Tag: exportação de café

  • China aposta em cafés produzidos por mulheres do Cerrado Mineiro

    China aposta em cafés produzidos por mulheres do Cerrado Mineiro

    O café especial produzido por mulheres brasileiras vai ganhar espaço no mercado premium da China. A cooperativa Expocacer firmou um acordo com a empresária chinesa Jian Xueya, conhecida no Brasil como “Dona Jane”, fundadora da marca Lady Coffees, para exportar lotes exclusivos de cafés cultivados por produtoras associadas.

    A iniciativa busca fortalecer a presença do café brasileiro no mercado asiático e, ao mesmo tempo, valorizar o trabalho feminino na cafeicultura nacional. Cada embalagem comercializada na China levará o nome da produtora responsável pelo lote, aproximando os consumidores da origem do produto.

    Cafés especiais terão identidade das produtoras

    Segundo a empresária Jian Xueya, a proposta é destacar a história de cada mulher que participa da produção dos cafés especiais brasileiros.

    Além da venda ao consumidor final, parte dos lotes será distribuída para cafeterias chinesas por meio de um parceiro local especializado em torrefação, ampliando a presença dos cafés brasileiros no segmento de alto valor agregado.

    Quatro produtoras participam da primeira exportação

    Os primeiros embarques incluem cafés produzidos por quatro cooperadas da Expocacer:

    • Celia Regina Alves Nunes, da Fazenda Claudio;
    • Mariana Velloso Heitor, da Fazenda Gigante Leal;
    • Sarah Mendes Nascimento, da Fazenda São Pedro de Alcântara;
    • Vera de Oliveira Nunes Figueiredo, da Fazenda Freitas.

    Os lotes foram selecionados para atender a um pedido específico da importadora chinesa, que buscava cafés delicados e com diferentes perfis sensoriais para atender públicos distintos no país.

    De acordo com Sandra Moraes, gerente de Cafés Especiais da Expocacer, a diversidade de sabores e aromas foi um dos fatores decisivos para a escolha dos produtos.

    Consumo de café cresce na China

    Embora o consumo per capita ainda seja inferior ao registrado em mercados tradicionais, a demanda por cafés especiais cresce rapidamente na China, impulsionada principalmente pelos consumidores mais jovens e pela busca por bebidas de maior qualidade.

    Para Sandra Moraes, esse movimento representa uma oportunidade importante para ampliar a presença do café brasileiro no país asiático.

    Segundo ela, a valorização de produtos premium abre espaço para que os cafés especiais brasileiros conquistem novos consumidores e fortaleçam sua participação em um dos mercados mais promissores do mundo.

    Estratégia aposta no segmento premium

    Jian Xueya afirma que a estratégia da Lady Coffees é posicionar o café brasileiro em um nicho premium, acompanhando a mudança no perfil de consumo dos chineses.

    Historicamente, o mercado local esteve concentrado em bebidas com leite e preparações adoçadas. No entanto, cidades como Xangai vêm registrando aumento do interesse por cafés puros e de maior qualidade.

    Segundo a empresária, o objetivo é oferecer um produto diferenciado, focado em excelência, mesmo com preço mais elevado.

    Programa fortalece protagonismo feminino

    O interesse pelos cafés produzidos por mulheres surgiu em 2022, durante uma visita da empresária à Expocacer, quando conheceu o programa Elas no Café.

    A iniciativa reúne atualmente 140 produtoras, que representam cerca de 20% do quadro de associados da cooperativa. Juntas, elas produzem aproximadamente 534 mil sacas de café em uma área de 13,4 mil hectares.

    O programa busca ampliar a participação feminina na cafeicultura, incentivar a produção de cafés especiais e agregar valor à origem dos grãos.

    China ganha importância para o café brasileiro

    A China vem ampliando sua participação entre os principais compradores do café brasileiro.

    Segundo dados do Cecafé, o país importou 1,123 milhão de sacas de 60 quilos em 2025, volume equivalente a 2,8% das exportações brasileiras do produto. Com esse desempenho, o mercado chinês passou a ocupar a décima posição entre os principais destinos do café nacional.

    O novo acordo firmado pela Expocacer reforça essa tendência e evidencia o potencial dos cafés especiais produzidos por mulheres brasileiras para conquistar espaço em mercados internacionais cada vez mais exigentes.

  • El Niño pode mudar produção global de café nos próximos anos

    El Niño pode mudar produção global de café nos próximos anos

    A confirmação de um novo episódio de El Niño para o segundo semestre de 2026 voltou a acender o alerta no mercado internacional de café.

    Embora os impactos variem de acordo com a intensidade do fenômeno e das condições climáticas de cada região produtora, especialistas avaliam que o clima poderá influenciar a oferta global da commodity entre 2026 e 2027.

    Segundo análise da Hedgepoint Global Markets, os efeitos do El Niño costumam ser diferentes entre os países produtores e dependem do estágio das lavouras quando o fenômeno ocorre.

    Brasil deve escapar dos impactos imediatos

    O Brasil, maior produtor e exportador mundial de café, não deve sofrer impactos diretos na safra 2026/27, segundo a projeção atual da consultoria.

    Mesmo assim, um período mais chuvoso durante o outono e o inverno pode provocar atrasos na colheita e aumentar a volatilidade dos preços no mercado.

    De acordo com Laleska Moda, analista de inteligência de mercado da Hedgepoint, o monitoramento climático continua sendo fundamental para os próximos meses.

    “Embora a produção da safra 2026/27 não deva ser afetada, o andamento da colheita e a fase de florada exigem atenção.”

