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  • Mudanças climáticas já causaram R$ 785 bi em danos no Brasil; escolas apostam em educação para mudar esse cenário

    Mudanças climáticas já causaram R$ 785 bi em danos no Brasil; escolas apostam em educação para mudar esse cenário

    Entre 2013 e 2025, os desastres ambientais causaram R$ 785,4 bilhões em danos no Brasil. Os dados, consolidados em 2026 pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), revelam que os desastres afetaram 95,1% dos municípios brasileiros. Com impactos sobre moradias, infraestrutura, serviços públicos e setores como agronegócio, segurança pública e indústria. Diante do aumento de eventos extremos como o El Niño que provoca tempestades, secas, ondas de calor e incêndios florestais, o país precisa fortalecer a preparação municipal e da sociedade.

    O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) aponta que o estresse pós-traumático, a ansiedade e a perda cognitiva causados pelas ondas de calor afetam diretamente o desenvolvimento infantojuvenil. Por isso, escolas têm colocado os próprios estudantes no centro do debate climático. “Para reduzir esses danos, é necessário atuar antes, durante e depois do desastre. Isso envolve educação climática, mapeamento de riscos, alertas acessíveis, simulados, escolas preparadas, proteção das famílias, espaços seguros nos abrigos, continuidade da aprendizagem, atendimento de saúde e acompanhamento psicossocial prolongado”, afirma Keles Gonçalves de Lima, coordenador de evangelização do Marista Brasil e doutor em Educação.

    Letramento climático substitui o medo pela ação

    Por meio do Observatório Marista do Clima, crianças e adolescentes de diferentes biomas brasileiros deixam de apenas receber notícias alarmantes que geram ecoansiedade e medo e passam a vivenciar o chamado “letramento climático”. Na prática, mais de 700 alunos e professores investigam problemas reais de seus bairros, representam países em simulações da COP (Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima) e implementam soluções que vão da gestão de resíduos a hortas agroecológicas. Ao longo de 2025, 88 instituições participaram do Observatório, os estudantes propuseram mais de 220 ações climáticas e o projeto somou 42.448 participantes diretos.

    Keles explica que o Observatório entende as questões climáticas como permanentes. E por isso adota uma estratégia educativa capaz de preparar as comunidades para diferentes manifestações da emergência climática. “O Observatório trabalha com quatro dimensões: conhecimento científico, adaptação, mitigação e comunicação. Entre elas, está a compreensão dos riscos de desastres e a preservação da vida”, comenta.

    Os jovens não atuam apenas como destinatários de informações. Eles investigam problemas reais de seus territórios, representam países em negociações climáticas, formulam propostas e implementam ações voltadas à economia de água e energia, à gestão de resíduos, às hortas agroecológicas e à criação de soluções sustentáveis. O projeto busca transformar a preocupação com o clima em conhecimento, participação e ação concreta, evitando tanto a indiferença quanto uma abordagem que gere apenas medo.

    Semeando a mudança

    Entre os projetos criados está o “Desperdiçômetro”, que nasceu da necessidade de enfrentar o grande volume de alimentos descartados no refeitório. Para tornar o problema visível, o Marista Escola Social Ecológica, em Almirante Tamandaré (PR), passou a pesar diariamente os restos alimentares. E divulgar os resultados em um mural, mobilizando toda a comunidade escolar. Além da medição, a escola promoveu debates, palestras com profissionais de nutrição, oficinas práticas sobre tamanho de porções e uso completo dos ingredientes, além de campanhas de conscientização.

    O projeto também criou um ciclo sustentável e pedagógico ao integrar o manejo dos descartes: os restos orgânicos passaram a alimentar uma composteira, que produz adubo para a horta da própria escola a mesma que abastece a cozinha com vegetais frescos. Sementes, folhas e cascas, por sua vez, viraram alimento para as ovelhas mantidas no local.

    Essa abordagem já gerou resultados importantes. A escola reduziu o volume de comida descartado no refeitório, aumentou a percepção dos alunos sobre a importância da alimentação, engajou as famílias, diminuiu custos institucionais e reforçou o reconhecimento do alimento como um bem fundamental.

    No Marista Escola Social – Robru, em São Paulo (SP), o projeto “Fraternidade e Ecologia Integral” resultou na criação de uma horta. A iniciativa incluiu um estudo de solo, a construção de canteiros, a instalação de uma estufa e uma formação em permacultura. A escola incorporou a proposta ao currículo da Educação Infantil, unindo agroecologia, permacultura e conscientização ambiental.

    “Cuidar das crianças e dos adolescentes diante da emergência climática significa reconhecê-los como prioridade absoluta. Mas também como sujeitos capazes de participar da construção de comunidades mais preparadas, solidárias e resilientes”, finaliza Lima.

    A escola como ponto de apoio em tragédias climáticas

    A tragédia climática que atingiu o Rio Grande do Sul em 2024 reconfigurou a atuação dos municípios e das instituições civis e de ensino. Antes, as enchentes eram vistas como episódios sazonais; hoje, os Maristas do Brasil as tratam como rotina institucional. “Não é mais possível tratar os eventos climáticos extremos como situações excepcionais. Precisamos incorporar permanentemente a prevenção, a adaptação e o cuidado com as populações mais vulneráveis aos processos institucionais e educativos”, avalia Keles.

