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  • Como cientistas transformaram casca de banana em energia mais barata e limpa

    Como cientistas transformaram casca de banana em energia mais barata e limpa

    Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) descobriram que baixas concentrações de soda cáustica (hidróxido de sódio, NaOH) preparam resíduos orgânicos para a produção de biogás com mais eficiência do que doses elevadas. A descoberta eleva a geração de metano, reduz o consumo de reagentes químicos e diminui os custos da operação industrial.

    A equipe utilizou como matéria-prima bananas descartadas em varejões, cascas e frutos impróprios para comercialização. Apesar do alto teor de matéria orgânica, esses resíduos escondem seu potencial energético dentro de uma espécie de armadura vegetal, formada por substâncias como celulose e lignina. Essa barreira dificulta o acesso dos microrganismos aos açúcares fermentáveis e limita a digestão anaeróbia, processo pelo qual comunidades de microrganismos decompõem a matéria orgânica na ausência de oxigênio.

    Durante o processo, os microrganismos quebram moléculas complexas em compostos cada vez mais simples até formar o metano (CH₄), principal componente energético do biogás.

    Como funciona o pré-tratamento termoalcalino

    “Para aumentar a eficiência da produção de biogás, é necessário aplicar um pré-tratamento. Nós optamos pelo termoalcalino (que combina calor e produtos químicos). A biomassa foi aquecida na presença de diferentes concentrações de hidróxido de sódio, variando entre 0,2% e 3%. O objetivo era romper parcialmente a barreira formada pela lignina, tornando os carboidratos mais acessíveis aos microrganismos”, explica Sandra Imaculada Maintinguer, integrante do Instituto de Pesquisa em Bioenergia da Universidade Estadual Paulista (IPBEN-Unesp) e coordenadora da pesquisa.

    Pesquisadora Larissa Ayumi Yamamoto realiza experimento com o resíduo de banana. Foto: Larissa Ayumi Yamamoto/IPBEN-Unesp

    Os testes contrariaram a expectativa intuitiva de que doses maiores de reagente trariam melhor desempenho. Pelo contrário: a eficiência máxima apareceu justamente nas menores concentrações testadas. A dose de apenas 0,2% de NaOH promoveu a maior solubilização de carboidratos, alcançando 12.110 miligramas por litro (mg/L). Ou seja, mais que o dobro dos 4.785 mg/L registrados no material sem pré-tratamento. Uma concentração ligeiramente maior, de 0,4%, gerou a maior produção acumulada de metano, mas a dose de 0,2% produziu o gás com mais velocidade.

    “Isso é importante porque, além de aumentar os custos da produção, o uso elevado de hidróxido de sódio inibe a ação dos microrganismos responsáveis pela geração do metano e pode causar maior impacto sobre o meio ambiente”, destaca Larissa Ayumi Yamamoto, graduanda no IPBEN-Unesp e primeira autora do artigo, publicado em maio na revista científica Bioenergy Research.

    Excesso de reagente prejudica microrganismos e encarece o processo

    Em pequenas quantidades, a soda cáustica rompe parcialmente a estrutura vegetal e libera açúcares que alimentam os microrganismos. Em excesso, porém, o reagente passa a atacar os próprios microrganismos, o que atrapalha ou até inviabiliza o processo. “Não adianta colocar 20%, porque se torna inibitório”, resume Maintinguer. A redução da quantidade de reagente também melhora a perspectiva de aplicação industrial, já que facilita o tratamento posterior de efluentes. “Para a indústria, quanto menor a concentração de hidróxido de sódio, melhor”, completa a pesquisadora.

    Maintinguer observa que São Paulo reúne condições particularmente favoráveis para esse tipo de tecnologia. Como grande produtor de frutas, o Estado gera quantidades enormes de resíduos ao longo de toda a cadeia produtiva. Desde frutos descartados ainda na propriedade até sobras do beneficiamento industrial e da comercialização. “A ideia é fechar esse ciclo. Em vez de encaminhar restos e frutas fora do padrão comercial para aterros, esses resíduos podem alimentar biodigestores capazes de produzir energia, transformando um passivo ambiental em uma fonte renovável”, pondera a pesquisadora.

