Tag: Expodireto Cotrijal

  • Centro de formação rural deve capacitar 7 mil por ano no RS

    Centro de formação rural deve capacitar 7 mil por ano no RS

    A Case IH, marca da CNH Industrial, e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Rio Grande do Sul (Senar-RS) anunciaram uma parceria para ampliar o projeto Formação de Alta Performance. A iniciativa inclui a criação de um novo Centro de Formação Profissional Rural na cidade de Hulha Negra, com estrutura voltada à qualificação de operadores e técnicos do agronegócio. O anúncio foi formalizado durante a Expodireto Cotrijal 2026, realizada em Não-Me-Toque.

    O encontro que oficializou a cooperação reuniu o superintendente do Senar-RS, Eduardo Condorelli; o diretor comercial da Case IH Brasil, Denny Perez; e o gerente de Treinamentos da Case IH para a América Latina, Gabriel Vieira. A parceria busca responder a uma demanda crescente do setor por profissionais qualificados para operar equipamentos agrícolas cada vez mais tecnológicos.

    Segundo Perez, a capacitação profissional tornou-se um desafio estratégico para o agronegócio. “Sabemos das dificuldades que nossos clientes têm para encontrar mão de obra comprometida. Por isso, buscamos ampliar cada vez mais nosso projeto de capacitação profissional. O Senar tem sido um parceiro importante nesse processo. Fortalecer o ensino de qualidade é essencial para garantir produtividade, segurança operacional e alta performance no cenário atual”, afirmou.

    Condorelli destacou que a iniciativa reforça o papel da formação técnica no campo. “Nesse sentido, uma parceria com a Case IH representa um avanço importante para preparar profissionais capazes de operar máquinas e tecnologias de última geração. Nosso objetivo é oferecer capacitação conectada às necessidades do produtor rural e às transformações que o agronegócio vem vivendo”, disse.

    Estrutura e formação técnica

    O novo centro de formação contará com uma área total de quase 36 hectares. Dentro desse espaço, a Case IH terá uma área exclusiva dedicada ao treinamento técnico. O local deverá reunir infraestrutura para aulas teóricas e práticas, incluindo áreas destinadas à operação e ao manejo de máquinas agrícolas.

    Além disso, a previsão é que o complexo comece a operar ainda no primeiro semestre deste ano. O modelo de capacitação prevê suporte completo aos alunos, com transporte, alimentação, hospedagem e organização pedagógica oferecidos pela instituição. A estimativa é atender cerca de 7 mil estudantes por ano.

    Entre os equipamentos disponíveis para treinamento estarão máquinas da nova geração da marca, como a colheitadeira Axial-Flow Série 160 Automation, o pulverizador Patriot Série 50, além de drones de aplicação e tratores das linhas Farmall tractor series, Puma tractor series e Magnum tractor series.

    Foto: Reprodução/ Divulgação CASE IH

    De acordo com Perez, a companhia pretende investir aproximadamente R$ 9 milhões nesta fase do projeto, incluindo máquinas, tecnologias e a disponibilização de equipes técnicas para formar instrutores na região. “A Case IH assume como missão preparar o mercado de trabalho para toda essa tecnologia que entrega ao produtor rural”, afirmou.

    Expansão do projeto de capacitação

    O programa Formação de Alta Performance faz parte da estratégia da empresa para ampliar a qualificação profissional no setor agrícola. A marca já realizava treinamentos voltados aos clientes por meio da rede de concessionárias, mas decidiu expandir o modelo para a sociedade em 2022.

    Naquele ano, a companhia firmou uma parceria com o Senai e o Senar no estado de Mato Grosso, dando início à nova fase do projeto. Dois anos depois, em 2024, a iniciativa chegou ao estado de São Paulo, onde a empresa mantém duas fábricas estratégicas localizadas em Sorocaba e Piracicaba. As unidades produzem, respectivamente, colheitadeiras de grãos e a linha completa de colhedoras de cana-de-açúcar da marca para o mercado global.

    Até o momento, mais de 5 mil pessoas já foram capacitadas. Com isso, a expectativa é ampliar a oferta de qualificação no Sul do País. A expectativa é que a nova unidade em Hulha Negra amplie a oferta de qualificação técnica no Sul do País e contribua para formar profissionais preparados para lidar com a crescente complexidade tecnológica do agronegócio.

  • Nova biotecnologia promete redefinir o manejo da soja no Brasil

    Nova biotecnologia promete redefinir o manejo da soja no Brasil

    Uma nova biotecnologia na soja foi apresentada durante a 26ª Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque (RS). A inovação amplia a proteção contra lagartas e aumenta as opções de manejo de herbicidas. Ao mesmo tempo, busca elevar a produtividade e a sustentabilidade da cultura no Brasil.

    A tecnologia faz parte de uma nova geração de soluções para a agricultura tropical. Durante o evento, especialistas explicaram que o avanço combina genética, biotecnologia e novas estratégias de manejo. O objetivo é ajudar o produtor a enfrentar desafios cada vez mais complexos nas lavouras.

    A novidade integra a plataforma Intacta 5+, desenvolvida pela Bayer. Segundo a empresa, as primeiras variedades comerciais devem chegar ao mercado na safra 2027/28. No entanto, a liberação final ainda depende de aprovações regulatórias em países importadores de soja.

