Tag: erva-mate

  • Festa da Colheita marca início da safra de erva-mate no Rio Grande do Sul

    Festa da Colheita marca início da safra de erva-mate no Rio Grande do Sul

    A safra 2026 de erva-mate no Rio Grande do Sul deve alcançar cerca de 310 mil toneladas de folhas verdes, cultivadas em quase 30 mil hectares distribuídos em mais de 7 mil propriedades rurais. A produção está presente em 173 municípios gaúchos e reforça o protagonismo do Estado na cadeia produtiva da erva-mate no Brasil.

    A abertura oficial da safra ocorreu nesta quinta-feira (28), durante a Festa da Colheita da Erva-Mate, em Machadinho. O evento reuniu autoridades, produtores e representantes do setor para destacar o potencial produtivo e os desafios da atividade.

    O secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Márcio Madalena, participou da cerimônia e destacou um novo momento para a cadeia ervateira. Segundo ele, a conquista da Indicação Geográfica (IG) da erva-mate de Machadinho amplia as oportunidades de valorização e expansão do produto no mercado.

    “O setor precisa avançar na diversificação de produtos e na abertura de novos mercados. Há potencial de crescimento em regiões como Oriente Médio, Europa e Ásia, que devem entrar no foco estratégico da cadeia produtiva”, afirmou o secretário.

    Cadeia produtiva e indústria

    A produção de erva-mate no Rio Grande do Sul se organiza em cinco polos ervateiros. O Estado lidera o beneficiamento da matéria-prima no país e conta com pelo menos 163 indústrias ativas.

    O presidente do Instituto Brasileiro da Erva-Mate (Ibramate), Alberto Tomelero, destacou a importância da pesquisa e da inovação para elevar a produtividade e a qualidade. Segundo ele, o setor já avançou, mas ainda precisa fortalecer a integração entre produtores, indústria e consumidores.

    “Precisamos investir em genética, tecnologia e aproximação com o mercado consumidor. A expansão para o mercado internacional também exige evolução contínua em qualidade e produtividade”, disse.

    O presidente da Emater/RS, Claudinei Baldissera, reforçou o papel da assistência técnica e das políticas públicas no fortalecimento do setor. Ele destacou a relevância econômica e cultural da erva-mate para o Estado e apontou a necessidade de ampliar o consumo e buscar novos mercados.

    A próxima edição da Festa da Colheita da Erva-Mate já tem destino definido: será realizada em 2027, no município de Arvorezinha.

    Indicação Geográfica fortalece região

    A região de Machadinho conquistou, em novembro de 2025, a Indicação Geográfica (IG) para a erva-mate, concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O reconhecimento valoriza a identidade, a qualidade e a tradição da produção local.

    A certificação abrange dez municípios: Barracão, Cacique Doble, Machadinho, Maximiliano de Almeida, Paim Filho, Sananduva, Santo Expedito do Sul, São João da Urtiga, São José do Ouro e Tupanci do Sul.

    Com a IG, produtores e municípios ganham novas oportunidades de agregação de valor, acesso a mercados e fortalecimento da economia regional.

    Fórum debate inovação na produção

    A programação do evento incluiu o Fórum da Erva-Mate, com palestras técnicas voltadas à inovação no cultivo. A pesquisadora do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária (DDPA/Seapi), Gerusa Steffen, apresentou estudos sobre o uso de Trichoderma na cultura.

    Pesquisadora da Seapi Gerusa Steffen participou com palestra técnica da programação. Foto: Vanessa Moraes/Emater/RS

    Segundo ela, os fungos atuam como bioestimulantes, auxiliando desde a germinação até o desenvolvimento das plantas. Eles contribuem para a mitigação de estresses climáticos, como excesso ou falta de umidade, além de melhorar a fertilidade do solo.

    “O uso de Trichoderma favorece a produtividade e a qualidade da erva-mate, tornando o sistema mais resiliente”, explicou.

    O presidente da Câmara Setorial da Erva-Mate, Ilvandro Barreto de Mello, também participou do fórum e abordou a evolução da produção regional, desde suas origens até a conquista da Indicação Geográfica.

