Tag: espécie ameaçada

  • Ele carrega os filhotes na barriga: conheça o macho que “engravida” no reino animal

    Ele carrega os filhotes na barriga: conheça o macho que “engravida” no reino animal

    Um vídeo gravado no Oceanic Aquarium, em Balneário Camboriú (SC), voltou a viralizar nas redes sociais ao registrar um cavalo-marinho macho em pleno trabalho de parto. A cena expõe uma das características mais raras entre os vertebrados: neste grupo de animais, é o macho quem carrega os ovos, conduz a gestação e dá à luz aos filhotes.

    https://www.instagram.com/p/DbrQJIwSasw/

    O protagonista do vídeo é um cavalo-marinho-de-focinho-longo (Hippocampus reidi). Depois do acasalamento, a fêmea deposita os ovos em uma bolsa incubadora que o parceiro carrega no abdômen. Esse compartimento abriga a fecundação e todo o desenvolvimento dos embriões até o nascimento.

    Como funciona a gestação do cavalo-marinho

    A incubação dura, em média, de 14 a 28 dias, e o tempo varia conforme a espécie e as condições ambientais. Ao final desse período, o macho passa por contrações musculares e libera centenas de recém-nascidos diretamente na água.

    Cada gestação pode gerar entre 100 e mais de mil filhotes. Apesar do número expressivo, menos de 1% desses animais chega à fase adulta. A combinação de degradação dos ambientes costeiros, poluição, captura incidental na pesca e mudanças climáticas mantém a espécie na categoria Quase Ameaçada da Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

    cavalo marinho
    Foto: Oceanic Aquarium/Divulgação

    “Os cavalos-marinhos são excelentes embaixadores da educação ambiental. Além de despertarem a curiosidade pelo fato do macho realizar a gestação, eles mostram como a natureza desenvolveu estratégias reprodutivas surpreendentes. Conhecer essas espécies também é uma forma de compreender a importância da conservação dos ambientes marinhos dos quais elas dependem para sobreviver”, afirma Juliana Formágio, veterinária e gerente de operações técnicas do Oceanic Aquarium.

    Curiosidades sobre os cavalos-marinhos

    A reprodução invertida não é a única singularidade da espécie. Confira outras características que tornam os cavalos-marinhos únicos no reino animal:

    • Cerca de 50 espécies habitam os oceanos ao redor do mundo, com tamanhos e cores que variam bastante entre elas.
    • A cauda funciona como âncora: por serem nadadores lentos, os cavalos-marinhos se prendem a corais, algas e outras estruturas para não serem arrastados pelas correntes.
    • Os olhos se movem de forma independente, o que permite que o animal observe duas direções diferentes ao mesmo tempo. Uma vantagem e tanto contra predadores.
    • Eles não têm estômago: o sistema digestivo processa o alimento tão rapidamente que os cavalos-marinhos precisam comer o dia inteiro para sobreviver.
    • A pele substitui as escamas: em vez de escamas, o corpo é revestido por uma fina camada de pele esticada sobre placas ósseas.
    • O casal dança todos os dias: durante a temporada reprodutiva, muitas espécies repetem um ritual diário de cortejo, o que reforça o vínculo entre os parceiros.
    • Alguns casais são monogâmicos e permanecem juntos durante toda a estação reprodutiva, cumprimentando-se diariamente com essa dança.

    Os cuidados que garantem a sobrevivência dos filhotes

    Na natureza, poucos filhotes resistem até a fase adulta. Em ambientes controlados, como aquários, a equipe técnica precisa adotar protocolos rigorosos para reduzir essa mortalidade.

    Cavalo marinho
    Foto: Oceanic Aquarium/Divulgação

    No Oceanic Aquarium, os filhotes passam as primeiras semanas de vida em tanques com temperatura entre 22°C e 25°C. A equipe monitora a qualidade da água continuamente para manter as condições ideais de desenvolvimento e reduzir o risco de doenças.

    A dieta também muda à medida que os animais crescem. Nos primeiros dias, os cuidadores oferecem náuplios de artêmia, pequenos crustáceos ricos em nutrientes. Conforme os filhotes se desenvolvem, a alimentação passa a incluir presas maiores, como camarões e outros microcrustáceos.

  • Palmeira rara reaparece após quase 100 anos e intriga cientistas

    Palmeira rara reaparece após quase 100 anos e intriga cientistas

    Uma palmeira rara reapareceu em Madagascar após quase um século sem registros científicos. Pesquisadores identificaram 28 indivíduos da espécie Ravenea latisecta em áreas protegidas da região de Andasibe-Mantadia, no leste do país.