    Bactérias e arqueias definem o desempenho do sistema

    Os resultados mostraram que o desempenho do biodigestor depende não apenas da quantidade de matéria orgânica disponível, mas também de quais bactérias atuam no processo e quais caminhos elas usam para digerir a matéria. No reator tratado com 0,4% de hidróxido de sódio, predominaram bactérias dos gêneros Paraclostridium e Clostridium, além de arqueias metanogênicas, organismos unicelulares produtores de metano, dos gêneros Methanothrix e Methanoregula.

    “Nós avaliamos o consórcio microbiano presente no reator, conseguimos acompanhar como esse sistema evolui e quais rotas metabólicas os microrganismos percorrem ao longo do processo”, explica Ana Gabriela Oliveira Ferreira Janas, doutoranda no IPBEN-Unesp. “Portanto, são informações que a pesquisa pode oferecer para a indústria.”

    Digestão anaeróbia funciona como turnos de trabalho microbiano

    Maintinguer compara a digestão anaeróbia a uma sucessão de etapas cumpridas por diferentes grupos de microrganismos. “Entramos com a matéria orgânica bruta e os microrganismos vão quebrando essa matéria em compostos cada vez mais simples. Esses intermediários acabam sendo consumidos por outros microrganismos até chegar à formação do metano”, detalha.

    O estudo integra um programa mais amplo do grupo da Unesp, que busca transformar resíduos agroindustriais em fontes de energia e outros produtos de valor agregado. Além da banana, os pesquisadores também estudam resíduos de laranja e goiaba, águas residuárias do processamento de frutas e diferentes estratégias de digestão e codigestão anaeróbias, técnica que mistura diferentes tipos de resíduos no mesmo reator para potencializar a geração de energia.

    Dependendo das condições operacionais e da comunidade microbiana presente, os pesquisadores podem direcionar esses sistemas não apenas à produção de biogás. Mas também à obtenção de outros compostos de interesse industrial. Em outro trabalho, ainda em processo de revisão para publicação, Janas e colaboradores investigaram a codigestão anaeróbia de resíduos para produzir bio-hidrogênio.

    José Tadeu Arantes | Agência FAPESP

  • Maior produtora de cacau do mundo atrai US$ 80 bilhões em investimentos

    Maior produtora de cacau do mundo atrai US$ 80 bilhões em investimentos

    A Costa do Marfim garantiu mais de US$ 80 bilhões em compromissos de financiamento durante uma mesa-redonda com doadores realizada em Abidjan, nos dias 8 e 9 de julho. O encontro reuniu grandes instituições internacionais e financiadores globais com o objetivo de acelerar o desenvolvimento econômico do país.

    O volume final de promessas superou significativamente as metas que o governo havia estabelecido inicialmente. O resultado reforça a posição da Costa do Marfim como uma das economias de crescimento mais rápido da África Ocidental.

    O país mantém uma taxa média de crescimento anual de 6,5% desde que superou a crise pós-eleitoral de 2011. E esse novo influxo de capital deve dar suporte à continuidade dessa expansão. A estratégia nacional de desenvolvimento aposta fortemente em investimentos de infraestrutura de grande escala e em reformas que tornem o ambiente de negócios doméstico mais atrativo ao capital internacional.

    Governo prioriza infraestrutura e segurança energética

    O capital recém-garantido deve financiar áreas estruturais consideradas críticas para sustentar o crescimento econômico de longo prazo e ampliar a capacidade industrial do país. A participação de grandes instituições internacionais na mesa-redonda sinaliza forte confiança na estabilidade macroeconômica e no caminho de reformas que a Costa do Marfim vem adotando.

    A infraestrutura continua no topo das prioridades, mas o setor de energia local também ganha espaço relevante entre os investimentos públicos e privados. O governo pretende usar parte dos recursos para melhorar a segurança energética e construir redes domésticas confiáveis, capazes de sustentar o crescimento industrial do país.

