Tag: Estreito de Ormuz

  • Petroleiros desafiam bloqueio iraniano e recorrem a rota arriscada

    Petroleiros desafiam bloqueio iraniano e recorrem a rota arriscada

    O transporte global de petróleo segue enfrentando desafios no Estreito de Ormuz, um dos principais corredores energéticos do mundo. Diante do bloqueio imposto pelo Irã, diversos navios petroleiros passaram a utilizar uma rota alternativa próxima ao litoral de Omã, considerada mais arriscada por especialistas do setor marítimo.

    De acordo com informações divulgadas pelo jornal Financial Times, cerca de 15 embarcações utilizam diariamente esse trajeto, sendo a maioria composta por petroleiros. Além disso, duas fontes afirmaram que os navios contam com cobertura aérea das forças dos Estados Unidos durante a travessia.

    Empresas ligadas ao transporte de petróleo e ao monitoramento do tráfego marítimo alertam para os riscos desse percurso. Segundo essas companhias, a passagem é extremamente estreita e oferece pouca margem para manobras.

    Missão secreta dos EUA

    Enquanto isso, na quarta-feira (10/6), o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que está conduzindo uma “missão secreta” para garantir a circulação de petroleiros na região. Segundo o republicano, aproximadamente 100 milhões de barris de petróleo já atravessaram a rota marítima e devem chegar aos mercados internacionais.

    Além disso, Trump atribuiu a estabilidade dos preços internacionais do petróleo ao funcionamento desse corredor alternativo. Atualmente, o barril do Brent, principal referência global para o mercado, é negociado em torno de US$ 92. Antes do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, o valor da commodity variava entre US$ 70 e US$ 72 por barril.

    Estreito de Ormuz, canal marítimo por onde passa 20% do petróleo mundial

    Irã reforça bloqueio no Estreito de Ormuz

    Por outro lado, o governo iraniano voltou a sustentar que mantém um bloqueio total no Estreito de Ormuz. O país havia criado a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PSGA) para supervisionar o tráfego marítimo na região, permitindo anteriormente a passagem controlada de algumas embarcações em coordenação com a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC).

    Entretanto, nesta quinta-feira (11), a agência Fars divulgou um comunicado oficial da PSGA informando que o estreito permanecerá fechado por tempo indeterminado. Dessa forma, embarcações que já haviam recebido autorização para cruzar a região deverão aguardar novas orientações das autoridades iranianas.

    No comunicado, a autoridade afirmou:

    “Em razão das tensões criadas pelas forças agressoras dos Estados Unidos na região e do comunicado emitido pelas Forças Armadas da República Islâmica do Irã na noite passada, o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até novo aviso. Os solicitantes que receberam autorização de passagem devem aguardar e seguir as orientações futuras da Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA).”

    O cenário mantém elevada a atenção dos mercados de energia, da logística marítima internacional e das cadeias produtivas dependentes do abastecimento de petróleo, fator que pode influenciar custos de transporte, combustíveis e insumos em diversos setores da economia mundial.

  • Por que a gasolina está tão cara? Entenda o que influencia o preço dos combustíveis no Brasil

    Por que a gasolina está tão cara? Entenda o que influencia o preço dos combustíveis no Brasil

    O preço da gasolina e do diesel continua pesando no bolso dos brasileiros. No entanto, muita gente ainda acredita que o valor cobrado nos postos depende apenas da Petrobras ou dos donos de postos. Na prática, diversos fatores nacionais e internacionais influenciam diretamente o preço final dos combustíveis no Brasil.

    Atualmente, os custos de produção e importação representam cerca de 61% do valor final pago pelo consumidor. Já os tributos correspondem a 16%, enquanto os biocombustíveis somam 10%. Além disso, os custos de distribuição e revenda representam outros 13%, sendo aproximadamente 5% referentes à margem das distribuidoras.

    Segundo o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom), o preço nas bombas resulta de uma cadeia complexa. Ou seja, nenhum setor sozinho é responsável pelas altas ou quedas observadas no mercado.

