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  • Especiarias amazônicas conquistam mercados na Europa, Ásia e Oriente Médio

    Especiarias amazônicas conquistam mercados na Europa, Ásia e Oriente Médio

    Mais de 50 empresas brasileiras participam nesta semana da edição Amazônia do Exporta Mais Brasil, no Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA), em Manaus.

    A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) é quem promove a iniciativa, que reúne 13 compradores internacionais de 11 países interessados em ampliar seus fornecedores.

    Compradores da Argentina, China, Colômbia, Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos, Israel, Itália, Líbano, Países Baixos, República Tcheca e Rússia buscam produtos como açaí, café, castanha-do-brasil, frutas processadas, pescado amazônico e outras proteínas animais.

    Trabalho de inteligência comercial aproxima Brasil e Europa

    Vincent Furlan, especialista do escritório da ApexBrasil em Bruxelas, atribui essa aproximação ao trabalho de inteligência comercial que a Agência desenvolve no Brasil e no exterior.

    “Primeiro, precisamos identificar fornecedores amazônicos capazes de atender às exigências dos compradores europeus. A ApexBrasil conhece as empresas brasileiras. E ao mesmo tempo, nossa equipe em Bruxelas conhece as demandas do mercado europeu e mantém relacionamento com esses compradores”, afirma Furlan.

    Segundo ele, esse trabalho permitiu trazer empresas da República Tcheca, dos Países Baixos e da Itália interessadas em superfoods amazônicos, produtos que ganham valorização crescente na Europa por seus atributos nutricionais e de saúde.

    Furlan destaca ainda que, além da qualidade dos produtos, fatores como rastreabilidade, certificações e sustentabilidade decidem a conquista de espaço no mercado europeu.

    “O comprador europeu quer conhecer a história do produto, saber como ele foi produzido e quais benefícios oferece. Certificações e sustentabilidade são aspectos fundamentais para quem deseja acessar esse mercado.”

    Foto: ApexBrasil

    Rodada facilita contato direto entre empresas e compradores

    Para as empresas brasileiras, o Exporta Mais Brasil reúne, em um único ambiente, compradores efetivamente interessados em determinados produtos e mercados. Esse formato reduz custos de prospecção e acelera a abertura de novos negócios.

    A Polpa Norte, empresa especializada na produção de açaí, sorvetes e polpas de frutas amazônicas, exporta atualmente para cerca de 20 países e participa das ações da ApexBrasil há mais de duas décadas. Renato Geller, diretor de exportação da empresa, explica que a rodada facilita o contato direto com compradores qualificados.

    “A grande dificuldade é identificar o comprador que realmente tem interesse no seu produto. A vinda desses compradores para a região é muito interessante porque concentra empresas que já atuam no segmento e permite realizar reuniões com representantes de diversos mercados em um único lugar”, diz Geller.

    Conhecer a origem dos produtos faz diferença

    Para os compradores, visitar as empresas e acompanhar de perto os processos produtivos representa um diferencial importante na construção de novos negócios.

    Lourdes Vignolo, diretora da empresa holandesa NH Superfoods, destaca que as visitas permitem verificar aspectos fundamentais para atender às exigências do mercado europeu.

    “É muito importante que a ApexBrasil organize esses encontros porque essa é a melhor maneira de conhecer os produtores e as instalações. Assim conseguimos entender como os alimentos são produzidos. Além de verificar os processos, o controle de qualidade e os padrões de segurança alimentar que buscamos na Europa”, afirma.

    Segundo Lourdes, o contato direto com as empresas brasileiras também fortalece a construção de relações comerciais de longo prazo e amplia a confiança entre compradores e fornecedores. Especialmente em um mercado que valoriza cada vez mais a origem, a rastreabilidade e a sustentabilidade dos produtos.

    Plano de R$ 210 milhões busca diversificar mercados após tarifas dos EUA

    A edição Amazônia do Exporta Mais Brasil acontece um dia após o lançamento do Plano de Diversificação de Exportações, que a ApexBrasil apresentou em São Paulo. A iniciativa prevê R$ 210 milhões em investimentos para apoiar até 5.300 empresas brasileiras impactadas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos, por meio de ações voltadas à abertura de novos mercados.

    A estratégia contempla 36 mercados prioritários e combina rodadas de negócios, participação em feiras internacionais, consultorias especializadas, bolsas de exportação e atendimento individualizado para ampliar a presença das empresas brasileiras no comércio internacional.