    Segundo reportagem da Africanews, o setor energético desempenha papel essencial para garantir a sustentabilidade das elevadas taxas de crescimento econômico da Costa do Marfim e sua capacidade de atrair capital.

    Empresas locais ganham protagonismo no setor de energia

    À medida que a economia se transforma, empresas locais e campeãs nacionais assumem papel cada vez mais relevante na condução do crescimento industrial, especialmente no setor de energia. Essas empresas expandem redes de distribuição e constroem a infraestrutura necessária para abastecer as indústrias emergentes de manufatura e processamento agrícola.

    pé de cacau
    Foto: Wenderson Araujo/Sistema CNA/Senar

    A Costa do Marfim consolidou-se como líder global absoluto na produção de cacau. O país colhe consistentemente mais que o dobro do volume do segundo maior produtor mundial. Essa posição dominante no setor agrícola construiu uma base sólida de estabilidade econômica e receitas de exportação confiáveis. Um fator que provavelmente contribuiu para o elevado nível de confiança dos investidores e viabilizou os históricos US$ 80 bilhões em compromissos.

    O país francófono também assinou recentemente um acordo em Abuja que o compromete a exportar cacau processado, em vez de grãos in natura. A medida representa um passo significativo rumo ao desenvolvimento industrial e econômico da Costa do Marfim.

  • Fim do petróleo? Por que o agro brasileiro virou o novo dono da energia global

    Fim do petróleo? Por que o agro brasileiro virou o novo dono da energia global

    Esqueça aquela imagem antiga do Brasil apenas como o grande exportador de soja e carne para o prato do mundo. O jogo virou, e a nova fronteira não está apenas na mesa, mas no tanque e na rede elétrica das grandes potências. Vivemos um momento em que a segurança energética global passou a depender diretamente do que acontece no campo brasileiro. De repente, o agro nacional deixou de ser o coadjuvante da economia para se tornar o protagonista de uma transição energética que o mundo corre para abraçar.

    A metamorfose do campo em usina energética

    Muito além de alimentar bilhões, o Brasil descobriu como converter solo fértil em poder político e econômico através dos biocombustíveis. O etanol e o biodiesel não são mais apenas alternativas sustentáveis; eles se tornaram ferramentas de soberania. Enquanto países europeus e asiáticos lutam para reduzir a dependência de fósseis e do gás russo, o produtor brasileiro entrega a solução pronta em escala industrial. A partir daí, a percepção internacional mudou: quem controla a biomassa, controla o ritmo da descarbonização.

    O conflito silencioso por trás dos créditos verdes

    Nem tudo são flores nesse novo cenário. Existe uma tensão latente entre a necessidade de expansão produtiva e as exigências ambientais severas do mercado externo. O mundo quer a energia limpa do Brasil, mas impõe barreiras que desafiam a logística e o custo de produção nacional. “O Brasil tem a faca e o queijo na mão, mas precisa saber cortar sem se ferir nas proteções comerciais disfarçadas de ecologia”, afirmam analistas do setor. No entanto, a eficiência produtiva brasileira tem sido tão agressiva que ignorar nossa matriz energética tornou-se um risco econômico para qualquer país desenvolvido.

    Do pré-sal verde ao combustível do futuro

    Alcançamos um patamar onde o termo “agroenergia” define o PIB. O investimento em tecnologia para transformar resíduos em biogás e hidrogênio verde coloca o país em uma posição de vantagem comparativa absurda. Em contraste com nações que precisam importar tecnologia e insumos, nós temos o sol, a água e a terra. Assim, o Brasil desenha o seu próprio “pré-sal verde”, uma reserva de energia renovável que não acaba e que se renova a cada safra, garantindo que o país seja a peça-chave para manter as luzes do mundo acesas.