  • Universidade desenvolve linguiça de peixe com erva-mate

    Universidade desenvolve linguiça de peixe com erva-mate

    O Grupo de Pesquisa em Tecnologia do Pescado (GEPTPESCA) da Universidade Federal de Santa Maria conquistou aprovação no Programa Pesquisador Gaúcho e Fixação de Jovens Doutores da Fapergs. O projeto “Enriquecimento de linguiça ‘tipo frescal’ de jundiá (Rhamdia quelen) com erva-mate micronizada: um sabor típico do pampa” receberá até R$ 60 mil até dezembro de 2028.

    A equipe trabalha no desenvolvimento de uma linguiça à base de jundiá que utiliza erva-mate como ingrediente antioxidante. A professora Fernanda Ferrigolo, do Colégio Politécnico da UFSM, coordena a iniciativa e destaca o foco em produtos regionais.

    Jundiá se destaca na piscicultura do Sul

    O jundiá representa uma alternativa promissora para a piscicultura na região Sul do Brasil. A espécie nativa se adapta bem às baixas temperaturas do inverno, período que restringe o cultivo de outras espécies. O peixe oferece carne saborosa e filé sem espinhas intramusculares, características que conquistam o mercado consumidor.

    A indústria, porém, ainda explora pouco o potencial do pescado. As opções comerciais se limitam a produtos básicos, com poucas tecnologias de processamento disponíveis. A carne do peixe se deteriora rapidamente devido à sua composição, o que favorece mudanças sensoriais indesejadas e acelera a atividade microbiana.

    Erva-mate amplia vida útil do produto

    A erva-mate (Ilex paraguariensis) entra como solução tecnológica. A planta concentra compostos bioativos com expressiva atividade antioxidante, que prolongam a vida de prateleira do pescado.

    “O uso de tecnologias de processamento do pescado, aliado à aplicação de ingredientes naturais ricos em compostos bioativos, como a erva-mate, representa uma estratégia promissora”, explica Fernanda. A combinação resulta em produtos à base de peixe com maior estabilidade oxidativa, qualidade nutricional aprimorada e maior valor agregado.

    Os pesquisadores pretendem criar um alimento que combine três elementos tradicionais do Rio Grande do Sul: jundiá, linguiça e erva-mate. “Nossa intenção é desenvolver um produto inovador e que traga uma identidade do nosso estado, combinando elementos bastante aceitos pelo povo gaúcho”, salienta Fernanda.

    Após concluir as análises previstas no projeto, a equipe avaliará as possibilidades comerciais do produto.

    Piscicultura gaúcha tem potencial inexplorado

    O projeto também pode impulsionar a piscicultura estadual. O Rio Grande do Sul possui a maior área de viveiros do Brasil em hectares. A produção local, entretanto, não atende à demanda, o que força o estado a buscar peixes de outras regiões.

    “O potencial gaúcho para a piscicultura é significativo, mas seu pleno desenvolvimento depende de políticas públicas e programas de incentivo específicos para o setor”, relata a docente.

    Os experimentos utilizarão 10 kg de filé de jundiá adquiridos do comércio local. A pesquisa inicia em janeiro de 2026 no Colégio Politécnico da UFSM, em parceria com o Laboratório de Piscicultura do Departamento de Zootecnia/Centro de Ciências Rurais (CCR) e com o curso de Engenharia de Aquicultura da Unipampa.

    GEPTPESCA desenvolve receitas práticas com pescado

    Fernanda Ferrigolo criou o GEPTPESCA em 2022, quando atuava na Unipampa. A redistribuição para a UFSM trouxe a marca do grupo e manteve as atividades de ensino, pesquisa e extensão na área.

    O grupo nasceu da intenção de avançar nas pesquisas voltadas à Tecnologia do Pescado, área ainda pouco explorada no Brasil. Os pesquisadores desenvolvem produtos práticos com inclusão de carne de peixe para consumidores que buscam praticidade sem abrir mão de alimentação saudável, com atenção especial ao público infantil.