    O que influencia o preço da gasolina e do diesel?

    Diversos fatores ajudam a definir o valor final dos combustíveis no país. Entre os principais, estão:

    • Cotação internacional do barril de petróleo;
    • Variação do dólar;
    • Contexto geopolítico internacional;
    • Carga tributária federal e estadual;
    • Custos logísticos;
    • Mistura obrigatória de biocombustíveis.

    Além disso, o Brasil ainda depende da importação de parte do diesel consumido internamente. Atualmente, cerca de 30% do diesel utilizado no país é importado. Dessa forma, importadoras e distribuidoras assumem riscos relacionados ao câmbio, ao transporte e às oscilações do mercado internacional para garantir o abastecimento nacional.

    O setor de distribuição também exerce um papel importante no funcionamento da economia. Segundo dados do Sindicom, aproximadamente 200 mil veículos são abastecidos por hora em todos os municípios brasileiros.

    Preço dos combustíveis sofre influência de fatores como petróleo, dólar, impostos e cenário internacional — Foto: Reprodução/Unsplash

    Como o preço do combustível é formado?

    O valor pago pelo consumidor é composto por quatro etapas principais: refinaria, biocombustíveis, impostos e distribuição.

    Preço na refinaria

    A Petrobras vende o combustível às distribuidoras ainda na refinaria. Esse valor sofre influência direta de fatores internacionais, principalmente:

    • preço do barril de petróleo no mercado global;
    • cotação do dólar.

    Além disso, a estatal costuma seguir a chamada política de paridade internacional (PPI). Na prática, isso significa que os preços internos acompanham as oscilações do mercado externo.

    Mistura com biocombustíveis

    Antes de chegar aos postos, a gasolina e o diesel recebem a adição de biocombustíveis.

    A gasolina, por exemplo, é misturada ao etanol anidro. Já o diesel recebe biodiesel na composição. Os preços desses produtos variam conforme fatores agrícolas, demanda interna, subsídios e condições de safra.

    Tributos aumentam o valor nas bombas

    Os impostos representam uma parcela relevante do preço dos combustíveis no Brasil. Entre os principais tributos cobrados estão:

    • ICMS: imposto estadual sobre circulação de mercadorias e serviços;
    • CIDE: contribuição federal voltada para infraestrutura de transporte e projetos ligados ao petróleo e gás;

    PIS/Pasep e Cofins: tributos destinados ao financiamento de benefícios e programas sociais.

    Assim, qualquer alteração tributária pode gerar impacto imediato nos preços praticados nos postos.

    Gráfico da formação do preço da gasolina — Elaboração: Petrobrás/Dados: ANP e USP

    Distribuição e revenda também entram na conta

    Os postos compram o combustível já misturado das distribuidoras e definem o valor final ao consumidor. Nesse cálculo, entram despesas com transporte, operação, funcionários, logística e margem de lucro.

    Portanto, o preço exibido na bomba não reflete apenas o valor produzido pela refinaria.

    Estreito de Ormuz pode afetar os combustíveis no Brasil

    Mesmo distante do Oriente Médio, o Brasil também sente os reflexos das tensões internacionais. Um dos pontos mais estratégicos para o mercado mundial de petróleo é o Estreito de Ormuz, localizado entre o Golfo Pérsico e o Mar de Omã.

    Atualmente, cerca de 20% do petróleo mundial passa pela região.

    Em 2025, por exemplo, os conflitos envolvendo Irã, Israel e os Estados Unidos elevaram o alerta global. O Parlamento iraniano chegou a sugerir o fechamento do estreito como resposta às tensões internacionais.

    Somente a possibilidade de interrupção no fluxo de petróleo já provocou preocupação no mercado internacional.

    Entre os possíveis impactos estão:

    • elevação do barril do petróleo Brent para até US$ 130;
    • aumento dos custos de transporte marítimo e seguros;
    • alta do risco geopolítico e maior pressão inflacionária.

