Tag: exportação agrícola

  • Vendas de máquinas agrícolas caem 22,3% em junho, diz Abimaq

    Vendas de máquinas agrícolas caem 22,3% em junho, diz Abimaq

    As vendas da indústria de máquinas e equipamentos agrícolas somaram R$ 4,97 bilhões em junho de 2026, uma queda de 22,3% em relação a junho de 2025. Na comparação com maio deste ano, porém, houve alta de 8,3%. Os dados foram divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

    No acumulado do primeiro semestre de 2026, o setor totalizou R$ 26,64 bilhões, recuo de 21,3% frente ao mesmo período de 2025.

    Por que as vendas travaram

    Segundo Pedro Estevão Bastos, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA) da Abimaq, junho e julho costumam ser meses de transição por causa da virada do Plano Safra.

    “Principalmente neste ano, com juros menores do novo plano em relação ao ano passado, isso acabou travando as compras”, afirmou Bastos.

    O motivo está na mudança de programa de crédito. No ano passado, o Moderfrota oferecia juros de 13,5%. O novo programa, Já o Move Agricultura tem juros de 9,2%.

    “Os produtores esperam a entrada em vigor dessas condições para comprar máquinas”, destacou o executivo.

    Exportações em alta

    Na contramão do mercado interno, as exportações do setor cresceram:

    • Junho de 2026: US$ 160,67 milhões, alta de 17,2% sobre junho de 2025 e de 20,9% sobre maio de 2026
    • Acumulado do 1º semestre: US$ 876,6 milhões, 17,5% acima do mesmo período de 2025

    Já as importações também subiram no comparativo mensal, mas recuaram no semestre:

    • Junho de 2026: US$ 124,4 milhões, alta de 17,7% sobre junho de 2025
    • Acumulado do 1º semestre: US$ 626,07 milhões, queda de 4,7% ante 2025

    Tratores

    • 3.146 tratores vendidos a usuários finais em junho, queda de 20,8% na comparação anual
    • 3.636 unidades vendidas de fábrica, recuo de 20,7%
    • 620 tratores exportados, alta de 50,9% frente a junho de 2025

    Colheitadeiras

    • 140 unidades vendidas a usuários finais, queda de 41,4% na comparação anual
    • 78 unidades vendidas de fábrica, recuo de 78,7%
    • 15 colheitadeiras exportadas, 37,5% a menos que em junho de 2025

    O que esperar para 2026?

    A Abimaq mantém a projeção de queda de 20% nas vendas do setor neste ano, divulgada no mês anterior.

    “Se a situação parar de piorar, devemos fechar o ano com queda de 20%, o que ainda é bastante expressivo. Isso ocorre em função da baixa rentabilidade das principais lavouras. Com margens menores, o produtor adia os investimentos e deixa de comprar máquinas”, explicou Bastos.

  • Não é só bola: como a França se tornou potência do agronegócio mundial

    Não é só bola: como a França se tornou potência do agronegócio mundial

    A França entrou em campo e derrotou o Marrocos, se classificando para a semi final da Copa pela terceira vez seguida. E podendo também chegar à final três copas seguidas, como fez o Brasil em 1994, 1998 e 2002.

    Mas o desempenho da seleção francesa nos gramados americanos esconde outra faceta do país que poucos torcedores brasileiros conhecem: a França também figura entre as maiores potências agrícolas do mundo, e negocia diretamente com o Brasil produtos que vão do trigo à carne bovina.

    A liderança agrícola da União Europeia

    A França concentra cerca de 18% de toda a produção agrícola da União Europeia, à frente de países como Alemanha e Itália. O país ocupa a posição de maior produtor agrícola do bloco europeu, com ampla diversidade de produtos voltados tanto à exportação quanto ao consumo interno.

    Os franceses dominam mercados globais específicos: detêm a maior produção mundial de linho, a maior exportação mundial de batatas, a maior produção mundial de vinhos e a maior exportação de malte para a fabricação de cervejas. No trigo, a França ocupa a sexta posição entre os maiores produtores mundiais, com cerca de 36 milhões de toneladas colhidas por safra.

