Tag: espécie invasora

  • Estudo brasileiro descobre arma eficaz contra coral invasor no litoral

    Estudo brasileiro descobre arma eficaz contra coral invasor no litoral

    Pesquisadores paulistas testaram com sucesso uma nova estratégia de combate ao coral-sol, espécie invasora que ameaça a biodiversidade marinha em diversos pontos da costa brasileira. Com um jato de ar comprimido, a equipe removeu o tecido vivo de colônias de coral-sol no arquipélago de Alcatrazes, área protegida no litoral norte de São Paulo, e não observou regeneração dos organismos. Um resultado que contrasta com o método convencional de remoção mecânica, feito com marreta e talhadeira.

    Os resultados apontam o jateamento como alternativa mais prática e eficaz para o manejo do coral-sol, segundo os cientistas, que buscam conter a disseminação da espécie em áreas prioritárias de conservação no litoral brasileiro. Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) lideraram o estudo, realizado com apoio da FAPESP e publicado em abril na revista Ecological Solutions and Evidence.

    Como funciona a nova técnica

    Uma pistola de jato acopla-se a um cilindro de ar comprimido. É o mesmo equipamento usado por mergulhadores para respirar debaixo d’água. O mergulhador segura o cilindro sob um braço e aciona a pistola bem próxima às colônias, com a outra mão livre. O jato remove o tecido mole do coral e deixa apenas o esqueleto poroso no lugar.

    Segundo os autores, o novo método resolve dois problemas comuns do processo tradicional. A dificuldade de acesso a locais como fendas, tocas e grutas, e o risco de sobra de tecido vivo capaz de se regenerar. No método físico convencional, mergulhadores usam marreta e talhadeira,ou martelete pneumático, para destacar as colônias do substrato marinho, geralmente costões rochosos.

    “Nossos experimentos mostraram a eficácia do método numa comunidade desses corais. Ao remover o tecido, o nosso método lida com pelo menos duas fragilidades de outros: não promove a fragmentação da colônia e, portanto, evita a sua propagação involuntária. Além disso, elimina a necessidade de descartar a colônia removida. O esqueleto sem o tecido se mantém no ambiente e é rapidamente colonizado por espécies nativas do local”, afirma Gustavo Piazzaroli, primeiro autor do estudo, desenvolvido como parte de uma iniciação científica com bolsa da FAPESP no Instituto do Mar (IMar) da Unifesp, em Santos.

    Uma observação em mergulho originou a ideia

    A ideia de usar ar comprimido surgiu quase por acaso para o coordenador do estudo, Guilherme Pereira-Filho, professor do IMar-Unifesp, durante mergulhos no Refúgio de Vida Silvestre do Arquipélago de Alcatrazes. A unidade de conservação marinha, gerida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), utiliza a remoção física há mais de dez anos para combater a disseminação do coral-sol em seus ecossistemas. Duas espécies invasoras ocorrem na região, Tubastraea tagusensis e Tubastraea coccínea, ambas originárias do Indo-Pacífico e introduzidas por atividades humanas no Caribe e na costa brasileira.

    Esqueleto de coral-sol logo após tratamento com ar comprimido (à esq.), depois de 30 dias (centro) e 180 dias (à dir.), quando já está colonizado por algas. Foto: LabecMar-Unifesp

    “Os corais-sol ocorrem mais em rochas com orientação negativa, como fendas, tocas e grutas, difíceis de serem acessadas pela remoção física. Observamos que em alguns locais, onde mergulhadores passavam e deixavam bolhas de ar aprisionadas sob rochas submersas, as colônias branqueavam. Pensei se não seriam as bolhas de ar exaladas por nós que estariam causando esse efeito. E se algum método que envolvesse ar não seria uma possibilidade de remoção”, relata Pereira-Filho, que hoje coordena três projetos apoiados pela FAPESP, entre eles um vinculado ao Programa BIOTA. Pesquisadores do Centro de Biologia Marinha (Cebimar) da Universidade de São Paulo (USP) também integraram o trabalho.

    Vantagens

    Piazzaroli explica uma das vantagens práticas do novo processo: “Na remoção física, algum tecido pode ficar na rocha e se regenerar. Além disso, ainda que ele seja totalmente extraído, as colônias removidas têm de ser levadas para fora da água salgada, tratadas com água doce para matar o coral e só então o esqueleto pode ser devolvido para o mar, a fim de que o carbonato de cálcio que o compõe possa ser utilizado em outros processos naturais.”

    Quando expostas à água do mar, as colônias extraídas podem liberar células reprodutivas como resposta ao estresse causado pela remoção. Por isso, o mergulhador que realiza a remoção física precisa carregar as colônias em um saco ou recipiente fechado durante todo o trabalho. Um cuidado que o jateamento dispensa, já que o método destrói o tecido do coral de imediato. Qualquer fragmento de tecido que permaneça preso ao substrato no método convencional também pode originar uma nova colônia, dada a alta capacidade de regeneração do coral-sol. Esse risco cai bastante com o jateamento, segundo os autores.

    Colônia de coral-sol: metade (à esq.) não recebeu jateamento de ar comprimido, enquanto a da direita passou pelo procedimento. Foto: Gustavo Piazzaroli/LabecMar-Unifesp

    Os pesquisadores reforçam que a técnica ainda é experimental. Até agora, os testes cobriram apenas algumas dezenas de colônias em uma área restrita do arquipélago, enquanto as invasões de coral-sol costumam se estender por áreas muito maiores, com milhares de colônias.