    Mesmo sendo um importante produtor de petróleo, o Brasil ainda importa combustíveis refinados e segue referências internacionais de preços. Por isso, qualquer instabilidade externa pode provocar aumento no valor da gasolina, do diesel, do frete, dos alimentos e até das passagens de transporte público.

  • Guerra no Irã ameaça 10 bilhões de refeições por semana

    Guerra no Irã ameaça 10 bilhões de refeições por semana

    O conflito no Oriente Médio parou de ser apenas um problema geopolítico e já bate na porta do campo, nos estoques de insumos e no prato de bilhões de pessoas ao redor do mundo.

    A interrupção do fornecimento de fertilizantes causada pela guerra no Irã pode custar até 10 bilhões de refeições por semana em todo o mundo, segundo o CEO da Yara, uma das maiores produtoras de fertilizantes do planeta. O número impressiona, mas o mecanismo por trás dele é direto: sem fertilizante nitrogenado, a produção agrícola cai.

    O estrangulamento começa em Ormuz

    Tudo passa pelo Estreito de Ormuz: cerca de um terço dos fertilizantes do mundo, incluindo ureia, potássio, amônia e fosfatos, normalmente transita por essa via marítima. Com as hostilidades no Golfo bloqueando o tráfego, a cadeia de suprimentos global trava.

    Svein Tore Holsether, CEO da Yara, foi direto ao ponto em entrevista à BBC: “Até meio milhão de toneladas de fertilizante nitrogenado não estão sendo produzidas no mundo no momento devido à situação em que estamos. O que isso significa para a produção de alimentos? Eu estimaria até 10 bilhões de refeições que deixarão de ser produzidas a cada semana como resultado da falta de fertilizantes.”

    Mesmo que o estreito reabrisse amanhã, os preços elevados tendem a persistir, já que parte da produção e das matérias-primas já foi perdida.

    Queda de até 50% na produtividade das lavouras

    O impacto vai além dos números abstratos. Não aplicar fertilizante nitrogenado reduziria a produtividade de algumas culturas em até 50% já na primeira safra. Isso significa menos grãos, menos colheita e menos comida chegando ao mercado, tudo ao mesmo tempo.

    Os principais destinos afetados seriam Ásia, Sudeste Asiático, África e América Latina, regiões onde o impacto imediato seria mais visível. Holsether ainda alertou que áreas da África subsaariana, onde já há subfertilização crônica, poderiam registrar “quedas significativas” na produção agrícola.

    Para o agronegócio brasileiro, o cenário exige atenção redobrada. O Brasil importou 43,3 milhões de toneladas de fertilizantes no ano passado, enquanto a produção nacional ficou em 7,2 milhões de toneladas, com a importação ainda responsável por 85% do abastecimento interno.

    O Ministério da Agricultura identificou o risco com urgência. Notas técnicas da secretaria-executiva apontam “alto risco real de um déficit de volume estimado entre 1 e 3 milhões de toneladas de fertilizantes fosfatados em 2026, suficiente para comprometer a produtividade das safras 2026/2027.”

    Os mais vulneráveis pagam a conta mais alta

    O CEO da Yara foi enfático ao alertar os países europeus sobre um detalhe que costuma passar despercebido nos debates sobre segurança alimentar: “Se há uma disputa por alimentos e uma que a Europa é robusta o suficiente para lidar, o que precisamos ter em mente é: nessa situação, de quem estamos tirando comida ao comprarmos? Essa é uma situação em que as pessoas mais vulneráveis pagam o preço mais alto, em nações em desenvolvimento que não podem se dar ao luxo de acompanhar.”

    O Programa Mundial de Alimentos da ONU estima que as consequências combinadas do conflito no Oriente Médio poderiam levar 45 milhões de pessoas a mais à fome aguda em 2026. Na Ásia e no Pacífico, a insegurança alimentar deve crescer 24%, o maior aumento relativo de qualquer região.