    A trajetória da Castanhas Ouro Verde, participante desta edição do Exporta Mais Brasil, ilustra como a diversificação de mercados pode fortalecer a competitividade das empresas brasileiras diante das mudanças no comércio internacional. Lucas Santana, representante da empresa, conta que os Estados Unidos chegaram a ser o principal destino das exportações da empresa. Mas as tarifas impostas pelo governo norte-americano aceleraram a busca por novos mercados.

    “Os Estados Unidos já foram nosso maior mercado e as tarifas tiveram um impacto muito grande para a empresa. Ficamos quatro meses sem vendas, mas isso também nos levou a buscar novos clientes. Hoje crescemos muito na União Europeia, no Oriente Médio e em outros mercados. A ApexBrasil sempre foi nosso braço direito na área comercial. Um dos eventos que mais impulsionou nossa expansão foi justamente uma edição do Exporta Mais Brasil promovida pela Apex”, relata Santana.

    Manaus recebe o Conexões Produtivas na sexta-feira

    A programação da ApexBrasil em Manaus segue na sexta-feira (14) com o Conexões Produtivas: Oportunidades para a Indústria no Acordo Mercosul-União Europeia — Edição Manaus.

    O encontro será promovido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a ApexBrasil e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), e reunirá representantes para discutir as oportunidades abertas pelo acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.

    Entre os destaques estão painéis sobre inteligência de mercado, demandas do mercado europeu, oportunidades para empresas da Amazônia e estratégias para ampliar a inserção de produtos brasileiros no comércio internacional.

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  • Surto de febre aftosa na China acende alerta na carne

    Surto de febre aftosa na China acende alerta na carne

    Um novo surto de febre aftosa levou a China a adotar medidas emergenciais para conter a disseminação da doença.

    Entre as ações, o país intensificou o controle sanitário nas fronteiras e iniciou o abate de animais infectados ou sob suspeita. Além disso, autoridades ampliaram a vigilância em regiões consideradas de maior risco.

    Esse tipo de resposta é comum em casos de febre aftosa. Isso porque a doença apresenta alta capacidade de transmissão e pode causar prejuízos significativos à pecuária.

    Doença preocupa cadeia produtiva

    A febre aftosa afeta bovinos, suínos, ovinos e outros animais de produção. Embora raramente atinja humanos, seus impactos econômicos são severos.

    Quando um surto é confirmado, países costumam restringir o trânsito de animais e produtos de origem animal. Dessa forma, o comércio internacional pode sofrer interrupções imediatas.

    Além disso, o abate sanitário reduz rapidamente a oferta interna de carne, o que pressiona preços e altera a dinâmica do mercado.

    Impactos já são monitorados no mercado global

    O avanço da doença na China acende um alerta global. Como um dos maiores consumidores de carne do mundo, qualquer alteração em sua produção interna gera reflexos diretos no comércio internacional.

    Por um lado, a redução da oferta doméstica pode aumentar a demanda por importações. Nesse cenário, países exportadores tendem a se beneficiar.

    Por outro lado, restrições sanitárias e incertezas logísticas podem gerar volatilidade nos preços.

    Brasil pode ser impactado

    O Brasil, um dos maiores exportadores de carne bovina do mundo, acompanha o cenário com atenção.

    Se a China ampliar suas importações, o país pode ganhar espaço no mercado externo. No entanto, qualquer risco sanitário exige cautela.

    Além disso, o histórico recente mostra que crises sanitárias costumam provocar reações rápidas nos fluxos comerciais. Por isso, o setor monitora cada movimento com cautela.

    Controle sanitário ganha ainda mais importância

    Diante do cenário, especialistas reforçam a importância da vigilância sanitária e da rastreabilidade dos rebanhos.

    Países com sistemas de controle mais rigorosos tendem a responder melhor a crises desse tipo. Além disso, conseguem manter a confiança dos mercados internacionais.

    No caso do Brasil, o status sanitário é um dos principais ativos do agronegócio. Portanto, manter esse padrão se torna ainda mais estratégico.

    Cenário exige atenção nos próximos meses

    Embora a situação ainda esteja em evolução, o surto já influencia decisões no setor.

    Produtores, exportadores e governos acompanham de perto os desdobramentos. Isso porque mudanças na China costumam reverberar rapidamente no mercado global.

    Por fim, o episódio reforça um ponto central do agronegócio moderno: sanidade animal não é apenas uma questão de saúde, mas também de competitividade e acesso a mercados.