    Do laboratório para o mar

    Ao ouvir o insight do orientador, Piazzaroli pesquisou a literatura científica e encontrou referências ao uso de jateamento de ar comprimido para separar tecido mole do esqueleto de corais, mas apenas em experimentos de laboratório, nunca em campo. “Eram estudos sobre estresse oxidativo e utilizavam aquele jato de ar e água usado por dentistas, conhecido como ‘water pik’. Não havia nada publicado sobre manejo de corais invasores por esse método”, conta o estudante de biologia e mergulhador. Ele participa como voluntário de ações de remoção de coral-sol em Ilha Grande (RJ) desde a adolescência.

    A equipe adaptou a técnica para uso com cilindros de mergulho. Ea testou em 48 colônias de coral-sol em Alcatrazes, deixando outras 14 sem tratamento como grupo de controle. As colônias passaram por análise logo após o jateamento, depois de 30 dia. E por fim, depois de 180 dias, com medição da área ocupada e contagem do número de colônias a cada visita.

    Na área sem remoção, a cobertura de coral-sol aumentou ao longo do tempo; na área tratada com ar comprimido, ela diminuiu. O número de colônias cresceu nos dois cenários, mas de forma bem mais lenta onde houve jateamento. Algas colonizaram rapidamente os esqueletos jateados  em até 30 dias, o que dificulta a recolonização ou regeneração dos corais invasores.

    Testes em aquário confirmam ausência de regeneração

    Restava uma dúvida: será que o tecido removido pelo jato de ar poderia recolonizar os esqueletos ou se regenerar em outro lugar? Para responder a essa pergunta, os pesquisadores conduziram experimentos em aquários por nove dias. Tempo mais do que suficiente para o tecido se regenerar ou morrer.

    Em um dos tratamentos, um esqueleto já jateado foi fervido para eliminar qualquer possibilidade de tecido vivo ou células reprodutivas remanescentes. Depositado em um aquário com água do local de origem da remoção, portanto, com possíveis células de coral-sol em suspensão, o esqueleto foi observado pelos nove dias seguintes, sem apresentar recolonização.

    Em outro tratamento, além do esqueleto e da água do mesmo local, os pesquisadores adicionaram pedaços de tecido de coral-sol removidos por ar comprimido. Após nove dias, quando o mau cheiro indicava que o tecido já estava morto, também não houve recolonização do esqueleto.

    Cada tratamento foi replicado quatro vezes. Análises de amostras de água ao microscópio não encontraram células reprodutivas nem tecidos vivos, com exceção de uma réplica, em que um pedaço de tecido vivo apareceu no primeiro dia e uma única célula reprodutiva, no último.

    Próximos passos

    “Os resultados são bastante promissores para aplicarmos o método numa área maior e obter uma validação ainda mais robusta”, comemora Pereira-Filho. Ele pondera, porém, que ainda é necessário desenvolver soluções para escalonar o método em grandes áreas, já que o jateamento consome rapidamente o ar comprimido dos cilindros. O grupo já conversa com gestores de outra área de proteção marinha para conduzir um novo estudo em escala ampliada.

    Fonte: André Julião | Agência FAPESP

  • Quase 300kg: Javali gigante é abatido em MG

    Quase 300kg: Javali gigante é abatido em MG

    Um javali gigante conhecido como “Lendário” mobilizou moradores e caçadores do interior de Minas Gerais após quase uma década causando danos em propriedades rurais. Durante uma ação de manejo, caçadores abateram o animal, que ficou conhecido na região pelo porte incomum e pela dificuldade de captura.

    Segundo os relatos que acompanham a gravação, o javali destruía plantações, invadia propriedades e, em algumas situações, atacava cães utilizados em tentativas anteriores de controle.

    Lendário pesava quase 300kg

    O tamanho do javali também chamou atenção. De acordo com as informações compartilhadas nas redes sociais, o animal teria peso estimado em quase 300 quilos e apresentava uma camada de gordura com cerca de 10 centímetros de espessura.

    ‘Lendário’ ganhou fama pelo porte fora do comum — Foto: Reprodução/Redes Sociais

    Espécie invasora

    O Ibama classifica o javali como uma espécie exótica invasora e autorizou seu manejo no Brasil em 2013 por meio da Instrução Normativa nº 03/2013. Desde então, produtores rurais e órgãos ambientais buscam reduzir os impactos causados pelo crescimento da população desses animais em diferentes regiões do país.

     A espécie costuma revirar o solo em busca de alimento, destruir nascentes e danificar áreas de preservação permanente. Além disso, eles representam um risco sanitário para a pecuária e podem causar prejuízos significativos à produção agropecuária.

    Segundo o Plano Nacional de Prevenção, Controle e Monitoramento do Javali, a expansão da espécie ameaça a biodiversidade, compromete a flora e a fauna nativas e ainda afeta corpos d’água em diversas regiões brasileiras. Da mesma forma, produtores rurais frequentemente registram perdas em lavouras de grãos, pastagens e pequenas criações por causa da presença desses animais.

    A Embrapa também alerta para os impactos provocados por javalis e seus híbridos. De acordo com a instituição, esses animais invadem plantações com frequência, revolvem grandes áreas do solo durante a busca por alimento e provocam danos diretos à atividade agropecuária.