    Diante do El Niño e de outras ameaças, os projetos de ações climáticas reforçam a necessidade de planos de contingência territorializados. “Os planos operacionais de contingência precisam ser territorializados, pois cada unidade está exposta a riscos diferentes, como enchentes, deslizamentos, secas, incêndios ou ondas de calor. Por isso, devem considerar os alertas oficiais, as orientações das defesas civis e as responsabilidades das mantenedoras e dos municípios”, afirma Lima.

    O coordenador ressalta que o Plano de Contingência é responsabilidade do poder público. “A escola não substitui a Defesa Civil, mas pode contribuir com educação climática, mobilização comunitária, conhecimento do território e participação de crianças e adolescentes. Um dos próximos avanços possíveis é justamente aproximar ainda mais as ações educativas do Observatório Marista do Clima dos planos municipais de prevenção e adaptação climática”, destaca.

    Sobre os Maristas no Brasil

    Os Maristas no Brasil integram uma rede global presente em mais de 80 países em todos os continentes. Há 129 anos no país, atuam hoje em mais de 94 cidades, em 25 estados brasileiros e no Distrito Federal. A rede reúne 97 unidades de educação básica, 34 unidades sociais e instituições de ensino superior como a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e a Católica de Santa Catarina, além do Hospital Cajuru e do Hospital Marcelino Champagnat, no Paraná, do Hospital São Lucas, em Porto Alegre, e de editoras como a FTD Educação.

  • Hortas sensoriais acessíveis beneficiam estudantes de escolas municipais

    Hortas sensoriais acessíveis beneficiam estudantes de escolas municipais

    Com o objetivo de conhecer os benefícios que as hortas sensoriais acessíveis proporcionam aos estudantes de escolas municipais de Uberaba, integrantes da liderança da Mosaic responsáveis pelo investimento social visitaram o colégio Arthur de Mello Teixeira, em Uberaba (MG), na quarta-feira (20).

    Desenvolvido pelo Programa Horta Educa, do Instituto Mosaic, o projeto beneficia cerca de 10 mil alunos da rede pública da cidade, com ações focadas na educação nutricional e inclusão de alunos com deficiência.

    “As hortas materializam a nossa missão primordial de contribuir para a produção de alimentos de qualidade. Com este projeto focamos em estudantes em situação de vulnerabilidade, contribuindo para o crescimento, desenvolvimento e nutrição das crianças ao incluir esses alimentos à merenda escolar. Além disso, é possível promover educação multidisciplinar por meio de um ambiente adaptado para acolher pessoas com deficiência”, afirma Adriana Alencar, vice-presidente de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade da Mosaic Fertilizantes.

    Divulgação – Mosaic

    Estrutura das hortas

    Em novembro do ano passado, a companhia entregou hortas escolares em Uberaba, além de formações pedagógicas para outras escolas da rede pública beneficiadas. As estruturas contam com canteiros com ervas medicinais e hortaliças, árvores frutíferas, espaço para composteira, bancos e lousa, compondo um espaço de sala de aula ao ar livre. As culturas estão distribuídas de forma a promover experiências e aguçar os sentidos – estímulos gustativo, olfativo, tátil, visual e auditivo.

    Objetivos das hortas sensoriais

    Um dos principais objetivos das hortas sensoriais é promover educação alimentar, oferecendo aos alunos a oportunidade de colocar em prática os aprendizados adquiridos em sala de aula.

    O espaço pode ser utilizado por professores de qualquer disciplina, tornando-se ferramenta importante no ensino.

    E o melhor de tudo é que os alimentos produzidos nas hortas complementam a merenda escolar.

    A infraestrutura é totalmente adaptada e acessível, com canteiros de diferentes alturas e espaço de circulação para manobra de cadeiras de rodas.

    O projeto contempla ainda recursos de acessibilidade, como mapa tátil, especificando as culturas e a localização dos canteiros na horta; piso tátil drenante para fácil locomoção; placas de tipografia adequada, fonte ampliada e conteúdo em Braile.

    Divulgação – Mosaic

    Resultados positivos

    Onde o projeto já foi implementado é possível perceber resultados positivos de inclusão e acolhimento, especialmente de alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), e melhora do comportamento de alunos em geral.

    A partir da iniciativa foram criados grupos de alunos denominados Amigos da Horta, responsáveis pelos cuidados com o espaço.”Ações como esta têm como objetivo beneficiar a comunidade próxima às nossas operações, gerando maior impacto positivo. Essas hortas são capazes de promover educação alimentar, qualidade no aprendizado dos alunos e inclusão de crianças com deficiência”, explica Adriana.

    O programa Horta Educa foi responsável pela entrega, desde à implantação, de 49 hortas escolares, além de três viveiros de mudas, em Goiás, Minas Gerais e Sergipe, estados em que a Mosaic Fertilizantes opera.

    As hortas fazem parte das ações estratégicas de combate a insegurança alimentar, coordenadas pelo Instituto Mosaic, e propõem uma experiência educativa e nutricional de valorização da alimentação saudável e sustentável.