    Foto: Divulgação UFSM

    O grupo criou receitas como o “biscolápia”, biscoito amanteigado com adição de filé de tilápia. Segundo Fernanda, a receita faz sucesso entre quem prova. “A proposta dessas receitas é enriquecer nutricionalmente alimentos que são bem aceitos pelas crianças e possibilitar sua inserção na merenda escolar”, destaca.

    Outros estudos resultaram em fishburguer adicionado de erva-mate – quando os pesquisadores atestaram as propriedades antioxidantes deste produto – e bolo de chocolate com adição de filé de tilápia.

    Foto: Divulgação UFSM

    As atividades do GEPTPESCA envolvem os cursos técnicos em Zootecnia, Agropecuária, Alimentos e Farmácia do Colégio Politécnico da UFSM. Os alunos participam de aulas práticas de desenvolvimento de produtos à base de peixe para evidenciar o potencial dessa fonte de proteína e incentivar seu consumo.

    Projeto leva receitas para escolas de Santa Maria

    O grupo sairá dos laboratórios do Campus no primeiro semestre de 2026 para levar suas receitas com pescado às escolas de Santa Maria. A primeira será a EMEI Monte Bello, localizada no Bairro Camobi.

    “Estamos em busca de parcerias e já contamos com uma instituição interessada, com o início das ações previsto para o primeiro semestre”, afirma Fernanda. O objetivo dessas parcerias consiste em divulgar as receitas por meio de minicursos, incentivando desde cedo o consumo de peixe entre crianças e jovens.

    “Entendemos que criança pode atuar como um agente multiplicador, influenciando positivamente os hábitos alimentares de sua família”, conclui a coordenadora.

  • Plano Estadual busca qualificar o setor da erva-mate no Rio Grande do Sul

    Plano Estadual busca qualificar o setor da erva-mate no Rio Grande do Sul

    O Governo do Rio Grande do Sul oficializou, nesta segunda-feira (29), a criação do Plano Estadual para Qualificação e Desenvolvimento Estratégico da Cadeia Produtiva do Mate Gaúcho (Planimate-RS). Instituído pelo Decreto nº 58.554, assinado pelo governador Eduardo Leite, o programa tem como meta fortalecer e modernizar todos os elos da cadeia produtiva da erva-mate, um dos símbolos da cultura gaúcha.

    Sob a coordenação da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), o Planimate-RS reunirá esforços de entidades públicas e privadas para aprimorar a competitividade do setor. As ações abrangem desde o Cadastro Florestal Estadual e o Sistema de Defesa Agropecuária até fundos de desenvolvimento, câmaras setoriais, programas de qualidade, monitoramento de pragas e pesquisa florestal.

    Entre os principais objetivos estão o fortalecimento institucional, o incentivo à agricultura familiar, a promoção de boas práticas agrícolas e industriais, além do fomento à pesquisa, inovação e consumo da erva-mate. O plano também busca ampliar o acesso a novos mercados, nacionais e internacionais, e facilitar a captação de recursos para investimentos no setor.

    A gestão do Planimate-RS será conduzida por três comitês temáticos — Desenvolvimento, Cultura e Institucional — que contarão com representantes de diferentes segmentos da cadeia produtiva. O decreto estabelece ainda revisões periódicas para garantir que o plano acompanhe as transformações e as demandas do setor.

  • Três cidades dominam produção de camomila e faturam R$ 15 milhões

    Três cidades dominam produção de camomila e faturam R$ 15 milhões

    O Paraná consolidou sua posição como maior produtor de camomila do Brasil, respondendo por 79,5% de toda a produção nacional, segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral). Em 2024, o estado colheu 1,1 mil toneladas da planta medicinal em 2,3 mil hectares, gerando um Valor Bruto da Produção (VBP) de R$ 15 milhões.

    A cultura está concentrada em três municípios da Região Metropolitana de Curitiba: Mandirituba, São José dos Pinhais e Contenda, que juntos respondem por mais de 70% da produção estadual. A colheita da safra 2025 já foi concluída. E a comercialização acontece de forma contínua ao longo do ano, seguindo a demanda da indústria e do mercado externo.