     

  • Piscicultura brasileira avança no primeiro semestre

    Piscicultura brasileira avança no primeiro semestre

    A piscicultura brasileira fechou o primeiro semestre de 2026 com saldo positivo no mercado interno. Impulsionado pela Quaresma, o consumo de peixes de cultivo cresceu e reforçou a trajetória de expansão observada no Brasil ao longo da última década. Mas o setor entra no segundo semestre sob atenção, diante de uma série de questões regulatórias e comerciais que podem definir os rumos da atividade nos próximos anos.

    Segundo a PEIXE BR, a tilápia, que responde por cerca de 70% da produção aquícola nacional, manteve a liderança entre os pescados mais consumidos pelos brasileiros. No segmento de peixes nativos, o tambaqui figurou como a principal preferência dos consumidores.

    “Esse desempenho demonstra a consolidação da piscicultura como uma importante fornecedora de proteína animal à população”, avaliou Francisco Medeiros, presidente executivo da PEIXE BR.

    Exportações em compasso de espera

    No mercado internacional, o cenário é de cautela. Medeiros explicou que a redução temporária da tarifa para 10% não gerou o retorno esperado, pois beneficiou todos os países exportadores de forma indistinta. Com a nova tarifa de 25%, o mercado esfriou. Um movimento que ele considera “normal, dentro da dinâmica comercial”.

    “Acreditamos em uma possível retomada nos volumes de exportação no segundo semestre, porém, tudo depende das decisões de política externa entre Brasil e Estados Unidos”, destacou o dirigente.

    No campo regulatório, a inclusão do tambaqui na lista federal de espécies em risco de extinção acendeu um sinal de alerta. Embora a medida tenha caráter conservacionista, a PEIXE BR avalia que a classificação pode gerar restrições à importação do pescado cultivado em alguns mercados internacionais. Justamente quando o governo brasileiro e o setor produtivo investem na internacionalização da espécie.

    Tilápia como espécie invasora: debate mobiliza setor

    A tilápia também enfrentou turbulências regulatórias. A proposta discutida na CONABIO, no IBAMA e no Ministério do Meio Ambiente para enquadrá-la como espécie exótica invasora mobilizou produtores, entidades do setor e parlamentares.

    Para a PEIXE BR, caso a classificação avance, o setor pode enfrentar restrições ao crescimento da atividade e dificuldades na produção, comercialização e exportação da tilápia. Isso em razão dos compromissos internacionais do Brasil para o controle de espécies invasoras.

    Importação de tilápia vietnamita pressiona produtor nacional

    Outro ponto de tensão é a abertura do mercado brasileiro para a tilápia importada do Vietnã. A entidade avalia que a medida integrou negociações comerciais mais amplas, relacionadas à exportação de carnes brasileiras, sem considerar as assimetrias de competitividade entre os dois países.

    “A importação, nos moldes atuais, está impactando muito a comercialização de filé de tilápia no Brasil. Os custos de produção entre Vietnã e Brasil são semelhantes, mas a política de estímulos e subsídios do governo vietnamita permite que o produto chegue ao mercado brasileiro por um preço inferior ao custo da matéria-prima produzida aqui. Além disso, permanecem preocupações relacionadas aos riscos sanitários”, ressaltou Medeiros.

    Perspectiva positiva para o segundo semestre

    Apesar do cenário de incertezas, a entidade mantém expectativas positivas para os próximos meses. Historicamente, o consumo de pescado cresce no fim do terceiro trimestre, acompanhando a elevação das temperaturas nas regiões Sul e Sudeste do país.

    “O consumo continua aquecido e confirma o comportamento observado na última década para os peixes de cultivo. É um mercado que segue em expansão, mas os riscos sanitários e regulatórios também aumentaram. Para o segundo semestre, esperamos uma recuperação natural do consumo com a elevação das temperaturas e, se houver estabilidade nas questões regulatórias e comerciais, também uma retomada das exportações”, concluiu o presidente executivo.

  • Projeto pode pagar R$ 100 por cada javali abatido no Brasil

    Projeto pode pagar R$ 100 por cada javali abatido no Brasil

    Os javalis voltaram ao centro do debate no campo brasileiro. Desta vez, não por uma nova invasão de lavouras ou ataques a rebanhos, mas por um projeto de lei que pode colocar dinheiro no bolso de quem ajuda a controlar a espécie. A proposta prevê o pagamento de R$ 100 por javali abatido.

    A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa de Santa Catarina aprovou o Projeto de Lei 287/2026, que cria um incentivo financeiro para pessoas físicas e jurídicas autorizadas a controlar a população de javalis.

    Os deputados votaram a matéria durante uma sessão do programa Alesc Itinerante, realizada em Araranguá, no Sul catarinense. A comissão aprovou o parecer por unanimidade.

    O deputado Camilo Martins (PL) apresentou o projeto com o objetivo de fortalecer o combate a uma espécie que ameaça a agropecuária e o meio ambiente em diversas regiões do País.

    Se o projeto avançar nas próximas etapas, o governo utilizará os recursos para compensar despesas com combustível, deslocamentos, equipamentos, munições e outros custos operacionais do manejo.

    Quem poderá receber o pagamento

    O projeto permite a participação apenas de pessoas físicas e jurídicas devidamente autorizadas.

