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  • Nova segurança do agro: robôs com câmeras patrulham lavouras milionárias

    Nova segurança do agro: robôs com câmeras patrulham lavouras milionárias

    A gigante farmacêutica e de ciências agrícolas Bayer implantou cães robóticos para vigiar suas plantações de milho no Havaí. Uma decisão que sintetiza, em imagem única, a contradição do sistema alimentar global em 2025: tecnologia militar a serviço de colheitas milionárias, enquanto a fome avança pelo mundo.

    A Bayer expandiu o uso de robótica na agricultura ao posicionar unidades “DroneDog” com inteligência artificial em suas operações de milho-semente no Havaí. Portanto, marcando uma transição da segurança tradicional para a vigilância autônoma baseada em dados. O sistema vem da empresa de tecnologia Asylon e resolve dois problemas práticos ao mesmo tempo. Manter patrulhas de segurança em 8.000 acres resulta em custos altíssimos, e a empresa enfrentava dificuldade em contratar pessoal suficiente, especialmente para rondas noturnas.

    O que é o DroneDog e como funciona

    Equipados com câmeras termais, câmeras eletro-ópticas, zoom de 20x e detecção de objetos por inteligência artificial, os robôs identificam anomalias em tempo real e alertam operadores por sistemas conectados à nuvem. Quando o DroneDog não está em missão de segurança, ele retorna à sua “DogHouse”, uma espécie de canil instalado no terreno da Bayer, onde recarrega as baterias para a próxima ronda.

    A operação funciona em duas frentes simultâneas. O equipamento se conecta à nuvem para operação remota e transmissão ao vivo. E pode ser monitorado pela equipe de segurança local, pelo Centro de Operações de Segurança do Havaí (HSOC) da Bayer e pelo Centro de Operações de Segurança Robótica da Asylon, ativo 24 horas por dia, 365 dias por ano.

    Os eventos de segurança reportados pelos operadores vão desde incêndios florestais próximos até javalis que danificam a propriedade após o horário de expediente.

    Por que a Bayer protege milho com tecnologia de nível militar

    A resposta está nos números. A Bayer opera sete instalações de cultivo no Havaí, totalizando mais de 8.000 acres, responsáveis por 90% das sementes de milho para ração que a empresa vende internacionalmente. Com custo médio de US$ 113,50 por acre, o investimento em milho supera US$ 900 mil apenas no insumo bruto, sem contar o valor no mercado internacional. A indústria do milho nos EUA gerou US$ 123 bilhões em receita somente em 2024.

    Diante do sucesso do primeiro projeto piloto no Havaí, a Bayer expandiu o uso do DroneDog para outras instalações nas ilhas e também na Califórnia.

    Crise alimentar como pano de fundo

    A adoção de robôs militarizados para proteger colheitas comerciais acontece num momento em que o sistema alimentar global enfrenta pressões sem precedentes recentes. A insegurança alimentar aguda e a desnutrição infantil aumentaram pelo sexto ano consecutivo em 2024, segundo o Relatório Global sobre Crises Alimentares 2025, elaborado com participação de FAO, WFP, Unicef, IFAD, Banco Mundial e ACNUR. A insegurança alimentar moderada ou grave já alcança mais de 2 bilhões de pessoas, concentradas em países de baixa e média renda.

    O conflito entre EUA e Irã adicionou uma nova camada de risco ao sistema. Cerca de 30% das exportações mundiais de fertilizantes passam diariamente pelo Estreito de Hormuz. E a paralisação dessa rota cria pressões intensas sobre preços e custos logísticos que chegam ao consumidor final.

    A FAO alertou que os próximos meses podem trazer alta nos preços globais de alimentos, queda nas safras, expansão da insegurança alimentar e reflexos graves sobre economias frágeis que já enfrentam inflação e déficits orçamentários.

    Máximo Torero, economista-chefe da FAO, resumiu o problema em declaração recente: os agricultores enfrentam um duplo choque. Fertilizantes mais caros e aumento nos custos de combustível que afetam toda a cadeia agrícola, da irrigação ao transporte.

    O paradoxo em números

    De um lado, colheitas comerciais com vigilância robótica de ponta e câmeras termais do tipo usado em drones militares. Do outro, a FAO e o WFP alertam que a janela para evitar que milhões de pessoas caiam em insegurança alimentar aguda “está se fechando rapidamente”, com 16 regiões do mundo em risco de emergências humanitárias de grande escala.

    O contraste não é apenas simbólico. Ele revela onde o capital e a tecnologia fluem quando a pressão sobre o sistema alimentar aumenta. Não para ampliar o acesso à comida, mas para proteger o valor das colheitas já existentes.

  • Conflito no Oriente Médio dispara preços de fertilizantes e pressiona oferta global

    Conflito no Oriente Médio dispara preços de fertilizantes e pressiona oferta global

    O avanço do conflito no Oriente Médio provocou uma alta expressiva nos preços dos fertilizantes nitrogenados em todo o mundo. No Brasil, a ureia subiu mais de 15% e o nitrato de amônio teve aumento de aproximadamente 28% em apenas uma semana, segundo levantamento da StoneX.

    A valorização reflete as incertezas no fornecimento e os efeitos diretos sobre a logística internacional. A consultoria aponta que diversos fornecedores retiraram temporariamente suas ofertas do mercado, aguardando maior clareza sobre a formação de preços e o impacto das tensões na região.

    De acordo com o analista de Inteligência de Mercado, Tomás Pernías, a instabilidade também afeta a produção no Oriente Médio. “Após os ataques no Catar, parte das fábricas reduziu suas operações, o que já reduz a disponibilidade global de produtos nitrogenados”, afirma.

    Logística comprometida no Estreito de Hormuz

    A navegação no Estreito de Hormuz, rota por onde passa grande parte das exportações de ureia e gás natural, enfrenta restrições. O bloqueio parcial da região paralisa embarques de insumos essenciais, como fertilizantes e enxofre, e agrava a pressão sobre os preços.

    Pernías destaca que o Oriente Médio responde por cerca de 40% das exportações mundiais de ureia. “Qualquer interrupção prolongada pode causar desequilíbrio significativo na oferta global, principalmente se o conflito persistir por semanas ou meses”, alerta.

    Efeitos nos Estados Unidos e no Brasil

    Nos Estados Unidos, a escassez tende a se manifestar primeiro. O país entra no período de preparação para a safra de primavera, quando a demanda por fertilizantes cresce rapidamente. Assim, a alta internacional pode encarecer os custos do produtor e reduzir margens no campo.

    Já no Brasil, o impacto deve ser mais suave no curto prazo. As compras de nitrogenados se intensificam apenas no segundo semestre, com foco na safrinha de milho. Mesmo assim, importadores demonstram cautela e avaliam postergar negociações à espera de maior estabilidade.

    “Apesar da expectativa de ajuste, o cenário segue imprevisível. Não há garantia de uma correção nos preços enquanto persistirem as incertezas geopolíticas”, conclui Pernías.