    Fazenda na França
    Vale de Campan/ Occitanie, França. Foto: Miguel Angel/Flickr

    O setor também sustenta as contas externas do país. A França ocupa o segundo lugar mundial na exportação de serviços e produtos agrícolas, e o agronegócio garante ao país o terceiro maior superávit comercial francês, de € 7,8 bilhões. As lavouras e fazendas ocupam cerca de 52% do território nacional e empregam aproximadamente 827 mil pessoas em 437 mil propriedades rurais.

    Além disso, os números recentes reforçam essa força. Em 2025, as exportações agrícolas de Alemanha e França somadas cresceram, em média, 8% e somaram US$ 213,5 bilhões. Isso é o equivalente a 27% de tudo o que a União Europeia exportou no setor em 2024. No mesmo período, o agronegócio brasileiro também avançou: as exportações do setor fecharam 2025 com recorde de US$ 169 bilhões e superávit de US$ 149,07 bilhões.

    O que Brasil e França trocam no agro

    A relação comercial entre os dois países combina parceria histórica e disputa por espaço. Brasil e França celebraram, em 2025, 200 anos de relações diplomáticas, e o governo francês já sinalizou interesse em ampliar investimentos no mercado brasileiro. No campo agrícola, porém, o volume de comércio direto ainda é modesto: a França responde por uma fatia pequena das exportações agropecuárias brasileiras, enquanto o Brasil vende ao país europeu principalmente farelo de soja e outros insumos para alimentação animal.

    exportações
    Foto: Divulgação Governo SP

    Além disso, o setor também vive momentos de tensão. Produtores franceses lideram a resistência ao acordo de livre-comércio entre União Europeia e Mercosul, temendo a concorrência brasileira. A rede Carrefour chegou a suspender a compra de carne de países do Mercosul em solidariedade aos agricultores franceses. Uma decisão que gerou resposta imediata de frigoríficos brasileiros, que suspenderam vendas para toda a rede, incluindo Sam’s Club e Atacadão. O episódio expôs uma assimetria: o rebanho bovino brasileiro deve chegar a 235,70 milhões de cabeças em 2025, contra 72,30 milhões de toda a União Europeia.

    Mesmo assim, especialistas apontam contradições no discurso francês. Apesar de se posicionar como potência agrícola autossuficiente, a França importa cerca de 20% dos alimentos consumidos internamente, e essa importação praticamente dobrou nos últimos vinte anos. O texto também revela que os produtores brasileiros competem no mercado e assumem riscos sem receber subsídios, ao contrário dos agricultores europeus.

    Um país, duas seleções vencedoras

    A campanha de Mbappé e companhia no Mundial dos Estados Unidos, México e Canadá coloca a França novamente sob os holofotes do esporte. Mas os números do campo mostram que o país joga, e vence, outra partida havia tempos. A da produção de alimentos, vinhos e insumos que abastecem o mundo.

    Para o Brasil, gigante agrícola do hemisfério sul, a França representa ao mesmo tempo parceiro comercial, concorrente direto e um espelho de como um país pequeno em território consegue competir entre os líderes globais do agro.

  • SC tem o 5º maior agronegócio do Brasil e lidera país em agroindustrialização

    SC tem o 5º maior agronegócio do Brasil e lidera país em agroindustrialização

    O agronegócio de Santa Catarina voltou a ganhar destaque nacional após a divulgação do Mapa do Agro Catarinense 2026, estudo lançado pela FACISC nesta quinta-feira (28), em Florianópolis. O levantamento revela que o estado ocupa atualmente a 5ª posição entre os maiores agronegócios do Brasil, ficando atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul.

    Com uma produção estimada em R$ 144 bilhões, Santa Catarina já representa 6% de todo o agronegócio brasileiro. Além disso, o estado apresentou crescimento acima da média nacional nos últimos anos, reforçando sua relevância econômica no setor.

    Segundo os dados divulgados, o agronegócio responde por 35% da economia catarinense, movimenta aproximadamente 470 mil empresas, gera emprego para 1,6 milhão de pessoas e ainda contribui com cerca de R$ 12 bilhões em arrecadação estadual.