    Próxima safra pode enfrentar desafios

    Os maiores riscos ainda estão ligados ao desenvolvimento da próxima temporada.

    Isso porque alterações nos padrões de chuva e temperatura podem influenciar etapas decisivas para a formação dos grãos e para o potencial produtivo das lavouras.

    O comportamento climático durante a florada será um dos fatores mais observados pelo mercado nos próximos meses.

    Leia mais: Agro confia mais nos EUA do que na China, aponta FGV

    América Central e Ásia estão entre as regiões mais vulneráveis

    Fora do Brasil, os efeitos do El Niño podem ser mais significativos.

    Segundo a Hedgepoint, importantes produtores da América Central e da Ásia apresentam maior risco de enfrentar problemas climáticos nas safras 2026/27 e 2027/28.

    A preocupação aumenta diante da possibilidade de um evento forte entre o final de 2026 e o início de 2027.

    Nessas regiões, mudanças no regime de chuvas e períodos prolongados de calor podem comprometer fases importantes do desenvolvimento das lavouras, reduzindo a produtividade e pressionando a oferta mundial de café.

    Caso o fenômeno ganhe força nos próximos meses, o mercado poderá reagir antecipadamente às expectativas de menor produção em algumas das principais regiões produtoras do mundo.

  • Exportação de café do Brasil cresce em maio, mas receita cai 16%

    Exportação de café do Brasil cresce em maio, mas receita cai 16%

    O Brasil exportou 3,089 milhões de sacas de café em maio de 2026, alta de 3,6% na comparação anual, segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Apesar do avanço no volume, a receita cambial caiu 16% no período, somando US$ 1,050 bilhão.

    O leve crescimento nos embarques reflete a entrada da nova safra, principalmente de cafés canéforas (conilon e robusta). A expectativa é que o mesmo movimento ocorra com os arábicas a partir do segundo semestre.

    No acumulado dos 11 primeiros meses da safra 2025/2026, o país exportou 35,373 milhões de sacas, com receita de US$ 13,612 bilhões. Os resultados representam queda de 17,7% em volume e de 0,7% em valor na comparação com o ciclo anterior.

    Exportações em 2026 recuam no acumulado

    Entre janeiro e maio de 2026, o Brasil embarcou 14,745 milhões de sacas de café, recuo de 12,4% frente ao mesmo período de 2025. A receita somou US$ 5,552 bilhões, queda de 14,6%.

    Segundo o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, o desempenho segue dentro do esperado, considerando a transição entre a entressafra e a chegada da nova colheita.

    A redução no acumulado do ano reflete uma safra menor e o forte volume exportado em 2025. Por outro lado, a tendência é de recuperação ao longo do segundo semestre, impulsionada pela colheita atual.

    Safra favorece embarques, mas riscos persistem

    Ferreira projeta aumento das exportações nos próximos meses, sustentado por uma safra com boa produtividade e qualidade, favorecida por condições climáticas positivas no cinturão cafeeiro.

    No entanto, fatores externos e estruturais ainda pressionam o setor. Entre os principais desafios estão:

    • Tensões geopolíticas, que elevam os custos do frete marítimo.
    • Gargalos logísticos nos portos brasileiros, que atrasam embarques e geram prejuízos.
    • Incertezas na política comercial dos Estados Unidos, que afetam o ritmo das negociações.

    Alemanha lidera destinos do café brasileiro

    A Alemanha liderou as importações de café do Brasil entre janeiro e maio de 2026, com 1,911 milhão de sacas (13% do total), apesar de queda de 10%.

    Na sequência aparecem:

    • Estados Unidos: 1,771 milhão de sacas (-38,4%)
    • Itália: 1,420 milhão de sacas (+3,2%)
    • Bélgica: 917.385 sacas (+13%)
    • Japão: 734.591 sacas (-32,6%)

    Arábica domina, mas canéfora avança

    O café arábica manteve a liderança nas exportações, com 11,126 milhões de sacas (75,5% do total), mesmo com queda de 21,3%.

    Já o café canéfora registrou forte crescimento de 86,5%, com 1,891 milhão de sacas (12,8%), impulsionado pela maior oferta.

    O café solúvel respondeu por 1,707 milhão de sacas (11,6%), enquanto o torrado e moído teve participação residual.

    Cafés diferenciados perdem espaço

    Os cafés diferenciados representaram 17,6% das exportações no período, com 2,590 milhões de sacas, queda de 30,1% na comparação anual.

    A receita somou US$ 1,124 bilhão, equivalente a 20,2% do total, com preço médio de US$ 434,01 por saca.

    A Alemanha também lidera esse segmento, seguida por Estados Unidos, Itália, Bélgica e Holanda.

    Porto de Santos concentra embarques

    O Porto de Santos respondeu por 72,8% das exportações de café no período, com 10,728 milhões de sacas.

    Na sequência:

    • Complexo portuário do Rio de Janeiro: 3,419 milhões de sacas (23,2%)
    • Porto de Paranaguá: 166.524 sacas (1,1%)
  • Safra bilionária faz café perder valor no mercado global

    Safra bilionária faz café perder valor no mercado global

    Os preços do café voltaram a cair no mercado internacional. Na última sexta-feira (28), o contrato do café arábica recuou 3,15%, enquanto o robusta perdeu 2,19%. Já na segunda-feira (1), o arábica atingiu o menor patamar dos últimos 1,5 ano no contrato futuro mais próximo.

