Tag: emissões de carbono

  • Fenasucro & Agrocana 2026 amplia rastreabilidade de carbono e gestão de resíduos na bioenergia

    Fenasucro & Agrocana 2026 amplia rastreabilidade de carbono e gestão de resíduos na bioenergia

    A Fenasucro & Agrocana 2026, maior feira do mundo voltada à cadeia da bioenergia, ampliará suas iniciativas de sustentabilidade ao fortalecer o monitoramento de impactos ambientais e implementar novas medidas voltadas à economia circular. A 32ª edição do evento acontecerá entre os dias 11 e 14 de agosto, no Centro de Eventos Zanini, em Sertãozinho (SP).

    Nesta edição, a organização passará a monitorar com maior precisão as emissões de gases de efeito estufa (GEE) geradas durante as fases de montagem e desmontagem dos estandes. Além disso, adotará um sistema integrado de gestão de resíduos, abrangendo todas as etapas da feira.

    Canaoeste Green

    O aprimoramento das ações ocorre por meio do programa Canaoeste Green, desenvolvido em parceria com a Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo (Canaoeste).

    O projeto segue os critérios estabelecidos pelo GHG Protocol, principal metodologia internacional utilizada para contabilização e divulgação de emissões de carbono.

    A compensação das emissões continuará sendo realizada em áreas de vegetação nativa preservadas por produtores associados à Canaoeste. Esses agricultores possuem certificação internacional Bonsucro, reconhecimento concedido a produtores de cana-de-açúcar que adotam práticas sustentáveis em suas propriedades.

    Segundo Fábio de Camargo Soldera, gestor de Sustentabilidade da Canaoeste, a iniciativa gera benefícios ambientais e valoriza os produtores comprometidos com a conservação.

    “Além de contribuir para a mitigação das mudanças climáticas, o programa fortalece um modelo de reconhecimento baseado em resultados mensuráveis”, afirma.

    Energia consumida no evento terá como fonte a biomassa da cana-de-açúcar — Foto: Divulgação

    Na área de resíduos, a parceria com a Copercana BioCoop prevê a instalação de pontos de coleta seletiva distribuídos pelo evento. Além disso, haverá sinalização específica para descarte correto e uma estrutura dedicada à triagem e destinação adequada dos materiais gerados.

    Sustentabilidade alinhada à transição energética

    De acordo com Paulo Montabone, diretor da Fenasucro & Agrocana, as novas ações representam uma evolução na forma como a feira mede e demonstra seus resultados ambientais.

    “A sustentabilidade já faz parte da essência da feira por representarmos um setor que contribui diretamente para a transição energética. Estamos avançando para que esse compromisso seja cada vez mais tangível e verificável”, afirma.

    Reconhecimento internacional para a cadeia canavieira

    Além das iniciativas implementadas na feira, a Canaoeste conquistou recentemente destaque internacional ao vencer o Prêmio RELX SDG Customer, reconhecimento destinado a projetos alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU).

    A premiação teve como base os resultados obtidos pelo Programa SEMEIA, iniciativa voltada à disseminação de boas práticas ambientais e ao fortalecimento da sustentabilidade na cadeia produtiva da cana-de-açúcar.

    A cana-de-açúcar está entre as principais matérias-primas da transição para uma economia de baixo carbono — Foto: GOV

    Credenciamento e programação

    A feira contará com mais de 600 marcas expositoras e estima receber visitantes de mais de 80 países.

    Promovida pela RX com apoio exclusivo do CEISE Br, a Fenasucro & Agrocana consolidou-se como a principal plataforma de negócios e conexão entre fornecedores e compradores do setor bioenergético.

    O credenciamento gratuito para visitantes da 32ª edição já está disponível no site oficial do evento: www.fenasucro.com.br

    Além disso, também estão abertas as vendas de ingressos para a segunda edição da FenaBio, evento paralelo que integra a programação do setor.