    O presidente da FACISC, Elson Otto, afirmou que o estudo comprova a força produtiva catarinense mesmo diante da concorrência com estados territorialmente maiores.

    Agroindústria fortalece modelo catarinense

    O levantamento aponta que um dos maiores diferenciais de Santa Catarina está justamente na forte presença da agroindústria. Diferentemente de estados como Mato Grosso e Goiás, onde a produção primária concentra a maior parte da atividade econômica, o modelo catarinense aposta na agregação de valor.

    Atualmente, cerca de 40% do agronegócio catarinense está diretamente ligado à indústria, o maior índice entre os principais estados produtores do país.

    O diretor de Agronegócio e Ferrovias da FACISC, Lenoir Broch, ressaltou que essa característica tornou o estado mais competitivo e resiliente.

    “Santa Catarina construiu um modelo baseado em agregação de valor. O estado não apenas produz, mas industrializa, exporta, desenvolve tecnologia e gera empregos em toda a cadeia produtiva. Isso torna o agro catarinense mais diversificado e resiliente”, afirmou.

    Além disso, o estudo mostra que Santa Catarina possui a 6ª maior quantidade de trabalhadores do agronegócio brasileiro, com 1,6 milhão de pessoas ocupadas no setor. Nos últimos dez anos, o número de empregos no agro cresceu 19%, o terceiro maior avanço nacional.

    Quando o índice é proporcionalmente comparado à população, o estado lidera o ranking brasileiro, com 195 trabalhadores do agronegócio para cada mil habitantes.

    Estado lidera produção em diversos segmentos

    O Mapa do Agro Catarinense também revela que Santa Catarina ocupa posição de liderança em pelo menos 12 segmentos produtivos. O estado responde atualmente por:

    • 50% da produção brasileira de maçã;
    • 23% da produção nacional de carne suína;
    • 86% da produção de ostras, vieiras e mexilhões;
    • 44% das conservas de peixe;
    • 64% do alvejamento e tingimento de fios e tecidos.

    Além disso, Santa Catarina ampliou investimentos em áreas consideradas menos tradicionais no agronegócio nacional. O estado se destaca em setores como maracujá, pêssego, ovos de codorna, alevinos, máquinas para alimentos, papel, confecção e indústria têxtil.

    Segundo o estudo, esses segmentos apresentam maior risco produtivo, porém oferecem elevado valor agregado e fortalecem a diversificação econômica catarinense.

    Exportações batem recorde histórico

    No cenário internacional, Santa Catarina alcançou resultados históricos. O estado aparece como o 8º maior exportador do agronegócio brasileiro e figura entre os cinco maiores exportadores quando considerada apenas a agroindústria.

    Em 2025, o agronegócio catarinense registrou um recorde de US$ 8,4 bilhões em exportações. O desempenho ocorreu mesmo diante do chamado tarifaço imposto pelos Estados Unidos e dos embargos chineses sobre proteínas animais.

    Ainda assim, o estado ampliou vendas para mercados da América do Sul e do Oriente Médio. Além disso, recuperou níveis importantes de exportação para continentes como Europa, África e Oceania.

    Santa Catarina também ocupa a segunda posição nacional em importações do setor, com cerca de US$ 7,3 bilhões em compras internacionais. O estado concentra grande parte da entrada de fertilizantes e insumos industriais utilizados não apenas localmente, mas também em outras regiões do país.

    A economista da FACISC, Mariana Guedes, destacou que a diversidade produtiva catarinense fortalece a competitividade internacional.

    “O diferencial de Santa Catarina está na diversidade produtiva e na capacidade de industrialização. Todas as regiões do estado se destacam na produção nacional em vários setores, o que amplia a competitividade internacional e faz o estado se beneficiar de diferentes ciclos econômicos, com a capacidade de atender vários mercados ao mesmo tempo, com altas exigências sanitárias e qualidade ímpar”, explicou.

    Tecnologia impulsiona competitividade no campo

    O estudo também apontou o avanço tecnológico do agronegócio catarinense. Atualmente, Santa Catarina possui 85 startups agtechs e ocupa a 7ª posição nacional nesse segmento.