    Apesar de ter escala menor em comparação a outras culturas do agronegócio paranaense, a camomila representa uma potência econômica regional, com forte participação da agricultura familiar e alto potencial de agregação de valor na cadeia produtiva de plantas medicinais.

    Grãos avançam com boas condições climáticas

    Enquanto a camomila já encerrou sua safra, outras culturas seguem em ritmo acelerado no campo. O plantio da soja 2025/26 atingiu 52% da área prevista de 5,77 milhões de hectares, impulsionado pelas chuvas das últimas semanas, conforme o Boletim Semanal do Deral.

    O milho de primeira safra está praticamente concluído, com 94% da área de 333 mil hectares já semeada. As lavouras apresentam boas condições de desenvolvimento.

    A fruticultura paranaense registrou VBP de R$ 3,9 bilhões em 2024, com 1,3 milhão de toneladas colhidas em 53,8 mil hectares. A citricultura lidera o segmento, respondendo por mais da metade da área e da produção, além de 39% do valor total da atividade.

    Laranja, morango, uva, goiaba e banana concentraram mais de 70% do VBP estadual da fruticultura, reforçando a diversidade e a capacidade de geração de renda do setor.

    Erva-mate mantém tradição e relevância econômica

    Símbolo da cultura paranaense, a erva-mate movimentou R$ 1,2 bilhão em 2024, representando 0,67% da agricultura estadual. No Sul do Paraná, a cultura tem importância ainda maior: em Cruz Machado, corresponde a 25% da riqueza agrícola local . Enquanto em São Mateus do Sul e Bituruna representa cerca de 18%.

    O Deral destaca o peso cultural e histórico da erva-mate, fortemente associada à identidade regional e à agricultura familiar.

    Suinocultura e pecuária em alta

    O custo médio de produção na suinocultura paranaense subiu 0,7% em setembro, chegando a R$ 5,77 por quilo vivo, segundo a Embrapa Suínos e Aves. Apesar da alta, o Paraná mantém o segundo menor custo entre os principais estados produtores, garantindo competitividade no setor.

    Na pecuária de corte, o Brasil bateu recorde de exportações de carne bovina em setembro, com 348 mil toneladas embarcadas. Volume 15% superior ao acumulado de 2024. A demanda da China e de Hong Kong impulsionou os embarques.

  • RS: concurso define as 10 maiores árvores de erva-mate do estado

    RS: concurso define as 10 maiores árvores de erva-mate do estado

    A identidade dos verdadeiros gigantes da floresta gaúcha será revelada na próxima terça-feira, 1º de outubro. Nesta data, a Universidade de Passo Fundo (UPF) irá anunciar e premiar as 10 maiores árvores de erva-mate do Rio Grande do Sul, eleitas em um concurso inédito que mapeou exemplares monumentais em todo o estado.

    A cerimônia de premiação do concurso “Árvores Gigantes do Rio Grande do Sul” está marcada para as 10h, no auditório da Faculdade de Odontologia da UPF (Campus I).

    O evento é o ponto alto de um projeto que contou com a participação de 41 árvores inscritas, oriundas dos quatro principais polos ervateiros do estado: Alto Taquari (18), Celeiro Missões (10), Nordeste Gaúcho (8) e Alto Uruguai (5).

    De acordo com o regulamento, para entrar na disputa, os exemplares precisavam ter, no mínimo, 1,5 metro de circunferência à altura do peito (CAP), uma medida padrão em estudos florestais. “Todas estas árvores já foram monitoradas pela Comissão Estadual do Concurso e tiveram suas medições reavaliadas”, afirmou Ilvandro Barreto de Melo, engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar e coordenador da Câmara Setorial da Erva-Mate.

    Além do título: conservação e pesquisa científica

    A competição, no entanto, vai muito além da simples premiação. Segundo Melo, as árvores gigantes se tornarão objeto de estudos genéticos e fitoquímicos, com a permissão dos produtores. “O concurso é uma ferramenta para buscar a caracterização destas 41 árvores. E compreender tanto a anatomia de cada uma quanto o seu processo de multiplicação”, destacou.