    Além disso, os interessados deverão manter cadastro junto ao órgão ambiental competente e comprovar o abate conforme critérios que o governo definirá em regulamento específico, com pagamento de R$ 100 por javali abatido.

    Como funcionará o pagamento por javali abatido

    Em propriedades privadas, os controladores precisarão obter autorização formal do proprietário, possuidor ou arrendatário da área.

    O texto também permite que o governo estadual firme convênios com municípios e entidades parceiras para ampliar as ações de controle. Ao mesmo tempo, o Estado poderá definir regiões prioritárias de atuação conforme o nível de infestação.

    Como os javalis chegaram ao Brasil

    Espécie chegou ao Brasil nas décadas de 1980 e 1990 e hoje está presente em praticamente todo o território nacional
    Foto: Divulgação – FAEP/Senar-PR/CNA

    A história dos javalis no Brasil começou há décadas e ajuda a explicar por que o problema se tornou tão difícil de controlar.

    Criadores trouxeram os primeiros exemplares da Europa principalmente a partir da década de 1980 para produzir carne considerada exótica e de alto valor agregado.

    Com o passar dos anos, muitos criadouros encerraram as atividades ou perderam animais por falhas de contenção. Além disso, alguns proprietários abandonaram exemplares deliberadamente.

    A partir daí, a espécie iniciou uma rápida expansão pelo território nacional.

    Quando cruzaram com porcos domésticos, os javalis deram origem aos chamados javaporcos. Esses animais herdaram a rusticidade dos javalis e a alta capacidade reprodutiva dos suínos. Como resultado, produtores rurais e autoridades ambientais passaram a enfrentar um desafio ainda maior.

    Hoje, os registros da espécie alcançam praticamente todas as regiões brasileiras.

    Prejuízos que vão muito além das lavouras

    No campo, os prejuízos aparecem de forma evidente.

    Durante a noite, grupos de javalis avançam sobre plantações e deixam um rastro de destruição. Milho, soja, trigo, arroz e hortaliças figuram entre os principais alvos.

    https://www.instagram.com/reel/DZ-DXv-Ssai/?igsh=YmF4d2R3Z3J4a2Ji

    Entretanto, os danos não se limitam às lavouras.

    Os animais revolvem o solo em busca de alimento, destroem nascentes, degradam áreas de preservação e disputam espaço com espécies nativas. Em algumas regiões, produtores relatam ataques a cordeiros recém-nascidos, aves e pequenos animais.

    Além disso, a presença dos javalis amplia os riscos sanitários.

    Especialistas alertam que a espécie pode disseminar doenças capazes de atingir a produção pecuária brasileira. Entre as principais preocupações estão enfermidades que afetam rebanhos de suínos e podem comprometer mercados de exportação.

    Por esse motivo, os órgãos ambientais autorizam o controle populacional e tratam a medida como estratégica para proteger a agropecuária nacional.

    Santa Catarina concentra preocupação crescente

    Santa Catarina convive há anos com o avanço dos javalis.

    A combinação de áreas agrícolas, fragmentos florestais e condições climáticas favoráveis impulsionou a expansão da espécie. Em várias regiões, produtores acumulam perdas e enfrentam dificuldades para conter a proliferação.

    Nesse contexto, surgiu a proposta de incentivo financeiro.

    Os defensores do projeto argumentam que os custos do manejo afastam parte dos controladores habilitados. Por isso, eles acreditam que o pagamento poderá estimular novas ações de controle e reduzir os prejuízos acumulados no campo.

  • Peixe-leão venenoso avança em Fernando de Noronha e pode virar alimento para conter invasão

    Peixe-leão venenoso avança em Fernando de Noronha e pode virar alimento para conter invasão

    A Segunda Semana do Peixe-leão (Pterois volitans) chega ao fim nesta sexta-feira em Fernando de Noronha, reunindo pesquisadores, mergulhadores, instituições ambientais e moradores em debates sobre o avanço da espécie invasora no litoral brasileiro. O evento, promovido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), discutiu estratégias de monitoramento, captura e controle do animal, considerado uma ameaça crescente ao ecossistema marinho.

    Além das palestras e oficinas, um dos temas que mais chamou atenção foi a possibilidade de liberar o consumo humano do peixe-leão como forma de combater a proliferação da espécie. Especialistas apontam que essa prática já trouxe resultados positivos em outros países.

    Segundo a chefe do ICMBio em Noronha, Lilian Hangae, o encontro serviu para compartilhar experiências e fortalecer o manejo da espécie invasora no Brasil.

    “Como somos protagonistas no manejo aqui no Brasil, a ideia é trocar experiências, trazer o conhecimento gerado por outras instituições e pensar juntos nos nossos desafios”, afirmou.

    Consumo do peixe-leão ganha força entre especialistas

    De acordo com Lilian Hangae, o uso do peixe-leão na alimentação foi um dos principais assuntos debatidos durante o evento. Em diversos países, o consumo da espécie já integra as estratégias de controle populacional.

    “Temos muitos peixes capturados e já temos dificuldade em armazenar. As estratégias internacionais mostram que o manejo é mais efetivo quando envolve o consumo”, explicou.

    A gestora destacou ainda que estudos apontam a viabilidade gastronômica do peixe, bastante apreciado em locais como a Costa Rica.