  • Guerra contra o Irã coloca em risco a produção agrícola global

    Guerra contra o Irã coloca em risco a produção agrícola global

    O bloqueio das rotas marítimas pelo estreito de Ormuz, provocado pelo conflito entre os Estados Unidos, Israel e o Irã, pode retirar até 10 bilhões de refeições semanais da mesa de pessoas ao redor do mundo. O alerta vem de Svein Tore Holsether, presidente-executivo da Yara, um dos maiores produtores de fertilizantes do planeta.

    “Até meio milhão de toneladas de fertilizante nitrogenado não estão sendo produzidas no mundo no momento”, afirmou Holsether em entrevista à BBC. “O que isso significa para a produção de alimentos? Estimaria até 10 bilhões de refeições que deixarão de ser produzidas a cada semana como resultado.”

    Segundo as Nações Unidas, cerca de um terço dos fertilizantes globais, incluindo ureia, potássio, amônia e fosfatos, passam normalmente pelo estreito de Ormuz. Com o bloqueio, o preço dos fertilizantes já subiu 80% desde o início das hostilidades. A queda na aplicação de fertilizante nitrogenado pode reduzir a produtividade de algumas culturas em até 50% já na primeira safra.

    Os mais vulneráveis na linha de frente

    O impacto não será distribuído de forma igualitária. África subsaariana, Ásia, Sudeste Asiático e América Latina concentram os maiores riscos imediatos. Regiões que já operam com subfertilização, como partes da África, podem enfrentar quedas ainda mais acentuadas na produção agrícola.

    “Essa é uma situação em que as pessoas mais vulneráveis pagam o preço mais alto”, disse Holsether. “Nações em desenvolvimento não podem se dar ao luxo de acompanhar” uma disputa por alimentos com os países mais ricos.

    O Programa Mundial de Alimentos da ONU estima que as consequências combinadas do conflito no Oriente Médio podem levar 45 milhões de pessoas a mais à fome aguda em 2026. Na Ásia e no Pacífico, a insegurança alimentar deve crescer 24%, o maior aumento relativo entre todas as regiões.

    Efeito nos preços chega com atraso

    As épocas de plantio variam conforme a região. O Reino Unido atravessa a alta temporada de plantio, enquanto agricultores asiáticos estão apenas começando o ciclo. Por isso, os efeitos da escassez de fertilizantes nos preços dos alimentos na Ásia só devem aparecer no fim do ano, quando colheitas menores chegarem ao mercado, ou simplesmente não chegarem.

    “Se a crise se prolongar por mais tempo, veremos um impacto em culturas como o arroz nos próximos meses”, afirmou Paul Teng, pesquisador sênior em segurança alimentar em Cingapura.

    No Reino Unido, a Federação de Alimentos e Bebidas projeta inflação alimentar de até 10% em dezembro. O Banco da Inglaterra prevê alta de 4,6% nos preços de alimentos até setembro, com pressão maior no final do ano.

    Agricultores já sentem o aperto

    Além dos fertilizantes, produtores rurais enfrentam uma combinação de pressões simultâneas: alta no preço do diesel, aumento de outros insumos e custos de energia mais elevados. O problema é que os preços das safras ainda não subiram na mesma proporção.

    “Eles enfrentam custos de energia mais altos, o diesel para trator está aumentando, outros insumos estão aumentando, o custo do fertilizante está aumentando, mas os preços das safras ainda não acompanharam”, disse Holsether.

    O executivo pediu aos países europeus, portanto, que avaliem com cuidado o impacto de uma guerra de preços por alimentos sobre as populações mais frágeis em outras partes do mundo. “De quem estamos tirando comida ao comprarmos, nessa situação?”, questionou.

  • Agro redireciona rotas e usa Mar Vermelho após bloqueio no Estreito de Ormuz

    Agro redireciona rotas e usa Mar Vermelho após bloqueio no Estreito de Ormuz

    O agronegócio brasileiro mergulha em um verdadeiro pesadelo logístico. O Estreito de Ormuz, essa artéria vital do comércio global, fechou no fim de fevereiro de 2026 em meio às tensões entre Irã, EUA e Israel. Remessas de frango, grãos e soja agora desviam para o Mar Vermelho, um caminho que dobra custos de frete e acende temores de atrasos que pesam direto no seu bolso.