    Responsável pela apresentação da tecnologia, Mateus Benedeti afirmou que a evolução da biotecnologia acompanha a própria transformação da agricultura brasileira.

    “A história da biotecnologia na soja também é uma história de protagonismo do produtor brasileiro. Desde o início, o agricultor buscou tecnologias que permitissem produzir mais e com maior eficiência”, destacou.

    Nas últimas décadas, a adoção dessas tecnologias ajudou o Brasil a ampliar sua produtividade agrícola. Como resultado, o país se consolidou entre os maiores produtores e exportadores de soja do mundo.

    Proteção ampliada contra pragas e plantas daninhas

    A nova biotecnologia na soja incorpora cinco proteínas voltadas ao controle de lagartas que atacam a cultura. Dessa forma, o sistema amplia o espectro de proteção e fortalece o manejo integrado de pragas.

    Entre os principais alvos está a Elasmopalpus lignosellus, conhecida como elasmo. Essa lagarta ataca a planta ainda nas fases iniciais do desenvolvimento. Quando o ataque ocorre nesse estágio, a lavoura pode perder plantas inteiras e comprometer o potencial produtivo.

    Além da proteção contra insetos, a tecnologia permite tolerância a cinco herbicidas diferentes. Entre eles estão mesotriona, dicamba, glifosato, glufosinato e 2,4-D.

    Mateus Benedeti – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Na prática, essa combinação amplia as estratégias de controle de plantas daninhas. O produtor pode utilizar diferentes protocolos de manejo durante o ciclo da cultura. Assim, adapta o controle às condições de cada região produtora.

    Outro benefício está na preservação da eficiência da tecnologia ao longo do tempo. Quando o agricultor alterna mecanismos de ação, reduz a pressão de seleção sobre pragas e plantas daninhas.

    Integração entre genética e biotecnologia

    Outro destaque apresentado durante o lançamento foi o processo YieldBoost™. A metodologia foi desenvolvida no Brasil e busca acelerar a integração entre biotecnologia e genética das plantas.

    O sistema permite testar um número maior de materiais em campo. Com isso, os pesquisadores conseguem avaliar mais combinações genéticas em menos tempo.

    Segundo a empresa, o método permite analisar até 15 vezes mais materiais do que os processos tradicionais de melhoramento. Dessa forma, o desenvolvimento de novas variedades ocorre com maior velocidade e precisão.

    A estratégia também prioriza materiais adaptados às condições da agricultura tropical. Como resultado, as variedades tendem a apresentar maior estabilidade produtiva nas diferentes regiões do país.

    Caminho até o lançamento comercial

    A nova biotecnologia já recebeu aprovação regulatória no Brasil. Ainda assim, sua comercialização depende da autorização de mercados internacionais que importam soja brasileira.

    Por isso, os próximos anos serão dedicados à realização de testes em campo com produtores parceiros. Essas áreas permitirão avaliar o desempenho das variedades em diferentes ambientes produtivos.

    A expectativa é que, no momento do lançamento comercial, o mercado já conte com diversas variedades adaptadas às principais regiões produtoras.

    Para o setor agrícola, a chegada de novas biotecnologias representa um passo importante para o avanço da produtividade. Ao mesmo tempo, essas soluções ajudam o produtor a enfrentar desafios cada vez mais complexos no campo.

    Assim, a evolução da biotecnologia na soja continua a desempenhar um papel central no fortalecimento da agricultura brasileira.

  • Brasil pode chegar a 100 mil drones agrícolas em 3 anos

    Brasil pode chegar a 100 mil drones agrícolas em 3 anos

    O crescimento acelerado dos drones de pulverização no Brasil preocupa o Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag). Em entrevista durante a Expodireto Cotrijal 2026, o diretor executivo da entidade, Gabriel Colle, afirmou que o setor vive uma expansão inédita, mas sem acompanhamento proporcional da legislação e da fiscalização. Segundo ele, a prioridade agora é organizar o mercado e evitar riscos operacionais no campo e no espaço aéreo.

    Colle atua no sindicato há 11 anos e acompanhou de perto a chegada dos drones à aviação agrícola. Segundo ele, a decisão estratégica do Sindag foi incorporar a tecnologia ao setor, em vez de combatê-la.

    “A primeira decisão que tivemos que tomar foi se iríamos brigar com os drones ou trazê-los para dentro da nossa atividade. Optamos por incorporar essa tecnologia, imaginando que ela teria crescimento. O que não imaginávamos era que esse crescimento seria tão rápido”, afirma.

    A evolução impressiona. Em 2021, o Brasil tinha apenas 355 drones agrícolas registrados. Ao final de 2025, esse número ultrapassou 40 mil equipamentos.

    “Entraram cerca de 40 mil drones em quatro anos. Hoje o Brasil só perde para a China, que tem algo em torno de 300 mil equipamentos. Se continuarmos nesse ritmo, podemos chegar perto de 100 mil drones de pulverização nos próximos três anos”, diz.

    Mercado cresce sem controle

    Apesar da expansão, o principal desafio apontado pelo Sindag é a falta de organização do mercado. Segundo estimativas da entidade, cerca de 75% dos drones de pulverização em operação no país podem estar irregulares.

    “Muita gente compra um drone e começa a operar imediatamente. Não faz cadastro na ANAC, não registra a operação no Ministério da Agricultura e não tem acompanhamento agronômico. Nesses casos, estamos diante de uma atividade ilegal”, afirma Colle.

