O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) prorrogou por mais 180 dias o estado de emergência zoossanitária em todo o território nacional devido à presença do vírus da gripe aviária H5N1 de alta patogenicidade (IAAP) em aves silvestres. A medida, publicada na Portaria nº 784 do Diário Oficial da União, visa manter a vigilância e prevenir a propagação da doença.
A prorrogação é uma medida preventiva que permite ao Mapa adotar ações rápidas para erradicar focos da doença, além de mobilizar recursos e articular esforços com outros ministérios e organizações governamentais e não governamentais. A suspensão de eventos com aglomeração de aves, como exposições e feiras, também continua em vigor, podendo ser flexibilizada apenas com avaliação epidemiológica e plano de biosseguridade aprovado.
Histórico da gripe aviária no Brasil
O primeiro caso de gripe aviária no Brasil foi registrado em 15 de maio de 2023, em aves silvestres. Desde então, foram identificados 166 focos da doença, sendo 163 em aves silvestres e três em aves de subsistência. No entanto, até o momento, não há registros de circulação do vírus na criação comercial. Portanto, mantendo o Brasil com status de país livre de influenza aviária perante a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).
A manutenção do status de país livre de influenza aviária permite que o Brasil continue exportando produtos avícolas de forma segura, o que . Isso é crucial para proteger a indústria avícola e garantir a segurança alimentar, escapando de uma emergência comercial.
A JBS, em parceria com diversas organizações, anunciou nesta quarta-feira, 22, a doação de 3 milhões de tags para o rastreamento de rebanhos no estado do Pará. A iniciativa visa apoiar um programa pioneiro liderado pelo governo estadual, que tem como objetivo rastrear todo o rebanho de bovinos e búfalos do estado até o final de 2026. O Pará é conhecido por ter o segundo maior rebanho do Brasil.
O anúncio foi feito durante o painel “De Davos a Belém: Definindo o Caminho do Brasil para uma Indústria de Gado Sustentável e de Baixo Carbono”, realizado na reunião anual do Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça. O programa já apresenta resultados significativos em seu primeiro ano e envolve uma coalizão composta por governo, produtores, sociedade civil e indústria. Gilberto Tomazoni, CEO global da JBS, destacou a importância da colaboração: “Juntos, somos agentes de transformação desta cadeia de suprimentos.”
Destinação das tags
Dos 3 milhões de tags, 2 milhões atenderão pequenos produtores. Desses, a The Nature Conservancy (TNC) fornecerá metade com recursos do Bezos Earth Fund, que durante a COP28 se comprometeu a apoiar o estado no lançamento do programa. A JBS fornecerá o restante.
Além disso, a JBS lançou o programa “Acelerador JBS”, que visa facilitar a adoção das tags por seus fornecedores indiretos. A iniciativa inclui a doação de 1 milhão de tags adicionais e todos os serviços necessários ao longo de 2025 para auxiliar os produtores na aplicação das tags. As equipes da JBS e seus parceiros visitarão as fazendas para trabalhar com operadores de rastreabilidade treinados e credenciados pelo programa.
Da esq. para a dir., Raul Protázio (secretário do Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará), Manuela Maluf (presidente do IDH Brasil). Roberto Waack (conselheiro da Marfrig), Jack Hurd (diretor-executivo da Tropical Forest Alliance), Maria Netto (diretora-executiva do ICS). Gilberto Tomazoni (CEO Global da JBS) e Daan Wensing (CEO do IDH). Crédito: Divulgação JBS.
O governador Helder Barbalho lançou oficialmente o programa durante a COP28, em dezembro de 2023, em Dubai. Além disso, o estado criou um Conselho Gestor para integrar diversos órgãos governamentais, representantes da indústria e produtores rurais. A JBS participa desse grupo desde o início.
Em 2024, a companhia conduziu um programa piloto que tagueou 28 mil cabeças no entorno de suas fábricas em Marabá e Redenção. Essa experiência ajudou a avaliar a tecnologia utilizada e as exigências para o trânsito dos animais estabelecidas pelo Conselho Gestor.
Capacitação e assistência técnica
A JBS também apoiou a criação de um programa de treinamento para operadores de rastreabilidade, essenciais para garantir a correta leitura das tags nas fazendas e nos pontos de trânsito dos animais. O programa inclui assistência técnica e requalificação dos produtores rurais.
Por meio dos Escritórios Verdes, criados pela JBS em 2021, mais de 15 mil fazendas na região amazônica já foram regularizadas. Isso inclui mais de 1.000 no Pará, que se comprometeram a restaurar 6.500 hectares de floresta.
Para facilitar o acesso dos produtores aos serviços oferecidos, a JBS lançou em 2024 o Escritório Verde Virtual, permitindo que os agricultores busquem assistência por e-mail, telefone ou WhatsApp de qualquer lugar do país.
Avanços na transparência do agronegócio
Em dezembro de 2024, o Ministério da Agricultura lançou o Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, juntamente com a plataforma Agro Brasil + Sustentável. Essa plataforma integra diversos bancos de dados governamentais para permitir que os produtores forneçam informações sobre local de origem, modo de produção e práticas sustentáveis.
Com essas iniciativas, tanto os produtores quanto os compradores terão acesso facilitado às informações sobre as propriedades rurais sem custos adicionais.
A doação das tags pela JBS e seus parceiros representa um passo significativo em direção à rastreabilidade e sustentabilidade na pecuária brasileira. Com essa ação, espera-se não apenas melhorar a transparência da cadeia produtiva, mas também fortalecer as práticas sustentáveis no setor agropecuário.
Os prejuízos causados pelas queimadas em canaviais no Estado de São Paulo podem superar R$ 1.2 bilhão. A Orplana (Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil) atualizou a estimativa de perdas nesta sexta-feira (13).
Entre 23 de agosto e 10 de setembro, a organização identificou mais de 3 mil focos de incêndio. O balanço revelou que as chamas destruíram mais de 181 mil hectares de cana-de-açúcar e áreas de rebrota no estado de São Paulo.
“A base de dados utilizada pela Orplana é a de um conjunto de satélites que fazem a verificação das áreas, inclusive com monitoramento de queimadas. Então, pela espectrofotometria é possível ver a diferença das áreas onde tinha cana e onde não tem e também o que aconteceu com a cana, se queimou, se mudou a coloração ou se manteve sem alteração, além da verificação a campo”, explica o CEO da organização, José Guilherme Nogueira.
Além disso, Nogueira afirma que o produtor ainda está juntando os cacos para entender os próximos passos. “O custo de implantação na renovação de canavial é por volta de R$ 13,5 mil por hectare. E mesmo naquela rebrota que ainda continuar viável, que não precisar do replantio, pode ser que precise de manejo e nutrientes, em que os custos também impactarão. Isso porque, o colchão de palha que havia ali auxiliava contra plantas daninhas, na retenção de água e na matéria orgânica do solo”, explica. “Além disso, as rebrotas de cana de 3 e 4 meses viraram pó, causando um acúmulo de cinzas, que também precisará de manejo na área”, reforça.
Sem previsão dos impactos
Os impactos das queimadas em canaviais para a próxima safra são imprevistos. “A taxa de plantio, a área a ser disponibilizada para colheita no próximo ano e o cenário de clima seco, podem sim impactar a safra futura, mas ainda é muito cedo para qualquer previsão, pois vamos depender de como virão as chuvas e climas para os próximos meses”, conclui Nogueira.
A Orplana conta, atualmente, com 35 associações de fornecedores de cana e representa mais de 12 mil produtores de cana-de-açúcar.