    Rotas redirecionadas

    Enquanto os exportadores correm para manter os produtos rolando, grandes transportadoras redirecionam navios carregados com os 95 mil contêineres de frango brasileiro do ano passado, rumo ao Oriente Médio. Ricardo Santin, do comando da ABPA, diz que nenhum rompimento grande aconteceu ainda; navios em trânsito tentam passagem, enquanto o Ministério da Agricultura ajusta papéis para novos portos. Ainda assim, fretes de contêineres refrigerados quase dobraram da noite pro dia, corroendo lucros em cada etapa.

    Mudança de rotas após bloqueio pressiona fretes, atrasa cargas e afeta insumos agrícolas

    O desvio pelo Mar Vermelho salva alguns negócios, mas armazéns lotam com cargas congeladas que não esperam pra sempre. Negociantes miram portos turcos como rota alternativa esperta pra Ásia Central, burlando o bloqueio do Golfo por completo.

    Escassez de fertilizantes já é um problema

    O Brasil importa 85% dos fertilizantes, e 20-30% do suprimento mundial passa por Ormuz. Preços da ureia saltaram 36% em dias, enquanto o enxofre pros fosfatos atrasa, encarecendo soja, milho e algodão em todo o Cerrado.

    Daniel Kümmel, da Abitrigo, alerta pro baque imediato. “Esse fechamento do Estreito de Ormuz já impacta diretamente nossos negócios, porque fretes marítimos vão mudar, a questão dos seguros e a questão também do petróleo em si.” Estoques de trigo aguentam três meses, mas pães podem subir de preço no país todo se o rolo se arrastar. Um dólar mais forte engorda a receita de exportação em reais, mas agrotóxicos e máquinas importadas mordem de volta.

    Produtor rural vive momento de tensão

    O agro fica de olho em cada faísca do conflito. Problemas logísticos dominam sobre proibições totais, somando-se aos engasgos globais de navios. Especialistas da UFG apontam a falta de ureia e enxofre como as verdadeiras assassinas de produtividade na próxima safra.

    Produtores se viram onde dá, mas o tabuleiro segue instável. Uma guerra prolongada pode forçar cortes no plantio ou margens de navalha. Todo mundo acompanha os fios diplomáticos, torcendo por um alívio antes do próximo ciclo de cultivo decolar.

  • Querosene de aviação sobe 55%: o que a guerra no Irã tem a ver com o preço da sua passagem

    Querosene de aviação sobe 55%: o que a guerra no Irã tem a ver com o preço da sua passagem

    O conflito entre os Estados Unidos, Israel e o Irã está deixando de ser apenas uma crise geopolítica distante. Gradualmente, ele se transforma em um problema concreto para quem precisa viajar, transportar carga ou produzir no Brasil. O barril de petróleo atingiu US$ 116 nesta semana. Isso representa uma alta de 50% desde o início das hostilidades. Diante disso, analistas de Wall Street já discutem a possibilidade de o preço chegar a US$ 200 caso a guerra se prolongue.

    A consequência mais imediata para os brasileiros é sentida pelo ar. A partir desta quarta-feira, 1º de abril, o querosene de aviação passou a custar 55% mais caro.

    O que travou o mercado global de petróleo

    O principal gatilho para a disparada foi o fechamento parcial do Estreito de Ormuz. Essa rota estratégica escoa grande parte do petróleo exportado do Golfo Pérsico. Com o bloqueio, o barril ultrapassou a marca de US$ 100 e, em seguida, continuou subindo.