    “É um peixe muito apreciado, de filé branco e sabor leve, com potencial de alto valor agregado para Noronha, que pode servir de resultado de um manejo responsável”, disse.

    Apesar disso, pesquisadores alertam que o preparo exige cuidados específicos. O peixe-leão possui 18 espinhos dorsais venenosos, capazes de liberar toxinas que provocam dor intensa, febre, náuseas e até convulsões em seres humanos.

    Por isso, especialistas defendem treinamento adequado para manipulação e preparo seguro da espécie destinada ao consumo.

    Peixe-leão capturado em Noronha — Foto: Fernando Rodrigues/Sea Paradise

    Operações de captura retiraram centenas de peixes do arquipélago

    Em Fernando de Noronha, o ICMBio tem contado com apoio de empresas de mergulho para ampliar o combate ao animal invasor.

    Em 2024, uma operação coordenada pelo instituto resultou na captura de 140 peixes-leão no arquipélago pernambucano. A ação ocorreu no Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha e também na Área de Proteção Ambiental (APA).

    Segundo o mergulhador e diretor da empresa participante da operação, Fernando Rodrigues, o objetivo foi avaliar a taxa de repovoamento da espécie nas áreas monitoradas.

    “Nosso foco foi explorar pontos já mapeados para verificar a taxa de repovoamento do peixe-leão, identificando a densidade e os tamanhos da espécie. O menor peixe-leão media apenas 10 centímetros, enquanto o maior ultrapassou 45 centímetros”, declarou em nota divulgada pelo ICMBio.

    Rodrigues ressaltou ainda que o manejo da espécie ajuda diretamente na preservação da fauna marinha ameaçada pelo predador invasor.

    Espécie invasora ameaça biodiversidade marinha

    O peixe-leão (Pterois volitans) é nativo da região indo-pacífica e foi identificado pela primeira vez no Brasil em 2014. Já em Fernando de Noronha, os primeiros registros ocorreram em 2020.

    Desde então, mais de mil exemplares foram capturados no arquipélago, segundo dados do ICMBio.

    A preocupação das autoridades ambientais se deve à alta capacidade de reprodução e predação da espécie. O peixe-leão consegue consumir até 20 peixes em apenas 30 minutos e pode colocar cerca de 30 mil ovos de uma só vez.

    O coordenador do Projeto Conservação Recifal (PCR), Pedro Pereira, explicou que os animais ainda se concentram em regiões mais profundas, porém existe uma tendência de migração para áreas rasas.

    “É importante destacar que essas capturas foram feitas em áreas que não têm sido manejadas com frequência, o que mostra também que a população está aumentando devido à falta deste trabalho de captura dos bichos, aumentando mais ainda a necessidade de colaboração, de inclusão de novas operadoras, incentivo à pesquisa, para que o manejo continue”, destacou.

  • Ibama usa drones e inteligência artificial para conter avanço do mangue-maçã em SP

    Ibama usa drones e inteligência artificial para conter avanço do mangue-maçã em SP

    O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) intensificou, na última semana, o monitoramento e o combate ao mangue-maçã (Sonneratia apetala), espécie exótica invasora que ameaça os ecossistemas costeiros de São Paulo. A ação ocorre em parceria com a Fundação Florestal e foca principalmente nos manguezais de Cubatão, na Baixada Santista.

    https://www.instagram.com/p/DXoYjwSlYZO/

    Originária da Ásia, a planta apresenta crescimento acelerado e alta capacidade de competir por recursos naturais, o que compromete o desenvolvimento de espécies nativas e o equilíbrio ambiental.

    Entre os dias 15 e 17 de abril, equipes técnicas realizaram uma nova etapa da operação com uso intensivo de tecnologia. Drones mapearam áreas estratégicas e geraram imagens em alta resolução, que passaram por análise de sensoriamento remoto e fotointerpretação. Em seguida, equipes em campo validaram as informações para orientar as próximas ações de remoção.

    A Divisão Técnico-Ambiental do Ibama em São Paulo coordena as atividades, alinhadas à Estratégia Nacional para Espécies Exóticas Invasoras. Como o mangue-maçã foi identificado apenas em Cubatão até o momento, especialistas avaliam que ainda há viabilidade de erradicação total, desde que as intervenções continuem em ritmo acelerado.

    Agentes do Ibama durante operação de combate e monitoramento do mangue-maçã. Foto: Divulgação/Ibama

    O trabalho conjunto já resultou na remoção de mais de 700 árvores da espécie invasora. Além da supressão, o Ibama também identifica novas áreas afetadas e testa o uso de inteligência artificial para ampliar a eficiência dos levantamentos.

    Portanto, a iniciativa busca evitar impactos irreversíveis à biodiversidade e proteger atividades econômicas locais, como a pesca, diretamente dependentes da saúde dos manguezais.

  • O legado mais bizarro de Pablo Escobar agora ameaça rios inteiros

    O legado mais bizarro de Pablo Escobar agora ameaça rios inteiros

    Você sabia que aqueles hipopótamos que Pablo Escobar trouxe para a Colômbia nos anos 80 agora ameaçam engolir rios inteiros? O que começou como excentricidade de um narcotraficante virou uma invasão fora de controle. Nesta segunda (13/4), o governo colombiano anunciou que vai sacrificar 80 deles para frear o estrago.