    O impacto inevitável na geopolítica mundial

    A consequência direta desse movimento é um Brasil com voz mais grossa em fóruns internacionais como o G20 e a COP. Não se discute mais o clima ou a energia sem passar pelo crivo dos produtores brasileiros. Se antes éramos vistos apenas como um “fazendão”, hoje somos o hub tecnológico de soluções de baixo carbono. Além disso, essa liderança traz uma responsabilidade imensa: qualquer instabilidade política ou climática por aqui agora gera tremores nos preços da energia global, provando que o agro brasileiro é, de fato, a nova bateria do planeta.

  • Brasil gera energia demais e ainda assim desperdiça, alertam missões no Vale do Silício

    Brasil gera energia demais e ainda assim desperdiça, alertam missões no Vale do Silício

    O Vale do Silício, berço de muitas das disrupturas tecnológicas que o Brasil tenta copiar, hoje vive uma autêntica mudança de identidade. E não é só sobre novos produtos: a própria forma de inovar está sendo redesenhada pela inteligência artificial.

    Enquanto o Vale do Silício se torna um laboratório de uso intensivo de IA, o Brasil volta a olhar para esse polo tentando traduzir esse modelo para o setor energético. A missão técnica organizada pela Insight Energy, liderada pelo CEO Sérgio Fagundes, passou por empresas que já operam com equipes enxutas, muitas vezes apoiadas por agentes de IA, e voltou com um alerta claro: o país tem potencial energético, mas ainda pouca cultura de eficiência e dados.

    “É impressionante ver o tamanho das fábricas voltadas para inovação, pesquisa e desenvolvimento. Existe um ecossistema inteiro funcionando de forma integrada, com foco em eficiência e melhoria contínua de processos”, relatou.

    A diferença é que, lá, a IA entra para acelerar testes, simulações e até automação de linhas de produção. Aqui, o desafio ainda é mais básico: organizar processos, reduzir ineficiências e parar de perder energia que já foi gerada.

    O Brasil gera energia demais e esbanja

    O Brasil enfrenta um problema pouco divulgado: em certos momentos, o sistema gera energia a mais e, em vez de aproveitá‑la, precisa desligar usinas. Isso acontece em um cenário em que 44,3% da matriz vem das hidrelétricas, 22,5% da solar e 13,4% da eólica.

    Hidrelétricas, por design, funcionam melhor em regime contínuo. Quando o operador corta produção, desgasta equipamentos e aumenta custos indiretos. “Hoje, em determinados momentos, geramos tanta energia que precisamos desligar hidrelétricas. Com o uso de baterias, seria possível armazenar esse excedente e otimizar o sistema”, disse Fagundes.

    O ponto central é que, enquanto o Vale do Silício discute como a IA vai reduzir estruturas e aumentar produtividade, o Brasil ainda discute como capturar e armazenar a energia que já tem à disposição.

    IA como pano de fundo dos novos modelos de fábrica

    Nos ambientes percorridos por Fagundes, a impressão é de que a IA está substituindo repetição humana, não pessoas inteiras. Equipes menores, apoiadas por agentes de IA, conseguem desenvolver e testar produtos que antes exigiriam dezenas de profissionais.

    Esse modelo impacta a forma como se pensa custo e escala. “O que diferencia um equipamento produzido em diferentes países muitas vezes é o custo. E o custo está diretamente ligado à eficiência. Se quisermos competir, precisamos produzir mais com menos, sem desperdício”, avalia o executivo.

    No setor energético, isso se traduz em modelagem de redes, previsão de geração, detecção de falhas e gestão de baterias. IA pode, por exemplo, antecipar momentos de pico de solar ou eólica e sugerir quando armazenar ou injetar energia. Ainda assim, o Brasil caminha lentamente nessa direção.

    O gargalo que segue sendo o fator humano

    O que mais surpreendeu a missão brasileira foi o contraste entre o imaginário sobre automação total e a realidade das fábricas. “Há muita gente trabalhando, homens e mulheres em igualdade, com tarefas bem definidas. O diferencial está na organização, no uso de ferramentas simples como códigos de barras e testes em cada etapa. O erro é tratado na origem, não é escalado”, destacou.

    Ainda assim, o executivo reforça que a produtividade não depende apenas de máquinas sofisticadas. “O ser humano, bem assessorado e com as ferramentas certas, produz muito bem. Todo mundo é capaz. O que existe é treinamento, disciplina e valorização de cada etapa do processo”, afirmou.