    A principal pressão veio das previsões meteorológicas para as regiões produtoras do Brasil. Segundo os modelos climáticos, o tempo mais seco previsto para esta semana deve favorecer o avanço da colheita do café, que sofreu atrasos nos últimos dias devido às chuvas intensas registradas em importantes áreas produtoras.

    Safra será maior?

    Além das condições climáticas favoráveis, o mercado também reage às projeções de uma oferta global mais robusta nos próximos meses.

    A Coffee Trading Academy estima que a safra brasileira de café 2026/27 alcançará 71,4 milhões de sacas, volume 12% superior ao registrado no ciclo anterior.

    Por sua vez, o Marex Group Plc divulgou uma projeção ainda mais otimista. A consultoria prevê uma colheita recorde de 75,9 milhões de sacas no Brasil, superando a estimativa da Sucafina, que calcula uma produção de 75,4 milhões de sacas, equivalente a uma alta anual de 15,5%.

    Da mesma forma, a StoneX revisou para cima suas projeções. Em março, a empresa elevou sua estimativa para a safra brasileira de 2026/27 para 75,3 milhões de sacas, acima das 70,7 milhões de sacas previstas em novembro.

    Além disso, a consultoria projeta que o superávit global de café chegará a 10 milhões de sacas em 2026, ante 1,8 milhão de sacas em 2025. Caso a previsão se confirme, será o maior excedente mundial dos últimos seis anos.

    Vietnã amplia exportações do robusta

    O crescimento da oferta também vem do Vietnã, maior produtor mundial de café robusta.

    Segundo o Escritório Nacional de Estatísticas do país, as exportações vietnamitas cresceram 15,8% entre janeiro e abril de 2026, totalizando 810 mil toneladas métricas.

    O café robusta possui maior teor de cafeína e costuma apresentar sabor mais intenso e encorpado que o arábica — Foto: Embrapa

    No ano anterior, os embarques já haviam registrado forte expansão, avançando 17,5% e alcançando 1,58 milhão de toneladas métricas.

    Enquanto isso, a produção vietnamita de café em 2025/26 deve atingir 1,76 milhão de toneladas métricas, o equivalente a 29,4 milhões de sacas. O volume representa crescimento de 6% em relação à safra anterior e marca o maior nível em quatro anos.

    Estoques menores limitam quedas mais acentuadas

    Apesar da pressão baixista causada pelo aumento da oferta, a redução dos estoques monitorados pela Intercontinental Exchange (ICE) tem ajudado a sustentar parte das cotações.

    Os estoques de café arábica armazenados pela bolsa recuaram para 434.930 sacas, o menor nível em aproximadamente três meses e meio.

    Já os estoques de robusta atingiram uma mínima de dois anos ao registrar 3.631 lotes em maio. Posteriormente, houve leve recuperação para 3.864 lotes.

    El Niño ainda preocupa mercado

    Por outro lado, o risco climático continua no radar dos investidores. A possível formação do fenômeno El Niño pode atrasar as chuvas previstas para setembro e outubro no Brasil, período considerado crucial para a floração dos cafeeiros.

    Caso esse cenário se confirme, a produtividade da safra brasileira de 2026/27 poderá ser afetada.

    A preocupação ganhou força após a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) indicar 82% de probabilidade de formação do El Niño entre maio e julho. Além disso, o órgão aponta 67% de chance de ocorrência de um Super El Niño até o final do ano.

    Exportações brasileiras recuam

    Outro fator que oferece suporte aos preços é a redução das exportações brasileiras.

    Segundo dados divulgados pela Cecafé em 12 de maio, os embarques de café verde do Brasil somaram 2,76 milhões de sacas em abril, resultado 1,3% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado.

    Além disso, o mercado também acompanha os impactos do fechamento contínuo do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do mundo.

    Produção mundial deve bater recorde

    Mesmo diante dos desafios logísticos e climáticos, a perspectiva para a oferta global continua positiva.

    A Organização Internacional do Café (OIC) informou que as exportações mundiais recuaram apenas 0,3% no atual ano comercial, que vai de outubro a setembro, totalizando 138,658 milhões de sacas.

    Além disso, relatório divulgado pelo Serviço de Agricultura Exterior (FAS) projeta que a produção mundial de café em 2025/26 alcançará um recorde de 178,848 milhões de sacas, crescimento de 2% em relação ao ciclo anterior.

    Segundo o levantamento, a produção global de arábica deverá cair 4,7%, para 95,515 milhões de sacas. Em contrapartida, a produção de robusta deverá crescer 10,9%, chegando a 83,333 milhões de sacas.

    O USDA também estima que a safra brasileira de café em 2025/26 recue 3,1%, totalizando 63 milhões de sacas. Já a produção do Vietnã deve avançar 6,2%, alcançando 30,8 milhões de sacas, o maior volume em quatro anos.

    Por fim, o órgão projeta que os estoques finais globais diminuam 5,4%, passando de 21,307 milhões para 20,148 milhões de sacas no ciclo 2025/26.

  • Mercado global de café deve ter ‘turbulência’ até avanço da safra brasileira

    Mercado global de café deve ter ‘turbulência’ até avanço da safra brasileira

    O mercado internacional de café ainda deve atravessar semanas de instabilidade até que a nova safra brasileira chegue de forma mais consistente aos principais destinos consumidores. A avaliação é de Alex Perk, chefe da área de café na Europa da Comexim Trade Group, durante conversa com jornalistas à margem do Seminário Nacional do Café.

