Tag: experimento espacial

  • Conheça a árvore que veio do espaço e fica no Brasil

    Conheça a árvore que veio do espaço e fica no Brasil

    O bosque da sede do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em Brasília (DF), abriga uma árvore com história única: a chamada Árvore da Lua. O exemplar cresceu a partir de sementes que viajaram ao espaço durante a Missão Apolo 14, realizada pela Nasa em 1971.

    Árvore da Lua plantada no bosque da sede do Ibama, em Brasília (DF) – Foto: Hermínio Lacerda/Ibama

    A árvore, cultivada há 45 anos no local, atinge 12 metros de altura e apresenta base com 37 centímetros de diâmetro. Suas folhas reproduzem o formato do símbolo estampado na bandeira do Canadá.

    Experimento espacial testou viabilidade de sementes

    Durante a Missão Apolo 14, os astronautas da agência espacial norte-americana transportaram sementes de árvores para avaliar os efeitos da gravidade zero e da alta radiação sobre o material genético. Enquanto dois tripulantes exploravam a superfície lunar, o terceiro astronauta permaneceu em órbita e expôs as sementes às condições espaciais.

    O experimento buscava verificar se as sementes manteriam sua capacidade de germinação após o retorno à Terra. Os resultados confirmaram a viabilidade do material.

    Brasil recebeu três mudas nos anos 1970

    A Nasa distribuiu diversas mudas de cinco espécies para organizações dos Estados Unidos entre 1975 e 1976, durante as comemorações do Bicentenário da Independência norte-americana. Nos anos seguintes, o órgão doou as mudas restantes para outros países.

    O Brasil recebeu três mudas. Além do exemplar plantado na sede do Ibama, as outras duas crescem no Rio Grande do Sul.

    Plantio da muda em 1980: semente viajou ao espaço em missão lunar – Foto: Arquivo/Ibama

    O plantio em Brasília aconteceu em 1980, quando o extinto Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF) ainda administrava o local. Desde então, pesquisadores não identificaram diferenças perceptíveis entre as árvores germinadas a partir de sementes espaciais e aquelas provenientes de sementes comuns.

    Espécie nativa da América do Norte ganha proteção

    A Árvore da Lua pertence à espécie Liquidambar styraciflua, da família Altingiaceae. A espécie habita naturalmente áreas temperadas do leste da América do Norte e regiões tropicais montanhosas do México e da América Central.

    Considerada símbolo vivo da Era Espacial, a árvore representa um marco importante da exploração humana do universo. Por sua relevância histórica, o exemplar recebeu proteção especial através da Portaria Ibama nº 13/2011, que o torna imune ao corte.

    Visitantes podem conhecer a Árvore da Lua mediante agendamento prévio pelo e-mail [email protected].

  • Cientistas brasileiros simulam agricultura espacial em caverna italiana

    Cientistas brasileiros simulam agricultura espacial em caverna italiana

    Uma caverna nas profundezas da Itália se transformou em laboratório espacial nesta segunda-feira. Pesquisadores brasileiros da Rede Space Farming Brazil iniciaram um experimento pioneiro que pode revolucionar a forma como cultivamos alimentos fora da Terra. O local escolhido: as Grotte di Castellana, um complexo de cavernas que replica condições semelhantes às encontradas no espaço e na Lua.

    A missão análoga CARE-1&2 CAAM, que se estende até 26 de outubro, vai testar o desenvolvimento das chamadas “astroplantas” – vegetais geneticamente modificados com porte reduzido e ciclo de crescimento acelerado de apenas 15 dias. O convite para a participação brasileira partiu da Space Pioneers Association, organização italiana sediada em Trento.

    Tecnologia brasileira no centro do experimento

    O coração da operação é a Câmara de Crescimento Compacta (CGB), equipamento desenvolvido para missões espaciais que combina tamanho reduzido com controle preciso de luz e temperatura. “Este dispositivo pode armazenar, transportar e fornecer matérias-primas para sistemas bioregenerativos em qualquer tipo de missão espacial”, explica o professor Paulo Rodrigues, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP).

    O pesquisador brasileiro Rafael Loureiro, da Winston-Salem State University e integrante da rede nacional, enviou à Itália as sementes utilizadas no experimento, obtidas no Wisconsin Fast Plants Program, da Universidade de Wisconsin (EUA).

    Solo lunar e fungos: a combinação que pode viabilizar colônias espaciais

    O experimento testa quatro diferentes tratamentos. Dois grupos de plantas crescerão em regolito lunar – material que simula o solo da Lua – desde a germinação. Outros dois iniciarão em rockwool (lã de rocha) e serão transplantados para o regolito após sete dias. A inovação está na metade das amostras: receberão inoculação do fungo Trichoderma, conhecido por beneficiar o desenvolvimento vegetal.

    “Vamos comparar plantas com e sem o fungo, analisando a expressão gênica global – o transcriptoma. Queremos identificar genes diferencialmente expressos em plantas que crescem em regolito lunar na presença ou ausência do Trichoderma”, detalha a professora Camila Patreze, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). A análise genética contará com parceria de pesquisadores da Universidade de Nápoles Frederico II.

    Condições extremas controladas

    O ambiente da caverna oferece condições únicas para simular desafios espaciais. Durante os 14 dias de experimento, as plantas ficarão sob iluminação contínua, temperatura mantida em 22°C (±2°C) e umidade relativa de 60%. Avaliações diárias registrarão taxa de germinação, altura e número de folhas, com documentação fotográfica completa do progresso.

    “Esta é uma missão análoga onde testamos o desenvolvimento das plantas em condições extremas na Terra, simulando fatores que podem ser enfrentados em ambientes fora do planeta”, esclarece Patreze. “Os resultados poderão ser úteis para missões espaciais ou futuros cultivos na Lua.”

    Por que astroplantas?

    A coordenadora da Rede Space Farming Brazil, pesquisadora Alessandra Fávero, explica a escolha estratégica: “As astroplantas foram selecionadas porque possuem porte pequeno e florescimento rápido. São capazes de crescer em pequenos volumes de substrato e ambientes restritos”. Essas características geneticamente aprimoradas – ciclo curto, menor porte e produtividade comparável às plantas convencionais – as tornam ideais para a agricultura espacial.

    A participação brasileira na missão se fortaleceu em setembro, quando a Embrapa assinou Termo de Compromisso com a Space Pioneers. O acordo prevê integração de esforços para experimentos biológicos no projeto “Scientific Collaboration for Commercial Analog Astronaut Missions”.

    A Space Pioneers dedica-se a apoiar profissionais e entusiastas do setor espacial, promovendo participação em eventos e incentivando carreiras em STEAM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática).

    Com resultados esperados para o final de outubro, o experimento pode representar um passo crucial para tornar viável a produção de alimentos em futuras bases lunares e missões espaciais de longa duração.