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  • Governo endurece posição contra exigência da UE para exportação de carnes

    Governo endurece posição contra exigência da UE para exportação de carnes

    O Ministério da Agricultura endureceu o discurso contra a União Europeia e classificou como “inaceitável” a exigência de uma comprovação prévia do controle de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais destinados à exportação de carnes. Em nota divulgada nesta quinta-feira (24), a Pasta também defendeu a permanência do Brasil na lista de países habilitados a exportar para o bloco europeu.

    Segundo o ministério, o reconhecimento do sistema sanitário brasileiro deve ser mantido, mesmo que parte da produção ainda precise de tempo para cumprir os novos requisitos exigidos pela União Europeia. Além disso, o governo afirmou que a implementação das medidas ocorre de forma gradual ao longo dos ciclos produtivos.

    Ministério critica exigências europeias

    O Ministério da Agricultura afirmou que as relações sanitárias internacionais devem ser baseadas na confiança e na transparência entre as autoridades responsáveis pelos sistemas oficiais de fiscalização. Por isso, considerou inadequada a exigência de uma comprovação integral antes da conclusão do processo de adaptação.

    Recentemente, o governo passou a fiscalizar todo o ciclo de produção das diferentes cadeias pecuárias em relação ao uso de antimicrobianos. Na bovinocultura, por exemplo, a certificação de animais livres das substâncias proibidas pela União Europeia pode levar pelo menos dois anos. Já na avicultura, esse período é de aproximadamente 40 dias.

    “O Brasil defende a manutenção deste sistema e considera inaceitável a exigência de comprovação prévia da implementação integral de medidas cuja execução ocorre de forma progressiva ao longo dos ciclos produtivos”, afirmou o Ministério da Agricultura.

    Além disso, a Pasta destacou que os sistemas oficiais de fiscalização têm a responsabilidade de verificar o cumprimento das normas e certificar apenas os produtos que atendem integralmente às exigências sanitárias.

    “As relações sanitárias internacionais são estruturadas sobre um princípio fundamental: confiança e transparência entre autoridades competentes. O reconhecimento internacional dos sistemas oficiais de controle sanitário baseia-se na capacidade demonstrada pelo país de estabelecer normas, fiscalizar seu cumprimento, adotar medidas corretivas e certificar, com credibilidade, os produtos que atendem aos requisitos acordados bilateralmente”, informou a nota.

    Governo mantém diálogo técnico com o bloco

    Enquanto as negociações continuam, o Ministério da Agricultura informou que segue em tratativas técnicas com a União Europeia sobre os critérios sanitários relacionados ao controle do uso de antimicrobianos na produção animal.

    Ao mesmo tempo, a Pasta reforçou que o Brasil não solicitou flexibilização das normas europeias. Pelo contrário, reafirmou o compromisso de atender integralmente às exigências impostas pelos mercados importadores.

    Representantes da indústria frigorífica e do setor pecuário avaliam que a posição do governo fortalece a credibilidade do sistema sanitário brasileiro. Segundo fontes do setor, o país deve permanecer na lista de exportadores da União Europeia, mesmo que ainda não existam animais aptos para atender imediatamente aos novos critérios.

    Outro representante do setor disse que o governo adotou uma postura mais firme durante as negociações. Segundo ele, o Brasil não aceitará que a confiabilidade do sistema sanitário nacional seja colocada em dúvida.

    Permanência na lista não libera exportações automaticamente

    O Ministério da Agricultura esclareceu que integrar a lista de países autorizados não significa que todos os produtos brasileiros estejam automaticamente aptos para exportação.

    Na prática, esse reconhecimento demonstra que o país possui um sistema oficial considerado confiável para certificar apenas os produtos que cumprem os requisitos sanitários exigidos pelo mercado europeu.

    Além disso, a Pasta explicou que a disponibilidade de produtos varia conforme o ciclo produtivo de cada cadeia. Portanto, o tempo necessário para atender às exigências pode ser diferente entre bovinos, aves e outras produções.