    Para o professor Jaime Martinez, coordenador do concurso pela UPF, o objetivo central é ecológico e cultural. “Estudos mostram que um dos frutos que mais atrai as aves silvestres é o fruto da erva-mate. O grande objetivo deste concurso foi destacar as espécies e os ambientes florestais. Para que a gente recupere uma cultura de maior valorização das nossas florestas. Aquilo que a gente valoriza e conhece, a gente preserva melhor”, explicou Martinez.

    A iniciativa, organizada pela UPF em parceria com diversas instituições do setor. E busca reforçar a importância econômica, cultural e ambiental da erva-mate para o Rio Grande do Sul. Além de destacar a necessidade de preservar esses patrimônios vivos da natureza.

  • Erva-mate: conheça o método artesanal barbaquá de produção

    Erva-mate: conheça o método artesanal barbaquá de produção

    A Região de Machadinho, no Rio Grande do Sul, celebra a conquista da primeira erva-mate gaúcha com Indicação Geográfica (IG) produzida pelo tradicional método artesanal barbaquá. A agroindústria Barbaquá Machadinho é responsável por essa produção. Ela resgata técnicas históricas e valoriza a cultivar Cambona 4, reconhecida por seu sabor suave e alta adaptabilidade.

    O sistema barbaquá é um processo artesanal de secagem das folhas da erva-mate que utiliza temperaturas mais baixas durante um período prolongado, entre 24 e 48 horas, diferentemente dos métodos modernos que levam de 40 minutos a uma hora. Segundo Ilvandro Barreto de Melo, engenheiro agrônomo e coordenador da Câmara Setorial da Erva-Mate da Emater/RS-Ascar, esse método manual preserva características únicas da erva-mate, conferindo sabor diferenciado ao produto final.

    Atualmente, apenas três localidades no Rio Grande do Sul produzem erva-mate pelo método barbaquá: Machadinho, Seberi e Mato Castelhano, conforme normas da Secretaria Estadual da Saúde (SES/RS).

    Concedida em fevereiro de 2025 pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), a Indicação Geográfica da Região de Machadinho abrange 10 municípios. E reconhece a qualidade e a origem da erva-mate produzida localmente. Para Selia Regina Felizari, presidente da Associação dos Produtores de Erva-Mate de Machadinho (Apromate), o selo é uma ferramenta de desenvolvimento sustentável que valoriza o produto, preserva práticas tradicionais e incentiva a conservação ambiental.

    A história da família Fonseca e a cultivar Cambona 4

    A produção da erva-mate no método barbaquá tem raízes profundas na família Fonseca, pioneira na região. Os avós de Débora Fonseca, proprietária da agroindústria Barbaquá Machadinho, já utilizavam essa técnica artesanal para produzir erva-mate para chimarrão. A cultivar Cambona 4, originada no erval da família na década de 1970, destaca-se pela rápida capacidade de rebrote e alta produção de sementes. Além de proporcionar um sabor mais suave ao chimarrão, característica valorizada na região.

    Antigo barbaquá do “Seu Dorinho”, avô de Débora Fonseca, em Machadinho – Foto: arquivo pessoal/Débora Fonseca

    Em 2022, foi inaugurado o Barbaquá Machadinho, unidade que mantém o processo tradicional em instalações modernas e adequadas às normas sanitárias vigentes. A produção mensal chega a cerca de mil quilos, comercializados principalmente pela internet para diversos estados, além de participação em feiras como Expointer e Expodireto.

    Sustentabilidade e impacto econômico regional

    Produtores cultivam a cultivar Cambona 4 tanto em sistemas agroflorestais quanto a pleno sol, adotando práticas sustentáveis que já renderam reconhecimentos importantes, como o Prêmio LIF de Responsabilidade Social e o Prêmio Brasil de Meio Ambiente. A erva-mate é um importante ativo econômico para a Região de Machadinho, gerando emprego, renda e preservando a cultura local.