    Quando o foco recai sobre empresas que desenvolvem softwares voltados ao agro, o estado sobe para a 4ª colocação nacional, atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco.

    Segundo o levantamento, o ecossistema catarinense se destaca por criar soluções tecnológicas voltadas a problemas reais do produtor rural, com potencial de expansão em larga escala.

    As startups estão distribuídas em diferentes regiões do estado, com destaque para Florianópolis, Chapecó, Concórdia, Lages e Joinville.

    Estudo alerta para desafios do setor

    Apesar dos resultados positivos, o Mapa do Agro Catarinense também chama atenção para alguns desafios enfrentados pelo setor. Eventos climáticos extremos, gargalos logísticos e altos custos de produção fizeram Santa Catarina perder posições nacionais em culturas como cebola, alho, tomate, milho, uva e pêssego.

    O estudo destaca ainda a necessidade de ampliar políticas de prevenção climática e facilitar o acesso a insumos biotecnológicos, produzidos com matérias-primas menos dependentes dos grãos tradicionais e menos vulneráveis às oscilações do mercado internacional.

    Mesmo diante desses obstáculos, Santa Catarina registrou recordes de produção, emprego e comércio exterior entre 2024 e 2025, reforçando a capacidade de adaptação do setor.

  • RS projeta safra recorde de noz-pecã e reforça liderança nacional

    RS projeta safra recorde de noz-pecã e reforça liderança nacional

    O Rio Grande do Sul, responsável por cerca de 90% da produção de noz-pecã consumida no Brasil, caminha para registrar uma safra histórica em 2026. A estimativa da Emater/RS-Ascar aponta para uma colheita de 8 mil toneladas, volume muito superior às 5,2 mil toneladas alcançadas no ciclo anterior.

    De acordo com o gerente regional da Emater, Guilherme Passamani, as condições climáticas favoreceram o desenvolvimento das lavouras e impulsionaram o resultado esperado. Segundo ele, as chuvas ocorreram em períodos estratégicos, o que contribuiu diretamente para a formação da supersafra observada neste ano.

    Além das precipitações regulares, os produtores também se beneficiaram de dias ensolarados e ventos leves durante as fases de brotação e floração das nogueiras. Esse cenário criou condições ideais para elevar a produtividade dos pomares. Enquanto isso, a colheita segue até junho e ocorre de maneira mecanizada, com máquinas que sacodem as árvores para derrubar os frutos.

    Cultivo exige cuidados

    Na região Central do estado, uma propriedade localizada em Santa Maria mantém cerca de 20 mil nogueiras distribuídas em 120 hectares. Depois da colheita, os produtores encaminham as nozes para etapas de limpeza, seleção e classificação por tamanho.

    O produtor Eduardo Klumb ressalta que o manejo adequado tem papel decisivo no desempenho das plantações. Segundo ele, além de aproveitar os anos de maior produtividade, o cultivo exige adubação constante e aplicação correta de defensivos agrícolas para garantir bons resultados.

    Atualmente, Cachoeira do Sul, Dom Pedrito, Anta Gorda e Santa Maria concentram as maiores áreas de cultivo de noz-pecã no Rio Grande do Sul. Com o bom desempenho das lavouras, o setor acredita que novos produtores devem investir na cultura, ao mesmo tempo em que o mercado tende a ampliar sua demanda.

    Hoje, a Itália lidera as compras da noz-pecã produzida no estado, e a expectativa dos produtores segue positiva para os próximos anos. O presidente do Instituto Brasileiro de Pecan (IBPecan), Instituto Brasileiro de Pecan, Claiton Wallauer, afirma que o Rio Grande do Sul já possui entre 8 mil e 9 mil hectares plantados com nogueira-pecã. Além disso, ele projeta que a produção nacional poderá ultrapassar 15 mil toneladas até 2030.

    O retorno financeiro da atividade também impulsiona a expansão da cultura no estado. Conforme observa Guilherme Passamani, muitos produtores que iniciam o cultivo acabam ampliando suas áreas devido aos resultados positivos, o que também incentiva novos investidores a ingressarem no setor.