  • TCU classifica como ilegal restrições no leilão do Tecon Santos 10

    TCU classifica como ilegal restrições no leilão do Tecon Santos 10

    O leilão do novo terminal de contêineres no Porto de Santos (Tecon Santos 10) está no centro de uma disputa que pode custar bilhões ao Brasil. Entidades representativas de exportadores e importadores cobram a realização de um certame aberto e sem restrições, alertando que o formato proposto pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) é ilegal e pode resultar em judicialização do processo.

    Em relatório de 203 páginas, a Unidade de Auditoria Especializada em Infraestrutura Portuária e Ferroviária (AudPortoFerrovia) do Tribunal de Contas da União classificou como “ilegal” o modelo de leilão em duas fases proposto pela ANTAQ, que veta a participação de operadores já atuantes no Porto de Santos.

    A análise técnica do TCU rejeitou os argumentos do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) e da ANTAQ, considerando-os “poucos argumentos novos” e “incapazes de alterar o encaminhamento sugerido”. Segundo o relatório, a decisão da agência reguladora desrespeita princípios constitucionais da ampla concorrência e proporcionalidade, baseando-se em “riscos e premissas hipotéticas”.

    Setores produtivos alertam para prejuízos bilionários

    O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) e a Associação Logística Brasil manifestaram publicamente apoio à instrução do TCU. As entidades representam diversos segmentos do agronegócio que dependem da logística portuária, incluindo exportadores de café, açúcar, algodão e celulose.

    “Esse é um tema de interesse de todos os exportadores brasileiros que precisam de logística eficiente e infraestrutura adequada para destravar o Porto de Santos”, afirma Eduardo Heron, diretor técnico do Cecafé. Ele destaca que o esgotamento da infraestrutura portuária já causa prejuízos acumulados aos embarcadores.

    Restrições podem reduzir arrecadação em R$ 1 bilhão

    André de Seixas, diretor-presidente da Associação Logística Brasil, questiona a lógica econômica das restrições propostas. “O que notamos é a sanha para se ter um leilão custando cerca de R$ 1 bilhão a menos, a partir do momento em que se excluiu empresas que têm apetite de competir”, critica.

    Para Seixas, o processo sofreu “diversos atropelos procedimentais” dentro da ANTAQ, com interferência política sobrepondo-se aos aspectos técnicos. “O que não se pode aceitar é a política interferir na parte técnica, criando um ambiente conflituoso”, alerta.

    Risco de judicialização e mais atrasos

    As entidades temem que a manutenção do formato restritivo leve à judicialização do leilão, postergando ainda mais a ampliação da capacidade portuária. O certame já deveria ter ocorrido, mas foi adiado devido a questionamentos sobre o modelo proposto.

    “Já vislumbramos atrasos e mais prejuízos aos usuários e à sociedade, a partir do iminente risco de judicialização deste leilão, algo totalmente desnecessário”, conclui Seixas.

    CADE já afastou premissas da ANTAQ

    O relatório do TCU reforça que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) já afastou, em inquéritos administrativos, muitas das premissas hipotéticas utilizadas pela ANTAQ para justificar as restrições. Segundo a auditoria, “a adoção de medidas restritivas deve estar ancorada em um juízo de razoável certeza sobre sua efetividade e não apenas em cenários hipotéticos ou especulativos”.

    Eduardo Heron, do Cecafé, contesta a narrativa de “defesa do interesse público” utilizada para justificar as restrições. “As transações comerciais geradas pelo comércio exterior brasileiro também são de interesse do país, pois geram riqueza, renda e emprego em todos os setores da economia”, argumenta.

    O executivo questiona: “Por que a autoridade pública se propõe a restringir a participação no leilão de empresas experientes e interessadas no certame, renunciando o grande potencial arrecadatório, quando se busca aumentar as arrecadações do país?”

    Investimentos da Autoridade Portuária são reconhecidos

    Apesar das críticas ao modelo de leilão, o Cecafé reconhece os esforços da Autoridade Portuária de Santos (APS) em outros projetos, como a contratação para aprofundamento do calado, a proposta de terceira via de descida da Rodovia dos Imigrantes e a implementação da segunda alça de acesso ao embarcadouro.

    As entidades defendem a realização do leilão do Tecon Santos 10 ainda em 2025, em formato irrestrito e em fase única, conforme recomendação da Unidade Técnica do TCU. A expectativa é que operadores portuários experientes, incluindo grandes empresas internacionais, possam participar livremente do certame, garantindo maior competitividade e investimentos robustos no Porto de Santos.