos são determinantes nesse processo: integração cooperativista e empreendedorismo. “O cooperativismo precisa ser integrado e distributivo. E o empreendedorismo é o irmão do cooperativismo. Várias iniciativas têm sido feitas nesse sentido: apoiar a agricultura, o cooperativismo de crédito e o empreendedorismo.”
“Em São Paulo, fizemos uma parceria com a Faesp e estamos fomentando o protagonismo feminino no campo. Identificamos que, na área de crédito, as mulheres têm mais dificuldade para conseguir financiamento do que os homens, o que é um absurdo, porque os índices de uso responsável e de adimplência são maiores entre as mulheres. Mesmo assim, essa dificuldade persiste dentro da nossa sociedade e do sistema financeiro brasileiro.”
Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo
“Estamos lançando uma iniciativa para apoiar as mulheres a conseguirem crédito, levando aos parceiros do sistema financeiro a mensagem de que isso precisa mudar, que isso precisa melhorar, e rápido, no nosso país.”
Economia, liderança e inovação abriram o primeiro dia
A programação teve início com a palestra “Liderança da mulher no agro: oportunidades e desafios no cenário atual”, apresentada por Juliana Farah, Presidente da Comissão Semeadoras do Agro da Faesp e do Sindicato Rural de Mineiros do Tietê, produtora rural, empresária e membro do Conselho Superior Feminino da Fiesp, da Comissão de Mulheres Empreendedoras do Sebrae-SP e da Comissão Nacional das Mulheres do Agro da CNA.
Logo depois, o painel Liderança feminina: sustentabilidade, inovação e o papel das mulheres nas transformações tecnológicas no campo” reuniu Dulce Ciochetta, Paula Curiacos e Teresa Vendramini.
Painel Liderança Feminina – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo
O painel reforçou como a adoção de ferramentas digitais e práticas sustentáveis tem ampliado o espaço das mulheres nas cadeias produtivas.
Daniella Marques, chairwoman da Legend, com mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro. Após, foi a vez de por Simone Silotti, embaixadora Comlink, com “Em Breve”.
Durante a tarde, foi realizado o Talk – “Do prato ao pasto” , com Helô Palácio, assadora, especialista em fogo de chão, empresária e produtora rural;o painel – A força das mulheres: conectando realidades e potencializando resultados, com Fabiana Venzon (produtora rural e conselheira de administração da Cooperativa Cotrijal), Jussara Liebel (integrante da Comissão de Mulheres da Cooperativa Castrolanda), Leandra Miglioranza (coordenadora do Comitê de Mulheres do Sistema OCB – Elas pelo Coop) e Sônia Bonato (agropecuarista, embaixadora do agro, conselheira Embrapa Territorial – mediadora)
Leandra falou sobre o sentimento em participar do encontro:
É muito gratificante poder levar o nome do Comitê Nacional Elas pelo Coop e dialogar com representantes de tantos estados, diante de tantas mulheres presentes e engajadas no evento. Há inúmeras líderes envolvidas, e isso reforça nosso papel de inspiração para quem atua na gestão de suas cooperativas e na condução de suas propriedades.
A nossa fala funciona como um estímulo para fortalecer essas mulheres, para que tomem posse de seus espaços e reconheçam a capacidade que têm de exercer, com autonomia, o que realizam no dia a dia.
Outro aspecto essencial é o engajamento e o avanço de tantas mulheres no agronegócio brasileiro. O Enmcoop proporciona um momento valioso, marcado por aprendizado, trocas e compartilhamento de experiências que, certamente, gerarão frutos para todas as participantes”.
Suleima Cury, médica, mãe e avó de sete netos levou ao público o tema: Saúde emocional para cuidar dos outros. Para fechar o primeiro dia, a palestra “Posicionamento: Método Próspera”, apresentada por Luciana Martins, CEO do Grupo Conecta, tratou do equilíbrio entre propósito, profissionalização e autoconhecimento como eixos para fortalecer a atuação feminina no campo.
Produtoras celebram intercâmbio de experiências
Uma das participantes do encontro é Bruna Borriero, integrante da Cooperativa Agrícola Nossa Senhora das Vitórias, de Jundiaí (SP).
“O cooperativismo ele une as pessoas. Aqui a gente pode compartilhar nossos valores e desafios. Quando estamos em uma cooperativa, a gente constrói e cresce junto”, afirmou.