    De quatro animais a uma horda incontrolável

    Tudo começou na Hacienda Nápoles, o paraíso particular de Escobar. Ele importou quatro hipopótamos africanos para seu zoológico particular, junto com girafas e zebras. Depois da morte dele em 1993, a fazenda virou ruína. Os outros bichos foram levados embora, mas ninguém quis os hipopótamos. Eles escaparam e se espalharam pela bacia do rio Magdalena.

    Hoje, o censo de 2022 do Ministério do Meio Ambiente conta pelo menos 169. Sem freio, especialistas preveem mais de 500 até 2030 e mil em 2035. Na Colômbia, sem predadores naturais nem secas como na África, eles se multiplicam rápido. O Instituto Humboldt alerta: esses megaherbívoros devoram vegetação nativa, pisoteiam o terreno e soltam toneladas de cocô que poluem a água.

    Uma ameaça real

    Os hipopótamos não param quietos nas margens. Eles contaminam rios, afugentam pescadores e atacam quem se aproxima. Um estudo na revista Animals de 2021 analisou encontros em Uganda: 87% dos casos entre humanos e hipopótamos, de 1923 a 1994, acabaram em morte. Aqui, pescadores e ribeirinhos vivem com medo de barcos virados ou pisadas fatais.

    A biodiversidade sofre mais ainda. Peixe-boi e tartarugas de rio perdem habitat e comida. Registros mostram ataques a pessoas, perseguições em rios, hipopótamos em estradas e encontros com crianças, diz o Instituto Humboldt. Classificados como espécie exótica invasora desde 2022, eles bagunçam ecossistemas inteiros.

    Plano Polêmico: Eutanásia e Busca por Adotantes

    A ministra Irene Vélez assinou um plano com 7,2 bilhões de pesos colombianos (uns R$ 10 milhões). A meta: reduzir 33 hipopótamos por ano. Prioridade para translocação a zoológicos no exterior, mas ninguém topou ainda. “Acreditamos que isso tem a ver com a pobreza genética e possíveis danos genéticos“,explicou Vélez à Blu Radio.

    Todos vêm dos mesmos quatro ancestrais, o que gera defeitos congênitos. Transporte custa caro, avisa Natalia Ramírez, diretora de Biodiversidade. Resta a eutanásia ética: injeções ou dardos, a R$ 70 mil por animal, sem contar o enterro por saúde pública. Do ponto de vista científico, esta é uma ação necessária, defendeu Vélez.

    Críticas e o Passado de Fracassos

    Nem todo mundo aplaude. A senadora Andrea Padilla, que é ativista pelos direitos dos animais, se manifestou contra a decisão, classificando-a como “simplista e cruel”.

    “Nunca apoiarei a matança de criaturas saudáveis; ainda mais quando, como neste caso, são vítimas da irresponsabilidade, negligência, indiferença e corrupção do Estado”, escreveu em sua conta na rede X.

    O governo tentou de tudo desde os anos 2000: castração química, abate seletivo. Nada segurou o boom populacional. Agora, com esse protocolo técnico, prometem ética e segurança. Mas o risco persiste: sem controle, a manada pode virar um monstro irreversível para a Colômbia.

    O império de excessos de Escobar ia além do dinheiro

    Antes mesmo dos hipopótamos virarem um problema ambiental de grandes proporções, Pablo Escobar já havia construído em torno de si a imagem de um homem fascinado por animais raros e pela ideia de transformar riqueza em espetáculo. Sua Hacienda Nápoles funcionava quase como um zoológico particular, reunindo espécies trazidas de vários lugares do mundo, em uma demonstração clara de ostentação e poder. Esse interesse por bichos exóticos ajudou a reforçar a aura de excessos que cercava o narcotraficante, sempre associado a histórias que misturavam luxo, extravagância e crueldade.

    É nesse contexto que surgiu também a lenda do “unicórnio” pedido pela filha, Manuela, uma narrativa que atravessou os anos justamente porque combina com a imagem exagerada que Escobar cultivava. A história ajuda a mostrar como, ao redor dele, tudo parecia maior do que a realidade comum, inclusive o tipo de capricho que um pai bilionário e violento estaria disposto a atender. Mais do que uma curiosidade folclórica, esse episódio revela o mesmo impulso que levou Escobar a cercar sua propriedade de animais incomuns: o desejo de impor fantasia, controle e espetáculo até nos detalhes mais absurdos da vida familiar.

  • Pesquisadores criam técnicas inovadoras para conter avanço do coral-sol no litoral brasileiro

    Pesquisadores criam técnicas inovadoras para conter avanço do coral-sol no litoral brasileiro

    Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e do ICMBio desenvolveram um conjunto de equipamentos inéditos para conter a expansão do coral-sol (Tubastraea coccinea) na costa brasileira. Entre as ferramentas testadas em ambiente natural estão martelete, escova elétrica, pistola injetora, disparadores de ar comprimido e um dispositivo que aplica luz ultravioleta para eliminar a espécie invasora.

    Foto: Marcelo Crivellaro/Acervo PACS Arvoredo

    Os trabalhos ocorrem na Reserva Biológica Marinha do Arvoredo, em Santa Catarina, desde 2022. A equipe realizou 114 mergulhos e acumulou 140 horas de monitoramento in loco em aproximadamente 65 quilômetros de costões rochosos. Os dados orientam o planejamento e a execução das ações de remoção mecânica dos corais.