    Grande parte dos equipamentos utilizados no Brasil é importada da China. Segundo o executivo, cerca de 95% do mercado nacional é composto por drones fabricados naquele país, muitas vezes adquiridos por importação direta ou até mesmo via Paraguai.

    Gabriel Colle – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    O crescimento desordenado também traz preocupações relacionadas à segurança aérea. A operação irregular de drones pode provocar acidentes com aeronaves tripuladas.

    “Se um drone estiver operando de forma ilegal e uma aeronave agrícola entrar naquela área sem saber da presença dele, pode acontecer uma colisão. Já tivemos casos de aeroportos fechados por causa de drones operando irregularmente”, alerta.

    No campo, o problema também já aparece com frequência. O Sindag criou um canal para que empresas associadas relatem avistamentos de drones durante operações aéreas.

    “Somente entre janeiro e fevereiro deste ano recebemos quase 100 relatos de pilotos que precisaram pousar o avião de pulverização porque havia drones operando na área”, conta.

    Profissionalização é o principal desafio

    Segundo Colle, o crescimento da tecnologia é positivo, mas precisa vir acompanhado de profissionalização.

    “Não somos contra os drones. Pelo contrário, queremos proteger esse mercado. O que defendemos é que a atividade seja exercida de forma profissional, com operadores qualificados e dentro da legislação”, explica.

    Uma das propostas do Sindag é que a venda de drones de pulverização passe a ter algum nível de rastreabilidade. A ideia é identificar quem compra os equipamentos e garantir que o operador esteja apto a utilizá-los.

    “Não se trata de controle de mercado, mas de segurança. Precisamos saber quem está operando e garantir que essa pessoa tenha formação adequada”, afirma.

    Outra proposta é tornar o contratante corresponsável pela operação.

    “Se alguém contratar uma empresa ilegal e houver deriva ou algum problema na aplicação, esse contratante também deveria responder. Estamos falando de um possível crime ambiental.”

    Falta de experiência técnica preocupa

    Uma pesquisa realizada pelo Sindag em 2025 revelou que grande parte dos novos operadores de drones não tem experiência no setor agrícola.

    “Cerca de 70% das pessoas que estão entrando nesse mercado não têm ligação com a agricultura. Existe uma diferença enorme entre pilotar um drone e fazer uma aplicação agrícola eficiente”, afirma.

    Segundo Colle, o desafio técnico é grande. A pulverização exige controle preciso da gota e conhecimento agronômico.

    “Na aviação agrícola levamos mais de 60 anos para dominar completamente a tecnologia de aplicação. Controlar uma gota que sai de uma aeronave a 300 km/h e fazê-la chegar no alvo correto exige muita técnica.”

    Ele destaca que a curva de aprendizado dos drones ainda está em andamento.

    “Hoje há muitos curiosos operando equipamentos sem conhecimento técnico. Isso pode gerar aplicações mal feitas e prejudicar a imagem da tecnologia.”

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Mercado passa por seleção natural

    O crescimento acelerado também gerou um fenômeno curioso: um grande número de drones fora de operação.

    Segundo Colle, muitos operadores entraram no mercado sem planejamento e acabaram abandonando a atividade.

    “Muita gente achou que seria fácil ganhar dinheiro com drone. Mas a operação exige escala, manutenção e conhecimento técnico. Temos hoje um verdadeiro cemitério de drones no Brasil.”

    Outro fator é a evolução rápida da tecnologia.

    “Em apenas quatro anos já tivemos duas gerações de drones. É um equipamento muito diferente da aviação agrícola tradicional. Temos aviões da década de 1970 operando perfeitamente. Já os drones precisam ser substituídos com frequência.”

    Cada tecnologia tem seu espaço

    Apesar do avanço dos drones, Colle acredita que as diferentes tecnologias de aplicação continuarão coexistindo no campo.

    Enquanto um drone de 40 litros consegue pulverizar cerca de 35 a 40 hectares por hora, um avião agrícola pode atingir até 600 hectares no mesmo período.

    “Não é uma questão de melhor ou pior. Cada ferramenta tem seu ambiente ideal de operação”, explica.

    Segundo ele, muitas empresas já trabalham com modelos híbridos.

    “Temos associados que operam com aeronaves, drones e pulverizadores autopropelidos. Eles escolhem a tecnologia de acordo com a área, a cultura e a necessidade do cliente.”

    Nova fronteira: aviões autônomos

    Outra tecnologia que começa a aparecer no radar do setor são os aviões autônomos, também chamados de VANTs de asa fixa.

    Hoje existem cerca de 11 equipamentos desse tipo operando no Brasil, ainda sem legislação específica.

    “Do ponto de vista legal, eles ainda são considerados drones. Porém, estamos falando de aeronaves com capacidade de até 300 litros de carga e potencial para causar grandes danos se não forem bem reguladas.”

    Segundo Colle, a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) já trabalha na construção de regras específicas para esse tipo de equipamento.

    O setor também acompanha iniciativas tecnológicas apoiadas pela Embraer, que estuda o desenvolvimento de novas soluções para a aviação autônoma.

    “A aplicação dessas aeronaves é impressionante. Elas podem ser programadas e operar praticamente sozinhas. Mas ainda existem desafios logísticos e operacionais importantes.”

