Tag: eucalipto

  • Eucalipto abre novo mercado bilionário e atrai investidores do agro

    Eucalipto abre novo mercado bilionário e atrai investidores do agro

    A crescente demanda por biomassa para geração de energia está criando um novo mercado bilionário em Mato Grosso.

    O avanço das usinas de etanol de milho e as novas exigências ambientais vêm impulsionando uma verdadeira corrida por áreas destinadas ao cultivo de eucalipto, atraindo o interesse de produtores rurais, agroindústrias, empresas do setor florestal e fundos de investimento.

    Nova regra ambiental acelera busca

    Em junho, o Ministério Público de Mato Grosso e o governo estadual assinaram um novo acordo ambiental que prevê a substituição gradual da biomassa proveniente de florestas nativas. Dessa forma, as grandes agroindústrias deverão utilizar matéria-prima oriunda de florestas plantadas.

    A mudança será implementada de forma gradual, mas já tem prazo definido. A partir de 2035, as empresas enquadradas no acordo não poderão utilizar madeira de vegetação nativa para gerar energia.

    Segundo especialistas, essa decisão aumentou a segurança para novos investimentos. Como resultado, diversos projetos começaram a sair do papel.

    Mato Grosso quer multiplicar área de florestas plantadas

    Atualmente, Mato Grosso possui cerca de 165 mil hectares de eucalipto. Os dados são do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

    Entretanto, a meta estadual é muito mais ambiciosa: o objetivo é alcançar 700 mil hectares até 2040.

    Se isso acontecer, a área plantada será mais de quatro vezes maior do que a atual. Para atingir esse patamar, o setor calcula investimentos próximos de R$ 8,5 bilhões.

    Etanol de milho impulsiona novos contratos

    O crescimento das usinas de etanol de milho está entre os principais fatores por trás dessa expansão.

    A Inpasa, considerada a maior produtora de etanol de milho do país, já fechou contratos voltados ao aumento da produção de eucalipto.

    Além disso, empresas de consultoria relatam maior procura por informações sobre projetos florestais.

    Segundo profissionais do setor, investidores que tradicionalmente atuavam em outras áreas do agronegócio passaram a avaliar oportunidades ligadas à produção de biomassa.

    Por causa disso, o mercado florestal ganhou visibilidade e começou a atrair novos participantes.

    Pastagens degradadas aparecem como oportunidade

    Especialistas afirmam que o avanço do eucalipto não deve ocorrer apenas em áreas agrícolas. Milhões de hectares de pastagens degradadas podem se transformar em novos polos de produção florestal.

    Segundo estimativas da Embrapa, o estado possui uma grande quantidade de áreas com elevado nível de degradação. Dessa forma, a expansão da atividade pode ocorrer sem pressionar novas áreas de vegetação.

    Falta de crédito ainda preocupa produtores

    Apesar das perspectivas positivas, ainda existem desafios importantes.

    O principal deles é o acesso ao financiamento, já que o retorno financeiro do eucalipto demora mais do que em atividades agrícolas tradicionais. Na maioria dos casos, a receita só aparece entre seis e sete anos após o plantio.

    Enquanto isso, os custos ficam concentrados nos primeiros anos. Gastos com implantação, irrigação e manejo exigem, sem dúvidas, um capital significativo.

    Mercado deve crescer nos próximos anos

    Mesmo diante dos desafios, as perspectivas continuam positivas.

    Além da expansão do etanol de milho, o setor também poderá ser beneficiado pelos mecanismos de reposição florestal previstos no Código Florestal.

    Diante desse cenário, o eucalipto deixou de ser uma atividade secundária. Atualmente, ele já aparece como uma das principais apostas do agronegócio brasileiro para os próximos anos.

  • Tipo de lavoura define quais mamíferos sobrevivem na Mata Atlântica

    Tipo de lavoura define quais mamíferos sobrevivem na Mata Atlântica

    Pesquisadores da Unesp, em colaboração com universidades da Espanha e do Reino Unido, identificaram que plantações de eucalipto abrigam maior diversidade de pequenos mamíferos do que culturas de ciclo curto, como soja e milho. O estudo foi publicado na revista Agriculture, Ecosystems & Environment. E aponta que a estabilidade da paisagem ao longo do tempo é o fator decisivo para a presença desses animais em áreas agrícolas da Mata Atlântica.