Edilene Barbi, Guilherme Lourençon, Bruna Borriero – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo
Para ela, a participação feminina nas cooperativas vive um momento de transformação.
“Nesse encontro a gente percebe que o papel da mulher cooperativista tem se destacado cada vez mais. A gente lidera, empreende, está sempre inovando nos negócios”, disse.
Bruna avalia que o pertencimento ao cooperativismo estimula novas decisões e amplia horizontes. “O fato de ser mulher e estar em uma cooperativa hoje faz a gente ter coragem pra atingir novas oportunidades”, afirmou.
Ela também relaciona a vivência atual ao futuro das propriedades familiares e das cooperativas.
“O mais importante de estar em uma cooperativa e viver momentos como este é acreditar no futuro. Acreditar que ele vai ser cada vez melhor, que as próximas gerações terão mais oportunidades, e que a gente vai ver a sucessão familiar acontecendo na agricultura, dentro das cooperativas e isso vai garantir continuidade, crescimento e renovação. Então é muito gratificante.”
Em entrevista ao Portal Agro em Campo, Luciana Martins, CEO do Grupo Conecta, responsável pela realização do evento, detalha os pilares que estruturam o Enmcoop 2025, fala sobre o papel das mulheres no agro e destaca a força do cooperativismo como motor de desenvolvimento.
Luciana Martins – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo
Qual é a base conceitual do Enmcoop 2025?
Este evento foi construído sobre três pilares. O primeiro é gestão, trazer para essas mulheres a capacidade de gestão financeira, de governança, de sucessão. Queremos que elas possam rentabilizar, prosperar, verticalizar dentro da própria fazenda e monetizar mais por hectare.
O segundo é o autoconhecimento. A ideia é abrir oportunidades para que cada mulher enxergue o quanto é capaz quando acredita em si, fortalecendo competências pessoais e profissionais.
E o terceiro é saúde mental e espiritualidade. Produtoras lidam com dificuldades todos os dias: turbulências, variações climáticas, intempéries. Queremos que encontrem força e equilíbrio emocional para atravessar tudo isso de forma mais tranquila.
Quem são as mulheres que participam desta edição?
São mais de 25 estados representados. Vieram produtoras do Pará, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul — do Oiapoque ao Chuí, literalmente. Recebemos também mulheres da Amazônia, do Paraguai, da Argentina, da Bolívia e do Chile. É um encontro realmente plural.
O que a mulher agrega ao agronegócio?
Eu sempre digo que a força está na união: o espírito empreendedor do homem e o equilíbrio da mulher. Ela traz gestão financeira, controle de custos, cuidado com as pessoas, organização e isso faz diferença dentro das fazendas.
As mulheres sempre estiveram no campo, mas agora elas entenderam que o lugar delas também é ali liderando, gerindo, plantando. Estão fazendo uma grande transformação.
O Brasil tem a chance de se tornar um dos principais provedores de alimentos do mundo, e as mulheres vão ser parte essencial desse movimento, entregando mais valor por hectare e mais produtividade. Da mesma forma que cuidam da gestação, elas cuidam da semente que lançam ao solo.
Como você enxerga o papel do cooperativismo nesse processo?
Meu primeiro trabalho, aos 19 anos, foi em uma cooperativa. O que aprendi é simples: onde há cooperativismo, há desenvolvimento. Uma cooperativa é, muitas vezes, o supermercado da região, o posto de combustível, a instituição financeira, o maior empregador.
Onde existe cooperativismo, existe sustentabilidade, geração de renda, geração de emprego, aumento de IDH.
Eu vejo no cooperativismo um grande caminho para o futuro do agro, especialmente para as mulheres.
Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo
Cooperativismo e diversidade produtiva ampliam conexões
O encontro conta com a participação de lideranças femininas de todas as regiões do País, chamadas de “comandantes do Enmcoop”, que representam diferentes modelos produtivos — grãos, pecuária, flores, café, erva-mate, tabaco e agricultura regenerativa.
A diversidade reforça o papel do cooperativismo como ponto de apoio para inovação e geração de renda no interior brasileiro. Além de uma ampla rede de cooperativas do país que reforça a capilaridade do sistema e a força do cooperativismo feminino no agro.
A presença conjunta dessas organizações evidencia a representatividade do setor, a diversidade produtiva e o alcance nacional do Enmcoop, consolidando o encontro como ponto de convergência para lideranças femininas do cooperativismo brasileiro.