    O achado reforça a importância da conservação e evidencia lacunas no conhecimento sobre a flora da ilha, considerada um dos principais pontos de biodiversidade do planeta.

    A equipe liderada por Louis Aureglia, da Universidade Aix-Marseille, iniciou expedições de campo em 2024 com o objetivo de localizar espécies do gênero Ravenea em ambiente natural. Os pesquisadores também revisaram amostras históricas armazenadas em herbários para validar registros antigos.

    Apesar de as palmeiras apresentarem grande porte, o grupo enfrentou dificuldades na identificação. Muitas espécies do gênero Ravenea possuem características semelhantes fora do período de floração, o que dificulta a distinção em campo.

    A confirmação da espécie ocorreu quando os cientistas encontraram indivíduos férteis, com inflorescências, estruturas que concentram flores. A presença de plantas masculinas e femininas permitiu validar a identificação com precisão.

    A Ravenea latisecta apresenta reprodução dioica, ou seja, produz flores masculinas e femininas em plantas separadas. Esse fator torna o processo de identificação ainda mais dependente da observação de exemplares em floração.

    Onde a palmeira foi encontrada

    Os pesquisadores localizaram a maioria dos indivíduos em quatro áreas: Reserva Vohimana, Parque Nacional Analamazoatra, Parque Nacional Mantadia e a reserva privada Vakona Forest.

    O registro atual surge quase 100 anos após a primeira descrição da espécie, feita com base em um exemplar coletado em 1927. Tentativas anteriores de identificação, incluindo amostras de 1992, apresentaram inconsistências e erros de classificação.

    Com menos de 50 indivíduos maduros conhecidos, a Ravenea latisecta integra a lista de espécies criticamente ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

    Os cientistas ainda não determinaram se a raridade da palmeira resulta de características naturais ou de pressões ambientais. As áreas onde a espécie ocorre enfrentam impactos da agricultura de corte e queima e da perda de cobertura florestal nas bordas.

    Apesar disso, os pesquisadores não encontraram evidências de exploração direta da espécie por comunidades locais. O grupo destaca a necessidade de monitoramento contínuo para entender a dinâmica populacional e os riscos envolvidos.

    Outro desafio envolve a conservação fora do habitat natural. A equipe não identificou exemplares confirmados em cultivo nem encontrou indivíduos com frutos durante as expedições, o que impede, até o momento, a coleta de sementes para programas de propagação e conservação ex situ.

    A redescoberta da Ravenea latisecta reforça que mesmo regiões consideradas bem estudadas ainda podem abrigar espécies raras e pouco conhecidas, ampliando a urgência de ações de conservação em Madagascar.

  • Tambaqui vira espécie ameaçada no Brasil e divide opiniões

    Tambaqui vira espécie ameaçada no Brasil e divide opiniões

    O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) incluiu o tambaqui (Colossoma macropomum), um dos peixes mais consumidos na Amazônia brasileira, na lista nacional oficial de espécies da fauna aquática ameaçadas de extinção, publicada em abril.

    Tambaqui
    Foto: Josiane Tada/Flickr

    A Portaria nº 1.666, divulgada no mesmo dia 27 de abril, estabeleceu um prazo de 180 dias para a aprovação de um plano de recuperação populacional da espécie, prazo que termina em 25 de outubro. Caso o plano não avance até lá, a pesca do tambaqui poderá ser proibida em todo o território nacional. A entrada na lista, porém, não implica proibição imediata, desde que especialistas, sob coordenação do MMA, aprovem o plano de recuperação a tempo.

    Queda populacional motiva classificação como vulnerável

    O Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE), coordenado pelo ICMBio, projetou uma queda de 43,4% na população de tambaqui ao longo de três gerações. E assim classificou a espécie como vulnerável. O peixe sofre forte pressão pesqueira em seu habitat natural há décadas. E ocorre naturalmente nas várzeas do rio Amazonas e na maioria de seus principais afluentes, distribuindo-se pelos estados do Acre, Rondônia, Amazonas e Pará.

    A piscicultura espalhou o tambaqui por outras regiões da América do Sul. E nos últimos 20 anos, compensou parcialmente as perdas populacionais nos estoques naturais. Isso ainda que o ICMBio não consiga precisar o real impacto da criação em cativeiro sobre essa recuperação.

    Pescadores da Amazônia contestam a decisão

    Vice-presidente da Colônia de Pescadores Z-23 de Alvarães, Castro teme que uma eventual proibição afete de forma desigual os pescadores artesanais, que trabalham com peixe de lago e não possuem viveiros, enquanto produtores de piscicultura poderiam seguir comercializando o tambaqui criado em cativeiro.