    Cuíca de três listras
    Cuíca de três listras. Foto: Viviane Brito Dias

    A pesquisa ocorreu no Corredor Cantareira-Mantiqueira, região de grande importância ecológica que conecta remanescentes da Mata Atlântica no nordeste do estado de São Paulo e ao sul de Minas Gerais. Os pesquisadores instalaram armadilhas em 63 locais distintos. Foram 35 em áreas florestais, 16 em pastagens, 6 em áreas agrícolas e 6 em eucaliptais. E capturaram 21 espécies de marsupiais e roedores de pequeno porte, entre cuícas, ratos-do-mato e gambás-de-orelha-preta.

    Satélites revelam o ritmo oculto das lavouras

    Para entender como cada tipo de uso do solo afeta a fauna, a equipe combinou os dados de captura com mapas de cobertura do solo e com índices de vegetação obtidos a partir de imagens de satélite. Essa combinação trouxe uma dimensão até então pouco explorada nos estudos de distribuição de fauna no bioma: a variação temporal das culturas ao longo do ano.

    Os índices de vegetação traduzem em dados quantitativos a luz absorvida ou refletida pelas plantas, revelando informações como saúde, produtividade e composição das lavouras. “Os índices de vegetação conseguem mostrar, por exemplo, o quão produtiva está uma vegetação, se elas são formadas por espécies parecidas ou diferentes, ou como esses espaços variaram ao longo do ano”, explica Viviane Brito Dias, bióloga e pesquisadora principal do artigo, doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade da Unesp no câmpus de São José do Rio Preto.

    Dias destaca que os mapas de uso e ocupação do solo, embora fundamentais, não capturam aspectos críticos para a biodiversidade, como a frequência com que a paisagem muda entre um ciclo de colheita e outro, ou a diferença qualitativa entre um pasto bem conservado e uma pastagem degradada. A análise temporal preencheu exatamente essa lacuna.

    Instabilidade afasta, eucalipto atrai

    Os resultados mostram uma relação direta entre a estabilidade da paisagem e a presença de pequenos mamíferos. “As áreas de mosaico, marcadas pela mudança constante do uso do solo, influenciaram de forma negativa, reduzindo a presença de pequenas espécies”, afirma Dias. O efeito contrário apareceu nos eucaliptais. Com ciclos que variam entre seis e nove anos, essas plantações oferecem estabilidade suficiente para atrair e manter uma diversidade maior de espécies.

    Brucepatersonius nebulosus, espécie, ainda pouco estudada e com escassos registros de captura, foi observado em áreas de silvicultura
    Brucepatersonius nebulosus, um dos indivíduos capturados no trabalho. A espécie, ainda pouco estudada e com escassos registros de captura, foi observado em áreas de silvicultura. Foto: Viviane Brito Dias

    A surpresa veio com a qualidade das espécies encontradas nessas áreas. “Nas áreas de eucalipto encontramos inclusive espécies endêmicas da Mata Atlântica, com poucos registros na literatura. Cuícas de solo terrestre, vulneráveis, que nós esperávamos encontrar apenas em áreas florestais. Isso nos surpreendeu”, destaca a pesquisadora.

    Os pequenos jardineiros da floresta

    Com peso médio de 100 gramas e máximo de dois quilos, esses animais vivem entre o solo e o dossel das árvores. Dependendo diretamente dos recursos imediatos ao seu redor. Roedores terrestres e escansoriais, que se deslocam tanto no chão quanto nos galhos,dependem de uma camada intermediária de vegetação e da serrapilheira para se alimentar e se camuflar.

    Qualquer alteração brusca da paisagem os afeta de imediato. “Se a paisagem muda muito, isso afeta imediatamente essas espécies”, ressalta Dias. Ao contrário de aves ou grandes mamíferos, esses roedores não têm capacidade de voar ou percorrer longas distâncias em busca de novos habitats.

    O papel ecológico desses animais vai além de ser presa para carnívoros. Ao se alimentar de frutos e sementes, eles funcionam como agentes ativos da regeneração florestal, regulando quais plantas germinam e evitando que certas espécies dominem o ambiente. Portanto, um serviço ecossistêmico essencial para a integridade da Mata Atlântica.