    Somam-se a isso os ataques houthis contra Israel, a escalada militar americana contra o Irã e o impasse diplomático entre Washington e Teerã. Juntos, esses fatores criaram um ambiente de incerteza intensa. Historicamente, mercados de commodities reagem mal a esse tipo de combinação. Por isso, os preços dispararam. Caso o bloqueio do estreito se prolongue, analistas alertam que o fluxo global de petróleo pode cair de forma drástica. Nesse cenário, indústrias, transportes e a produção agrícola dependente de diesel e insumos do petróleo sentirão o impacto diretamente.

    55% mais caro: o que muda para quem voa

    A Petrobras reajustou o querosene de aviação em 55% a partir de 1º de abril. A medida é consequência direta da alta internacional do petróleo, impulsionada pela guerra no Oriente Médio. Atualmente, esse combustível responde por até 36% dos custos operacionais das companhias aéreas brasileiras.

    A Vibra Energia, distribuidora de QAV nos aeroportos do país, já confirmou o repasse do reajuste. Além dela, a Air BP e a Raízen também sinalizaram ajustes. No entanto, nenhuma das duas divulgou percentuais, devido à volatilidade diária dos preços.

    Para o consumidor final, a matemática é direta. Segundo executivos da holding Abra, que reúne Gol e Avianca, cada aumento de US$ 1 por galão no combustível exige um repasse de cerca de 10% nas tarifas para preservar a rentabilidade. Na prática, a Azul já elevou suas tarifas em mais de 20% em apenas três semanas. Além disso, a empresa reduziu capacidade operacional para conter custos.

    Os dados oficiais confirmam essa tendência. Segundo o IBGE, as passagens aéreas subiram 5,94% na primeira quinzena de março. Entre todos os itens medidos, esse foi o de maior impacto individual na inflação do período.

    O impacto no agronegócio

    Para o setor agropecuário, a crise do petróleo vai além do preço da passagem. O frete aéreo de produtos de alto valor também sofre pressão direta. Flores, frutas frescas e carnes exportadas estão entre os itens mais vulneráveis. Além disso, o aumento do petróleo empurra para cima o diesel, o gás e os fertilizantes nitrogenados. Todos esses insumos dependem, direta ou indiretamente, da cadeia do petróleo.

    Com o barril em patamares historicamente elevados, produtores que usam aviação para escoar produção perecível ou acessar regiões remotas precisam monitorar seus custos operacionais de perto. Por enquanto, o cenário aponta para meses de pressão sobre margens. Para quem não tem contratos de frete fixados, o risco é ainda maior.

    O que vem pela frente

    O presidente Donald Trump afirma que um acordo com o Irã pode estar próximo. Contudo, suas ações práticas apontam na direção oposta. Washington avalia operações militares de alto risco na região, incluindo ações que poderiam atingir diretamente a infraestrutura energética iraniana.

    Nesse contexto, o mercado aguarda com apreensão. Quando o querosene sobe de forma expressiva, as companhias aéreas dificilmente conseguem absorver o impacto sozinhas. Por isso, o repasse ao consumidor tende a ser inevitável. Assim sendo, quem planeja viajar nos próximos meses deve considerar antecipar a compra de passagens antes que novos reajustes cheguem.

    Para o agronegócio, a lição é mais ampla. Conflitos a milhares de quilômetros do Brasil conseguem afetar desde o custo do frete aéreo até o preço do fertilizante. Por isso, em um setor cada vez mais integrado ao mercado global, monitorar a geopolítica já faz parte da boa gestão rural.

  • Brasil garante rota alternativa via Turquia meio à crise no Estreito de Ormuz

    Brasil garante rota alternativa via Turquia meio à crise no Estreito de Ormuz

    O Brasil garantiu uma rota alternativa para manter o fluxo das exportações do agronegócio diante da crise no Estreito de Ormuz. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) concluiu negociação com a Turquia que permite o trânsito e o armazenamento temporário de cargas brasileiras em solo turco, possibilitando que os produtos cheguem ao Oriente Médio e à Ásia Central sem precisar cruzar o Golfo Pérsico.