    Segundo o ministério, a credibilidade do sistema está justamente na capacidade de impedir a certificação de produtos que ainda não atendem às normas estabelecidas.

    Comissão Europeia retirou o Brasil da lista em maio

    Em maio, a Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e derivados para o bloco a partir de 3 de setembro. A decisão ocorreu após questionamentos sobre a comprovação do não uso de antimicrobianos nas cadeias produtivas brasileiras.

    Depois do anúncio, representantes da indústria frigorífica defenderam o banimento dessas substâncias como forma de demonstrar o compromisso do Brasil com as exigências europeias. No entanto, estimativas do setor indicam que a medida poderia elevar os custos da pecuária em cerca de US$ 2 bilhões por ano, principalmente com alimentação e medicamentos.

    Exportações movimentam US$ 1,8 bilhão

    A União Europeia importou 128 mil toneladas de carne bovina brasileira em 2025, volume que movimentou aproximadamente US$ 1 bilhão. Ao considerar todas as proteínas animais, o comércio entre Brasil e União Europeia alcançou US$ 1,8 bilhão no período.

    Além disso, o Ministério da Agricultura informou que já encaminhou à Comissão Europeia uma documentação técnica detalhando os mecanismos oficiais de fiscalização, rastreabilidade, monitoramento e certificação adotados nas cadeias de carne bovina, aves, ovos, mel e produtos da pesca.

    Segundo a Pasta, os documentos demonstram como o sistema brasileiro garante o cumprimento dos requisitos sanitários exigidos pelo bloco europeu. Entretanto, as autoridades da União Europeia ainda não apresentaram uma manifestação conclusiva sobre o material enviado.

    Por fim, o ministério reafirmou o compromisso do Brasil com o atendimento integral das exigências sanitárias internacionais. Também destacou que continuará mantendo diálogo técnico com a União Europeia com base na ciência, na transparência e na cooperação entre as autoridades competentes.

  • Agronegócio brasileiro conquista superávit de US$ 9,2 bilhões em janeiro

    Agronegócio brasileiro conquista superávit de US$ 9,2 bilhões em janeiro

    O agronegócio brasileiro iniciou 2026 com resultados expressivos, registrando US$ 10,8 bilhões em exportações durante janeiro e garantindo um superávit comercial de US$ 9,2 bilhões no período. Os números consolidam o setor como principal motor das vendas externas do país, representando 42,8% do valor total exportado pelo Brasil no primeiro mês do ano.

    Apesar da ligeira queda de 2,2% no valor exportado em relação a janeiro de 2025, o volume de produtos embarcados cresceu 7,0%, demonstrando a crescente aceitação dos produtos brasileiros no mercado internacional. A redução no faturamento reflete principalmente a queda de 8,6% nos preços médios das commodities, tendência acompanhada pelo Índice de Preços de Alimentos da FAO, que recuou em janeiro na comparação com dezembro de 2024.

    China lidera compras e mercados asiáticos expandem participação

    A China manteve a liderança como principal destino das exportações agropecuárias brasileiras, adquirindo US$ 2,1 bilhões em produtos (20% do total). A União Europeia aparece em segundo lugar, com US$ 1,7 bilhão (11%), seguida pelos Estados Unidos, que importaram US$ 705 milhões (6,6%).

    Um destaque importante foi o desempenho nas vendas para países da ASEAN (Associação das Nações do Sudeste Asiático), que cresceram 5,7% em janeiro de 2026 comparado ao mesmo período do ano anterior, sinalizando a diversificação de mercados em uma região estratégica que inclui Filipinas, Indonésia, Malásia, Singapura, Tailândia e Vietnã, entre outros.

    Entre os mercados que mais ampliaram suas compras destacam-se Emirados Árabes Unidos (+58,5%), Filipinas (+90%), Turquia (+72,18%), Irã (+21,5%) e Iêmen (+336,9%).

