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  • Saiba como o El Niño ameaça o mercado de grãos

    Saiba como o El Niño ameaça o mercado de grãos

    O avanço do El Niño tem elevado as temperaturas em todo o Brasil. Esse fenômeno costuma provocar chuvas abaixo da média nas regiões Norte e Nordeste, enquanto o Sul registra volumes superiores ao normal. Como consequência, a situação pode impactar o escoamento de cargas por hidrovias estratégicas utilizadas no transporte de grãos de Mato Grosso para os portos do Arco Norte.

    Na última semana, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou que o El Niño já está ativo e pode ganhar intensidade nos próximos meses.

    Segundo as projeções da NOAA, existe 63% de probabilidade de ocorrência de um El Niño classificado como “muito forte”, cenário caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico em cerca de 2 graus Celsius acima da média histórica.

    Fenômeno ameaça escoamento de cargas

    Em relatório assinado pelos analistas Lucas Barbosa, Gabriel Tinen e Victor Tani, o Santander alertou para possíveis impactos na navegação da região. “Isso deve impactar negativamente as condições de navegabilidade no Arco Norte”, destacou o banco.

    De acordo com estudo divulgado pela instituição financeira nesta quinta-feira (18), o nível do Rio Tapajós tende a ficar aproximadamente 0,9 metro abaixo do padrão normal durante anos de El Niño. Isso ocorre devido à redução das chuvas na região, comprometendo o fluxo de embarcações na hidrovia que conecta o Centro-Oeste aos portos do Arco Norte.

    Atualmente, a hidrovia do Tapajós concentra principalmente o transporte de granéis sólidos. A produção de soja e milho sai das áreas produtoras de Mato Grosso pela BR-163 até os terminais localizados em Miritituba, distrito de Itaituba (PA).

    Posteriormente, as cargas seguem em barcaças pelo rio rumo aos portos de Santarém e Barcarena, ambos no Pará, de onde são embarcadas para o mercado internacional. Em 2025, os portos do Arco Norte responderam por 36,2% das exportações brasileiras de soja e milho, segundo dados do governo federal.

    Os números mais recentes reforçam a importância dessa rota logística. Apenas no primeiro bimestre de 2026, a hidrovia do Rio Tapajós movimentou 2,38 milhões de toneladas de cargas, conforme informações do Ministério de Portos e Aeroportos. Nesse volume, o transporte de soja e milho representou 86% do total, enquanto os fertilizantes responderam por 6,3% e os granéis líquidos por 7,4%.

    Hidrovias na logística do agronegócio

    Apesar dos riscos climáticos associados à redução do nível dos rios, especialistas avaliam que o crescimento das hidrovias tem transformado a logística nacional. Para o diretor de agronegócio da nstech, Thiago Cardoso, o aumento do transporte de grãos por vias fluviais e a expansão das exportações pelo Arco Norte representam uma mudança estrutural importante.

    “Vamos aumentar cada vez mais o transporte por estas vias. É uma logística mais inteligente”, afirmou o executivo.

    Levantamento da nstech, baseado em dados do Ministério dos Transportes, mostra que a participação das hidrovias no escoamento da soja saltou de 9% para 13,5% entre 2023 e 2025. Dessa forma, o modal hidroviário foi o que registrou o maior crescimento no período.

    As ferrovias também ampliaram sua participação, passando de 22% para 25% no transporte da oleaginosa. No entanto, o avanço ocorreu em ritmo inferior ao observado nas hidrovias.

    Por outro lado, o transporte rodoviário continua predominante na logística brasileira. Embora sua participação tenha recuado, o modal ainda respondeu por 66% do escoamento da soja em 2025, ante 69% em 2023.

    Segundo Cardoso, a dependência das rodovias ainda gera desafios relevantes para a competitividade do setor.

    “Apesar do avanço rumo à intermodalidade, a predominância rodoviária ainda expõe ineficiências, com o país operando com um excedente estimado de 70 mil caminhões em rotas de longa distância. Para superar os desafios, a agenda ESG e a digitalização (rastreabilidade, multimodalidade) deixaram de ser diferenciais e tornaram-se pré-requisitos comerciais”, ressaltou.

    Além disso, o executivo avalia que boa parte dos avanços observados na intermodalidade foi impulsionada pela iniciativa privada. Em contrapartida, entraves regulatórios e burocráticos ainda limitam a expansão dos investimentos em infraestrutura logística de longo prazo.