    O projeto integra o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Coral-Sol na Rebio Arvoredo e Entorno (PACS Arvoredo). A iniciativa nasceu como medida de mitigação exigida no licenciamento ambiental conduzido pelo Ibama para a exploração de petróleo no Campo de Baúna, Bacia de Santos.

    “Algumas dessas ferramentas e técnicas foram testadas ou adaptadas pela primeira vez em ambiente natural por esse projeto, o que mostra a importância do licenciamento ambiental para a inovação”, afirma Fernando Augusto Galheigo, analista ambiental do Ibama.

    Espécie chegou ao Brasil nos anos 1980 e ocupa sete estados

    Nativo dos oceanos Índico e Pacífico, o coral-sol provavelmente desembarcou no Brasil na década de 1980 em cascos de navios e plataformas de petróleo. Atualmente, ocupa costões rochosos e estruturas artificiais na Bahia, Ceará, Espírito Santo, Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo.

    O coral pertence a um grupo que dispensa algas simbiontes (azooxantelados) e cresce em águas rasas. Duas espécies ocorrem no país: uma de coloração amarela (T. tagusensis) e outra vermelho-alaranjada (T. coccinea).

    A professora Bárbara Segal, da UFSC, explica que o coral-sol domina o ambiente recifal e reduz o espaço para espécies nativas. “Isso altera a estrutura dos ecossistemas e causa perda da biodiversidade marinha brasileira”, diz.

    Pesquisa segue até março com foco em detecção precoce

    As atividades de campo do PACS Arvoredo seguem até março. A expectativa da equipe é reduzir a densidade do coral nos locais já invadidos e aprimorar a capacidade de detectar a espécie onde ela ainda não chegou.

    Foto: Marcelo Crivellaro/Acervo PACS Arvoredo

    “A ideia é utilizar esse conhecimento para diminuir a densidade da espécie nos locais já invadidos. E se possível, detectá-la precocemente onde ainda não foi registrada”, acrescenta Adriana Carvalhal Fonseca, analista ambiental do ICMBio.

    Em 2018, o Ministério do Meio Ambiente publicou o Plano Nacional de Prevenção, Controle e Monitoramento do Coral-Sol. O documento orienta as estratégias de combate à espécie em todo o território nacional.

  • Mexilhão-dourado invasor causa prejuízos e preocupa especialistas

    Mexilhão-dourado invasor causa prejuízos e preocupa especialistas

    O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) organizou um seminário em Igarapé-Miri (PA) para debater os problemas causados pelo mexilhão-dourado (Limnoperna fortunei). Esta espécie invasora, originária da Ásia, chegou à América do Sul e gera prejuízos ambientais, econômicos e sociais na região.

    Instituições dialogaram com comunidade sobre problemas causados pelo molusco. Foto: Geane de Jesus

    O evento contou com apoio da Prefeitura Municipal de Igarapé-Miri e reuniu representantes do Ibama, Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Colônia de Pescadores Z-15 e grupos locais de proteção ambiental. Eles discutiram o impacto do mexilhão-dourado, como a destruição da vegetação aquática, a competição com moluscos nativos e as perdas para a pesca artesanal.

    Durante o seminário, os especialistas explicaram detalhes sobre a biologia e reprodução do molusco, além de apresentar um plano-piloto para sua remoção do rio Anapu. A programação incluiu uma visita a ribeirinhos do Baixo Anapu para colher relatos diretos sobre os danos provocados pela invasão da espécie.

    O seminário também teve o objetivo de informar a população local, promovendo a troca de experiências entre as instituições e moradores. A iniciativa busca integrar esforços para conter a expansão do mexilhão-dourado e proteger a biodiversidade e a economia da comunidade ribeirinha.

    Espécie invasora asiática ameaça ecossistemas aquáticos e economia local

    O mexilhão-dourado (Limnoperna fortunei), espécie invasora asiática presente na América do Sul, apresenta ciclo de vida com reprodução externa, em que machos e fêmeas liberam espermatozoides e óvulos na água para fecundação. A larva resultante é planctônica e pode se dispersar amplamente pela coluna d’água. A densidade larval varia ao longo do ano, podendo atingir picos superiores a 30.000 indivíduos por metro cúbico, com cerca de 16% dessas larvas prontas para se fixar em substratos. A espécie tem reprodução contínua em regiões tropicais, com picos relacionados às variações de temperatura local.

    O mexilhão-dourado compete com moluscos nativos por alimento e prejudica a vegetação aquática. Além de causar impactos socioeconômicos negativos para comunidades ribeirinhas e para a pesca artesanal. A alta adaptabilidade do molusco inclui tolerância a diferentes condições ambientais e alta taxa de dispersão. Além de ausência de predadores naturais no Brasil e resistência a baixos níveis de oxigênio e poluição.

    Quanto à alimentação, a espécie filtra partículas do fitoplâncton, o que altera a dinâmica dos nutrientes. Isso pode favorecer proliferções de cianobactérias tóxicas, tornando-se um vetor potencial de disseminação dessas toxinas nos ecossistemas aquáticos.

    Essas características biológicas e ecológicas fazem do mexilhão-dourado uma das maiores ameaças para a biodiversidade e para o equilíbrio ambiental em rios, lagos e reservatórios da América do Sul.