    Futuro do setor

    Para o Sindag, o mercado de drones agrícolas continuará crescendo nos próximos anos. No entanto, a consolidação do setor dependerá da organização regulatória e da profissionalização dos operadores.

    “Estamos em um momento de transformação. A aviação agrícola deve continuar crescendo até 2028, mas o cenário depois disso ainda é incerto. O importante é olhar para todas as tecnologias e preparar o setor para o futuro”, conclui Colle.

  • Imigração, crise e recomeço: a história da Stara

    Imigração, crise e recomeço: a história da Stara

    A história da Stara começa muito antes da indústria instalada em Não-Me-Toque, no interior do Rio Grande do Sul. Ela tem origem na Holanda, entre pequenos agricultores da tradicional família Stapelbroek que precisaram atravessar o oceano para recomeçar a vida no Brasil.

    Durante visita de jornalistas à fábrica da empresa, realizada paralelamente à Expodireto Cotrijal, a trajetória da companhia foi apresentada pela gerente de marketing da Stara, Cíntia Dal Vesco, revelando como uma pequena oficina familiar se transformou em uma das principais fabricantes de máquinas agrícolas do país.

    Uma família em busca de recomeço

    O ponto de partida remonta ao final da década de 1930 e início dos anos 1940, quando a família Stapelbroek vivia da agricultura de subsistência na Holanda. Além de agricultor, o patriarca também atuava como ferreiro, produzindo ferramentas e pequenas máquinas utilizadas na lavoura.

    Com a Segunda Guerra Mundial e a crise humanitária que atingiu a Europa, a família decidiu migrar para o Brasil. Assim, com apoio da igreja, vendeu tudo o que possuía e embarcou rumo ao país sul-americano em busca de uma nova oportunidade.

    A chegada ocorreu pelo porto de Santos. Em seguida, os imigrantes seguiram para a Fazenda Ribeirão, região que hoje corresponde ao município de Holambra, no interior de São Paulo. A proposta era reconstruir a vida em comunidade, trabalhando em um modelo cooperativo.

    Johannes Bernardus Stapelbroek e sua esposa, Johanna – Foto: Arquivo/ Stara

    Durante quatro anos, a família viveu em condições simples, em uma casa de pau a pique e chão batido. Na bagagem trouxeram sementes e mudas que pretendiam cultivar no Brasil. No entanto, o clima e as características do solo eram muito diferentes da realidade holandesa, o que dificultou a adaptação das culturas.

    Diante das dificuldades, a família decidiu tentar novamente e buscar um novo lugar para recomeçar.

    Da pequena oficina à inovação no campo

    O destino escolhido foi Não-Me-Toque, no norte do Rio Grande do Sul, município conhecido por reunir colônias de imigrantes holandeses. Foi ali que, por volta de 1960, surgiu a primeira oficina criada pela família em sociedade com os Rauwers. Nascia a Stapelbroek Rauwers & Cia Ltda., dedicada inicialmente a adaptações em máquinas agrícolas.

    Naquele período, a agricultura brasileira começava a ganhar escala comercial. Muitas máquinas eram importadas e precisavam de ajustes para funcionar nas condições do campo brasileiro. Dessa forma, a pequena oficina passou a atender justamente essa demanda.

    Em 29 de agosto de 1960 surgiu oficialmente a Stara. A estrutura era simples: um galpão de madeira com cerca de 400 metros quadrados. O nome da empresa nasceu da união dos sobrenomes Stapelbroek e Rauwers.

    Nos primeiros anos, a empresa produzia pulverizadores e adaptava equipamentos agrícolas. A oficina também fabricava itens variados, como camas hospitalares, cozinhas, cadeiras de dentista e até baterias musicais, mostrando a capacidade técnica dos fundadores.

    Proximidade com produtor

    A proximidade com o produtor rural sempre foi uma característica da empresa. Na fase inicial da mecanização agrícola, um problema comum ocorria durante a capina entre as linhas de plantio: o operador do trator não conseguia visualizar corretamente a posição do equipamento e acabava danificando parte da lavoura.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Por isso, a Stara desenvolveu um sistema de orientação que permitia conduzir a ferramenta com mais precisão entre as linhas da cultura. Para a época, a inovação representou um avanço importante e ajudou a projetar o nome da empresa no setor agrícola.

    O crescimento levou à inauguração de uma nova planta industrial em 1978, com cerca de 8 mil metros quadrados. Com isso, a empresa ampliou sua capacidade de produção. No entanto, o investimento foi financiado com empréstimos em dólar e acabou provocando uma das maiores crises da história da companhia.

    Em 1982, a forte valorização da moeda norte-americana quadruplicou o valor da dívida da empresa praticamente da noite para o dia. Diante desse cenário, a venda da Stara passou a ser considerada como única saída.

    A decisão que salvou a empresa

    Foi nesse momento que entrou em cena Franciscus Johannes Stapelbroek, conhecido na região como “Seu Chico”. Filho do fundador da empresa, ele havia deixado a indústria para realizar o sonho de se tornar agricultor.

    Chamado pelos irmãos para ajudar no processo de venda, Seu Chico tomou uma decisão que mudaria o rumo da história. Produtor respeitado na região e adepto da filosofia de sempre guardar parte da safra como segurança financeira, decidiu investir suas economias na empresa para evitar que o sonho da família terminasse ali.