  • Cartilha alerta para pragas quarentenárias nas exportações

    Cartilha alerta para pragas quarentenárias nas exportações

    A produção agrícola brasileira cresce em ritmo acelerado. Ao mesmo tempo, aumentam os desafios relacionados à sanidade vegetal e às exigências dos mercados internacionais. Com esse objetivo, a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) e a Corteva Agriscience lançaram uma cartilha sobre pragas quarentenárias. O material orienta produtores rurais sobre prevenção, identificação e manejo desses organismos, que podem comprometer exportações e causar prejuízos ao agronegócio.

    A publicação foi apresentada nesta terça-feira (2), em Brasília, durante a programação que antecede a segunda edição do Congresso Brasileiro dos Produtores de Soja. A iniciativa contou com apoio técnico do engenheiro agrônomo e professor da Universidade de Passo Fundo, Mauro Rizzardi. Além disso, foram realizados treinamentos práticos sobre boas práticas agrícolas por meio do Caminhão de Boas Práticas da Corteva.

    A cartilha reúne orientações para produtores, consultores e técnicos do setor. O objetivo é facilitar a identificação das pragas e reforçar medidas preventivas. Além disso, o material busca ampliar a conscientização sobre os impactos econômicos causados por esses organismos. A preocupação se intensificou à medida que a produção brasileira aumentou e a dependência do mercado externo se tornou ainda maior.

    Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), pragas quarentenárias são organismos capazes de causar impactos econômicos significativos à agricultura. Entre eles estão insetos, fungos, bactérias, vírus e plantas daninhas. Esses organismos podem ameaçar a sanidade vegetal e gerar restrições comerciais impostas pelos países importadores.

    “As pragas quarentenárias são um tema crítico para a balança comercial brasileira, e a conscientização é o melhor caminho para proteger nossa produtividade”, afirma Jair Maggioni, coordenador de Boas Práticas Agrícolas da Corteva no Brasil.

    Devolução de navios acende alerta no setor

    A preocupação com o tema aumentou após episódios recentes envolvendo cargas brasileiras destinadas à China. Nos últimos meses, 20 navios carregados com grãos foram devolvidos ou tiveram suas operações interrompidas. O motivo foi a identificação de sementes de plantas daninhas e vestígios de organismos considerados indesejáveis pelo país asiático.

    Além dos prejuízos com fretes, multas e reprocessamento das cargas, esses episódios afetam a imagem do Brasil no mercado internacional. Como consequência, compradores podem ampliar exigências sanitárias e reforçar inspeções.

    O impacto é ainda mais relevante porque aproximadamente 80% da soja exportada pelo Brasil tem como destino o mercado chinês. Dessa forma, qualquer restrição pode gerar reflexos em toda a cadeia produtiva.

    A devolução de uma única embarcação pode representar perdas de milhões de dólares. Além disso, há risco de aumento das exigências de fiscalização. Como resultado, o escoamento da safra pode sofrer atrasos e a competitividade brasileira diminuir diante de outros exportadores.

    Para Mauro Rizzardi, a questão ultrapassa os limites da propriedade rural e se transforma em um tema estratégico para o país.

    “Qualquer parte de planta, pólen, semente ou propágulo que possa sobreviver e se reproduzir no ambiente é um potencial dano tanto ao sistema produtivo local ou mesmo ao processo de exportação da produção agrícola”, explica.

    O especialista ressalta que o problema ocorre em duas direções. Enquanto a entrada de novas pragas ameaça a produção nacional, a presença de espécies proibidas em cargas exportadas também pode comprometer mercados já consolidados.

    “Tanto a entrada de pragas quanto a saída delas via exportação de espécies vegetais proibidas no país importador afeta o potencial exportador de grãos do Brasil”, destaca.

    Manejo outonal ganha papel estratégico

    Entre as principais recomendações da cartilha está a adoção do manejo outonal. A prática é realizada durante a entressafra, logo após a colheita das culturas de verão e antes da implantação da nova safra.

    A estratégia envolve o controle de plantas daninhas e das chamadas tigueras. Essas plantas permanecem no campo após a colheita. Por isso, acabam servindo de abrigo para pragas e doenças.

    Assim, a eliminação dessas chamadas “pontes verdes” interrompe ciclos biológicos e reduz a formação de bancos de sementes de espécies invasoras. Consequentemente, diminui o risco de contaminação das futuras lavouras.

    O Brasil projeta colher mais de 350 milhões de toneladas de grãos na safra 2026/27. Diante desse cenário, as medidas preventivas ganham importância estratégica. Afinal, pequenos problemas fitossanitários podem gerar grandes impactos econômicos.