    Produção e conservação no mesmo território

    A pesquisa integra o projeto de longa duração Biodiversidade e serviços associados: PELD Corredor Cantareira-Mantiqueira, financiado pela Fapesp, que investiga como as paisagens florestais, agrícolas e urbanas influenciam a distribuição de fauna e flora e os processos ecossistêmicos da região.

    Uma cuica em uma arvore
    cuíca (Gracilinanus microtarsus), é um marsupial florestal arborícola de pequeno porte capturado durante a pesquisa. Foto: Viviane Brito Dias

    Para Dias, os resultados abrem caminhos práticos para o manejo agrícola com foco na conservação. A pesquisadora ressalta que, embora o eucalipto ofereça condições favoráveis agora, ainda não se sabe o que ocorre com a fauna depois do corte, ao final de um ciclo de nove anos. Mesmo assim, o trabalho já indica que é possível intercalar culturas mais estáveis com outras perenes para ampliar o número de espécies que compartilham o espaço com a produção agrícola.

    Assim, no estado de São Paulo, onde pastagens degradadas convertem-se rapidamente em áreas agrícolas, compreender esses impactos torna-se urgente. “Esse trabalho busca colaborar para que a gente consiga encontrar formas de equilibrar a necessidade de produção humana com a persistência das espécies. Que também nos prestam serviços ecossistêmicos”, conclui Dias.

  • Produção de eucalipto cresce 14% e impulsiona riqueza no campo

    Produção de eucalipto cresce 14% e impulsiona riqueza no campo

    O eucalipto ampliou sua relevância no agronegócio paulista e passou a integrar o grupo das culturas mais valiosas do estado. O avanço da produção e da geração de renda no campo fortalece uma cadeia produtiva estratégica, que abastece a indústria, impulsiona exportações e estimula o desenvolvimento regional.

    Dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA-Apta) mostram que a produção de eucalipto em São Paulo cresceu 14%. O desempenho elevou o Valor da Produção Agropecuária (VPA) da cultura para R$ 2,9 bilhões, acima do registrado no ano anterior.

    A cadeia do eucalipto atende diferentes segmentos da economia. A produção abastece as indústrias de papel e celulose, energia por biomassa e carvão vegetal, além da construção civil e do setor moveleiro. A cultura também fornece matéria-prima para óleos essenciais e se destaca pelo rápido crescimento e alta capacidade de renovação.

    Principal espécie da silvicultura paulista, o eucalipto ocupa mais de 77% da área de florestas plantadas no estado, com pouco mais de 1 milhão de hectares cultivados. São Paulo figura como o terceiro maior produtor nacional, atrás de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. A produção alcançou 23,9 milhões de metros cúbicos, alta de 14,6% em relação ao ciclo anterior.

    Polos

    As regiões sudoeste paulista, centro-oeste e o Vale do Paranapanema concentram os principais polos de cultivo. Municípios como Agudos, Itapetininga, Itatinga, Angatuba, Botucatu, Lençóis Paulista, Bofete, Cabrália Paulista, Capão Bonito, Itararé e Paranapanema lideram a produção, favorecidos por condições edafoclimáticas adequadas e disponibilidade de áreas.

    O crescimento da silvicultura também reforça a balança comercial do agro paulista. Os produtos florestais ocupam a terceira posição nas exportações do estado, atrás apenas do complexo sucroalcooleiro e do setor de carnes. Em abril de 2026, o segmento somou US$ 1,14 bilhão em exportações, com participação de 13,6% do total. A celulose respondeu por 66,3% desse valor, enquanto o papel representou 27,9%.

    Para o setor, o avanço da produção reflete a competitividade e a capacidade de agregação de valor da cadeia florestal. A presidente da Câmara Setorial de Produtos Florestais de São Paulo e diretora-executiva da Florestar, Fernanda Abilio, destaca que o estado reúne produtividade, indústria e logística, fatores que mantêm o segmento entre os mais estratégicos do agro.