    Assim, o aporte permitiu que a Stara reorganizasse suas finanças e iniciasse um novo ciclo de crescimento.

    Alguns anos depois, outro personagem passaria a marcar a trajetória da companhia: Gilson Trennepohl. De origem humilde, ele chegou a Não-Me-Toque com poucos pertences e o sonho de trabalhar como radialista.

    Inicialmente trabalhou como garçom em um restaurante em troca de comida. Foi nesse período que conheceu Susana Stapelbroek, filha de Seu Chico. Os dois se casaram e, posteriormente, Gilson pediu uma oportunidade para trabalhar na empresa da família.

    A condição para ingressar na Stara era clara: começaria de baixo e seu crescimento dependeria do desempenho, não do parentesco.

    Ele iniciou como demonstrador de máquinas agrícolas, viajando de fazenda em fazenda para apresentar os equipamentos aos produtores. Com o tempo, destacou-se pela habilidade de comunicação e negociação e acabou assumindo a diretoria comercial.

    Sob sua atuação, a empresa ampliou a linha de produtos, iniciou exportações e passou a investir em novas tecnologias.

    O símbolo do “positivo”

    Desde a década de 1980, Gilson Trennepohl passou a adotar o gesto do polegar levantado como forma de transmitir confiança e otimismo dentro da empresa. O símbolo aparecia frequentemente em fotografias e encontros da companhia.

    Família Stapelbroek Trennepohl (4ª Geração) – Foto: Arquivo/ Stara

    Com o passar dos anos, o gesto ganhou significado dentro da cultura organizacional. Em 2010, durante as comemorações dos 50 anos da Stara, um estudo de marketing indicou a necessidade de um símbolo que representasse a identidade da empresa. Assim, o gesto do “positivo” acabou adotado oficialmente.

    Mais do que uma estratégia de comunicação, o símbolo passou a representar a filosofia de acreditar, seguir em frente e enfrentar desafios com confiança.

    Hoje, prestes a completar 66 anos de história, a Stara mantém sua matriz em Não-Me-Toque, onde reúne milhares de colaboradores e uma ampla estrutura industrial voltada ao desenvolvimento de máquinas agrícolas. A empresa exporta para 35 países e possui unidades industriais e centros de tecnologia no Brasil e no exterior.

    Mesmo com a expansão, a companhia preserva valores ligados à simplicidade e ao relacionamento próximo com produtores rurais e colaboradores. Um exemplo é o bairro planejado criado pela empresa para facilitar o acesso de funcionários à moradia, oferecendo terrenos a preços abaixo do custo.

    Dessa forma, a iniciativa reflete um princípio que acompanha a Stara desde sua origem: construir máquinas é importante, mas construir pessoas é essencial para manter viva a cultura e o legado da empresa.

  • Tecnologia de grandes máquinas chega ao pequeno produtor

    Tecnologia de grandes máquinas chega ao pequeno produtor

    A tecnologia que antes era restrita a máquinas de grande porte começa a ganhar espaço também nas propriedades menores. Durante a 26ª Expodireto Cotrijal, realizada em Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul, a Massey Ferguson apresentou três novas séries de tratores que ampliam o acesso a recursos de agricultura de precisão para produtores de diferentes perfis.

    Os lançamentos incluem modelos voltados desde pequenas propriedades até operações de maior escala. Entre os destaques estão sistemas de piloto automático, telemetria e monitoramento remoto embarcados diretamente de fábrica, tecnologias que até poucos anos atrás estavam disponíveis apenas em máquinas de alta potência.

    Segundo a empresa, a estratégia é tornar os recursos digitais cada vez mais presentes no dia a dia da agricultura brasileira, independentemente do tamanho da propriedade.

    “Estamos lançando três séries novas de tratores aqui na Expodireto. A proposta é atender desde o pequeno produtor até operações maiores, com máquinas versáteis e tecnologia embarcada”, explica Eder Pinheiro, coordenador de marketing de produto tratores da marca.

    Novas séries ampliam acesso à tecnologia

    Entre as novidades apresentadas está a série MF 3700, voltada principalmente a produtores de menor escala. Os modelos possuem 75 e 85 cavalos de potência e foram projetados para atividades variadas no campo.

    Segundo Pinheiro, a proposta é oferecer uma máquina versátil, capaz de atender diferentes etapas do ciclo produtivo.

    “É um trator pensado no pequeno produtor que precisa de uma máquina mais versátil, um trator ‘faz tudo’, que ele vai utilizar desde o preparo de solo até o plantio e outras operações da propriedade”, afirma.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Os modelos podem contar com transmissões de 15 por 15 ou 30 por 15 marchas, oferecendo maior flexibilidade de uso conforme a necessidade da propriedade.

    Outro destaque da marca na feira é a nova série MF 5M, considerada um lançamento nacional apresentado pela primeira vez durante a Expodireto.

    Os tratores dessa linha possuem potências entre 105 e 145 cavalos e chegam ao mercado para substituir duas séries já consolidadas da fabricante: MF 5700 e MF 6700.

    De acordo com o coordenador da empresa, a nova geração mantém características que já eram bem avaliadas pelos produtores.

    “Mantivemos pontos que o agricultor já aprovava, como a transmissão 12×12 com reversão eletro-hidráulica. Uma novidade importante é o motor de quatro cilindros em um trator de 105 cavalos, que era uma demanda recorrente dos produtores”, destaca.