    A estrutura portuária turca, que já era utilizada por exportadores brasileiros, ganhou um novo respaldo jurídico com a criação do Certificado Veterinário Sanitário para Produtos Sujeitos a Controles Veterinários em Trânsito Direto pela República da Turquia ou para Armazenamento Temporário. O documento foi a solução encontrada após o país passou a exigir novas regras sanitárias para produtos de origem animal.

    Na prática, o certificado garante que mercadorias como carnes, lácteos e outros produtos de origem animal possam atravessar o território turco ou ficar armazenadas temporariamente antes de seguir ao destino final. Isso sem burocracia extra e sem riscos de bloqueio sanitário.

    A medida traz mais segurança e previsibilidade ao setor exportador brasileiro em um momento de forte instabilidade nas rotas marítimas internacionais, reforçando a atuação do Mapa para manter o comércio agropecuário em funcionamento.

    Por que o Estreito de Ormuz ameaça as exportações brasileiras?

    A crise que motivou a busca por rotas alternativas tem origem em um dos pontos mais estratégicos do planeta. O Estreito de Ormuz é a única passagem do Golfo Pérsico para o mar aberto, conectando ao sul o Oriente Médio ao Mar Arábico. Ao contrário de canais como o Panamá, Ormuz funciona como um beco sem saída. Portanto, quem entra pelo sul precisa sair pelo mesmo caminho.

    Sua importância econômica é difícil de contabilizar. A Agência Internacional de Energia (IEA) estima que cerca de 25% do comércio global de petróleo passe por Ormuz. Isso é o equivalente a 20 milhões de barris por dia em 2025, com 80% desse volume destinado à Ásia. Além disso, cerca de 19% do comércio mundial de gás natural liquefeito também transita pelo estreito, representando 93% da produção do Catar.

    A crise atual teve início em 28 de fevereiro de 2026. Após ataques militares conjuntos dos Estados Unidos e Israel contra alvos iranianos, incluindo a morte do líder supremo Ali Khamenei, o Irã fechou o Estreito de Ormuz a navios estrangeiros. A Guarda Revolucionária Islâmica transmitiu avisos proibindo qualquer embarcação de atravessar a passagem.

    O impacto foi imediato nos mercados globais. Os preços do petróleo ultrapassaram US$ 100 por barril, e o bloqueio ameaça provocar forte inflação caso se prolongue. Grandes transportadoras como Maersk e Hapag-Lloyd suspenderam operações na área.

    O estreito não está formalmente fechado para todos os países. O chanceler iraniano Seyed Abbas Araqchi declarou que Ormuz segue aberto apenas para nações consideradas amigas do Irã, como China, Rússia, Índia, Iraque e Paquistão. Para cargas com origem ou destino em países aliados dos Estados Unidos, a rota pelo Golfo Pérsico tornou-se inviável.

    Para o agronegócio brasileiro, que tem no Oriente Médio e na Ásia Central destinos estratégicos, o acordo com a Turquia representa uma salvaguarda concreta enquanto a situação geopolítica na região permanece indefinida.

  • Conflito no Oriente Médio eleva preços do café

    Conflito no Oriente Médio eleva preços do café

    Os preços do café voltaram a subir em março após quedas registradas em fevereiro. O avanço ocorre após impactos do conflito no Oriente Médio. Os dados do Cepea mostram recuperação de parte das perdas registradas no mês anterior.

    Em fevereiro, as cotações caíram no Brasil e no exterior. O mercado reagiu à expectativa de safra recorde em 2026/27. No entanto, o cenário geopolítico mudou esse movimento. O conflito no Oriente Médio voltou a pressionar o mercado global.

    Conflito e câmbio impulsionam cotações

    Além das tensões geopolíticas, o dólar ganhou força frente ao real. Esse movimento também influenciou os preços internos. Outro fator importante envolve riscos logísticos no Estreito de Ormuz. A rota concentra parte relevante do transporte marítimo mundial.

    As preocupações com possíveis bloqueios elevaram as cotações do arábica na bolsa internacional.
    O café arábica negociado na ICE Futures registrou valorização. Como resultado, os preços também subiram no Brasil.