    “A indústria florestal paulista possui base produtiva consolidada, sustentável e altamente tecnificada, com predominância do eucalipto. O crescimento do VPA e da produção demonstra a capacidade do setor de gerar empregos, ampliar exportações e fornecer matéria-prima renovável para diferentes cadeias industriais”, afirma.

    Integração e sustentabilidade

    Além do avanço produtivo, o eucalipto ganha espaço em sistemas integrados de produção. A Secretaria de Agricultura e Abastecimento apoia pesquisas conduzidas pela APTA Regional, com foco na Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), em unidades como Brotas, Itapetininga e Tietê.

    O modelo integra o cultivo de eucalipto com lavouras e pecuária, promove a recuperação de áreas degradadas e amplia a rentabilidade no campo. As árvores também contribuem para o conforto térmico dos animais, reduzem os impactos do calor e favorecem o desempenho produtivo de rebanhos, como o Nelore.

  • Revisão da lista de espécies invasoras ameaça agronegócio, alertam debatedores

    Revisão da lista de espécies invasoras ameaça agronegócio, alertam debatedores

    Parlamentares, representantes do agronegócio e pesquisadores demonstraram preocupação, nesta quarta-feira (20), com a revisão da lista nacional de espécies exóticas invasoras elaborada pelo Ministério do Meio Ambiente. O tema foi discutido durante uma reunião conjunta das comissões de Agricultura e de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados.

    Segundo os participantes, a proposta pode gerar impactos diretos em cadeias produtivas importantes para a economia brasileira. Isso porque espécies amplamente utilizadas no país, como tilápia, eucalipto e braquiária, passaram a ser classificadas como invasoras no documento em análise.

    Na avaliação do setor, essa mudança pode abrir caminho para restrições no licenciamento ambiental e até impedir o cultivo dessas espécies em determinadas situações. Como consequência, produtores temem prejuízos econômicos e insegurança jurídica.

    Durante o encontro, deputados defenderam a aprovação do Projeto de Lei 5900/25. A proposta pretende retirar a exclusividade do Ministério do Meio Ambiente na definição dessas regras e exigir participação obrigatória de órgãos ligados à Agricultura e à Pesca antes da publicação das normas.

    O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion, autor do projeto, criticou a possibilidade de decisões ambientais afetarem cadeias produtivas estratégicas para o país.

    Segundo ele, incluir espécies como a tilápia na lista de invasoras pode comprometer a produção, a geração de empregos e até a balança comercial brasileira.

    Pedro Lupion criticou decisões que ignoram cadeias produtivas importantes no país — (Foto: Reprodução/Câmara dos Deputados)

    Já o deputado Valdir Cobalchini, que solicitou o debate, afirmou que a revisão da lista desconsidera os impactos econômicos da medida. Além disso, ele questionou a composição da Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio), ligada ao Ministério do Meio Ambiente e responsável pela elaboração do documento.

    De acordo com o parlamentar, as análises não deveriam considerar apenas o aspecto ecológico. Para ele, decisões regulatórias precisam incluir avaliações socioeconômicas, jurídicas e técnicas, principalmente quando envolvem atividades essenciais para o abastecimento e a economia nacional.

    A assessora técnica da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Jaine Ariele Cubas, também apontou desequilíbrio na representatividade dentro da Conabio. Segundo ela, o setor privado possui pouca participação em comparação com organizações não governamentais e movimentos sociais.

    Ela defendeu a ampliação do debate e a realização de mais estudos antes da definição de medidas que possam afetar setores produtivos relevantes para o país.

    Pesquisadores alertam para possíveis efeitos regulatórios

    O chefe da Embrapa Pesca e Aquicultura, Roberto Flores, destacou que o enquadramento generalizado de espécies aquícolas como invasoras pode causar impactos regulatórios importantes.

    Segundo o pesquisador, é necessário diferenciar regiões, sistemas de cultivo e níveis de risco antes da adoção de medidas amplas. Ele ressaltou ainda que o setor aquícola já segue instrumentos específicos de controle ambiental.

    Roberto Flores alertou para os riscos de incluir peixes comerciais — (Foto: Reprodução/Câmara dos Deputados)

    Outro ponto discutido durante a reunião envolveu o cultivo de eucalipto. O pesquisador do Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais (Ipef), Paulo Henrique Miller, apresentou estudos que indicam a existência de barreiras naturais para conter o avanço da espécie.