    Outro diferencial da série é a vazão hidráulica de até 100 litros por minuto, que permite operar diversos tipos de implementos agrícolas com maior eficiência.

    Além disso, os modelos já podem sair de fábrica equipados com piloto automático hidráulico, tecnologia que contribui para maior precisão nas operações agrícolas.

    Segundo a fabricante, o sistema ajuda a reduzir sobreposições de linhas de trabalho e melhora o rendimento operacional, além de favorecer a economia de combustível no dia a dia da propriedade.

    Série MF 6M mira operações mais exigentes

    A terceira linha apresentada na feira é a MF 6M, voltada a operações que demandam maior potência e robustez.

    Os modelos trabalham na faixa de 160 a 190 cavalos de potência e contam com motores de quatro cilindros e transmissão automática.

    De acordo com Pinheiro, o sistema permite maior eficiência durante o trabalho no campo.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    “A transmissão automática trabalha com três marchas e pode operar em rotação fixa. O trator identifica a melhor marcha para aquela condição de trabalho, o que também contribui para a economia de combustível”, explica.

    Com isso, a série atende propriedades que exigem maior capacidade operacional, como grandes áreas de cultivo ou atividades agrícolas intensivas.

    Tecnologia como tendência no campo

    O conjunto de lançamentos reforça uma tendência cada vez mais evidente no agronegócio: a ampliação do acesso às tecnologias de agricultura de precisão.

    Ao incorporar sistemas digitais e recursos de conectividade em máquinas de diferentes categorias, fabricantes buscam atender produtores de variados perfis, desde pequenas propriedades familiares até grandes operações agrícolas.

    Na avaliação da empresa, essa evolução tecnológica tende a impactar diretamente a produtividade e a eficiência das lavouras.

    A expectativa do setor é que, nos próximos anos, ferramentas como piloto automático, monitoramento remoto e análise de dados passem a fazer parte da rotina de um número cada vez maior de produtores brasileiros.

  • Manejo antecipado evita perdas de até 90% nas lavouras

    Manejo antecipado evita perdas de até 90% nas lavouras

    Decisões tomadas ainda no início do ciclo da lavoura podem definir o sucesso da safra. Esse foi um dos principais recados apresentados por especialistas da IHARA durante a Expodireto Cotrijal, realizada em Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul. A empresa levou à feira um conjunto de tecnologias voltadas ao manejo de pragas, doenças e plantas daninhas, três fatores que seguem entre os principais desafios enfrentados pelo produtor nas culturas de soja, milho e trigo.

    De acordo com o engenheiro agrônomo Rudimar Spannemberg, que atua no desenvolvimento de mercado da companhia, o cenário atual da agricultura exige planejamento técnico cada vez mais preciso. Segundo ele, reduzir investimentos em momentos críticos pode comprometer toda a produtividade da lavoura.

    “Em um cenário de custos pressionados, pode parecer tentador reduzir investimentos. No entanto, insetos, doenças e plantas daninhas precisam ser controlados desde o início do ciclo da cultura. O manejo realizado no momento adequado garante estabilidade produtiva e evita perdas que comprometem os resultados”, afirma.

    Além disso, o especialista lembra que o Rio Grande do Sul ocupa posição estratégica na produção nacional de grãos. O estado aparece entre os principais polos agrícolas do país e é o segundo em área plantada de soja no Brasil, o que reforça a importância de decisões técnicas bem planejadas.

    Fernando Socolovski e Rudimar Spannemberg – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Plantas daninhas avançam e preocupam produtores

    Entre os temas que mais despertaram atenção na apresentação está o avanço das plantas daninhas resistentes. Estudos técnicos indicam que algumas espécies já estão presentes em mais de 50% das áreas agricultáveis do Brasil.

    Entre as mais comuns estão o capim-amargoso, capim-pé-de-galinha, azevém, corda-de-viola, capim-colonião, caruru e capim-braquiária.

    Segundo o gerente comercial distrital da empresa, Fernando Socolovski, a presença dessas espécies pode provocar impactos significativos na produtividade.

    “O potencial de perdas causado pela matocompetição pode ultrapassar 90% quando o manejo não é feito de forma adequada”, explica.

    No Rio Grande do Sul, uma das plantas daninhas que mais preocupam os agricultores é o caruru. Em algumas regiões, a espécie já está presente em metade das áreas cultivadas. Além disso, a resistência ao glifosato tem dificultado o controle, reduzindo o rendimento das lavouras de soja e outras culturas.

    Nesse cenário, o manejo antecipado torna-se fundamental. Entre as tecnologias apresentadas na feira está o herbicida Yamato SC, desenvolvido para atuar ainda na fase de germinação das plantas daninhas.

    O produto funciona como pré-emergente. Ou seja, ao absorver água no solo, a planta daninha também absorve o produto, o que permite o controle ainda no início do desenvolvimento, antes que a competição com a cultura principal se intensifique.

    Doenças e insetos pressionam a produtividade

    Ao mesmo tempo, as doenças continuam representando um dos maiores riscos à produção agrícola. Entre elas, a ferrugem asiática da soja segue como uma das mais temidas pelos produtores.

    De acordo com especialistas, quando o manejo não é realizado de forma adequada, as perdas podem chegar a 90% da produção.