    A matéria da Folha sobre IA no Vale do Silício reforça essa leitura: o polo hoje exige mais disciplina de dados, capacidade de decidir rápido e menos “burocracia de linhas-code”. O Brasil, por outro lado, ainda convive com formação técnica desigual e curvas de aprendizado atrasadas.

    Educar, organizar e inovar

    Para Fagundes, a transição energética não depende só de leilões de baterias ou novas usinas. Depende de pessoa treinada para operar, monitorar e manter sistemas complexos. “Nosso maior potencial ainda não está sendo plenamente aproveitado porque falta qualificação. Não adianta ter recurso se não temos conhecimento para utilizá‑lo. Precisamos investir em formação técnica, em escolas profissionalizantes, em treinamento contínuo”, defendeu.

    A analogia que ele usa compõe bem o cenário. “É como uma orquestra. Cada pessoa executa sua função no tempo certo, com precisão. O resultado é harmonioso. E isso não acontece por acaso, pois é fruto de método, treinamento e dedicação”.

    Diante do que se observa no Vale do Silício, a mensagem fica mais clara: o Brasil corre o risco de chegar atrasado para o próximo ato da revolução energética se não conseguir, ao mesmo tempo, elevar o nível técnico da mão de obra e incorporar inteligência artificial na forma como planeja, gera e armazena energia.

  • Prêmio oferece R$ 38 milhões por soluções inovadoras

    Prêmio oferece R$ 38 milhões por soluções inovadoras

    O Prêmio Zayed de Sustentabilidade, principal premiação global dos Emirados Árabes Unidos na área, abre oficialmente as inscrições para sua 18ª edição (ciclo 2027). O fundo total de US$ 7,2 milhões (cerca de R$ 38 milhões) financiará soluções transformadoras em saúde, alimentação, energia, água e ação climática. Pequenas e médias empresas, organizações sem fins lucrativos e escolas de ensino médio de todo o mundo, incluindo o Brasil, podem se candidatar.

    A premiação já tem histórico de reconhecimento a projetos brasileiros. No ciclo de 2026, a empresa Stattus4, de Sorocaba (SP), venceu na categoria Água e recebeu US$ 1 milhão (R$ 5,3 milhões) para ampliar sua solução de economia hídrica. Na mesma edição, a Jade, healthtech fundada por um brasileiro e sediada nos Emirados, conquistou o primeiro lugar na categoria Saúde.

    S.E. Dr. Sultan Ahmed Al Jaber, Ministro da Indústria e Tecnologia Avançada dos EAU e diretor-geral do Prêmio, destacou o compromisso da iniciativa. “O Prêmio Zayed de Sustentabilidade reflete nosso empenho em promover soluções com impacto real e mensurável. Apoiamos a inovação em todas as suas formas, desde ações comunitárias até tecnologias de ponta, para melhorar vidas e alcançar os mais vulneráveis”, afirmou.

    Todos os finalistas recebem recursos

    A partir da última edição, um novo modelo de financiamento garante suporte financeiro a todos os finalistas. O prêmio destina US$ 1,3 milhão (R$ 6,8 milhões) para esse fim: cada finalista nas categorias principais (Saúde, Alimentação, Energia, Água e Ação Climática) recebe US$ 100 mil (R$ 525 mil), e cada escola finalista na categoria Escolas de Ensino Médio Globais ganha US$ 25 mil (R$ 131 mil). A medida visa acelerar mais projetos de alto impacto.

    As inscrições ficam abertas até 15 de junho de 2026 e o prêmio aceita candidaturas em português e outros seis idiomas. Os projetos precisam demonstrar resultados mensuráveis e se alinhar aos critérios de avaliação: Impacto, Inovação e Inspiração.