    Conforme explicou o engenheiro florestal, formigas nativas, como saúvas e quem-quens, acabam consumindo sementes e brotos de eucalipto logo após a germinação. Dessa forma, esses insetos funcionariam como um mecanismo natural de controle ecológico.

    O debate segue em andamento na Câmara dos Deputados, enquanto representantes do agro pedem maior participação técnica e econômica nas decisões relacionadas à classificação das espécies.

    Contém dados de Agência Câmara de Notícias

  • Justiça condena vizinhos por abalo psicológico de agricultor após perder safra de eucalipto em MG

    Justiça condena vizinhos por abalo psicológico de agricultor após perder safra de eucalipto em MG

    A Justiça de Uberlândia (MG) condenou dois vizinhos de um agricultor por causar abalo psicológico ao produtor após ele perder parte da safra de eucalipto. A decisão destaca os riscos do uso irregular de agrotóxicos e reforça a responsabilidade dos agricultores quanto ao manejo seguro de defensivos.

    Prejuízo na lavoura e responsabilidade dos vizinhos

    O agricultor percebeu danos significativos em sua plantação de eucalipto. As inspeções revelaram que a causa foi a deriva de agrotóxicos aplicados irregularmente pelos vizinhos. Como resultado, a produtividade caiu e o produtor sofreu prejuízos econômicos relevantes.

    Além disso, o caso demonstra que aplicar defensivos fora das normas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) não prejudica apenas a lavoura vizinha. Por isso, é essencial que todos os agricultores sigam as regras técnicas, garantindo proteção ambiental e legal.

    Reconhecimento do abalo psicológico

    O juiz destacou que a perda da safra causou impactos emocionais graves. O laudo pericial indicou que o estresse afetou a rotina do agricultor e seu bem-estar. Por isso, a Justiça determinou a indenização, reforçando que os danos morais também são passíveis de reparação quando a conduta do vizinho prejudica a vida emocional do trabalhador rural.

    Deriva de agrotóxicos e cuidados no campo

    Especialistas em agronomia explicam que a deriva ocorre quando partículas do defensivo se deslocam pelo vento e atingem áreas vizinhas. Assim, aplicar produtos sem orientação técnica ou em condições climáticas inadequadas aumenta significativamente os riscos.

    Além disso, a deriva não afeta apenas a produtividade. Ela também pode prejudicar a saúde de pessoas, animais e o equilíbrio ambiental. Por isso, manter registros detalhados de aplicação e cultivo ajuda a proteger os direitos do agricultor caso surjam problemas.

    Precedentes e proteção do produtor

    Decisões como essa reforçam que a legislação brasileira protege os agricultores tanto contra prejuízos materiais quanto emocionais. Além disso, os casos alertam vizinhos sobre a responsabilidade compartilhada no uso de agrotóxicos.

    Para o agricultor, a condenação representa uma compensação financeira e o reconhecimento da gravidade da situação. Assim, o caso de Uberlândia serve como alerta para que todos os produtores rurais adotem boas práticas, garantindo segurança e respeito mútuo no campo.

  • Psilídeo-de-concha: desafio para o setor florestal brasileiro

    Psilídeo-de-concha: desafio para o setor florestal brasileiro

    O Brasil, um dos maiores produtores mundiais de celulose e produtos derivados do setor florestal, enfrenta um dos seus principais desafios: o psilídeo-de-concha (Glycaspis brimblecombei). Este inseto, de origem australiana, pode causar perdas de até 30% nas plantações de eucalipto, afetando significativamente a produtividade e a sustentabilidade do setor.

    O setor de árvores cultivadas no Brasil contribui com R$ 37,9 bilhões para o PIB nacional e gera R$ 202 bilhões em receita bruta anual, além de exportar US$ 12,7 bilhões. As florestas cultivadas também desempenham um papel crucial no sequestro de carbono, estocando cerca de 4,92 bilhões de toneladas de CO₂eq. No entanto, o psilídeo-de-concha tem se expandido rapidamente desde sua chegada ao Brasil em 2003, aumentando mais de 65% entre 2020 e 2023.