    Além da ferrugem, outras doenças aparecem em diferentes fases do ciclo da cultura. No início da safra, por exemplo, são comuns problemas como mancha parda, oídio, cercosporiose, crestamento bacteriano e fitóftora.

    Já durante o meio do ciclo surgem doenças como míldio, antracnose, mancha-alvo e mofo branco. No fim do desenvolvimento da lavoura, por sua vez, podem aparecer novamente mancha parda, cercospora, crestamento e ferrugem.

    Nesse contexto, o uso de fungicidas com diferentes mecanismos de ação torna-se uma estratégia importante para garantir eficiência no controle e reduzir o risco de resistência.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Tecnologia e inovação no campo

    Outro desafio recorrente nas lavouras brasileiras é o ataque de insetos, especialmente percevejos. Esses insetos podem comprometer diretamente o desenvolvimento das plantas e reduzir a produtividade final.

    Segundo dados apresentados pela empresa, testes realizados em campo indicaram que o inseticida Zeus alcançou até 95% de eficácia no controle do percevejo-marrom em lavouras de soja.

    Além disso, o portfólio da companhia inclui o inseticida Terminus, desenvolvido para o controle de diferentes espécies de percevejos, como o percevejo-marrom e o percevejo barriga-verde.

    A empresa, que possui 62 anos de atuação e sede em Sorocaba, no interior de São Paulo, destaca ainda sua forte ligação com a pesquisa agrícola japonesa. Atualmente, cerca de 60% das novas moléculas que chegam à agricultura brasileira têm origem em empresas japonesas.

    Segundo Socolovski, esse perfil inovador deve resultar em uma nova geração de tecnologias para o campo.

    “Nos próximos anos, a companhia tem potencial para lançar cerca de 240 novos produtos, entre herbicidas, fungicidas e inseticidas”, afirma.

    Por fim, os especialistas reforçam que a agricultura moderna exige cada vez mais conhecimento técnico e planejamento estratégico. A natureza é dinâmica, novas pragas surgem e a resistência a moléculas já conhecidas avança.

    Por isso, o produtor que antecipa decisões e investe em tecnologia tende a proteger melhor sua lavoura e garantir maior estabilidade produtiva nas próximas safras.

  • Expodireto 2025: Emater/RS-Ascar aposta em inovação e tecnologia

    Expodireto 2025: Emater/RS-Ascar aposta em inovação e tecnologia

    A Emater/RS-Ascar levará soluções inovadoras e tecnológicas para fortalecer a resiliência dos produtores rurais na Expodireto Cotrijal 2025. O evento ocorre entre os dias 10 e 14 de março, em Não-Me-Toque (RS). Em geral, a instituição apresentará 16 parcelas temáticas focadas na produção, lucratividade e reconstrução do Rio Grande do Sul, afetado por enchentes em 2024.

    Destaques da feira

    O gerente regional de Passo Fundo, Gustavo Bonotto, destaca que a edição de 2025 trará temas fundamentais para a agricultura familiar. Ou seja, “nosso foco é fortalecer a resiliência do agricultor com inovação e tecnologia, ajudando-o a enfrentar estiagens e mudanças climáticas”, afirma.

    Um dos destaques será o projeto Plantio 360°, que integra tecnologia de solos, culturas e aplicação de defensivos. Em resumo, a iniciativa aborda a relação entre solo, máquina e planta, promovendo um manejo mais eficiente e produtivo.

    Outra novidade é a integração da bovinocultura de leite com a agroindústria modular, que propõe a instalação simplificada de unidades de processamento de produtos vegetais e animais. Em geral, o objetivo é diversificar a produção e garantir mais renda para as famílias rurais.

    Comemorações especiais

    A Expodireto Cotrijal celebrará seus 25 anos, consolidada como referência no agronegócio nacional e internacional. Além disso, a Extensão Rural Gaúcha, representada pela Ascar, completa 70 anos em junho. Portanto, a Emater/RS-Ascar, presente desde a primeira edição da feira, reforça seu compromisso com o desenvolvimento sustentável e a inovação no campo.

    Eventos na Casa da Família Rural

    O espaço da Emater/RS-Ascar na Expodireto será palco de diversos eventos:

    • Terça-feira (11/03), 8h – 18º Café da Manhã para a Imprensa, com a segunda estimativa da Safra Verão 2024/2025;
    • Terça-feira (11/03), 14h – Lançamento do Projeto Juventudes do Campo em Movimento;
    • Quarta-feira (12/03), 14h – 5º Encontro com Prefeitos, debatendo Extensão Rural e Políticas Públicas Municipais;
    • Quinta-feira (13/03), 9h – 17º Fórum Florestal/RS, com anúncio da Indicação Geográfica “Erva-mate Região de Machadinho” e palestras sobre crédito de carbono;
    • Quinta-feira (13/03), 15h – Evento sobre Irrigação para menores aprendizes.