  • Colheita de pimenta ganha mecanização inédita no Brasil

    Colheita de pimenta ganha mecanização inédita no Brasil

    A MIAC, empresa da Indústrias Colombo, lançou a BP Master, implemento agrícola que mecaniza a colheita da pimenta-do-reino. A novidade chega ao mercado em meio à expansão da cultura no Brasil, impulsionada pela valorização internacional e pela busca por maior eficiência produtiva. Além disso, o equipamento foi desenvolvido ao longo de três anos, com base em testes em campo e na demanda direta dos produtores.

    Atualmente, o Brasil ocupa a segunda posição global na produção de pimenta-do-reino, com cerca de 125 mil toneladas anuais, segundo o IBGE. Nos últimos anos, o valor da produção superou R$ 3,6 bilhões. Esse crescimento ocorreu principalmente devido à valorização do produto no mercado externo. Como resultado, a cultura ganhou relevância estratégica dentro das propriedades rurais.

    A produção se concentra, sobretudo, no Espírito Santo e no Pará, que juntos respondem por mais de 90% da safra nacional. Além desses estados, a Bahia também apresenta áreas relevantes. Grande parte do volume segue para exportação, principalmente para mercados da Ásia e da Europa. Dessa forma, a pimenta-do-reino se consolida como alternativa de diversificação, especialmente em regiões cafeeiras.

    “Com mais de 50 anos de atuação, a MIAC desenvolve tecnologias voltadas às culturas que exigem atenção às particularidades de cultivo e colheita. Por isso, estruturamos a BP Master a partir da realidade do produtor, com o objetivo de tornar a colheita mais eficiente e produtiva, preservando a qualidade dos grãos”, afirma Joel Backes, diretor Comercial da MIAC – Indústrias Colombo.

    Escassez de mão de obra acelera mecanização

    Apesar da relevância econômica, muitos produtores ainda realizam a colheita de forma manual. Nesse cenário, a atividade exige grande volume de trabalhadores. Ao mesmo tempo, a escassez de mão de obra no campo eleva os custos operacionais e dificulta a expansão da cultura.

    Equipamento para a colheita da pimenta-do-reino é inédito no mundo – Foto: Divulgação

    Diante desse desafio, a MIAC desenvolveu a BP Master com foco na mecanização do processo. Durante o desenvolvimento, a empresa realizou testes operacionais e promoveu ajustes técnicos diretamente com produtores. Assim, o equipamento passou a atender diferentes realidades produtivas com maior precisão.

    “O lançamento amplia nossa atuação em culturas com alto potencial de crescimento. Além disso, responde à demanda por tecnologias que aumentem a eficiência e garantam qualidade ao produto colhido”, complementa Backes.

    Tecnologia embarcada otimiza operação

    A BP Master opera acoplada ao trator e utiliza a tomada de potência (TdP) para acionamento. Para funcionar, o operador utiliza duas válvulas de controle remoto, responsáveis pelo acionamento do motor e dos cilindros hidráulicos.

    Segundo Hugo Matsuo, diretor de Inovação da Indústrias Colombo, o equipamento reúne soluções técnicas voltadas ao desempenho no campo. “O sistema inclui alimentação contínua por rolo e lona, além de mecanismo de trilha com rotor. Também conta com peneira de limpeza e elevador de canecas plásticas, o que garante separação eficiente e preservação dos frutos”, explica.

    Além disso, o implemento atende tanto pequenas áreas quanto operações de maior escala. Dessa maneira, o produtor reduz custos e otimiza o trabalho no campo. Ao mesmo tempo, a estrutura robusta facilita a operação e contribui para maior durabilidade do equipamento.

    Outro ponto relevante envolve a manutenção. O modelo apresenta componentes de fácil acesso, o que agiliza reparos e limpeza. Além disso, o sistema inclui um pulmão de ensaque, que organiza o fluxo de descarga durante a operação.

    Com cerca de 3,2 metros de altura, 3,8 metros de comprimento e 3,5 metros de largura, a BP Master já está disponível para comercialização no Brasil e no exterior. Assim, a expectativa é de que a tecnologia fortaleça a competitividade da pimenta-do-reino brasileira, ao mesmo tempo em que eleva os padrões de eficiência e qualidade no campo.