    Dificuldades logísticas podem afetar oferta

    Pesquisadores do Cepea alertam para impactos nas rotas comerciais globais. Com custos maiores e logística comprometida, produtores asiáticos podem enfrentar dificuldades para abastecer mercados ocidentais. Ou seja, esse cenário pode reduzir a oferta disponível em alguns destinos consumidores.

    Negócios avançam no mercado spot

    A recente valorização estimulou negócios no mercado físico brasileiro. Ainda assim, os pesquisadores relatam negociações com volumes reduzidos. Em geral, os produtores seguem cautelosos diante das incertezas no cenário internacional e nas cotações futuras.

  • Conflito entre Israel e Irã pode pressionar preços no Brasil

    Conflito entre Israel e Irã pode pressionar preços no Brasil

    A escalada da guerra entre Israel e Irã já provoca impactos econômicos. O Brasil, como parte do mercado global, sente os efeitos. Ou seja, o risco de um confronto direto entre um país com armas nucleares, como Israel, e outro em busca delas, como o Irã, cresce a cada dia. Contudo, os efeitos vão além da esfera militar. A tensão no Oriente Médio gera incerteza nos mercados e pressiona os preços.

    Estreito de Ormuz pode ser fechado

    O Irã ocupa uma posição estratégica no Golfo Pérsico. O país controla o Estreito de Ormuz, fundamental para o comércio global. Em resumo, por essa rota passam combustíveis fósseis e produtos importados pela Arábia Saudita. O país mantém relação próxima com os Estados Unidos, mas rivaliza com o Irã.

    Exportadores brasileiros também dependem da região. A Arábia Saudita e os Emirados Árabes são grandes compradores de carne bovina do Brasil. Além disso, cerca de 25% do petróleo mundial cruza o Estreito de Ormuz. Isso inclui petróleo do Irã e de países como Arábia Saudita, Kuwait, Iraque e Emirados.

    Após ataques israelenses, o governo iraniano ameaçou fechar o estreito. A agência IRA Novosti divulgou a informação nesta sexta-feira (14). Apenas a possibilidade já trouxe impactos. A Frontline, uma das maiores petroleiras do mundo, anunciou que vai evitar a rota de Ormuz.

    Petróleo dispara e pressiona economia

    Mesmo sem bloqueio total, a crise já afeta os preços. O petróleo subiu 7,26% apenas na sexta-feira (13). Desde 10 de junho, quando surgiram os primeiros rumores de ataque, a alta acumulada chegou a 12,3%. A tendência é de novas elevações.

    Israel atacou quatro alvos estratégicos no Irã. Foram bombardeadas refinarias em Shahran, South Pars e Fajr Jam, além de um porto de gás natural.

    Devido a sanções do Ocidente, o Irã vende petróleo principalmente à China. Por isso, o impacto direto sobre o Ocidente é limitado. Entretanto, como o petróleo é uma commodity, a oferta menor eleva os preços. A China buscará novos fornecedores, aumentando a disputa global.

    O Irã possui a quarta maior reserva mundial de petróleo. Portanto, fica atrás apenas de Venezuela, Arábia Saudita e Canadá.

    Preços devem subir no Brasil

    Com o petróleo mais caro, os reflexos chegam rápido. O impacto direto será sentido nos postos de combustíveis. Além disso, produtos importados ou fabricados com peças externas também vão encarecer. O transporte rodoviário, essencial para abastecer os supermercados, também deve ficar mais caro. Isso pressionará os preços ao consumidor.

    Dólar sobe em meio à instabilidade

    O avanço da guerra aumenta a volatilidade no mercado internacional. O temor de uma escalada envolvendo potências como os EUA preocupa investidores. Nesses momentos, o mercado busca segurança no dólar. A moeda americana tende a se valorizar, pressionando o real. Ao mesmo tempo, com o dólar mais caro, as importações ficam mais pesadas. Commodities e seus derivados também sobem de preço no Brasil.

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