    Perdas estimadas entre 10% e 15% da produção representam prejuízos significativos para produtores e para a economia nacional. Por isso, o manejo realizado na entressafra é apontado como uma ferramenta essencial para proteger a produtividade.

    “É uma janela de segurança vital, cujo objetivo é eliminar as chamadas pontes verdes. Ao realizar o controle químico e o manejo de solo nesse estágio, o produtor interrompe o ciclo de reprodução de plantas daninhas e reduz drasticamente o banco de sementes de invasoras que poderiam comprometer a qualidade do grão futuro”, explica Maggioni.

    Jair Maggioni, coordenador de Boas práticas da Corteva Agriscience; prof Mauro Rizzardi, da Universidade de Passo Fundo; e o presidente da Aprosoja Brasil, Maurício Buffon, mostram a cartilha lançada em Brasília – Foto: Divulgação

    De acordo com a Corteva, o manejo realizado logo após a colheita constitui a primeira barreira fitossanitária para evitar que organismos indesejáveis cheguem aos portos de exportação.

    Muitas das sementes de plantas daninhas proibidas em mercados exigentes proliferam justamente nesse período de transição. Portanto, manter a área limpa durante o outono reduz os riscos de contaminação e aumenta a segurança das cargas destinadas ao exterior.

    Capacitação leva conhecimento ao campo

    Além da cartilha, a iniciativa aposta na capacitação prática para ampliar a adoção de boas práticas agrícolas. Durante o evento em Brasília, produtores e técnicos participaram de treinamentos promovidos no Caminhão de Boas Práticas da Corteva.

    A unidade móvel utiliza tecnologias interativas para demonstrar técnicas de manejo integrado. Além disso, aborda temas como aplicação correta de defensivos, uso adequado de equipamentos de proteção individual e preservação de áreas de refúgio.

    Para Fabrício Morais Rosa, diretor executivo da Aprosoja Brasil, o trabalho de conscientização é fundamental para preservar a reputação da soja brasileira nos mercados internacionais.

    “Com esta cartilha, a Aprosoja Brasil continuará com o compromisso assumido de alertar os produtores sobre a identificação equivocada de pragas quarentenárias a fim de manter em alta a reputação da soja brasileira frente aos compradores externos”, afirma.

    O dirigente também destaca a importância da qualificação contínua dos profissionais do setor.

    “Treinamentos como os de boas práticas realizados pela Corteva são essenciais para que possamos capacitar cada vez mais produtores e profissionais do campo para que possam realizar o manejo de pragas e doenças da maneira correta, com o uso racional de insumos e utilizando todas as ferramentas e soluções necessárias”, completa.

    Nesse contexto, a expectativa das entidades é ampliar o alcance das informações e fortalecer a prevenção nas propriedades rurais. Dessa forma, o setor busca reduzir riscos fitossanitários, preservar mercados estratégicos e manter a competitividade da produção brasileira no cenário internacional.

  • China abre mercado para DDGs e sorgo brasileiro

    China abre mercado para DDGs e sorgo brasileiro

    O Brasil alcançou um marco importante nas exportações agrícolas ao receber autorização da China para que 15 estabelecimentos comercializem DDGs (grãos secos de destilaria) e sorgo ao mercado chinês. A habilitação contempla cinco plantas de etanol de milho para exportação de DDGs e dez unidades especializadas em sorgo, fortalecendo a posição brasileira no mercado global de grãos e biocombustíveis.

    A aprovação resulta da assinatura de acordos bilaterais entre Brasil e China: o Protocolo Fitossanitário do Sorgo, firmado em novembro de 2024, e o Protocolo de Proteínas e Grãos Derivados da Indústria do Etanol de Milho, assinado em maio de 2025. Ambos os documentos estabelecem os padrões sanitários necessários para o comércio entre os países.

    Sorgo brasileiro ganha acesso ao maior importador mundial

    O Centro-Oeste brasileiro, responsável por mais de 60% da produção nacional de sorgo, lidera as habilitações aprovadas. Das dez unidades autorizadas, quatro estão localizadas no Mato Grosso, quatro em Minas Gerais, uma em Rondônia e uma na Bahia.

    Em 2024, conforme dados do IBGE, o Brasil produziu 4 milhões de toneladas de sorgo, exportando 178,4 mil toneladas (4% da produção total). A China representa mais de 80% das importações globais de sorgo, movimentando US$ 2,6 bilhões anualmente, segundo dados do mercado internacional.

