Tag: exportação de proteína animal

  • ABPA diz que Brasil construiu liderança em proteína animal “com décadas de trabalho”, não por herança

    ABPA diz que Brasil construiu liderança em proteína animal “com décadas de trabalho”, não por herança

    O Brasil abriu nesta terça-feira (4) a maior edição da história do Salão Internacional de Proteína Animal (SIAVS), em São Paulo. O evento reúne mais de 400 empresas expositoras e visitantes de mais de 60 países até quinta-feira (6/8) e consolidou-se como o principal ponto de encontro das cadeias produtivas de aves, suínos e ovos no país.

    Autoridades durante a abertura oficial do SIAVS 2026. Foto: Alf Ribeiro | ABPA

    Durante o discurso de abertura, o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, atribuiu a liderança brasileira no setor a décadas de investimentos contínuos, e não a uma vantagem natural do país. “Isso mostra que a nossa liderança não foi herdada. Mas construída por gerações de produtores, cooperativas, empresas, pesquisadores e profissionais que fizeram da produção de alimentos uma missão para o Brasil e para o mundo”, afirmou.

    Genética, sanidade e inovação sustentam a posição do Brasil

    Santin listou os pilares que, segundo ele, garantiram ao país a posição de destaque global: investimentos em genética, sanidade animal, tecnologia, inovação e integração entre produtores e agroindústrias. Essas atividades já geram milhões de empregos e movimentam mais de US$ 33 bilhões em exportações, de acordo com a entidade.

    O dirigente também relacionou o cenário internacional à relevância crescente do Brasil no fornecimento de alimentos. “Diante de um cenário internacional marcado por conflitos, barreiras comerciais e insegurança alimentar, o Brasil se tornou um dos poucos países capazes de garantir oferta contínua de proteína animal para os mercados interno e externo”, declarou.

    Governo federal aposta na expansão da liderança brasileira

    O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, também discursou na cerimônia e reforçou o papel estratégico da proteína animal para a economia nacional. Segundo ele, o crescimento do agronegócio impulsiona diretamente a geração de empregos, renda e oportunidades em todo o país.

    De Paula parabenizou a ABPA pela realização da maior edição do evento. E destacou que o SIAVS passou a reunir toda a cadeia produtiva; produtores, indústrias, pesquisadores, investidores, compradores internacionais e representantes do poder público. “O Brasil possui todas as condições para ampliar ainda mais sua liderança global na produção de proteína animal, apoiado em inovação, tecnologia, ciência, genética, sustentabilidade e credibilidade internacional”, afirmou.

    O ministro citou ainda os esforços do governo para enfrentar novas exigências regulatórias dos mercados internacionais. E preservar o reconhecimento do sistema brasileiro de defesa agropecuária. “O Brasil assumiu com responsabilidade a missão de alimentar o mundo. A grandeza de um país se mede pela sua capacidade de gerar oportunidades, produzir conhecimento e contribuir para a segurança alimentar global”, completou.

    Parlamentares defendem ambiente regulatório favorável ao setor

    A senadora Tereza Cristina também participou da abertura e elogiou a condução da ABPA sob a liderança de Ricardo Santin. A parlamentar destacou o esforço diário dos produtores rurais e defendeu que o poder público deve criar condições favoráveis para sustentar o crescimento do setor. “A produção de proteína animal transforma a realidade dos municípios brasileiros, promovendo geração de empregos, renda e melhoria dos indicadores de desenvolvimento”, disse.

    O deputado federal Pedro Lupion Mello, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e representante do Paraná, reforçou o papel das cadeias de avicultura, suinocultura e pescado no desenvolvimento regional. Segundo ele, a FPA trabalha para reduzir entraves burocráticos e garantir um ambiente regulatório que preserve a competitividade dos produtores brasileiros de todos os portes. “Nosso papel é garantir que a legislação não impeça quem produz de continuar gerando empregos, renda e alimentos para o Brasil e para o mundo”, declarou.

    Produtividade baixa ainda limita o crescimento da economia brasileira

    Na conferência magna do evento, o professor do Insper Fernando Schuler apontou a baixa produtividade como o principal entrave estrutural do país. Ele citou a cadeia de proteína animal como um exemplo de eficiência, já que o setor combina investimento contínuo em tecnologia, inovação e gestão com abertura à competição internacional.

    Foto: Alf Ribeiro | ABPA

    Schuler alertou ainda para os riscos da dívida pública, do alto custo do crédito e da perda de credibilidade fiscal sobre os investimentos produtivos. Para o professor, reformas administrativa, previdenciária e fiscal são essenciais para sustentar as contas públicas. Além de criar espaço para a expansão da atividade econômica, com o agronegócio como referência de geração de riqueza.

    Simpósio discute expansão do consumo e exportação de ovos

    O primeiro dia do SIAVS também recebeu o Simpósio Ovos Brasil, que reuniu especialistas, produtores e empresas para debater o crescimento do consumo interno de ovos, a abertura de novos mercados internacionais e as estratégias de agregação de valor aos produtos.