    Segundo o executivo, a expectativa da empresa é de que o Brasil colha cerca de 71 milhões de sacas de 60 quilos em 2026. Desse total, aproximadamente 48 milhões de sacas devem ser de café arábica, enquanto outras 23 milhões correspondem ao conilon e robusta.

    A projeção supera os números divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que revisou nesta quinta-feira (21) sua estimativa para 66,7 milhões de sacas. Conforme a estatal, a produção brasileira deve incluir 45,8 milhões de sacas de arábica e 20,9 milhões de robusta/conilon.

    Clima, eleições e logística elevam preocupação

    Apesar da perspectiva positiva para a safra brasileira, Perk alertou que o mercado segue cercado de fatores de risco. Entre eles, estão as questões climáticas, o cenário político brasileiro e os impactos no câmbio.

    “Acreditamos que a safra brasileira é muito boa, mas temos riscos climáticos pela frente, eleições no Brasil, que pode influenciar o mercado de câmbio. Enquanto vejo a produtividade brasileira muito boa, vejo riscos que não deveriam ser ignorados”, afirmou.

    Além disso, o especialista destacou que os baixos estoques globais ajudam a sustentar os preços internacionais. Nesta quinta-feira, o contrato do café arábica para julho na bolsa de Nova York avançou 1,9%, encerrando o dia cotado a US$ 2,7340 por libra-peso. Já o contrato para setembro registrou alta de 1,92%, negociado a US$ 2,6550.

    Segundo Perk, o atraso natural entre a colheita e a chegada efetiva do café brasileiro aos mercados consumidores mantém a pressão sobre as cotações.

    “Uma das razões para esse patamar elevado de preços é o baixo nível de estoque mundial. A safra brasileira ainda vai demorar alguns meses até chegar aos mercados de destino. Isso, e os riscos climáticos por vir, estão ajudando a suportar o preço no momento”, avaliou.

    Risco de geadas e impacto do El Niño

    O executivo também ressaltou que ainda é cedo para prever uma tendência definitiva para os preços internacionais. Embora o Brasil caminhe para uma safra robusta, ele acredita que o volume pode não ser suficiente para equilibrar totalmente a oferta e a demanda global.

    Além disso, Perk lembrou que o país está próximo do inverno, período que aumenta o risco de geadas em regiões produtoras. Em algumas áreas onde a colheita já começou, as chuvas também vêm desacelerando os trabalhos no campo.

    Outro ponto de atenção envolve o avanço do fenômeno climático El Niño, que pode afetar principalmente a produção de café robusta no Sudeste Asiático: “Se tivermos uma queda de produção de robusta no sudeste asiático, vai forçar a demanda para o arábica e alterar o equilíbrio. Mas precisamos esperar”, explicou.

    Guerra no Oriente Médio pressiona fretes

    O cenário logístico global também preocupa o mercado cafeeiro. Conforme Perk, a guerra no Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Ormuz elevaram em cerca de 30% os custos do frete marítimo.

    Segundo ele, o comportamento dos preços dependerá diretamente dos impactos da guerra sobre os custos globais de energia. Dessa forma, o mercado pode tanto continuar sustentando os atuais níveis de preços quanto limitar eventuais quedas provocadas pelo aumento da oferta.

    Consumo segue resiliente

    Durante o painel do seminário, Perk descartou uma possível retração relevante na demanda mundial por café. Na avaliação dele, o consumo segue resiliente, mesmo diante dos preços elevados, e mantém tendência de crescimento.

    A visão é compartilhada por Danilo Pucci, CEO da Volcafé Brasil. Participando do mesmo debate, o executivo afirmou que o consumo só se tornaria motivo de preocupação diante de uma disparada extrema nos preços, semelhante ao ocorrido recentemente no mercado de cacau.

    “A minha maior preocupação é o clima, com El Niño. E o impacto pode ser maior no robusta do que no arábica”, concluiu.

  • Brasil exporta 3,1 milhões de sacas de café em abril

    Brasil exporta 3,1 milhões de sacas de café em abril

    Os embarques do setor cafeeiro somaram 3,122 milhões de sacas de 60 kg em abril de 2026. Um volume que implica leve crescimento de 0,6% em relação aos 3,105 milhões registrados no mesmo mês do ano passado. Em receita cambial, contudo, houve decréscimo de 17,7% no mesmo período comparativo. Com os valores recuando de US$ 1,347 bilhão para os atuais US$ 1,109 bilhão. Os dados constam no relatório estatístico mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

    De acordo com o presidente da entidade, Márcio Ferreira, a elevação no volume embarcado reflete a chegada de alguns cafés da nova safra, principalmente os canéforas. Ao passo que o menor ingresso de dólares resulta do cenário internacional de preços.

    “Em abril, já foi possível observar a entrada de conilon e robusta colhidos neste ano, que se somam a alguns cafés remanescentes da colheita anterior. No tocante à queda da receita, ela se justifica pelo recuo observado nas cotações internacionais frente ao ano passado”, relata.

    Com o desempenho no mês passado, as exportações no acumulado dos 10 meses do ano safra 2025/26 somam 32,247 milhões de sacas, volume que implica queda de 19,4% na comparação com os embarques aferidos entre julho de 2024 e abril de 2025. A receita cambial, por sua vez, subiu 0,8% nesse intervalo, saltando para US$ 12,551 bilhões.

    Ano civil

    De janeiro ao fim de abril deste ano, as exportações de café do Brasil totalizam 11,619 milhões de sacas, situando-se 16,1% abaixo dos 13,843 milhões registrados no primeiro quadrimestre de 2025. A entrada de recursos com essas remessas soma US$ 4,490 bilhões, montante 14,4% inferior aos US$ 5,247 bilhões obtidos nos primeiros quatro meses do ano passado.