  • O Brasil vai entrar na disputa das terras raras? Entenda a estatal que mudará tudo

    O Brasil vai entrar na disputa das terras raras? Entenda a estatal que mudará tudo

    A proposta de criação da Terrabras, uma estatal voltada à exploração e à gestão de terras raras no Brasil, ganhou espaço no debate político e econômico após a apresentação de um projeto de lei na Câmara dos Deputados. A iniciativa é liderada pelo deputado Pedro Uczai (SC) e busca ampliar o controle estatal sobre minerais considerados estratégicos para o desenvolvimento nacional. As informações foram divulgadas pelo site oficial do PT na Câmara.

    As terras raras englobam um grupo de minerais essenciais para tecnologias modernas. Nesse sentido, elas entram na composição de equipamentos eletrônicos, sistemas de energia renovável, motores de alta eficiência e componentes industriais avançados.

    “Em vez de perpetuar a posição do país como mero fornecedor de insumos primários, a partilha da produção estimula a criação de uma indústria nacional sólida voltada para materiais estratégicos. Essa mudança de paradigma contribui para o desenvolvimento de cadeias produtivas complexas, gerando empregos qualificados, promovendo transferência de tecnologia e aumentando a competitividade da indústria brasileira no cenário internacional”, afirmou o parlamentar.

    Por que terras raras importam para o agronegócio

    O agronegócio depende cada vez mais de tecnologia embarcada, precisão operacional e eficiência energética. Assim, terras raras se tornam relevantes porque integram componentes de sensores, motores elétricos, drones agrícolas e sistemas de georreferenciamento.

    Fertilizantes e insumos de alta performance também dependem de cadeias minerais complexas. Nesse sentido, qualquer avanço na produção ou no refino desses elementos pode influenciar custos e disponibilidade de tecnologias usadas no campo.

    Incentivos à reciclagem e novas regras para exportação

    O projeto de lei também institui o Programa Nacional de Incentivo à Reciclagem de Materiais Críticos ou Estratégicos, com foco em reduzir a dependência de importações e estimular a inovação industrial no Brasil.

    Além disso, a proposta prevê um conjunto de incentivos fiscais para fortalecer a cadeia de reciclagem, incluindo redução de 50% no IPI para equipamentos do setor, isenção de PIS e Cofins sobre receitas provenientes de materiais reciclados e depreciação acelerada de ativos utilizados nessas operações.

    A proposta também endurece as regras de exportação de minerais estratégicos. Dessa forma, o texto proíbe o envio desses recursos para fins bélicos no exterior e exige certificação de uso civil por parte dos países importadores e prevê mecanismos de fiscalização mais rígidos, com possibilidade de cancelamento de licenças, aplicação de multas e comunicação a organismos internacionais em caso de descumprimento.

    Potenciais impactos econômicos e industriais no Brasil

    Caso avance, a criação da Terrabras pode fortalecer a capacidade do Brasil de agregar valor à sua produção mineral. Além disso, o país pode reduzir dependências externas em etapas críticas de processamento.

    Especialistas apontam que o maior desafio não está apenas na extração, mas principalmente no refino e na industrialização desses minerais. O projeto ainda enfrenta discussões no Congresso e entre diferentes setores da economia. Além disso, há preocupação sobre custos, eficiência e o papel do Estado em um mercado altamente tecnológico.

    O avanço da proposta dependerá da articulação política e da avaliação técnica sobre viabilidade econômica. Portanto, o tema tende a seguir em discussão nos próximos meses, especialmente diante do interesse global crescente por minerais críticos.

     

  • Brasil alcança produção recorde de 350,2 milhões de toneladas de grãos na safra 2024/25

    Brasil alcança produção recorde de 350,2 milhões de toneladas de grãos na safra 2024/25

    O Brasil estabeleceu um novo marco histórico na produção de grãos com a safra 2024/25, alcançando 350,2 milhões de toneladas, o que representa um crescimento expressivo de 16,3% em comparação ao ciclo anterior.