    DDGs: coproduto do etanol ganha mercado bilionário

    Os DDGs, coprodutos gerados no processamento de milho para produção de etanol, representam uma oportunidade estratégica para o Brasil, terceiro maior produtor mundial de milho. Em 2024, o país exportou aproximadamente 791 mil toneladas desse insumo utilizado na fabricação de rações animais.

    As cinco unidades habilitadas para exportação de DDGs estão concentradas no Centro-Oeste: quatro no Mato Grosso e uma no Mato Grosso do Sul. No mesmo período, a China importou mais de US$ 66 milhões em DDGs do mercado global.

    Parceria estratégica alcança US$ 49,6 bilhões

    A China mantém sua posição como principal destino das exportações agropecuárias brasileiras. Em 2024, o gigante asiático importou US$ 49,6 bilhões em produtos do agronegócio nacional, consolidando uma parceria comercial estratégica entre os países.

    As novas habilitações garantem maior previsibilidade aos contratos de exportação e abrem espaço para ampliação dos volumes nas próximas safras, beneficiando toda a cadeia produtiva de grãos e biocombustíveis.

    Trabalho coordenado entre governo e setor privado

    O resultado foi obtido através da articulação entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a Adidância Agrícola e a Embaixada do Brasil em Pequim, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e representantes do setor privado, em conformidade com as exigências técnicas estabelecidas pelas autoridades sanitárias chinesas.

    Foto: Sandra Brito/Embrapa

    Além do impacto econômico, a exportação de DDGs reforça a agenda de sustentabilidade do Brasil ao promover a economia circular. A valorização de coprodutos industriais do processamento de milho transforma resíduos em insumos de alto valor para a indústria global de alimentação animal, demonstrando o potencial do agronegócio brasileiro em aliar produtividade e práticas sustentáveis.

  • TEGRAM consolida posição como principal hub logístico para exportação de grãos no Arco Norte

    TEGRAM consolida posição como principal hub logístico para exportação de grãos no Arco Norte

    O Terminal de Grãos do Maranhão (TEGRAM), localizado no Porto do Itaqui, mantém seu ritmo acelerado como um dos principais corredores de exportação do agronegócio brasileiro. Em março de 2025, o terminal movimentou 1,3 milhão de toneladas de soja, reforçando sua posição estratégica no Arco Norte, rota logística que ganha cada vez mais importância para o escoamento da produção nacional.

    No mesmo mês, o TEGRAM celebrou uma década de operações, marcada pelo acumulado de 83,4 milhões de toneladas de grãos (soja, milho e farelo de soja) exportadas desde sua inauguração, em 2015. O terminal, operado por um consórcio de empresas, já superou marcas históricas:

    • 2015 (ano inaugural): 3,34 milhões de toneladas
    • 2023 (recorde): 15,6 milhões de toneladas

    Projeção para 2025: repetir ou superar o volume de 2023

    “O TEGRAM se consolidou como um vetor de desenvolvimento para o agronegócio na região do MAPITO (Maranhão, Piauí e Tocantins) e no nordeste de Mato Grosso”, destacou a administração do terminal. Sua localização estratégica reduz custos logísticos e aproxima a produção brasileira dos mercados internacionais.

    Com capacidade para 500 mil toneladas em armazéns e sistema eficiente de recebimento por rodovias (900 caminhões/dia) e ferrovias (8 vagões simultâneos), o TEGRAM está preparado para a supersafra 2025. O terminal já passou por duas expansões:

    • 2015: Início das operações com 1 berço de atracação
    • 2020: Ampliação com 2º berço, aumentando capacidade

    Futuro (3ª fase): Investimento de R$ 1,634 bilhão para um 3º berço, agregando +8,5 milhões de toneladas/ano

    “Essa expansão é essencial para acompanhar o crescimento do agronegócio. Além de consolidar o Porto do Itaqui como um dos maiores exportadores de grãos do país”, afirmaram representantes do consórcio.

    Porto do Itaqui: Destaque no Arco Norte

    Em março, o Porto do Itaqui registrou movimento total de 3,3 milhões de toneladas de diversos produtos, com destaque para a soja escoada pelo TEGRAM. O complexo maranhense se firma como alternativa logística às tradicionais rotas do Sudeste, oferecendo:

    • Redução de distâncias para produtores do MATOPIBA e Centro-Oeste
    • Conexão multimodal (rodoviária e ferroviária)
    • Eficiência operacional para embarques em larga escala

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