Com realização do Grupo Conecta e parcerias da Faesp e do Sistema OCB, o evento segue nesta terça-feira, 3 com programação técnica, oficinas simultâneas, encontros de negócios e palestras sobre reforma tributária, gestão financeira, comportamento feminino e sucessão familiar.
A assinatura aconteceu numa segunda-feira que pode entrar pra história da saúde rural brasileira. O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e o Einstein Hospital Israelita fecharam uma parceria que vai levar atendimento médico especializado pra quem mais precisa: os produtores rurais, suas familias e trabalhadores que vivem distante dos grandes centros urbanos.
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O contrato foi assinado no dia 24, na Unidade Morumbi do Einstein, em São Paulo, com a presença do presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins, e do diretor-geral do Senar, Daniel Carrara. A ideia é simples, mas poderosa: usar tecnologia pra encurtar a distância entre o consultório médico e o campo.
Um sonho que começou na pandemia
João Martins não escondeu a emoção ao falar do projeto. “Durante a pandemia, nós introduzimos a telemedicina no Nordeste e realizamos 100 mil atendimentos apenas nessa região”, contou o presidente da CNA. Agora, ele quer ver essa iniciativa ganhar o Brasil inteiro. “Está na hora de unirmos forças para transformar e fazer deste país um grande Brasil”, afirmou.
O Programa Saúde no Campo, lançado pelo Senar em maio deste ano, ganha agora um reforço de peso. A parceria vai estruturar de forma mais integrada as ações que já vinham sendo desenvolvidas, trazendo uma plataforma tecnológica robusta e serviços multiprofissionais de telessaúde.
Números que impressionam
A meta é ambiciosa: alcançar 100 mil produtores rurais, familiares e trabalhadores até 2026, espalhados por todas as regiões do país. Mas os planos não param por aí. Daniel Carrara, diretor-geral do Senar, revelou que só em 2026 o programa deve chegar a 45 mil propriedades rurais – o equivalente a 10% da classe média rural brasileira.
“A expectativa é termos 1.500 técnicos em campo, fazendo planejamento, fazendo prevenção, fazendo educação para a saúde”, explicou Carrara. E o Einstein entra justamente pra dar suporte e capacitação a esses profissionais, além de oferecer os serviços de telemedicina. “Esse é o maior legado que um programa desse pode deixar”, completou.
Tecnologia a serviço da saúde
A parceria traz inovações que vão além das consultas online. O projeto prevê a implantação de uma plataforma eletrônica unificada onde todas as informações de saúde serão registradas. Isso vai permitir um mapeamento da saúde populacional no campo, possibilitando recomendações mais certeiras e um acompanhamento estruturado das famílias.
Os serviços de telessaúde vão incluir clínica médica, pediatria e psicologia – áreas fundamentais pra quem enfrenta o isolamento geográfico como realidade diária. A equipe de campo vai receber apoio direto através de soluções tecnológicas integradas, fortalecendo as ações de prevenção e promoção da saúde.
Deise de Almeida, diretora executiva Comercial e Marketing do Einstein Hospital Israelita, destacou a importância dessa abordagem. “A distância entre comunidades rurais e centros urbanos ainda representa um desafio para o acesso oportuno a serviços de saúde especializados”, afirmou. Segundo ela, a telessaúde é a ferramenta ideal pra ampliar esse acesso e contribuir na redução das desigualdades em saúde.
São Paulo abre caminho
O estado de São Paulo vai servir como piloto do programa. Sete polos de saúde serão instalados em municípios estratégicos: Cardoso, Batatais, Penápolis, Guaratinguetá, Caiuá, Capão Bonito e Mineiros do Tietê.
Pra Tirso Meirelles, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), a iniciativa representa uma forma concreta de garantir um direito universal. “É uma forma de levar mais qualidade de vida à população rural e garantir que eles tenham um direito universal, que é a saúde”, disse Meirelles, ao lado do superintendente do Senar-SP, Mario Biral, e do diretor médico do Sistema Faesp/Senar, Roberto Duarte.
O presidente da Faesp também destacou os benefícios econômicos do programa. “Além de contribuir para a qualidade de vida no campo, a telemedicina reduz afastamentos do trabalho, melhora a produtividade e reforça a permanência das famílias no meio rural”, concluiu.
A aposta é que o modelo implementado em São Paulo sirva de exemplo pra expansão nacional do programa, provando que tecnologia e cuidado humano podem caminhar juntos. Mesmo quando há centenas de quilômetros de distância entre o paciente e o médico.