    Barbaquá Machadinho, inaugurado em 2022, responsável pela produção da primeira erva-mate com IG da “região de Machadinho” do RS – Foto: arquivo pessoal/Débora Fonseca

    O termo “barbaquá” tem origem no guarani, significando “buraco onde se põe a erva-mate para secar”. Ele também deriva do espanhol “barbacoa”, que designa uma armação de madeira. O método foi amplamente difundido pelos jesuítas e permanece como símbolo da tradição ervateira gaúcha.

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  • Erva-mate em agroflorestas: SC une produção e sustentabilidade

    Erva-mate em agroflorestas: SC une produção e sustentabilidade

    Em meio a araucárias, imbuias e canelas, a erva-mate cresce vigorosa, beneficiando-se da sombra da floresta. Essa é a realidade de Eurico Rocha, agricultor de Ponte Serrada (SC), que mantém 12 hectares de agrofloresta seguindo uma tradição iniciada por seu avô. Sem usar agrotóxicos e apenas com adubação orgânica, ele colhe até 15 toneladas por hectare a cada dois anos e meio – um exemplo de como a produção sustentável pode ser lucrativa.

    A cena se repete em diversas propriedades rurais de Santa Catarina, onde um terço da erva-mate é cultivada em sistemas agroflorestais. O estado, que responde por 20% da produção nacional, colheu 130 mil toneladas em 2023, movimentando R$ 176 milhões. Além de ser a base do tradicional chimarrão, a erva-mate ganha espaço em chás, sucos e até cosméticos, sustentando milhares de famílias.

    Por que a erva-mate em agroflorestas?

    A Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de SC) tem sido peça-chave no fomento a esse sistema, que alia produtividade e conservação ambiental. Segundo Paulo Alfonso Floss, pesquisador da Epagri, a erva-mate é uma planta nativa que se adapta perfeitamente ao clima e solo da região, proporcionando:

    • Melhor qualidade da folha (mais verde, doce e com maior teor de cafeína)
    • Proteção do solo e da água
    • Redução de pragas e doenças (devido ao equilíbrio ecológico)
    • Renda complementar (já que outras espécies, como a araucária, também geram lucro)

    O diferencial do planalto norte

    A região do Planalto Norte Catarinense se destaca na produção de erva-mate em caívas – sistemas agroflorestais que mantêm apenas árvores nativas, sem espécies exóticas ou agrotóxicos. O resultado é um produto mais doce, menos amargo e com folhas mais nutritivas.

    Um terço da erva-mate produzida em Santa Catarina vem de agroflorestas. Foto: Epagri SC/Divulgação

    Essa singularidade rendeu à erva-mate da região o selo de Indicação Geográfica (IG) em 2022, concedido pelo INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial). A certificação abrange 12 municípios e valoriza a produção local, abrindo portas para mercados premium e turismo rural.

    O trabalho da Epagri

    Há mais de 40 anos, a Epagri investe em pesquisas para fortalecer a cadeia produtiva da erva-mate. Entre as principais contribuições estão:

    • Primeiro pacote tecnológico para erva-mate no Brasil
    • Lançamento do cultivar SCSBRS Caa rari (em parceria com a Embrapa)
    • Desenvolvimento de novas variedades, incluindo uma para cultivo a pleno sol (a ser lançada em 2026)
    Nas capacitações, os produtores conhecem tecnologias que aumentam a produtividade. Foto: Epagri SC/Divulgação

    Além disso, a Epagri orienta produtores sobre:

    • Manejo ideal (poda, adubação e controle de pragas)
    • Sombreamento correto (recomendando 50 a 100 araucárias por hectare)
    • Capacitação técnica (em 2024, mais de 1.300 produtores foram atendidos)

    Histórias de sucesso

    Eurico Rocha é um dos exemplos de como a assistência técnica transforma vidas. Com mais de 20 certificados de cursos da Epagri, ele não só melhorou sua produção como se tornou consultor ambiental. “Os cursos vão muito além da técnica – abrem a mente do agricultor. Hoje, sou empreendedor graças a esse conhecimento.”