    Recordes em carnes e diversificação de produtos

    O setor de carnes liderou as exportações, movimentando US$ 2,58 bilhões (24% do total) com crescimento de 24% em relação a janeiro de 2025. A carne bovina in natura foi o principal produto exportado, gerando US$ 1,3 bilhão em receitas com 231,8 mil toneladas destinadas a 116 países. Destaque para o aumento de 93% nas compras dos Estados Unidos.

    O complexo soja registrou US$ 1,66 bilhão (15,4% do total) com crescimento de 49,4%, seguido por produtos florestais (US$ 1,38 bilhão), cereais e preparações (US$ 1,12 bilhão), café (US$ 1,10 bilhão) e complexo sucroalcooleiro (US$ 0,75 bilhão).

    Novos produtos alcançam marcas históricas

    Janeiro de 2026 registrou recordes de exportação para diversos produtos que ampliam o portfólio do agronegócio brasileiro:

    • Glicerina em bruto: US$ 46,9 milhões (+114,9%)
    • Óleo de milho: US$ 21,8 milhões (+335,8%)
    • Cerveja: US$ 19,86 milhões (+3,6%)
    • Ovos: US$ 14,7 milhões (+9,2%)
    • Mamão papaia: US$ 6,36 milhões (+17,3%)
    • Pargos: US$ 5,84 milhões (+29,1%)

    Abertura de mercados e reconhecimento sanitário impulsionam resultados

    Segundo o ministro Carlos Fávaro, as ações de sanidade e negociação comercial do governo federal têm sido fundamentais para o desempenho positivo. O Brasil conquistou o reconhecimento da OMSA como livre de febre aftosa sem vacinação e recuperou rapidamente o status de livre de influenza aviária.

    No campo comercial, o país avançou em tratativas que resultaram na retirada da tarifa adicional dos Estados Unidos para produtos brasileiros, incluindo a carne bovina in natura.

    Conforme destacou o secretário Luis Rua, desde 2023 foram abertos 535 novos mercados para produtos do agronegócio brasileiro, sendo 10 apenas em janeiro de 2026. Iniciativas como AgroInsight, webinars e a Caravana do Agroexportador têm aproximado produtores e exportadores de oportunidades internacionais. E estimulando a participação de pequenos e médios empresários no mercado global.

  • Pecuária brasileira lidera exportações e cresce com foco na sustentabilidade

    Pecuária brasileira lidera exportações e cresce com foco na sustentabilidade

    O Brasil reforça sua posição como maior exportador mundial de carnes, impulsionado pela produtividade, qualidade e adoção de práticas sustentáveis na pecuária. A integração entre programas de incentivo, ações sanitárias e defesa agropecuária fortalece a cadeia produtiva e acelera o crescimento do setor.

    O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, ressalta que a pecuária brasileira é fundamental para o agronegócio nacional e internacional. Ele destaca o compromisso do governo com práticas sustentáveis, bem-estar animal e redução do impacto ambiental para garantir um crescimento sólido e responsável.

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) implementa programas sanitários reconhecidos pela Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA) e fomenta sistemas integrados de produção que contribuem para o sequestro de carbono, a saúde do solo e o aumento do bem-estar animal. Além disso, o Mapa estimula as exportações para ampliar a presença do Brasil no mercado global.

    Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção de carne bovina atingiu recorde histórico em 2024, com mais de 11 milhões de toneladas equivalente carcaça, resultado do aumento no abate de animais. No segundo trimestre de 2025, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou crescimento de 3,9% no abate de bovinos, totalizando 10,46 milhões de cabeças.

    Crescimento

    A produção de carne de frango superou os números de julho de 2024, mesmo com os desafios causados pela influenza aviária. O IBGE aponta crescimento de 1,1% no abate frente ao ano anterior, atingindo a melhor série histórica para o segundo trimestre.