    O processo de avaliação tem três etapas rigorosas:

    • Due Diligence: análise inicial para verificar o atendimento aos critérios fundamentais.
    • Comitê de Seleção: painéis de especialistas internacionais independentes avaliam detalhadamente as propostas por categoria.
    • Júri Final: avalia os finalistas e escolhe, por unanimidade, os vencedores de cada uma das seis categorias.

    Os vencedores nas cinco categorias organizacionais recebem US$ 1 milhão (R$ 5,28 milhões) cada. As escolas vencedoras na categoria Escolas de Ensino Médio Globais ganham US$ 150 mil (R$ 792 mil) para implementar ou expandir seus projetos.

    Legado e impacto global

    O Prêmio Zayed de Sustentabilidade mantém o legado do Sheikh Zayed bin Sultan Al Nahyan, fundador dos EAU. Ao longo de quase 20 anos, os projetos apoiados pela iniciativa já impactaram positivamente mais de 400 milhões de pessoas no mundo, com ações em energia renovável, saúde acessível, segurança alimentar e hídrica.

    A organização anunciará os vencedores do ciclo 2027 durante sua cerimônia de premiação no próximo ano. Interessados podem encontrar todas as informações e se inscrever no site oficial: www.ZayedSustainabilityPrize.com.

  • Projeto converte caroço de açaí em energia renovável

    Projeto converte caroço de açaí em energia renovável

    A Solar Coca-Cola, uma das 15 maiores fabricantes do Sistema Coca-Cola no mundo, está promovendo uma revolução sustentável no Pará ao transformar caroços de açaí, antes descartados como resíduos urbanos, em fonte de energia renovável para suas operações industriais em Belém. Desde o início do projeto, em 2020, a companhia já converteu mais de 10 mil toneladas de caroço de açaí em biomassa, reduzindo significativamente o uso de combustíveis fósseis e madeira nas caldeiras de suas fábricas.

    A iniciativa da Solar Coca-Cola representa um avanço importante para a economia circular na Amazônia. Apenas em 2024, foram recuperados 2,04 milhões de quilos de caroço de açaí, que deixaram de ser descartados em aterros da Região Metropolitana de Belém. O reaproveitamento do caroço como biomassa contribui para a diminuição da poluição, evita o acúmulo de resíduos e oferece uma alternativa sustentável e econômica para a geração de energia industrial.

    Valorização social e econômica

    Além dos benefícios ambientais, o projeto tem forte impacto social. Desde 2021, a Solar Coca-Cola compra o caroço de açaí de fornecedores locais do Pará, gerando renda para centenas de produtores e fortalecendo a economia das comunidades extrativistas. Segundo Luciano de Oliveira Gomes, diretor regional da Solar Coca-Cola, “o projeto impulsiona a economia local, gera empregos e fomenta a renda em diversas comunidades da região”.

    O compromisso da Solar Coca-Cola com práticas ambientais inovadoras foi reconhecido nacionalmente. Em 2023, a empresa recebeu um prêmio de destaque por sua atuação sustentável e pelo fortalecimento da bioeconomia no Pará, setor estratégico para o desenvolvimento sustentável da Amazônia, conforme destacado por entidades como o Ministério do Meio Ambiente e o Fórum Brasileiro de Bioeconomia.

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  • Artigo: O agronegócio brasileiro precisa liderar a transição energética no campo

    Artigo: O agronegócio brasileiro precisa liderar a transição energética no campo

    O Brasil tem vocação para alimentar o mundo e para gerar fontes limpas em larga escala. Somos líderes na produção de grãos, carnes e fibras e contamos com uma das matrizes mais renováveis do planeta. No entanto, ainda há um abismo entre o potencial que temos e o uso efetivo que fazemos dessas vantagens no campo. É hora do agronegócio assumir seu protagonismo também na transição energética. A boa notícia é que os elementos estão todos à disposição: radiação solar abundante, propriedades com grande disponibilidade de área, linhas de crédito específicas e tecnologia acessível. O que falta, muitas vezes, é visão estratégica.

    A geração solar fotovoltaica, em particular, representa uma das maiores oportunidades de modernização e redução de custos para o agro nacional. Com mais de 80% do território brasileiro recebendo radiação solar superior à média da Europa, onde a tecnologia já está consolidada, o Brasil reúne todas as condições para tornar o campo uma usina energética descentralizada, inteligente e limpa.