    Eurico Rocha, produtor. Foto: Epagri SC/Divulgação

    Outros agricultores, como os de Passos Maia e Vargeão, também relatam aumento de produtividade após aplicarem as técnicas aprendidas.

    A tendência é que mais produtores migrem para sistemas agroflorestais, já que a erva-mate sombreada tem maior valor de mercado. Além disso, a Indicação Geográfica e a demanda por produtos sustentáveis impulsionam novos negócios.

    Santa Catarina mostra que é possível produzir com qualidade, gerar renda e preservar a floresta – um modelo que pode inspirar todo o Brasil.

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  • Cultivo de erva-mate do Paraná é Patrimônio Agrícola Mundial

    Cultivo de erva-mate do Paraná é Patrimônio Agrícola Mundial

    A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) reconheceu, em 21 de maio, o cultivo de erva-mate sombreada nas florestas de araucárias do Paraná como Patrimônio de Sistemas Agrícolas de Importância Global (Giahs). Esse título destaca sistemas produtivos sustentáveis que valorizam o conhecimento tradicional e a agrobiodiversidade. Além de reforçar o papel da FAO no combate à fome, melhoria da nutrição e promoção da segurança alimentar mundial.

    O Paraná lidera a produção nacional de erva-mate, envolvendo cerca de 30 mil famílias e movimentando aproximadamente R$ 1,3 bilhão por ano, conforme dados do Valor Bruto da Produção (VBP) de 2023. Estimativas apontam que 70% da área de cultivo no estado utiliza a técnica sombreada, que preserva a biodiversidade e mantém a qualidade da planta.

    O cultivo sombreado ocorre sob florestas nativas, principalmente de araucárias, o que proporciona uma incidência de luz diferenciada. Essa prática resulta em folhas com maior concentração de taurina e teobromina, componentes valorizados pelas indústrias de chás, energéticos e cosméticos. O engenheiro florestal Avner Paes Gomes, do IDR-Paraná, destaca que o sistema funciona como um consórcio floresta. Ou seja, ele integra a produção de erva-mate com a preservação de outras espécies nativas, o que agrega valor ao produto para o mercado internacional.

    Esse reconhecimento da FAO representa apenas o segundo título Giahs concedido ao Brasil. O outro foi para os apanhadores de flores sempre-vivas da Serra do Espinhaço, em Minas Gerais. No mundo, 95 sistemas agrícolas de 28 países possuem esse status.

    Tradição

    A tradição do cultivo sombreado de erva-mate no Paraná tem raízes em práticas desenvolvidas por povos indígenas e comunidades tradicionais. O sistema garante renda para milhares de famílias, especialmente na região Centro-Sul do estado, onde a topografia dificulta outras formas de agricultura.

    O Estado investe em capacitação dos produtores por meio do IDR-Paraná, que oferece assistência técnica desde a seleção das mudas até a colheita e o controle de pragas. O programa Vocações Regionais Sustentáveis (VRS), da Invest Paraná, também promove oficinas para profissionalizar a cadeia produtiva e conquistar novos mercados.

    Além disso, a erva-mate de São Mateus do Sul, na Região Sul, possui desde 2017 o selo de Indicação Geográfica (IG), concedido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), reconhecendo a tradição e a qualidade do produto local.

    O Paraná se destaca ainda por iniciativas de sustentabilidade, como a redução de 64% do desmatamento ilegal da Mata Atlântica entre 2023 e 2024. Além do aumento de 13% das matas ciliares, segundo a Fundação SOS Mata Atlântica. O estado lidera o ranking de sustentabilidade do Brasil, segundo o Centro de Liderança Pública (CLP). Isso graças a políticas de reciclagem, coleta seletiva e recuperação de áreas degradadas.