  • Brasil atualiza lista de espécies invasoras e inclui tilápia, causando polêmica no setor produtivo

    Brasil atualiza lista de espécies invasoras e inclui tilápia, causando polêmica no setor produtivo

    O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) divulgou recentemente uma atualização da Lista de Espécies Exóticas Invasoras em Unidades de Conservação Federais, registrando 290 espécies invasoras, sendo 162 de flora e 128 de fauna, presentes em 248 das 343 unidades de conservação federais do país.

    Entre os principais destaques do levantamento estão os peixes, que representam o grupo mais numeroso entre as espécies invasoras, com 60 espécies registradas. As tilápias Oreochromis niloticus e Coptodon rendalli, originárias da África e introduzidas no Brasil para a aquicultura, representam ameaças em 44 e 50 unidades de conservação, respectivamente.

    A situação se tornou ainda mais delicada quando a Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio), do Ministério do Meio Ambiente, apresentou em 3 de outubro uma proposta para incluir a tilápia na lista nacional de espécies exóticas invasoras. A proposta será votada em reunião da Conabio prevista para 8 de novembro.

    Tilápia: da segurança alimentar à ameaça ambiental?

    Em 2024, o Brasil produziu 662.230 toneladas de tilápia, representando 68% de toda a produção nacional de peixes cultivados. A espécie se tornou o pilar da piscicultura brasileira, sendo cultivada há mais de 50 anos no país.

    Especialistas e órgãos ambientais classificam a tilápia como espécie exótica invasora por seu potencial de causar impactos negativos à biodiversidade nativa, com registros de escapes para rios e represas, onde pode competir por alimento, predar ovos e larvas de peixes nativos e alterar o equilíbrio ecológico.

    A tilápia-do-nilo tolera extremos de temperatura, vive em diversos tipos de ambientes aquáticos e consome todo tipo de alimento de origem animal ou vegetal. Além de construir ninhos para os filhotes, os pais cuidam deles e garantem altas taxas de sobrevivência.

    Setor produtivo reage com preocupação

    A proposta provocou forte reação no setor produtivo. O Paraná, que responde por 36% da produção nacional de tilápias e por 25% da produção de peixes do país, movimenta toda a cadeia produtiva, incluindo ração, frigoríficos, transporte e comércio, gerando mais de 2,2 mil empregos diretos e indiretos no estado.

    O deputado federal Pedro Lupion questionou o embasamento técnico da medida e ressaltou que se trata de um peixe cultivado há mais de 25 anos com autorização do Ibama, em condições perfeitamente controladas, responsável por quase 70% da produção nacional de pescado.

    Esclarecimentos do governo

    O Ministério do Meio Ambiente esclareceu que a lista ainda tramita em instância consultiva. E que eventuais medidas e salvaguardas serão definidas em norma futura. Ressaltando que a inclusão de uma espécie na lista tem caráter técnico e preventivo e não implica em qualquer ação automática de banimento ou proibição de uso ou cultivo.

    Foto: divulgação – CNA

    A pasta ainda destacou que reconhece a relevância econômica da tilápia no país e o cultivo amplamente consolidado no território nacional. Afirmando que não há qualquer proposta ou planejamento para interromper essa atividade.

    Peixe BR contesta proposta do MMA que classifica tilápia como invasora

    A Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR) manifesta profunda preocupação diante de uma série de decisões recentes que impactam diretamente o setor produtivo nacional. Entre elas, se destaca a liberação da importação de tilápia do Vietnã pelo Governo Brasileiro, em um momento de supersafra e preços baixos. Gerando desequilíbrio no mercado interno e prejuízos significativos aos produtores.

    Na sequência, houve o anúncio do aumento tarifário imposto pelos Estados Unidos à tilápia brasileira, medida que transfere todo o ônus e custos para o produtor nacional, enquanto as negociações ainda estão em fase inicial.

    No entanto, a situação se agravou com um comunicado oficial do Ministério do Meio Ambiente (MMA). Ele foi apresentado pela Secretaria de Biodiversidade durante a reunião do CONAPE/MPA, realizada em 3 de outubro de 2025. Na ocasião, a equipe apresentou a minuta do CONABIO que inclui a tilápia, peixes nativos fora de suas bacias de origem, espécies híbridas e camarões na lista de espécies exóticas invasoras.

    A classificação como “invasora” coloca essas espécies no mesmo patamar de alerta e controle como o javali, tendo como parte da estratégia apresentado pela Secretária de Biodiversidade do MMA, a erradicação, caso a proposta seja aprovada na próxima reunião da CONABIO/MMA em 8/11.

    Preocupação

    A Peixe BR vê com extrema preocupação essa proposta, uma vez que sua fundamentação carece de debate técnico amplo e de estudos atualizados e imparciais. Decisões dessa magnitude não podem desconsiderar o impacto socioeconômico para milhares de famílias que vivem da piscicultura.

    Para a associação, a ciência deve andar junto com a realidade social e econômica brasileira, assegurando a sustentabilidade ambiental sem comprometer o desenvolvimento produtivo. E, neste momento, diversas parcerias estão sendo realizadas para demonstrar que esse caminho não representa o equilíbrio necessário.

    A minuta apresentada não oferece prazo adequado para defesa do setor haja vista que o MMA está fazendo esses estudos desde 2009.

    O Brasil é um país de todos os seus cidadãos e todas as ações devem ser no sentido de atender às demandas da sociedade brasileira. E o combate a fome se dá produzindo alimentos de qualidade e em abundância.