    “O declínio que observamos até agora em 2026, tanto em volume, quanto em receita, já era esperado a essa altura. Além da baixa entrada dos cafés da safra nova, o ano passado, que teve oferta menor, registrou um bom volume de exportações. Assim restaram poucos cafés remanescentes, particularmente os arábicas”, comenta Ferreira.

    Por outro lado, ele aponta que a exportação de robusta e conilon, em abril de 2026, representa uma alta de 374% quando comparada ao mesmo mês do ano passado. “Tendo em vista que a variedade canéfora representa valor absoluto por saca bem inferior ao arábica, o impacto na receita total nas exportações de café verde não vai na mesma direção do aumento substancial do volume dos canéforas”, explica.

    O presidente do Cecafé conclui que, com menor volume de exportação de arábica no mês e no quadrimestre, “automaticamente tivemos menos ingresso de dólares, a ressaltar, ainda, a atual queda substancial nas cotações internacionais para as duas variedades”.

    Principais destinos

    Alemanha segue como o maior importador dos cafés do Brasil no primeiro quadrimestre de 2026, com a aquisição de 1,563 milhão de sacas. Esse volume representa 13,4% dos embarques totais do país no período, apesar de implicar queda de 12,8% na comparação com o mesmo período de 2025.
    Os EUA aparecem na sequência, com 1,390 milhão de sacas importadas, o que significa um recuo de 41,5% ante os quatro primeiros meses de 2025 e representa 12% do total. Fechando o top 5, vêm Itália, com 1,182 milhão de sacas e alta de 3,2%; Bélgica, com 713.790 sacas e avanço de 15,4%; e Japão, com 612.720 sacas e queda de 29,7%.

    Tipos de café

    O café arábica, com 8,984 milhões de sacas, permanece como o mais exportado pelo Brasil entre janeiro e abril de 2026. Esse montante equivale a 77,3% do total embarcado, mesmo representando queda de 23,4% frente ao primeiro quadrimestre do ano passado.
    Na sequência, com o equivalente a 1,338 milhão de sacas remetidas ao exterior, aparece o segmento do café solúvel, que subiu 4,1% na comparação com os quatro primeiros meses de 2025. Esse tipo de produto responde por 11,5% das exportações totais no período atual.
    Os cafés canéforas (conilon + robusta), com 1,284 milhão de sacas – alta de 58,8% e 11% do total –, e o produto torrado e torrado e moído, com 14.259 sacas (-23,7% e 0,1% de representatividade), completam a lista.

    Foto: Agência Agro em Campo

    Cafés diferenciados

    Os cafés que possuem qualidade superior, certificados de práticas sustentáveis e/ou especiais responderam por 17,9% das exportações totais brasileiras de janeiro ao fim de abril deste ano, com a remessa de 2,076 milhões de sacas ao exterior. Esse volume é 36,3% inferior ao registrado no mesmo intervalo de 2025.

    A um preço médio de US$ 443,03 por saca, a receita cambial com os embarques dos cafés diferenciados foi de US$ 919,888 milhões, o que correspondeu a 20,5% do obtido com todos os embarques de café no primeiro quadrimestre de 2026. No comparativo anual, o valor é 34,9% menor do que o registrado nos quatro primeiros meses do ano passado.

    A Alemanha também lidera o ranking dos principais destinos dos cafés diferenciados, com a compra de 268.243 sacas. Isso é equivalente a 12,9% do total desse tipo de produto exportado.

    Fechando o top 5, aparecem Itália, com 250.545 sacas e representatividade de 12,1%; EUA, com 240.825 sacas (11,6%). Depois Bélgica, com 220.979 sacas (10,6%). E Holanda (Países Baixos), com 145.189 sacas (7%).

    Foto: Divulgação – Ministério de Portos e Aeroportos / José Fernando Ogura / ANPr

    Portos

    O Porto de Santos foi o principal exportador dos cafés do Brasil no primeiro quadrimestre, com 8,678 milhões de sacas. E representatividade de 74,7% no total. Na sequência, vieram o complexo portuário do Rio de Janeiro, que respondeu por 21,3% dos embarques ao remeter 2,476 milhões de sacas ao exterior. E o Porto de Paranaguá (PR), que embarcou 132.487 sacas e teve representatividade de 1,1%.

    O relatório completo das exportações dos cafés do Brasil, com a atualização referente a abril de 2026, está disponível no site do Cecafé: https://www.cecafe.com.br/.

  • XXV Seminário do Café reúne especialistas de 15 países em Santos

    XXV Seminário do Café reúne especialistas de 15 países em Santos

    O XXV Seminário Internacional do Café, que ocorrerá em Santos entre os dias 19 e 21 de maio, promete ser um marco para o setor ao reunir especialistas de 15 países. O evento, organizado pela Associação Comercial de Santos (ACS), projeta receber mais de mil participantes para debater o futuro da cafeicultura em um mundo marcado por rupturas tecnológicas e novas demandas de mercado.

    Com uma agenda ampliada em relação aos anos anteriores, o encontro será sediado no Santos Convention Center. A solenidade de abertura está marcada para a noite do dia 19, às 19h, reunindo lideranças da cadeia produtiva e autoridades. Durante os dias 20 e 21, o foco recai sobre painéis técnicos que exploram temas cruciais como geopolítica, infraestrutura, sustentabilidade e inovação digital.