    A produção de carne suína também cresce de forma gradual. A Conab projeta alta de 3,6% para 2026, motivada pelo aumento das exportações e expansão do consumo interno.

    Para garantir o crescimento sustentável, o Mapa criou o Plano de Adaptação e Baixa Emissão de Carbono na Agricultura (Plano ABC+). O programa inclui tecnologias para conciliar produção e equilíbrio ambiental, com foco na recuperação de pastagens, uso de biodigestores e terminação intensiva que prevê o abate de animais com menos de 24 meses. A meta é reduzir a pegada de carbono da pecuária nacional por meio da eficiência produtiva.

    Em 2024, as exportações brasileiras de carnes ultrapassaram US$ 26,1 bilhões. Até setembro de 2025, o valor alcançou US$ 22,5 bilhões. Conforme dados da balança comercial do Mapa, as exportações de carne bovina in natura cresceram 55%, somando US$ 1,77 bilhão, enquanto a carne suína atingiu marca histórica de US$ 346,1 milhões, com alta de 28,6%.

  • Pecuária lidera exportações do agronegócio em SC

    Pecuária lidera exportações do agronegócio em SC

    Em 2024, o agronegócio de Santa Catarina registrou exportações de US$ 7,57 bilhões, representando 64,9% do total de US$ 11,66 bilhões das exportações estaduais, segundo a 45ª Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina, elaborada pela Epagri/Cepa. A pecuária foi o principal motor desse desempenho, com carnes de frango e suína como os produtos de maior destaque.

    Dos 25 setores do agronegócio catarinense, apenas seis responderam por quase 94% do valor exportado em 2024. Com carnes representando 54,8% e produtos florestais 25,2% do total. Entre os produtos líderes, a carne de frango faturou US$ 2,29 bilhões, com crescimento modesto de 0,2%, enquanto a carne suína teve o maior avanço, com alta de 8%, totalizando US$ 1,69 bilhão. Outros produtos relevantes foram madeira, soja em grão, papel e fumo, que juntos somaram 88,1% do valor exportado pelo setor.

    Fatores que impulsionaram o desempenho

    O analista Alexandre Luís Giehl, da Epagri/Cepa, atribui o sucesso à excelência sanitária da produção catarinense. E também à demanda crescente em mercados internacionais devido a surtos sanitários em outras regiões, como peste suína africana e gripe aviária. Essas condições elevaram a procura por carnes produzidas em ambientes sanitariamente seguros. E favorece exportações para países como Filipinas, com aumento de 48% nas vendas de carne suína, e Japão, que importou 25% a mais de carne de frango.

    China e Estados Unidos foram os maiores compradores do agronegócio catarinense em 2024, juntos respondendo por 28,6% das exportações do setor. A China concentrou 15,6% das vendas externas, seguida pelos EUA com 13%. Outros mercados estratégicos incluem Japão (8,2%), Filipinas (6%), México (5,9%) e Chile (4,3%).

    Cenário geral do comércio exterior catarinense

    Santa Catarina manteve sua posição como o 10º maior exportador do Brasil, com crescimento de 0,7% nas exportações totais em 2024, que atingiram US$ 11,6 bilhões. O estado exportou para 221 países, destacando-se também no setor industrial e na importação, que somou US$ 33,7 bilhões, a segunda maior do país.

    Em 2024, Santa Catarina bateu recorde histórico na exportação total de carnes, com 1,97 milhão de toneladas embarcadas. Isso representa um aumento de 6,6% em volume e receita de US$ 4,15 bilhões, alta de 3,2% em relação a 2023. O estado é o segundo maior exportador de carne do Brasil, atrás apenas do Paraná.

    Perspectivas para 2025 indicam continuidade do crescimento nas exportações de carnes, com destaque para o primeiro quadrimestre, que registrou o melhor desempenho em 28 anos, impulsionado por mercados como Países Baixos, Arábia Saudita, China e Japão.

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