    Em contraponto, o custo da energia elétrica no Brasil é historicamente elevado, especialmente em zonas rurais mais isoladas, onde a infraestrutura é deficiente e a distribuição é cara. Usinas solares instaladas nas próprias fazendas ou em cooperativas são capazes de suprir demandas energéticas intensivas, como irrigação, resfriamento de leite, secagem de grãos, armazenamento frigorificado, automação e tecnologia de precisão, com previsibilidade de custo e impacto ambiental praticamente nulo.

    Sobrevivência

    Mas não se trata apenas de economia na conta de luz ou autossuficiência no abastecimento. Liderar essa transformação no campo é uma questão de competitividade e sobrevivência a longo prazo. Em tempos de instabilidade climática, pressões regulatórias globais e mercado cada vez mais exigente, produtores e agroindústrias que não se adaptarem às novas exigências de sustentabilidade ficarão para trás. A agenda ESG (Ambiental, Social e Governança, em português) deixou de ser um diferencial para se tornar um pré-requisito. Grandes compradores, fundos internacionais e mesmo consumidores finais já impõem critérios ambientais na escolha de seus fornecedores. E nada comunica melhor o compromisso com o meio ambiente do que a adoção de tecnologias limpas na própria base produtiva.

    Outro ponto essencial é a democratização do acesso. A energia solar não é exclusividade dos grandes produtores. Com o avanço da tecnologia, queda de preços e novas linhas de crédito, como as do BNDES, Pronaf e programas estaduais, pequenos e médios produtores podem se beneficiar. Isso exige articulação, assistência técnica e políticas públicas voltadas ao campo energético, integradas ao planejamento agrícola nacional.

    Produtividade

    O agronegócio brasileiro já mostrou ao mundo do que é capaz em produtividade e escala. Agora, tem a chance e a responsabilidade de provar que pode ser também líder global em sustentabilidade energética rural. O sol já nasce para todos. Cabe ao agro decidir se quer apenas se beneficiar dele ou também conduzir o futuro com sua energia.

    * Rodrigo Bourscheidt é formado em Administração e Negócios pela Faculdade Sul Brasil. Atuou em equipes comerciais e estratégicas de empresas como AmBev, Grupo Embratel (Embratel, Claro e Net) e Grupo L’oreal, antes de se dedicar ao empreendedorismo. Em 2019 fundou a Energy+, rede de tecnologia em energias renováveis que oferece soluções voltadas para a geração de energia distribuída, onde atua como CEO.

    Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente a opinião do Agro em Campo e de seus editores.

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  • Capim-elefante se revela alternativa sustentável na produção de energia

    Capim-elefante se revela alternativa sustentável na produção de energia

    Desenvolvida pela Embrapa há dez anos como forrageira para pecuária leiteira, a BRS Capiaçu ganha novo protagonismo no cenário de energia renovável. Com uma produção impressionante de 50 toneladas de matéria seca por hectare/ano – 30% superior a outras cultivares –, essa variedade de capim-elefante agora é testada como biomassa para indústrias cimenteiras, biogás e etanol de segunda geração, marcando sua transição de alimento animal a combustível verde.

    Em parceria com a Ciplan/AS, a Embrapa desenvolveu um protótipo teórico para avaliar a viabilidade técnica e econômica da BRS Capiaçu como substituta do coque de petróleo em altos-fornos.

    — A exigência por energia renovável abriu uma nova oportunidade para a BRS Capiaçu — afirma Juarez Campolina Machado, pesquisador da Embrapa Gado de Leite (MG).

    Estudos preliminares indicam que o poder calorífico do capim é competitivo frente a combustíveis fósseis, enquanto testes em andamento avaliam sua aplicação em biometano e etanol celulósico (E2G) – produzido a partir de fibras vegetais como celulose e lignina, abundantes na planta.