    Disrupção e tecnologia no agronegócio

    Um dos momentos mais aguardados é a palestra de Pablo Spyer, no dia 20, que abordará os desafios disruptivos enfrentados pelo Brasil. No mesmo dia, Walter Longo discutirá os impactos da inteligência artificial nos modelos de negócios. Essa abordagem tecnológica visa preparar o produtor e o exportador para uma realidade onde a análise de dados e a automação se tornam diferenciais competitivos.

    O painel sobre infraestrutura e logística também ganha relevância no primeiro dia de debates. Executivos e especialistas do setor portuário discutirão os gargalos que afetam o escoamento da produção. O debate é essencial para otimizar o transporte do grão até os portos, garantindo eficiência no comércio exterior.

    Sustentabilidade e o novo cenário regulatório

    No encerramento, dia 21, as discussões se voltam para o ambiente regulatório internacional. Marcos Matos, do Cecafé, e Bill Murray, da National Coffee Association dos Estados Unidos, trazem as perspectivas das normas globais e as exigências do mercado americano. A sustentabilidade, pilar central do evento, será detalhada por Kevin Lardner, da Rainforest Alliance, focando em práticas de certificação.

    O economista Eduardo Giannetti também integra a programação, oferecendo uma análise profunda sobre o cenário geopolítico e seus reflexos diretos no comércio internacional. Complementando o viés técnico, especialistas como Claudio Delposte e Oscar Schaps debaterão o equilíbrio entre oferta e demanda no mercado de commodities, fornecendo subsídios para estratégias financeiras de curto e longo prazo.

    Networking e protagonismo nacional no Porto de Santos

    Além das palestras, o seminário oferece experiências práticas, como a visita guiada ao Porto de Santos, principal porta de saída do café brasileiro para o mundo. O evento encerra-se com uma festa no Mercado Municipal de Santos, reforçando o networking entre os participantes.

    O Brasil detém cerca de 38% da produção mundial de café. Em 2025, as exportações superaram 40 milhões de sacas, gerando US$ 15,5 bilhões. O Porto de Santos é peça-chave nessa engrenagem, operando 78% desse volume. O tema “O setor de café do Brasil está pronto para um mundo disruptivo?”, escolhido para esta 25ª edição, resume a necessidade de evolução constante da cadeia produtiva frente às mudanças globais.

  • Gargalos logísticos custam R$ 66 milhões ao setor de café em 2025

    Gargalos logísticos custam R$ 66 milhões ao setor de café em 2025

    Os exportadores brasileiros de café encerraram 2025 com um prejuízo logístico acumulado de R$ 66,1 milhões devido ao esgotamento da infraestrutura portuária do país. O levantamento, realizado pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), revela que problemas crônicos nos principais portos brasileiros impediram o embarque mensal de 1.824 contêineres, equivalentes a 602 mil sacas de café.

    Apesar das exportações gerais recordes anunciadas pelas autoridades públicas, os principais portos brasileiros seguem enfrentando desafios estruturais que afetam especialmente as cargas conteinerizadas. Filas intermináveis de caminhões, pátios lotados, escassez de berços, rolagens de cargas e constantes alterações nas escalas dos navios geraram custos milionários com armazenagens adicionais, pré-stacking e detentions.

    Somente em dezembro de 2025, as empresas exportadoras registraram prejuízo de R$ 4,631 milhões com o não embarque de 1.475 contêineres. Isso é o equivalente a 486 mil sacas de 60 kg de café.

    “Na média mensal, 55% dos navios tiveram atrasos ou alterações de escala. O Brasil deixou de receber US$ 2,640 bilhões em receita cambial ao longo de 2025”, afirma Eduardo Heron, diretor técnico do Cecafé.

    Problema afeta múltiplos setores do agronegócio

    A crise portuária não se limita ao café. Segundo o diretor técnico do Cecafé, outros setores que dependem de contêineres para exportação, como açúcar, algodão e produtos originários de árvores, enfrentam os mesmos entraves logísticos.

    Heron explica que os números recordes divulgados pelas autoridades sobre a movimentação portuária geral mascaram a realidade enfrentada pelos exportadores de cargas conteinerizadas. “É preciso que nossos governantes tenham ciência dessa realidade e dos prejuízos para que executem políticas públicas adequadas com celeridade”, destaca.

    Entre as soluções apontadas pelo setor estão a diversificação de modais de transporte, ampliação da capacidade de pátios e berços nos terminais portuários e o aprofundamento de calados para recebimento de grandes embarcações.

    Porto de Santos concentra maiores problemas

    O Porto de Santos, responsável por 78,7% dos embarques de café entre janeiro e dezembro de 2025, registrou índice de 65% de atrasos ou alterações nas escalas dos navios em dezembro. Do total de 162 porta-contêineres, 105 embarcações sofreram algum tipo de interrupção. O tempo mais longo de espera no porto santista chegou a 82 dias.

    No complexo portuário do Rio de Janeiro, segundo maior exportador de café do Brasil com 17,7% de participação, o índice de atrasos foi de 41% no último mês de 2025. Com 52 dos 127 navios apresentando alteração de escalas.

    Segundo dados do Boletim Detention Zero, elaborado pela startup ElloX Digital em parceria com o Cecafé, 52% dos navios (187 de 361 embarcações) tiveram atrasos ou alteração de escalas nos principais portos brasileiros em dezembro de 2025.