  • Cheque Pecuária ajuda na manutenção de estoque de 500 milhões de toneladas de carbono

    Cheque Pecuária ajuda na manutenção de estoque de 500 milhões de toneladas de carbono

    O governo do Pará lançou o Cheque Pecuária, programa que disponibiliza recursos financeiros para mais de 70 mil pequenos produtores e agricultores familiares do estado adotarem práticas sustentáveis na criação de gado. A iniciativa tem potencial para evitar a emissão de centenas de milhões de toneladas de gases de efeito estufa, segundo análise do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora).

    O programa oferece até R$ 20 mil por produtor para investimentos em regularização ambiental ou implementação de boas práticas que aumentem a produtividade sem desmatamento adicional. O público-alvo concentra 3,1 milhões de cabeças de gado, equivalentes a 13,7% do rebanho paraense.

    Foco nos pequenos produtores da cadeia da carne

    A política pública mira especificamente agricultores familiares e produtores com até 100 cabeças de gado, considerado o elo mais frágil e vulnerável da cadeia produtiva da carne. Esse segmento atua principalmente nas fases iniciais de cria e recria dos animais, fornecendo gado para propriedades maiores que fazem interface direta com frigoríficos.

    “É um segmento que, quando apresenta irregularidades socioambientais, contamina toda a cadeia de produção com desmatamento irregular”, explica Bruno Vello, coordenador de Políticas Públicas do Imaflora. “Por isso é positivo que o Cheque Pecuária focalize nas pequenas propriedades disseminadas pelo estado.”

    Duas modalidades de investimento sustentável

    O recurso pode ser destinado para duas finalidades específicas com impacto direto na redução do desmatamento:

    • Requalificação comercial: recuperação de áreas desmatadas sem autorização após 2008, permitindo que produtores irregulares se adequem às normas ambientais. O programa exclui propriedades com sobreposição a áreas protegidas ou com histórico de trabalho análogo à escravidão.
    • Boas práticas produtivas: implementação de técnicas como o manejo rotacionado de pastagens, que aumenta a produtividade enquanto gera benefícios ambientais. Neste sistema, o pasto é dividido em piquetes onde o gado fica concentrado de forma alternada, permitindo a regeneração adequada da pastagem.

    Ganhos climáticos expressivos

    Os cálculos do Imaflora consideram um cenário de adesão total ao programa, com distribuição equilibrada entre as duas modalidades. Os resultados projetados são significativos:

    • 360 mil hectares sob manejo sustentável (14% da meta do Plano ABC+ Pará)
    • 432 mil hectares isolados para recuperação ambiental (7,7% da meta do Plano de Recuperação da Vegetação Nativa)
    • 500 milhões de toneladas de carbono mantidas no solo sem migrar para a atmosfera
    • 806,4 mil toneladas de CO2 removidas anualmente
    • 48,4 mil toneladas de metano reduzidas por ano com abate precoce

    O metano, gás emitido principalmente pelo arroto dos bovinos, tem poder de aquecimento global 28 vezes maior que o carbono, tornando sua redução especialmente relevante para o combate às mudanças climáticas.

    Duplicação da produção sem novos desmatamentos

    Com as práticas adequadas, pequenos produtores poderiam duplicar a produção pecuária sem necessidade de abrir novas áreas de pastagem. O manejo correto recupera solos degradados, produz forragem de melhor qualidade e acelera a engorda dos animais, reduzindo o tempo de permanência na propriedade.

    A recuperação florestal nas áreas de requalificação comercial tem potencial de captura de 4,8 milhões de toneladas de CO2, com remoção contínua de 11,11 toneladas por hectare anualmente nas florestas secundárias que substituiriam pastagens degradadas.

    Desafios e oportunidades de melhoria

    Bruno Vello reconhece que o Cheque Pecuária representa um avanço importante para vencer resistências à adequação ambiental entre produtores que tradicionalmente associam regularização a custos elevados e perda de área produtiva. “Dispor de um recurso que permite se regularizar e obter ganhos de produção pode ser um incentivo decisivo para a mudança”, afirma.

    O especialista aponta, no entanto, oportunidades de aprimoramento, como a inclusão de incentivos para adesão à rastreabilidade individual do rebanho. “Será preciso um monitoramento fino nos próximos anos para identificar eventuais gargalos, distorções e oportunidades de melhorar o programa”, recomenda.