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  • Com montanhas de cebola jogadas nas estradas, governo orienta renegociação de dívidas

    Com montanhas de cebola jogadas nas estradas, governo orienta renegociação de dívidas

    O Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) divulgou orientação às instituições financeiras que operam o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) sobre a possibilidade de renegociar e prorrogar parcelas de financiamentos de agricultores familiares dedicados à cultura da cebola.

    A medida chega em meio a uma das piores crises do setor nos últimos dez anos. Santa Catarina enfrenta um colapso na comercialização. O preço de produção está acima do valor pago aos produtores, e sete cidades catarinenses já decretaram situação de emergência, entre elas Ituporanga, a capital nacional da cebola. Produtores descartam toneladas do produto porque o quilo está em torno de R$ 0,80, valor que não cobre os custos de colheita, armazenamento e transporte. Para muitos, sai mais caro tirar da lavoura do que deixar no chão.

    O custo médio de produção da cebola chega a R$ 1,33 por quilo, enquanto o preço médio pago ao produtor ficou em torno de R$ 0,67, praticamente metade. Em Aurora (SC), produtores descartaram pelo menos 11 grandes montes de cebola à beira de rodovias, escancarando um cenário de prejuízo generalizado.

    Como funciona a renegociação

    A orientação do MDA ampara-se nas regras do Manual de Crédito Rural (MCR) e permite três caminhos: prorrogação de operações de custeio por até 36 meses; prorrogação de parcelas de investimento por até um ano após o término do contrato; ou diluição do valor nas parcelas ainda a vencer.

    A renegociação não é automática. O agricultor deve solicitar o pedido diretamente à instituição financeira onde contratou o financiamento. De preferência antes do vencimento das parcelas, para evitar a inadimplência. Para análise da operação, é necessário comprovar a dificuldade temporária de pagamento, apresentar documentação ou laudo técnico que evidencie a redução de renda. E também demonstrar a viabilidade econômica do empreendimento após a renegociação.

    Quando a crise atingir um volume maior de produtores em determinado município ou região, as instituições financeiras podem aceitar laudo técnico coletivo, sem prejuízo da análise individual de cada operação.

    O que diz o governo

    Para o secretário de Agricultura Familiar e Agroecologia, Vanderley Ziger, a medida reforça o papel do Estado diante de crises de mercado. “Quando ocorrem oscilações que afetam temporariamente a renda dos produtores, é papel do Estado atuar de forma responsável e técnica para preservar a capacidade produtiva das famílias. Essa orientação garante segurança jurídica, previsibilidade e continuidade da produção”, afirmou.

    Foto: Rodarte/Agro Em Campo

    Ziger destacou ainda que o Pronaf é um dos principais instrumentos de fortalecimento da agricultura familiar no país. “Estamos falando de famílias que produzem alimento, geram renda e mantêm viva a dinâmica econômica dos municípios.”

    Desconto automático pelo PGPAF

    Além da renegociação, os produtores de cebola contam com o Programa de Garantia de Preços da Agricultura Familiar (PGPAF), que garante bônus de desconto nas parcelas do Pronaf sempre que o preço de comercialização do produto cai abaixo do preço de garantia definido pelo governo federal.

    O desconto vai direto no pagamento da parcela, sem necessidade de solicitação, desde que o agricultor esteja adimplente. Para fevereiro, os percentuais de desconto na cebola chegam a 44,29% no Paraná, 58,57% no Rio Grande do Sul e 46,43% em Santa Catarina, com limite de R$ 5 mil por beneficiário. Produtores que optarem por pagar as parcelas em vez de solicitar a prorrogação recebem o desconto automaticamente.

    Santa Catarina responde por aproximadamente 40% da cebola consumida no Brasil. E a atual crise de rentabilidade ameaça a continuidade das atividades em propriedades de base familiar. A estimativa de arrecadação global do setor caiu de R$ 250 milhões para cerca de R$ 100 milhões na safra atual. E o setor ainda monitora com preocupação a entrada da produção argentina no mercado brasileiro a partir de março.

  • Praga da mandioca: declarada emergência no Amapá e Pará

    Praga da mandioca: declarada emergência no Amapá e Pará

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou uma portaria que declara estado de emergência fitossanitária nos estados do Amapá e Pará em razão do risco de surto da praga quarentenária Rhizoctonia theobromae (Ceratobasidium theobromae), causadora da vassoura-de-bruxa-da-mandioca.

    Equipes da Embrapa Amapá e da Embrapa Mandioca e Fruticultura (Cruz das Almas, BA) inicialmente constataram a presença do fungo em plantios de mandioca nas terras indígenas de Oiapoque, na fronteira do Brasil com a Guiana Francesa. A infecção por esse fungo representa um alto risco para a produtividade das plantas afetadas. Até o momento, a praga ocorreu nos municípios amapaenses de Oiapoque, Calçoene, Amapá, Pracuúba, Tartarugalzinho e Pedra Branca do Amapari.