    Parcelas temáticas

    A Emater/RS-Ascar apresentará soluções sustentáveis em diferentes setores:

    • Bovinocultura de Leite – Estratégias para aumentar produtividade e reduzir custos, com foco em bem-estar animal e melhorias na ordenha.
    • Cooperativismo e Agroindústria Familiar – Espaço com 192 estandes e 222 agroindústrias de 133 municípios, oferecendo produtos como queijos, salames e vinhos.
    • Cozinha Show – Oficinas gratuitas sobre produção de bolos com insumos da agricultura familiar, promovendo diversificação alimentar.
    • Florestas Comerciais – Manejo de erva-mate, nogueira pecã e produção de porongo, além de tratamento de madeira e integração lavoura-pecuária-floresta.
    • Horticultura – Alternativas sustentáveis para produção e irrigação, incluindo captação de água da chuva.
    • Horto de Plantas Bioativas – Oficinas sobre cultivo e uso de plantas medicinais para bem-estar e saúde.
    • Irrigação – Demonstração de sistemas modernos como gotejamento e microaspersão.
    • Tecnologia de Aplicação – Redução de custos e impacto ambiental na aplicação de defensivos.
    • Solos – Importância da conservação do solo para maior estabilidade produtiva.
    • Culturas – Vitrine de cultivares de feijão, soja e milho, com foco em melhores práticas de manejo.

    Em resumo, a Expodireto Cotrijal 2025 reforça a importância da inovação e sustentabilidade para o futuro do agronegócio. Ao mesmo tempo, a Emater/RS-Ascar segue comprometida em levar conhecimento e tecnologia para o campo.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Irga inaugura novo laboratório de análise de sementes
    + Agro em Campo: Biocarvão de bagaço de laranja remove poluentes da água

  • Nova cultivar de ervilhaca impulsiona produtividade e sustentabilidade

    Nova cultivar de ervilhaca impulsiona produtividade e sustentabilidade

    Uma nova cultivar de ervilhaca, a URS BRS Presilha, promete aumentar a produtividade e a sustentabilidade da pecuária de corte no Brasil. Desenvolvida em colaboração entre a Embrapa, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Associação Sul-brasileira para o Fomento de Pesquisa em Forrageira (Sulpasto), essa cultivar forrageira tem um grande potencial para integrar sistemas de integração Lavoura-Pecuária (ILP), tanto para pastejo quanto para cobertura do solo.

    Destaque em sistemas de integração Lavoura-Pecuária

    A URS BRS Presilha se destaca por possuir as maiores sementes entre as leguminosas forrageiras de clima temperado no Sul do Brasil, facilitando a competição no estabelecimento da pastagem. Essa característica também contribui para uma implantação e distribuição mais eficientes das sementes, mesmo em áreas com pastagens perenes de verão e cultivares menores de panicum e braquiária.

    Daniel Montardo, pesquisador da Embrapa Pecuária Sul e um dos responsáveis pelo desenvolvimento da cultivar, explica que a ervilhaca se encaixa bem em áreas de integração Lavoura-Pecuária, onde produtores hesitam em investir em espécies perenes devido à rotação anual de pastagens com culturas agrícolas.

    A nova cultivar de ervilhaca será apresentada durante a Expodireto Cotrijal 2025, que ocorrerá de 10 a 14 de março, em Não-Me-Toque, RS. A Embrapa participa todos os anos desse evento. A feira atrai mais de 300 mil pessoas do Brasil e do exterior para conhecer as novas tecnologias do agronegócio mundial.

    Vantagens da URS BRS Presilha

    Além de ser estratégica para os sistemas ILP, a URS BRS Presilha se destaca por:

    • Alta produção de forragem
    • Boa sanidade
    • Tolerância ao pastejo
    • Boa capacidade de rebrote
    • Vigor inicial, garantindo competitividade e adaptação a diferentes condições ambientais
    • Bons teores de proteína
    • Capacidade de fixação de nitrogênio atmosférico no solo, em simbiose com bactérias do gênero Rhizobium
    • Adaptação a solos bem drenados
    • Utilização em consórcios com outras forrageiras de inverno, como aveia e azevém
    • Contribuição na incorporação de nitrogênio e estruturação do solo em sistemas de cobertura
    • Maior resistência à falta de água
    • Menor propensão a causar problemas de timpanismo nos animais, em comparação com outras leguminosas forrageiras

    Opinião de especialistas

    Claudio Lopes e Cesar Grinke, da Sulpasto, ressaltam a possibilidade de uso da cultivar na fruticultura, incorporando nitrogênio e protegendo o solo com sua palhada resistente. Lopes destaca que a parceria com a UFRGS e a Embrapa contribui para a aceitação da nova forrageira pelo setor produtivo. Grinke complementa que a Presilha é um material diferenciado, com espaço no mercado e garantia de mais qualidade e melhor desempenho no campo.

    Sustentabilidade dos sistemas agropecuários

    Miguel Dall’Agnol, professor da UFRGS e um dos desenvolvedores da cultivar, enfatiza que a URS BRS Presilha se encaixa em diferentes sistemas de produção, como cobertura verde no inverno, em áreas de rotação de culturas, e consorciada com pastagens cultivadas de inverno. A cultivar também pode ser introduzida no campo nativo para aumentar a produção durante o inverno e a primavera. Portanto, mostrando bom desempenho em sistemas produtivos baseados em pastagens de verão e de inverno.

    A nova cultivar contribui para atender uma necessidade real dos produtores da região Sul do Brasil, aumentando o uso de leguminosas e promovendo a sustentabilidade dos sistemas integrados de produção.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Fiscalização aponta falhas no manejo do greening apesar da queda do inseto vetor
    + Agro em Campo: Conheça a Brahma: a gigante dos galinheiros