    O anúncio foi feito nesta quinta-feira (11) durante cerimônia na sede da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em Brasília, com a presença do ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, e do vice-presidente Geraldo Alckmin.

    O incremento de 49,1 milhões de toneladas na produção atual coloca o Brasil em posição ainda mais estratégica no cenário mundial do agronegócio. Segundo dados da Conab, as culturas de milho, soja, arroz e algodão foram responsáveis por aproximadamente 47 milhões de toneladas desse crescimento, evidenciando a diversificação e força do setor.

    “Como disse o presidente Lula, 2025 começa o ano da colheita. E que boa redundância é essa: falar em colheita farta”, destacou o ministro Carlos Fávaro durante o evento, ressaltando que os resultados são fruto de planejamento estratégico e políticas públicas eficazes.

    Agropecuária brasileira ultrapassa 1,2 bilhão de toneladas

    Além dos grãos, a produção agropecuária brasileira total em 2024/2025 superou a marca de 1,2 bilhão de toneladas. Incluindo aproximadamente 650 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, 70 milhões de toneladas de proteínas animais, 70 milhões de toneladas de frutas, além de celulose e outros produtos agrícolas.

    “Não se trata apenas dos 350 milhões de toneladas de grãos. Tudo isso sai do campo, abastece a mesa dos brasileiros. E também chega às mesas de consumidores em todo o mundo”, enfatizou Fávaro, destacando a importância do setor para a segurança alimentar nacional e internacional.

    O presidente da Conab, Edegar Pretto, apresentou três recordes específicos que contribuíram para o resultado extraordinário:

    • Soja: 171,47 milhões de toneladas (crescimento de 13,3%)
    • Milho: 139,47 milhões de toneladas (aumento superior a 20%)
    • Algodão em pluma: 4,06 milhões de toneladas (crescimento de 9,67%)

    Arroz apresenta recuperação significativa

    A produção de arroz alcançou 12,8 milhões de toneladas. Assim, registrando crescimento expressivo de 20,6% em relação à safra anterior, tornando-se a 4ª maior produção já registrada. O aumento reflete a expansão de 9,8% na área semeada e condições climáticas favoráveis, especialmente no Rio Grande do Sul, principal estado produtor.

    O crescimento da safra atual é atribuído à expansão de 1,9 milhão de hectares na área cultivada. Passando de 79,9 milhões para 81,7 milhões de hectares em 2024/25. As condições climáticas favoráveis, principalmente no Centro-Oeste com destaque para Mato Grosso, contribuíram para a recuperação da produtividade média nacional em 13,7%, estimada em 4.284 quilos por hectare.

    Trigo enfrenta desafios específicos

    Diferentemente das demais culturas, o trigo apresentou redução de 19,9% na área destinada ao plantio, totalizando 2,4 milhões de hectares. Apesar da recuperação na produtividade, que passou de 2.579 kg/ha para 3.077 kg/ha, a produção está estimada em 7,5 milhões de toneladas. Registrando queda de 4,5% em relação à temporada anterior.

    A Conab implementou nova metodologia baseada na integração de sensoriamento remoto e informações de campo para aprimorar as estimativas de produtividade da soja. A iniciativa incorpora sinais observados por satélite que refletem o vigor vegetativo das culturas, mantendo o conhecimento de campo e a experiência dos técnicos da companhia.

    A produção recorde de soja permite aumento nas exportações, com expectativa de comercialização de 106,25 milhões de toneladas no mercado internacional. Simultaneamente, o consumo interno deve alcançar 57 milhões de toneladas destinadas ao processamento doméstico. Com estoques de passagem estimados em 9,3 milhões de toneladas ao final do ciclo.

    O vice-presidente Geraldo Alckmin atribuiu o recorde à combinação de competência técnica, tecnologia avançada e políticas públicas eficazes. “A gente fica muito feliz e destaca o papel da Conab, uma política essencial para garantir preços mais estáveis e segurança alimentar”, ressaltou durante a cerimônia.

    O 12º Levantamento da Safra de Grãos 2024/25, com informações detalhadas sobre cultivo e condições de mercado das principais culturas nacionais, está disponível no site oficial da Conab para consulta pública.