    Danos causados pelo psilídeo-de-concha

    As plantas afetadas apresentam folhas cobertas por pequenas conchas cônicas, que podem causar desfolhamento e levar à morte das árvores. Além disso, a infestação reduz a área foliar, diminuindo a atividade fotossintética e comprometendo o desenvolvimento das plantas. A Embrapa estima que o inseto pode causar perdas de produtividade de até 30%, além de favorecer o ataque de pragas secundárias e a ocorrência de doenças.

    Diante desse cenário, a BASF lançou o Fastac® Duo, um produto de ação sistêmica e de contato que combina eficiência no controle com flexibilidade na aplicação. O produto permite até três aplicações anuais, com um período de reentrada adaptado às necessidades de cada produtor. O lançamento ocorreu no BASF Forest Summit 2025, um evento que reuniu especialistas do setor florestal para discutir tecnologia e inovação.

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  • Biocarvão de eucalipto ajuda na melhoria do solo

    Biocarvão de eucalipto ajuda na melhoria do solo

    Um estudo recente realizado no Centro Experimental Central do Instituto Agronômico (IAC), em Campinas (SP), trouxe novas evidências sobre os efeitos do biochar (biocarvão) de eucalipto na qualidade de solos argilosos em ambientes tropicais. A pesquisa, conduzida em parceria com a Embrapa Meio Ambiente e a Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul, teve duração de 28 meses e focou na eficácia do biocarvão em solos altamente intemperizados, que apresentam significativa presença de óxidos e hidróxidos de ferro e alumínio.

    Isabella Lucon, professora da Faculdade de Agronegócios de Holambra (Faagroh), explica que o solo utilizado no estudo, típico de regiões tropicais, é naturalmente desafiador para a agricultura devido à sua baixa fertilidade e alta acidez. “No entanto, a aplicação de biochar se mostrou promissora na melhoria de propriedades físicas e químicas do solo”, observa.

    O biocarvão, produzido a partir de resíduos de eucalipto por meio de pirólise, foi incorporado ao solo e seus efeitos foram monitorados durante dois ciclos de cultivo de milho, nas safras de 2016/2017 e 2017/2018.

    Resultados do estudo

    Ruan Carnier, bolsista na Embrapa Meio Ambiente, destaca que os resultados indicaram melhorias significativas na fertilidade do solo. “A aplicação do biochar aumentou a disponibilidade de nutrientes essenciais, como fósforo, cálcio e potássio, na camada de solo de 5 cm a 10 cm de profundidade. Esses elementos são fundamentais para o crescimento saudável das plantas, e seu aumento pode contribuir para aumentar a produtividade agrícola em solos previamente deficientes”, afirma Carnier.

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    Cristiano Andrade, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, complementa que, além das melhorias químicas, o biochar também influenciou positivamente as propriedades físicas do solo. A densidade aparente, que indica a compactação do solo, diminuiu, enquanto a porosidade total aumentou. “Essas mudanças são benéficas para a estrutura do solo, facilitando a penetração das raízes e a movimentação de água e ar, que são essenciais para a saúde das plantas”, enfatiza Andrade.

    Retenção de água e desafios

    Outro aspecto positivo observado foi o aumento da capacidade do solo em reter água. Para cada tonelada de biochar aplicada, houve um incremento de 500 litros de água disponível por hectare. Essa retenção hídrica pode ser crucial em períodos de estiagem, especialmente para culturas com menor demanda hídrica, como algumas culturas de inverno.

    Aplicação do biocarvão – Foto- Isabella Lucon

    Entretanto, o estudo também revelou limitações importantes na aplicação do biochar em solos argilosos de regiões tropicais. Embora tenha havido melhorias na porosidade e na retenção de água, a resistência do solo à penetração, que indica a facilidade com que as raízes podem crescer, não foi significativamente afetada. Além disso, os pesquisadores apontam para a questão do custo-benefício. Já que doses maiores de biochar podem ser necessárias para efeitos mais expressivos, elevando os custos. O estudo não detectou mudanças significativas nos níveis de micronutrientes ou no carbono orgânico do solo, o que poderia limitar os benefícios a longo prazo.