    Impacto direto na renda dos produtores

    O diretor técnico do Cecafé ressalta que os prejuízos não se limitam aos exportadores, afetando diretamente os cafeicultores brasileiros. O Brasil repassa em média mais de 90% do valor Free on Board (FOB) da exportação aos produtores. O que significa que os gargalos logísticos também representam menor receita para quem trabalha no campo.

    “Os cafeicultores se dedicam arduamente, enfrentando adversidades climáticas e custos de produção elevados. O não embarque devido aos gargalos logísticos representa menos receita para quem produz os melhores e mais diversos cafés sustentáveis do mundo”, afirma Heron.

    Crescimento do agro exige investimentos urgentes

    Entre 2016 e 2025, as exportações do agronegócio brasileiro cresceram 72%. Portanto, saltando de 158,9 milhões para 273,1 milhões de toneladas, segundo dados do AgroStat do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A taxa de crescimento médio anual foi de 6%.

    “Se mantido esse cenário de evolução do agro e os investimentos em infraestrutura seguirem de forma morosa e burocrática, o comércio exterior brasileiro continuará acumulando prejuízos e o país perderá competitividade e oportunidades”, alerta o diretor técnico do Cecafé.

    Expectativas para 2026 permanecem desafiadoras

    A perspectiva para o próximo ano não é animadora. Heron menciona a possibilidade de judicialização do leilão do Tecon Santos 10. O que pode atrasar ainda mais a oferta de capacidade de pátio e berço no porto santista. A recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU) que restringiu a participação ampla de armadores no leilão é criticada pelo setor como “infundada e baseada em especulações hipotéticas”.

    Como alternativa, o Cecafé aposta na parceria entre Imetame Porto Aracruz e Hanseatic Global Terminals (HGT), subsidiária do armador holandês Hapag-Lloyd, para atrair cargas de café para o Espírito Santo e desafogar o Porto de Santos.

    “O Cecafé seguirá empenhando esforços para buscar diminuir os riscos e prejuízos ao comércio exportador de café do Brasil”, finaliza Eduardo Heron.

  • Agronegócio paulista registra superávit de US$ 21 bilhões em 2025

    Agronegócio paulista registra superávit de US$ 21 bilhões em 2025

    O agronegócio paulista fechou os primeiros onze meses de 2025 com um superávit comercial de US$ 21,07 bilhões, consolidando São Paulo como um dos principais polos de exportação agrícola do Brasil. Os dados revelam que as exportações do setor somaram US$ 26,35 bilhões, enquanto as importações totalizaram US$ 5,28 bilhões no período.

    As vendas externas do agronegócio representaram 40,6% do total exportado pelo estado paulista entre janeiro e novembro, demonstrando a relevância do setor para a economia regional. Já as importações agrícolas corresponderam a 6,6% do volume total importado por São Paulo no mesmo período.

    Políticas públicas impulsionam resultados

    Segundo o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Guilherme Piai, o desempenho positivo é resultado de investimentos estratégicos em ciência, infraestrutura e desburocratização.

    “O desempenho do agro paulista mostra que São Paulo está na direção certa. Investir em ciência, infraestrutura, desburocratização e competitividade. Assim, São Paulo alcança um superávit de US$ 21 bilhões porque tem produtores qualificados e políticas públicas que dão segurança e liberdade para produzir”, afirmou Piai.

    O secretário também destacou expectativas positivas para o fechamento de 2025 e para o desempenho do setor em 2026.

    Complexo sucroalcooleiro lidera exportações

    O complexo sucroalcooleiro manteve-se como principal produto da pauta exportadora paulista, respondendo por 31,3% das vendas externas do agronegócio estadual, com receita de US$ 8,2 bilhões. Dentro deste segmento, o açúcar representou 93% do total, enquanto o álcool etílico (etanol) correspondeu aos 7% restantes.

    O setor de carnes ocupou a segunda posição no ranking, com 15,2% de participação e US$ 4 bilhões em exportações. A carne bovina foi responsável por 85,1% desse montante.

    Os produtos florestais ficaram em terceiro lugar, com 10,5% de participação e US$ 2,7 bilhões exportados. A celulose representou 56,2% desse total, seguida pelo papel, com 35,1%.

    O segmento de sucos alcançou 9,9% das exportações, totalizando US$ 2,6 bilhões, dos quais 97,8% referem-se ao suco de laranja. Já o complexo soja registrou 8,6% de participação, com US$ 2,2 bilhões exportados – sendo 78,3% em soja em grão e 16,1% em farelo de soja.

    Juntos, esses cinco grupos representaram 75,5% das exportações do agronegócio paulista no período.

    Café ganha destaque com crescimento de 39%

    O café apareceu na sexta posição da pauta exportadora, com 6,2% de participação e receita de US$ 1,6 bilhão. O café verde respondeu por 76,7% desse valor, enquanto o café solúvel representou 19,5%.

    Na comparação com o mesmo período de 2024, o setor cafeeiro registrou o maior crescimento entre os principais produtos, com alta de 39,2% nas vendas. O setor de carnes também apresentou desempenho positivo, com aumento de 24,1%, assim como o complexo soja, que cresceu 1,3%.

    Por outro lado, o complexo sucroalcooleiro teve queda de 29,6%, produtos florestais recuaram 4,8% e o segmento de sucos registrou redução de 4,9% nas receitas de exportação.

    China lidera destinos das exportações paulistas

    A China consolidou-se como principal destino das exportações do agronegócio paulista, com 24,4% de participação. O país asiático importa principalmente produtos do complexo soja, carnes, açúcar e florestais de São Paulo.

    A União Europeia ocupou a segunda posição, com 14,3% de participação nas vendas externas, seguida pelos Estados Unidos, com 11,8%.