    Pescadores familiares se uniram a pesquisadores para pedir ao Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) a reversão da medida ou, ao menos, sua flexibilização em situações específicas.

    Igor Hister Lourenço, analista de pesquisa e desenvolvimento do Instituto Mamirauá, aponta a complexidade de aplicar uma restrição uniforme a toda a bacia amazônica: enquanto algumas áreas mantêm estoques abundantes, o rio Madeira registrou o desaparecimento do tambaqui e viu a espécie reaparecer recentemente após um longo período sem registros. Para Lourenço, estoques menores tornam a captura mais difícil e mais cara, o que naturalmente leva à diversificação da produção pesqueira, processo que já ocorre há anos, sem indicar necessariamente risco de desaparecimento da espécie. Ele também considera um erro o governo não ter consultado os pescadores antes da decisão, diante da escassez de dados sobre a dinâmica da pesca de pequena escala em toda a bacia.

    Falta de dados sobre comunidades tradicionais gera controvérsia

    O ICMBio reconhece uma limitação relevante na avaliação de risco: os dados de desembarque pesqueiro usados no estudo cobrem apenas áreas não protegidas, que correspondem a 61% da área de ocorrência do tambaqui.

    Tambaqui
    Foto: Derwisz/Flickr

    Unidades de conservação e terras indígenas, que somam os 39% restantes e apresentariam baixo risco de extinção, não contam com dados formais de desembarque. Uma lacuna que alimenta as críticas de pescadores e pesquisadores à decisão.

    Plano de recuperação avança sob pressão de prazo

    Roberto R. Gallucci, coordenador-geral do departamento de gestão compartilhada dos recursos pesqueiros do MMA, trata a conclusão do plano de recuperação até outubro como prioridade. O cronograma já definido prevê cooperação com o MPA e a participação de pescadores, gestores e pesquisadores. Um rascunho considerado crucial já foi apresentado, em 12 de junho. O MPA informou, por e-mail, que está reunindo contribuições técnicas para o plano, mas não disponibilizou o documento preliminar solicitado pela reportagem.

    A mesma atualização incluiu o peixe marinho peroá (Balistes capriscus) entre as espécies ameaçadas. A medida também gerou reação entre pescadores artesanais e o setor pesqueiro. Especialmente em Guarapari (ES), onde a associação local de pescadores (Aspeg) considera desproporcional penalizar quem usa métodos de baixo impacto. Aliás, um plano de recuperação para o peroá também está entre as prioridades do MMA.

    Nem sempre esses planos surtem o efeito esperado. O pargo (Lutjanus purpureus) teve seu status agravado de vulnerável para ameaçado mesmo com um plano de recuperação em vigor, segundo o Coletivo Nacional da Pesca e Aquicultura. A entidade atribui o resultado à disputa de protagonismo entre MMA e MPA. E defende repensar a gestão pesqueira com participação direta de quem pesca e de quem decide onde pescar.

    Atualmente, 490 espécies integram a lista de fauna aquática ameaçada no Brasil. O bagre-branco (Genidens barbus) e a corvina (Micropogonias furnieri), incluídos em atualizações anteriores, têm sua situação em revisão após recurso apresentado pelo MPA.

  • Piscicultura brasileira avança no primeiro semestre

    Piscicultura brasileira avança no primeiro semestre

    A piscicultura brasileira fechou o primeiro semestre de 2026 com saldo positivo no mercado interno. Impulsionado pela Quaresma, o consumo de peixes de cultivo cresceu e reforçou a trajetória de expansão observada no Brasil ao longo da última década. Mas o setor entra no segundo semestre sob atenção, diante de uma série de questões regulatórias e comerciais que podem definir os rumos da atividade nos próximos anos.

    Segundo a PEIXE BR, a tilápia, que responde por cerca de 70% da produção aquícola nacional, manteve a liderança entre os pescados mais consumidos pelos brasileiros. No segmento de peixes nativos, o tambaqui figurou como a principal preferência dos consumidores.

    “Esse desempenho demonstra a consolidação da piscicultura como uma importante fornecedora de proteína animal à população”, avaliou Francisco Medeiros, presidente executivo da PEIXE BR.

    Exportações em compasso de espera

    No mercado internacional, o cenário é de cautela. Medeiros explicou que a redução temporária da tarifa para 10% não gerou o retorno esperado, pois beneficiou todos os países exportadores de forma indistinta. Com a nova tarifa de 25%, o mercado esfriou. Um movimento que ele considera “normal, dentro da dinâmica comercial”.

    “Acreditamos em uma possível retomada nos volumes de exportação no segundo semestre, porém, tudo depende das decisões de política externa entre Brasil e Estados Unidos”, destacou o dirigente.