    Implicações e futuras pesquisas

    Este estudo destaca a importância de considerar as características específicas do solo e do ambiente ao avaliar a eficácia do biocarvão. Em regiões tropicais com solos argilosos, o uso de biochar pode trazer benefícios, mas esses são mais discretos em comparação a outros tipos de solo. Portanto, antes de recomendar sua aplicação em larga escala, é crucial realizar análises econômicas e experimentos de longo prazo que levem em conta as particularidades de cada região.

    Os pesquisadores enfatizam que, apesar das limitações, o biochar continua sendo uma ferramenta promissora para a melhoria do solo. Especialmente em áreas onde a sustentabilidade agrícola é uma preocupação. Eles apontam para a necessidade de mais pesquisas em campo para entender melhor as interações do produto com diferentes tipos de solo e condições climáticas. As futuras pesquisas deverão se concentrar em otimizar as doses e métodos de aplicação para maximizar os benefícios. Isso enquanto se avaliam os custos e a viabilidade econômica para os agricultores.

     

  • Maior experimento mundial com sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta

    Maior experimento mundial com sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta

    A Embrapa Agrossilvipastoril concluiu o primeiro ciclo de 12 anos do maior experimento mundial com sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) em Sinop (MT). As pesquisas ofereceram dados fundamentais para o uso de árvores nesses sistemas produtivos.

    Decisões baseadas em fatores técnicos

    A estratégia de uso das árvores em sistemas ILPF varia conforme o interesse do produtor. Fatores como destinação da madeira, mercado consumidor, forma de colheita e uso das árvores influenciam as decisões. Ou seja, cada projeto é único, mas deve-se basear em fundamentos técnicos da pesquisa.

    A pesquisa usou eucalipto (clone H13) devido ao rápido crescimento e múltiplos usos. As árvores foram testadas em sistemas ILF, IPF e ILPF, além da monocultura como controle. O plantio inicial ocorreu em renques de três linhas, espaçadas a 30 metros. Os pesquisadores reduziram algumas linhas a uma única linha espaçada a 37 metros.

    Produção de madeira

    Nos 12 anos, os sistemas integrados produziram entre 87 m³ e 114 m³ de madeira por hectare. A produção variou conforme o número de árvores mantidas. Mais árvores resultaram em menor produção de grãos e forragem. “A produtividade do sistema deve ser considerada globalmente”, destaca o pesquisador Maurel Behling.

    A área testemunha com monocultura de eucalipto produziu 350 m³/ha, dentro da média do H13 em Mato Grosso, que é de 32 m³/ha.

    Crescimento e acúmulo de carbono

    Os dados de crescimento mostraram o efeito bordadura nas árvores externas, que recebiam mais luz e nutrientes. No sistema ILPF, o efeito bordadura foi mais evidente nos renques triplos. Além disso, esse sistema também acumulou mais carbono, chegando a 30 kg/ano por árvore, acima dos 20 kg/ano na monocultura.

    Recomendações práticas

    Os resultados oferecem subsídios para o planejamento de sistemas ILPF. Se o objetivo é adicionar renda ou melhorar o conforto térmico do gado, recomenda-se linhas simples. Para maior número de árvores, é possível usar renques de múltiplas linhas. A análise do mercado consumidor da madeira é crucial no planejamento do sistema.

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    Fim de um ciclo, início de outro

    O primeiro ciclo de ILPF com foco em pecuária e grãos termina com o corte dos eucaliptos após 12 anos. Ainda restam 3.666 árvores em 43 hectares. A venda da madeira pode render até 514 mil reais, sem contar a produção de carne e grãos.

    O próximo experimento incluirá teca, além do eucalipto. A combinação das duas espécies será testada, visando melhorar o conforto térmico e escalonar as receitas.

    Maior experimento mundial

    O experimento de ILPF da Embrapa é um dos maiores do mundo, com 72 hectares e dez tratamentos distintos. Desde 2011, pesquisadores analisam solo, água, microclima, forragicultura, sanidade animal e vegetal, microbiologia e emissão de gases de efeito estufa.

    Entre os resultados está o Sistema PPS (Precocidade, Produtividade e Sustentabilidade), que usa ILP e IPF para manejo da pecuária de cria.