    Tarifas americanas impactam exportações

    As exportações para os Estados Unidos sofreram impacto significativo após a implementação de tarifas adicionais pelo país em agosto de 2025. Os dados mostram quedas progressivas nos embarques: 14,6% em agosto, 32,7% em setembro, 32,8% em outubro e 54,9% em novembro.

    “Até julho vínhamos com um resultado bastante positivo nas exportações para os Estados Unidos. Agosto ainda manteve o desempenho, mas a partir de setembro houve uma desaceleração que se acentuou em novembro”, explicou Carlos Nabil, diretor da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta).

    Nabil destacou que a queda foi parcialmente compensada pela diversificação de mercados, com aumento de vendas para China, México, Canadá, Argentina e União Europeia.

    Em 20 de novembro, o presidente Donald Trump anunciou a retirada de tarifas sobre produtos brasileiros como café, chá, frutas tropicais, sucos de frutas, cacau, especiarias, banana, laranja, tomate e carne bovina. A expectativa é de melhora no fluxo de embarques nos próximos meses.

    São Paulo é segundo maior exportador do agro nacional

    No cenário nacional, São Paulo manteve posição de destaque como segundo maior exportador do agronegócio brasileiro, respondendo por 17% das vendas externas do setor no país entre janeiro e outubro de 2025. O estado aparece logo atrás de Mato Grosso, que registrou 17,3% de participação.

    Sobre as perspectivas para 2026, Carlos Nabil ressaltou que as projeções dependem do comportamento das principais cadeias produtivas. “É algo que precisa ser analisado setor a setor, com base nas previsões específicas de cada safra”, afirmou.

  • Brasil colhe 56,5 milhões de sacas de café em 2025

    Brasil colhe 56,5 milhões de sacas de café em 2025

    A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que o Brasil colherá 56,5 milhões de sacas de café de 60 quilos em 2025. O resultado marca a terceira maior safra da série histórica da instituição e representa um crescimento de 4,3% em relação a 2024, mesmo em ano de bienalidade negativa para o arábica.

    O 4º Levantamento de Café 2025, divulgado nesta quinta-feira (4), mostra que a área em produção recuou 1,2% e chegou a 1,85 milhão de hectares. Porém, a produtividade média nacional subiu para 30,4 sacas por hectare, impulsionada principalmente pelo desempenho excepcional das lavouras de conilon.

    Conilon quebra recorde histórico com 20,8 milhões de sacas

    O conilon protagoniza a safra 2025 ao atingir 20,8 milhões de sacas, superando o recorde anterior de 18,2 milhões registrado em 2022. A produção da espécie avançou 42,1% em relação ao ano passado, beneficiada pela regularidade climática que favoreceu o vigor das plantas e gerou elevada carga produtiva.

    O Espírito Santo, maior produtor nacional de conilon, colhe 14,2 milhões de sacas — um salto de 43,8% sobre 2024. A Bahia projeta 3,29 milhões de sacas, crescimento expressivo de 68,7% na comparação anual. Rondônia espera produzir 2,32 milhões de sacas, alta de 10,8% frente à temporada anterior.

    Arábica recua 9,7% pressionado por bienalidade e seca

    O arábica enfrenta um ciclo desafiador em 2025. A bienalidade negativa, somada aos períodos de escassez hídrica durante a safra, reduziu o potencial produtivo das lavouras. A área em produção caiu 1,5%, atingindo 1,49 milhão de hectares, enquanto a produtividade média despencou 8,4%, chegando a 24,1 sacas por hectare.

    Com isso, a colheita do arábica totaliza 35,76 milhões de sacas, queda de 9,7% em relação à safra anterior.

    Minas Gerais, principal estado produtor do país, colheu 25,17 milhões de sacas de arábica — retração de 9,2% provocada pelo ciclo de bienalidade negativa e pelo longo período de seca antes da floração. A colheita finalizou em setembro.

    São Paulo registra 4,7 milhões de sacas, recuo de 12,9% atribuído aos efeitos da baixa bienalidade e ao clima adverso, marcado por estiagem e altas temperaturas. Na contramão, a Bahia apresenta crescimento de 2,5%, alcançando 1,14 milhão de sacas, com destaque para a região do Cerrado, que avançou 18,5%.

    Exportações batem recorde em valor apesar de volume menor

    O Brasil exportou cerca de 34,2 milhões de sacas de café entre janeiro e outubro de 2025, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O volume representa queda de 17,8% na comparação com o mesmo período de 2024.

    A redução ocorre principalmente pela limitação dos estoques internos no início do ano, após o embarque recorde de 50,5 milhões de sacas em 2024.

    Apesar do volume menor, as exportações brasileiras de café somaram US$ 12,9 bilhões no acumulado dos dez primeiros meses de 2025, superando o total exportado nos 12 meses de 2024. O país estabelece um novo recorde anual mesmo sem contabilizar os dados do último bimestre.

    O crescimento no valor das exportações resulta do aumento dos preços médios do café no mercado internacional em 2025, que compensou a redução na quantidade embarcada.

    Estoque mundial atinge menor nível em 25 anos

    Análises do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) preveem aumento na produção mundial de café na safra 2025/26. No entanto, especialistas não esperam reduções expressivas nas cotações devido ao baixo patamar do estoque remanescente do ciclo anterior.

    O estoque mundial no início da safra 2025/26 é o mais baixo dos últimos 25 anos, estimado em 21,8 milhões de sacas de 60 quilos.