    Projeto Biograss: integração que reduz emissões

    A cultivar também integra o projeto Biograss, uma iniciativa da Embrapa com CNPq e a empresa Bioköhler. O projeto investiga o uso de culturas energéticas (como sorgo e capim-elefante) em codigestão com dejetos suínos para produção de biogás. Experimentos em Toledo (PR) buscam comprovar seu potencial na economia circular, mitigando emissões de gases de efeito estufa.

    Lançada há 10 anos, a cultivar de capim-elefante já era consolidada por seu alto valor nutricional e porte, chegando a ultrapassar quatro metros de altura. Foto: Carolina Pereira / Gabriel Landim/Embrapa

    Originalmente criada para alimentação animal, a BRS Capiaçu já revolucionou a pecuária leiteira com sua alta produtividade (até 4 metros de altura) e custo de silagem três vezes menor que o do milho ou sorgo.

    O valor nutricional é superior ao da cana com ureia, muito usada no passado, destaca Antônio Vander Pereira, pesquisador que coordenou seu desenvolvimento.

    Apesar da menor densidade energética frente à silagem de milho, seu baixo custo a torna ideal para vacas secas e novilhas. Exigindo suplementação apenas em vacas de alta produção.

    Resiliência climática e expansão nacional

    Tolerante a geadas e secas, a BRS Capiaçu mantém crescimento após períodos de estresse hídrico, embora sofra em áreas alagadas. Essas características, somadas à facilidade de cultivo, levaram sua adoção de Norte a Sul do Brasil, com produtores como Victor Ventura (MG) relatando colheitas de 280 toneladas/hectare/ano e economia significativa.

    Com aplicações que vão da alimentação animal à bioenergia, a BRS Capiaçu exemplifica como inovações agropecuárias podem aliar produtividade e sustentabilidade. À medida que avançam os estudos, sua versatilidade promete consolidá-la como matéria-prima estratégica na transição para uma economia de baixo carbono.

    Confira, abaixo, as dicas de plantio da BRS Capiaçu:

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  • Produtos do agro garantem energia para os foliões curtirem o Carnaval

    Produtos do agro garantem energia para os foliões curtirem o Carnaval

    O Carnaval é um momento de grande festa e celebração no Brasil, e para aproveitar ao máximo os dias de folia, é essencial manter a energia e a saúde. Em São Paulo, os produtos do agronegócio local oferecem uma solução natural e eficaz para garantir que os foliões possam curtir a festa com disposição e bem-estar.

    Segundo a nutricionista Sizele Rodrigues, da Coordenadoria de Segurança Alimentar (Cosali), ligada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, produtos como guaraná, chá verde, café e gengibre são excelentes fontes de energia e disposição. O pó de guaraná, por exemplo, é rico em cafeína, um estimulante natural que melhora o ânimo e acelera o metabolismo.

    Café e chá verde: aliados do carnaval

    Além do guaraná, o café e o chá verde também são fontes de cafeína que ajudam a melhorar o humor e a disposição. Itens essenciais para enfrentar os dias de festa. O chá verde pode ser consumido quente ou gelado, mantendo seu efeito energizante.

    Gengibre: mais que energia

    O gengibre não apenas fornece energia, mas também tem ação anti-inflamatória e antioxidante, melhorando a digestão e ajudando a manter o metabolismo acelerado. Isso torna o gengibre um aliado valioso para quem quer aproveitar o Carnaval sem comprometer a saúde.

    Hidratação: o segredo para um carnaval saudável

    Durante os dias quentes do verão paulista, a hidratação é fundamental. A água é essencial para manter o corpo funcionando corretamente, auxiliando na digestão e no metabolismo. Além disso, bebidas isotônicas, como a água de coco, podem ajudar a repor eletrólitos perdidos durante a folia.

    A ligação entre o Carnaval e a agricultura é mais forte do que se imagina. Muitos alimentos que garantem energia e saúde durante a festa são cultivados por produtores rurais locais. A escolha por produtos frescos e naturais não apenas beneficia a saúde dos foliões. Mas também apoia a economia local e promove uma celebração mais sustentável.

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