    Ações coordenadas pelo Mapa

    Cristiane Ramos de Jesus, chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Amapá, explica que as pragas quarentenárias presentes são aquelas exóticas que estão no país com distribuição restrita e sob controle oficial. “A partir da definição desse status, todas as ações referentes a essa praga passam a ser coordenadas pelo Mapa. E com o auxílio das agências estaduais de defesa agropecuária,” afirma.

    Analista da Embrapa Amapá, pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura e Técnico da Diagro do Amapá, em atividade de coleta de material para análises. Foto: Dulcivânia Freitas/Embrapa

    A Embrapa, autorizada pelo Mapa, continua a executar projetos de pesquisa e desenvolvimento financiados pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). Essas iniciativas visam promover a segurança alimentar dos povos indígenas de Oiapoque, com foco na implantação de campos de multiplicação de manivas-semente de mandioca que são tolerantes à praga, além da diversificação de culturas como alternativa de renda.

    A portaria de emergência fitossanitária tem validade de um ano e busca reforçar medidas preventivas para evitar a dispersão da praga para outras áreas cultiváveis. O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, destacou que essa medida demonstra o reconhecimento do problema pelo Mapa. “Durante a vigência do estado de emergência fitossanitária, todas as ações necessárias para erradicar a praga poderão ser adotadas com mais agilidade,” afirmou.

    Mobilização

    Francisco Laranjeira, chefe-geral da Embrapa Mandioca e Fruticultura, acredita que a declaração da emergência permitirá uma maior celeridade nas ações para contenção da praga. “Isso transmite à cadeia produtiva o necessário senso de urgência para que todos colaborem nessa luta,” enfatizou. Ele ressaltou a importância de ações coletivas entre produtores, pesquisadores, extensão rural, defesa fitossanitária e operadores políticos.

    A publicação da portaria estabelecerá um Comando Nacional Emergencial, que reunirá diversas instituições públicas federais, estaduais e municipais. Além do setor privado, para coordenar as ações necessárias no enfrentamento à praga. Essa mobilização é crucial para proteger os cultivos de mandioca e garantir a segurança alimentar nas regiões afetadas.

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  • Surto da praga da mandioca faz Ministério declarar emergência

    Surto da praga da mandioca faz Ministério declarar emergência

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou, nesta quinta-feira (30), a Portaria nº 769, que declara estado de emergência fitossanitária em razão do risco de surto da praga quarentenária Rhizoctonia theobromae (também conhecida como “vassoura de bruxa”) nos estados do Amapá e Pará. A medida, que terá validade por um ano, busca reforçar as ações de prevenção e evitar a disseminação da praga para outras áreas de cultivo.

    O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, ressaltou a importância da declaração: “Com o estado de emergência fitossanitária em vigor, será possível adotar todas as ações necessárias para erradicar a praga com mais agilidade, tanto em nível federal quanto estadual.” A praga foi detectada pela Embrapa Amapá nos plantios de mandioca das terras indígenas de Oiapoque em 2024.

    Os sintomas da “vassoura de bruxa” incluem ramos secos e deformados, nanismo e proliferação de brotos fracos nos caules. Com a progressão da doença, é comum observar clorose, murcha e seca das folhas, além da morte apical e descendente das plantas. A dispersão do patógeno pode ocorrer através de material vegetal infectado, ferramentas de poda e movimentação de solo e água. A movimentação de plantas e produtos agrícolas entre regiões também pode facilitar a propagação da doença.

    Ações de defesa fitossanitária

    Na quarta-feira (29), o ministro Carlos Fávaro se reuniu com o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, representantes da Embrapa e equipes técnicas dos dois ministérios para discutir medidas de defesa fitossanitária. “Temos o melhor sistema de defesa agropecuária do mundo e trataremos essa situação com seriedade e agilidade”, afirmou Fávaro.

    Desde a confirmação da presença da praga no Brasil, equipes compostas por profissionais do Mapa, Embrapa, Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária do estado do Amapá (Diagro) e o Instituto de Extensão, Assistência e Desenvolvimento Rural do Amapá (Rurap) estão atuando no estado para realizar uma varredura completa na área em risco e aplicar medidas de contenção nos focos identificados.

    A publicação da portaria resultará na criação de um Comando Nacional Emergencial. Ele será formado por várias instituições públicas federais, estaduais e municipais, além da participação da iniciativa privada. O objetivo é coordenar as ações necessárias para enfrentar esta praga que ameaça as plantações de mandioca.

    A declaração de emergência fitossanitária pelo Mapa é uma resposta proativa ao risco representado pela praga Rhizoctonia theobromae. As medidas implementadas visam proteger a produção agrícola e garantir a segurança alimentar nas regiões afetadas. O monitoramento contínuo e a colaboração entre diferentes entidades serão fundamentais para mitigar os impactos dessa praga nas lavouras brasileiras.

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