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  • Machadinho: erva-mate recebe selo de indicação geográfica

    Machadinho: erva-mate recebe selo de indicação geográfica

    A erva-mate produzida na região de Machadinho, no Rio Grande do Sul, obteve o reconhecimento de Indicação Geográfica (IG) na modalidade Indicação de Procedência (IP) pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O registro valoriza e fortalece a atuação dos pequenos produtores rurais, garantindo a qualidade e a reputação do produto no mercado consumidor.

    A Indicação de Procedência “Erva-Mate Região de Machadinho” abrange as modalidades de Chimarrão, Tereré e Chá Mate Tostado, fabricados tanto pelo método industrial quanto pelo artesanal “barbaquá”. A área geográfica delimitada compreende dez municípios em área contínua, totalizando 2.716,868 km²:

    • Barracão
    • Cacique Doble
    • Machadinho
    • Maximiliano de Almeida
    • Paim Filho
    • Sananduva
    • Santo Expedito do Sul
    • São João da Urtiga
    • São José do Ouro
    • Tupanci do Sul

    Valorização dos produtores rurais

    O registro é resultado dos esforços da Associação dos Produtores de Erva-mate de Machadinho (Apromate), que deu entrada no pedido com o apoio do Sebrae. A iniciativa visa fortalecer o território e valorizar a produção local.

    Hulda Giesbrecht, coordenadora de tecnologias portadoras de futuro do Sebrae Nacional, destaca que a IG valoriza o trabalho dos pequenos produtores rurais que seguem boas práticas e preservam a cultura e a tradição associadas à erva-mate da região.

    Ao adquirir produtos com IG, o consumidor tem a garantia da qualidade, da origem e da reputação, diferenciais que agregam valor e aumentam a competitividade dos pequenos negócios rurais, ressalta Hulda Giesbrecht.

    Com essa concessão, o Brasil passa a contar com 128 Indicações Geográficas, sendo a terceira de erva-mate brasileira. As outras duas são da região de São Matheus (PR) e da região do Planalto Norte Catarinense (SC).

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  • Novo recorde de mercados abertos para produtos brasileiros

    Novo recorde de mercados abertos para produtos brasileiros

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) atingiu a marca de 100 novas aberturas de mercado em apenas 8 meses, Com isso, superando amplamente os números dos últimos cinco anos. Desde o início do terceiro mandato do presidente Lula, já foram abertos 178 novos mercados em 58 destinos, alcançando todos os continentes.

    De acordo com a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, o novo marco supera os números de anos anteriores. Em 2019 foram 35 novos mercados em 22 países; em 2020 foram 74 em 24 países; em 2021 foram 77 em 33 países; em 2022 foram 53 em 26 países; e em 2023 foram 78 em 39 países.

    Os números mensais de 2024 mostram 26 novos mercados em junho (13 países), 16 em julho (9 países), 15 em maio (10 países), 10 em março (7 países), 7 em fevereiro (6 países), 9 em janeiro (5 países) e 5 em abril (3 países). Em agosto, até o momento, foram 11 aberturas para países como Angola, Costa Rica, Egito, Panamá, União Europeia e Indonésia.

    Importância para o agronegócio

    Roberto Perosa, secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, destacou a relevância deste marco histórico. “O alcance de 100 novas aberturas de mercado em apenas oito meses, antes mesmo de encerrar o ano, é um feito histórico para o agronegócio brasileiro. Cada nova conquista reafirma nosso compromisso com o crescimento sustentável e a competitividade do setor. Sempre buscando abrir portas para nossos produtores em todos os continentes.”

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    Abertura para exportação de erva-mate

    Uma das novidades é a autorização da Indonésia para importação de erva-mate brasileira. Beneficiando principalmente os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. As exportações agrícolas brasileiras para a Indonésia ultrapassaram US$ 3,69 bilhões em 2023, sendo 74% provenientes dos complexos de soja e sucroalcooleiro.

    Este resultado positivo é fruto dos esforços conjuntos do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE). Ambos têm trabalhado para diversificar a pauta e expandir as oportunidades para os produtos agrícolas do Brasil no comércio mundial. A abertura de novos mercados reafirma o compromisso do governo em promover o crescimento sustentável e a competitividade do agronegócio brasileiro.