    No campo regulatório, a inclusão do tambaqui na lista federal de espécies em risco de extinção acendeu um sinal de alerta. Embora a medida tenha caráter conservacionista, a PEIXE BR avalia que a classificação pode gerar restrições à importação do pescado cultivado em alguns mercados internacionais. Justamente quando o governo brasileiro e o setor produtivo investem na internacionalização da espécie.

    Tilápia como espécie invasora: debate mobiliza setor

    A tilápia também enfrentou turbulências regulatórias. A proposta discutida na CONABIO, no IBAMA e no Ministério do Meio Ambiente para enquadrá-la como espécie exótica invasora mobilizou produtores, entidades do setor e parlamentares.

    Para a PEIXE BR, caso a classificação avance, o setor pode enfrentar restrições ao crescimento da atividade e dificuldades na produção, comercialização e exportação da tilápia. Isso em razão dos compromissos internacionais do Brasil para o controle de espécies invasoras.

    Importação de tilápia vietnamita pressiona produtor nacional

    Outro ponto de tensão é a abertura do mercado brasileiro para a tilápia importada do Vietnã. A entidade avalia que a medida integrou negociações comerciais mais amplas, relacionadas à exportação de carnes brasileiras, sem considerar as assimetrias de competitividade entre os dois países.

    “A importação, nos moldes atuais, está impactando muito a comercialização de filé de tilápia no Brasil. Os custos de produção entre Vietnã e Brasil são semelhantes, mas a política de estímulos e subsídios do governo vietnamita permite que o produto chegue ao mercado brasileiro por um preço inferior ao custo da matéria-prima produzida aqui. Além disso, permanecem preocupações relacionadas aos riscos sanitários”, ressaltou Medeiros.

    Perspectiva positiva para o segundo semestre

    Apesar do cenário de incertezas, a entidade mantém expectativas positivas para os próximos meses. Historicamente, o consumo de pescado cresce no fim do terceiro trimestre, acompanhando a elevação das temperaturas nas regiões Sul e Sudeste do país.

    “O consumo continua aquecido e confirma o comportamento observado na última década para os peixes de cultivo. É um mercado que segue em expansão, mas os riscos sanitários e regulatórios também aumentaram. Para o segundo semestre, esperamos uma recuperação natural do consumo com a elevação das temperaturas e, se houver estabilidade nas questões regulatórias e comerciais, também uma retomada das exportações”, concluiu o presidente executivo.

  • Ibama apreende 1 tonelada de pargo ameaçado de extinção

    Ibama apreende 1 tonelada de pargo ameaçado de extinção

    Uma operação de fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) resultou na apreensão de quase uma tonelada de pescado ilegal nesta quinta-feira (11/12). A ação faz parte da Operação Kalunga Grande, iniciativa contínua de combate à pesca irregular na Região Norte do Brasil.

    Durante o monitoramento na costa paraense, agentes do Ibama identificaram uma embarcação pesqueira operando sem autorização para captura de pargo (Lutjanus purpureus), espécie classificada como ameaçada de extinção. Quando o barco atracou no município de Bragança, a equipe de fiscalização constatou mais de 950 kg de pescado irregular a bordo.

    A situação se agravou pelo histórico da embarcação: o barco já havia sido autuado anteriormente e estava com permissão de pesca suspensa. Mesmo sob sanção administrativa, o proprietário continuou exercendo a atividade ilegal, configurando reincidência.

    Multas ultrapassam R$ 1 milhão

    Diante das irregularidades constatadas, o proprietário da embarcação recebeu dois autos de infração. O valor total das multas aplicadas supera R$ 1 milhão. Além das penalidades financeiras, a embarcação foi apreendida pelas autoridades ambientais.

    Todo o pescado recolhido durante a operação foi doado ao Hospital Municipal de Bragança, garantindo o aproveitamento adequado do produto e beneficiando a comunidade local.

    Proteção da biodiversidade marinha

    A Operação Kalunga Grande representa o esforço permanente do Ibama na proteção da biodiversidade marinha brasileira. A iniciativa visa fiscalizar a atividade pesqueira na região e combater a exploração ilegal de espécies ameaçadas, contribuindo para a preservação dos recursos naturais e a sustentabilidade dos ecossistemas costeiros.

    O pargo (Lutjanus purpureus) é uma das espécies mais visadas pela pesca predatória devido ao seu alto valor comercial. A fiscalização rigorosa busca garantir a recuperação dos estoques pesqueiros e evitar o colapso populacional dessa espécie importante para o equilíbrio marinho.