    A coordenadora técnica da ABPA, Tabatha Lacerda, explicou que a programação buscou oferecer um panorama amplo sobre o futuro da avicultura de postura. “O setor precisa estar preparado para compreender as tendências de mercado, identificar oportunidades comerciais, fortalecer suas marcas e estruturar seus negócios para os desafios das próximas décadas”, afirmou.

    O SIAVS 2026 segue em São Paulo até quinta-feira (6/8), com programação voltada às cadeias de aves, suínos, ovos e pescado.

  • China retoma importação de frango brasileiro e impulsiona exportações

    China retoma importação de frango brasileiro e impulsiona exportações

    O governo chinês suspendeu a proibição de importação de frango do Brasil, o que reacende o otimismo no setor avícola nacional e abre caminho para um recorde histórico nas exportações em 2025. A decisão reverte as restrições que o país asiático impôs após registrar um caso isolado de gripe aviária no Brasil e marca a retomada de um dos mercados mais estratégicos para a proteína brasileira.

    O Brasil lidera as exportações mundiais de carne de frango, com vendas para 151 países. A China mantém a posição de principal destino dessa proteína. A GTF, que figura entre os seis maiores produtores de frango do Brasil e está entre os dez principais exportadores do país, vê a reabertura do mercado chinês como um importante impulso para seus embarques internacionais.

    Ásia concentra quase metade das exportações brasileiras

    Em 2024, a GTF comercializou 35 mil toneladas de carne de frango para o mercado asiático, volume que representou 45% de suas exportações totais. Desse montante, 61% foram destinados à China, país que contribui de forma significativa para o desempenho das exportações brasileiras do setor.

    Antes da suspensão temporária, os embarques da companhia para o país asiático já cresciam em forte ritmo, impulsionados pela confiança dos compradores internacionais na qualidade e segurança alimentar dos produtos brasileiros.

    “A suspensão da proibição e a reabertura das exportações representam um marco importante para nós. Mantemos uma relação comercial sólida com o mercado asiático, tendo na China um dos destinos mais estratégicos, responsável por quase 27% de nossas exportações”, afirma Rafael Tortola, CEO da GTF.

    O executivo destaca que a retomada reforça o compromisso da empresa com a excelência, a sustentabilidade e os mais rigorosos padrões sanitários exigidos globalmente.

    China lidera ranking de consumo mundial

    Segundo dados da GTF, a China lidera o ranking mundial de consumo de frango com 562.207 toneladas e 10,9% de participação global. Os Emirados Árabes Unidos ocupam a segunda posição, com 455.121 toneladas (9%), seguidos pelo Japão, com 443.201 toneladas (8,6%).

    Esses três países estão entre os principais destinos da carne de frango brasileira, seguidos por Arábia Saudita (7,2%) e África do Sul (6,3%).

    Projeção de crescimento de 10% para 2025

    A reabertura do mercado chinês representa um marco estratégico para as exportações brasileiras de frango. Em 2024, a GTF direcionou cerca de 28% de suas exportações à China. Para 2025, a empresa projeta expectativas ainda mais ambiciosas, com aumento de aproximadamente 10% nas exportações, incluindo os mercados asiáticos, e o fortalecimento contínuo de sua presença global.

    “Com a China liderando o consumo e sendo responsável por uma parte significativa de nossas vendas, essa decisão reforça a confiança dos mercados internacionais na qualidade e segurança dos produtos brasileiros”, destaca Tortola.

    Preferências regionais definem estratégia de exportação

    A GTF exporta cortes específicos de acordo com as preferências de consumo de cada região. Na Ásia, os produtos mais demandados incluem asa inteira, meio da asa, coxa e sobrecoxa (com e sem osso), cartilagens e pés de frango.

    Na África, os cortes mais procurados são coxa e sobrecoxa, MDM (carne mecanicamente separada), peito e pés de frango. O Oriente Médio prefere coxas, sobrecoxas, moelas, fígados e peito. Na Europa, o peito domina as vendas. Nas Américas, a demanda concentra-se em coxas e sobrecoxas (com e sem osso), asa inteira, coxinha da asa, peito e pés de frango.

    Diferenças culturais determinam valor dos cortes

    “As diferenças culturais também se refletem nas partes mais valorizadas de cada região. Os pés de frango, por exemplo, são amplamente consumidos em países emergentes, mas na China são considerados uma iguaria de alto valor”, explica Kendi Okumura, gerente de exportação da GTF.

    A executiva destaca que as cartilagens do peito e do joelho, muitas vezes descartadas em outros mercados, são apreciadas na China e no Japão, onde existe valorização do aproveitamento integral da proteína.

    No Brasil, o consumo também se mostra diversificado, mas não há cortes vendidos exclusivamente no mercado interno. Isso permite às empresas otimizar a exportação de todas as partes do frango conforme a demanda internacional.